Opinião: Geraldo Jr. pode causar dor de cabeça ao projeto de reeleição de Bruno Reis, mas tem seus ônus
Por Fernando Duarte
Pelo andar da carruagem, o vice-governador Geraldo Jr. (MDB) pode ser alçado à condição de candidato único da base do governo da Bahia a prefeito de Salvador. Com o aval financeiro do partido e a benção da dupla Geddel e Lúcio Vieira Lima, Geraldinho, como é conhecido, pode ser considerado um “calo no sapato” do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), maior que outros aliados. Talvez seja essa razão pela qual tantos insistem na viabilidade dele para o enfrentamento ao grupo que há até pouco tempo ele defendeu e integrou.
Desde março de 2022, quando o Progressistas rompeu com o PT e migrou para os braços do então candidato ACM Neto (União), o trunfo Geraldo Jr. foi considerado um dos marcos da campanha eleitoral do ano passado. Ele prometeu diminuir a distância nas urnas entre o grupo petista e os adversários na capital baiana e entregou bem menos que isso. No entanto, o ex-presidente da Câmara funciona como uma espécie de bomba-relógio, que poderia eventualmente explodir contra os antigos aliados. Pelo menos, é o que pregam alguns mensageiros do caos que permanecem ao lado dele.
Geraldinho pode causar dor de cabeça em Bruno Reis. Por ter sido das coxias da ascensão e permanência do grupo de ACM Neto no Palácio Thomé de Souza, o vice-governador causaria, no mínimo, um constrangimento eventual caso seja obrigado a confrontar esse passado. Só que parte desse momento pregresso é compartilhado, então o risco de um dano colateral a própria candidatura não é descartável. Do mesmo jeito que Geraldo Jr. pode ter temáticas sensíveis ao prefeito em reeleição, Bruno pode ter algo para atuar como chumbo trocado.
Entre as pautas que não devem emergir, inclusive, deveria ser um dos episódios mais vergonhosos da história recente baiana - e brasileira: as malas milionárias em um apartamento ligado a Geddel e Lúcio Vieira Lima. Como a dupla tem um pé em cada lado a depender das ondas da política, os atores da cena local vão evitar usar esse telhado de vidro. É uma aposta na memória enfraquecida dos eleitores, já que foi essa articulação para incluir Geraldo Jr. como vice de Jerônimo Rodrigues que os trouxe de volta à mesa de negociação política com certo grau de força e uma potência que não aconteceria se fôssemos um país sério.
Para os atuais aliados, o episódio das malas de dinheiro não parece ser problema. Questionados sobre o tema, eles desdenham da pergunta e rebatem: se não pegou em 2022, provavelmente não vai ter repercussão enquanto um Vieira Lima não estiver nas urnas. Infelizmente, é um jogo previsível, especialmente com a velocidade com que escândalos políticos viram página virada para os agentes e para quem vota.
Outro ponto interessante do lançamento de Geraldinho como candidato a prefeito será o comportamento do presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB). O chefe do Legislativo da capital “herdou” o cargo após a eleição do aliado e, em tese, só anunciou a adesão ao projeto de reeleição do atual prefeito depois que pareceu entrar água no “sonho” do vice-governador ser candidato a prefeito. Todavia, agora, a chama desse desejo voltou a ser acesa e Muniz terá que escolher entre manter a palavra pública ou ser cobrado por Geraldo Jr. pelo “presente” de comandar os vereadores soteropolitanos.
No final, com muito pouco a perder, Geraldo Jr. pode até povoar pesadelos para Bruno Reis no próximo ano. Entre as opções disponíveis na base do governo Jerônimo, pode largar inicialmente na frente para um embate direto. Com ônus e bônus. É equilibrar na balança e ver o que sai disso tudo.
