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Marca Bahia Notícias

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Opinião: Eleições 2026 e aquele 1% bem “vagabundo” dos votos válidos

Por Fernando Duarte

Opinião: Eleições 2026 e aquele 1% bem “vagabundo” dos votos válidos
Foto: Gemini

“Aquele 1%”. E não é uma música sertaneja, mas o percentual que pode ser decisivo para a jornada eleitoral de 2026 – na Bahia e até mesmo nacionalmente. Há algumas semanas, disputas em dois turnos eram improváveis nos dois planos, apesar de não podermos tratá-las como impossíveis. Agora, no plano federal é muito provável que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrente Flávio Bolsonaro (PL) no final de outubro – pelo menos é o desenho rascunhado. E na Bahia?

 

Diferente de quatro anos atrás, quando a candidatura ao governo da Bahia de João Roma (PL) praticamente forçou um segundo turno entre Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União), a falta de uma terceira alternativa com potencial de votos tornava a chance de dois turnos quase nula. Além de Roma, em 2022, Kleber Rosa (PSOL) também “roubou” um naco de votos que ajudou a adiar a decisão para o final de outubro daquele ano. Agora, Ronaldo Mansur (PSOL) está distante de ter um desempenho similar, que pudesse viabilizar o roteiro de duas disputas.

 

Todavia, ora as pesquisas mostram a “boca de jacaré” se afunilando ora um empate técnico entre as duas candidaturas mais competitivas, de Jerônimo e ACM Neto. Só que o acirramento com uma margem tão pequena de diferença entre ambos (tal qual se viu no segundo turno de quatro anos atrás) tem se mantido e acende um alerta que estava desligado até então: um pequeno percentual de votos (ou 1%) pode ser crucial para saber quem vence a corrida pelo Palácio de Ondina. E quando esse candidato irá vencer, no dia 4 ou no dia 25.

 

Levantamentos eleitorais devem ser avaliados como retratos estanques. Todavia, se observamos em perspectiva, nota-se tendências de proximidade entre os dois adversários. No entanto, mesmo estando muito próximos de 50% + 1, há uma chance remota que a soma dos demais adversários mantenha um limiar muito curto para uma vitória em turno único. Em se tratando de eleição a imprevisibilidade das urnas se torna um padrão. Na Bahia, então, a história recente quase comprova esse cenário difícil de prever. Para as campanhas, esse dado deve ser analisado com muita cautela.

 

Enquanto isso, a disputa nacional mostra que o favoritismo da reeleição de Lula diminuiu – com consequente impacto na campanha de Jerônimo na Bahia – e os percentuais das possíveis “terceiras vias” não crescem ao ponto de ultrapassar o herdeiro de Bolsonaro. Ou seja, uma disputa em dois turnos passa a ser provável. E aí entra uma variável na equação baiana: a chance de mobilização do eleitor com um segundo turno é maior se por aqui também houver uma segunda disputa. Por isso, qualquer 1% pode ser essencial para uma vitória para Lula, Jerônimo ou ACM Neto. A eleição de 2026 parece ter aquele 1% bem vagabundo...