Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias

Notícia

Presença de Lula fortalece política no Carnaval ao mesmo tempo em que enfraquece aliados

Por Fernando Duarte

Presença de Lula fortalece política no Carnaval ao mesmo tempo em que enfraquece aliados
Foto: Ednei Cunha/ Bahia Notícias

A vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo que numa passagem de cerca de 2h pelo Circuito Osmar, no Campo Grande, fortaleceu o debate político na capital baiana em 2026. No entanto, boa parte das atenções ficou centrada no presidente, o que impossibilitou que outros atores, especialmente do lado do governo Jerônimo Rodrigues, assumissem algum tipo de protagonismo. Lula, aonde quer que vá, concentra os holofotes e “apaga” o entorno. Foi um risco programado pelos aliados, imagino.

 

Entretanto, em um ano eleitoral, o foco ideal deveria ser permitir que nomes como o próprio Jerônimo conquistassem um maior destaque. Não foi o que houve. Nas interações com a imprensa e com o público, concentradas no Circuito Osmar, o governador não conseguiu atrair atenções, seja com boas aspas, seja com uma ação mais contundente – em reação a eventuais críticas da oposição pela presença de Lula, por exemplo. O vice-governador Geraldo Jr. (MDB) seguiu como coordenador do Carnaval e, outra vez, também não fez jus ao título figurativo dado ainda no primeiro ano da administração de ambos.

 

O ministro Rui Costa, que nos últimos anos se manteve alheio ao Carnaval, pareceu até um vibrante folião – algo que contradiz a própria história. Falou com a imprensa na abertura da folia, para garantir que Quinho (PSD) permanece ao lado dele, fugiu no sábado quando chegou momentos antes de Lula no Camarote do Governo e no domingo ativou um modelo não visto até então, quando subiu no trio elétrico do Camaleão, com Bell Marques. Quase um bellzeiro típico, como nomes da oposição como Elmar Nascimento, que também marcou presença no trio.

 

O outro integrante da chapa, Jaques Wagner, apareceu no último dia de Carnaval e disse que preferia não falar de política. Como se fosse possível, um senador candidato à reeleição não falar de política em um ano eleitoral. Porém houve o esforço e isso deve ser reconhecido. Ainda que, mais uma vez, tenha defendido publicamente a permanência de Geraldo Jr. na chapa, ante a fala de Jerônimo em tentar postergar esse debate.

 

Lula fortaleceu esse lado da cena política. Mas afastou, por exemplo, que momentos tradicionais para uma espécie de beija-mão clássico acontecesse. Na saída do Ilê Ayiê, no Curuzu, somente figuras de menor destaque prestigiaram o mais belo dos belos. Para a sorte da população – e da imprensa -, o presidente optou por não ir até a Liberdade e acabou esvaziando um momento bem típico do Carnaval da capital baiana.

 

Lula e o governo da Bahia ainda surfaram na passagem do trio Navio Pirata, da BaianaSystem, patrocinado pela prefeitura de Salvador. Foi uma espécie de festa paga pelo grupo adversário, o que rendeu provocações nos bastidores – algumas até pouco comedidas. Do lado da oposição ao governo, a resposta foi até cortês, sugerindo que não haverá retaliações por eventuais excessos nas odes à Lula – seja por Russo Passapusso ou por Thiago Aquino, que também foi bancado pela gestão de Bruno Reis.

 

O prefeito, mais uma vez, conseguiu aproveitar bem a janela de visibilidade que o Carnaval permite. Tanto ele quanto os secretários não lidaram com grandes entraves, apesar de alguns pequenos episódios de tensão, como atrasos de trios e a superconcentração de pessoas no Circuito Dodô no dia da passagem de Anitta, que felizmente não terminou em tragédia. Com um Carnaval tranquilo, não houve razões para grandes ataques por parte da oposição, ainda que a ausência dele no Campo Grande quando Lula esteve tenha sido um ponto explorado por adversários.

 

No entanto, como a visita do presidente não foi institucional, Bruno acabou encontrando uma justificativa menos esfarrapada para não o receber. No domingo, o prefeito chegou a dividir holofotes com seu antecessor, ACM Neto, que há algum tempo não participava desse dia da folia no Campo Grande. Por se tratar de ano eleitoral, o ex-prefeito aproveitou a popularidade do aliado e circulou pela imprensa do interior que cobre o Carnaval, tal qual Jerônimo fez. Ou seja, equilibrou a visibilidade alcançada pelo atual governador nesse quesito.

 

Se 2026 é ano de urnas, o Carnaval foi, novamente, mais morno do que em outras oportunidades. Como não houve nenhuma grande celeuma recente – a saída de Angelo Coronel da base do governo é tratada como superada – e Lula acabou ofuscando outros temas, Momo deixou os políticos bem tranquilos para curtir a folia. Notícia teve. Só não lidamos excessos nem a repercussão que os detentores de voto sempre desejam.