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Artigos

Augusto Vasconcelos
Bahia registra menor taxa de desocupação dos últimos 12 anos
Foto: Feijão Almeida/ GOVBA

Bahia registra menor taxa de desocupação dos últimos 12 anos

Além de liderar a geração de empregos no Nordeste, a Bahia obteve a menor taxa de desocupação dos últimos 12 anos. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada recentemente, confirmou o bom momento da Bahia na geração de empregos.

Multimídia

João Cláudio Bacelar defende permanência da Câmara na Praça Thomé de Souza

João Cláudio Bacelar defende permanência da Câmara na Praça Thomé de Souza
O vereador da Câmara de Salvador, João Cláudio Bacelar (Podemos), defendeu a permanência da Câmara municipal, localizada na Praça Thomé de Souza. Segundo ele, em entrevista ao Projeto Prisma, Podcast do Bahia Notícias, trabalhar em um local histórico como aquele é motivo de "muito orgulho".

Entrevistas

Diretor do FIDA/ONU no Brasil reforça parcerias na Bahia para geração de emprego e renda no campo

Diretor do FIDA/ONU no Brasil reforça parcerias na Bahia para geração de emprego e renda no campo
Foto: Edu Mota / Brasília
O governo da Bahia anunciou recentemente a expansão do programa de cooperação que possui junto ao Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com objetivo de promover o desenvolvimento sustentável, a inclusão produtiva e a geração de renda em diferentes biomas do estado. A parceria entre o governo e o órgão da ONU conta com investimentos que ultrapassam o patamar de R$ 1,5 bilhão.

pcc

Operação contra PCC gerou pedido de CPI e pode impulsionar combate à sonegação e PEC da Segurança Pública
Foto: Divulgação Polícia Federal

A megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (28) contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) por uma força-tarefa que envolveu órgãos federais - como Polícia Federal, Receita Federal, Agência Nacional de Petróleo - e estaduais - entre eles Polícia Militar, Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo - deve ajudar a impulsionar no Congresso Nacional, nos próximos dias, projetos que combatem o crime organizado,  a lavagem de dinheiro e até mesmo a relação das Fintechs com criminosos. 

 

O mais complexo desses projetos que pode ganhar novo fôlego é a PEC 18/2025, de autoria do governo federal, que busca reconfigurar a estrutura da segurança pública no Brasil. O projeto foi amplamente discutido pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, com os governadores desde o ano passado. 

 

A PEC, que foi protocolada pelo governo em abril deste ano, enfrenta resistência, principalmente de governadores que apresentam seu nome como pré-candidatos a presidente da República. É o caso, por exemplo, dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Minas Gerais, Romeu Zema, os maiores críticos da proposta. 

 

O projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara no dia 15 de julho, por 43 votos a 23. Um dia depois, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), criou uma comissão especial para análise do mérito da PEC 18/2025. 

 

Naquela ocasião, a Câmara estava iniciando o recesso parlamentar, e Hugo Motta afirmou que na volta dos trabalhos, no início de agosto, seriam indicados os 34 membros titulares e igual número de suplentes para a devida instalação da comissão especial. “A segurança pública é uma prioridade de trabalho para nós no segundo semestre deste ano”, afirmou Hugo Motta, em 16 de julho.

 

Daquele dia até aqui, a Câmara entrou em recesso, retomou os trabalhos em 4 de agosto, e a comissão especial para analisar a PEC da Segurança Pública permanece paralisada, à espera da determinação do presidente Hugo Motta para o início dos seus trabalhos. 

 

Outros projetos que podem ter sua tramitação acelerada a partir das revelações feitas com a megaoperação sobre o PCC dizem respeito a mudanças de regras para que haja um fortalecimento no combate à sonegação. Propostas na Câmara e no Senado buscam ampliar o certo e a fiscalização sobre o chamado devedor contumaz, empresas que deixam de pagar impostos de forma reiterada e sem justificativas, e que sonegam milhões de reais todos os anos. 

 

No Senado, foi aprovado no mês de abril deste ano, na Comissão de Constituição e Justiça, um projeto de 2022, de autoria do então senador Jean Paul Prates (PT-RN), que define normas para identificar e punir os chamados devedores contumazes. O projeto, o PLC 125/2022, aguarda ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos.

 

O texto aprovado, relatado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), estabelece critérios objetivos para definir o devedor contumaz. Pelo texto, serão considerados inadimplentes reiterados aqueles que não recolherem tributos por pelo menos quatro períodos consecutivos ou seis alternados dentro de um ano. 

 

Já a inadimplência substancial será caracterizada quando a dívida ultrapassar R$ 15 milhões ou representar mais de 30% do faturamento anual da empresa, desde que o valor seja igual ou superior a R$ 1 milhão. A inadimplência também deverá ser injustificada, cabendo ao devedor comprovar os motivos do não pagamento. 

 

Outro projeto que busca ampliar o cerco aos devedores contumazes foi apresentado pelo governo federal, em fevereiro do ano passado. O PL 15/2024  institui programas de conformidade tributária e aduaneira com o objetivo de incentivar os bons contribuintes e fortalecer o caráter orientador da Receita Federal.

 

A proposta do governo está baseada em três pilares: vantagens para quem cumpre regras de conformidade, controle de benefícios fiscais e regras mais duras para devedor contumaz.

 

O último eixo do programa prevê o endurecimento das regras contra os devedores contumazes, categoria que inclui cerca de mil empresas que devem ao fisco sistematicamente. O PL 15/24 considera devedor contumaz o contribuinte que satisfaz qualquer dos seguintes requisitos:

 

  • débito acima de R$ 15 milhões e valor maior que o próprio patrimônio;
  • débito em dívida ativa acima de R$ 15 milhões por mais de um ano;
  • débito de mais de R$ 15 milhões e CNPJ baixada ou inapta nos últimos cinco anos.

 

A Receita Federal criará um cadastro federal de devedores contumazes e dará um prazo para a regularização desses contribuintes, com a possibilidade de ampla defesa. Se comprovado crime contra a ordem tributária, o devedor contumaz responderá na esfera criminal, com dolo.

 

O projeto do governo sobre o devedor contumaz se encontra atualmente aguardando votação na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara. O relator, deputado Danilo Forte (PSD-CE), apresentou seu parecer, que acabou não sendo votado. 

 

Além dos projetos que já tramitavam para combater o crime organizado e a lavagem de dinheiro, outros projetos já estão surgindo com este objetivo, motivados pela megaoperação desfraldada nesta quinta. É o caso do PL do deputado Mauro Benevides Filho (MDB-CE), que estabelece diversas medidas de prevenção e combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. 

 

O projeto do deputado cearense foi protocolado nesta sexta (29), e tem o objetivo de fortalecer os mecanismos de controle, assegurar a transparência e garantir a rastreabilidade das operações realizadas no sistema financeiro e no mercado de capitais. Mauro Benevides afirma que a sua proposta busca aprimorar o arcabouço normativo de prevenção e combate à lavagem de dinheiro no Brasil, com foco no fechamento de brechas estruturais que vêm sendo exploradas por organizações criminosas. 

 

Outras iniciativas também já surgiram com foco na investigação das conexões entre os grupos criminosos e bancos digitais e fintechs. Foi o caso do requerimento apresentado pelo líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), que pede a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar como organizações criminosas utilizam bancos digitais e instituições financeiras tecnológicas em suas operações. 

 

A investigação requerida pelo líder do PT terá como foco transações que possam configurar lavagem de dinheiro intermediada por essas empresas. Segundo Lindbergh a comissão também tem o intuito de investigar a “rede de desinformação que tenta confundir a população para favorecer criminosos”. 

 

Em seu perfil oficial no X, Lindbergh Farias disse que a CPI “vai enfrentar o crime organizado, a intermediação das Fintechs da Faria Lima num sofisticado esquema de terceirização da lavagem de dinheiro e as redes de desinformação usadas para atacar instituições e fragilizar o combate à lavagem de dinheiro”. 
 

Jerônimo exalta megaoperação do governo federal contra o PCC e defende uso da indigência na luta contra as facções
Foto: Mateus Pereira / GOVBA

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) exaltou a “megaoperação” promovida pelo governo federal contra operações financeiras da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) nesta quinta-feira (28), em São Paulo. Em nota emitida à imprensa, o petista defendeu o uso da inteligência no combate ao crime organizado e afirmou que a ação do governo federal é um “exemplo” a ser adotado na Bahia.

 

“A operação realizada pelo Ministério da Justiça do governo Presidente Lula contra as operações bilionárias e ilegais do PCC no mercado financeiro e de combustíveis, com envolvimento de famigerados fundos de investimentos da Faria Lima em SP, é exemplo de que é possível combater o crime não apenas com operações de campo, mas, também com o uso da inteligência policial e da integração de forças, que neste caso envolveu também a Polícia Federal, Ministério Público e também o Ministério da Fazenda”, disse o governador em nota.

 

“É uma inspiração para que nossa luta na Bahia contra o crime organizado continue firme, equipando nossa polícia e usando de recursos tecnológicos e de inteligência contra criminosos cada vez mais sofisticados. Mas, vamos derrotá-los”, complementou Jerônimo.

 

Nesta quinta, uma megaoperação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e da Receita Federal foi deflagrada. O principal alvo das investigações é o empresário Mohamad Hussein Mourad, apontado pelas autoridades como o epicentro de um suposto esquema criminoso no setor de combustíveis que conecta a organização PCC ao centro financeiro da Faria Lima.

 

De acordo com o Gaeco, Mourad é alvo de um dos 350 mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos. As investigações apontam que Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", seriam os principais operadores por trás de um ecossistema fraudulento que abrangeria toda a cadeia de combustíveis. O esquema envolveria desde a importação, produção, distribuição e comercialização até o consumidor final, incluindo ainda os elos finais de ocultação e blindagem de patrimônio por meio de fintechs e fundos de investimento.

Bahia lidera ranking nacional com maior número de facções criminosas em atuação, aponta levantamento
Foto: Alberto Maraux / SSP-BA

A Bahia é o estado que possui a maior concentração de atuação de facções criminosas no Brasil. O território baiano tem pelo menos 17 grupos criminosos, dos quais 15 são originários do próprio estado, enquanto os dois restantes, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), são, respectivamente, do Rio de Janeiro e de São Paulo.

 

O dado foi revelado pelo jornal “O Globo”, que realizou um levantamento com as secretarias de Segurança Pública, Administração Penitenciária e os Ministérios Públicos de todos os estados. Conforme o mapeamento realizado pelo veículo jornalístico, o Brasil atualmente possui 64 facções espalhadas pelas 27 unidades da federação.

 

Atrás da Bahia, aparecem os estados de Pernambuco (12) e Mato Grosso do Sul (10). Segundo a reportagem, as duas unidades federativas do Nordeste têm um cenário fragmentado, com muitas facções locais disputando espaço, enquanto o território sul-mato-grossense é o maior “importador” de facções de outros estados.

 

Nove das 12 facções criminosas interestaduais atuam no estado do Mato Grosso do Sul. Inclusive, o Bonde do Maluco (BDM), de origem baiana, é um dos grupos criminosos que se expandiram para o território sul-mato-grossense. Um detalhe é que o BDM também criou um núcleo de atividades em Sergipe, que faz fronteira com a Bahia.

 

O Globo divulgou a lista das facções criminosas com atuação no território baiano, e o Bahia Notícias buscou a principal região de atuação de cada uma. Confira os grupos criminosos:

 

  1. *Comando Vermelho (CV) - Rio de Janeiro
  2. *Primeiro Comando da Capital (PCC) - São Paulo
  3. Bonde do Maluco (BDM) - Salvador
  4. Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) - Eunápolis
  5. Raio A - Itabuna
  6. Raio B - Itabuna
  7. Tropa do KLV - Camaçari
  8. Bonde do Neguinho (BDN) - Vitória da Conquista
  9. Bonde do SAJ - Santo Antônio de Jesus
  10. Honda - Juazeiro
  11. A Tropa - Recôncavo baiano
  12. Campinho (CP) - Porto Seguro
  13. Katiara - Salvador
  14. Mercado do Povo Atitude (MPA) - Porto Seguro
  15. Anjos da Morte (ADM) - Caraíva
  16. Daniel Gomes/Pedro Gerônimo/Maria Pinheiro (DPM) - Itabuna
  17. Mequinho e Kila (MK) - Camaçari

*Facções de origem de fora da Bahia

 

De acordo com a matéria, há uma dificuldade em cravar se o número de facções está diminuindo ou crescendo no país, sobretudo quando se trata dos grupos menores, porque não há um critério oficial para diferenciar uma facção criminosa de uma gangue com atuação circunstancial.

 

Algo que também dificulta a contabilidade é o fato de que algumas organizações têm regime exclusivo “intramuros”, como é o caso do Povo de Israel (PVI), que atua em prisões do Rio de Janeiro.

Ravengar: A ascensão e queda do barão do tráfico que desafiou o Estado
Foto: Reprodução

Durante anos, sua figura deslizava entre os becos como um sussurro. Ninguém via, mas todos sentiam. Raimundo Alves de Souza, o Ravengar, foi mais do que um homem: foi um fenômeno social. Um personagem esculpido entre a ausência do Estado, o poder corrosivo das drogas e a obediência comprada com favores. Dono de um império que se estendia dos morros de Salvador às noitadas glamourosas da elite soteropolitana, Ravengar reinou onde a política jamais ousou pisar. Sua história é uma ferida aberta, atravessada por violência, estratégia e contradição.

 

Ravengar nasceu em Salvador, em 1953. Como tantos meninos da cidade, cresceu aprendendo a sobreviver onde a infância termina cedo. No Pelourinho, dividia espaços com pequenos criminosos, alugando quartos e recolhendo apostas do jogo do bicho. Aos poucos, tornava-se conhecido entre aqueles que transitavam entre a margem da lei e a margem da sobrevivência. Era uma sombra útil: discreta, sempre presente.

 

Quando os tempos mudaram e o dinheiro ficou curto, mudou-se para o Alto de São Gonçalo. Passou a rodar como taxista. E foi ao volante, carregando compras e passageiros, que encontrou um novo filão: o tráfico. Primeiro como entregador, depois como articulador. Transportava drogas para artistas, empresários e políticos. Um serviço de confiança, feito sem barulho, sem riscos. Na boca dos usuários, virou "Raimundão Brabo". Mas o apelido que o eternizaria ainda estava por nascer.

 

A prisão de Zequinha do Pó, um atleta de remo e professor de natação que comandava o tráfico na região, abriu uma vaga no topo da cadeia alimentar. Ravengar não hesitou. Instalou-se no Morro da Águia, uma geografia estratégica, íngreme, de difícil acesso, esquecida pelo poder público. Ali, fundou seu império, batizado informalmente de "Império Ravengar". Seus seguidores se autodenominavam "Soldados de Ravengar". A estrutura era militar: comandos, hierarquia, patrulhamento constante.


Mas havia algo em Ravengar que o diferenciava dos demais: sua habilidade de misturar medo e favores. Como Pablo Escobar, sabia que o amor comprado valia tanto quanto a obediência imposta. No morro, pagava botijões de gás, comprava cestas básicas, reformava casas. Organizava festas, agenciava bandas, mantinha uma creche. Seus homens, armados até os dentes, usavam rádios e operavam com tática. À polícia, oferecia silêncio e propina. À comunidade, proteção e pequenos milagres do cotidiano.

 

E era sob o manto do benfeitor que Ravengar ocultava o reinado erguido à margem da lei. Dono de palavras mansas e gestos calculados, chegou a conceder uma entrevista à Revista Veja, onde falava de sua missão social e do banco improvisado que mantinha, de onde saíam empréstimos sem juros destinados à comunidade. Era dali, entre promessas de ajuda e favores silenciosos, que brotava o encanto sombrio de sua influência.

 

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Nos anos 1990, Ravengar ampliou o negócio. Tornou-se um empresário da noite. Fundou o bar Reluz, a casa de espetáculos Megashow e passou a investir em grupos musicais. A fronteira entre o crime e o entretenimento se diluía sob luzes coloridas. No palco, artistas; nos bastidores, cocaína. Para o público, ele era apenas um nome no outdoor. Para a polícia, um enigma intocável.

 

Em 1992, a primeira grande operação policial contra ele terminou em fiasco. A polícia invadiu o Reluz, prendeu subordinados, vasculhou imóveis. Ravengar escapou ileso, como se tivesse evaporado. Era um mestre em desaparecer. Delegados e comandantes viraram aliados. Algumas denúncias nem sequer eram registradas. A omissão era o maior ativo do seu negócio.

 

Foi apenas em 2003, com a chegada do delegado Edmilson Nunes ao Departamento de Tóxicos e Entorpecentes, que a caçada se tornou real. Ambicioso, Nunes traçou uma linha direta entre sua carreira e a prisão de Ravengar. Começou a costurar a queda com paciência e escuta. Descobriu a mansão de três andares no Cabula. No dia 16 de janeiro, a polícia invadiu o local. O que encontrou parecia o cenário de um filme surreal: aquários gigantescos, quadros de líderes contraditórios - de Irmã Dulce a Hitler -, móveis de luxo, e uma coleção de rádio-comunicadores.

 

Mas Ravengar já não estava ali. Tinha fugido com a precisão de quem antecipa o movimento do inimigo. E ainda assim, ligou para os policiais: “Não plantem nada aí”, avisou, com a calma de quem sabe que ainda está por cima. Seus dias, no entanto, estavam contados.

 

Foi apenas 37 dias depois, em 22 de fevereiro de 2004, que o rei caiu. Tentou escapar dirigindo um Vectra em alta velocidade pela Linha Verde, mas foi encurralado próximo a Monte Gordo. Levou um tiro no tórax. Saiu do carro com as mãos erguidas, ferido, finalmente derrotado. Sua mulher, Suely Napoleão, também foi presa. Com ele, caía o último pilar de um império que durou mais de uma década.

 

Quando foi levado pelas mãos da justiça, Ravengar fez ecoar sua voz por meio de uma carta dirigida a um jornalista. Nela, mais do que lamentar a liberdade perdida, Ravengar criticava a postura do delegado Edmilson Nunes, que comandara a operação que resultou em sua prisão. Com a arrogância de quem se considera o senhor do tráfico, ele escreveu: “O estado vai se arrepender de ter me prendido, eu boto ordem na criminalidade”

 

Em 2006, Ravengar foi condenado a 25 anos e 11 meses de prisão. Tráfico, refino, associação ao tráfico e corrupção ativa. O crime de formação de quadrilha caiu, ironia do sistema que ele corrompeu. Na prisão, impôs sua presença. Escreveu uma cartilha chamada Código de Ética Ravengar, distribuída entre os presos. Regras para convivência. Tentou transformar a cela em gabinete. Foi punido com 30 dias de solitária.

 

Em 2012, conseguiu o semiaberto. No ano seguinte, liberdade condicional. Mas em 2017, foi preso novamente, desta vez com a própria família, em nova operação contra o tráfico.

 

Ravengar morreu em 8 de junho de 2023, aos 69 anos, por complicações de uma diabetes. Um fim discreto para alguém que viveu cercado de excessos. Ainda assim, sua lenda persiste. Seu nome é citado com medo, com respeito, com desconfiança.

 

Para muitos, Ravengar foi um vilão. Para outros, um protetor. Mas a verdade está no meio: ele foi o produto de um país onde o crime, muitas vezes, é mais eficiente que o governo. Onde o fuzil organiza o que o Estado desorganiza. Onde o silêncio é comprado, e o poder, traficado.

 

Ravengar morreu. Mas o que ele representa continua vivo. Nos morros, nas bocas, nas vielas. No silêncio cúmplice que ainda protege tantos outros Ravengares em ascensão.

14 anos sem Kelly Cyclone: "Viral nas redes", personagem divide opiniões entre a doçura e o tráfico
Foto: Redes sociais

“Cyclone não é marca de ladrão, é a moda do gueto, mas com toda discriminação, eu imponho respeito. 'Cap' para o lado, camiseta, bermudão, é de Cyclone. Vou de Cyclone”. O refrão, imortalizado na voz do “Príncipe do Guetto”, Igor Kannário, poderia muito bem ser uma biografia rimada de Kelly Sales Silva. Ou de Kelly Doçura. Ou de Kelly Cyclone. Dama do pó, primeira influenciadora digital da Bahia, patroa do tráfico ou só uma jovem que sonhava com um amor eterno, a depender de quem conta, Kelly foi todas essas mulheres e talvez nenhuma. O que ninguém duvida é que ela foi um fenômeno. Como a marca de roupas que lhe deu nome, Kelly virou um ícone, um furacão periférico impossível de ignorar.

 

Durante o dia, Kelly exibia bonecas, ursinhos de pelúcia e declarações de amor rabiscadas nas paredes de casa. “Tony, eu te amo de uma forma que não sei explicar”, lia-se. À noite, no Orkut, surgia envolta em armas, roupas de grife e poses de guerra. A doçura dividia espaço com o risco. Criada num lar pacato e religioso, Kelly era tida na infância como “bicho do mato”, introspectiva, apegada à família. Os poucos momentos fora de casa se resumiam à igreja, onde fez crisma e primeira eucaristia. Mas, em algum ponto entre o altar e a rua, a menina virou furacão.

 

A virada, dizem as irmãs, veio pela dor. Rosiele aponta a separação dos pais como estopim. Carla acredita que tudo começou após o suicídio de Anderson, primeiro namorado de Kelly e pai de seu filho. A adolescente de 16 anos ficou grávida e entrou em colapso: sonhava que jogava o bebê pela janela, escondia veneno de rato no quarto, falava em morrer. O filho sobreviveu, para morrer em 2022 em confronto com a Polícia. O menino não chegou aos 20 anos. A mãe não chegou aos 23.

 

Foi nesse caldo de traumas que Kelly encontrou abrigo nas festas de pagode e no universo da ostentação periférica, onde o crime e o glamour se tocavam na esquina. Conheceu Bombado Doçura, percussionista da banda Saiddy Bamba, e ganhou com ele não só fama, mas também o apelido. Depois que o namoro acabou, largou o “Doçura” e adotou “Cyclone”, em homenagem à marca de bermudões e camisetas largas adorada nas favelas da época. O nome virou identidade. E a identidade virou personagem.

 

Kelly se apaixonava com intensidade e velocidade. Namorou Sidnei Ferreira, traficante do Garcia, morto pela polícia; depois Hugo, assaltante, morto em briga. Os nomes viraram tatuagens: “Sidnei” no pulso, “Hugo” no couro cabeludo. No quadril, uma sentença que resumia sua jornada: “Vida loka”. Na esteira desses amores, Kelly se aproximou cada vez mais das estruturas do crime organizado.

 

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É nesse ponto que a história individual de Kelly se cruza com a guerra entre facções que moldou Salvador a partir dos anos 2000. Os primeiros namorados da jovem orbitavam facções locais como o Comando da Paz (CP) e o Bonde do Maluco (BDM), organizações nascidas da disputa por território e controle do tráfico. No fim da década, o BDM se tornava a principal força bélica da capital baiana, rompendo com o CP e estabelecendo uma rede de violência que se infiltrava em todas as camadas da vida urbana. Kelly, embora nunca oficialmente ligada a nenhuma dessas organizações, circulava com quem estava no topo da cadeia, uma presença que incomodava, atraía e assustava.

 

Sua consagração como personagem pública veio com a “Festa do Pó”, em fevereiro de 2010. O evento, recheado de cocaína, picanha e pagodão, terminou com 44 detidos e manchetes em todos os jornais. Kelly estava entre eles. Na delegacia, negou envolvimento com o tráfico, disse que a droga era de “outros” e ganhou mais uma página na mitologia popular de Salvador. Daí em diante, foi estrela de programas policiais, tema de comunidades no Orkut e símbolo de uma juventude que misturava rebeldia, desejo de ascensão e autoficção digital. Antes que o termo existisse, Kelly foi uma influenciadora, com seu estilo, seu drama, sua pose.

 

Cogitou se candidatar a vereadora, em 2012. A bandeira? Combate às drogas. Ironia ou redenção, ou talvez só marketing. Kelly sabia se vender. Mas não sabia se proteger. Na madrugada de 18 de julho de 2011, ela foi assassinada após sair do Salvador Fest. Vestia uma camisa da seleção argentina e uma saia da Cyclone, seu uniforme de guerra. Saiu da festa passando mal, entrou no carro de Carlos Gustavo Cohen Braga, o Gustavinho, herdeiro de uma linhagem policial e, segundo o Ministério Público, também do crime.

 

Horas depois, foi vista correndo ferida na Rua Romualdo de Brito, em Lauro de Freitas. Tinha sido esfaqueada no abdômen. Um homem atirou duas vezes de dentro do carro. Kelly caminhou alguns metros, caiu morta numa praça pública. A perícia confirmou a brutalidade. A investigação? Não confirmou quase nada.

 

No primeiro momento, Gustavinho foi o principal suspeito. Mas em 2012, o inquérito mudou de rumo: atribuiu o crime aos irmãos Miminho e Véio, supostamente a mando de Tony Rogério, um traficante federal, o amor de Kelly. Tony desconfiava de uma traição com Gustavinho. 

 

A história, no entanto, ruiu no tribunal. Em 2016, o trio foi inocentado por falta de provas. Desde então, ninguém mais foi julgado ou sequer investigado. O caso está em aberto. A morte, sem dono. A verdade, esfarelada como o pó das festas que Kelly frequentava.

 

Quatorze anos depois, resta o mito. E ele segue vivo. Kelly Cyclone sobrevive nas fotos pixeladas, nos vídeos de pagode, nos versos que ainda ecoam nas caixas de som do subúrbio. Ela foi símbolo da ascensão periférica e da tragédia de uma geração marcada por luto, ostentação e violência. 

 

Em um país onde a fronteira entre o sonho e o crime é tão fina quanto a pele tatuada de uma jovem de 22 anos, Kelly não foi só vítima. Nem só culpada. Foi um reflexo. E como os ciclones, ela passou, deixando destruição, memória e silêncio.

 

O tempo passou. Kelly se foi. Mas, na periferia, a moda ainda é “descer de Cyclone”.

Da enxada ao império do crime: Roceirinho funda a Katiara e lança um espectro de sombras nas periferias da Bahia
Foto: Reprodução

Antes que o crime lhe desse nome, número e um legado sangrento, Adilson Souza Lima era apenas mais um filho do Recôncavo. Chamavam-no de Roceirinho, apelido nascido da terra que ele cavava com as mãos, ainda menino, nos arredores de Nazaré. Era o suor na enxada, a lida diária, o silêncio das lavouras. Nenhum sinal, à primeira vista, de que aquele jovem franzino, de passos humildes e mãos calejadas, um dia fundaria a maior facção criminosa da região.

 

Mas o crime tem seus próprios caminhos. E Adilson encontrou o dele cedo, aos 18 anos, quando passou a carregar pacotes de droga pela cidade, como aviãozinho de um pequeno grupo que controlava o tráfico de forma quase amadora. Havia, então, uma precariedade quase ingênua no comércio de drogas. Pouco controle, nenhuma estrutura, violência em níveis rudimentares. Mas o jovem Roceirinho, mesmo naquele ambiente primitivo, quis mais. Tentou se emancipar, montar seu ponto, caminhar fora da sombra dos chefes. Foi expulso. Banido da cidade onde nasceu.

 

Com a mágoa no peito, partiu para Salvador. No bairro da Valéria, onde tinha alguns parentes, encontrou um novo mundo, mais articulado, mais perigoso, mais sedutor. Ali, conheceu um traficante que queria ampliar seus tentáculos para o Recôncavo. Viu em Roceirinho o instrumento ideal: um filho da terra, com faro para liderança e nenhuma hesitação em sujar as mãos. Roceirinho aceitou. Carro, dinheiro, mulheres, tudo financiado pelo pó que vinha da capital. Em pouco tempo, deixou de ser apenas um empregado. Passou a pensar como patrão.

 

Foi assim, misturando ambição e pragmatismo, que voltou à sua cidade natal. Mas, não para pedir desculpas, e sim para tomar o que um dia lhe foi negado. Recrutou meninos, quase todos filhos da mesma miséria que ele conhecera, armou-os com fuzis e metralhadoras, e começou a eliminar seus antigos desafetos. Tomou Nazaré à força. Transformou a cidade num quartel-general do tráfico. Pagava R$ 150 por semana a cada “vapor”, os que transportavam a droga e, sob seu comando, o faturamento do grupo disparou. Com a cidade subjugada, seus domínios se espalharam como fogo em capim seco: Santo Antônio de Jesus, Maragogipe, Salinas da Margarida, Vera Cruz, Santo Amaro da Purificação. Em Salvador, conquistou espaço nos bairros do Lobato, Valéria e Águas Claras. Era o império em plena construção.

 

Mas o que ele queria não era apenas dinheiro, era ordem, controle, permanência. O crime precisava de uma estrutura sólida, como as empresas que tanto invejava. Preso em 2012, em um hotel de luxo no bairro de Ondina, foi transferido para o presídio Lemos de Brito. Foi ali, entre as grades, que Roceirinho deixou de ser apenas um chefe e virou fundador. Em 16 de outubro de 2013, nasceu oficialmente a facção Katiara, sucedendo o antigo Primeiro Comando do Recôncavo. Tinha estatuto, símbolo, doutrina. Um pentagrama com as iniciais PCRFNK passou a ser tatuado no corpo de cada membro, um selo de lealdade eterna. Roceirinho, o número 33, virou lenda.

 

O estatuto da Katiara não era um documento qualquer. Era um manifesto da nova ordem criminosa baiana. Proibia delatores, homossexuais, estupradores, pedófilos, “talaricos” e usuários de crack. Quem quisesse usufruir dos benefícios do grupo tinha que pagar caixinha de R$ 100 mensais. Cada novo integrante recebia uma “matrícula de batismo” e passava a integrar a engrenagem, com funções bem definidas: conselheiros próximos ao líder, gerentes encarregados da distribuição, soldados para proteger os pontos e os vapores que mantinham o comércio girando. Acima de todos, estava ele o homem da roça, o número 33, o fundador.

 

A Polícia Civil, a essa altura, já o tratava como figura central do crime organizado na Bahia. Em 2013, teve bens bloqueados e sequestrados: uma casa de veraneio em Jacuípe, apartamentos em Aracaju e Lauro de Freitas, uma fazenda no interior, carros de luxo. Tudo comprado com dinheiro do tráfico, registrado em nome de laranjas. No mesmo ano, a Polícia Federal iniciou a Operação Tríade. Foram apreendidas 2,5 toneladas de maconha e mais de 500 quilos de cocaína, carga avaliada em mais de R$ 50 milhões. Um golpe duro, mas não suficiente.

 

De dentro do sistema prisional, Roceirinho manteve firme o comando do Recôncavo até meados de 2018. Com sua visão estratégica, transformou a Katiara em uma cópia funcional do PCC, uma estrutura com disciplina interna, expansão metódica e capacidade de enfrentamento. Mas o tempo trouxe novos inimigos. O BDM, com armamento pesado e respaldo do Comando Vermelho, iniciou sua ofensiva. Em 2020, foi a vez do Comando Vermelho desembarcar na Bahia. Três anos depois, chegou o Terceiro Comando Puro (TCP), aliado do BDM. A guerra se intensificou. Nazaré continua como bastião da Katiara, mas as cidades vizinhas já estão fraturadas. Em Santo Amaro da Purificação, a Katiara sequer sobrevive, o território foi tomado. A violência aumentou. Esquartejamentos, execuções públicas, toque de recolher. 

 

Em 2025, depois de 13 anos no regime fechado, Roceirinho foi transferido para o semiaberto na Penitenciária Lafayete Coutinho. Era o início de uma possível transição para fora das grades. Mas a liberdade durou pouco. No dia 8 de julho, um novo mandado de prisão foi cumprido, expedido pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco). A acusação: seguir comandando a Katiara mesmo preso.

 

Roceirinho se defende. Diz que deixou o crime em 2013, que virou açougueiro em Valéria, que usaram seu nome para ganhar fama. Mas sua imagem permanece entre as mais procuradas no Baralho do Crime. Seu número, o 33, continua sendo uma assinatura silenciosa nas periferias. Seu símbolo, o pentagrama, ainda é tatuado por novos soldados. E seu legado, manchado de sangue e silêncio, segue pulsando nas sombras da Bahia.

 

Porque no crime, como na roça, colhe-se o que se planta. E o que Roceirinho plantou foi muito mais que medo, foi um sistema. Um modelo. Uma ideia. E ideias, mesmo quando encarceradas, continuam a andar. Tal como raízes bem fincadas, a herança ainda é viva, nas periferias e em regiões subjugadas pela Katiara. Uma planta (não uma erva) daninha, que as autoridades de segurança não conseguiram, por enquanto, erradicar.

De ladrão de banco a chefe de facção: A ascensão e queda de Zé de Lessa, a mente por trás do Bonde do Maluco
Foto: Reprodução

Nas trilhas poeirentas da caatinga baiana, entre mandacarus e aroeiras que desafiam a secura do sertão, nasceu o homem que viria a liderar a facção mais temida da Bahia. José Francisco Lumes, o Zé de Lessa, brotou do pequeno povoado de Recife, em Cafarnaum, município com pouco mais de 2 mil habitantes. Era uma terra silenciosa, silenciosa demais para imaginar que ali surgiria um dos maiores criminosos da história do estado.

 

A origem de seu apelido remonta às tradições do interior: possivelmente herdado do pai, Idalécio, conhecido como “Lessa”. E foi como Zé de Lessa que ele se tornou um nome sussurrado com temor nos corredores do sistema penal, nos becos das favelas e nas salas da polícia judiciária.

 

Ninguém sabe dizer com precisão quando ele cruzou a linha da legalidade, mas há quem diga que tudo começou com roubos a banco em uma cidade que fica há um pouco mais de 35km de sua terra natal, Mulungu do Morro. Em 2015, o delegado Jorge Figueiredo o classificava como o maior assaltante de bancos e carros-fortes da Bahia. Já em 2018, os cinco processos encontrados em seu nome estavam relacionados ao tráfico de drogas, e descreviam uma quadrilha de “extrema periculosidade”.

 

“É um cara bem tranquilo de conversa, não demonstra ser uma pessoa violenta. É bem articulado… quem bota as armas na Bahia hoje é ele”, informou uma fonte policial à época. Segundo a investigação, as armas vinham do Paraguai, escondidas em caminhões de carga.

 

Mas o rosto do crime nem sempre se confunde com o estereótipo da brutalidade. Para quem o conheceu, Zé de Lessa era educado, discreto, falava baixo. Sua imagem destoava do império criminoso que erguera: o Bonde do Maluco (BDM), facção nascida sob sua liderança, considerada a mais truculenta do estado. Suas operações alcançavam o tráfico internacional, assaltos cinematográficos e sequestros meticulosos.

 

A história do Bonde do Maluco começa antes de Zé de Lessa assumir o controle. Em 2015, a facção Caveira, um dos grupos mais violentos da capital baiana, decidiu criar um braço externo com o objetivo de ampliar sua influência em Salvador e na Região Metropolitana. Batizaram esse braço de BDM. A meta era clara: tomar áreas estratégicas como o Subúrbio Ferroviário e Cajazeiras. No entanto, o projeto sofreu um racha interno de causas ainda obscuras. Foi o suficiente para que o Bonde do Maluco deixasse de ser satélite da Caveira e ganhasse vida própria, sob a batuta de Zé de Lessa, já então um assaltante com conexões fora da Bahia.

 

Com Lessa, o BDM deixou de ser uma fração local e passou a se profissionalizar. Foi ele quem abriu caminho para o alinhamento direto com o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo. O que antes era apenas uma troca comercial com a Caveira, virou aliança estratégica entre o BDM e os paulistas. A partir de 2018, o pacto passou a ser monitorado pelas forças de segurança: armas pesadas (fuzis, explosivos, munição) começaram a circular com mais intensidade. Com apoio financeiro, logística e know-how, o Bonde do Maluco cresceu em ritmo acelerado, avançando sobre bairros, comunidades e até sobre facções inteiras.

 

A ascensão do BDM coincidiu com o declínio da própria Caveira, sua criadora. A estrutura antiga foi sendo engolida pelo grupo dissidente e também sofreu ataques de rivais históricos, como o Comando da Paz (CP), que por sua vez foi absorvido pelo Comando Vermelho. Era o reflexo da nova ordem do crime baiano, cada vez mais conectado com o eixo Rio–São Paulo.

 

Enquanto isso, Zé de Lessa seguia acumulando poder — e processos. Preso em 2001 por tráfico, percorreu as prisões da Região Metropolitana de Salvador como quem muda de endereço. Teve progressão de pena para o semiaberto em 2005, mas fugiu. Foi recapturado meses depois e, desde então, manteve uma rotina de fugas, punições disciplinares, e influência crescente, inclusive de dentro da cadeia. Em 2013 e 2014, foram encontrados celulares e chips atribuídos a ele dentro da penitenciária. Era uma liderança que não se apagava com grades.

 

Em 2014, quase perdeu a vida na prisão após uma tentativa de homicídio. Foi espancado por outros detentos. A justificativa? Sua posição de liderança.

 

Naquele mesmo ano, conseguiu um feito raro: converteu sua pena em prisão domiciliar. A justificativa jurídica foi um problema médico. Sua mão esquerda, atrofiada após um acidente de carro mal tratado, exigia uma cirurgia delicada. O desembargador Aliomar Britto aceitou os argumentos da defesa com base no princípio da dignidade humana.
Zé de Lessa foi solto. Não fez a cirurgia. Nunca mais voltou.

 

O advogado Paulo César Pires, que o defendeu, diz que nunca mais teve contato com o ex-cliente. “Tratando-se de assaltante, os médicos não fizeram um trabalho bom na mão dele. Aquilo impossibilitava de fazer algumas coisas básicas da vida.” A promessa era de fisioterapia diária, pinos importados de São Paulo, reabilitação, nada disso ocorreu.

 

O Ministério Público, cético desde o início, tentou impedir a saída. A juíza da 2ª Vara de Execuções Penais à época, Andremara dos Santos, negou o pedido de prisão domiciliar. Mas, cinco dias depois, o desembargador da instância superior decidiu pela soltura. Zé de Lessa sumiu no mundo.

 

Não havia tornozeleiras eletrônicas disponíveis na Bahia em 2014. O sistema, frágil e desarticulado, não pôde controlar um homem que planejava crimes enquanto se passava por doente.

 

Da clandestinidade, Zé de Lessa comandava ações de alto impacto. Seu nome apareceu por trás do assalto de R$ 100 milhões a uma agência bancária em Bacabal, no Maranhão, em 2018. Segundo a SSP-MA, ele orquestrava o crime do Paraguai. Quem executava era seu irmão, Edielson Francisco Lumes, o Dó, morto pela polícia após o roubo.

 

Outro nome de confiança era Franklin Costa Araújo, seu cunhado, apontado como o principal sequestrador da Bahia. Ex-segurança do Banco do Brasil, Franklin aprendeu a rotina bancária por dentro, e depois a explorou por fora, ao lado do cunhado foragido.

 

Enquanto isso, Zé de Lessa era a carta Ás de Ouro no Baralho do Crime da SSP-BA. O homem mais procurado da Bahia.

 

Em 4 de dezembro de 2019, o cerco se fechou.

 

Zé de Lessa estava escondido em uma fazenda entre Coronel Sapucaia e Aral Moreira, no Mato Grosso do Sul, território de fronteira, trânsito livre de armas e drogas. Segundo a Polícia Militar, após uma tentativa de assalto a carro-forte na Rodovia MS-156, agentes localizaram o esconderijo. Houve troca de tiros. Lessa foi morto.

 

Assim morreu o homem que, por anos, confundiu a justiça com relatórios médicos, usou a própria fragilidade física como trunfo jurídico e transformou a calma do sertão em ponto de partida para um reinado de violência.

 

O que as autoridades de segurança pública deveriam aprender a partir de Zé de Lessa é que o crime, quando se organiza, sabe ser paciente, educado e letal. Porém o exemplo não virou realidade e outros Zés surgiram...

Facções criminosas remodelam violência na Bahia em meio a disputas territoriais, alianças e transformações internas
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A paisagem do crime organizado na Bahia é marcada por disputas violentas, fragmentações e alianças estratégicas que redesenharam, ao longo dos últimos 20 anos, o domínio do tráfico de drogas no estado. Facções locais, como a extinta Caveira, a poderosa Bonde do Maluco (BDM) e a emergente Katiara, dividiram, e ainda dividem, território com grandes organizações de alcance nacional, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro.

 

Tudo começou com a ascensão de grupos criados no interior do sistema prisional baiano, caso da própria Caveira, considerada por muitos como a organização mais temida no estado entre os anos 2000 e início da década de 2010. Com sede no Complexo Penitenciário da Mata Escura, a facção foi protagonista de uma das fases mais sangrentas da história da capital baiana: em 2010, quando seu domínio territorial era quase absoluto, Salvador registrou mais de 4.800 homicídios. A violência tinha nome, fardamento e liderança: à frente da Caveira estava Genilson Lima da Silva, o Perna, preso em 2012, e, em paralelo, outros líderes operavam nas ruas e nos presídios.

 

A prisão de Perna marcou o início da derrocada do grupo. Em busca de ampliar sua influência e inspirada nas grandes estruturas criminosas nacionais, a Caveira criou, em 2015, um braço externo: o Bonde do Maluco. A ideia era clara, expandir a atuação para regiões estratégicas de Salvador, como o Subúrbio e Cajazeiras, e fortalecer a presença na Região Metropolitana. Mas o plano não saiu como o esperado. Um racha interno, motivado por razões ainda pouco claras, acabou dando vida própria ao BDM, que passou a se estruturar sob liderança de José Francisco Lumes, o Zé de Lessa, um assaltante de banco com conexões interestaduais.

 

Foi Zé de Lessa quem fortaleceu a ponte com o PCC. O que antes era uma simples relação comercial para fornecimento de armas à Caveira, se transformou em aliança direta entre o BDM e os paulistas. A partir de 2018, essa parceria começou a ser monitorada pelas forças de segurança. Armas pesadas, como fuzis e explosivos, passaram a circular entre os aliados. Com apoio logístico e financeiro, o BDM cresceu de forma vertiginosa, ganhando não apenas território, mas também protagonismo na guerra urbana baiana. Em 2024, o BDM fortaleceu seus laços com uma outra facção de alcance nacional: O Terceiro Comando Puro. A parceria, anunciada por meio de pichações em muros de vários bairros de Salvador, consolidou a hegemonia do BDM no território baiano.

 

A ascensão do BDM coincidiu com o enfraquecimento e posterior desaparecimento da Caveira. A facção foi perdendo espaço para o próprio BDM, que a atacava diretamente, e também para rivais históricos, como o Comando da Paz (CP), que, por sua vez, sofreu uma transformação relevante: sua estrutura foi absorvida pelo Comando Vermelho, em mais um capítulo de influência das facções nacionais no estado.

 

Hoje, o CP é considerado um braço do CV na Bahia, e juntos disputam, palmo a palmo, com o BDM, áreas estratégicas da capital e do interior. A violência gerada por essa disputa tem números alarmantes e nomes conhecidos. O bairro da Liberdade, por exemplo, que já foi dominado pela Caveira, passou às mãos do CP/CV, enquanto o BDM controla zonas importantes da periferia e da RMS. No Recôncavo, a disputa envolve outra facção relevante: a Katiara.

 

Surgida a partir do chamado Primeiro Comando do Recôncavo, a Katiara é uma facção regional que cresceu à sombra do tráfico de Salvador. Seu fundador, Adilson, o Roceirinho, transformou uma rede local de distribuição de drogas em um esquema altamente armado e organizado. Com fuzis, metralhadoras e o recrutamento de jovens para funções como “vapores” (transportadores de droga), Roceirinho consolidou domínio em cidades como Nazaré, Santo Antônio de Jesus, Maragogipe, Vera Cruz e até em bairros de Salvador, como Valéria, Lobato e Águas Claras. Em 2013, o grupo ganhou o nome de Katiara, em homenagem a uma rua do município de Nazaré.

 

Mesmo preso desde 2012, primeiro em Serrinha e depois na Penitenciária Federal de Campo Grande, Roceirinho continuou influenciando as ações da facção, que é uma das poucas a fazer frente à força crescente do BDM no interior do estado. O grupo é acusado de execuções, sequestros e controle de pontos estratégicos do tráfico.

 

No dia 4 de julho, Roceirinho deixou o Complexo da Mata Escura, onde cumpria pena em regime fechado e passou a cumprir pena em regime semiaberto na Penitenciária Lafayette Coutinho.

 

Além desses protagonistas, outras facções menores orbitam o cenário do crime organizado baiano. O Bonde do Ajeita, por exemplo, surgiu em 2016 e tem histórico de conflito com o BDM. Desde 2021, é aliado do Comando Vermelho. A Tropa do A, ou Ordem e Progresso, nasceu como uma dissidência do CP após a absorção pelo CV, mas perdeu força com a morte de seu líder, Coruja, em 2020. Já o MPA (Mercado do Povo Atitude), com atuação no sul e extremo sul da Bahia, mantém-se fora dos grandes conflitos da capital, operando de forma discreta e com pouca visibilidade midiática.

 

Na Bahia, o crime organizado tem rosto, nome, história e geografia. E segue, apesar das mortes, prisões e operações, moldando a dinâmica social e urbana de centenas de comunidades.

 

Ao Bahia Notícias, a Secretária de Segurança Pública da Bahia afirmou estar focada no combate a estas facções que atuam no estado. 

 

Leia nota na íntegra:

 

“A Secretaria da Segurança Pública da Bahia ressalta que o combate às facções envolvidas com tráficos de armas e drogas, homicídios, lavagem de dinheiro, roubo e corrupção de menores é realizado de forma incansável em todo o estado.

 

Nos primeiros seis meses de 2025, as Forças Estaduais e Federais da Segurança Pública ampliaram a atuação integrada, resultando na captura de 25 líderes de grupos criminosos. Quinze estavam escondidos em outros estados brasileiros.

 

As Forças Policiais, neste mesmo período, apreenderam também pouco mais de quatro mil armas de fogo, retiraram das ruas 10,5 toneladas de drogas e erradicaram 700 mil pés de maconha.

 

A SSP destaca, por fim, que as ações de inteligência continuarão intensificadas, com o compartilhamento de informações entre as Polícias Estaduais e Federais, visando a manutenção da paz social.

Quatro integrantes do PCC envolvidos em homicídios na Bahia são presos em operação com MP-BA
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Quatro integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presos nesta terça-feira (01) durante uma operação conjunta do Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio do Gaeco Norte, e das Polícias Civil e Militar. A ação capturou dos criminosos em São Paulo, após as autoridades baianas indicarem a localização dos foragidos à Polícia Militar paulista.

 

Os detidos são investigados por envolvimento em homicídios e outros crimes cometidos em Juazeiro, no norte da Bahia. Segundo o MP-BA, além das prisões, a operação resultou na apreensão de armas de fogo (revólveres e pistolas), munições e celulares.

 

A ofensiva teve participação do Pelotão de Rondas Ostensivas Táticas (Rota), do Comando de Policiamento Regional Norte (CPR-N), da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP-BA) e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-BA).

Membro do PCC tenta se aproximar de ministro do STF
Foto: Andressa Anholete / STF Reprodução

Mensagens e cartas revelam que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) tentaram se aproximar do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o Metrópoles, emissários ligados à facção viajaram até Brasília para tentar agendar encontros com o ministro. As Investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), afirmam que apesar das tentativas, não conseguiram concretizar o contato.

 

As investigações apontam que com a ajuda de sua companheira e de sua filha, o líder da facção conseguiu enviar cartas escritas à mão para fora da cadeia. Em uma delas, ele orienta a filha sobre como deveria conversar com o ministro Kássio Nunes Marques. O Procedimento Investigatório Criminal (PIC) inclui 683 páginas com trocas de mensagens e cartas escritas por Rodrigo Felício, conhecido como “Tiquinho”, que cumpre pena na Penitenciária de Presidente Venceslau II. 

 

Foto: Reprodução

 

As conversas interceptadas mostram que a filha de Tiquinho mencionou dificuldades para garantir uma reunião direta com o magistrado. Mesmo assim, ela disse que tentativas continuariam, embora um dos contatos próximos ao STF tenha sido considerado ineficaz para os objetivos da facção. As mensagens reforçam o interesse em influenciar processos em tramitação no Supremo.

 

O STF informou que audiências com advogados são procedimentos normais para ouvir argumentos das defesas e que, no caso específico, todas as decisões tomadas por Nunes Marques foram desfavoráveis ao integrante do PCC.

Submarino com 6 toneladas de cocaína e tripulação brasileira é apreendido em operação internacional
Foto: Reprodução / TV Globo

Um submarino de 18 metros de comprimento, transportando mais de seis toneladas de cocaína, foi interceptado no Oceano Atlântico, a cerca de mil quilômetros ao sul dos Açores, em uma operação conjunta entre as polícias de Portugal e do Brasil. A bordo, foram presos cinco tripulantes: três brasileiros, um colombiano e um espanhol.

 

Os brasileiros identificados são:

  • Nelson de Pascoa Correa, 61 anos
  • José Mauro Gonçalves, 52 anos
  • Maikon Reais da Silva, 38 anos

 

Todos são naturais do Pará e foram interrogados pela polícia portuguesa nesta quinta-feira (27). Segundo as investigações, o submarino partiu de Macapá, no Brasil, com destino a vários países europeus.

 

"Esta é a maior apreensão de uma embarcação do tráfico na história do continente europeu", afirmou Luís Neves, diretor da Polícia Judiciária de Portugal. Ele destacou que o submarino foi construído em estaleiros clandestinos e representa um avanço na tecnologia usada por organizações criminosas.

 

As autoridades portuguesas suspeitam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) esteja por trás da operação. O grupo já é investigado na Europa há pelo menos cinco anos, e cerca de 20 integrantes foram presos em Portugal nesse período.

 

Há duas semanas, outro brasileiro ligado ao PCC foi detido em Portugal: Gabriel Martinez Souza, conhecido como "Fant", suspeito de coordenar um esquema que utilizava mergulhadores para esconder cocaína no casco de navios cargueiros.

 

"Eles recrutam mergulhadores experientes para esconder a droga em locais perigosos, onde qualquer erro poderia ser fatal", explicou Rodrigo Perin Nardi, chefe da Polícia Federal em Santos. Em 2024, a PF apreendeu 700 kg de cocaína em cascos de navios no Porto de Santos.

Bispo Bruno Leonardo nega envolvimento com PCC em investigações da Polícia Federal e acusa perseguição: “Fake news”
Foto: Divulgação

O bispo Bruno Leonardo afirmou que vem sendo alvo de perseguição após o crescimento de sua atuação nas redes sociais. Em um vídeo publicado no Instagram nesta quinta-feira (27), o líder da Igreja Batista Avivamento Mundial rebateu uma reportagem que apontou uma ligação entre a instituição religiosa e a facção do Primeiro Comando da Capital (PCC). No pronunciamento, o bispo classificou como a reportagem como “fake news” e negou que a igreja está sendo investigada.

 

"Recentemente, nós alcançamos 50 milhões de inscritos no YouTube. Para a glória de Deus, 50 milhões de vidas alcançadas. Porém, com isso, começaram a vir as perseguições. E é sobre isso que eu quero falar aqui e quero pedir a oração de todos. Você quer ganhar inimigos? Pregue a palavra de Deus. Porque é isso que eu estou vendo acontecer", afirmou o bispo no vídeo.

 

“Eu sei que existem pessoas da mídia que são profissionais, mas existem pessoas que estão levantando fake news, como é o caso, dessa reportagem tendenciosa”, completou.

 

Bruno Leonardo revelou que, ao tomar conhecimento do caso, após ser procurado por uma jornalista do Metrópoles no dia 10 de março, orientou seu advogado a buscar esclarecimentos diretamente com a PF, em Curitiba. Mas, segundo o bispo, a polícia informou que a igreja não é investigada. 

 

"Se a pessoa não deve, não tem o que temer. Então meu advogado foi até Curitiba, na Superintendência da Polícia Federal, e conversou com o delegado do caso, Dr. Eduardo Vessas. O próprio delegado afirmou que a igreja não está sendo investigada", disse.

 

O líder religioso reforçou que todas as compras feitas pela igreja foram devidamente documentadas e que possui notas fiscais que comprovam as transações. "A todo momento, nós avisamos: existe nota. Nós temos as notas. As notas estão aqui. O nosso advogado levou as notas para o delegado e ele viu que existem as notas. Quem está falando que não existe nota é a reportagem, não a Polícia Federal", afirmou.

 

O bispo ainda comparou a situação com outras compras feitas pela igreja, como doações para o Rio Grande do Sul. "Ano passado, nós compramos R$ 2 milhões de alimentos para enviar para o Rio Grande do Sul. Eu também não conheço os donos da loja. Nossa equipe foi, olhou, comprou e enviamos. Se daqui a alguns anos essa distribuidora estiver envolvida com coisas ilícitas, nós também seremos acusados só porque fomos clientes?", questionou.

 

Confira o pronunciamento:

 

Bispo Bruno Leonardo é citado em relatório da PF por vínculo com PCC
Foto: Divulgação

O bispo Bruno Leonardo foi citado em relatórios da Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) devido a transações suspeitas entre a igreja Avivamento Mundial, a qual está filiado, e uma empresa investigada por relação com o concierge da cúpula do Primeiro Comando da Capital, Wiilian Barile Agati.

 

Com mais de 50 milhões de seguidores no YouTube, o bispo Bruno Leonardo é um dos maiores youtubers do país e é responsável pela Igreja Batista Avivamento Mundial, sediada em Salvador. No Instagram, o religioso tem 9,7 milhões de seguidores. 

 

Já Willian Barile Agati é apontado como uma espécie de faz-tudo da cúpula do PCC e integrante de um grupo envolvido no tráfico internacional de drogas. As informações sobre as transações estão em documentos da Operação Mafiusi, que mira Agati outras 13 pessoas investigados por lavagem de dinheiro proveniente do envio de cocaína para a Europa. O bispo, no entanto, não aparece como investigado no caso.

 

O empresário foi apelidado de concierge da cúpula do PCC por fornecer, segundo a PF, diversos serviços ao grupo criminoso. Entre eles, consta a logística para a exportação da droga e uma rede de empresa que seria utilizada para lavagem de dinheiro.

 

As transações suspeitas foram registradas em um relatório do Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf). Entre as transações suspeitas da empresa citadas pelo Coaf estão sete transferências da Igreja Batista Avivamento Mundial para a Starway no valor total de R$ 2,2 milhões.

 

A defesa do bispo Bruno não se manifestou oficialmente. As informações são do jornal Metrópoles. 

Criminoso ligado ao PCC é preso em Salvador após curtir o Carnaval; homem foi localizado pela PM dirigindo BMW
Foto: Reprodução / Alô Juca

Um homem com mandado de prisão expedido pela Justiça de Pernambuco foi preso na noite desta quinta-feira (6) na Avenida Paralela, em Salvador. A ação foi realizada por equipes do Batalhão Apolo.

 

Segundo informações do site Alô Juca, o suspeito, identificado como Geovanildo Santos Nogueira, conduzia um veículo BMW avaliado em R$ 250 mil no momento da abordagem.

 

A inteligência da Polícia Militar aponta que Nogueira possui ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e estava na capital baiana durante o período de Carnaval.

 

Após a prisão, ele foi encaminhado à Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV), onde permanecerá à disposição da Justiça.

Justiça torna réus 12 suspeitos de ligação com o PCC
Foto: Divulgação/Polícia Civil

A justiça de São Paulo acatou, nesta quinta-feira (27), a denúncia feita pelo Ministério Público e tornou réus 12 investigados por suposta ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Parte destes investigados foram citados em delação premiada de Antônio Vinicius Gritzbach, empresário ligado ao PCC que acabou morto com 10 tiros de fuzis, no Aeroporto de Guarulhos, em 8 de novembro de 2024.

 

O Ministério Público de São Paulo denunciou os suspeitos em 21 de fevereiro, por crimes contra administração pública e lavagem de dinheiro. 

 

Entre os 12 réus, 8 são da força policial, sendo eles: os delegados Fábio Baena Martin e Alberto Pereira Matheus Junior; os policiais Eduardo Lopes Monteira, Marcelo Roberto Ruggieri, Marcelo Marques de Souza, Valmir Pinhieiro, Valdenir Paulo de Almeida e Rogerio de Almeida.

 

Promotores responsáveis pelo caso pediram o confisco de R$ 40 milhões.

 

Parte dos investigados foram citados por Gritzbach, que afirmou ser vítima de extorsão policial. 

Policial civil movimentou R$ 6 bilhões com rede de fintech usada para lavagem de dinheiro do PCC
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O policial civil Cyllas Salerno Elia Júnior foi preso suspeito de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), por meio de uma rede de fintech que teria movimentado cerca de 6 bilhões de reais em ao menos 16 países, incluindo o Brasil. A informação consta em uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

 

De acordo com o documento obtido pelo site Metropóles, as transações financeiras passaram por países da Europa, América Latina, além dos Estados Unidos e da China. Segundo a Promotoria, o monitoramento foi interrompido no território chinês, dificultando a rastreabilidade dos valores.

 

O promotor Lincoln Gakiya afirmou que o Ministério Público já esperava esse tipo de operação. “Não foi uma surpresa. Eles têm, na verdade, tentado dificultar a rastreabilidade de recursos com operações [financeiras] casadas, envolvendo não só outras contas, como outras instituições financeiras. Na China, isso perde toda a rastreabilidade”, explicou.

 

As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo MPSP identificaram que, nos últimos cinco anos, a fintech ligada ao policial movimentou cerca de R$ 6 bilhões.

 

Gakiya atribui o uso de fintechs por organizações criminosas a falhas na fiscalização. “O que nós estamos vendo hoje é um outro patamar, que atingiu o crime organizado, que se sofisticou nessa engenharia financeira de lavagem [de dinheiro], que começou lá atrás, utilizando doleiros no começo, até enterrando dinheiro nas casas-cofre, e hoje utilizando brechas legais e muito bem assessorados. Esses criminosos estão, definitivamente, operando no mercado financeiro formal”, afirmou o promotor.

 

FINTECHS

As fintechs são empresas que oferecem serviços financeiros por meio de plataformas on-line e se transformaram no novo esconderijo do dinheiro do crime organizado, que lucra com o tráfico de drogas, como o PCC, e é o caso de empresários que fogem de dívidas e impostos e até mesmo de casas de apostas envolvidas em esquemas de lavagem.

 

O promotor Fábio Bechara disse nesta terça-feira (25) que “os novos meios de pagamentos substituíram o papel de doleiros”, que ganharam fama nos últimos anos ao serem presos por lavar e esconder dinheiro dos grandes escândalos de corrupção no Brasil.

Acobertados pelo PCC, dois chefes da facção criminosa baiana BDM são presos em SP
Foto: Mateus Pereira / GOVBA

Dois líderes da facção criminosa baiana Bonde do Maluco (BDM) foram presos na última segunda-feira (24) na cidade de Jandira, região metropolitana de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, Paulo da Silva Pereira, conhecido como Paulo Doquinha, e Vanginaldo Ribeiro Nunes Filho estavam foragidos da Justiça da Bahia.

 

A dupla recebeu apoio do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante três meses. A parceria entre as organizações criminosas funciona com o grupo criminoso baiano atuando como um braço armado e logístico do PCC no estado.

 

Os suspeitos foram localizados em um imóvel no bairro Jardim Javaes, onde a polícia também apreendeu porções de cocaína, crack e maconha, escondidas em uma caixa de som. Ambos foram detidos em cumprimento a mandados de prisão expedidos pela Justiça baiana e também autuados em flagrante por tráfico de drogas.

 

De acordo com investigações do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, Paulo Doquinha e Vanginaldo Ribeiro fugiram da Bahia para evitar a prisão, mas continuavam liderando as ações do BDM no estado.

 

A dupla estava foragida da Justiça há quatro anos. Segundo a Polícia Civil, os dois exerciam liderança no município de Itaetê, na Chapada Diamantina, e eram responsáveis pela execução de rivais.

 

A operação foi realizada pela Polícia Civil de São Paulo em cooperação com as autoridades baianas, que ajudaram na identificação dos suspeitos e na confirmação de que estavam sendo acolhidos pelo PCC. A defesa dos presos não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

 

FACÇÃO BAIANA

O Bonde do Maluco (BDM) teria sido criado em 2015 no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador, como uma ramificação da facção criminosa Caveira. A informação foi revelada por uma fonte da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), que falou sob anonimato ao portal Metrópoles no ano passado.

 

A aliança entre o BDM e o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria se fortalecido a partir de 2016. Como reflexo dessa aproximação, a apreensão de cocaína na Bahia cresceu significativamente, passando de pouco mais de 800 quilos para cerca de oito toneladas em um período de quatro anos, segundo estimativa da Polícia Federal (PF).

 

“O PCC atua na Bahia […] como aliado do Bonde do Maluco, que é uma facção bem estruturada aqui”, afirmou a fonte.

 

A Bahia é considerada um ponto estratégico para o tráfico de drogas, devido à sua localização e infraestrutura portuária. “O estado da Bahia é estratégico para o crime, com rotas estratégicas para todo o Nordeste. São pelo menos seis portos, entre públicos e privados, que naturalmente ficam na mira das facções”, acrescentou.

 

Um relatório do Ministério da Justiça e da Segurança Pública aponta que o BDM é a principal facção criminosa em atuação no estado. O documento identifica a existência de pelo menos 14 grupos organizados dentro do sistema carcerário baiano.

PCC e Comando Vermelho negociam trégua, diz relatório de inteligência; acordo já vale para seis estados
Foto: Reprodução / Youtube

Um relatório de inteligência da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) revelou que as duas principais facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), estão tentando estabelecer uma trégua em âmbito nacional. 

 

Até o momento, equipes de inteligência confirmaram que o acordo, que o site Metrópoles teve acesso, já está em vigor em pelo menos seis estados: Mato Grosso, Acre, Amazonas, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Segundo o documento, existem indícios de que membros do alto escalão das organizações, como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, e Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos principais nomes do CV, estão coordenando ações conjuntas, especialmente no que se refere ao sistema penitenciário federal.

 

Gravações de conversas entre advogados e detentos sugerem que as lideranças das facções articulam formas de flexibilizar o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) que obriga um isolamento extremo a presos de alta periculosidade.

 

Além disso, mensagens atribuídas a integrantes do PCC e do CV indicam a existência de um pacto de não agressão entre os grupos. Em um dos trechos citados no relatório, uma comunicação supostamente enviada pelo PCC afirma que “mortes estão proibidas em todos os estados”. Já outra, atribuída ao Comando Vermelho, determina que “ataques contra o PCC estão proibidos desde o dia 11 deste mês”.

Cruzeiro teria lavado R$ 3 milhões do PCC em negociação de jovem promessa, diz jornal
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Revelado pelo Santos em 2018, o atacante Diogo Vitor subiu para o profissional com status de grande promessa do futebol brasileiro aos 19 anos, principalmte após marcar um gol decisivo em clássico contra o Corinthians. Pouco depois, no entanto, sua carreira entrou em declínio completo ao ser flagrado no exame antidoping por uso de cocaína. Suspenso do futebol profissional por um ano e meio, teve seu contrato suspenso e passou a depender financeiramente de seu empresário, William Agati. As informações foram veículadas inicialmente pela Revista Piauí.

 

Após o período de afastamento, Diogo Vitor tentou retomar a carreira no Corinthians, mas não chegou a jogar. Em 2021, o empresário negociou sua transferência para o Cruzeiro, em um acordo que chamou a atenção das autoridades. Ao invés de receber pagamento pelo jogador, Agati transferiu R$ 3 milhões ao clube mineiro por meio de sua empresa, a F1rst Agência de Viagens e Turismo. Poucos dias depois, o Cruzeiro devolveu R$ 1,58 milhão para contas ligadas ao empresário. Vale lembrar que a passagem de Diogo pela Raposta ficou marcada pelo atleta não ter entrado em campo durante os seis meses em que esteve na Toca da Raposa.

 

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a transação foi uma operação de lavagem de dinheiro, com recursos obtidos no tráfico de drogas. Entre 2019 e 2021, segundo a investigação, Agati movimentou cerca de duas toneladas de cocaína para a Europa, utilizando portos brasileiros e um jato executivo. Além disso, ele teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e participado de um esquema para resgatar o narcotraficante Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, de uma prisão em Moçambique.

 

Em nota, o Cruzeiro afirmou que a atual gestão da SAF do clube, que assumiu em maio de 2024, desconhece a transação e se colocou à disposição das autoridades. O ex-presidente do clube, Sérgio Santos Rodrigues, negou qualquer irregularidade e disse que a negociação envolveu apenas um empréstimo financeiro de Agati ao Cruzeiro, sem relação com a contratação de Diogo Vitor. “Não houve compra de passe [do atacante], não. Foi pedido uma oportunidade [dada] para o Diogo tentar voltar a jogar”, afirmou.

 

A Polícia Federal prossegue com as investigações e apura a relação entre a venda do jogador e a lavagem de dinheiro. Agati foi preso em janeiro de 2025, após permanecer foragido. Seu advogado, Eduardo Maurício, nega as acusações e afirma que seu cliente é um empresário legítimo. “As acusações são ilações sem fundamento”, declarou em nota.

Inquérito da Polícia Federal aponta que PCC perseguiu deputado federal e sua ex-mulher
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal (PF) investiga indícios de que o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (PP), conhecido como Delegado Da Cunha, e sua ex-esposa teriam sido alvo de perseguição por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação consta em um inquérito conduzido pela corporação.

 

A suposta perseguição veio à tona a partir de materiais apreendidos com o traficante Janeferson Gomes, conhecido como Nefo. Gomes, que foi assassinado no ano passado, era apontado como responsável por coordenar sequestros e execuções ordenadas pela cúpula da facção criminosa.

 

De acordo com os investigadores, gravações encontradas em posse do criminoso mostram membros do PCC seguindo o carro da ex-esposa do parlamentar.

 

Delegado Da Cunha ganhou notoriedade por sua atuação em operações policiais e por sua forte presença nas redes sociais. O deputado já havia relatado ter recebido ameaças anteriormente.

Diretor de documentário sobre o sistema carcerário teve viagem à Europa paga pelo PCC
Foto: Divulgação / Globo

O diretor do documentário “O Grito”, Rodrigo Giannetto, teria viajado à Europa com passagens compradas por um membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), envolvido com o assassinado do empresário e delator Vinícius Gritzbach, no ano passado. O documentário fala sobre o sistema prisional brasileiro e contém depoimentos de familiares dos chefes do PCC e do Comando Vermelho (CV). 


Segundo investigação da Polícia Civil de São Paulo, Kauê do Amaral Coelho, apontado como o “olheiro” do PCC no assassinato de Gritzbach, teria comprado as passagens usadas por Gianneto de São Paulo para Palermo, na Itália, e Londres, no Reino Unido, em uma agência de viagens em Jundiaí. 


Ao jornal Estadão, o cineasta negou envolvimento com o PCC e informou não conhecer Kauê. A Netflix, onde o filme está disponível, afirmou não ter se envolvido com a produção do documentário e só teria comprado os direitos de exibição da obra. O documentário foi idealizado pela agência K2, que trabalha com o rapper Oruam, filho de Marcinho VP. 


Conforme o jornal, as informações sobre a viagem do diretor foram obtidas durante a operação ‘Fake Scream’, deflagrada pela PC-SP e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). A operação mirou a ligação entre o PCC e a ONG ‘Pacto Social & Carcerário de S.P’. 


Giannetto informou que a ideia de viajar para o festival na Itália surgiu durante uma exibição do documentário. Uma pessoa sugeriu que procurasse uma agência de viagens em Jundiaí e, ao contatar a empresa, o cineasta teria sido informado de que as passagens já estavam pagas. 


Kauê, responsável pela compra, teria se reunido com os líderes da ONG Pacto Social & Carcerário de S.P, Geraldo Sales e Luciene Neves, três vezes em 2024. As investigações da PC indicam que os líderes da ONG integravam o PCC com “atuação transnacional”. 

Foragido há nove meses, cantor de pagode acusado de integrar PCC é preso em praia da Bahia
Foto: Reprodução / Instagram

O cantor de pagode Vagner Borges Dias, conhecido artisticamente como Latrell Brito, foi preso em flagrante nesta segunda-feira (27), na praia de Arembepe, na Bahia. Ele foi detido pelo crime de uso de documento falso, após permanecer foragido por nove meses.

 

A prisão foi realizada em uma operação conjunta entre o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e a Polícia Militar da Bahia. Latrell era procurado pela Operação Munditia, que investiga um esquema de fraudes em licitações.

 

De acordo com o Gaeco, o cantor é apontado como líder de uma organização criminosa suspeita de atuar em diversas cidades do estado de São Paulo.

 

Ainda segundo as informações, ele também foi denunciado por integrar e promover o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele é apontado como o líder das empresas que cooptavam ilicitamente contratos com a administração pública.

 

As investigações indicam que o homem usava documentos falsos para se esconder e fugir do cumprimento de três mandados de prisão preventiva.

Justiça determina prisão temporária de “Dona Maria”, considerada a maior traficante de drogas da Bahia
Foto: Reprodução / SSP-BA

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou a prisão temporária de Jasiane Teixeira, conhecida como “Dona Maria” e considerada uma das maiores traficantes do estado, nesta segunda-feira (27). Ela foi presa durante a manhã de sexta (24), em São Paulo, e é investigada pelo envolvimento em mais de 100 mortes. A determinação veio após pedido do Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).

 

Segundo o Metrópoles, a criminosa é natural de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. Além de chefiar um império criminoso em território baiano, ela ainda era responsável por estender a criminalidade nos estados de Minas Gerais e São Paulo, chegando até ao segmento internacional de tráfico. 

 

O mandado de prisão foi expedido pela Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem de Capitais. Jasiane Teixeira é ré em quatro ações penais por tráfico de drogas e uma por homicídio. 

 

A investigada está listada como procurada no “baralho do crime” divulgado periodicamente pela SSP, o que, segundo os promotores de Justiça do Gaeco, “denota a sua periculosidade e o seu alto grau hierárquico na organização criminosa que integra, conhecida por liderar o tráfico de drogas no sudoeste baiano”. 

 

De acordo com as investigações, há evidências de vínculos financeiros suspeitos entre Jasiane Teixeira e outras pessoas sem histórico criminal, as quais podem estar servindo para ocultar os recursos obtidos ilicitamente, em um mecanismo de lavagem de capitais provenientes do tráfico de drogas e de outros delitos. 

 

Os promotores de Justiça do Gaeco afirmaram que a prisão temporária de Jasiane é necessária, pois, caso a investigada permaneça em liberdade, poderá destruir provas e dificultar a atividade dos órgãos de apuração criminal.

Polícia prende tenente suspeito de dirigir carro em que estavam atiradores que mataram delator do PCC

A Força-Tarefa do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) prendeu na manhã deste sábado (18) um tenente suspeito de envolvimento na morte de Antônio Vinícius Gritzbach, 38, delator do PCC.

 

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, as investigações indicam o tenente Fernando Genauro da Silva —que trabalha na 1ª Companhia do 23° Batalhão da Polícia Militar, na capital paulista— como responsável por dirigir o carro em que estavam os atiradores que mataram o delator do PCC na área de desembarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos, no dia 8 de dezembro de 2024.

 

O tenente que foi preso neste sábado, segundo a apuração da polícia, já trabalhou com o cabo Dênis na Força Tática do 42º Batalhão da PM, e, Osasco, na Grande São Paulo, onde atuavam na mesma viatura. A prisão do tenente é temporária, por 30 dias. Silva foi levado ao DHPP e deve seguir para Presídio Militar Romão Gomes.

 

Na última quinta-feira (16), a Corregedoria da Polícia Militar prendeu o cabo Dênis Antonio Martins, 40, apontado pela investigação como um dos autores dos disparos que mataram o delator. 

 

Outros 14 policiais —2 tenentes e 12 cabos e soldados— também foram presos por fazer a escolta irregular de Gritzbach e envolvimento com o PCC.

 

A Folha de S.Paulo informa que agora a investigação busca identificar o terceiro ocupante do veículo, que seria o outro executor de Gritzbach. Além de apuram se o tenente tem relação com os policiais militares que integravam a escolta irregular do delator do PCC.

STJ mantém prisão de ex-bailarina do Faustão acusada de lavagem de dinheiro e ligação com o PCC
Foto: Reprodução / Instagram

A prisão preventiva da digital influencer e ex-bailarina do Faustão, Natacha Horana, foi mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ela é investigada por envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC). 

 

Natacha Horana foi presa em 14 de novembro do ano passado no âmbito da Operação Argento. A força-tarefa é um desdobramento da Operação Plata, deflagrada em fevereiro de 2023.  

 

A bailarina foi denunciada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN) pelos crimes de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e participação em organização criminosa.

 

A decisão do presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, confirma determinação de segundo grau do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ-RN), que ao manter a prisão preventiva e destacou que a influencer, além de manter relação com Valdeci Alves dos Santos – homem apontado como um dos principais líderes do PCC –, apresentou movimentação suspeita da mais de R$ 15 milhões entre 2014 e 2024. 

 

As investigações apontam que o pico de movimentação financeira se deu no ano de 2022, período em que ela estava se relacionando com Valdeci.

 

Ela também teria recebido valores suspeitos na conta de sua empresa, total de R$ 916.982,83. O maior depositante, conforme a decisão do tribunal, é uma empresa de propriedade da mãe de Ademario Ribeiro da Silva Souza, a Preto Motos Multimarcas. Ademario possui um amplo histórico de crimes cometidos, dentre eles o tráfico de drogas

 

Além disso, Natacha Horana teria recebido mais de R$ 246 mil de transações advindas de diversos integrantes do “GRUPO PARÁ”, tendo se utilizado não só de sua conta como também da conta bancária de sua mãe para receber valores. Segundo as investigações, ela aparentemente também teria feito uso de contas de terceiros para a triangulação de transações em seu benefício.

 

Ainda segundo o TJ-RN, a bailarina estava na companhia do suposto líder do PCC quando ele foi recapturado pela polícia e o visitou diversas vezes na prisão, havendo registros de visitas até fevereiro de 2023. Valdeci foi preso novamente após quase oito anos foragido.

 

No pedido de habeas corpus, a defesa da bailarina alegou que não haveria provas suficientes da autoria e da materialidade dos crimes, não existindo indícios de que os valores recebidos por ela teriam origem ilícita.  

 

Ao manter a prisão preventiva, o ministro Herman Benjamin afirmou que a situação apresentada nos autos não justifica uma intervenção imediata por parte da Presidência do STJ durante o período de plantão.

 

Segundo ele, o acórdão do TJ-RN apontou que o decreto de prisão preventiva foi baseado em fundamentos concretos, como a necessidade de interromper a atuação do grupo criminoso. O TJ-RN também destacou que, mesmo após a prisão, o suposto líder do PCC teria mantido as operações de lavagem de dinheiro com o auxílio da influencer e de outras pessoas.

 

“É de suma importância mencionar que, em que pese a paciente seja modelo, bailarina, digital influencer, dentre outras atividades e que, portanto, possui renda lícita advinda de seu labor, não há nos autos nenhuma informação da relação da paciente ou de seu ramo laboral com as pessoas envolvidas no compreendido “Grupo Pará” e com a pessoa de Ademario Ribeiro da Silva Souza ou sua empresa, a PRETO MOTOS MULTIMARCAS, tampouco há notícias de que tais relações são aparentemente lícitas, sendo o único elo aparente entre ela e tais indivíduos a pessoa de Valdeci Alves”, indica a decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. 

 

O mérito do habeas corpus será analisado pela Sexta Turma do STJ, sob a relatoria do ministro Rogerio Schietti Cruz.

Junto com PCC, investigador levou Vinícius Gritzbach para tribunal do crime
Foto: Reprodução / PF

O investigador da Polícia Civil de São Paulo, Marcelo Roberto Ruggieri, conhecido como Xará, foi apontado como participante de um esquema criminoso envolvendo agentes públicos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, Ruggieri teria atuado no sequestro do corretor de imóveis Vinícius Gritzbach, conduzindo-o a um “tribunal do crime” da facção.

 

Gritzbach foi assassinado com dez tiros de fuzil em 8 de novembro, poucos dias após firmar uma delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). Na colaboração, o corretor revelou detalhes sobre a ligação de policiais civis com o PCC, incluindo informações sobre o envolvimento em atividades ilícitas.

 

Conforme os relatos obtidos pelo MPSP, em dezembro de 2021, Gritzbach foi levado a julgamento pela facção, também conhecido como “tabuleiro”, por supostamente estar ligado ao assassinato de Anselmo Bechelli Santa Fausta, o Cara Preta, e de seu motorista, Antônio Corona Neto, o Sem Sangue. O duplo homicídio ocorreu em 26 de dezembro daquele ano. As informações são do Metrópoles.

 

Cara Preta era um importante líder do PCC e mantinha negócios com Gritzbach no setor imobiliário e também na operação de criptomoedas. Eles romperam relações após o corretor supostamente ter sumido com um pendrive no qual havia 100 milhões de dólares de criptomoedas (o equivalente a R$ 602 milhões, na cotação atual).

 

Ainda conforme divulgado, Gritzbach só não foi executado naquele momento porque, segundo uma investigação do Gaeco, ele entregou um token (chave eletrônica) com R$ 27 milhões para Django, comprando com isso uma “absolvição”. Posteriormente, surgiu outra versão, a de que o PCC teria absolvido o delator, por provar que ele não tinha relação com os homicídios — usados como argumento por policiais civis para tentarem extorquir o corretor.

Segurança de Gusttavo Lima é preso suspeito de elo com PCC
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O policial civil Rogério de Almeida Felício, conhecido como Rogerinho Punisher, citado na delação do empresário Vinicius Gritzabch, foi preso na manhã desta segunda-feira (23), no litoral de São Paulo. O homem, que também trabalhava como segurança do cantor Gusttavo Lima, estava foragido desde a semana passada, após a deflagração da operação Tacitus. 


Segundo o jornal O Globo, o agente de telecomunicações da Polícia Civil é investigado por uma possível ligação com o PCC. O empresário Vinicius Gritzabch, assassinado em outubro deste ano no Aeroporto de Guarulhos, apresentou prints de redes sociais em sua delação premiada contra o PCC, onde o agente aparece com um relógio furtado. 


Em nota, a Delegacia Geral de Polícia informou que Rogério se entregou após firmar um acordo e será levado à Corregedoria da Polícia Civil em São Paulo. As corregedorias das polícias Civil e Militar reafirmaram sua colaboração com as apurações. 

 

Na mesma operação, a Polícia Federal e o Ministério Público cumpriram mandados de prisão temporária do delegado Fábio Baena e de outros três policiais civis, sendo eles: Eduardo Lopes Monteiro, Marcelo Ruggieri e Marcelo Marques de Souza, conhecido como Marcelo Bombom. 

 

Ainda conforme o jornal, a defesa de Rogerinho afirmou que o policial é inocente e todas as medidas legais serão tomadas. Em nota, a empresa Balada Eventos, que administra a carreira de Gusttavo Lima afirmou que Rogério prestou serviço como integrante da equipe de segurança do artista durante os shows. 

Promotor de Justiça estima que PCC movimente cerca de R$ 6 bilhões ao ano
Foto: Ministério Público do Estado do Ceará

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que investiga o Primeiro Comando da Capital (PCC) há quase vinte anos, afirmou, em entrevista à CNN, que o grupo criminoso movimenta, anualmente, cerca de US$ 1 bilhão, valor equivalente a quase R$ 6 bilhões. 

 

Segundo Gakiya, o valor leva em conta o aporte do tráfico internacional e as atividades de lavagem de dinheiro. De acordo com ele, no entanto, “isso não contabiliza o que as pessoas físicas, os sócios ou integrantes da cúpula, que também fazem uma lavagem de dinheiro muito importante, estão movimentando”.

 

O valor e semelhante ao orçamento de cidades como Niterói, no Rio de Janeiro, ou São Bernardo do Campo, em São Paulo. Ademais, o valor é quase três vezes maior do que o que São Paulo e Rio de Janeiro, juntas, pretendem gastar com segurança pública em 2025. As duas maiores cidades do país têm, somadas, um investimento em segurança na casa dos R$ 2,2 bilhões.

 

A cifra também é maior do que a verba para o próximo ano de, pelo menos, 20 ministérios do Governo Federal. O Ministério das Relações Exteriores, por exemplo, deve ter um orçamento de R$ 5 bilhões para o próximo ano, enquanto o da Cultura deve ter cerca de R$ 4 bilhões, de acordo com previsão enviada ao Congresso.

 

Gakiya ainda afirma que o PCC conta com cerca de 40 mil integrantes espalhados por todo o território nacional e outros 26 países. “Hoje, a principal meta do Ministério Público, sobretudo das equipes que eu participo de investigações, é a asfixia financeira da organização criminosa”, afirmou.

Segurança de Tarcísio é afastado da PM após ser preso por ligação com PCC
Foto: Governo de São Paulo

A Polícia Militar de São Paulo (PMSP) determinou o afastamento do capitão Diogo Costa Cangerana, ex-chefe de segurança do governador Tarcísio de Freitas. O oficial foi preso pela Polícia Federal na terça-feira (26), acusado de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

 

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Tai-Pen, que desarticulou três fintechs suspeitas de movimentar R$ 6 bilhões para a organização criminosa nos últimos cinco anos. Segundo as investigações, Cangerana teria atuado na abertura de contas usadas para lavar dinheiro proveniente do tráfico, com transações que chegaram a R$ 120 bilhões.

 

O afastamento de Cangerana, decretado pela Diretoria de Pessoal da PM, é válido desde a data da prisão preventiva. O oficial, que ocupou cargos na Casa Militar por mais de 12 anos, chefiava a segurança de Tarcísio de Freitas até setembro deste ano. Atualmente, estava lotado no 13º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo.

 

A Operação Tai-Pen foi conduzida com autorização da 7ª Vara Criminal Federal. Durante as investigações, apurou-se que Cangerana participou de ao menos 25 agendas oficiais do governador. Entre elas, destacam-se uma viagem a Portugal, em junho, para promover ações da Sabesp, e encontros em Brasília com autoridades como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL); e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux e Roberto Barroso.

 

A Polícia Militar e o governo estadual ainda não se manifestaram sobre o caso.

PM prende membro do PCC suspeito de participar de esquema para matar Moro
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Polícia Militar do Estado de São Paulo prendeu, nesta terça-feira (26), um homem de 42 anos suspeito de integrar a célula “restrita” do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do país. O suspeito teria envolvimento direto no plano de sequestro e assassinato do senador Sergio Moro, impedido pela Polícia em março de 2023.

 

A captura foi realizada por agentes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), no município de Itanhaém, no litoral paulista. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o homem estava escondido em um sítio e tinha em sua posse uma arma com numeração raspada e um documento falso.

 

As investigações que levaram a sua prisão apontam que homem teve um papel crucial no esquema ao realizar levantamentos de informações sobre a rotina de Moro e de sua família no Paraná. Além disso, ele apresenta um histórico criminal extenso, que conta com passagens por homicídio, roubo, formação de quadrilha e porte de arma.

 

O suspeito estaria ligado a outro integrante da facção que foi preso pela Polícia Federal (PF), em março de 2023, por estar envolvido diretamente no planejamento do crime. Este cúmplice estava detido na Penitenciária II, em Presidente Venceslau, mas foi assassinado dentro do presídio em junho deste ano.

 

O plano elaborado pela facção previa ataques coordenados contra autoridades e servidores públicos, por meio de sequestros e de extorsões. Moro, no entanto, seria o alvo central do esquema, pois era responsável, quando ainda era ministro da Justiça, entre 2019 e 2020, pela transferência de diversos líderes do PCC para penitenciárias federais.

Delator do PCC mencionou construção de 120 casas com dinheiro do tráfico
Foto: Divulgação

Morto em uma emboscada no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no último dia 8, o delator Antonio Vinícius Gritzbach entregou ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) um contrato que previa a construção de 120 casas de um conhecido condomínio residencial da zona sul da cidade.

 

Os recursos para o empreendimento teriam como origem o traficante Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta, para quem o empresário confessou lavar dinheiro. As informações são do site Metrópoles.

 

Cara Preta foi executado a tiros em 2021, no Tatuapé, zona leste da capital paulista e Gritzbach era acusado de ser o mandante do crime. De acordo com o MPSP, os dois se desentenderam após o delator perder uma quantia milionária em bitcoins que pertenceria ao traficante.

Suspeito de morte de delator do PCC escapa de operação policial
Foto: Divulgação/SSP

Um suspeito de participar da trama que executou Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), fugiu da Polícia Civil de São Paulo em uma operação, na manhã desta terça-feira (19), que almejava cumprir um mandado de prisão.

 

O alvo da operação policial é suspeito de ser um dos olheiros do crime organizado no atentado contra o delator do PCC, no dia 8 de novembro. 

 

A Polícia acredita que o homem esteja no Rio de Janeiro e tenha escapado em função do vazamento do mandado de prisão, que inicialmente estava previsto para a próxima quinta-feira (21) e foi antecipado.

 

Os integrantes do PCC envolvidos no crime teriam recebido um sinal de dentro do aeroporto para o momento adequado de ação, segundo informações da investigação obtidas pela Folha de São Paulo.

 

"A ação levou sete segundos. Foi planejada, ensaiada e sincronizada com o sinal de alguém dentro do saguão", explicou a delegada Ivalda Aleixo, titular do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).

 

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo, mas os materiais apreendidos estão em sigilo.

PCC teria oferecido R$ 3 milhões pela morte de delator
Foto: Reprodução/TV Globo

Um áudio adicionado aos autos do processo pelo Ministério Público (MP) de São Paulo durante o testemunho de Vinicius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), mostram um diálogo entre um investigador do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) e um advogado ligado a facção, em que o grupo ofereceu R$ 3 milhões a policial para matar Gritzbach.

 

Vinicius gravou a conversa telefônica por viva-voz na frente do policial sem o conhecimento dele e do advogado. No diálogo, o advogado do PCC pergunta ao policial se ele aceitaria matar o empresário por R$ 300 mil.

 

Advogado – 300?
Policial – 300... Tá bom. 300 , Tá bom.
Depois de uma provocação entre eles, o advogado aumenta o valor da recompensa pelo assassinato de Vinicius para R$ 3 milhões, de acordo com a sua defesa.

 

Advogado – Mas você acha que 3 dá?
Policial – É... pensa nos 3. Vai pensando, me fala depois...
Após desligar o telefone, o policial e outra pessoa conversam com Vinicius e perguntam se ele entendeu o tom da conversa com o advogado. Em seguida, eles tentam animar o empresário, que demonstra preocupação com a situação.

 

Policial - Vou dar um abraço em você. Você não sabe o quanto eu te amo...
Outra pessoa - A gente gosta de você, Vinicius. Relaxa esse coração seu...
Vinicius – Mas vai relaxar como? O cara falando um negócio desse...
O áudio com a conversa integra a delegação premiada de Vinicius que a Justiça homologou. Ele era réu em processos de homicídio contra dois membros do PCC e por fazer lavagem de dinheiro para a facção. Ele respondia aos crimes em liberdade.

 

O empresário foi executado a tiros na última sexta (8) no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo. Câmeras de monitoramento gravaram dois homens encapuzados e com fuzis atirando no empresário do ramo imobiliário. Os suspeitos fugiram e outras três pessoas ficaram feridas na ação. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) criou uma força-tarefa para investigar quem mandou matar Vinicius e quem executou o crime.

 

Entre as hipóteses investigadas para esclarecer o que ocorreu estão o envolvimento de criminosos do PCC, policiais civis, policiais militares e devedores de Vinicius. O caso é apurado como homicídio e lesão corporal.

Comparsa de ex-número 2 do PCC é preso em operação no Sudoeste baiano
Foto: Divulgação / MP-BA

Uma operação contra lavagem de dinheiro da facção PCC foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (14) em Vitória da Conquista, no Sudoeste baiano. Na ação, foi preso um homem acusado de ser um dos principais comparsas de Valdeci Alves dos Santos, apontado como cabeça do esquema de lavagem e um dos chefes do PCC.

 

Além do mandado de prisão preventiva, a Operação Argento, como foi denominada, cumpre seis mandados de busca e apreensão em Vitória da Conquista e Urandi, também no Sudoeste. Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a Argento é um desdobramento da Operação Plata, realizada em fevereiro de 2023.

 

Foto: Divulgação / MP-BA

 

À época foi desvendado parte da estrutura do grupo, resultando em prisões e condenações de vários membros da facção criminosa. Na operação desta quarta, a Justiça ainda determinou o bloqueio de mais de R$ 2 bilhões em bens e valores vinculados ao PCC, em uma tentativa de desestabilizar a estrutura financeira da organização criminosa, alcançando a indisponibilidade de bens de 101 suspeitos.

 

Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN), que atua também no caso, antes da operação, foram analisadas 468 contas bancárias nas quais foram movimentados R$ 1,6 bilhão entre 2014 e 2024.

 

Segundo as investigações, o grupo lavava os recursos por meio de empresas de fachada, compra e venda de imóveis de luxo e com aquisição de cavalos de raça.

Estudante de Direito, ‘Patroa do PCC’ foi presa no dia em que começaria a estagiar no MP-SP
Foto: Reprodução / PF

Elaine Souza Garcia, de 34 anos, conhecida como a “Patroa” do Primeiro Comando da Capital (PCC), estava prestes a iniciar estágio no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) quando foi presa em operação conjunta do própria MP-SP e da Polícia Federal esta semana. 

 

Estudante de Direito, Patroa foi aprovada no programa de estágio do Ministério Público e a assinatura da posse, que marcaria o início da sua atuação no órgão, estava marcada para a última terça-feira (10) – mesmo dia em que ela foi presa. 

 

Segundo informações são da Globonews, ela pretendia ingressar no estágio na cidade de Itapeva, no interior de São Paulo. A convocação pela Regional de Sorocaba foi publicada no Diário Oficial, indicando que ela deveria comparecer à Promotoria de Justiça da cidade às 9h do dia 10. 

 

Elaine foi presa sob suspeita de ser uma das lideranças de uma quadrilha especializada na modalidade de roubo a bancos e empresas de valores em que os assaltantes dominam as cidades – prática conhecida como “novo cangaço”.

 

As investigações indicam que ela foi uma das pessoas a receber treinamento de um CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) para tiro com fuzil. O homem foi identificado como Otávio Alex Sandro Teodoro de Magalhães, o Terrorista. A Patroa do PCC aparece em vídeo treinando com um fuzil sob orientação de um CAC.

 

O treino tático dos CACs inclui orientação sobre o manuseio de armas com alto poder de destruição. De acordo com as investigações, essa habilidade credenciaria os criminosos a realizar os ataques conhecidos como Novo Cangaço.

 

Conforme o MP-SP e a Polícia Federal, Elaine também seria responsável pela negociação de drogas, armas e por receber retornos sobre assassinatos de rivais. Além disso, a apuração constatou que Patroa é casada há oito anos com Delvane Lacerda, o Pantera, apontado como importante membro do PCC.

 

Pantera, que também foi preso, é um dos principais responsáveis por ajudar a facção a estender os tentáculos para o Piauí. O casal comprava armamento pesado de armamento pesado de Otávio Terrorista, o CAC que deu treinamento com fuzil. 

 

Ao todo, 18 pessoas foram denunciadas pelo MP-SP desde o início do ano. Entre eles, quatro CACs foram presos apontados como fornecedores de armas para a facção. Na última terça-feira foram detidos ainda os integrantes do PCC Jakson Oliveira Santos, o Dako, e Diogo Ernesto Nascimento Santos, que atuava no núcleo financeiro da facção e, também, nas execuções de inimigos.

Família de Marcola, líder do PCC, expressa preocupação sobre as condições do preso
Foto: Reprodução

A família do líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, afirma que o preso está em condições psicológicas instáveis por estar sendo mantido em um regime de isolamento prolongado na Penitenciária Federal de Brasília (PFBra).

 

Um documento, enviado pela família do líder do PCC às autoridades, demonstra uma grande preocupação com a saúde mental do preso. De acordo com a família, durante algumas visitas que realizaram ao detento, Marcola apresentou sinais de desorientação e de confusão, além de “oscilações na percepção da realidade”.

 

A petição ainda destacou que, desde o mês de março deste ano, Marcola está em isolamento total, sem ter contato com outros presos. A defesa alegou que a situação perdura até os dias atuais e que acarretou em mudanças significativas no comportamento do detento, bem como evidenciando um impacto negativo em sua saúde.

 

No documento, a família argumenta que o prolongado isolamento e a falta de contato social podem causar sérios danos psicológicos, como quadros de ansiedade e depressão, psicose e a perda de conexão com a realidade.

 

A defesa de Marcola, portanto, pediu autorização para que o detento possa passar por uma avaliação psicológica, com o intuito de mensurar os impactos que o isolamento possa estar causando na saúde mental do preso.

Prisão de integrante do PCC revela plano de atentado contra secretário de Segurança Pública de São Paulo
Foto: Elaine Menke/Câmara do Deputados

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que a prisão de um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), no mês de maio, na capital paulista, revelou um plano de atentado contra o deputado federal licenciado Guilherme Derrite (PL-SP), secretário de Segurança Pública do estado.

 

Segundo a Polícia, o ataque seria executado por Marcelo Adelino de Moura, de 47 anos, conhecido como China. De acordo com a SSP-SP, o homem foi detido por agentes do Comando de Operações Especiais (COE) da PM. Durante a ação, as autoridades apreenderam dois fuzis, duas mil munições de grosso calibre, pacotes de cocaína, além de R$ 100 mil em espécie.

 

O investigado já tinha passagem por roubo a bancos, e seria, de acordo com a corporação, o responsável por guardar armas e drogas para o PCC. “Após a prisão, identificou-se que o indivíduo fazia parte de um grupo que planejava um ataque contra o secretário da Segurança Pública”, afirmou a SSP-SP.

 

Guilherme Derrite foi reeleito deputado federal pelo PL nas eleições de 2022, mas está licenciado do cargo para atuar como secretário de Segurança Pública de São Paulo, desde que foi escolhido pelo governo Tarcísio de Freitas, em janeiro de 2023. 

 

Antes disso, Derrite atuou como Policial Militar e tenente das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota). Durante o período em que esteve no cargo de secretário, autoridades policiais conduziram a Operação Verão, na Baixada Santista, que durou 105 dias e culminou em 1025 prisões e 56 mortes. De acordo com a revista Piauí, o secretário já foi investigado por 16 homicídios ocorridos durante operações policiais das quais participou.

Pablo Marçal se pronuncia sobre suposta ligação de aliados com o PCC
Foto: Reprodução / Redes sociais

Disputando a prefeitura de São Paulo pelo PRTB, Pablo Marçal se pronunciou sobre o suposto elo de integrantes do seu partido com membros do PCC após reportagens feitas pela Folha de S. Paulo.

 

As ligações reveladas envolvem o presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, e outras lideranças são apontadas como suspeitas de ligação com a facção paulista.

 

Em conversa com o site Metrópoles, Marçal afirmou: “Que prenda todo mundo que tiver envolvimento com crime. Quero que, no futuro, qualquer candidato consiga registrar sua candidatura sem partido político”.

 

“Como eu já fui investigado, fiquem à vontade. Pau nesses bandidos. Todos do meu partido que tiverem qualquer ligação com quem quer que seja, pau nesses bandidos”, disse Marçal durante uma sabatina.

 

Áudios revelados pelo jornal Folha de S.Paulo mostram Leonardo Avalanche, um dos principais fiadores da candidatura de Marçal, afirmando que mantém relações com integrantes do PCC.

PCC Futebol Clube: organização criminosa lavou dinheiro com agentes de jogadores brasileiros, diz MP-SP
Foto: Divulgação

Três empresas que negociam atletas para o futebol brasileiro e para o exterior são alvos de uma investigação do Ministério Público Estadual de São Paulo (MP-SP). Os promotores têm em mãos mensagens, contratos e depoimento do empresário Antônio Vinícios Lopes Gritzbach, de 38 anos, que acusa dirigentes ligados a empresas responsáveis por cuidar da carreira de jogadores de futebol de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação foi divulgada inicialmente pelo Estadão.


Por equanto, as investigações não apontam participação dos clubes, nem dos atletas e nem dos cartolas, mas mostram fotos de jogadores e de montantes de dinheiros nos escritórios. 


As três empresas investigadas são grandes nesse segmento e agenciam ou já agenciaram jogadores como Emerson Royal (atualmente no Milan), Eder Militão, (Real Madrid), Du Queiroz (ex-Corinthians e agora no Grêmio) e Igor Formiga (também ex-Corinthians e agora defendendo o Novorizontino). São citados ainda na investigação do MPE Gustavo Scarpa (Atlético-MG), Felipe Negrucci e Caio Matheus (ambos da base do São Paulo), Marcio Bambu (aposentado), Guilherme Biro (Corinthians) e Murillo (ex-zagueiro do time do Parque São Jorge e hoje no Nottingham Forest, da Inglaterra).

 

 

Essa é uma das maiores investigações feitas sobre a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em São Paulo, envolvendo os negócios da facção paulista em Tatuapé, zona leste de São Paulo. No acordo de delação, Gritzbach trata da atuação do empresário de futebol Danilo Lima de Oliveira, o Tripa, da Lion Soccer Sports. Ele ainda teria participação na UJ Football Talent. Outro empresário apontado pelo delator como relacionado à lavagem de dinheiro do PCC é Rafael Maeda Pires, o Japa do PCC, que teria participado do cotidiano das decisões da FFP Agency Ltda, do empresário Felipe D’Emílio Paiva, até ser assassinado no ano passado. Procuradas, a FFP disse não ter conhecimento da delação e a Lion não foi localizada.

 

A UJ Football se define como uma “assessoria esportiva com expertise internacional em promover sonhos de atletas desde 2010″ e o principal cliente é Éder Militão, zagueiro revelado pelo São Paulo e que hoje defende o Real Madrid e a seleção brasileira. O delator diz que Danilo agenciou outros jogadores, como Emerson Royal, Marcio Bambu, Guilherme Biro, Du Queiroz e Murillo. O empresário Ulisses Jorge não foi localizado pela reportagem.

 

 

Já a FFP Agency Ltda., a outra empresa apontada pelo delator como relacionada aos acusados de lavar de dinheiro do PCC, agencia, segundo os dados do acordo de delação com o Ministério Público, os jogadores Caio Matheus, Felipe Negrucci, Du Queiroz e Igor Formiga.

 

Nas conversas de WhatsApp, Maeda e Felipe tratam da contratação de jogadores e da assinatura de contratos, além de pagamentos em real e euro. Filipe Tancredi, outro sócio da FFP, menciona o desejo de ter como cliente o zagueiro Bremer, na época no Torino e hoje na Juventus. O atleta, porém, não assinou contrato com a agência. Ele é agenciado por outra empresa.

 

 


Há fotos de jogadores e de montes de dinheiro. Existem ainda menções sobre negociações de atletas com o ex-presidente do Corinthians Duílio Monteiro Alves e com o ex-técnico do sub-20 do time, o ex-jogador Danilo, a quem pediriam referência sobre atletas.

 

Dúlio revelou a reportagem que "nunca manteve relação pessoal nem comercial com Japa".


Ja o Corinthians, declarou que recebeu “com enorme surpresa a notícia da possibilidade de atletas supostamente agenciados por integrantes do crime organizado terem formalizado contratos com o clube” e ressaltou que tais contratos teriam sido celebrados anteriormente à gestão atual. O clube também afirmou que está “à disposição para fornecer quaisquer documentos que as autoridades reputem importantes e, também, prestar qualquer esclarecimento necessário à completa apuração dos fatos”.


Na atual fase da investigação, os promotores estão ouvindo o delator para recolher mais provas sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro e compreender como os recursos do tráfico internacional de drogas eram esquentados no negócio de compra e venda de jogadores.

STJ não autoriza líder do PCC a cumprir pena em regime semiaberto; criminoso pediu suspensão de decisão
Foto: Arquivo EBC

O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Og Fernandes, no exercício da presidência, negou liminarmente pedido de habeas corpus para restabelecer os efeitos da decisão que autorizou Eric Oliveira de Farias, conhecido como Eric Gordão, a cumprir pena no regime semiaberto, em presídio federal.  O réu é membro da alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).

 

Eric Gordão foi condenado a 30 anos de prisão por integrar organização criminosa e corrupção ativa, acusações decorrentes da Operação Ethos que investiga o aliciamento de advogados e funcionários públicos pelo PCC. Conforme as apurações, ele exercia função de comando dentro da célula jurídica da facção a partir do presídio de Presidente Venceslau, de onde conseguia aliciar servidores públicos e advogados.

 

O criminoso, que já foi condenado por latrocínio (roubo seguido de morte), também é acusado de liderar célula que planeja atentados contra autoridades, sendo o responsável por levantar rotina e endereços dos alvos da facção. 

 

No curso da execução penal, a pedido da defesa, o Juízo Federal Corregedor da Penitenciária Federal de Campo Grande concedeu a Eric a progressão para o regime semiaberto, com "regresso do interno ao juízo de origem".

 

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu alegando que o cumprimento de pena em penitenciária federal de segurança máxima por motivo de segurança pública não seria compatível com a progressão de regime prisional. Sustentou, também, a impossibilidade de o juízo federal corregedor conceder progressão em dissonância ao juízo de origem do preso. O MPF também ajuizou ação cautelar para atribuir efeito suspensivo ao agravo em execução penal, pedido que foi atendido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

 

Og Fernandes, ao negar liminarmente o habeas corpus, registrou que o pedido não poderia ser acolhido uma vez que não se admite habeas corpus contra decisão que deferiu liminar para conceder efeito suspensivo a recurso na origem.

 

No caso em análise, o ministro aplicou, por analogia, a Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal (STF), citando precedentes do STJ que decidiram de maneira equivalente. Por fim, o vice-presidente explicou que não observou ilegalidades que excepcionem a aplicação da Súmula 691/STF, visto que, nesta fase da análise, "as decisões de origem não se revelam anômalas".

Advogado suspeito de integrar organização criminosa é proibido de atuar na área criminal, decide STJ
Foto: Arquivo EBC

?A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) restringiu à área criminal a proibição do exercício profissional imposta a um advogado e proibiu o seu acesso a qualquer tipo de estabelecimento prisional. Investigado por supostamente integrar uma organização criminosa, o advogado tinha sido proibido de atuar em qualquer área.

 

"Considerando que o exercício da advocacia é atividade profissional da qual se extrai a própria subsistência, entendo que vedá-la inteiramente viola a proporcionalidade, pois a necessidade do acautelamento diz respeito à atuação criminal do recorrente, sendo mais adequado, portanto, restringir sua atuação nessa especialidade", ponderou o relator do caso no STJ, ministro Sebastião Reis Junior.

 

Segundo a investigação, alguns advogados atuantes no Pará estariam utilizando suas prerrogativas profissionais para beneficiar de forma ilegal a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O advogado teria assinado 16 petições para presos, sem ter relação direta com eles, e recebido o pagamento diretamente da facção criminosa. Também teria o hábito de se comunicar com presos sem estar habilitado nos processos. De janeiro a setembro de 2020, a organização teria remunerado o advogado, por meio da conta da mãe dele, em valores próximos a R$ 80 mil.

 

Ao STJ, a defesa do advogado sustentou que a suspensão da atividade profissional determinada pelo Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA) não se justificaria, pois o suposto recebimento financeiro teria ocorrido entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, faltando, assim, contemporaneidade entre os fatos e a medida.

 

Alegou ainda que tanto a representação do Ministério Público quanto a decisão judicial que suspendeu o exercício profissional são genéricas, limitando-se a descrever, como prova dos supostos atos ilícitos imputados ao advogado, o recebimento de honorários por serviços contratados e efetivamente prestados.

 

Cautelares no processo penal devem seguir o binômio necessidade e adequação

O ministro Sebastião Reis Júnior verificou que, segundo o TJ-PA, o advogado estaria utilizando suas prerrogativas para auxiliar as atividades da organização criminosa, o que, nos termos da jurisprudência do STJ, permite a suspensão do exercício profissional.

 

No entanto, para o relator, a adoção da providência cautelar violou o princípio da proporcionalidade. "As cautelares pessoais no processo penal devem ser fixadas segundo o binômio necessidade e adequação, sempre observando o princípio da excepcionalidade, ou seja, a regra é a menor restrição, incidindo restrição à liberdade de maior amplitude apenas se necessário", afirmou.

 

Na avaliação do ministro, a proibição de exercer especificamente a advocacia criminal é suficiente para garantir a ordem pública e não vulnera a subsistência do advogado.

Operação prende políticos de 4 partidos por suspeita de envolvimento com o PCC em São Paulo
Foto: Divulgação / MPSP

Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) cumpriu mandados de prisão contra políticos de quatro partidos na manhã desta terça-feira (16) por suspeita de envolvimento em um suposto esquema que fraudava licitações em prefeituras e câmeras municipais por meio de um cartel articulado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).


Entre os presos estão três vereadores de cidades da Grande São Paulo e outros dois políticos, ligados aos quadros do PSD, MDB, Podemos e União Brasil. Os vereadores detidos são Flavio Batista de Souza (Podemos), o “Inha” de Ferraz de Vasconcelos; Ricardo Queixão (PSD), de Cubatão; e Luiz Carlos Alves Dias (MDB), conhecido como “Luizão Arquiteto” e parlamentar na Câmara Municipal de Santa Isabel. As informações são do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.


Após o anúncio da Operação, o MDB divulgou nota afirmando que vai suspender a filiação de Luizão. “Eleito pelo PL, o vereador se filiou ao MDB na última semana. O partido apoia o avanço das investigações, por isso decidiu suspender a filiação de forma cautelar”, afirma a nota.


Já o PSD, de Ricardo Queixão, disse que acompanha as apurações. “O partido não compactua com desvios de conduta e adotará, se necessário, punições exemplares cabíveis, de acordo com as conclusões dessas apurações e do devido processo legal”, afirma o partido em nota.


Mesma postura foi adotada pelo Podemos, de Flavio Batista, que também evitou falar em desfiliação. “A executiva municipal do Podemos de Ferraz de Vasconcelos apoia toda e qualquer investigação de combate ao crime organizado e acompanha os desdobramentos da operação de hoje, para que, garantido o direito de defesa, venha a tomar medidas institucionais”, diz a nota.


Além deles, também foram presos nesta terça Dário Reisinger Ferreira, presidente do União Brasil em Suzano, e Vagner Borges Dias, conhecido como Latrell Brito – principal alvo da operação do MPSP.


O Metrópoles procurou o União Brasil para comentar a operação desta terça-feira e, até o momento da publicação desta reportagem, não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Advogado de líder do PCC é preso por fraudes em licitações
Foto: Reprodução / Redes sociais

Operação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta terça-feira (16) contra empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), resultou na prisão do advogado Áureo Tupinambá de Oliveira Fausto Filho, 37 anos. As informações são do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

Ele é um dos defensores de André de Oliveira Macedo, o André do Rap. Conhecido líder do PCC, André do Rap está foragido desde 2020 depois que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) cassou o habeas corpus do ex-ministro Marco Aurélio Mello, que soltou o traficante. 

 

A força-tarefa investiga um grupo envolvido no esquema que atuava para beneficiar empresas ligadas ao PCC em contratos públicos com prefeituras, câmaras municipais e governo do estado. Também há indicativos da corrupção sistemática de agentes públicos e políticos e diversos outros delitos – como fraudes documentais e lavagem de dinheiro.

 

As suspeitas recaem sobre licitações em cidades como Guarulhos, São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Cubatão, Arujá, Santa Isabel, Poá, Jaguariúna, Guarujá, Sorocaba, Buri, Itatiba e outras. A estimativa, segundo o MP-SP, é que os contratos movimentaram R$ 200 milhões.  

 

O MP-SP cumpriu, até o final da manhã, 13 dos 15 mandados de prisão temporária e 42 ordens de busca e apreensão. Dois alvos estão foragidos.

 

Entre os presos estão três vereadores de diferentes cidades paulistas: Flavio Batista de Souza (Podemos), o Inha, de Ferraz de Vasconcelos, na região do Alto Tietê; Luiz Carlos Alves Dias (MDB), de Santa Isabel, conhecido como “Luizão Arquiteto”; e Ricardo de Oliveira (PDT), de Cubatão, na Baixada Santista, conhecido como “Ricardo Queixão”.

Inteligência da PF monitora racha no PCC e possível aliança com Comando Vermelho
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Um possível alinhamento entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) vem sendo investigado por setores de inteligência da Polícia Federal (PF). Os agentes vêm monitorando o racha no PCC e a suposta aliança com a facção que nasceu nos presídios de São Paulo.

 

Conforme informações obtidas pelo Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, investigadores trabalham com o cenário no qual o grupo liderado pelos traficantes Roberto Soriano, conhecido como Tiriça, Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, e Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, possa receber apoio do Comando Vermelho na disputa contra o chefe do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

 

Porém, as chances de uma aliança no estado de São Paulo são descartadas. Do outro lado, como tem acompanhado a PF, poderá acontecer um alinhamento entre as facções nos presídios estaduais e penitenciárias federais, e em outros estados onde o Comando Vermelho e o PCC coexistem.

 

Investigadores apontam que Tiriça mostra alinhamento com a forma como o Comando Vermelho age no crime, de forma ostensiva e violenta.

Empresa responsável por obras no presídio de Mossoró tem contrato com prisão onde Marcola está
Foto: Divulgação

A  R7 Facilities, empresa responsável por obras de manutenção no presídio federal de Mossoró (RN), que registrou as duas primeiras fugas da história em uma prisão do tipo, também tem contrato com a Penitenciária Federal de Brasília.


Apontada por suposto esquema de “laranjas”, a empresa agora é alvo de investigação, tem contrato assinado com a União de mais de R$ 2 milhões (R$ 2.088.591,60) para atender “as necessidades da penitenciária” na prestação de serviços continuados de apoio técnico e administrativo. O acordo tem vigência até 9 de março deste ano. As informações foram publicadas pelo jornal Estadão e confirmadas pelo portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.


Localizado no Distrito Federal, o presídio abriga o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.


Investigações da Polícia Federal já identificaram ao menos três planos de fuga para libertar o chefe da facção. Um deles foi interceptado em 2022 e previa resgate cinematográfico no presídio federal de Porto Velho (RO), onde Marcola estava preso à época.


Já os fugitivos de Mossoró são matadores do Comando Vermelho (CV), facção rival do PCC. Os criminosos conseguiram escapar de uma unidade federal utilizando estratégia que ainda é alvo de diligências policiais.


Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável pela administração das penitenciárias federais, informou que vai pedir investigações aos órgãos competentes federais sobre a lisura da R7 Facilities.


Apesar das desconfianças, a pasta informou que não há preceitos de legalidade para suspender ou rescindir contratos vigentes sem o devido processo legal.

Marcola deixará prisão em Brasília após plano de atentado a policiais penais ser identificado
Foto: Rafaela Felicciano / Metrópoles

A Secretária Nacional de Políticas Penais (Senappen) vai transferir, nos próximos dias, o líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, Marcola, da Penitenciária Federal de Brasília para outra unidade de segurança máxima.

 

O novo endereço do chefe da facção e a data da transferência não foram divulgados por motivos de segurança. A informação, contudo, foi confirmada pela coluna Na Mira do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, com fontes do governo federal.

 

A medida ocorre após o setor de inteligência das penitenciárias federais identificarem um plano em andamento para sequestrar e matar policiais penais federais. Os servidores seriam usados como moeda de troca em uma possível negociação pela libertação da cúpula da facção, que cumpre pena em Brasília.

 

Conforme a coluna noticiou, uma das estratégias da pasta está na portaria assinada pelo secretário Nacional de Políticas Penais (Senappen), Rafael Velasco Brandini. O documento determina alterações no transporte de presos de “altíssima periculosidade” de unidades que integram o Sistema Penitenciário Federal.

 

Dessa forma, as operações devem ser feitas com base em relatório de análise de risco elaborado pela Inteligência do Sistema Penitenciário Federal, em documento sigiloso e com autorização de saída assinada por um colegiado de no mínimo três autoridades da Senappen.

 

O intuito é fazer um rodízio entre os servidores responsáveis pelas transferências para evitar possíveis perseguições, sequestros e até mesmo execução de autoridades.

 

“Para efeitos desta portaria, serão considerados presos de altíssima periculosidade aqueles com alta probabilidade de evasão mediante resgate ou com indícios de envolvimento em atos preparatórios de ações hostis contra servidores públicos, altas autoridades e a segurança da população”, diz o documento.

 

Os nomes das autoridades responsáveis por assinar a autorização foram elencados em documento sigiloso. “As autoridades serão designadas de forma aleatória, periódica e individualizada para compor o Colegiado”, detalha a portaria. Elas também serão identificadas por códigos, como forma de preservar a identidade.

 

SEQUESTRO E PLANO SUICIDA

Conforme levantamento de inteligência, o primeiro plano elaborado pelo PCC, batizado de STF, consiste na invasão da Penitenciária Federal de Brasília. Contudo, uma grande muralha construída ao redor do complexo elevou drasticamente o nível de dificuldade em colocar tal plano em prática.

 

O segundo, chamado de STJ, inclui o sequestro de autoridades do Senappen e de seus familiares, para, em troca, exigir a libertação dos líderes.

 

A terceira e última opção seria uma “missão suicida”. A ideia era que o próprio Marcola desse início a uma rebelião dentro do presídio federal e usasse um policial penal como refém.

 

ANJOS DA GUARDA

A raiz dos procedimentos de segurança adotados até a presente data pelo governo federal é a Operação Anjos da Guarda. A importante ofensiva deflagrada em agosto do ano passado colheu provas fundamentais para o trabalho de investigação conduzido pela Polícia Federal em conjunto com a Senappen.

 

À época, cerca de 80 policiais federais cumpriram 11 mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em três unidades da Federação: Distrito Federal (Brasília); Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Três Lagoas) e São Paulo (capital, Santos e Presidente Prudente).

 

Segundo as investigações, para viabilizar o plano, as lideranças criminosas fizeram uso de uma rede ilegal de comunicação por meio de advogados, que transmitiam e entregavam mensagens dos presos para criminosos fora da prisão envolvidos na tentativa de resgate e fuga. Pelo menos quatro defensores foram detidos.

 

Para tanto, os investigados valiam-se dos atendimentos e das visitas em parlatório, usando códigos que remetiam a situações jurídicas que não existiam. Cerca de quatro defensores do comando foram presos.

 

TRANSFERÊNCIA DA CÚPULA DO PCC

As lideranças envolvidas ingressaram no Sistema Penitenciário Federal em fevereiro de 2019, justamente em decorrência da descoberta, pelas autoridades do estado de São Paulo, de plano de fuga que, à época, já estava em articulação por tais líderes, então custodiados na Penitenciária Estadual de Presidente Venceslau II.

PCC determina “salve” com ordem de executar policiais penais
Foto: Agência Brasil

A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) detectou que a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) teria divulgado um “salve”, espécie de ordem para que todos os integrantes da facção espalhados pelo país levantem todo o tipo de informação sobre servidores dos sistemas penitenciários estaduais.


De acordo com informações obtidas pela coluna Na Mira do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, faccionados teriam recebido como determinação duas datas estabelecidas pelos chefões, para atacar os servidores da segurança pública: 28 de novembro e 3 de dezembro.


As informações circularam entre detentos encarcerados no Presídio do Distrito Federal I (PDF I), no Complexo Penitenciário da Papuda. Na última semana, em um documento sigiloso a Senappen destacou que policiais penais federais deveriam permanecer em alerta máximo, principalmente os lotados nos presídios de Campo Grande (MS) e de Brasília.


Já no sistema penitenciário do DF, na PDF I, os chamados “catatais” — gíria dos presos para identificar bilhetes escritos em pedaços de papel — falavam sobre o levantamento de dados envolvendo policiais penais de Brasília.


LEVA E TRAZ DO PCC

Uma presa que cumpre pena no Presídio Feminino (PFDF), que já estava em regime de trabalho externo, foi interceptada levantando e repassando informações de servidores para criminosos que estão nas ruas.


A descoberta ocorreu há cerca de seis meses, e a detenta perdeu o direito ao trabalho externo. Ela está na chamada “tranca”, quando o interno segue no regime fechado. Um advogado também teria sido identificado levantando informações sobre servidores.


Ele atenderia um grupo de faccionado supostamente ligados ao PCC, fazendo uma espécie de “leva e traz” de ordens de dentro das cadeias para a rua.

Lideranças do PCC na Bahia são alvos de operação nesta terça
Foto: Reprodução / Blog do Anderson

Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos na cidade de Planalto, no Sudoeste baiano, nesta terça-feira (12), contra integrantes da facção criminosa conhecida como PCC. Os mandados fazem parte da nova fase da Operação Shark, deflagrada pelo Ministério Público do Estado (MP-BA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e às Organizações Criminosas (Gaeco).

 

Segundo o MP-BA, a primeira etapa da operação, que apura diversos crimes, como lavagem de dinheiro, foi concluída em setembro de 2020. Os investigadores estimam que a cúpula da facção movimenta mais de R$ 100 milhões por ano. A quantia seria decorrente, sobretudo, do tráfico de drogas e da arrecadação de valores dos integrantes, tudo com rigoroso controle em planilhas. Oito promotores de Justiça trabalharam na denúncia.

 

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Em julho deste ano, um dos alvos da operação foi preso em um resort de luxo em Pernambuco. O acusado ocupava uma das mais altas posições nos escalões da facção, ficando a cargo de gerenciar parte do tráfico de drogas do exterior para o Brasil.

 

O homem também atuava em esquemas para lavagem de dinheiro. Com o denunciado, as autoridades apreenderam documentos de identificação falsos, cartões de crédito e celulares.

Além do CV, PCC também levou golpe de Engomadinho do Bitcoin e promete vingança: “Vai ter sangue”
Foto: Reprodução

O principal executivo da plataforma financeira Bybot, Gustavo de Macedo Diniz, conhecido como “Engomadinho do Bitcoin”, conseguiu passar para trás as duas maiores facções criminosas do país. Além da carioca Comando Vermelho (CV), que ofereceu R$ 15 mil de recompensa pelo trader golpista, a paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) ameaçou o CEO da empresa, que está jurado de morte.

 

Por meio de mensagens, um suposto integrante da organização afirmou que havia R$ 30 milhões em bitcoins provenientes do caixa do PCC investidos na Bybot. Em uma das postagens, o homem pontuou que endereços de pessoas ligadas ao executivo já foram levantados e estão sob monitoramento. As informações são portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

“Já põe aí que, a partir de segunda-feira, se esse pau no cu do Diniz não aparecer, a irmandade vai visitar cada um da família dele. 15.3.3 fica às ordem. Tá entendendo não, tinha com ele mais de 30 milhao da casa com ele em btc. Ele já tá no juramento e não tem volta. Ce não tá entendendo o meu preju. Já tem o endereço de cada um tá tudo vigiado vai ter sangue já tá avisado e segunda feira e não tem conversa [sic]”, afirma a mensagem.

 

 

SIGNIFICADO

O significado do “15.3.3”, utilizado para designar o Primeiro Comando da Capital, se refere à colocação das letras no alfabeto. O código foi criado inicialmente com o propósito de dificultar o entendimento das autoridades carcerárias sobre as comunicações e atividades do grupo, enquanto facilitava a identificação e comunicação entre os integrantes do PCC, mesmo a distância.

 

Gustavo Diniz deletou todas as redes sociais, apagou os canais de comunicação e fechou a plataforma para saques. Nenhum dos investidores consegue, desde a última sexta-feira (25/8), sacar a quantia que estava depositada nas carteiras. Antes assíduo nas redes sociais e sempre gravando lives, Gustavo, que passou a ser apelidado de “Engomadinho do Bitcoin”, teria fugido do país em direção à Ásia.

 

De lábia afiada, abusando da simpatia e inspirando segurança, o administrador da plataforma costumava gravar vídeos para os seguidores e mostrava que o negócio era “seguro” e totalmente legalizado. A Bybot operava, principalmente, com a chamada arbitragem de criptoativos. O processo é bastante conhecido no mercado de ações. Quando um investidor decide trabalhar por esse método, ele começa a negociar ativos por preços baixos e oferecê-los em plataformas que pagam um preço maior. A diferença, então, fica com o investidor.

Governo Bolsonaro pressionou para que PF ligasse facada ao PCC, diz site
Foto: Reprodução

Na reta final do governo Jair Bolsonaro houve pressão política para que a Polícia Federal apontasse a existência de uma suposta ligação de Adélio Bispo, autor da facada contra o ex-presidente, com o PCC, o Primeiro Comando da Capital.

 

Segundo informações obtidas pela coluna de Rodrigo Rangel do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, fontes graduadas da PF dizem que são cristalinas as evidências dessa pressão. Até recentemente, havia uma discussão interna sobre o que fazer com essas evidências.

 

Chegou a ser considerada, inclusive, a possibilidade de abertura de uma apuração específica para mapear em que medida integrantes de postos de direção da corporação na gestão Bolsonaro agiram para atender aos interesses do Planalto.

 

Ainda conforme a publicação, a PF está prestes a concluir a derradeira etapa das investigações sobre a facada em Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018. De novo, a conclusão será a de que Adélio, o autor do atentado, agiu por conta própria.

 

DESEJO DE BOLSONARO

Já durante a corrida presidencial de 2022, o então presidente e candidato à reeleição queria usar o caso para se cacifar eleitoralmente. Ele entendia que se a Polícia Federal fizesse algum movimento no sentido de relacionar a facada ao PCC, teria dividendos políticos e ampliaria suas chances de derrotar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas.

 

Com o processo eleitoral já em curso, a PF chegou a pedir à Justiça Federal autorização para realizar buscas em endereços ligados a um advogado de Adélio que, se tivessem sido feitas, poderiam atender ao interesse (e às cobranças) de Bolsonaro. Mas o juiz do caso, Bruno Savino, decidiu não autorizá-las justamente em razão da desconfiança de que o pedido escondia uma estratégia que poderia ter fins eleitoreiros. Essas mesmas buscas foram liberadas só depois e cumpridas em março deste ano, com a PF já sob nova direção.

 

Por duas vezes, as investigações sobre o atentado já haviam sido encerradas pela PF e chegado à conclusão de que o atentado não teve mandantes. A última delas foi em 2020. O caso, porém, foi reaberto já no final de 2021, depois que a o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com sede em Brasília, liberou o acesso ao telefone celular de um dos advogados que se apresentaram para defender Adélio logo após o crime.

 

Ao menos um desses advogados tinha, de fato, ligação com o PCC. Era justamente isso que Bolsonaro queria que a PF explorasse, com pompa, circunstância e barulho.

 

O ADVOGADO DE ADÉLIO E O PCC

Como o plano não deu certo, a conclusão da investigação acabou ficando para a nova direção da corporação, já sob o governo de Lula. Com um detalhe curioso: o delegado que havia tocado as duas fases iniciais do inquérito e concluído que Adélio Bispo agiu sozinho passou a ocupar uma das posições mais poderosas e sensíveis da hierarquia interna. Rodrigo Morais Fernandes virou diretor da DIP, a Diretoria de Inteligência Policial, justamente onde a apuração vinha correndo.

 

Já neste ano, a investigação passou por uma espécie de “processo de desintoxicação”, para eliminar o que a nova cúpula da PF entendia como “forçação de barra” para conectar o atentado ao PCC.

 

Feita a análise nos arquivos do celular do tal advogado de Adélio, chegou-se então à conclusão de que ele tinha, sim, clientes ligados à facção, mas que em nenhum momento essa conexão teve relação com a tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018.

 

É com base nisso que a PF dirá, de novo, que Adélio agiu sozinho, sem cúmplices ou mandantes – e que, a despeito do desejo de Bolsonaro, o atentado não foi arquitetado ou patrocinado pelo PCC.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Entre camarotes e voos de jatinho, o Soberano iniciou sua campanha. A pressão em cima do Cacique anda tão grande, que até erros dos primatas estão jogando na conta dele. E por falar em erros, a Ex-Fala Bela vai ter que ensinar o Ferragamo a falar "Bolsonarista" antes da eleição. Coronel Card também já dá sinais de como será ano que vem. E nada com um show sertanejo para curar as feridas entre Romas e Magalhães. Saiba mais!

Pérolas do Dia

Cláudio Villas Boas

Cláudio Villas Boas
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Disse o CEO do consórcio responsável pela ponte Salvador-Itaparica, Cláudio Villas Boas ao indicar que a data para o início da construção está marcada para junho de 2026.

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