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Opinião: Em um Dia de Reis em 2020, Geraldo Jr. anunciava apoio para Bruno Reis ser prefeito

Por Fernando Duarte

Opinião: Em um Dia de Reis em 2020, Geraldo Jr. anunciava apoio para Bruno Reis ser prefeito
Foto: Carlos Alberto/Divulgação/CMS

Quatro anos atrás, no dia 6 de janeiro, o então vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, foi apresentado pelo ainda prefeito ACM Neto como candidato do União Brasil para que o grupo permanecesse no comando do Palácio Thomé de Souza. No Dia de Reis, ACM Neto não chocou ninguém ao colocar o nome de Bruno, apesar da insatisfação de alguns aliados, que nutria a esperança nula de que outra pessoa seria indicada. Entre os satisfeitos com o arranjo foi o presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Jr., que fez questão de celebrar o vice candidato a prefeito. Em 2024, essa situação envelheceu mal.

 

Geraldo Jr. (MDB) está agora como vice-governador e quer “tomar” nas urnas a cadeira que hoje é ocupada por Bruno Reis. Depois de anos de elogios rasgados, ambos estão em lados distintos da cena política local por circunstâncias eleitorais do último pleito geral. E, por mais que tentem pintar o emedebista como algo diferente do atual prefeito, é improvável que se consiga dissociar facilmente a imagem de ambos. Eles estão longe de serem dois lados de uma mesma moeda, mas também não são díspares como tentam pregar aqueles que defendem a candidatura do vice-governador como uma alternativa diferente para a capital baiana.

 

O alerta já vinha sendo lançado há algum tempo, quando a esquerda autêntica quase retesou contra a indicação do vice pelo governador Jerônimo Rodrigues como único representante do grupo. Cristão novo ao lado do petismo, Geraldo Jr. tem a cara do representante do empresariado de Salvador e foi escolhido, em 2022, para tentar aproximar o grupo do governo desse segmento. Quando estava ao lado de ACM Neto e Bruno Reis foi acusado pela mesma esquerda que o acolhe de, justamente, não estar ao lado do “povo” quando os embates envolviam o capital privado. Então, nesse ponto, ele e o prefeito são muito parecidos para quem tem um voto mais ideológico do que pragmático - cerca de 20% da população soteropolitana, de acordo com os históricos eleitorais.

 

Quem pode absorver esses eleitores é o PSOL, que se mantém como uma opção paradigmática da esquerda clássica. Porém isso é tema para outras colunas, mais próximas das definições eleitorais. Agora, o momento é discutir o marco que foi a apresentação de Bruno Reis como candidato e as falas de 2020, que colocavam o próprio Geraldo Jr. como coordenador de campanha do então candidato. Em lados opostos do tabuleiro, o ex-aliado conheceu as “entranhas da campanha”, mas também será facilmente relacionado ao prato em que comeu - onde, tradicionalmente, a política sugere que não se cuspa.

 

A campanha de 2024 deve ser um divisor de águas definitivo para o futuro político de Geraldo Jr. Caso ele consiga reduzir o favoritismo do prefeito Bruno Reis, o vice-governador pode ser firmar como uma figura política capaz de adquirir musculatura e, quem sabe, fazer gravitar partidos e lideranças ao seu redor. Se mantiver um desempenho similar ao que teve em Salvador em 2022, quando prometeu muito e entregou pouco, pode estar entregue ao ostracismo político. Como o mundo capota, há quatro anos ninguém apostaria que o emedebista estaria em um lado tão diametralmente oposto aos antigos “muy amigos”. Aos eleitores, resta saber o quanto da memória estará fresca para lembrar das amabilidades e afagos que se transformaram em afastamento e ojeriza públicos.