Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
/
Tag

Artigos

Adriano Sampaio
E se o maior erro das previsões eleitorais não estiver nas pesquisas, mas na forma como interpretamos o eleitor indeciso?

E se o maior erro das previsões eleitorais não estiver nas pesquisas, mas na forma como interpretamos o eleitor indeciso?

Modelo proprietário desenvolvido pela Duplamente Inteligência de Mercado desafia a distribuição proporcional dos votos e propõe uma nova leitura das trajetórias eleitorais brasileiras

Multimídia

Mansur diz que candidatura feminina no PSOL deve ser decidida pelas mulheres

Mansur diz que candidatura feminina no PSOL deve ser decidida pelas mulheres
O candidato ao Governo da Bahia pelo PSOL, Ronaldo Mansur, afirmou que a legenda tem ampliado a participação feminina nas disputas majoritárias, mas é necessário que "as mulheres decidam" disputar um lugar na majoritária. A declaração ocorreu durante entrevista à série especial “Vota BN”, do Projeto Prisma, do Bahia Notícias, com Fernando Duarte. Para ele, a escolha precisa partir das próprias integrantes do partido.

Entrevistas

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
Nesta segunda-feira (10), a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve em Salvador para participar do Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação. O evento, que acontece nas cidades de Salvador e Cachoeira, integra as celebrações pelos 25 anos de fundação do FENEBA e desdobra as discussões iniciadas no 9º Congresso Panafricano, sediado em Lomé, no Togo.

saude mental

Saúde: Psiquiatra defende união entre espiritualidade e tratamento médico para transtornos
Foto: Reprodução / Bahia Notícias

A busca pelo equilíbrio mental e emocional muitas vezes esbarra em um dilema comum: quando procurar auxílio médico e quando recorrer ao suporte espiritual? O tema foi debatido durante o podcast Voz Própria, em que especialistas e apresentadores destacaram que a medicina e as práticas religiosas não são excludentes, mas sim complementares.


Durante a conversa, o médico psiquiatra André Gordilho enfatizou que tratamentos médicos, psicoterapias e atividades de bem-estar — como ioga e dança — podem ajudar no cuidado com a saúde mental.


O psiquiatra ressaltou também a importância de distinguir o que faz parte do repertório cultural e religioso de um indivíduo do que pode sinalizar o início de um transtorno psiquiátrico.


Segundo o médico, manifestações como a incorporação possuem momentos e ambientes específicos dentro de tradições como o Candomblé, a Umbanda ou o Espiritismo. Por outro lado, a ocorrência repentina e descontextualizada de delírios, alucinações ou alterações de comportamento no cotidiano pode indicar um quadro de adoecimento mental.


"A própria religião percebe o que é adequado e o que não é. Ter uma manifestação dentro de um local apropriado é uma coisa. Outra é apresentar sintomas de forma abrupta, fora de contexto, o que exige uma avaliação clínica", explicou o especialista.


Ele destacou ainda a responsabilidade das lideranças religiosas no encaminhamento adequado de fiéis. Mães e pais de santo, médiuns e dirigentes de casas espirituais desempenham um papel crucial na identificação de casos que demandam intervenção médica.


O psiquiatra relatou, inclusive, que já recebeu pacientes encaminhados diretamente por líderes espirituais que perceberam que a demanda do frequentador ultrapassava a esfera espiritual e exigia acompanhamento psiquiátrico.


"E eu vejo que os centros espíritas, eles têm muito esse olhar, essa percepção. E já vi também terreiros com essa percepção, de perceber: 'Olha, você tem que ir no psiquiatra'. Já recebi pacientes encaminhados pela mãe de santo, pelo pai de santo, que percebeu que aquilo ali não estava adequado”, apontou.

 

Veja o vídeo:

 

No Voz Própria, André Gordilho analisa Setembro Amarelo: “Apenas falar sobre não vai salvar vidas”
Foto: Bahia Notícias

“Apenas falar sobre não vai salvar vidas”. A afirmação é do psiquiatra André Gordilho, convidado do novo episódio do Voz Própria, podcast do Bahia Notícias apresentado por Keila Xavier e Jordan Dafner. O episódio vai ao ar nesta quarta-feira (16), às 19h, no canal do Bahia Notícias no YouTube, e traz uma conversa sobre saúde mental, prevenção ao suicídio, transformações da psiquiatria e a trajetória pessoal e profissional do médico.


Durante o episódio, Gordilho faz uma análise crítica sobre a efetividade das campanhas midiáticas realizadas durante o Setembro Amarelo. Segundo o psiquiatra, embora falar sobre suicídio e saúde mental seja importante para conscientizar a população e combater estigmas, os indicadores mostram a necessidade de avançar para ações concretas e permanentes de prevenção, tratamento e acolhimento.


Criado no Brasil em 2015, o Setembro Amarelo se consolidou como a principal campanha nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. Apesar da maior visibilidade dada ao tema, os números continuam preocupantes. Estudo do Cidacs/Fiocruz Bahia, em parceria com pesquisadores de Harvard e publicado na The Lancet Regional Health - Americas, apontou crescimento médio anual de 6% na taxa de suicídio entre jovens brasileiros entre 2011 e 2022.

 

Dados mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) apontam 16.751 mortes por suicídio em 2024, diante de 10.653 registros em 2014, crescimento de aproximadamente 57% no número absoluto de mortes em uma década. Os dados, isoladamente, não permitem atribuir o aumento à efetividade ou não do Setembro Amarelo, mas reforçam o argumento apresentado por Gordilho sobre a necessidade de ampliar as estratégias de enfrentamento.

 

Para o psiquiatra, a conscientização precisa caminhar junto com medidas capazes de identificar pessoas em risco e garantir acesso efetivo à assistência em saúde mental. Formado em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública em 1996, André Gordilho realizou residência médica no Hospital Juliano Moreira, é especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria, mestre em Medicina e Saúde Humana pela Bahiana e possui especialização em Psicogeriatria.

 

Também é International Fellow da American Psychiatric Association e atua na área de Psiquiatria Intervencionista. No Grupo Bom Viver, é diretor técnico-médico e coordenador do Serviço de Psiquiatria Intervencionista. No Voz Própria, Gordilho também relembra sua história pessoal e conta como surgiu o interesse pela psiquiatria. A conversa aborda ainda a evolução dos tratamentos psiquiátricos ao longo da história, os avanços da especialidade e as perspectivas do médico sobre desafios e contradições relacionados à luta antimanicomial.

 

Foto: Bahia Notícias

 

Apresentado por Keila Xavier e Jordan Dafner, o Voz Própria é um projeto do Bahia Notícias que parte das histórias e experiências de seus convidados para promover conversas sobre temas relevantes da sociedade, reunindo personalidades de diferentes áreas em entrevistas que transitam entre trajetória pessoal, carreira e questões contemporânea.

Psicóloga baiana lança Dicionário Temático de Suicidologia para padronizar conceitos e ampliar o acesso ao conhecimento
Fotos: Divulgação

A psicóloga Cibely Dias vai lançar, nesta quinta-feira (10), o Dicionário Temático de Suicidologia. Idealizada e organizada pela profissional baiana, a obra visa apresentar definições, contextualizar conceitos e padronizar a terminologia utilizada na suicidologia, favorecendo uma compreensão comum entre profissionais, pesquisadores, estudantes, gestores públicos e comunicadores.

 

O livro conta com a colaboração de especialistas de diversas áreas e integra um projeto voltado à organização do conhecimento, à padronização da terminologia e à qualificação da comunicação em suicidologia. O lançamento ocorrerá no mesmo dia em que é celebrado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

 

Publicado pela Vetor Editora Psicopedagógica, o material nasce com a proposta de reunir, sistematizar e tornar mais acessíveis os principais conceitos desse campo científico. Ao apresentar definições fundamentadas e referências bibliográficas atualizadas, o livro auxilia na produção científica, na formação profissional e na comunicação qualificada sobre o tema.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, a psicóloga explicou que a obra foi criada para suprir a carência de formação específica sobre o tema nas graduações da área da saúde. A especialista revelou que o dicionário foi organizado em quatro seções e contou com a colaboração de cerca de 35 profissionais de diversas áreas, como psicologia, direito e educação, garantindo uma abordagem multidisciplinar e fundamentada.

 

“O dicionário é um dicionário temático. Existem dicionários temáticos em diversas áreas. Na saúde, não é diferente. Os dicionários temáticos, de uma forma geral, têm objetivos específicos, que são padronizar a linguagem, democratizar o saber e unificar a forma de usar aquele termo. Quando a gente fala hoje, por exemplo, de ressonância magnética, sabemos que é o processo em que o corpo de um paciente é escaneado. Esse termo, há milênios, muita gente não sabia, mas, a partir do momento que se massificou a palavra, ele passou a ser um termo normal. Ou seja, você fala, os outros entendem. Na área da suicidologia, que é um campo científico, não é diferente”, observou.

 

“Na minha trajetória, durante a própria faculdade, eu comecei a perceber, primeiro na prática mesmo, que esse assunto e esse tema não são tratados nas universidades, nas graduações da área da saúde. Tanto que eu escrevi um artigo específico durante a minha especialização, no qual eu defendia a importância de se criar um curso. Fiz pesquisa, inclusive, nas diretrizes acadêmicas de vários cursos na época, e não encontrava, nas grades curriculares, disciplinas específicas que falassem de prevenção, entre outros aspectos”, contou.

 

A psicóloga apontou ao BN que o livro foi estruturado em ordem alfabética, com conceitos técnicos curtos e referenciados, abordando tópicos que vão desde o suporte teórico até o marco legal sobre a prevenção e a pós-venção do suicídio.

 

“Fizemos todo o levantamento de leis, decretos e portarias que versam sobre essa temática no Brasil. Coloquei os termos em ordem alfabética. Trouxe o conceito dos termos com referências confiáveis. O livro é um material de consulta. Ali não vai ensinar como fazer uma intervenção, mas vai fazer com que seja entendido onde procurar para aprender a intervenção”, explicou.

 

“Quando diferentes profissionais utilizam conceitos distintos para se referir ao mesmo fenômeno, isso dificulta tanto a pesquisa quanto a assistência. O dicionário nasce para contribuir com uma linguagem comum, baseada em definições claras e referências científicas”, completou Cibely Dias.

 

O livro tem prefácio da psicóloga Karen Scavacini, referência na área, e foi desenvolvido para atender estudantes, pesquisadores, docentes e profissionais da saúde, da educação, da assistência social, do Direito, da segurança pública e da comunicação. Ao reunir, em uma única obra de consulta, conceitos, referências, instituições e o marco legal brasileiro, pretende contribuir para a formação, a pesquisa e a comunicação qualificada em suicidologia.

 

“Meu propósito foi reunir, em uma única obra de consulta, conceitos, referências e marcos fundamentais da suicidologia, facilitando o acesso ao conhecimento e incentivando uma comunicação mais qualificada sobre esse campo científico”, concluiu a idealizadora.

 

SERVIÇO 
Obra: Dicionário Temático de Suicidologia
Organização: Cibely Dias
Prefácio: Karen Scavacini
Editora: Vetor Editora Psicopedagógica
Lançamento: 10 de setembro de 2026
Formato: Livro digital

 

Na Antena 1, Secretária de Mulheres revela debate com a OAB sobre uso de transtornos mentais em defesa de agressores
Foto: Reprodução / Bahia Notícias

Durante entrevista à rádio Antena 1 Salvador 100.1 FM, nesta segunda-feira (31), a secretária de Políticas para as Mulheres da Bahia, Camila Batista, destacou que a utilização reiterada dos transtornos mentais como justificativa na defesa de agressores demonstra a urgência de letramento jurídico que considere a perspectiva de gênero, e revelou discussões avançadas com a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Bahia (OAB-BA) para resolver essa questão.


"A gente tem feito esse acompanhamento para que, mesmo que esses agressores respondam em liberdade, sejam incluídos nos programas dos grupos reflexivos", contou Camila Batista, em entrevista aos apresentadores Mauricio Leiro e Rebeca Menezes. De acordo com ela, esses casos têm sido encaminhados para a Justiça para que esses homens participem e compreendam que suas ações são crimes. 


Os grupos reflexivos para homens autores de violência na Bahia são iniciativas de caráter educativo, não punitivo, voltadas à responsabilização e à mudança de comportamento. Organizados em formato de rodas de conversa conduzidas por equipes multidisciplinares, os encontros buscam a promoção do debate sobre machismo e desigualdade de gênero com o intuito de romper o ciclo de violência.


Além disso, a secretária explicou que tem conversado com a OAB-BA sobre a conduta de alguns advogados que, na defesa dos agressores, apresentam a saúde mental como justificativa. 


"Fazer letramento com os advogados também é fundamental, porque estamos inseridos em toda uma cadeia de construção social em que o machismo está impregnado, desde o agressor, ao processo de defesa e até a própria legislação", declarou.  


Por fim, a secretária destacou que é fundamental implementar ações para coibir e acompanhar os agressores, porque, ao reeducar o abusador, afirmamos que ele não repetirá o crime, seja com a mesma mulher ou com outra.


SAÚDE MENTAL NO AR
Durante a coluna Saúde Mental no Ar, também transmitida na manhã desta segunda-feira (31), na Antena 1 Salvador, a psicóloga Marta Luzbel explicou que não se pode concluir que todo indivíduo que comete um crime sexual tem um transtorno mental. "Crime é uma categoria jurídica, transtorno é uma categoria clínica", afirmou Marta. 

 


Além de desmentir os rumores de que todos os crimes sexuais partem de uma doença psíquica, a especialista esclareceu a definição de transtorno parafílico e a diferença deles para os demais transtornos mentais. Segundo ela, são "interesses ou fantasias sexuais que causam sofrimento ou prejuízo significativo para a própria pessoa ou para terceiros". 


Entre os transtornos parafílicos mais populares estão o voyeurismo, exibicionismo, transtorno pedofílico, frotteurismo, sadismo e masoquismo sexual. "Cada transtorno exige características específicas, mas ter o diagnóstico não é justificativa. Não podemos transformar comportamentos diferentes automaticamente em doença", completa a psicóloga.


De acordo com ela, o transtorno mental não retira a responsabilidade pelo comportamento criminoso. "Se alguém percebe em si impulsos ou interesses que podem colocar a própria vida ou a vida do outro em risco, procure um psicólogo ou um psiquiatra. Depois que existe uma vítima, não estamos falando apenas de saúde mental, estamos falando também de responsabilidade legal", finalizou. 

Justiça investiga assistência à saúde mental e falta de leitos na Bahia
Foto: Divulgação Hospital de Eunápolis

O serviço de saúde mental na Bahia voltou a estar na mira da Justiça. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu um procedimento administrativo para investigar e fiscalizar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em Eunápolis, no Extremo Sul do estado.

 

A portaria, acessada pela reportagem, formaliza a abertura do procedimento, que tem como objetivo avaliar se a estrutura municipal é capaz de oferecer atendimento adequado a pacientes com transtornos mentais graves e pessoas com dependência química.

 

A medida, assinada pelo promotor de Justiça Rodrigo Rubiale, também busca verificar a disponibilidade de leitos hospitalares e a integração entre os diferentes serviços que compõem a rede de atendimento em saúde mental. Entre os pontos que serão avaliados está a integração entre os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A portaria também convoca gestores municipais para prestar esclarecimentos detalhados sobre o fluxo de assistência em situações de crise psiquiátrica e nos casos de internação involuntária e compulsória.

 

De acordo com o documento, a abertura do procedimento foi motivada por relatos e pela necessidade de apurar a estrutura e o funcionamento da rede municipal. Entre os principais pontos estão:

  • Relatos de famílias: familiares relataram dificuldades para acessar atendimento especializado e, principalmente, para conseguir leitos de estabilização clínica para pacientes em momentos de crise;

  • Déficit e fluxo de leitos: o MP-BA pretende apurar a quantidade, a disponibilidade e o fluxo de acesso aos leitos de saúde mental no hospital geral do município, além de verificar a existência de contratos ou pactuações regionais para o acolhimento de pacientes em crise psiquiátrica;

  • Cumprimento de ordens judiciais: o procedimento também busca verificar se Eunápolis dispõe de estrutura assistencial adequada para cumprir determinações judiciais de internação involuntária e compulsória;

  • Integração dos serviços: será avaliado se a rede atualmente disponível é suficiente e se os serviços essenciais — como CAPS, Atenção Básica, SAMU, Hospital Regional e unidades de urgência — atuam de forma integrada.

 

O Ministério Público solicitou ainda o quantitativo de pacientes que aguardaram vaga para internação psiquiátrica nos últimos 12 meses. Além disso, a Coordenadora de Saúde Mental de Eunápolis e a equipe técnica do CAPS deverão prestar informações e esclarecimentos detalhados sobre a estrutura atual da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município.

 

Entre as informações solicitadas estão o quantitativo e as modalidades dos CAPS atualmente em funcionamento; o número de profissionais vinculados aos serviços de saúde mental da rede municipal; o fluxo de atendimento adotado para pacientes em crise psiquiátrica; a existência de leitos de saúde mental em hospital geral no município; e as pactuações regionais destinadas ao acolhimento de pacientes que necessitem de internação psiquiátrica.

 

Também deverão ser esclarecidos os procedimentos adotados nos casos de internação involuntária ou compulsória, as principais dificuldades enfrentadas pela rede municipal no atendimento a pessoas com transtornos mentais graves ou dependência química e as medidas e estratégias utilizadas para articular os diferentes pontos da rede.

 

A apuração inclui ainda a integração entre CAPS, Atenção Básica, SAMU, unidades hospitalares e serviços de assistência social. A ação do Ministério Público tem como objetivo verificar o funcionamento da rede municipal e garantir que o direito fundamental à saúde mental seja respeitado, em conformidade com as exigências legais vigentes.

Falta de medicamentos leva MP-BA a abrir procedimentos no interior da Bahia; saiba detalhes
Foto: Divulgação / GOV-BA

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um procedimento administrativo para investigar possíveis falhas da Secretaria de Saúde de Uauá, no sertão norte da Bahia, no fornecimento de medicamentos de uso contínuo a um cidadão do município.

 

O procedimento teve origem em uma “Notícia de Fato”, após o recebimento de informações de que os medicamentos não estariam sendo devidamente entregues pela Secretaria de Saúde de Uauá.

 

Segundo o procedimento instaurado pelo MP-BA, o paciente necessita de três medicamentos específicos para o tratamento de condições graves, incluindo suspeita de epilepsia, depressão e ansiedade. Os medicamentos indicados são Lacosamida 200 mg, Aripiprazol (solução oral) 10 mg/mL e Escitalopram 20 mg.

 

Os medicamentos são de uso contínuo e fazem parte do tratamento do paciente. A lacosamida é um anticonvulsivante indicado para o tratamento de crises focais ou parciais, com ou sem generalização secundária, além de crises tônico-clônicas generalizadas em pacientes a partir de 16 anos.

 

Já o aripiprazol é um antipsicótico atípico, utilizado no tratamento de determinados transtornos de saúde mental. O escitalopram é um antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). A portaria determina que a Prefeitura de Uauá deve assegurar o acesso aos medicamentos prescritos por profissionais médicos. O procedimento administrativo terá como objetivo acompanhar e fiscalizar o fornecimento dos remédios ao paciente.

 

De acordo com a portaria instaurada pela Promotoria de Justiça de Uauá, o prazo fixado para a conclusão do procedimento administrativo é de um ano. Caso a prefeitura não garanta o acesso aos medicamentos durante o período de acompanhamento, o promotor de Justiça poderá levar o caso ao Judiciário para requerer medidas que obriguem o município a assegurar o fornecimento, inclusive por meio de liminar, se cabível.

 

OUTRO PROCEDIMENTO
O fornecimento de medicamentos psicotrópicos nas unidades de saúde de Salvador também entrou na mira do Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão anunciou a abertura de um procedimento administrativo para acompanhar a dispensação desses medicamentos em unidades de saúde mental da capital baiana, conforme divulgado nesta quarta-feira (12).

 

De acordo com o MP-BA, o procedimento, instaurado neste ano, tem prazo de conclusão até 14 de agosto de 2027. A medida prevê o acompanhamento do fornecimento desse tipo de medicamento e também poderá contribuir para a apuração de possíveis problemas relacionados à falta de remédios psiquiátricos na cidade.

 

Isso porque uma nova denúncia recebida pelo Bahia Notícias aponta que quatro medicamentos destinados ao tratamento de transtornos relacionados à saúde mental não estariam sendo encontrados em algumas unidades de saúde de Salvador.

 

Entre os medicamentos citados estão:

  • Ácido valproico: utilizado, entre outras finalidades, no controle de crises epilépticas e no tratamento de episódios de mania associados ao transtorno bipolar;

  • Depakene (valproato de sódio): medicamento anticonvulsivante e estabilizador do humor, utilizado principalmente no tratamento de crises epilépticas e do transtorno bipolar;

  • Fluoxetina: antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), utilizado no tratamento de condições como depressão, transtornos de ansiedade, bulimia nervosa e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);

  • Lítio: estabilizador do humor utilizado principalmente no tratamento e na prevenção de episódios de mania e depressão associados ao transtorno bipolar.

 

De acordo com a denúncia, feita de forma anônima, os medicamentos não estariam disponíveis no Pronto Atendimento Psiquiátrico (PAP), principal serviço público de urgência em saúde mental de Salvador. A unidade está localizada no anexo do 5º Centro de Saúde, nos Barris, e funciona 24 horas, com leitos de estabilização e equipe multidisciplinar.

 

Ainda segundo o relato, os medicamentos também não estariam disponíveis nos Multicentros da Liberdade e da Carlos Gomes, no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do Rio Vermelho e no Pronto Atendimento Psiquiátrico.Segundo a denúncia, o ácido valproico e o Depakene estariam em falta no município há cerca de seis meses.

Auditoria aponta irregularidades sanitárias e estruturais em Caps do interior da Bahia; saiba detalhes
Foto: Reprodução Google Street View

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendou uma série de medidas à Prefeitura de Amargosa, na região do Vale do Jiquiriçá, após serem identificadas falhas na prestação do serviço de saúde mental do município. As medidas foram publicadas pelo órgão na última semana.

 

As recomendações foram motivadas por irregularidades apontadas em um relatório de auditoria da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) I Jorge Sales, conhecido como “Pássaro Livre”. Entre os problemas identificados está a ausência de alvará sanitário, além da falta de registro da unidade e do responsável técnico médico junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb).

 

A auditoria também constatou que o Caps não possuía um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS). O relatório apontou ainda a falta de identificação visível dos profissionais, por meio de crachás, e de informações claras aos usuários sobre a equipe e o funcionamento da unidade.

 

Outro problema identificado está relacionado ao controle de vetores e pragas urbanas. Segundo a auditoria, também não foram encontrados Projetos Terapêuticos Singulares (PTS) na maioria dos casos analisados. O PTS é considerado um dos principais instrumentos para o acompanhamento multiprofissional dos usuários dos serviços de saúde mental. Além disso, o Caps de Amargosa apresentou falhas na organização dos prontuários.

 

De acordo com o relatório, a unidade não apresentava registros completos e integrados, o que prejudicava a continuidade do cuidado e da assistência em saúde mental. A auditoria apontou também que o Caps não oferecia condições adequadas de acessibilidade e não contava com ambientes mínimos recomendados pelo Ministério da Saúde para o funcionamento desse tipo de serviço. O horário de funcionamento da unidade também estaria em desacordo com os parâmetros estabelecidos pela legislação vigente.

 

O Ministério Público destacou que a gestão municipal permaneceu inerte após ser oficiada quatro vezes para prestar esclarecimentos e apresentar informações sobre as providências adotadas. A ausência de resposta motivou a expedição da recomendação para a correção das irregularidades.

 

MEDICAMENTOS
Outro problema apontado pelo MP-BA foi a indisponibilidade de medicamentos essenciais destinados à assistência em saúde mental. O órgão recomendou que o município garanta o fornecimento regular desses medicamentos, conforme a Relação Municipal de Medicamentos Essenciais e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

A Secretaria Municipal de Saúde terá prazo máximo de 90 dias para garantir a disponibilidade regular dos medicamentos essenciais destinados à assistência em saúde mental. A medida integra o conjunto de exigências relacionadas à “Organização assistencial e qualidade do cuidado em saúde mental”, que determina a adequação dos processos assistenciais da unidade às normas do SUS e à Relação Municipal de Medicamentos Essenciais.

 

A Secretaria Municipal de Saúde também deverá encaminhar uma resposta por escrito à Promotoria de Justiça, no prazo de até 20 dias, informando se acata ou não a recomendação em sua totalidade.

 

Caso haja impossibilidade técnica de cumprir o prazo de 90 dias para a regularização do fornecimento dos medicamentos, a gestão deverá apresentar, dentro dos mesmos 20 dias, uma justificativa fundamentada e um cronograma alternativo para o cumprimento da medida.

 

ADEQUAÇÕES NECESSÁRIAS
Para as reformas e adequações estruturais do CAPS I Jorge Sales, o MP-BA estabeleceu prazo máximo de 120 dias para que o município apresente à Promotoria de Justiça um plano de adequação da unidade. Caso a sede atual não comporte as adaptações necessárias, o plano deverá considerar a relocalização do serviço ou a implantação de uma nova sede que atenda aos requisitos estabelecidos para o funcionamento do Caps.

 

As exigências foram motivadas pelas condições da estrutura física atual, considerada inadequada e em desacordo com os parâmetros mínimos para o atendimento em saúde mental. O plano deverá contemplar:

  • ações para corrigir as falhas estruturais existentes, com atenção especial à acessibilidade, à organização dos ambientes e às condições sanitárias;

  • providências para assegurar que a unidade disponha de todos os espaços exigidos pelas diretrizes do Ministério da Saúde para o funcionamento de um Caps;

  • etapas de execução, responsáveis e prazos estimados para a conclusão das obras, incluindo a possibilidade de transferência do serviço para uma sede própria ou para uma nova localização.

 

Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde terá 30 dias para adequar o horário de funcionamento da unidade aos parâmetros legais e organizar o serviço de forma a garantir a continuidade do atendimento.

 

O município terá ainda 60 dias para promover a regularização administrativa e sanitária da unidade. Entre as medidas estão a inscrição no Cremeb, a obtenção do alvará sanitário, a implementação do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) e a identificação dos profissionais.A unidade também deverá garantir a realização regular de ações de controle de vetores e pragas urbanas, mantendo atualizada toda a documentação comprobatória das medidas adotadas.

 

A exigência foi estabelecida após a auditoria da Sesab constatar a inexistência de um plano de gerenciamento relacionado ao controle de vetores e pragas, apontado como uma das irregularidades sanitárias encontradas na unidade.

 

A recomendação passou a valer imediatamente após sua expedição. O descumprimento das medidas dentro dos prazos estabelecidos poderá resultar na adoção de medidas judiciais e administrativas contra os gestores responsáveis.

 

FALTA DE RESPOSTA
Segundo a decisão, a Prefeitura de Amargosa não havia respondido aos questionamentos apresentados pelo Ministério Público até a expedição da Recomendação nº 03/2026. A Promotoria de Justiça informou ter encaminhado quatro ofícios à Secretaria Municipal de Saúde solicitando informações e documentos que comprovassem a adoção de providências, mas não recebeu resposta da gestão.

 

A “persistente ausência de manifestação” foi classificada pelo Ministério Público como uma inércia incompatível com a relevância do serviço de saúde mental. A situação motivou a elaboração da recomendação formal para que o município adote as medidas necessárias e regularize o funcionamento do Caps.

Ex-Vitória, Neílton revela ter enfrentado problemas com saúde mental para retomar carreira: “Fiquei mal de cabeça”
Foto: Maurícia da Matta/EC Vitória

Ex-atacante do Vitória, Neilton, de 32 anos, vive uma nova fase profissional nos Estados Unidos, onde também atua como empresário. Após interromper a carreira para cuidar da saúde mental, o jogador afirmou que não pretende se aposentar e planeja voltar aos gramados em 2027. Ele já tem um acordo encaminhado com um clube dos Estados Unidos. O atleta revelou detalhes de seus desafios nos últimos de carreira em uma entrevista para o Ge.

 

A última partida profissional de Neilton foi em fevereiro de 2025, quando o Água Santa perdeu por 3 a 1 para o Santos, pelo Campeonato Paulista. Na competição, o atacante marcou um gol em sete jogos. Desde então, recusou propostas de clubes das Séries B e C e optou por uma pausa para cuidar da vida pessoal e emocional.

 

"Aposentado ainda não. Eu passei um momento muito difícil em 2025. Fiquei um pouco mal de cabeça devido a algumas situações que eu tive durante a carreira, principalmente lá no Sport, enfim. Preferi me cuidar um pouco. Me cuidar mentalmente e tudo mais. No futebol, depois que você perde um pouco de mercado de Série A, do time de ponta de Série B, acaba ficando muito mais difícil. Também preferi dar um passo para trás, pensar no meu futuro, construir algumas coisas pessoais", disse o atacante.

 

Neilton contou que o apoio da esposa, familiares e amigos foi fundamental durante o período afastado do futebol. "Como falei, estava mal de cabeça por causa do futebol. Eu sempre joguei futebol por prazer, mas esses últimos anos o futebol mudou e meio que inverteu. Vinha sendo um ponto de estresse para mim". Campeão brasileiro pelo Cruzeiro, em 2014, e da Série B pelo Botafogo, em 2016, o jogador também teve passagens pelo São Paulo, Internacional e Santos, clube onde iniciou sua carreira profissional.

 

"Então, essa também foi a chave de eu falar: "Deixa eu pisar um pouco aqui no freio, deixa eu pensar na minha saúde mental primeiro, deixa eu resolver minha vida?" E pensar em coisas além do futebol, além daquele dia a dia, aquele estresse que a gente vive. Isso me fez melhorar bastante. Sou muito grato às pessoas que estavam do meu lado, minha esposa, minha família, meus amigos, que me abraçaram, me entenderam e mostraram para mim que estavam comigo independente da situação que eu vivesse, independente do clube que eu estava. E isso me ajudou bastante", completou.

Robbie Williams, aos 52, revela autismo e diz que é 'passe livre para sair da prisão'
Foto: YouTube

O cantor Robbie Williams, de 52 anos, revelou ter recebido um diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) tardio.

 

Em entrevista ao jornal Daily Mail, o intérprete de 'Angels' afirmou que toda situação veio após ele ter sido diagnosticado com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), e que a descoberta o ajudou a entender vários pontos da própria vida.

 

“Eu tenho TDAH e acabei de descobrir que também tenho um pouco de autismo, o que eu simplesmente adoro porque explica muita coisa. Agora é meu passe livre para sair da prisão. Para todas as coisas estranhas que faço, simplesmente digo: ‘Desculpe, eu sou autista’.”

 

Para o artista, o diagnóstico explica, por exemplo, a relação dele com a música e a arte. "Com o TDAH, você consegue se concentrar completamente em algo, 1000%, mas, com absolutamente todo o resto, simplesmente não consegue. Pergunte aos meus filhos".

Após entrega de terminal, Prefeitura de Salvador deve inaugurar novo equipamento no Mané Dendê; saiba qual
Foto: Semob

A Prefeitura de Salvador vai entregar um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) na região do Mané Dendê, no Subúrbio Ferroviário da capital baiana. O novo espaço será integrado em conjunto com as novas instalações feitas pela gestão municipal na localidade, que tem sido uma das principais apostas de entregas da prefeitura. 

 

Segundo a administração municipal, o Manpe Dendê atualmente é o maior projeto de requalificação urbana da história de Salvador. Na última sexta-feira (3), a prefeitura anunciou que a iniciativa chegou a 87% dos serviços executados após a entrega do terminal. Neste mesmo dia, o executivo municipal inaugurou ainda o Terminal Mané Dendê para atender moradores do Subúrbio Ferroviário e melhorar a mobilidade da região. O espaço conta com 10 lojas, quatro quiosques e quatro lanchonetes, contribuindo para a geração de renda entre moradores do Subúrbio, em uma área construída de 2,1 mil m². 

 

O CAPS deve ser inaugurado no segundo semestre. Em entrevista ao Bahia Notícias, o secretário Municipal de Saúde, Rodrigo Alves explicou que a unidade de saúde está nas últimas semanas de execução. Segundo o secretário, esse equipamento será fundamental para o desenvolvimento e assistência à saúde mental na cidade.

 

“A gente está agora nas últimas semanas de obra para entregar um CAPS lá no Mané Dendê, um equipamento super importante que vai agregar muito com o desenvolvimento de nossa cidade.”

 

PROJETO MANÉ DENDÊ
Com entregas nas áreas de infraestrutura, saneamento, macrodrenagem, recuperação ambiental da bacia e das águas, o projeto Mané Dendê chegou a 87% de conclusão. O equipamento contará ainda com habitação, mobilidade, sustentabilidade e educação. As ações visam gerar impactos positivos na qualidade de vida dos moradores do Subúrbio Ferroviário, abrangendo os bairros de Itacaranha, Alto da Terezinha, Ilha Amarela, Plataforma e Rio Sena.

 

O Projeto Mané Dendê faz parte da primeira etapa do Programa de Saneamento Ambiental e Urbanização do Subúrbio de Salvador, parcialmente financiado com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A iniciativa deve beneficiar diretamente cerca de 10 mil habitantes e outros 35 mil de forma indireta nos bairros de Alto da Terezinha, Itacaranha, Plataforma, Rio Sena e Ilha Amarela.

Casemiro destaca força mental do Brasil após virada sobre o Japão: "Sabíamos que a oportunidade ia chegar"
Foto: Leonardo Baran/Bahia Notícias

Autor do gol que iniciou a reação da Seleção Brasileira na vitória por 2 a 1 sobre o Japão, nesta segunda-feira (29), pelos 16 avos de final da Copa do Mundo 2026, Casemiro destacou a força mental da equipe para buscar a virada após sair atrás no placar.

 

Na zona mista, o volante afirmou que o principal mérito do Brasil foi manter a tranquilidade diante da forte marcação japonesa, que atuou com as linhas baixas durante boa parte da partida.

 

"Foi um jogo mental. O Japão fez o gol e ficou com um bloco muito baixo. A gente precisava ter paciência para movimentar a bola, abrir espaços na linha de cinco deles. A equipe está de parabéns por esse aspecto mental, por essa tranquilidade. Sabíamos que a oportunidade ia chegar", afirmou.

 

Casemiro também dividiu os méritos do gol de empate com Gabriel Magalhães, responsável pelo cruzamento para a cabeçada do volante.

 

"O mérito não é só meu. O Gabi colocou a bola perfeita para eu cabecear. Quando se marca, marcam todos, quando se sofre, sofrem todos", disse.

 

Questionado sobre o nervosismo durante a pressão brasileira, Casemiro explicou que a "tranquilidade" citada por ele não significava ausência de emoção, mas sim a capacidade de manter a posse de bola e circular o jogo até encontrar espaços.

 

"É claro que é um turbilhão de emoções dentro de campo. Mas essa paciência no futebol é rodar a bola de um lado para o outro, fazer a linha deles se movimentar. Conseguimos criar oportunidades e pressionar o tempo todo."

 

O volante também tranquilizou a torcida após deixar o gramado com dores. Segundo ele, o problema não preocupa. "Estou bem. Só senti um pouquinho de dor no abdômen, acho que foi uma cãibra, mas não é nada demais."

Na Antena 1, especialista explica mudanças com atualização da NR-1 e impacto na saúde mental no trabalho
Foto: Reprodução Antena 1 Salvador

Entra em vigor nesta terça-feira (26), a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A regulamentação amplia a responsabilidade das empresas sobre os riscos à saúde mental dos trabalhadores. Anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2024, a medida formaliza e reforça a fiscalização e aplicação de multas, em caso de não cumprimento das normas. 

 

Em entrevista à rádio Antena 1 Salvador, nesta terça-feira (26), a psicóloga clínica e consultora empresarial, Marta Luzbel explicou que a NR-1 foi criada em 1978, em um contexto de alta industrialização e crescimento de acidentes trabalhistas.  

 

“A Norma Regulamentadora de Saúde e Segurança no Trabalho é a mãe de todas as normas regulamentadoras. Ela não é nova está passando por uma mudança. A norma é de 1978 e surge na época que o Brasil estava passando por um aumento de industrialização forte. Naquela época tínhamos um índice de acidente, de mortalidade trabalhista muito grande. Foi quando o Ministério do Trabalho plantou a NR-1 e dela uma série de desdobramentos”, disse no programa Bahia Notícias no Ar. 

 

“Ela é a norma regulamentadora guarda-chuva, que tem a visão mais ampla e a partir dela saíram outras normas de saúde e segurança específicas para determinados setores. Essas trataram, por exemplo, de riscos biológicos para a área de saúde. Da indústria química, riscos físicos para a indústria da construção civil. Então ela tem uma série de outras normas que cobrem a saúde e a segurança”, explanou aos apresentadores Maurício Leiro e Rebeca Menezes. 

 

A especialista observou que outros índices relacionados a problemas de saúde mental em trabalhos foram registrados depois da pandemia, influenciando a atualização da norma. 

 

“No pós-pandemia a gente começa a ter esse mundo da saúde mental, que saiu de uma coisa que as pessoas tinham vergonha de falar e passa a ser mais falado. Os diagnósticos começam a aparecer e a gente tem uma taxa muito alta. Só em 2025, meio milhão de trabalhadores foram afastados por problemas de saúde mental. É isso que faz com que a NR-1 sofra uma alteração e passe somente dos riscos físicos, biológicos, para também abarcar os fatores psicossociais”, afirmou. 

 

Marta comentou ainda algumas das mudanças na legislação sobre saúde mental no trabalho após o vigor desta norma. 

 

“A gente começa com o diagnóstico, que tem que ser o diagnóstico setorial, porque, por exemplo, em uma grande empresa, você pode ter um setor super saudável e um outro abusivo. Então, você tem um diagnóstico setorial, a partir dele se cria um programa de gerenciamento de riscos e depois a implantação disso, porque não adianta ficar só no papel. Isso vai ser fiscalizado, auditado e, eventualmente, se não for cumprido, vai receber multas, autuações e até intervenções pelo Ministério do Trabalho", apontou. 

 

“Agora, quando a gente fala de um diagnóstico, de um plano, precisamos ficar atento porque muitas empresas estão fazendo diagnóstico só no papel, não fazem de forma real. O diagnóstico real robusto requer o investimento de uma consultoria, um aprofundamento, testes psicológicos muitas vezes e também ações que são superficiais”, observou. 

 

A psicóloga apontou ainda a necessidade ações e iniciativas mais concretas para combater enfermidades de saúde mental relacionadas a atividades trabalhistas. 

 

“Sem desmerecer algumas ações, a exemplo de palestra do setembro amarelo, sala de descompressão, que são coisas válidas, são bacanas, até porque as questões de saúde mental, falam também com atividade física, com alimentação. No entanto, tem que ter ações mais profundas e isso passa por mitigar esses fatores de riscos psicossociais, sendo bem direto”, elencou Marta. 

 

A consultora contou ainda que as empresas devem ter também responsabilidade sobre a saúde mental dos funcionários, incluindo os contratados em regime Pessoa Jurúidica, conforme a nova NR1. 

 

Ela relatou que mesmo se a fiscalização não alcance todas as empresas, a visibilidade e as denúncias em mídias sociais garantem que empresas de todos os tamanhos sejam responsabilizadas por assédio e outros problemas de saúde mental no trabalho

 

“As metas precisam ser claras, os líderes não podem ter um comportamento assediador e abusivo. Eles precisam ser preparados, acompanhados. As jornadas de trabalho não podem ser excessivas, então a gente mexe em uma coisa muito mais estrutural para assegurar essa saúde mental”, alegou. 

 

“As empresas maiores, que têm uma atuação em áreas de mais riscos, ou organizações que têm mais visibilidade acabam sendo as mais visadas por uma fiscalização. Por que, infelizmente, o ministério e suas instâncias não têm braço para fiscalizar todo mundo. Por outro lado, hoje a gente vive esse mundo de mídias sociais, os espaços de compliance, de denúncia, então mesmo as pequenas [instituições], podem ser contempladas. Então, se você é funcionário de uma pequena empresa e tem um líder assediador, você pode estar bem informado, denunciar para ele será fiscalizado”, completou. 

 

ATUALIZAÇÃO DA NR1

A mudança principal com a chegada da nova NR?1 é que os riscos psicossociais, relacionados como o trabalho é organizado fazem parte agora do gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.

 

Atualmente, serão fiscalizadas, situações como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral ou sexual, pressão excessiva, conflitos interpessoais, falta de autonomia e falhas de gestão. 

 

Uma pesquisa mostra que 14,75% dos trabalhadores de grandes empresas brasileiras relataram ideação suicida. O estudo revelou que alguns fatores estruturais, como longos deslocamentos e vulnerabilidade social, aliados  à pressão do ambiente corporativo, influenciam em um cenário de risco que exige intervenção imediata.

 

Além disso, um levantamento da The School of Life Brasil, mostrou que 1 em cada 7 trabalhadores foram afastados por problemas de saúde mental, entre eles: ansiedade, depressão, burnout e uso de substâncias 

Sidão relembra dificuldades no início da carreira e superação de período depressivo
Foto: Igor Barreto/Bahia Notícias

Em entrevista ao podcast BN na Bola, o goleiro do Feira Futebol Clube, Sidão, relembrou as dificuldades enfrentadas no início da carreira. Segundo o jogador, ao chegar ao Corinthians, clube onde atuou nas categorias de base, ele passou por um processo de deslumbramento e se afundou no álcool e na vida noturna.

 

“Eu comecei a ganhar 800 reais e aí já me deslumbrei. Achava que já era profissional, que já tinha realizado um sonho. Me joguei em bebida, noitada... aquela bolha de 'boleiro' que a gente acha que, para ser jogador, tem que viver essas coisas, senão não é considerado atleta”, afirmou.

 

Sidão completou dizendo que essa ilusão o levou para um lugar complicado, situação agravada pela morte da mãe. “Nesse período, eu estava totalmente perdido. Minha mãe faleceu e eu comecei a carregar um sentimento de culpa por conta da vida que eu estava levando, que não tinha nada a ver com a educação que recebi dos meus pais. Então, entrei em uma depressão profunda, sem ter desejo de estar vivo mais.”

 

O goleiro relatou que o único desejo na época era estar com a mãe. “Ela tinha acabado de morrer. Na minha cabeça, para estar com ela, eu deveria morrer também. Foi um quadro bem triste, bem obscuro; lembro de viver muita tristeza”, explicou.

 

De acordo com Sidão, o esporte e a religião foram suas "boias de salvação". “Eu já estava com minha esposa, Monique, na época ela era namorada. Eu chorava copiosamente com ela e só falava que queria estar com a minha mãe. Até que eu tive um encontro... independente da religião, tive um encontro espiritual com Jesus que realmente me livrou dessa escuridão, que tirou esse peso e essa culpa dos meus ombros”, revelou.

 

“A partir daí, comecei a retomar os meus sonhos de ser jogador, porque naquele período eu estava totalmente desviado da rota que tinha traçado para a minha vida. Foi um período bem difícil”.

 

Finalizando o depoimento, Sidão colocou sua história como exemplo de superação para quem enfrenta problemas de saúde mental. “Sei que tem muita gente passando por dificuldades nesse sentido, de depressão e ansiedade. Acho que minha vida é um exemplo de que tudo pode ser superado. Muitas vezes a gente não tem condição de procurar uma ajuda profissional, um psicólogo, e foi dentro da espiritualidade que eu encontrei a minha saída.”

 

 

O fã de esporte pode acompanhar a melhor resenha do futebol baiano no canal do Bahia Notícias no YouTube. Inscreva-se no canal, compartilhe com os amigos e ative as notificações!

Governo anuncia revisão de diretrizes e normas para custear setor de saúde mental no SUS
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Governo Federal por meio do Ministério da Saúde anunciou o estudo para revisar as diretrizes e as normas de financiamento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) no SUS. As diretrizes reúnem serviços públicos de todo o Brasil, sendo destinados a pessoas em sofrimento psíquico ou que enfrentam situações decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

 

Segundo a Agência Brasil, o exame inicial das duas portarias ministeriais que, desde setembro de 2017, estabelecem a forma como a Raps está organizada, sendo custeada, está a cargo de um grupo de trabalho. Os integrantes são formados por representantes das entidades que reúnem os secretários de saúde dos estados e do Distrito Federal (Conass) e municipais (Conasems).

 

Além disso, o grupo contará com a participação de seis representantes ministeriais; sendo dois do Conass e dois do Conasems. A medida ainda avalia a possibilidade de especialistas e representantes de órgãos e entidades, públicos ou privados, participarem na condição de convidados especiais, sem direito a voto.

 

Com isso, os integrantes terão 180 dias para apresentar sua proposta de revisão das normas e diretrizes da Raps. O prazo pode ser estendido em caso de necessidade. No fim dos debates, as sugestões feitas serão colocadas em analise da Comissão Intergestores Tripartites. 

 

O Ministério da Saúde informou por meio de nota à Agência Brasil, que a ação faz parte de suas ações de fortalecimento da política pública de atenção psicossocial.

 

“Com a instituição do grupo de trabalho, o ministério reafirma o compromisso com o fortalecimento do SUS e com a consolidação de uma política de saúde mental orientada pelos princípios da integralidade, da atenção em rede, do cuidado em liberdade e da gestão compartilhada entre os entes federativos," disse o órgão.

Paciente mais fraco do CAPS: memes reforçam estigmas e criam barreiras ao cuidado em saúde mental, afirma sociólogo
Foto: Reprodução / GOVBA

O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) foi instituído em 2002 pelo Ministério da Saúde com o objetivo de substituir o antigo modelo hospitalar de cuidado em saúde mental. O serviço é voltado para pessoas em sofrimento psíquico ou em crise e pode ser acessado de forma espontânea, sem necessidade de encaminhamento prévio.

 

Atualmente, os CAPS são divididos em diferentes modalidades, de acordo com o público atendido e o nível de cuidado oferecido:

  • CAPS I atende pessoas de todas as idades em sofrimento psíquico intenso, inclusive em situações relacionadas ao uso problemático de álcool e outras drogas;
  • CAPS II também atende todas as faixas etárias com sofrimento psíquico intenso;
  • CAPS i é voltado para crianças e adolescentes;
  • CAPS AD atende pessoas em situações relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas;
  • CAPS III funciona 24 horas por dia, inclusive fins de semana e feriados, com acolhimento noturno para adultos que necessitam de atenção contínua;
  • CAPS AD III, com funcionamento semelhante, direcionado a usuários de álcool e outras drogas.

 

Segundo o sociólogo e educador social do CAPS, Júlio César Lourenço, o serviço não se resume à ideia de “cura”, mas atua também na redução de danos e do sofrimento psicológico dos pacientes. Ele explica que o trabalho do CAPS é baseado em princípios como atendimento humanizado, cuidado compartilhado e acolhimento digno, sempre considerando os direitos humanos, sociais e a dignidade de cada pessoa.

 

“O CAPS não trabalha só com a ideia de cura. A gente também trabalha com a redução de danos e com a diminuição do sofrimento daquela pessoa”, afirmou.

 

Ainda de acordo com Júlio, o CAPS tem um papel fundamental no rompimento de paradigmas da saúde mental, historicamente marcados por uma lógica manicomial e por forte estigmatização.

 

“O CAPS surge exatamente ao contrário dessa lógica. Ele rompe com a ideia de internação, aposta na escuta do paciente, na construção do tratamento junto com a pessoa, no acolhimento humano e no enfrentamento desses estigmas de que alguém em sofrimento psíquico não pode conviver em sociedade ou com a própria família”, explicou.

 

Ao longo de 2025, memes envolvendo o CAPS ganharam grande repercussão nas redes sociais, com frases como “do jeito que o CAPS gosta”, “o paciente mais fraco do CAPS” ou “esse fugiu do CAPS”. As postagens geralmente associavam imagens ou vídeos a comportamentos considerados fora do padrão, reforçando, de forma pejorativa, a ideia de transtorno psicológico.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, o sociólogo avaliou os impactos desse tipo de conteúdo na imagem do serviço. Segundo ele, houve inicialmente a percepção de que os memes poderiam ampliar a visibilidade do CAPS, mas essa avaliação foi rapidamente revista.

 

“Quando surgiu o meme, eu até pensei que poderia ser algo positivo, mas ele acabou se direcionando para um lado de estigmatização e desvalorização, o que não é ideal. A comunidade da saúde olhou isso com muito receio. A divulgação é importante, mas quando não segue a proposta do CAPS, as interpretações acabam sendo muito diversas”, ponderou.

 

Júlio explicou que, embora os memes nem sempre sejam negativos por natureza, a associação com uma lógica manicomial, que trata pessoas em sofrimento psíquico como “loucas” ou incapazes de viver em sociedade, acaba criando barreiras para quem precisa buscar atendimento.

 

“Quem é leigo pode ver esse tipo de divulgação de forma negativa. Em alguns casos, isso trava o serviço, porque a pessoa deixa de procurar ajuda. Ao invés de buscar atendimento psicológico ou iniciar um tratamento, ela permanece em sofrimento, que pode se agravar”, destacou.

 

Apesar disso, o educador social afirma que não houve queda significativa no número de pacientes atendidos pelo CAPS após a viralização dos memes. Segundo ele, o público se manteve estável, em parte devido a ações de esclarecimento promovidas pelo Ministério da Saúde após a repercussão do tema.

 

“Eu não vejo uma relação direta nem de ganho nem de perda. O público ficou estável. Houve uma preocupação maior do Ministério da Saúde com a forma como a saúde mental estava sendo retratada, mas isso não se refletiu necessariamente em aumento ou diminuição do número de pacientes”, avaliou.

 

Por fim, Júlio ressaltou que, mesmo sem impacto direto nos números, a imagem do CAPS foi prejudicada. Para ele, ainda falta uma política de comunicação mais ampla, tanto do Ministério da Saúde quanto das prefeituras, capaz de explicar o papel do serviço e romper com estigmas junto à população em geral.

Jovens de 25 a 29 anos lideram taxa de internações por transtornos mentais na Bahia; saiba mais
Foto: Imagem Ilustrativa. Marcello Casal/Agência Brasil

A faixa etária com a maior taxa de internação por transtornos mentais e comportamentais na Bahia, no contexto da população jovem, foi a de 25 a 29 anos. O dado foi divulgado por meio do Informe II - Saúde Mental, que faz parte de um ciclo de relatórios da Fiocruz sobre a situação de saúde da juventude brasileira, demarcada entre 15 a 29 anos.

 

O estudo acessado pelo BN apontou que foi obtido uma taxa de internação para pessoas deste público de 291,8 por 100 mil habitantes. Na segunda colocação, aparecem jovens de 20 a 24 anos, registrando uma taxa de 246,5 por 100 mil habitantes. As informações correspondem ao período de janeiro de 2022 a novembro de 2023. 

 

O grupo com a menor taxa obtida ficou na faixa de jovens de 15 a 19 anos, tendo 101,9 por 100 mil habitantes. Outras faixas, que não correspondem ao público jovem ainda notificaram: 

 

242,5% - Pessoas de 30 anos ou mais

10% - Pessoas com menos de 15 anos

 

PERFIL
No perfil de internados, os homens lideraram a taxa de hospitalização no estado. A juventude masculina obteve uma taxa de 429,7 por 100 mil habitantes e superou a juventude feminina com 146,5 por 100 mil habitantes. Essa maior taxa de internação para homens jovens no território baiano seguiu os números nacionais, onde essa proporção ficou 57% mais alta que a taxa das garotas. 

 

Meninas com menos de 15 anos tiveram uma porcentagem de 12,7% de internação e mulheres com mais de 30 anos, 191,8. Meninos com menos de 15 anos notificaram uma taxa de 19,6% e homens com idade superior a 30 chegaram a uma taxa de 515,9. 

 

Na comparação com as 27 Unidades da Federação (UFs) no período de janeiro de 2022 a novembro de 2023, o estado fica na quarta posição com a menor taxa de internação para o sexo masculino juvenil, com 429,7 por 100 mil habitantes. 

 

A Bahia só ficou atrás do Amapá (130,8 por 100 mil habitantes); Amazonas (209,6 por 100 mil habitantes) e Roraima (298,4 por 100 mil habitantes). Já a colocação baiana na taxa de mulheres jovens internadas, no período de janeiro de 2022 a novembro de 2023, foi a quarta menor entre todos os estados. 

 

Entre as unidades federativas, a Bahia obteve uma taxa de internação para mulheres jovens na faixa de 25 a 29 anos (183,4 por 100 mil habitantes), inferior à taxa da população feminina com 30 anos ou mais. 

 

ATENDIMENTOS POR SAÚDE MENTAL 
A análise epidemiológica, baseada em dados do SUS (SIH, SIM, SISAB), apresentou ainda um panorama dos atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS). Na proporção de atendimentos por saúde mental na Atenção Primária à Saúde de pessoas de 15 a 29 anos (juventude), por UF, de 2022 a 2024, a Bahia ficou na posição de sexto estado com a menor proporção. 

 

O estado teve um percentual de 6,87% de atendimentos de saúde mental em relação ao total de atendimentos realizados na APS para a juventude. O território baiano obteve uma proporção abaixo da média nacional de atendimentos de saúde mental na APS para a juventude, que é de 11,34%. 

 

Foram registrados 417.417 atendimentos por saúde mental no período em unidades baianas e um total de 6.078.814. Os maiores percentuais de atendimentos de saúde mental na APS foram observados em Minas Gerais (16,35%) e Santa Catarina (15,93%). 

Ronald Araújo pede afastamento do Barcelona para cuidar da saúde mental após sequência de críticas
Foto: Reprodução / Instagram / @ronaldaraujo_4

O Barcelona terá uma baixa inesperada pelos próximos dias. Ronald Araújo solicitou ao clube um afastamento por tempo indeterminado para se recuperar do desgaste psicológico acumulado ao longo da temporada. A decisão, revelada e confirmada pela ESPN na última segunda-feira (1º), ocorre em meio a uma fase de forte cobrança sobre o zagueiro.

 

O uruguaio passou a ser alvo de críticas contundentes após desempenhos abaixo do esperado, especialmente na derrota por 3 a 0 para o Chelsea, pela Liga dos Campeões, quando acabou expulso ainda no primeiro tempo. A sequência de erros e a repercussão entre os torcedores acentuaram o abalo emocional do defensor.

 

Sensível ao momento, o Barcelona garantiu apoio integral ao jogador, que seguirá um acompanhamento psicológico enquanto tenta recuperar a confiança. Não há previsão de retorno. Nesta temporada, Araújo soma 15 partidas e dois gols pelo clube catalão.

 

Contratado ainda jovem da base do Boston River, o zagueiro coleciona conquistas importantes com a camisa blaugrana: dois Campeonatos Espanhóis, duas Supercopas da Espanha e duas Copas do Rei.

Tite anuncia que está pronto para voltar a trabalhar como técnico de futebol: "Cuidei de mim"
Foto: Reprodução / CBF

O técnico Tite anunciou neste sábado (22) que está pronto para retomar a carreira no futebol, sete meses após interromper suas atividades devido a questões de saúde mental.

 

Com 64 anos, Tite não trabalha desde setembro de 2024, quando deixou o Flamengo. Em abril deste ano, ele chegou a um acordo verbal para assumir o Corinthians, mas acabou desistindo devido a uma crise de ansiedade.

 

"Voltei! Cuidei de mim, fiquei com minha família e estou pronto para retornar às atividades como técnico", afirmou o treinador, por meio de sua assessoria de imprensa.

 

"Muito obrigado aos que torceram pela minha recuperação, respeitaram meu tempo e me enviaram mensagens, orações e bons pensamentos. Com carinho, um grato abraço a todos", completou.

 

Nos últimos meses, Tite recebeu sondagens de clubes e seleções, incluindo Santos, Fortaleza e a Federação Venezuelana de Futebol.

VÍDEO: Empresária baiana Ju Ferraz revela fobia de avião e desabafa sobre saúde mental
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A empresária baiana e colunista da Forbes Brasil, Ju Ferraz, utilizou suas redes sociais para desabafar sobre um problema que vem enfrentando com sua saúde mental. A escritora e sócia da Holding Clube revelou, nesta segunda-feira (29), sofrer com fobia de embarcar em avião. 

 

“Quem me acompanha há algum tempo sabe que falar sobre saúde mental não é um assunto secundário para mim: é parte essencial da minha trajetória”, iniciou o desabafo, na legenda de uma publicação em seu perfil no Instagram. 

 

“A ansiedade, por exemplo, é invisível, mas paralisa. E nos últimos dias ela temme visitado com mais intensidade. Além das crises, surgiu um novo desafio: desenvolvi uma fobia desembarcar em aviões. Algo que pode parecer simples para alguns, mas que tem me feito abrir mão de compromissos importantes, viagens e encontros que eu gostaria muito de viver”, desabafou. 

 

 

 

A empresária explica ainda que decidiu por compartilhar a situação, pois seus seguidores são parte da sua sustentação. Ferraz afirma ainda estar recebendo ajuda e cuidando de si. “A vida não é sempre cor de rosa. Nem precisa ser. Os dias mais cinzentos também nos ensina sobre coragem, paciência e recomeço”, declara.
 

CAPS ainda enfrentam estigma e precarização do trabalho nos atendimentos pela Bahia, apontam pesquisadoras da Uefs
Foto montagem: Ronne Oliveira / Bahia Notícias

No mês dedicado à prevenção do suicídio e à conscientização sobre saúde mental, pesquisadoras da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) relatam ao Bahia Notícias (BN) a luta enfrentada pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no interior da Bahia. Apesar de sua importância crucial para o tratamento de transtornos mentais, essas unidades ainda enfrentam desafios como o estigma social, movimentos políticos irresponsáveis e a necessidade de melhora em recursos.

 

Em entrevista ao BN, as especialistas enfatizam o papel da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), núcleo que integra os CAPS, oferece cuidados essenciais à população, mas enfrenta desafios estruturais e financeiros.

 

"A RAPS é a porta de entrada para um sistema amplo e fundamental de saúde, principalmente no interior. Ela oferece assistência em diversos níveis de complexidade, com serviços que incluem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Residências Terapêuticas e unidades de acolhimento", explica Iandra Ferreira, enfermeira e pesquisadora da Uefs.

 

Já a pesquisadora Sinara Souza, líder em pesquisa, complementa que as desigualdades são evidentes no acesso aos serviços de saúde mental nas cidades baianas. "Cada município vive essa realidade de forma única. Enquanto cidades como Feira de Santana possuem uma rede mais estruturada, os municípios menores enfrentam desafios ainda mais profundos", destaca Sinara.

 

Segundo dados do Observatório de Saúde Pública (OSP), em 2024, a Bahia registrou centenas de internações por depressão, evidenciando a crescente demanda por cuidados especializados. No entanto, a precarização das condições de trabalho nos CAPS é um obstáculo direto para a eficácia do atendimento.

 

Veja mapa com dados sobre depressão no estado nos últimos anos:

 

 

"A precarização dos vínculos profissionais, com salários baixos e atrasos nos pagamentos, gera desmotivação, o que reflete negativamente no atendimento. Para garantir um cuidado adequado, é essencial que os profissionais também se sintam acolhidos pelo sistema", critica Sinara Souza.

 

Ainda é necessário observar o interior de 'modo amplo', não estamos falando de um estado pequeno com circunstâncias iguais. A especialista em enfermagem Iandra alerta que as realidades mudam muito, e os dados do OSP mostram isso.

 

Ao analisar a taxa de mortes por 100 mil habitantes, é possível observar que municípios de pequeno porte aparecem em altas classificações, sendo as lideranças na Bahia: Ibicaraí com 15, Morpará com 12,5, Pau Brasil 10,9. Logo atrás vêm Rodelas com 10,8, Itapebi com 10,3 e Mulungu do Morro com 10.

 

Em comparação, cidades grandes como Feira de Santana (0,7), Salvador (0,5) e Vitória da Conquista (0,6) têm taxas mais baixas. Embora de fato, haja mais unidades de saúde e, em números absolutos, mais casos nestes locais, não se pode simplesmente compará-los com os municípios menores, é o que as pesquisadoras salientam.

 

Veja em comparação:

 

 

"Os pequenos municípios, na verdade, em sua grande maioria, se agrupam para prestar o serviço e manter esse cuidado. Eu trabalhei em um local onde ele era mantido por três municípios, por meio de um consórcio. O financiamento é muito pouco, não é todo município que consegue manter um equipamento como esse, uma equipe multidimensional. Uma demanda gigantesca, o subfinanciamento de uma política cada vez mais urgente", explica a estudiosa de mestrado Iandra.

 

A doutora Sinara Souza complementa, alertando para os riscos de eleger pessoas incapazes de defender os interesses de bem-estar público, como já ocorreu no interior baiano.

 

"Quando falamos de consórcios, não podemos deixar de pontuar que existem questões políticas. Infelizmente, nem sempre os gestores entendem isso como sendo a melhor via. A gente [os baianos] tem muito ainda uma influência político-partidária que demonstra os serviços vigentes por conta dos conchavos de seu grupo. Como aconteceu em Riachão do Jacuípe, com o desmonte do CAPS Itinerante. Com a virada política, o prefeito removeu os recursos e demitiu o enfermeiro", alerta a doutora.

 

O caso do CAPS Itinerante marcou a política de Riachão de Jacuípe, na região metropolitana de Feira, um município que, segundo o Censo do IBGE de 2022, tinha 33 mil habitantes, sendo que 15 mil, ou seja, quase metade dos habitantes, viviam em área rural, sem acesso adequado a equipamentos de saúde.

 

O projeto criado por um enfermeiro da Uefs era simples: levar uma unidade móvel do CAPS e prestar atendimentos justamente para essa população. A ideia foi elogiada pela comunidade acadêmica, além de elogiada pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-BA), justamente por mostrar a importância do apoio psicossocial nas partes mais remotas da Bahia.

 

O problema é que, com as últimas eleições municipais, o projeto local perdeu as principais lideranças e decaiu na qualidade do serviço. Mais uma vez, a política teria afetado uma boa ideia de desempenho da saúde, como alerta a professora:

 

"Ainda corremos esse risco de políticos desmontarem bons trabalhos, tirarem recursos e, às vezes, colocarem pessoas para trabalhar que não são especialistas da área", avisa a doutora.

 

Vale salientar que em junho deste ano, a Bahia contava com 281 CAPS, sendo 18 unidades voltadas para o tratamento de dependência de álcool e outras drogas, 12 para crianças e adolescentes e 205 para municípios com até 15 mil habitantes.

 

No entanto, a rede ainda enfrenta limitações significativas, como a ausência de unidades de acolhimento para adultos e a falta de unidades CAPS III, que oferecem atendimento 24 horas.

 

‘CAPS NÃO É MEME’
Outro ponto crítico é o estigma que ainda cerca os usuários do sistema. "A sociedade precisa entender a importância da atenção à saúde mental, especialmente no interior baiano. Existe uma violência simbólica contra aqueles que frequentam os CAPS, o que dificulta a aceitação e o acolhimento adequado dessas pessoas", ressalta Sinara Souza.

 

Unidades localizadas em Feira de Santana chegaram a criar uma campanha de conscientização sobre a importância dos CAPS. A professora alerta que ainda há um desconhecimento claro sobre como os usuários do CAPS precisam ser vistos como cidadãos que merecem atendimento além destas unidades.

 

Imagem da unidade em Feira de Santana Foto: Reprodução / Ed Santos / Acorda Cidade

 

"As redes sociais têm muitos memes que se referem ao CAPS de uma forma irônica, o que a gente entende que na realidade é uma violência. Ainda falando dos gargalos da saúde mental, essa campanha tem relevância e o usuário do CAPS é um serviço de saúde. Às vezes eles não conseguem usar os serviços de saúde. Se o indivíduo tem transtorno mental, hipertensão e diabete, ele tem que ser atendido nas unidades de atenção básica", alerta a pesquisadora.

 

Além dos CAPS, a Bahia conta com os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), casas destinadas a pessoas com transtornos mentais que passaram longos períodos internadas em hospitais psiquiátricos. No estado, há 5 unidades SRT I e 12 unidades SRT II, ainda insuficientes para atender a demanda.

 

Esses dados apontam para uma estrutura relevante, mas com lacunas críticas que precisam ser resolvidas para garantir um atendimento mais eficaz e humano à população em sofrimento psíquico, especialmente em tempos de aumento dos casos de transtornos mentais, como a depressão. O setembro amarelo reforça, mais uma vez, a urgência de um cuidado digno e acessível para todos.

Superexposição nas redes prejudica saúde mental de influenciadores digitais, diz psicólogo
Foto: Marcello Casal jr / Agência Brasil

Você pode pensar que existem muitos pontos positivos em ser um influenciador digital. Ganhar “mimos”, vida glamourosa, parcerias com marcas famosas e até mesmo a chance de um dia ser chamado para algum reality show… No entanto, existe o lado negativo na superexposição de si nas redes sociais.

 

Com a repercussão do vídeo do youtuber Felca sobre adultização de crianças nas redes sociais, muito se discutiu sobre a superexposição de crianças e adolescentes nas redes sociais. 

 

Porém, a exposição sem limites também pode ser prejudicial a adultos. Com o “boom” de influenciadores, a exposição das pessoas passou a crescer nas plataformas sociais. 

 

Uma pesquisa do DataReportal, em 2024, apontou que brasileiros gastam em média 9h e 13 minutos por dia conectados, sendo a segunda população com maior tempo diário gasto online. 

 

O tema ainda é muito novo, porém as consequências já estão sendo debatidas por profissionais de saúde mental. Segundo o psicólogo Matheus Dias, a superexposição pode se tornar nociva. 

 

“Existe uma pressão constante para os influenciadores por performance, por relevância, para manter o engajamento. E isso acaba colocando eles em um estado permanente de alerta. A rotina, por exemplo, por si só já pode ser uma geradora de estresse crônico”, explica o psicólogo. 

 

Dentre os prejuízos para a saúde mental estão sintomas de ansiedade - como transtornos de ansiedade generalizado ou social -, crises de autoestima, sensação de esgotamento, uma dificuldade em separar a vida pessoal da profissional. Além de viver um estado de conservação contínua. 

 

“É um estado psíquico onde o influenciador vai estar sempre avaliando como ele será percebido pelos outros. O que pode acabar inibindo tanto a espontaneidade dele, como até gerando uma desconexão da própria identidade do influenciador. Ele não vai conseguir diferenciar o que é ele e o que é aquela persona que ele cria para as redes sociais”, detalhou. 

 

Para o psicólogo, também é comum o surgimento de uma dependência emocional do influenciador com o reconhecimento online, os likes, os comentários positivos e os compartilhamentos. Essas interações virtuais tornam-se uma espécie de validação, que pode provocar um impacto na saúde dessa pessoa, caso os comentários se tornem negativos. 

 

Esses influenciadores, dependentes de uma resposta positiva vinda de seus seguidores, podem desenvolver baixa autoestima, perda do prazer nas atividades e medo de eventos presenciais, preferindo evitar interações reais. 

 

Para Dias, o ideal é que os influenciadores que estiverem passando por situações parecidas, procurem apoio psicológico. 

 

“Com apoio psicológico eles podem buscar estratégias de autocuidado, principalmente em relação à própria autoestima. Quando eles desenvolvem uma boa autoestima, quando eles têm uma autoestima elevada, eles tendem a sentir menos a pressão da internet, a pressão por likes, e também refletir sobre os próprios limites”, recomenda. 

 

Reconhecida desde 2022 como profissão pela Classificação Brasileira de Ocupação (CBO), os influencers trabalham nas redes produzindo conteúdos, engajando audiências e promovendo marcas. Muitos acabam criando suas próprias marca ou investindo em carreira como cantor ou ator.

 

Muitos foram os influenciadores ou figuras públicas que precisaram “dar um tempo” de seus perfis para priorizar a saúde mental. Dentre eles, está o humorista Whindersson Nunes, a cantora internacional Selena Gomez e, um dos casos de maior repercussão, a ex-BBB Vanessa Lopez. 

 

A ex-BBB precisou de algumas semanas longe das redes sociais após ser diagnosticada com um quadro de psicose aguda durante sua experiência no reality show “Big Brother Brasil”. No programa, os participantes são gravados 24 horas por dia e avaliados pelo público do lado de fora. 

 

Vanessa desistiu de sua participação no programa e chegou a comentar em entrevistas posteriores sobre sempre ter se sentido submetida a julgamentos alheios na internet. “Tudo que eu já vivenciei com a internet, todas as opiniões e julgamentos que as pessoas tiveram sobre mim, com certeza foram dores minhas que vieram à tona lá dentro, isso eu não tenho dúvida", a influenciadora afirmou ao Fantástico. 

 

Uma das principais estratégias, segundo Matheus, para que influenciadores protejam sua saúde mental é trabalhando sua autoestima. Além disso, definir limites como filtrar comentário e bloquear palavras ofensivas também pode ajudar. 

 

CUIDADOS DE SEGUIDORES
Não são só os influenciadores que estão vulneráveis a exposição nas redes. Seus seguidores também precisam ter cuidado. Acompanhar com tanto afinco seus influencers favoritos pode provocar uma constante comparação com a vida deles. 

 

Conforme o psicólogo, o consumo intenso desse conteúdo pode impulsionar compras desnecessárias, criando a sensação de insuficiência. Além de padrões irreais em relação à estética, sucesso e estilo de vida, dependendo de quem acompanhe. 

 

Dias pontuou ainda que muitas das pessoas que consomem em excesso influenciadores digitais costumam não ter outras formas de lazer para além das redes sociais. “Talvez esse seja o único momento de lazer que essa pessoa específica tem durante a semana. E a gente entra numa problemática muito grande em relação ao desenvolvimento social e econômico do país”, afirmou. 

 

Para esses internautas, o psicólogo recomenda se questionar: “Por que eu estou seguindo essa pessoa?” ou “O que essa pessoa tem de importante a agregar em minha vida?”.

 

O influenciador, que ganha com base em seu engajamento e contato com os seguidores, não vai impor esses limites. É o seguidor que precisa questionar o que consome e o que ganha com isso. 

Da terapia ocupacional a campeões brasileiros: A jornada de Márcio e Esther, karatecas autistas que buscam apoio para competir
Foto: Arquivo pessoal

Os irmãos Esther Victoria, de 11 anos, e Márcio Guilherme, de 14, têm um compromisso importante neste mês: representar a Bahia no Campeonato Brasileiro de Karatê da Confederação Nacional de Karatê (CNK), que será disputado entre os dias 26 e 28 de setembro, em Cabedelo, na Paraíba.

 

A participação, no entanto, vai além do aspecto esportivo. Diagnosticados com autismo, os jovens encontraram no karatê um espaço de inclusão, disciplina e desenvolvimento pessoal. O esporte se transformou em uma ferramenta de superação que extrapola o tatame.

 

Em conversa com o Bahia Notícias, Elaine Cristina, mãe dos atletas mirins, revelou que Márcio começou a praticar karatê antes de Esther e que, inicialmente, a ideia era fazer aulas do esporte como opção de terapia ocupacional.

 

“Quem entrou no esporte primeiro foi o Márcio como uma proposta do esporte ser uma terapia. Uma terapia ocupacional alternativa. De lá para cá, Márcio e Esther vêm se desenvolvendo de maneira brilhante. Se superando a cada dia, superando as dificuldades que a gente enfrenta diariamente”, disse.

 

Os dois atletas treinam no Projeto Social Humana Karatê, sediado no CSU de Castelo Branco, em Salvador, sob a orientação do mestre Itamar Judson. Eles também integram a Federação Baiana de Karatê Kyudoshin (FBKK).

 

Com apenas 14 anos, Márcio já acumula títulos expressivos: tricampeão brasileiro, campeão mundial, campeão pan-americano e tetracampeão baiano. Faixa roxa e próximo de conquistar a faixa marrom, ele ainda atua como monitor no próprio projeto social em que treina.

 

Esther iniciou os treinos em casa durante a pandemia, influenciada pelo irmão. O talento precoce logo se confirmou em resultados: bicampeã brasileira, campeã pan-americana, vice-campeã mundial e tricampeã baiana. Atualmente, ela é faixa laranja.

 

Para a família, o karatê representa muito mais do que medalhas. É uma ferramenta de sociabilidade e inclusão para as duas crianças. A rotina de treinos ajuda no desenvolvimento cognitivo, motor e emocional, reforçando habilidades que se refletem também fora do esporte.

 

“O recado que eu deixo é que eles não desistam e insistam no esporte, seja ele qual for. Porque é uma ferramenta de transformação que funciona de verdade no desenvolvimento não só como atleta, mas como pessoa, porque desenvolve a parte cognitiva e intelectual, mas também a disciplina”, ressaltou Elaine.

 

Segundo especialistas, a prática esportiva tem se mostrado fundamental para crianças e adolescentes. Além de contribuir para a disciplina e a autoconfiança, o esporte favorece a interação social e a construção de vínculos.

 

Mãe, incentivadora e uma das forças vitais para a consolidação da história de Márcio Guilherme e Esther Victoria no karatê, Elaine Cristina também destacou o poder do esporte em ajudar na construção de cidadania e caráter para os jovens, e como a mesma disse “transformando dificuldades em vitórias”.

 

“Porque o esporte forma cidadãos. Cidadãos disciplinados e de respeito. O esporte também forma o caráter e o esporte transforma. O esporte transforma as dificuldades em vitórias”, afirmou.

 

DIFICULDADES FINANCEIRAS 
Apesar dos resultados expressivos e da trajetória promissora, a família enfrenta obstáculos para garantir a presença dos irmãos no campeonato nacional. Os custos com transporte, hospedagem, alimentação e taxas de inscrição têm pesado no orçamento e sendo a maior barreira para a continuidade dos garotos no karatê.

 

“A maior dificuldade mesmo é financeira. Um esporte como o karatê, que é caro, a gente não tem apoio, não temos patrocínio. Então, é complicado sustentar duas crianças dentro de um esporte tão caro sem um aporte financeiro substancial. É complicado. E esse ano de 2025 está sendo ainda mais desafiador, porque as competições são em lugares mais distantes e a gente está sem apoio do aporte da prefeitura e sem um aporte do governo do Estado por questões burocráticas institucionais”, explicou.

 

Diante da situação, a família disponibilizou contatos em busca de apoiadores e patrocinadores que possam ajudar na arrecadação de recursos e viabilizar nas viagens de alto custo.

 

Contatos para apoio financeiro | Foto: Arquivo pessoal

Saúde mental dos policiais da Bahia: Por que o "peso da farda" é uma questão de segurança pública?
Foto: Alberto Maraux / SSP-BA

A farda pode até pesar no corpo, mas o peso maior é no psicológico. Cenas trágicas, confrontos armados, ameaças e uma permanente sensação de vulnerabilidade. O que parece até a descrição de um roteiro de filme é a dura realidade de muitos policiais brasileiros. Em estados como a Bahia, que lidera o ranking de mortes violentas no país, segundo o Atlas da Violência 2025, e tem a segunda polícia que mais mata, de acordo com o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a rotina de um profissional de segurança os mantém em estado de alerta constante. Essa pressão contínua tem consequências profundas — em 2024, o maior número de mortes entre policiais no Brasil foi por adoecimento emocional: 126 agentes tiraram a própria vida.

 

Dois incidentes em Salvador, que ganharam repercussão na mídia, ilustram o resultado da tensão cotidiana que esses profissionais enfrentam. Um dos mais recentes ocorreu na madrugada do dia 26 de julho deste ano, quando um policial militar foi apontado como suspeito de disparar, ao menos uma vez, nas imediações de um estabelecimento comercial no Rio Vermelho, um dos bairros mais boêmios da capital baiana. Na ocasião, não foram localizadas vítimas. Posteriormente, uma mulher procurou a delegacia relatando ter sido ferida por estilhaços durante o incidente.

 

Já em 2021, um outro episódio envolvendo um policial militar em "surto" mobilizou Salvador e resultou em uma morte. Armado com um fuzil, o soldado Wesley Soares Góes, de 38 anos, efetuou diversos disparos para o alto na região do Farol da Barra, um dos principais cartões-postais da cidade. Após cerca de 3 horas e meia de negociações com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o PM acabou sendo baleado depois de atirar na direção dos agentes. Wesley, que era noivo e integrava a 72ª Companhia Independente da Polícia Militar havia pelo menos quatro anos, chegou a ser levado para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos.

 

Policial Militar que surtou na Barra
Policial militar que disparou tiros para cima na região do Farol da Barra | Foto: Reprodução / Redes Sociais | Alberto Maraux / SSP-BA

 

Apesar de terem contextos e intensidades diferentes, ambos os episódios sugerem sinais de desequilíbrio emocional ou comportamental por parte dos agentes envolvidos. O fato é que os casos que ganham manchetes são a ponta de um iceberg de um problema sistêmico e, muitas vezes, silencioso: o esgotamento psicológico dos policiais. A rotina, o medo e a falta de suporte adequado têm um custo que se manifesta de diversas formas, afetando a vida dos profissionais e a segurança da sociedade.

 

A saúde mental, definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um estado de bem-estar que permite ao indivíduo enfrentar os desafios da vida, é um direito garantido pela Constituição Federal como parte do direito à saúde. Isso significa que o cuidado com o psicológico desses trabalhadores não é apenas desejável, é uma obrigação do Estado.

 

Ainda assim, quando se trata da saúde de quem arrisca a vida para proteger a população, o cuidado muitas vezes chega tarde — ou não chega. Atualmente, 49 psicólogos integram as iniciativas da Polícia Militar da Bahia (PM-BA), realizando cerca de 1.200 atendimentos mensais. Com um efetivo de 31.657 policiais militares na Bahia, a média acaba sendo de um psicólogo para cada 646 profissionais.

 

O PESO DA FARDA
Diante desse cenário, especialistas alertam que o desgaste psicológico entre esses profissionais é cada vez mais preocupante. As consequências da exposição contínua a situações traumáticas sem suporte emocional adequado vão desde distúrbios de ansiedade, depressão e burnout até comportamentos impulsivos em serviço e, em casos mais graves, suicídio.

 

Atuando no atendimento a policiais na capital baiana, o psicólogo Kito Gois, especialista em psicopatologia, destaca que a profissão demanda um alto nível de vigilância, o que sobrecarrega o aspecto emocional.

 

“O corpo se adapta à tensão, mas a mente responde com sintomas que muitas vezes passam despercebidos ou, pior, são normalizados no ambiente de trabalho. Em Salvador, isso é ainda mais evidente quando consideramos as condições de enfrentamento em comunidades vulnerabilizadas, onde o risco de morte, o medo constante e a sensação de impotência criam um cenário de trauma acumulado”, explica Gois.

 

De acordo com o psicólogo, a maior parte dos que procuram atendimento ainda o faz por iniciativa própria. No entanto, essa busca quase sempre carrega o que ele chama de um “pedido silencioso de ajuda”. “[Eles] vêm desconfiados, muitas vezes sem saber direito como falar da dor, como se sentir fosse uma ameaça à identidade profissional. A farda pesa até no divã”, relata.

 

PRINCIPAIS DIAGNÓSTICOS E SINTOMAS
Além das tarefas cotidianas que exigem alto grau de responsabilidade e decisões rápidas, as longas jornadas de trabalho frequentemente relatadas por policiais contribuem para o surgimento da Síndrome de Burnout — conhecida como síndrome do esgotamento profissional. Outro problema comum entre os profissionais da segurança pública é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), que pode aparecer pelo acúmulo de cenas violentas e situações extremas ao longo do tempo.

 

O psiquiatra Antônio Geraldo, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), frisa que o estresse é uma reação natural do organismo a estímulos externos, sejam eles negativos ou positivos, e ressalta que, em geral, é passageiro. Já o TEPT é um quadro psiquiátrico que pode surgir após a exposição a eventos traumáticos intensos, como confrontos armados, mortes violentas ou ameaças à própria vida, e se caracteriza por sintomas persistentes e debilitantes.

 

O médico ainda menciona que os sinais de alerta incluem sintomas intrusivos, como pesadelos, memórias e flashbacks, bem como a evitação persistente de coisas e lugares que remetam ao evento, distanciamento emocional, perda de interesse ou prazer em atividades que normalmente seriam prazerosas. A culpa, vergonha, insônia, hipervigilância e irritabilidade também entram na lista de indicadores. “Quando esses sintomas afetam o desempenho profissional, as relações interpessoais ou a qualidade de vida, é hora de buscar um psiquiatra”, orienta.

 

O TABU DA VULNERABILIDADE
O psicólogo Kito Gois chama atenção para o estigma que ainda cerca o cuidado com a saúde mental dentro das corporações. Segundo ele, é comum que agentes fiquem receosos de que a terapia seja interpretada como sinal de instabilidade ou incapacidade.

 

“Em uma cultura institucional que valoriza o controle, a força e a frieza, admitir sofrimento pode parecer uma ameaça à própria carreira. Isso faz com que muitos adiem a busca por ajuda até o limite, quando os sintomas já se transformaram em sofrimento grave. O problema é que, nesse ponto, o processo terapêutico costuma ser mais lento e doloroso”, menciona.

 

O preconceito enraizado nas estruturas policiais também contribui para que muitos servidores ignorem os próprios sinais de adoecimento, por medo de serem vistos como fracos ou despreparados.

 

Gois enfatiza que o ambiente institucional pode funcionar tanto como fator de proteção quanto como elemento agravante. Quando há suporte real, escuta ativa, espaços seguros para diálogo e acolhimento emocional, o colaborador se sente validado e menos isolado.

 

“Infelizmente, o que vemos com mais frequência é o oposto: ambientes hierárquicos rígidos, marcados por silêncio emocional, pouca política de saúde mental e muita cobrança. Isso gera medo, desgaste e, muitas vezes, afastamentos que poderiam ser evitados com uma cultura institucional mais humanizada”, avalia.

 

IMPACTO NA ATUAÇÃO POLICIAL
O psicólogo também destaca que um policial emocionalmente adoecido está mais suscetível a agir com impulsividade, cometer erros de julgamento e ter reações desproporcionais — o que coloca em risco não apenas a própria vida, mas a de toda a sociedade.

 

O psiquiatra acrescenta que uma saúde mental fragilizada tem influência direta no funcionamento do indivíduo no ambiente de trabalho. “Doenças mentais como ansiedade e depressão são altamente incapacitantes, e dados recentes mostram que o Brasil registrou quase meio milhão de afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Os números também mostram que há um risco maior de suicídio, sendo essa, atualmente, a maior causa de mortes por policiais”, afirma o presidente da ABP.

 


Wesley Soares Góes foi baleado após atirar contra os agentes na Barra | Foto: Alberto Maraux / SSP-BA

 

Para Kito, o papel da psicologia nesse contexto é essencial, abrangendo tanto o cuidado individual quanto a atuação direta nas instituições. “Precisamos de políticas públicas que incluam a saúde mental como prioridade dentro das forças de segurança e de profissionais preparados para acolher essa categoria sem julgamento. Cuidar da mente de quem nos protege é, no fundo, uma questão de segurança pública”, indica.

 

AÇÕES DA POLÍCIA MILITAR DA BAHIA
Procurada pelo Bahia Notícias, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) informou que possui programas institucionais voltados à saúde mental de seus agentes. Dentre eles, estão os atendimentos clínicos psicológicos individuais e em grupo, inclusive para familiares. A corporação promove ações preventivas como palestras, rodas de conversa e simpósios que visam fomentar o diálogo sobre saúde mental e valorização da vida.

 

Entre os principais programas está o de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar, voltado a agentes envolvidos em ocorrências com resultado morte. Nesses casos, o militar pode ser encaminhado a diferentes níveis de acompanhamento emocional. A corporação também adota protocolo específico para situações relacionadas ao suicídio, com foco na prevenção, manejo do comportamento suicida e posvenção.

 

As ações de apoio psicossocial são realizadas em todo o estado, de forma regionalizada. No sudoeste da Bahia, há clínicas conveniadas, que buscam atender os servidores que trabalham na região. Já o programa federal Escuta Susp, com atendimentos remotos, amplia o alcance do suporte aos policiais de municípios do interior.

 

O BN também solicitou à PM-BA os dados referentes às exonerações ocorridas na Bahia em 2024, incluindo informações sobre desligamentos voluntários, expulsões e demissões. No entanto, o órgão informou apenas o número de demissões: 38 ao longo do último ano.

 

PEDIR AJUDA É UM ATO DE CORAGEM
Se você é policial ou conhece alguém que atua na segurança pública e está passando por sofrimento emocional, procure apoio psicológico. 

 

Disque 188 – Centro de Valorização da Vida (CVV), atendimento gratuito, 24 horas.

Guilherme Rend revela ter enfrentado depressão em momento de lesão: "Fiquei bastante tempo mal"
Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias

O convidado do podcast BN na Bola desta terça-feira (13) foi Guilherme Rend, meio-campista do Itabuna. Durante a conversa com Hugo Araújo e Thiago Tolentino, o atleta revelou ter lutado contra a depressão durante um momento da carreira em que se recuperava de uma lesão no joelho.

 

“Depois de tanto tempo, eu posso dizer que tenho alegria de jogar futebol novamente. Poucas pessoas sabem, mas eu tive problema de depressão depois da cirurgia de joelho. Fiquei bastante tempo mal, bem cabisbaixo. Fiquei muito mal, tive que buscar ajuda para tratar a saúde mental, procurei me tratar com psicólogos”, afirmou o jogador.

 

Rend ressaltou que, hoje, vive um momento bem diferente, onde reencontrou alegria em jogar futebol, não enxergando mais a prática apenas como sua profissão. O meio-campista também disse que os anos que teve no Vitória foram os melhores de sua carreira.

 

“Graças a Deus tudo isso passou e o momento atual é especial para mim. Estou cumprindo uma nova função, é uma felicidade muito grande voltar a jogar, tinha até comentado com o Rodrigo (Chagas) que ele recuperou a minha alegria em jogar futebol. Mas sem dúvidas, o melhor momento que tive em minha carreira foi no Vitória, pegando aquele período de 2020 até 2022, foram meus principais anos no profissional”, comentou.

 

 

O fã de esporte pode assistir a melhor resenha do futebol baiano no canal do Bahia Notícias no YouTube. Se inscreva no canal, compartilhe com os amigos e ative as notificações!

Ex-nadador Bruno Fratus é nomeado Embaixador de Saúde Mental do COI
Foto: Divulgação/COB

O ex-nadador brasileiro Bruno Fratus, medalhista de bronze nos Jogos de Tóquio, foi nomeado Embaixador de Saúde Mental do Comitê Olímpico Internacional (COI). A indicação reconhece sua trajetória de superação, que foi marcada por lesões, desafios emocionais e reviravoltas dentro e fora das piscinas.

 

Aposentado desde o ano passado, Fratus vive atualmente nos Estados Unidos, onde atua como treinador. Em sua nova função, ele pretende usar a própria experiência para apoiar atletas que enfrentam dificuldades emocionais. 


"Quero ajudar a espalhar a palavra para além dos atletas, para o resto do mundo. Nunca desista. Seja irritante, seja um incômodo, não desista", declarou ao portal Olympics.

 

Fratus relatou que enfrentou momentos graves de sofrimento psicológico durante a carreira, chegando a questionar se deveria continuar vivendo. O apoio da psicóloga Carla Di Piero foi fundamental para que ele reencontrasse equilíbrio e seguisse no esporte até conquistar o pódio olímpico.

 

A aposentadoria precoce também não foi fácil. Entre 2022 e 2024, passou por quatro cirurgias — três no ombro direito e uma no joelho esquerdo — e precisou abrir mão do sonho de disputar os Jogos de Paris.
"Eu queria competir em 2024 e 2028. Mas o corpo não acompanhou. Um dia, tive que tirar a cabeça da água porque simplesmente esqueci como nadar. Minha esposa disse: ‘Vamos lá. Acabou."

 

Agora fora das piscinas, Fratus afirma que o espírito competitivo permanece, mas está focado em usá-lo para transformar vidas por meio do esporte.

Empresariado pressiona e Governo Lula adia norma que exige medidas de saúde mental no trabalho
Foto: Agência Brasil

O Governo Lula avalia adiar a atualização da NR-1, norma que define diretrizes para a saúde no ambiente de trabalho e que passaria a incluir o tema da saúde mental. Não oficializado, o adiamento teria sido decidido após reunião do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com sindicatos patronais, que representam as empresas e vinham pressionando contra a mudança. As informações são do g1. 

 

A NR-1 traz todas as diretrizes para garantir a saúde do trabalhador no ambiente de trabalho. Com a atualização, ela passaria a incluir os riscos psicossociais, tornando-os equivalentes a acidentes de trabalho ou doença. Assim, o MTE passaria a fiscalizar as empresas, podendo, inclusive, aplicar multas caso fossem identificadas questões como metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia no trabalho e condições precárias de trabalho.

 

A atualização da norma foi anunciada em agosto de 2024, quando o país teve o maior número de afastamentos do trabalho por saúde mental em 10 anos. 

 

Além de pressão das empresas, o recuo teria sido motivado pela falta de estrutura do ministério para a implementação. O governo havia anunciado a medida pouco antes do balanço anual de afastamentos do trabalho ser divulgado, e deu um prazo de seis meses para que a norma passasse a valer. 

 

As empresas teriam até o dia 26 de maio para se adaptar. No entanto, até esta quinta-feira (17), faltando um pouco mais de um mês para o prazo final, ainda não foi divulgada a cartilha que traz com clareza os detalhes do que precisa ser feito a tempo da cobrança.

 

As entidades alegavam que a medida acabava colocando sob a empresa a responsabilidade por problemas de saúde mental, que são globais; o gasto não previsto com profissionais de saúde mental; e faltou de clareza sobre a aplicação da norma;

 

Em 2024, segundo dados divulgados pelo g1, foram 472 mil afastamentos, contra 283 em 2023 – uma alta de 68%. O número contabiliza a lista de doenças de saúde mental que mais geraram concessão de benefícios por incapacidade temporária. Os dados do INSS permitem traçar um perfil dos trabalhadores atendidos: a maioria é mulher (64%), com idade média de 41 anos, e com quadros de ansiedade e de depressão. Elas passam até três meses afastadas do trabalho.

Gatab se torna a primeira associação baiana especializada em transtornos alimentares
Foto: Divulgação

Em um marco para a saúde mental na Bahia, foi lançado oficialmente nesta quinta-feira (27) o Grupo de Atuação em Transtornos Alimentares da Bahia (GATAB), a primeira associação do estado voltada exclusivamente para o tema. 

 

O evento de inauguração, realizado na Associação Baiana de Medicina, reuniu especialistas e representantes da área de saúde para celebrar a consolidação deste projeto que nasceu em 2022 como uma rede de apoio no WhatsApp.

 

A psiquiatra Ana Paola Robatto, presidente da associação, expressou sua emoção com a concretização deste projeto: "Hoje realizamos o sonho de apresentar à sociedade um grupo que une profissionais e dissemina informações qualificadas sobre transtornos alimentares. Nosso principal objetivo é melhorar o cuidado com esses pacientes". 

 

A declaração foi recebida com entusiasmo pelos presentes, que reconhecem a importância da iniciativa.

 

Maria Emília Pimentel, vice-presidente do GATAB e psicóloga, reforçou a urgência da causa: "Estamos profundamente honradas em criar esta associação que vai profissionalizar o atendimento. Em nossa experiência, atendemos casos que chegaram a esperar 22 meses por tratamento". 

 

Completando as manifestações, a hebiatra Isabel Carmen Freitas, professora da UFBA com três décadas de experiência no atendimento a adolescentes, destacou: "Como especialista, vejo no Gatab uma esperança concreta de oferecer acolhimento multidisciplinar para famílias e pacientes. Os transtornos alimentares exigem uma abordagem integrada e especializada, que finalmente teremos na Bahia".

 

A associação já anunciou suas primeiras ações, que incluem um programa de capacitação de profissionais com início previsto para maio. Para mais informações, siga o perfil no Instagram @gatab. 

Em podcast, Ferretti revela desafios de lidar com sexualidade no futebol: "Pensei em desistir da carreira"
Foto: Reprodução/Wondery Brasil

Atual presidente do Esporte Clube Bahia Associação, Emerson Ferretti, foi um dos convidados do novo episódio do videocast “O Amor na Influência”, produzido pela Wondery, estúdio de podcasts da Amazon. O programa, que foi ao ar na última terça-feira (5), às 19h30, abordou a vivência dos atletas LGBTQIA+ no esporte brasileiro.

 

Ex-goleiro com passagens marcantes por Bahia e Flamengo, Ferretti compartilhou sua trajetória no futebol, destacando os desafios de ter mantido sua sexualidade em segredo durante a carreira. No episódio, ele relata como essa experiência impactou sua saúde mental, levando-o a enfrentar a depressão no auge da profissão.

 

"Eu era goleiro da Seleção Brasileira Sub-20. Com 20 anos já era goleiro titular do Grêmio. Eu tinha o profissional cada vez tendo mais sucesso e ao contrário, a vida pessoal cada vez pior. O vazio aumentava porque quanto mais famoso eu ficava, mais difícil ficava para eu me relacionar. O desequilíbrio era grande e várias vezes eu tive episódios de depressão. A depressão levou a eu pensar em desistir da carreira, mesmo sendo goleiro de grandes clubes do futebol brasileiro. Algumas vezes pensei em desistir de jogar futebol para poder viver um pouquinho do lado pessoal", revelou o ídolo do Esquadrão.

 

"Eu acho que só consegui equilibrar isso agora, depois de falar (sobre a sexualidade). Quando a gente fala abertamente - e não foi nada programado a minha fala. Eu falei quando estava com 50 anos, né? Foi uma construção que demorou alguns anos até chegar a esse ponto de falar. Mas foi tão libertador, que hoje consigo viver plenamente", concluiu. 

 

Além de Ferretti, o ginasta Rayan Dutra, especializado no trampolim e único atleta bissexual a representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, também foi um dos convidados do podcast. Ele reforçaou a importância de referências LGBTQIA+ no esporte e citou nomes como Diego Hypólito e Arthur Nory como exemplos na ginástica brasileira.

 

"Quando eu era pequeno, tinha uma referência, que foi o Diego Hipólito e o Arthur Nory. Acho que na ginástica hoje em dia, a gente consegue ter atletas assumidamente LGBTs. Eu sou um atleta LGBT em atividade, mas a gente tem muito pouco ainda, sem que isso seja um problema", contou Dutra. 

 

"Tem algumas modalidades que que talvez aceitem um pouco mais. O futebol não, ainda não. É um processo. Costumo dizer que o futebol anda dois passos atrás da evolução da sociedade. Hoje a gente já vê uma aceitação maior e temos até um governador assumidamente gay", disse Ferretti, complementando a fala de Rayan. 

 

Em termos gerais, o episódio também discutiu questões de gênero na educação física e a percepção da comunidade LGBTQIA+ no esporte. O podcast “O Amor na Influência” é lançado semanalmente às terças-feiras em plataformas de streaming de áudio e no canal da Wondery Brasil no YouTube. Veja o episódio completo abaixo na íntegra: 

 

 

Corpo de homem desaparecido é encontrado em açude em Serrinha
Foto: Reprodução / ASCOM

Um corpo de um homem, 46 anos, foi encontrado boiando em um açude no povoado do Entrude, próximo à BR-116 Norte, em Serrinha, na tarde de quarta-feira (22). O homem foi identificado como Marcone de Araújo Nascimento e estava desaparecido desde a segunda-feira (20) e fazia acompanhamento em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

 

Segundo informações confirmadas pelo Calila Notícias, parceiro do Bahia Notícias, a Polícia Militar foi acionada e isolou a área até a chegada da perícia. O corpo foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica para necropsia, que deverá apontar a causa da morte.

 

Um familiar da vítima, presente no local, relatou que Marcone apresentava problemas de saúde mental e estava em tratamento. As autoridades não descartam a hipótese de que a morte tenha sido um acidente, mas as investigações estão em andamento para esclarecer as circunstâncias do ocorrido.

“Ansiedade” é a eleita a palavra do ano no Brasil em 2024
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma pesquisa realizada pela CAUSE, em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA e PiniOn aponta que a palavra do ano de 2024, segundo a maioria dos brasileiros, é “ansiedade”. O termo desbancou outras palavras como “resiliência” e “inteligência artificial”.

 

A escolha da palavra do ano passou por um processo de duas etapas. Primeiro, um grupo de especialistas em comunicação e ciências sociais definiu cinco palavras que capturam as dinâmicas e preocupações do ano.

 

Em seguida, as palavras foram submetidas a uma pesquisa quantitativa com amostra representativa da população, a partir de dados do Censo 2022 do IBGE, que consultou 1.538 brasileiros de todas as regiões do país.

 

O termo liderou o levantamento com 22% das menções, seguido por “resiliência” (21%), “inteligência artificial” (20%), “incerteza” (20%) e “extremismo (4%).

 

SAÚDE MENTAL

Para a CEO do Instituo de Pesquisa IDEIA, Cila Schulman, “a ansiedade no brasil em 2024 não é apenas uma questão individual”. Para ela, a condição “está ligada a um contexto social mais amplo”, representado pelas “pressões do cotidiano moderno, o impacto das redes sociais e o ritmo acelerado das mudanças”. Tudo isso, segundo ela, gera “um ambiente de sobrecarga emocional e mental.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas no mundo, com 9,3%. Sintomas de ansiedade são: Náusea, vômito, diarreia, falta de ar, engasgo, sudorese, palpitações e frequência cardíaca acelerada, tensão muscular e aperto no peito.

"Tem que ter muito cuidado", declara Éder Ferrari ao comentar saúde mental no futebol
Foto: Reprodução / Bahia Notícias

O convidado do podcast BN na Bola desta terça-feira (5) foi o Gestor do Estrela de Março, Éder Ferrari. Durante a conversa com Hugo Araújo, Emídio Pinto e Thiago Tolentino, Éder citou alguns atletas do futebol profissional que passaram pelo Estrela de Março nas divisões de base e contou o trabalho psicológico que é feito com os jogadores do clube.

 

"O funil é muito estreito, então tem alguns meninos que apostamos muito e não vingaram no esporte. Tem que estar no lugar certo e na hora certa. Foi citado aqui o Matheuzinho do Vitória que estava no Ypiranga de Erechim e foram lá buscar. Tem alguns jogadores que ainda acreditamos pela esperança, talento e cabeça boa que tem. Dos que passaram pelo Estrela e vingaram no futebol profissional tem o Samuel, Lucas Ribeiro e o Marco Antônio. Na base tem muito mais e tenho fé que um dia estes caras estarão nos grandes cenários do futebol mundial", explicou Éder Ferrari.

 

Ao ser perguntado sobre o tema dos problemas de saúde relacionados a mente do atleta, como a depressão e a ansiedade.

 

"É um tema complexo, porque precisamos remover da nossa mente que em outras épocas era diferente. No Estrela de Março utilizamos a nossa vivência, cursos e experiências que temos de longo tempo de trabalho. Gosto de me atualizar para saber o que os jovens estão gostando, porque eu preciso entender a mente deles. Não vai adiantar eu querer que o cara de 15 anos tenha a mesma mentalidade que eu tinha com 15 anos, o mundo era outro. É difícil, é um outro mundo. Tem que se ter muito cuidado com o que se trabalha no mental de uma criança ou adolescente desse, porque uma palavra mal dita ou uma atitude mal feita quando se vai liberar ou criticar um jogador, tem que se ter muito tato", declarou o profissional do Estrela de Março.

 

 

O fã de esporte pode assistir a melhor resenha do futebol baiano no canal do Bahia Notícias no YouTube. Se inscreva no canal, compartilhe com os amigos e ative as notificações!

Além das quatro linhas: entenda os perigos do desequilíbrio emocional no futebol e como isso afeta os atletas
Foto: Pedro Souza/Atlético

Como um jogador dentro do campo, a ansiedade pode ser tanto aliada quanto adversária. Imagine-a como um zagueiro, peça fundamental na defesa, mas, quando fora do eixo, pode atrapalhar o rumo do jogo e impedir que o time progrida. A analogia pode também se atrelar a um goleiro, paralisado pelo medo, agarrando a bola com força excessiva. A ansiedade o impede de agir e a pressão da torcida com gritos ecoando dentro dos estádios amplificam ainda mais os temores.


O futebol é historicamente ligado a questões sociais e tem visto a saúde mental ganhar cada vez mais destaque nos debates envolvendo todos os atores do esporte. Essa junção de sintomas e analogias dentro do campo das quatro linhas se refletem ao caso de muitos jogadores que sofrem com problemas psicológicos dentro e fora de campo.


Um dos casos recentes é o do zagueiro Lyanco, do Atlético-MG, que revelou publicamente que enfrenta problemas de saúde mental. Em uma noite de celebração após a classificação para as semifinais da Copa Libertadores de 2023, o jogador compartilhou sua luta contra a síndrome do pânico, destacando o impacto tanto mental quanto físico. Lyanco enfatizou a importância do apoio psicológico e como as vitórias do time contribuem para seu bem-estar emocional.

 

Vídeo: Reprodução/Itatiaia Esporte

 

"Isso não é recente, venho enfrentando há bastante tempo. É algo muito sério e, muitas vezes, incompreendido. O que sinto não afeta só minha mente, mas também o corpo. Sinto que vou desabar a qualquer momento, que posso morrer”, desabafou. 


"É um tema delicado. Muitos ainda acreditam que atletas são máquinas, incapazes de sentir emoções ou fragilidades", finalizou Lyanco em entrevista. 


Para explicar sobre os fatores e sintomas que podem acarretar tal desequilíbrio psicológico no ambiente do futebol, o Bahia Notícias entrou em contato com João Ricardo Cozac, doutor em psicologia do esporte na USP e presidente da Associação Paulista de Psicologia no Esporte, que deu detalhes sobre os fatores atrelados ao campo emocional, contando sua experiência no cuidado de jogadores tanto de Série A, como Série B. 

 

"Normalmente as crises de pânico têm a ver com um momento de fragilidade que o atleta está vivendo. Esse momento de fragilidade pode ter ou não conexão com o futebol. Pode ter a ver com causas extracampo, dificuldades no campo emocional ou familiar e muitas vezes a questão das redes sociais, eu tenho observado", avaliou.


Cozac destaca a importância de identificar e tratar os problemas de saúde mental no futebol. Ele aponta as redes sociais como um dos principais fatores que contribuem para o desequilíbrio emocional dos atletas, devido à pressão e ao julgamento constante. Ainda ao BN, o psicólogo do esporte também alerta para a necessidade de que os clubes ofereçam acompanhamento psicológico especializado aos jogadores, buscando profissionais externos quando necessário.


"Atendo muitos jogadores de futebol das Séries A e B e eu percebo que tem muita conexão com rede social. Às vezes o atleta não faz uma boa apresentação e não está num bom momento, acabando por ficar muito fixados no que as redes estão dizendo e no que a imprensa diz sobre o atleta", contou.
 

 
“É buscar um trabalho psicológico individual fora dos clubes. Não é recomendável que o psicólogo do esporte que trabalha no clube atenda clinicamente um jogador. É recomendável que o psicólogo do esporte que atua no clube identifique que o atleta está vivendo questões importantes que precisam de uma atenção mais individualizada e indique para um psicólogo clínico. Essa é a medida que a gente espera que os clubes tenham, uma equipe que tem o foco na equipe e que individualmente identificam atletas em sofrimento psíquico e emocional e possam encaminhá-los para um trabalho, clínico”, pontuou.


SAÚDE MENTAL AINDA É UM TABU ENTRE METADE DOS CLUBES DA SÉRIE A

Pesquisas recentes feitas por diversos veículos de comunicação revelaram que a maioria dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro não contam com psicólogos em suas equipes.

 

Ainda há resistência por parte de dirigentes, técnicos e até mesmo jogadores em relação à presença ou não do psicólogo no ambiente esportivo. Essa questão pode ser atribuída a diversos fatores atrelados à falta de compreensão sobre o papel do psicólogo, preconceitos associados à saúde mental e a busca por ajuda psicológica. Esse é um reflexo da sociedade em sua totalidade. Se ainda existem estigmas e equívocos no campo mais amplo, isso se reflete inevitavelmente nesse segmento também.

 

Uma cena que chocou o Brasil e destacou ainda mais a necessidade que os jogadores possuem de receber acompanhamento psicológico foi a de John Arias, do Fluminense. Campeão da Libertadores em 2023, o atacante celebrou bastante com a psicóloga do clube das laranjeiras.

 

 

“Hoje, eu sou feliz. Obrigado por tudo. O que eu sou hoje, você quem fez.”, comemorou.

 

No ano em questão, o colombiano havia perdido a sua avó e sofreu com quedas de rendimento em algumas partidas do Tricolor durante a temporada, mas acabou dando a volta por cima.

 

IMPACTOS NO DESEMPENHO

De acordo com a coordenadora de cardiologia do Hospital da Bahia, Tais Sarmento, não tratar e cuidar da ansiedade pode gerar impactos no desempenho e perfomance desses atletas. 

 

“As doenças mentais, se não tratadas, podem ter impacto significativo na saúde e desempenho de qualquer profissional, entre eles os atletas,” explicou a especialista

 

“A pressão por resultados e a competição podem gerar estresse, levando a condições como depressão e transtornos de ansiedade. Esses problemas podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, aumento da pressão arterial e de arritmias” completou. 

 

“A falta de cuidado com a saúde mental pode ainda, afetar diretamente o desempenho dos atletas, prejudicando sua capacidade de concentração, tomada de decisões e preparação física. Portanto, é indispensável que os atletas recebam suporte psicológico adequado”, concluiu Tais.

Estudos revelam impacto da internet na saúde mental de universitários

Em Brasília, a universitária Milena Dias, estudante de jornalismo, destaca que optou por não participar de redes sociais. Ela acredita que, eventualmente, isso pode mudar, mas por enquanto, prefere não se envolver com o ambiente virtual, que considera separado da realidade e repleto de estereótipos e exposição excessiva. As informações são da Agência Brasil.

 

Por outro lado, Maria Eduarda Nestali, estudante de nutrição na capital federal, utiliza redes sociais como WhatsApp, Instagram e TikTok, mas com critérios rígidos sobre os conteúdos que consome.

 

Pesquisas indicam que o impacto da internet na saúde mental pode variar, com efeitos positivos e negativos dependendo do uso. Especialistas preocupam-se com o consumo excessivo de plataformas online e sua relação com transtornos mentais, como depressão e ansiedade.

 

A professora Irena Penha Duprat, da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), explorou essa questão em sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP), intitulada "O Papel da Internet na Saúde Mental de Jovens Universitários e sua Relação com Ideação Suicida". Em sua pesquisa, Irena Duprat observou um aumento nos casos de problemas de saúde mental entre alunos em 2017 e 2018, incluindo tentativas de suicídio.

 

Para investigar, foram entrevistados 503 estudantes de seis cursos da área de saúde, que responderam a questionários sobre dependência de internet e ideação suicida. Aproximadamente 51% dos participantes foram classificados com algum nível de dependência da internet, desde leve até moderada e grave. A pesquisa revelou que 12,5% dos estudantes apresentaram ideação suicida.

 

Os resultados mostraram que a ideação suicida era mais prevalente entre estudantes com sintomas depressivos e altos níveis de ansiedade, e aqueles com dependência moderada ou grave da internet. A professora Duprat observou que a internet é frequentemente usada como uma forma de escape para problemas como depressão e ansiedade.

 

Além disso, a exposição em mídias sociais, como Instagram e Facebook, tem um impacto negativo na saúde mental, especialmente entre mulheres. A professora aponta que o conteúdo dessas plataformas pode gerar sentimentos de inferioridade e baixa autoestima, ao promover um ideal de beleza e felicidade frequentemente inalcançável.

Proteção psicossocial fará parte de relatórios de gestão de risco das empresas brasileiras
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O governo federal decidiu com representantes de empresas e de trabalhadores incluir a questão da saúde mental e de casos de assédio no ambiente organizacional dentre os critérios para o gerenciamento de riscos ocupacionais. A proteção psicossocial dos funcionários fará parte da Norma Regulamentadora Nº 1, principal termo que diz a respeito do gerenciamento de riscos das organizações. 

 

A medida foi acertada nesta terça-feira (30) após reunião da Comissão Tripartite Paritária Permanente, formada por integrantes do governo, sindicatos de trabalhadores e confederações de empregadores, que debate assuntos de segurança e saúde no trabalho. 

 

Em entrevista à Agência Brasil, o secretário de Inspeção do Trabalho substituto do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) , Rogério Araújo, disse que, a partir da publicação das atualizações da norma, as empresas deverão identificar parâmetros psicossociais nos relatórios de gerenciamento de riscos, que são feitos periodicamente para o cumprimento das exigências de segurança do trabalho.

 

"Essa atualização é muito importante. As empresas terão que fazer a gestão desses ambientes de trabalho para evitar o adoecimento mental do trabalhador. O objetivo é evitar o excesso de sobrecarga de trabalho e dar atenção às questões do ambiente de trabalho saudável sem assédio e nenhum tipo de violência contra o trabalhador, seja assédio moral, sexual ou qualquer outra forma de assédio", explicou.

 

As novas diretrizes têm a expectativa de entrar em vigor nove meses após a publicação da norma. De acordo com o prazo de trâmite e aprovação interna, as mudanças têm a projeção de ser concretizadas no prazo aproximado de um ano.

Servidores do Ministério Público promovem nesta quarta-feira mobilização em prol da saúde mental
Foto: Douglas Protázio

Nesta quarta-feira (3), servidores do Ministério Público em todo o país promovem o Dia Nacional de Mobilização por Políticas de Saúde Mental no MP. A atividade, organizada pela Federação Nacional dos Servidores dos Ministérios Públicos Estaduais (FENAMP) e a Associação Nacional dos Servidores do Ministério Público (ANSEMP), marca um ano da publicação da Política Nacional de Atenção à Saúde Mental no Ministério Público pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). 

 

Os servidores realizarão manifestações nos locais de trabalho usando as cores preto e amarelo, simbolizando o luto pelos colegas adoecidos e as campanhas por saúde mental. Além disso, levarão cartazes e balões amarelos para todas as repartições do Ministério Público Brasileiro, destacando a importância da saúde mental no ambiente de trabalho.

 

Apesar disso, muitas unidades ministeriais ainda não implementaram essa política essencial, e as entidades buscam avançar em políticas de combate ao assédio, um dos principais fatores de adoecimento no ambiente de trabalho.

 

A política foi desenvolvida após a Comissão de Saúde do CNMP divulgar o relatório final da pesquisa “Atenção à Saúde Mental de Membros e Servidores do Ministério Público: Fatores Psicossociais no Trabalho no contexto da pandemia de Covid-19”. De acordo com o relatório, 85,6% dos membros e 85% dos servidores estavam em risco de desenvolver Transtornos Mentais Comuns (TMC).

 

A política aprovada pelo CNMP prevê a criação de ambientes de acolhimento e escuta qualificada, bem como a instituição de comissões de prevenção a situações de risco à saúde mental, com participação de representantes classistas de membros e servidores.

 

Além disso, a pesquisa destacou que 50,1% dos respondentes relataram ter sido alvo de assédio moral, enquanto 27,1% sofreram violência psicológica no trabalho. Em resposta, os conselheiros Rodrigo Badaró e Jayme de Oliveira propuseram a criação das Comissões de Prevenção a Situações de Risco à Saúde Mental, que visam combater a violência, assédio sexual e moral, e discriminação no ambiente institucional.

 

Estas comissões, a serem estabelecidas em cada ramo e unidade do Ministério Público, terão a responsabilidade de abordar questões como violência, assédio moral e sexual, e discriminação, garantindo o sigilo nas investigações. As comissões utilizarão principalmente mecanismos autocompositivos, como negociação, mediação e conciliação, para buscar soluções consensuais e mediadas para os conflitos.

 

"A saúde mental dos servidores é uma questão urgente que precisa ser tratada com a seriedade que merece. O relatório da CES/CNMP revelou um cenário alarmante, e a falta de implementação efetiva da Política Nacional de Atenção à Saúde Mental só agrava essa situação. Nosso objetivo com esta mobilização é chamar a atenção para os riscos diários que nossos colegas enfrentam e pressionar por medidas concretas que possam realmente proteger e promover o bem-estar de todos os servidores do Ministério Público", ressalta Ticiane Natale, coordenadora Jurídica da FENAMP e integrante do Movimento Nenhum Servidor a Menos no MP-SP.

 

A FENAMP e a ANSEMP buscam sensibilizar o CNMP a aprovar a resolução que reforça o combate ao assédio no Ministério Público e chamar a atenção dos gestores para a importância de implementar políticas efetivas de saúde mental.

Ministério da Saúde aumenta valor de auxílio para pessoas com transtorno mental no Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério da Saúde aumentou em 51% o auxílio concedido a pessoas com transtorno mental que ficaram internadas por longo tempo em hospitais psiquiátricos e de custódia. O valor que era de R$500 passará a ser de R$755. Por meio de nota, a pasta informou que a mudança é para favorecer a ampliação da rede de relações dessas pessoas que sofrem por alguma enfermidade mental.   

 

"A estratégia busca favorecer a ampliação da rede de relações destas pessoas e o seu bem-estar, além de estimular o exercício pleno dos seus direitos civis, políticos e de cidadania, fora da unidade hospitalar", afirma a nota. 

 

O benefício tem o objetivo de fomentar a reinserção social e bem-estar de pessoas que ficaram dois ou mais anos internadas ininterruptamente. O projeto é oriundo do programa De Volta para Casa, que já atendeu cerca de 8 mil pessoas em 20 anos, conforme dados do ministério no ano passado. 

 

Além da iniciativa, outra estratégia criada foi um departamento para tratar sobre a saúde mental, voltado para retomar habilitação de novos serviços e recompor Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e dos Serviços Residenciais Terapêuicos (SRT). 


Outra ação do órgão para ampliar o acesso ao cuidado da saúde mental é a construção de unidades de atendimento. O novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) projeta 150 novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em todas as regiões do Brasil, possibilitando o atendimento de 13,4 milhões de pessoas.

Técnico do Tottenham elogia Richarlison após jogador falar sobre saúde mental
Foto: Reprodução/Instagram

Após a entrevista de Richarlison para a ESPN, onde explicou o estado de depressão que viveu depois da Copa do Mundo de 2022, o técnico do Tottenham, Ange Postecoglou, elogiou o brasileiro por ter falado sobre os problemas de saúde mental que enfrentou recentemente.

 

"Acima de tudo, os jogadores são seres humanos. O impacto é maior quando se trata de alguém importante, que está em uma posição na qual se supõe que não deveria ter problemas ou que pode ser percebido como um sinal de fraqueza se pedir ajuda ou apoio. Isso dá mais mérito", disse o treinador.

 

Richarlison comemorou recentemente a chegada da psicóloga Marisa Santiago à Seleção Brasileira, explicando que a terapia "salvou sua vida" após a crise que sofreu em 2023 pelas críticas a seu desempenho e diversos problemas pessoais.

 

"É importante a Seleção ter um psicólogo para ajudar os atletas. Só a gente sabe a pressão que sofre, não só dentro, mas também fora de campo", disse o atacante brasileiro em entrevista coletiva em Londres.

 

Neste sábado (30), Richarlison e o Tottenham visitam o Luton Town pela 30ª rodada da Premier League.

"Nossa troca é verdadeira", diz Majur sobre parceria com Nara Couto e Hiran no Carnaval de Salvador
Fotos: Sandro Honorato / Bahia Notícias

A cantora Majur se apresentou no Largo do Pelourinho no último dia do Carnaval no Centro Histórico, nesta terça-feira (13), ao lado de Nara Couto e Hiran, na parceria batizada de Projeto 03 Artistas.  


Para o Bahia Notícias, a artista comentou sobre a parceria. "A gente é irmão e a música nos conecta e a partir disso a gente faz um show. É tudo cognitivo assim. A gente não tem nenhuma relação artística de só vamos pegar, vamos fazer o show e vamos cantar. Eu acho que as pessoas puderam sentir hoje, é algo que faz parte da gente, dessa essência da gente nessa troca da gente que é tão verdadeira. Então, foi muito feliz pra mim, primeiro, estar em casa, em Salvador, no Pelourinho, poder cantar as minhas músicas, Hiran cantando as dele, assim como Nara. Nós que somos três artistas tecnicamente novos da música aqui baiana e ter esse reconhecimento, ter o governador assistindo, foi uma coisa muito sensacional assim pra mim. Estou muito feliz de verdade de estar na minha casa nesse momento de carnaval que é tão importante também para visibilizar corpos, visibilizar a arte e a gente estar aqui nesse momento visibilizada", disse Majur. 


 

Ela não descartou uma reedição da parceria. "Eu estou num misto de coisas, ao mesmo tempo. É uma grande confusão mental de mistura de felicidade, de esperança do que significa que vai acontecer mais vezes e pode acontecer outras vezes. Não quero que seja uma coisa pontual. Isso é muito importante de se dizer porque não é sobre o movimento que acontece no Carnaval e morre no Carnaval, numa festa, mas é algo que vai ficar de fato,  adoraríamos fazer mais uma vez pra cantar quantas vezes forem necessárias nesta da cidade", afirmou.


Majur também comentou sobre a pausa que precisou fazer na carreira para cuidar da sáude no início deste ano. "As pessoas costumam dizer que eu sou uma deusa. Mas deuses também choram, deuses também oram, deuses também sentem e também são gente. Eu também sou gente, então eu precisei ser gente, eu estava sentindo coisas e  precisava de um momento pra internalizar, pra pensar, pra sentir coisas dentro de mim. Por quê não dizer pras pessoas a verdade? Eu não consigo fugir da verdade, eu sou de Xangô, não vou mentir, então, sim, eu precisei e fui, e inclusive digo pra todas as pessoas, que façam isso, é importante cuidar da saúde mental, é importante estar bem consigo mesma pra estar bem com o mundo", alertou.

 

Janeiro Branco: Campanha alerta sobre cuidados com o autocuidado e a saúde mental no Brasil
Foto: Freepik / Reprodução

O mês de janeiro é dedicado à campanha de conscientização sobre a saúde mental no Brasil. O período foi criado pelo mês ser considerado o momento em que pessoas determinam metas e vivem diferentes emoções por conta da passagem do ano. 

 

Os crescentes casos de doenças relacionadas à saúde mental também levaram a realização da campanha. A depressão, por exemplo, atingiu 11% da população brasileira durante 2022, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, com resultados da Pesquisa Vigitel. 

 

O tema ganhou mais repercussão ainda após figuras públicas, a exemplo dos cantores Wesley Safadão, Lucas Lucco, Luisa Sonza e o atleta Diego Rosa, relatarem sofrer com enfermidades mentais. 

 

Diferente do Setembro Amarelo, período destinado exclusivamente prevenção do suicídio, o Janeiro Branco retrata de modo geral as doenças mentais.

 

Segundo a psicóloga Ana Caroline, do Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP), a campanha teve início após a Organização Mundial de Saúde (OMS) constatar que o Brasil é um dos países que mais possui problemas ocasionados à saúde mental.  

 

“A campanha foi iniciada após a OMS identificar o Brasil antes de 2020, antes da pandemia de Covid-19, como um dos países mais depressivos e ansiosos. Na atualidade somado ao contexto da pandemia esse número tem aumentado muito. A gente percebe quando estamos falando de gestão de saúde pelo SUS, por exemplo que a atenção básica - porta de entrada de acesso da população brasileira, identifica muitos transtornos mentais”, explicou. 

 

ACESSO AOS CUIDADOS 

A especialista observou que pela falta de orientação à população, o período é considerado o “pontapé” para os cuidados com a saúde mental. 

 

“A gente percebe justamente a necessidade de orientação da população para que desde logo comece a identificar esses sinais. [...] Janeiro Branco pode ser o pontapé do ano inteiro. Todo mês a gente precisa de atenção à saúde mental. Temos diferentes datas que chamam atenção para o autocuidado”, comentou. 

 

A psicóloga pontuou também que além de consultas com especialistas da área, outros tipos de terapias podem contribuir para a recuperação da saúde mental no Brasil. 

 

“A gente pode pensar desde a realização de atividade física, alimentação adequada e acesso à alimentação. Um ambiente de trabalho promissor, um ambiente de trabalho para trabalhar, pois o desemprego é uma agravante. Então você terá outros tratamentos também além da psicologia, da psicoterapia. Tem outros cuidados com saúde como quiropraxia, acupuntura médica e outros profissionais também, toda a linha de cuidado. Tudo isso colabora para o cuidado com a saúde mental”, revelou.

MP abre ação para instalação de leitos de saúde mental no Hospital Regional de Juazeiro
Foto: Reprodução / Sesab

O Ministério Público estadual (MP-BA) ajuizou uma ação civil, nesta quinta-feira (14), requerendo a determinação da Justiça para a instalação de oito leitos de saúde mental no Hospital Regional de Juazeiro. A denúncia veio após a abertura de um inquérito civil para a apuração da falta de leitos em saúde mental no Hospital Regional de Juazeiro, considerando a oferta de suporte hospitalar estratégico para a assistência psicossocial e urgências. 

 

A promotora de Justiça Rita de Cássia Caxias detalha as ações:  “Apesar da informação de que havia processo para contratação de oito leitos psiquiátricos no Hospital Geral de Juazeiro, o referido certame não foi concluído e, portanto, a contratação dos leitos não foi efetivada, prejudicando a assistência especializada em psiquiatria do Município, região e Rede PEBA, que inclui os estados de Pernambuco e Bahia”, destacou. 

 

Rita complementou que a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) foi provocada a se manifestar sobre a temática, e encaminhou análise técnica da Diretoria de Gestão do Cuidado confirmando que o Hospital Regional de Juazeiro é o único hospital do município, sob gestão estadual, que possui perfil assistencial para implantação de oito leitos de saúde mental, conforme a legislação da Rede de Atenção Psicossocial. “No entanto, após concedido prazo para nova manifestação acerca do andamento da instalação dos leitos de saúde mental no hospital, a gestão estadual informou não mais haver previsão para implantação de leitos de saúde mental na unidade”, afirmou a promotora de Justiça.

“A gente ainda vive em um sistema onde esse tipo de assunto não é levado tão a sério”, diz Karol Conká no Liberatum
Foto: Edurada Pinto / Bahia Notícias

Escolhida para integrar a mesa sobre saúde mental no Festival Internacional Liberatum Salvador, a cantora e compositora, Karol Conká, cobrou a necessidade de pautar o tema, ainda mais diante da exposição nas redes sociais. Ao lado de Kito Góes e Marcelo Zig, a curitibana fez parte da programação do evento neste sábado (4), no Centro de Convenções. 

 

“É necessário falar sobre isso, porque a gente ainda vive em um sistema onde esse tipo de assunto não é levado tão a sério e é como se a gente não precisasse se aprofundar nesse tema”, defendeu. 

 

Sobre o talk “Resiliência na era da conexão: cuidando da saúde mental em um mundo hiperconectado”, o psicólogo e analista de comportamento, Kito Góes, acredita que ao falar da temática é preciso também associá-la diretamente às garantias direitos e conquistas sociais do povo negro. 

 

“Faço terapia há oito anos. Então, eu costumo dizer que a minha trajetória como alguém que faz terapia há tanto tempo contribui fundamentalmente para eu poder estar aqui hoje”, pontuou. “Nós jamais conseguiremos uma série de emancipações, sobretudo para nós pessoas negras, se a saúde mental não for um critério fundamental de todo o debate seja ele público ou privado”, reforçou. 

 

Conhecido nas redes como Afrodeficiente, o filósofo, palestrante, provocador social e ativista, Marcelo Zig, acredita que o debate sobre saúde mental ainda é algo negado a pessoas com deficiência, ainda mais pessoas negras com deficiência, como ele. 

 

“Enquanto uma pessoa negra com deficiência falar sobre saúde mental é algo ainda bastante inusitado, inóspito, que a gente ainda tem uma invisibilidade muito violenta nas relações sociais, na ocupação dos espaços. Então, para que a saúde mental ainda se torne uma perspectiva para uma pessoa com deficiência, mais especificamente uma pessoa negra com deficiência, a gente precisa estar nos espaços e a gente precisa ocupar os territórios para que isso realmente se torne uma demanda pra gente e para a sociedade entender a nossa perspectiva também”.

Saúde mental é principal problema para os professores, aponta pesquisa
Foto: Unsplash

A saúde dos professores não vai bem no Brasil. É o que aponta o livro Precarização, Adoecimento & Caminhos para a Mudança. Trabalho e saúde dos Professores, lançado nesta semana pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro). As informações são da Agência Brasil.

 

O livro foi lançado durante o V Seminário: Trabalho e Saúde dos Professores - Precarização, Adoecimento e Caminhos para a Mudança. Durante o seminário, os pesquisadores apontaram que, seja na rede pública ou na rede privada, os professores sofrem de um mesmo conjunto de males ou doenças, em que há predomínio dos distúrbios mentais tais como síndrome de burnout, estresse e depressão. Depois deles aparecem os distúrbios de voz e os distúrbios osteomusculares (lesões nos músculos, tendões ou articulações).

 

“Os estudos têm mostrado que as principais necessidades de afastamento para tratamento de saúde dos professores são os transtornos mentais. Quando olhávamos esses estudos há cinco anos, eles apontavam prevalência maior de adoecimento vocal. Mas isso está mudando. Hoje os transtornos mentais já têm assumido a primeira posição em causa de afastamento de professores das salas de aula”, disse Jefferson Peixoto da Silva, tecnologista da Fundacentro.

 

Segundo Frida Fischer, professora do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), entre os principais problemas enfrentados por docentes no trabalho está a perda de voz, a perda auditiva, os distúrbios osteomusculares e, mais recentemente, as doenças mentais. “Essas são as principais causas de afastamento dos professores”, disse, em entrevista coletiva.

 

Uma pesquisa realizada e divulgada recentemente pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) já havia apontado que muitos professores estão enfrentando problemas relacionados à saúde mental e que isso pode ter se agravado com a pandemia do novo coronavírus.

 

Violência
Outro problema que agravou a saúde dos professores é a violência, aponta Renata Paparelli, psicóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Segundo ela, o adoecimento dos professores pode ser resultado de três tipos de violência: a física, como as agressões e tapas; as ameaças; e também as resultantes de uma atividade psicossocial cotidiana, como os assédios, por exemplo, relacionados à gestão escolar. Além disso, destaca, há também os episódios de ataques contra as escolas.

 

As consequências dessas violências, diz Renata, podem resultar tanto em um problema físico, tais como uma lombalgia ou lesão, quanto em uma doença relacionada a um transtorno de estresse pós-traumático.

 

“A escola não é uma ilha separada de gente. A escola está dentro de uma comunidade, está na sociedade e todos os problemas da sociedade vão bater lá na porta da escola. O tempo todo a escola reflete os problemas que existem na sociedade”, ressaltou Wilson Teixeira, supervisor escolar da Secretaria Municipal de Educação da prefeitura de São Paulo. “Então, a escola também pode ser promotora de violência. Uma gestão autoritária, por exemplo, pode causar sim adoecimento dos professores”, destacou.

 

Além da violência, a falta de recursos ou de condições apropriadas também contribui para que o professor adoeça. Isso, por exemplo, está relacionado não só à infraestrutura da escola como também aos baixos salários, jornadas excessivas e até a quantidade de alunos por salas de aula. “As doenças relacionadas ao trabalho estão diretamente relacionadas às condições de trabalho, aos recursos que os professores têm para a administração de seu cotidiano. Quando as condições de trabalho são precárias, tanto em infraestrutura quanto em recursos ou exigências, e quando existe um desequilíbrio entre o que o professor tem de fazer e aquilo que é possível ser feito dentro daquelas condições, as pessoas vão adoecer”, disse Frida Fischer.

 

Para Solange Aparecida Benedeti Penha, secretária de assuntos relativos à saúde do trabalhador da Apeoesp, parte desses problemas podem ser resolvidos com o fortalecimento das denúncias e também por meio de negociações entre os sindicatos e os governos. “Defendemos menos alunos nas salas de aula, professores valorizados e, consequentemente, isso vai trazer uma melhoria para a educação”, disse.

 

Para Jeffeson Peixoto da Silva, todas essas questões demonstram que é necessário que sejam pensadas políticas públicas voltadas também para o bem-estar dos professores. “A principal conclusão do livro é a questão das políticas públicas, a importância de termos políticas públicas e que sejam favoráveis às melhorias das condições de saúde e de trabalho dos professores. Medidas pontuais podem beneficiar alguns, mas temos no Brasil um número muito grande de professores, mais de 2 milhões, que vivem em regiões e situações diferentes, então as políticas públicas são aquelas capazes de abranger toda essa necessidade”, disse Silva.

Brasil tem taxas mais altas de depressão em toda a América Latina
Foto: Agência Brasil

O Brasil registrou as mais altas taxas de depressão em toda a América Latina. O país tem atualmente o maior número de pessoas diagnosticadas com a doença no continente, onde mais indivíduos receberam o diagnóstico em 2022 e mais pessoas irão desenvolver ao longo de suas vidas. 

 

Os dados são de uma revisão de estudos que mapeou a prevalência da doença no continente, conduzida por estudiosos da Pontifícia Universidade Católica do Chile e publicada no The Lancet e divulgado pelo Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias. 

 

O estudo apontou que cerca de 12% das pessoas na América Latina apresentarão a doença ao longo da vida, enquanto no Brasil esse dado chega a 17%. Já a taxa de diagnóstico nos últimos 30 dias é de 5,48% no Brasil e, no continente, de 3,12%. No último ano, 8,11% dos brasileiros tiveram critérios diagnósticos para a depressão, em comparação com 5,3% na América Latina. 

 

Já o número de brasileiros que atualmente sofrem com a doença está acima das estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indicam cerca de 5% dos adultos do mundo.

 

“Embora tenhamos cuidado muito da metodologia, avaliando apenas estudos populacionais com mais de mil pacientes, baseados em diagnósticos clínicos de acordo com os sistemas de classificação e não em sintomas relatados, há muita diferença entre os estudos e entre os países”, explica a professora do departamento de Psiquiatria da Pontifícia Universidade Católica do Chile e uma das líderes do trabalho, Antonia Errázuriz, em entrevista à Agência Einstein.

 

No Brasil, segundo a especialista, a enorme maioria das análises teria sido feita em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, com uma população essencialmente urbana, onde a prevalência da doença é geralmente maior. 

 

Já na Guatemala, por exemplo, há menos estudos, mas englobando também populações rurais, onde a incidência é menor. Já na Argentina, foi avaliado apenas um trabalho, que levou em conta pacientes da Grande Buenos Aires. 

 

“Apesar disso, observamos que, no Brasil, especialmente nos grandes centros, há uma taxa mais elevada da doença do que no resto do continente”, ressalta a autora.

Governo da Bahia anuncia construção de 24 novos Centros voltados à saúde mental a partir de 2024
Foto: Leonardo Rattes/Sesab

O Governo do Estado anunciou, nesta terça-feira (12), que pretende construir mais 24 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e unidades de acolhimento. Essas unidades, de acordo com o governo, vão começar a ser construídas em 2024. Elas são especializadas no tratamento e reinserção social de e pessoas com sofrimento ou transtornos mentais graves e persistentes, constituído por uma equipe multiprofissional.

 

As novas unidades serão construídas dentro do Programa de Fortalecimento do SUS no Estado da Bahia (PROSUS II), que está sendo elaborado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

 

Ao todo, de acordo com o governo da Bahia, dez Caps foram entregues na primeira fase do programa, entre os anos de 2019 e 2022. Todas essas unidades reforçam a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) da Bahia que hoje conta com 327 Caps.

 


ASSISTÊNCIA INDÍGENA

Além destes centros, a Sesab anunciou a construção de 42 novas Unidades Básicas de Saúde e 38 novas Unidades Básicas de Saúde Indígenas (UBSi). “Todo esse investimento faz parte de uma estratégia de podermos ampliar ainda mais o acesso do cidadão à assistência à saúde. Dentro da perspectiva de ampliação da rede, estamos preocupados também com as questões de saúde mental”, aponta a secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana.

De acordo com a Secretária, o PROSUS tem como objetivo ampliar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde na rede de atenção do estado, através do fortalecimento da atenção primária, da descentralização e regionalização das ações de média e alta complexidade e interoperabilidade de dados em saúde para toda a rede SUS do estado da Bahia.

 


COMO TER ACESSO

Os Centros de Atenção Psicossocial podem atender aos pacientes por demanda espontânea ou mediante encaminhamento. A questão de saúde pode ser identificada inicialmente em uma unidade básica de saúde e posteriormente pode ser encaminhada para um Caps para criar plano terapêutico.
 

Bahia possui quase 250 leitos públicos de internação em saúde mental
Foto: Mariana Machado/Saúde GOVBA

A pandemia do coronavírus trouxe uma preocupação extra em relação à saúde mental da população em geral. Em casos de necessidade de internação, a rede pública estadual tem capacidade de dar suporte à população baiana. 

 

“Quando falamos no cuidado do Governo da Bahia na assistência à população, não esquecemos e nem iremos esquecer a atenção à saúde mental. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, houve um aumento de 25% na prevalência de ansiedade e depressão em todo o mundo com a pandemia e é fundamental que possamos dar assistência a quem necessita de atendimento na rede pública”, declara a secretária da Saúde Roberta Santana.  

 

Os hospitais vinculados à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em gestão direta ou indireta, possuem 246 vagas de internação em saúde mental, em unidades gerais (66) e em unidades especializadas (180) em Salvador no interior do Estado. 

 

Em unidades gerais, os leitos estão distribuídos no Hospital Geral do Estado (8) e Professor Eládio Lassérre (4), em Salvador; Regional Costa do Cacau (08), em Ilhéus; Regional Piemonte do Paraguaçu, em Itaberaba (4); Regional da Chapada, em Seabra (4); Paulo Afonso (4); Geral Prado Valadares (12), em Jequié; e Crescêncio Silveira (22), em Vitória da Conquista.

 

Nas unidades especializadas, são 96 leitos no Hospital Juliano Moreira (HJM) e 30 no Especializado Mario Leal (HEML), ambos em Salvador, e 54 no Especializado Lopes Rodrigues (HELR), em Feira de Santana. As três unidades também dispõem de Emergência 24 horas, com 04 leitos no HJM, 08 no HEML e 11 no HELR. O HJM e o HELR ainda contam com lares abrigados, com 12 e 06 leitos, respectivamente.

 

Em 2024, Sesab ainda irá disponibilizar 20 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e quatro novas unidades de acolhimento psicossocial. 

Governo federal anuncia R$ 200 milhões para saúde mental em 2023
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, assinou nesta segunda-feira (3) duas portarias que instituem a recomposição financeira para os serviços residenciais terapêuticos (SRT) e para os centros de atenção psicossocial (Caps), totalizando mais de R$ 200 milhões para o orçamento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) no restante de 2023. Ao todo, o recurso destinado pela pasta aos estados será de R$ 414 milhões no período de um ano. 

 

O anúncio foi feito durante a 17º Conferência Nacional de Saúde, que acontece até a próxima quarta-feira (5) em Brasília. O evento reúne representantes da sociedade civil, entidades e movimentos sociais para debater temas prioritários para o sistema público de saúde, incluindo a saúde mental. O montante anunciado representa um aumento de 27% no orçamento da rede, no intuito de aumentar a assistência à saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS). 

 

O repasse será direcionado para um total de 2.855 Caps e 870 SRT existentes no país. Todas as instituições, de acordo com o ministério, terão recomposição do financiamento e os recursos serão incorporados ao limite financeiro de média e alta complexidade de estados, do Distrito Federal e dos municípios com unidades habilitadas.  

 

Nísia lembrou que, durante os encontros preparatórios para a conferência nacional, nos estados e municípios, surgiram dois pontos de consenso: o reforço do SUS e da democracia. “Nesse contexto, a saúde mental tem lugar especial”, destacou, ao citar retrocessos e o que ela mesma chamou de negacionismo identificados no país ao longo dos últimos anos. 

 

“Um descaso com o sofrimento, agravado pela pandemia de Covid-19. A pauta de saúde mental é hoje discutida em todo o mundo. Não está referida só ao efeito da pandemia. Tem muito a ver com a solidão com que as pessoas vivem hoje, com o individualismo crescente que, muitas vezes, se manifesta na dificuldade de ter relações sociais, nisso que hoje se chama de efeito tóxico da comunicação só pelas redes sociais.” 

 

Desde março, 27 novos Caps, 55 SRT, quatro unidades de acolhimento e 159 leitos em hospitais gerais – a maioria em estados do Nordeste – foram habilitados pela pasta. Os novos serviços estão localizados nos seguintes estados: Alagoas, Bahia, Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. 

 

Este ano, o ministério criou o departamento de Saúde Mental, responsável pela retomada da habilitação de novos serviços e por iniciar estudos para a recomposição do custeio dos Caps e dos SRT. Segundo a pasta, diversos estudos acadêmicos reiteram que a ampliação da oferta de serviços comunitários em saúde mental diminui a demanda por hospitalização, assegurando mais qualidade de vida à população.  

 

“A criação do departamento foi algo que nos dedicamos com afinco porque já vinha sendo apontado, durante a equipe de transição, com muita força esse tema. Acreditamos na sua importância. E é também um tema permanente nas discussões do Conselho Nacional de Saúde”, avaliou Nísia. As informações são da Agência Brasil.

PMs em serviço morreram mais por tiros de colegas do que de bandidos este ano em São Paulo
Foto: Reprodução

Nos últimos 40 dias, três policiais militares em serviço foram mortos com tiros disparados por colegas de farda no estado de São Paulo, número que já é maior do que as duas mortes de PMs em confrontos com criminosos registradas no primeiro trimestre deste ano pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).

 

No caso mais recente, ocorrido na manhã de segunda-feira (15), o capitão Josias Justi da Conceição Júnior, comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar de Salto, no interior paulista, e o 2º sargento Roberto Aparecido da Silva foram fuzilados por outro sargento, identificado até o momento somente como Gouveia. As informações são do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

Em abril, no dia 5, o sargento Rulian Ricardo foi morto com dois tiros, disparados por seu superior hierárquico, o capitão Francisco Laroca e o cabo Fabiano Rizzo, que atua como motorista dele. O assassinato ocorreu dentro de um batalhão da PM na zona sul da capital paulista.

 

Ambos os crimes ocorreram nos quartéis onde vítimas e autores trabalhavam e foram motivados, segundo apurado pelo Metrópoles, por discussões relacionadas à escala de trabalho. No caso ocorrido na capital, o sargento assassinado enviou áudios a um colega reclamando sobre isso.

 

O capitão e o sargento do interior foram fuzilados enquanto trabalhavam com documentos, em uma sala da 3ª Cia. do 50º Batalhão da PM. Já o sargento Rulian foi morto com tiros de pistola, um no pescoço e outro no tórax, nas dependências da 4ª Companhia do 46º Batalhão Metropolitano da PM, no Jardim Santa Emília, na zona sul paulistana.

Promoção da saúde mental para pessoas negras ganha evidência em novo livro de pesquisadoras
Foto: Divulgação

O índice de suicídio entre jovens negros é 45% maior do que entre brancos, segundo levantamento do Ministério da Saúde. Na faixa etária de 10 a 29 anos, a probabilidade chega a 50%. Este dado alarmante é apenas um dos indicativos de que a população preta está mais vulnerável aos sofrimentos psicoemocionais. Como então oferecer ferramentas para entender as origens e lidar com essas angústias que representam o limiar entre a vida e a morte de muitos?

 

Para as pesquisadoras na área de saúde mental de pessoas negras e criadoras dos projetos Pra Preto Ler e Pra Preto Psi, Bárbara Borges e Francinai Gomes, a resposta para tratar do problema está na adoção de estratégias de promoção de autoconhecimento e do fortalecimento do senso de comunidade. Elas discorrem sobre esta busca pelo bem-estar no livro Saber de Mim, lançamento da editora Almedina Brasi.

 

Ao adotarem a “escrevivência”, técnica cunhada pela escritora e linguista Conceição Evaristo para definir um estilo de escrita diretamente relacionado às vivências de quem escreve, as autoras conquistam proximidade com o leitor. Essa conexão aparece especialmente quando exploram temas densos que escancaram as feridas causadas pelas inúmeras formas de perpetuação do racismo.

 

A obra tem como ponto de partida a discussão sobre os prejuízos causados pela alienação racial, estabelecida quando o negro não se reconhece como tal para evitar cargas negativas relacionadas às experiências de ser uma pessoa de cor no Brasil. Segundo Bárbara e Francinai, esse processo alienante é incentivado principalmente pela exaltação da política de democracia racial, falsamente difundida no país.

 

As pesquisadoras destacam também o dilema da fraternidade entre negros, que costuma se dar apenas pela dor e sofrimento causados pelos episódios de preconceito que praticamente todos enfrentam. Para elas, é preciso encontrar outros pontos de conexão que permitam criar uma comunidade que experimente a esperança, coragem e união ao invés da humilhação, vergonha e tristeza.

 

O livro coloca em evidência situações que afligem especificamente pretos e pretas, como o fardo de representar toda a sua raça em cada ação e fala, justamente porque muitas vezes são sujeitos únicos nos lugares que ocupam, seja no ambiente profissional ou na convivência social. Esta imposição é experimentada desde a infância e produz adultos imersos em autocobranças, que dificilmente praticam a auto generosidade e autodeterminação.

 

Outro ponto de tensão que também produz sofrimento para os negros é a “obrigação” de ocupar espaços historicamente negados pelo legado colonial brasileiro. Apesar de extremamente importante, este movimento implica na perda da autonomia para estabelecer propósitos individuais e reconstruir o senso de comunidade. E mesmo no “topo”, ainda é preciso enfrentar as violências que se renovam e nem sempre são facilmente reconhecíveis.

 

No processo para elucidar as origens do desalento mental desta população, Bárbara e Francinai analisam os impactos negativos da romantização do amor e dos relacionamentos. Isso porque a ideia que temos hoje de romance foi construída por meio de um viés de branquitude: coloca os corpos negros no lugar de “não-desejados” ou “não-ideais” e aponta as pessoas brancas como o padrão a ser desejado sexual e romanticamente.

 

Saber de Mim faz ainda uma crítica à maneira como a saúde mental de negros e negras é tratada em clínicas e consultórios. As pesquisadoras defendem que a suposta neutralidade da escuta em psicologia reproduz violência e silenciamento. Para elas, é incabível que profissionais da área mantenham o posicionamento de que “sofrimento não escolhe raça” porque o pertencimento racial é fundamental para a estrutura da subjetividade, linguagem e posição no setting terapêutico.

Ministério da Saúde vai fortalecer apoio à saúde mental e prevenção da violência nas escolas
Foto: Isaac Amorim/MJSP

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que o apoio psicológico às crianças e adolescentes nas escolas será uma das pautas prioritárias nas ações desenvolvidas pelo Departamento de Saúde Mental, que foi criado nesta gestão do Ministério da Saúde. 

 

O anúncio é parte das medidas interministeriais adotadas pelo governo Lula para o enfrentamento e prevenção da violência nas escolas. Na última quarta-feira (5), um ataque brutal a uma creche provocou a morte de quatro crianças em Blumenau (SC).

 

Na quinta-feira (6), depois de participar da primeira reunião do Grupo de Trabalho (GT) criado para discutir esse tema, a ministra disse que o debate sobre a violência nas escolas é, também, um problema de saúde pública e que levará o tema à reunião do Conselho Nacional de Saúde (CNS) já na próxima semana.

 

“A violência tem sido considerada um problema de saúde pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde a década de 90. Esse é um tema do campo da saúde, mas ele muda as suas formas também. Por isso, a comunicação, por exemplo, é um componente fundamental para o enfrentamento desse problema”, disse a ministra.

 

Nísia também citou a proposta de aprimorar ações do programa Saúde na Escola, criado em 2003, na primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Queremos fortalecê-lo nessa visão abrangente de promoção e de prevenção. E trabalhar com foco na juventude”, destacou a ministra.

 

“A reunião de hoje foi para indicações das equipes ministeriais, definição de reuniões e fechamento de um calendário. Nós temos projetos e este tema, de violência nas escolas, já era discutido, ainda mais depois do episódio de ontem em Blumenau”, acrescentou o ministro da Educação, Camilo Santana, depois do encontro.

 

Além dos ministérios da Educação e da Saúde, também participam do Grupo de Trabalho os ministérios da Justiça e Segurança Pública; dos Direitos Humanos e da Cidadania; das Comunicações; da Saúde; da Cultura; do Esporte; e a Secretaria Nacional de Juventude da Secretaria-Geral da Presidência da República. O Grupo de Trabalho Interministerial também poderá convidar para as reuniões representantes de outros órgãos e entidades da administração pública federal, de outras instituições públicas e da sociedade civil.

Para quebrar estigmas, série baiana discute violência, drogas e saúde da população de rua 
Foto: Divulgação

A carreira artística do baiano Bruno Masi ficou muito marcada pela trajetória nos vocais da Superfly, nos anos 2000, mas o audiovisual sempre foi sua praia, antes mesmo da banda. Agora, imerso na linguagem do cinema e no desejo de discutir questões sociais por trás da violência nas ruas, ele lançou a série “Ninguéns”, que estreou nesta semana e segue no ar às segundas-feiras, sempre às 20h30, na TVE Bahia.

 

“Na verdade, o audiovisual vem antes da música na minha vida. Eu estava me formando em Direito em 1995, 1996, mais ou menos, mas já era apaixonado por cinema. Eu ia para o Canadá para estudar lá, estava numa viagem de sair um pouco de Salvador. Fui para lá, estudei cinema, princípios do cinema, fotografia, toda parte técnica, de iluminação de cena, movimento de câmera, que ainda não era digital”, conta Masi, lembrando que na volta ao Brasil a ideia era trabalhar na área, porém, foi “pego no meio do caminho pela música”.

 


Bruno Masi entre duas paixões, o cinema e a música | Foto: Thais Laila | Divulgação

 

No novo projeto, mergulhando nas origens e com a assessoria científica do psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da Ufba, Antônio Nery Filho, ele narra, em cinco episódios de 26 minutos, a rotina de pessoas em situação de rua na capital baiana, levantando discussões sobre temas como preconceito, violência e, sobretudo, o vício das drogas.

 

Bruno Masi explica que apesar da série ter sido finalizada agora, ela já vinha sendo desenvolvida há cerca de dois anos e meio, em parceria com a produtora executiva Thais Laila, que também assina o roteiro junto com ele. “A gente estava já profundo nele, porque já tinha feito várias entrevistas com Dr. Antônio Nery, já tinha feito um caminho de um trabalho que a gente gostaria, que seria um trabalho humano. Não seria um trabalho baseado em dados, em ‘tantas pessoas morrem’, ‘tantas pessoas usam cocaína’. Não, eu não queria números, eu queria a história de pessoas”, afirma o artista, que também é o responsável pela direção e finalização da obra. “Eu queria, obviamente, antes de mais nada, uma obra de arte audiovisual. E, como toda obra de arte audiovisual, é um corte. E eu gostaria que esse corte tivesse um olhar humano, tivesse um foco no usuário, nessas pessoas que são vulneráveis”, destaca.

 

Imbuída da ideia de retratar a realidade para além das estatísticas, a equipe procurou explorar a fundo o tema, amparada em estudos e nas entrevistas com os personagens. “A gente foi estudando redução de danos; a questão da guerra às drogas, o fracasso da proibição, e as consequências nefastas e violentas que isso gera; a falta de amor nas famílias, a falta de agregar na família, a violência familiar, que leva muitos jovens às ruas”, conta Masi, salientando que a ideia do projeto não é “vitimizar” ou “criminalizar” os retratados, mas sim estimular a reflexão sobre as políticas públicas e as melhores estratégias para lidar com a dependência química, que segundo ele, é um drama real que deveria ser encarado com uma questão de saúde pública.

 

As filmagens começaram no fim de 2018, entraram por 2019, até 2020, quando a equipe teve que parar, por causa da pandemia. O projeto não foi comprometido porque já haviam sido captadas cerca de 80% das imagens necessárias para concluir o documentário. Com a flexibilização dos protocolos, este ano, o projeto pôde ser retomado, mas muitas soluções também surgiram a partir de animação e recursos gráficos. O diretor conta que esta alternativa foi usada, por exemplo, para preencher cenas que poderiam soar muito agressivas, como no segundo episódio, quando um personagem conta que sua família o mantinha preso e que, levado a um manicômio, passou por torturas e eletrochoques. O trabalho de arte gráfica de “Ninguéns” é assinado por Igor Caiê.

 

EPISÓDIOS

O primeiro episódio da série explora a história de três personagens principais, tendo como pano de fundo o papel dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), a política de redução de danos e o trabalho do Centro de Estudos e Terapia de Abuso de Drogas (Cetad), da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

 

O segundo conta a trajetória de “Os Incênicos”, grupo de teatro formado por usuários dos Caps. Nesta parte, o projeto discute a saúde mental, as drogas administradas para este grupo e a arte como ferramenta de cura. O episódio explora ainda como a saúde mental e a estigmatização podem levar as pessoas às ruas.

 


Terceiro episódio de "Ninguéns" aborta trabalho social desenvolvido na Igreja da Santíssima Trindade | Foto: Divulgação

 

No terceiro, por sua vez, a produção conta a história da Igreja da Santíssima Trindade, localizada na Cidade Baixa, onde é desenvolvido um trabalho social com a comunidade. “O irmão Henrique é um missionário que tem uma história linda. A gente conta a história dele e do lugar, da comunidade que ele criou, onde moradores de rua podem dormir, comer…”, conta Bruno Masi. O quarto episódio, por sua vez, tem como foco os artistas de rua e o uso de substâncias psicoativas. 

 

Fechando a série, o quinto episódio é sobre o Movimento Nacional População de Rua e o papel de sua fundadora, Maria Lúcia Pereira, falecida em 2018. Uma das personagens entrevistadas é Sheila Maloca, ex-moradora de rua e filha adotiva de Maria Lúcia.

 

Confira o trailer da série baiana:

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Do jeito que as coisas vão, não sei se o Soberano chega inteiro em outubro. Mas não foi o único que levou bola nas costas também. Tiveram que recorrer até ao passado pra lembrar da conexão entre o Pernambucano e o Capitão, por exemplo. Enquanto isso, o passado deixa outros tristes. Não é, Ferragamo? Mas o futuro também tira o sono de alguns. Alice no País das Maravilhas, por exemplo, já tem seu plano B. Saiba mais!

Pérolas do Dia

ACM Neto

ACM Neto
Foto: Maurício Leiro / Bahia Notícias

"Tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas, através de vazamentos seletivos, que buscam associar indevidamente meu nome a situações que nunca tive envolvimento". 

 

Disse o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) ao se pronunciar sobre o pedido da Polícia Federal (PF) para realizar uma busca e apreensão relacionada a ele no âmbito da 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada nesta quinta-feira (17). A medida, no entanto, foi negada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Podcast

Vota BN: Projeto Prisma entrevista o candidato ao governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL) nesta segunda

Vota BN: Projeto Prisma entrevista o candidato ao governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL) nesta segunda
A sabatina faz parte da série especial "Vota BN", dedicada a sabatinar as principais lideranças políticas na disputa pelo Executivo estadual e pelo Senado nas eleições de 2026. O programa é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

Mais Lidas