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Marca Bahia Notícias

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Opinião: Candidatura do PSD à presidência gera trunfo para Coronel seguir como nome para reeleição

Por Fernando Duarte

Opinião: Candidatura do PSD à presidência gera trunfo para Coronel seguir como nome para reeleição
Kassab reitera apoio a Coronel para reeleição ao Senado e aponta força do PSD na

O impacto na cena nacional da chegada do governador de Goiás Ronaldo Caiado ao PSD foi uma surpresa que embolou o tabuleiro das candidaturas à presidência da República. E, indiretamente, ajudou o senador Angelo Coronel a ganhar um trunfo para manter a tentativa de reeleição. Por mais que o presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar, indique não haver espaço para um palanque para candidatura nacional do PSD na Bahia, as chances de Kassab aceitar de bom grado tal posicionamento é bem pequena – e não há amizade que abra essa possibilidade.

 

Como, para o PT, o projeto de eleição de governador da Bahia continua como prioritário – não apenas localmente, mas como estratégia para dar a Lula uma margem ampla de votos na Bahia -, a chapa puro-sangue pode ser desfeita antes mesmo de ter sido imposta. Perder o PSD – ou apenas a porção ligada a Coronel do partido – é uma aposta alta demais para quem sabe que há muito a perder com um racha dentro do principal aliado. É com base nisso que o nome de Coronel volta a circular com chances de entrar na chapa governista.

 

O problema é encontrar o espaço para que o senador seja candidato à reeleição. Jaques Wagner se disse candidato à reeleição no Senado mais de uma vez. Rui Costa anunciou a saída da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva em março para ser candidato a senador. E, até aqui, Jerônimo Rodrigues não tende a ser substituído como candidato ao governo; portanto, é candidato à reeleição. Na bola dividida, alguém teria que ceder e, com tantos fidalgos, é raro termos altruísmos na cena política. A chapa imbatível se torna, então, uma chapa mais frágil, ainda que Coronel não faça jus a musculatura política que imputam a ele.

 

Caso não haja essa possibilidade de Coronel candidato à reeleição na chapa do governo, o senador teria duas opções: uma candidatura avulsa, garantindo um palanque independente para o candidato à presidência da República do PSD, ou migrar para a oposição, ainda que, formalmente, o PSD esteja coligado com o PT na Bahia. É um jogo dúbio, que não seria uma novidade no ambiente eleitoral. Todavia, em ambos os casos, o PT perderia bastante numa eleição que pode ser decidida com diferença menor que 5% dos votos.

 

A oposição da Bahia, que necessitava de uma candidatura ao Palácio do Planalto distante do bolsonarismo para não cair no colo de Flávio Bolsonaro, viu na possibilidade de um nome do PSD um salva-vidas. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), que assistiu ao nome de Ronaldo Caiado não permanecer como viável na federação União Progressista (graças a um veto de Ciro Nogueira), agora ganhou a oportunidade de sair do muro sem um prejuízo se tornar iminentemente anitlulista.

 

Os agora três presidenciáveis do PSD, Caiado somado aos também governadores Ratinho Jr. e Eduardo Leite, podem adotar um tom de moderação ideal para transitar entre o antipetismo e a extrema-direita bolsonarista, tornando-se uma “terceira via”. ACM Neto pregou isso em 2022 e ainda assim foi tachado de bolsonarista pelo petismo, ainda que o número de votos de Lula tenha sido muito maior que os captados por Jerônimo Rodrigues no segundo turno. Agora, sem uma candidatura da federação União Progressista, o ex-prefeito fica mais “livre” e sem grandes restrições de palanques – podendo apoiar outros nomes que não Lula ou a representação do bolsonarismo nas urnas, o senador Flávio Bolsonaro.

 

Para Coronel, então, o benefício de forçar o PT a aceitá-lo na chapa governista ou de conseguir tornar a candidatura dele à reeleição como independente ou de oposição é um trunfo e tanto. O movimento de Kassab quase que obriga que ele esteja nas urnas. A escolha de qual caminho seguir, todavia, não é apenas dele. Depende do PT da Bahia engolir a seco um aliado nem tão aliado assim ou encará-lo como um adversário integralmente.