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Opinião: Oposição no Brasil e na Bahia tem oportunidade de superar e se afastar do bolsonarismo

Por Fernando Duarte

Opinião: Oposição no Brasil e na Bahia tem oportunidade de superar e se afastar do bolsonarismo
Foto: Max Haack/ Ag. Haack

A oposição a Luiz Inácio Lula da Silva ainda tenta encontrar formas para a autoanálise necessária após ter sido refém do bolsonarismo no pleito de 2026. No esforço para aproveitar a onda antilulista, o cálculo que levou Flávio Bolsonaro (PL) a ser ungido como candidato do campo democrático à direita foi errado. Tanto que, passadas 48h do segundo turno, o Bolsonaro Similar fugiu e deixou quase 60 milhões de votos órfãos.

 

Nesse bojo, a oposição na Bahia foi tragada apenas na segunda etapa do pleito. Ainda assim, com consequências ainda não completamente mensuradas. Enquanto apenas bolsonaristas mais radicais faziam campanha para o candidato do PL no primeiro turno, o principal líder da oposição baiana, ACM Neto (União) embarcou no projeto do Bolsonaro Similar quando já não havia muitas opções de caminho. Derrotado pela segunda vez para Jerônimo Rodrigues (PT) - agora para um governador que não estava a reboque do candidato Lula -, o ex-prefeito de Salvador fez uma escolha para ganhar sobrevida eleitoral. Perdeu também.

 

Diferentemente de 2022, quando submergiu por um bom tempo, agora ACM Neto parece ter percebido que, uma nova ausência, geraria um vácuo de "poder" que poderia tê-lo defenestrado do antagonismo que as urnas lhe deram. Além de ter feito campanha para Flávio, na mesma semana do segundo turno publicou estar "arrumando a casa" para próximas etapas. Não ficou claro exatamente o que ele pretende fazer, porém é sabido que ele terá que lidar com o arranhão na imagem de moderado amplamente construída. Sob o risco de ser engolido pela emergência de uma liderança que simbolize o antipetismo, como ele já o faz, mas também o antibolsonarismo, que ganhou as eleições presidenciais em 2026.

 

Enquanto tenta se "reaprumar" na Bahia, essa mesma oposição tem, no cenário nacional, a oportunidade de se afastar do golpismo, explicitada com a "carta renúncia" do Bolsonaro Similar. Após ter sido fagocitada pelo bolsonarismo, o que se entende por direita democrática - da qual ACM Neto faz parte - pode retomar o protagonismo perdido desde a chegada de Jair Bolsonaro aos holofotes políticos. É claro que, nesse processo, a marca de adesão a Flávio será reforçada pelo lulopetismo - fortalecido localmente e também nacionalmente.

 

Por enquanto, já sobram candidatos a ocupar o vácuo do delirante "verdadeiro presidente eleito", cuja função de oposição à distância já foi colocada em xeque pelos próprios aliados. Há quem incense mais uma integrante do clã, Michelle Bolsonaro, ou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Daqui para 2030, há um longo caminho a ser percorrido. Especialmente pela oposição que não terá mais que enfrentar diretamente Lula.