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Fernando Duarte
Editor-chefe do Bahia Notícias desde agosto de 2014, é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia. Trabalhou nos jornais Tribuna da Bahia e A Tarde, além do site Bahia Todo Dia e nas rádios Tudo FM e Vida FM. Apresentou ainda o programa "Isso é Bahia", uma parceria entre o Bahia Notícias e o Grupo A Tarde, na rádio A Tarde FM. É colunista político e comanda o podcast "Projeto Prisma".
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A oposição a Luiz Inácio Lula da Silva ainda tenta encontrar formas para a autoanálise necessária após ter sido refém do bolsonarismo no pleito de 2026. No esforço para aproveitar a onda antilulista, o cálculo que levou Flávio Bolsonaro (PL) a ser ungido como candidato do campo democrático à direita foi errado. Tanto que, passadas 48h do segundo turno, o Bolsonaro Similar fugiu e deixou quase 60 milhões de votos órfãos.
Nesse bojo, a oposição na Bahia foi tragada apenas na segunda etapa do pleito. Ainda assim, com consequências ainda não completamente mensuradas. Enquanto apenas bolsonaristas mais radicais faziam campanha para o candidato do PL no primeiro turno, o principal líder da oposição baiana, ACM Neto (União) embarcou no projeto do Bolsonaro Similar quando já não havia muitas opções de caminho. Derrotado pela segunda vez para Jerônimo Rodrigues (PT) - agora para um governador que não estava a reboque do candidato Lula -, o ex-prefeito de Salvador fez uma escolha para ganhar sobrevida eleitoral. Perdeu também.
Diferentemente de 2022, quando submergiu por um bom tempo, agora ACM Neto parece ter percebido que, uma nova ausência, geraria um vácuo de "poder" que poderia tê-lo defenestrado do antagonismo que as urnas lhe deram. Além de ter feito campanha para Flávio, na mesma semana do segundo turno publicou estar "arrumando a casa" para próximas etapas. Não ficou claro exatamente o que ele pretende fazer, porém é sabido que ele terá que lidar com o arranhão na imagem de moderado amplamente construída. Sob o risco de ser engolido pela emergência de uma liderança que simbolize o antipetismo, como ele já o faz, mas também o antibolsonarismo, que ganhou as eleições presidenciais em 2026.
Enquanto tenta se "reaprumar" na Bahia, essa mesma oposição tem, no cenário nacional, a oportunidade de se afastar do golpismo, explicitada com a "carta renúncia" do Bolsonaro Similar. Após ter sido fagocitada pelo bolsonarismo, o que se entende por direita democrática - da qual ACM Neto faz parte - pode retomar o protagonismo perdido desde a chegada de Jair Bolsonaro aos holofotes políticos. É claro que, nesse processo, a marca de adesão a Flávio será reforçada pelo lulopetismo - fortalecido localmente e também nacionalmente.
Por enquanto, já sobram candidatos a ocupar o vácuo do delirante "verdadeiro presidente eleito", cuja função de oposição à distância já foi colocada em xeque pelos próprios aliados. Há quem incense mais uma integrante do clã, Michelle Bolsonaro, ou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Daqui para 2030, há um longo caminho a ser percorrido. Especialmente pela oposição que não terá mais que enfrentar diretamente Lula.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) alterou trechos da primeira versão da carta divulgada pelo seu aliado nesta quarta-feira (28), na qual questiona o resultado das eleições presidenciais e alega ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, após uma derrota nas urnas. Em uma nova versão do documento, a expressão “presidente eleito” foi retirada de um parágrafo e substituída pela referência a “líder”.
No trecho modificado, Flávio afirma que pretende continuar atuando politicamente em defesa dos eleitores que o apoiaram. Na primeira versão, o senador dizia: “Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito”.
Na nova redação, a referência a “presidente eleito” foi substituída por “líder”. O restante do parágrafo mantém o tom de mobilização política, com a promessa de que o senador será “a voz e a liderança livre da nossa nação”.
Capturas dos trechos alterados / Reprodução / X (antigo Twitter)
A alteração ocorre após a repercussão da primeira versão da carta, na qual Flávio se apresenta como presidente eleito, apesar de ter sido derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25).
BRASÃO ERRADO
Além da mudança no texto, a carta foi distribuída inicialmente com um brasão desatualizado do Brasil. A imagem trazia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com a letra “z”, denominação histórica que deixou de ser utilizada oficialmente após mudanças na nomenclatura do país.
A primeira versão foi divulgada pelo comentarista político Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro. Após a repercussão do erro, uma nova versão do documento foi compartilhada por WhatsApp, desta vez com o brasão correto e a inscrição “República Federativa do Brasil”.
Figueiredo afirmou, em publicação na rede social X, que a versão recebida por ele continha o brasão antigo, mas que o conteúdo do texto estava correto. O influenciador também apagou a publicação inicial. O episódio foi marcado por duas correções distintas: a substituição do brasão utilizado no documento e a mudança na forma como Flávio se refere a si próprio em um dos parágrafos da carta.
No texto, o senador também questiona a legitimidade do resultado eleitoral e alega fraude na votação, sem apresentar provas que sustentem as acusações nos trechos divulgados. Ele ainda afirma que pretende liderar a oposição brasileira a partir do exterior.
Policial militar é acusado de agredir assistente social em UPA de Salvador e caso vai à Corregedoria
O policial militar Eduardo Felipe Barbosa de Oliveira, de 42 anos, é acusado de agredir uma assistente social de 48 anos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo Antônio, no bairro do Bonfim, em Salvador. O caso aconteceu na noite de terça-feira (27).
Ele foi levado à Central de Flagrantes (Cenflag) e liberado após assinar um termo em que se compromete a comparecer à Justiça. A denúncia também será enviada à Corregedoria da Polícia Militar (PM-BA), órgão que apura a conduta de policiais.
Segundo a Polícia Civil (PC-BA), o caso foi registrado como vias de fato e desacato. Vias de fato é a agressão física que não deixa lesão, e desacato é o crime de ofender ou desrespeitar um servidor público no exercício da função. O homem foi levado à delegacia por policiais militares, e lá foi registrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), procedimento usado para crimes de menor gravidade, em que o suspeito responde ao processo em liberdade.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) afirmou lamentar profundamente a agressão contra a profissional. Segundo a pasta, a assistente social está recebendo acolhimento e apoio jurídico e psicológico da organização social que administra a UPA.
“A SMS condena toda forma de violência, especialmente aquela praticada contra profissionais no exercício de suas atividades de trabalho, e reforça que situações dessa natureza são inaceitáveis”, diz a nota. A secretaria informou ainda que vai continuar acompanhando o caso.
O risco iminente de fuga de Flávio Bolsonaro (PL), tratado pela Polícia Federal no pedido de apreensão dos passaportes, foi confirmado pelas ações do candidato derrotado à presidência da República. Os adjetivos que classificam o episódio variam entre “fujão” e “refugiado”, a depender do interlocutor. Todavia, a ida de Flávio para os Estados Unidos explicita que a estratégia da família Bolsonaro com a candidatura do senador ao Palácio do Planalto era blindar o filho mais velho de Jair Bolsonaro de persecuções jurídicas.
Flávio fugiu do Brasil. Isso é um fato. Os aliados dele vão tentar justificar o episódio como uma tentativa de se evadir da “perseguição política”, representada, essencialmente, pela decisão ter sido emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, acusado de ser arqui-inimigo do clã. Não há razões para amenizar o fato de um candidato derrotado em segundo turno, com mais de 4,8 milhões de votos a menos que o primeiro colocado, sair do país menos de 48 horas após o encerramento das urnas.
O Brasil continua sendo uma democracia. Com todas as mazelas possíveis, o país não é, nem de longe, a ditadura pregada pela extrema-direita. Porém, o discurso do bolsonarismo mais “duro” incutiu na mente de milhões de brasileiros essa perspectiva enviesada de mundo. A saída de Flávio Bolsonaro, usando subterfúgios de aliados na Argentina, no Equador e nos Estados Unidos, mostra a existência de uma articulação internacional, do chamado “Escudo das Américas”, para fragilizar instituições da América Latina. Tanto que, antes mesmo da fuga se concretizar, o Bolsonaro Similar já tinha garantida a permanência em território ianque, tal qual Eduardo Bolsonaro – que, morando nos EUA, defendeu publicamente a fuga do irmão em caso de derrota e a interferência da Casa Branca na disputa eleitoral brasileira.
Há certo pragmatismo no pedido de apreensão de passaportes e na decisão de Alexandre de Moraes concedendo-a. Era sabido, publicamente, que Flávio Bolsonaro precisaria se evadir do Brasil para não responder publicamente pelos inquéritos do “Dark Horse” e da suposta lavagem de dinheiro em parceria com o sócio e amigo Willer Tomáz. Em um contexto em que a condenação pela rachadinha nos tempos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nunca foi a cabo por interferência do pai, era questão de tempo para que o senador respondesse pelos atos pouco republicanos (para evitar a classificação como “criminosos”).
Com anuência do governo Donald Trump, que já incorporou o discurso de fraude nas urnas, Flávio Bolsonaro deve tentar uma nova modalidade de líder da oposição, à distância. Cabe à direita tradicional, fagocitada pela extrema-direita e o bolsonarismo, tentar retomar as rédeas do debate político nacional – para fazer oposição real e democrática ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O vácuo deixado por Flávio Bolsonaro com os quase 60 milhões de órfãos que votaram nele na urna existe. Quem deverá ocupá-lo é a pergunta a ser feita a partir de agora.
O pragmatismo de Valdemar Costa Neto e do PL, dessa vez, devem ter sido decisivos para que Flávio Bolsonaro recuasse da constrangedora ideia de questionar a legitimidade das urnas no último domingo (25). Menos de 24h depois de sugerir que não reconheceria a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o Bolsonaro reserva não apenas recuou, como também tentou se autoproclamar "o líder da oposição". Parece um filme repetido com algumas pequenas mudanças.
Em 2014, o PSDB e Aécio Neves questionaram a reeleição de Dilma Rousseff (PT), então o roteiro que Flávio rascunhou era conhecido. A história parecia se repetir, nesse caso como comédia. Todavia, antes que o riso fosse disseminado, Bolsonaro reserva parece ter "engolido a seco" a derrota. Evitou, assim, postergar a chance de ser jogado aos leões pelos políticos profissionais que o cercavam. Porém, tal qual Aécio, Flávio também tem uma perspectiva policial à frente, o que amplia as semelhanças entre os dois casos.
Para o tucano mineiro, o destino na esfera jurídica-policial foi favorável. Responsável indireto pela fagulha de questionamento das urnas eletrônicas, Aécio ficou no ostracismo na segunda metade do mandato de senador e, em 2018, voltou a ser deputado federal, num raquítico PSDB. Agora, em 2026, ensaiou voltar a ser governador de Minas, mudou de planos para ser candidato ao Senado e amargou a sétima posição na corrida eleitoral. Aécio se tornou um fantasma ainda vivo da própria história, após 40 anos de sucessivos mandatos.
No caso de Flávio Bolsonaro, a partir de fevereiro ele deixa de ter cargo eletivo depois de 24 anos herdando votos do pai ("ele é só um sobrenome", parafraseando o senador Otto Alencar). Bem menos tempo do que Aécio. A comparação chega a ser injusta com o tucano, pois, apesar dos pesares, ele tinha muito mais consistência política do que o agora derrotado no segundo turno. E ela se limita ao fato de ambos tentarem ser maiores do que a soberania das urnas. Mesmo porque entre o mineiro e o carioca, o primeiro ainda reúne qualidades não identificadas no segundo para "comandar a oposição" - algo que nem Aécio conseguiu pós-2014.
PASSAPORTES APREENDIDOS
Quem sugeriu uma fuga de Flávio Bolsonaro em caso de derrota foi o irmão, Eduardo, radicado nos EUA após ele próprio fugir do Brasil. Ao somar com o não reconhecimento do resultado da eleição, o Bolsonaro reserva tinha razões de sobra para seguir o conselho.
A apreensão do passaporte no dia seguinte ao pleito, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, contribui - e muito - para o vitimismo que cerca o bolsonarismo (contém ironia). A medida, se baseada em convicções "à la" Moro, deve ser questionada. Entretanto, o histórico do entorno da cúpula golpista sugere preocupação, é claro. Ainda assim, "quem não deve, não teme", já diriam os mais velhos.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, utilizou suas redes sociais nesta segunda-feira (26) para saudar os candidatos vitoriosos nas eleições de 2026 nos âmbitos federal e estadual, ocasião em que exaltou a "persistência democrática" do país e criticou o uso de "pedradas, tiros, chicotes, pessoas acorrentadas, símbolos nazistas" e coações na campanha eleitoral.
Em pronunciamento oficial, o magistrado defendeu o pluralismo político e fez um apelo pelo fim do extremismo e da violência no debate público brasileiro. Confira a postagem:
Ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal, Dino ressaltou a honra do mandato concedido pelo voto e classificou a confiança popular como um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Ao avaliar a conclusão do processo eleitoral, o ministro fez uma correlação com sua trajetória pessoal e política, lembrando a participação na campanha pelas "Diretas Já", em 1984.
"Constato que, mais uma vez, tal campanha se revelou vitoriosa, pois chegamos ao final de uma eleição presidencial com a certeza de que outras virão. Em um país marcado por tantas rupturas institucionais desastrosas, essa persistência democrática deve sempre ser enaltecida", alega o ministro.
Dino citou expressamente o artigo 1º, inciso V, da Carta Magna — que estabelece o pluralismo político como um dos fundamentos da República — para cobrar respeito mútuo entre as correntes políticas. Ele fez um apelo rigoroso pelo banimento de atos de coerção e extremismo do cenário eleitoral brasileiro.
"Pedradas, tiros, chicotes e pessoas acorrentadas, símbolos nazistas e coações nunca mais devem fazer parte de um processo eleitoral no nosso país", enfatiza.
Na condição de integrante do Poder Judiciário, o ministro defendeu que os representantes eleitos priorizem a governança e a implementação de políticas públicas voltadas às populações de menor renda, descritas por ele como "destinatários prioritários do manto protetor da Constituição".
Por fim, Flávio Dino dirigiu uma mensagem de pacificação a diversos setores do país, pedindo que atuem como vetores de paz e ponderação frente a um cenário global conflagrado. "O Constitucionalismo Social e Liberal, consagrado pela Carta de 1988, deve seguir como o nosso mapa do caminho para um futuro melhor", conclui o magistrado.
Confira nota na íntegra de Flávio Dino:
"Findo o processo eleitoral de 2026, as minhas homenagens a todos os eleitos, tanto em nível federal quanto dos estados. Por ter tido a oportunidade de ser eleito governador, senador e deputado federal, sei o quanto é honroso receber a confiança popular, esteio fundamental do Estado Democrático de Direito. Espero que todos consigam bem exercer os seus mandatos, nos termos e limites da Constituição Federal.
Em 1984, ainda bem jovem, participei da gloriosa campanha Diretas Já. Constato que, mais uma vez, que tal campanha se revelou vitoriosa, pois chegamos ao final de uma eleição presidencial com a certeza de que outras virão. Em um país marcado por tantas rupturas institucionais desastrosas, essa persistência democrática deve sempre ser enaltecida.
A Constituição Federal protege o pluralismo político (artigo 1º, V), o que exige respeito entre os compatriotas. Pedradas, tiros, chicotes e pessoas acorrentadas, símbolos nazistas e coações nunca mais devem fazer parte de um processo eleitoral no nosso país.
Como integrante do Poder Judiciário, espero que os agentes políticos consigam definir bons caminhos de governança para que a nossa Pátria propicie mais políticas públicas especialmente aos mais pobres - destinatários prioritários do manto protetor da Constituição.
Desejo que a sociedade civil, os agentes de mercado, os profissionais das várias áreas, a classe trabalhadora, as empresas de mídia, os líderes religiosos, cada um no seu espectro de atuação, sejam portadores de mensagens de paz e ponderação, em um mundo tão conflagrado por extremismos e egoísmos, que nada constroem.
O Constitucionalismo Social e Liberal, consagrado pela Carta de 1988, deve seguir como o nosso mapa do caminho para um futuro melhor", diz em postagem.
“Bastião” do PSD em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Otto Alencar avalia que o presidente venceu não apenas o “sobrenome Bolsonaro”, mas também toda uma estrutura, incluindo a pressão internacional, contra um quarto mandato do petista no Palácio do Planalto. Em entrevista ao Bahia Notícias nesta segunda-feira (26), Otto indicou que Lula tem a chance de “apaziguar” o país após a reeleição e chamou Flávio Bolsonaro de “orgulhoso e vaidoso.”
“Quando eu queria fazer uma crítica a Flávio sobre economia e tinha problemas para publicar, por exemplo”, citou o senador ao tratar sobre a eventual influência da Meta e de outras plataformas no processo político-eleitoral brasileiro em 2026. Otto listou ações como o tarifaço dos Estados Unidos, as críticas ao pix e também o apoio via big techs a Flávio Bolsonaro como a maior pressão estrangeira sobre uma eleição no Brasil desde a redemocratização. “Nunca um governo americano influenciou tanto numa eleição”, reclamou.
Otto ainda ponderou o posicionamento de parte da elite econômica brasileira relacionada com a Faria Lima – avenida de São Paulo conhecida pelos escritórios de investimentos. “Lula derrotou um grupo da Faria Lima, que influenciou no Datafolha e na Quaest”, reforçou o senador baiano. Na véspera do 2º turno, os relatórios previam números para o Nordeste muito abaixo do percentual final obtido por Lula, conforme relato do líder do PSD baiano.
Durante a conversa, o senador ainda ironizou o vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre a região Nordeste. “Ele não conhece o norte de Minas, com problemas seríssimos e um IDH menor que o da Bahia”, disse.
“UM SOBRENOME”
Ao falar sobre o colega de Senado e candidato derrotado à Presidência da República, Otto tratou Flávio Bolsonaro como “um sobrenome” e chamou-o de “orgulhoso e vaidoso”. “Lamentavelmente, Flávio demonstrou falta de caráter ao não reconhecer a vitória de Lula”, vaticinou o baiano.
Para o senador, o momento de Lula permite que o presidente construa, com base no diálogo, um projeto que volte a unificar o país – ou pelo menos minimizar a cisão. “O presidente fez um discurso muito bom, voltado para os brasileiros. Lula disse que vai governar para 215 milhões de brasileiros e não apenas para aqueles que votaram nele”, sugeriu.
Em meio a já conhecida “ressaca eleitoral”, Otto preferiu não fazer prognósticos das atividades do Senado nos próximos dias. “Conversei rapidamente com o Davi [Alcolumbre] e ele indicou que vai ‘esfriar’ um pouco essa semana, esperando novos fatos”, indicou, ao comentar sobre a pauta da PEC da Segurança Pública, que aguarda por votação na Casa.
Em uma eleição extremamente disputada - e cujas pesquisas de intenção de voto flagraram os movimentos, mas não uma virada -, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para o quarto mandato como presidente do Brasil. A diferença para Flávio Bolsonaro (PL) no plano federal foi ligeiramente maior que a margem de cerca de 3,8 milhões de votos que o petista teve na Bahia. Ou seja, mais uma vez os eleitores baianos foram fundamentais para a vitória de Lula.
O trio Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner cumpriram a promessa de ampliar a votação do presidente na Bahia. Ainda que Lula não tenha feito uma grande visita ao estado entre os dois turnos (apenas uma passagem rápida por Juazeiro), a mobilização local foi suficiente para crescer a votação dele e ainda reduzir o percentual obtido por Flávio na primeira etapa da disputa. Ponto favorável para o grupo, em um contexto em que tradicionalmente a militância poderia perder força após a reeleição do governador em primeiro turno. A Bahia tem maioria petista, mas é, acima disso, lulista.
Salvador, inclusive, se tornou centro de um momento caótico da eleição de 2026. A decisão política de usar o sistema de transporte público no processo eleitoral foi um tiro pela culatra - ainda que a gestão de Bruno Reis (União) negue com veemência a interferência para limitar o exercício do voto. O desastre criado por uma decisão atabalhoada e tardia de adiar o fechamento das urnas deve ensejar tentativas de questionar o pleito. No entanto, é improvável que haja uma invalidação do resultado que garantiu um quarto mandato para Lula.
Em termos de Bahia, a reeleição de Lula é o melhor cenário para a dobradinha com a gestão estadual. Somada à decisão de aderir ao projeto de Flávio Bolsonaro, ACM Neto (União) deve passar por um processo de retração da ascendência sobre aliados - sem contar a chance do episódio dos ônibus soteropolitanos recair sobre ele. Se a derrota no primeiro turno já foi ruim, os números finais de Lula e Flávio na Bahia impõem ao ex-prefeito e seu grupo político um vexame ainda maior (lembremo-nos do mega ato com o senador do PL na última semana).
Apesar da vitória, Lula vai governar com um país dividido e com um Congresso Nacional cuja maioria, até aqui, é contrária a ele. Aos 80 anos e sem perspectivas de mais mandatos, o petista tem oportunidade de mexer em estruturas já consolidadas e que demandam reformas. E, caso a direita consiga recalibrar a própria rota, será também uma boa oportunidade de não mais se subjugar pelo extremismo do bolsonarismo. Neste domingo (25), o Brasil fez uma escolha. E a democracia foi a maior vitoriosa desse processo.
A Polícia Civil da Bahia instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar suspeitas de assédio moral e nepotismo envolvendo o delegado Marcos Reis, que trabalha atualmente na delegacia de Ubaitaba, no Sul baiano.
Os fatos, no entanto, se referem à atuação do delegado em Eunápolis, na mesma região. A medida foi publicada nesta sexta-feira (23).
Segundo a portaria, a investigação apura denúncias de tratamento grosseiro, desrespeitoso e constrangedor contra servidoras subordinadas.
O processo também vai investigar a suspeita de que o delegado mantinha a própria esposa sob chefia direta na unidade policial. Conforme o documento, ela exerceria funções administrativas sob ordens dele, o que incluía o registro de procedimentos policiais, como boletins de ocorrência e inquéritos.
À época dos fatos investigados, Marcos Reis era titular da delegacia de Eunápolis e também respondia pela unidade policial de Itagimirim, município da mesma região. Desde fevereiro deste ano, o delegado atua como titular da Delegacia de Ubaitaba.
A portaria, assinada pelo delegado-geral da Polícia Civil, André Viana, estabelece o prazo de 60 dias para a apuração das supostas irregularidades funcionais.
A Bahia é o estado do Nordeste onde os clientes mais solicitam espaços infantis em bares e restaurantes. No ranking nacional, o estado ocupa a terceira posição em números absolutos e concentra cerca de 15% dos pedidos por esse tipo de estrutura no país. Os dados são de um levantamento realizado pela plataforma de experiência do cliente Falaê, com mais de 1 milhão de avaliações de consumidores.
Quando considerada a proporção de pedidos em relação ao número de avaliações com comentários, a Bahia registra a maior taxa do país. O índice é 55% superior à média nacional e supera o registrado no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais. Em comparação com outros estados nordestinos, a demanda baiana é quase o dobro da observada em Pernambuco e 2,7 vezes maior que a do Ceará.
O estudo analisou 1.039.000 avaliações de clientes em 2.002 bares e restaurantes de todo o Brasil. Mais de 120 mil avaliações foram registradas em estabelecimentos baianos. Entre os 12 temas relacionados à comodidade mencionados espontaneamente pelos consumidores, o espaço kids aparece na segunda posição nacional, praticamente empatado com a climatização, que lidera o levantamento. Estacionamento e música ao vivo também estão entre os itens monitorados.
DEMANDA CRESCE MAS SATISFAÇÃO DIMINUI
O levantamento aponta que os pedidos por espaços infantis quase triplicaram em um ano. Apesar do aumento, os consumidores que mencionam essa necessidade apresentam níveis de satisfação inferiores aos registrados pelo conjunto de clientes dos estabelecimentos analisados.
A média do indicador de satisfação geral é de 87 pontos, enquanto entre os clientes que pedem espaço kids o índice cai para 74, uma diferença de 13 pontos.
Para o CEO do Falaê, Bernardo Netto, os dados indicam uma oportunidade para os estabelecimentos aprimorarem a experiência das famílias. Segundo ele, a procura crescente por áreas infantis não tem sido acompanhada pelo mesmo nível de satisfação, o que pode representar uma oportunidade de fidelização para os restaurantes.
Na Bahia, mais de 150 manifestações relacionadas à demanda por espaços kids apontam a necessidade de melhorias na estrutura já existente, incluindo horário de funcionamento, condições de uso e acessibilidade. Em um dos comentários identificados pelo levantamento, um cliente de uma pizzaria baiana pediu que o parquinho permanecesse aberto até mais tarde.
PIZZARIAS LIDERAM
Na análise nacional por segmento, as pizzarias apresentam a maior proporção de pedidos por espaço kids, com 1,12% das avaliações que contêm comentários. As hamburguerias aparecem em seguida, com 0,97%, enquanto os bares registram 0,76%.
Os resultados indicam que a presença e as condições de uso de áreas infantis estão entre as demandas de parte dos consumidores do setor de alimentação fora de casa. Com a aproximação das férias escolares e da alta temporada de verão, período em que aumenta a circulação de famílias em bares e restaurantes baianos, a adequação desses espaços pode ganhar relevância para os estabelecimentos.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Valdemar Costa Neto
"Não gostei".
Disse o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto ao comentar a carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência nesta quarta-feira (28). No pronunciamento, Flávio afirma que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.