Opinião: Disputa eleitoral é discreta no Dois de Julho, apesar dos ataques de Rui a ACM Neto
Por Fernando Duarte
Apesar de ser um ano eleitoral, o Dois de Julho foi até discreto do ponto de vista político. As já esperadas trocas de farpas entre grupos divergentes ficaram restritas a falas do ex-governador Rui Costa (PT), pré-candidato ao Senado, e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), que respondeu a uma provocação do adversário. O balanço geral, todavia, foi bem abaixo da fervura tradicional da celebração da Independência da Bahia.
O grupo no entorno do governador Jerônimo Rodrigues (PT) acelerou o passo e terminou o trajeto mais rápido do que em anos anteriores. Jerônimo, mais uma vez, adotou a posição de “paz e amor” e evitou falar de adversários, deixando para Rui a função de atacar – algo que já é rascunhado há algum tempo. A ausência de Luiz Inácio Lula da Silva, que tinha se tornado uma tradição do grupo governista ao longo dos últimos anos, parece ter esvaziado o desfile cívico-eleitoral.
Ainda tendo como foco esse grupo, houve provocações com cartazes que remetiam o senador Jaques Wagner (PT) ao escândalo do Banco Master. Tanto com o próprio Wagner como alvo, quanto com a associação entre o secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Sodré (enteado do senador), e Jerônimo Rodrigues. Porém, algo implícito se tratar de uma movimentação coordenada de adversários, que tentam fazer com que o episódio do Master recaia sobre o PT baiano. Tudo dentro do roteiro já esperado.
Do lado da oposição, houve o discurso ensaiado de críticas a projetos como a ponte Salvador x Itaparica, uma pauta que promete ser explorada à exaustão durante o processo eleitoral. Os governos federal e estadual se apressaram em dar início a marcos de construções antes da proibição da Justiça Eleitoral, o que pode minimizar os impactos dos eventuais ataques.
ACM Neto e seu entorno insistiu em pautas já habituais, porém sem novidades. Há, todavia, o registro do senador Angelo Coronel (Republicanos) cumprindo parte do trajeto do desfile cívico-eleitoral, algo que ele não tinha feito ao longo dos últimos anos. Eleição realmente mobiliza candidatos e o ato desta quinta-feira é um exemplo disso. Candidato a vice, Zé Cocá (PP), “braço” do interior da chapa também se fez presente para “estrear” no Dois de Julho da capital baiana, ao lado dos aliados. João Roma, candidato ao Senado, também participou, mas sem levantar incisivamente a bandeira do bolsonarismo, como o fez em edições anteriores da festa.
A passagem da Lapinha ao largo do Pelourinho da oposição foi mais lenta que a governista, numa repetição das estratégias do grupo em outros anos eleitorais. Com captação de imagens para redes sociais e mobilização de claques, o que se viu foram dois lados de uma mesma moeda, mas com perspectivas distintas de aproveitamento do trajeto.
A chuva caiu no meio do percurso e pareceu bem simbólica de como foi morno o desempenho eleitoral da celebração da Independência da Bahia. Há quem avalie como quente, mas aí é a paixão de quem está envolvido com as campanhas. A discrição até na troca de farpas nem de longe está na temperatura que devemos ver no processo já iniciado de disputa para as eleições de outubro.
