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Fernando Duarte

Artigos

Thiago Nascimento
Trump recua, Irã capitaliza: o custo político da impulsividade
Foto: Divulgação

Trump recua, Irã capitaliza: o custo político da impulsividade

A recente escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã produziu mais um episódio que revela menos sobre poder militar e mais sobre percepção, narrativa e cálculo político. O que se viu, especialmente, ontem, não foi apenas um movimento tático, mas um reposicionamento simbólico que, na prática, acabou favorecendo o discurso iraniano.

Multimídia

“Existe satisfação e insatisfação”, diz Ricardo Maia ao comentar relação com Jerônimo Rodrigues

“Existe satisfação e insatisfação”, diz Ricardo Maia ao comentar relação com Jerônimo Rodrigues
O deputado federal Ricardo Maia (MDB) comentou sobre sua relação governador Jerônimo Rodrigues (PT) e admitiu que “há insatisfações” com o petista. Em entrevista ao podcast do Bahia Notícias, Projeto Prisma, nesta segunda-feira (6), o parlamentar fez um balanço sobre os diálogos com o governador, citando o cumprimento de promessas, e relembrou quando fez cobranças a Jerônimo na tribuna da Câmara dos Deputados.

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Equipe

Fernando Duarte

Foto de Fernando Duarte

Jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia. Trabalhou nos jornais Tribuna da Bahia e A Tarde, além do site Bahia Todo Dia e nas rádios Tudo FM e Vida FM. Apresentou ainda o programa "Isso é Bahia", uma parceria entre o Bahia Notícias e o Grupo A Tarde, na rádio A Tarde FM. É colunista político e comanda o podcast "Projeto Prisma".

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Últimas Notícias de Fernando Duarte

Opinião: ACM Neto adota tom “paz e amor”, enquanto aliados devem atuar como “cães de guarda”
Foto: Divulgação

Olhares mais atentos podem começar a traçar paralelos entre o modelo de comunicação adotado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com uma diferença de mais de duas décadas. A transformação de ACM Neto numa versão ligeiramente mais “leve” teve início com a chegada do marqueteiro João Santana ao grupo, reproduzindo a estratégia que consagrou Duda Mendonça em 2002, com “Lulinha paz e amor”. Nada se cria, tudo se transforma.

 

Até o começo de 2026, o tom adotado por ACM Neto ao criticar o governo de Jerônimo Rodrigues foi duro. Após um hiato de quase um ano depois da derrota em 2022, o ex-prefeito de Salvador retornou aos holofotes como oposição aguerrida e com escolhas temáticas e estéticas que sinalizavam um enfrentamento excessivamente combativo. Nesse contexto, os aliados de Jerônimo minimizavam os ataques e colocavam na conta de ACM Neto o que eles costumam tratar como “herança maldita”, como se fosse possível falar disso 20 anos depois do PT chegar ao poder.

 

A mudança é discreta. E não necessariamente havia um erro de condução. É uma rota recalculada, para tentar reverter o resultado do último pleito, quando a disputa foi encerrada apenas no segundo turno. Como em outubro a probabilidade de uma eleição em dois tempos é praticamente nula, ACM Neto e seu entorno preferiram se adaptar a um modelo que deu certo no começo dos anos 2000, quando não se imaginava de maneira tão enfática a chance de Lula chegar ao poder.

 

A versão “ACM Neto paz e amor” pode ser sentida nos dois últimos grandes eventos públicos relacionados à campanha eleitoral. Na apresentação de Zé Cocá (PP) como candidato a vice-governador, em Feira de Santana, e na adesão de José Carlos Aleluia, então candidato a governador pelo Partido Novo (sic), ao projeto do ex-prefeito. Em ambos, as críticas mais contumazes não vieram de ACM Neto, mas do entorno dele, evitando um desgaste maior para o candidato com nomes que possuem grande apelo nas urnas, como o próprio Lula.

 

Talvez o exemplo mais emblemático tenha sido a partir da resposta do prefeito Bruno Reis à provocação de Jerônimo sobre a inauguração de um conjunto residencial com a presença de Lula. Em alguns tons acima do próprio padrão, o prefeito da capital baiana sugeriu que os adversários ficaram “tomando uísque até tarde”, razão pela qual cancelaram a agenda. Bruno sabia não ser verdade, pois o cancelamento foi no dia anterior. Porém Bruno precisava acenar para os antipetistas que insistem na classificação de Lula como um “bêbado”. Logo, ele aproveitou a oportunidade para vociferar contra o presidente, exercendo um papel de “cão de guarda” do aliado.

 

Caso se mantenha essa estratégia, a versão mais “leve” de ACM Neto tende a ampliar as chances de ele conquistar votos que são simpáticos a Lula e contrários ao modelo de gestão do PT na Bahia. Foi assim que Lula conquistou o Palácio do Planalto em 2022 – com uma série de outros fatores, obviamente. A fórmula até parece simples. Só precisa ver se João Santana vai manter os acertos que permearam a carreira dele.

Opinião: Janela partidária termina sem grandes surpresas na Bahia
Foto: Gemini

Mesmo com uma intensa troca de cadeiras - especialmente na Assembleia Legislativa da Bahia -, a janela partidária chegou ao fim sem surpresas. Todos os políticos que tinham sinalizado a hipótese de troca de legenda ao longo dos últimos quatro anos sacramentaram mudanças. As raras exceções foram os potenciais egressos do Progressistas, Hassan Youssef e Cláudio Cajado, que acabaram permanecendo após reconfigurações internas. Ao fim e ao cabo, a sobrevivência política se mostrou mais relevante do que identidade partidária.

 

A oposição fez ajustes aqui e acolá para contemplar aliados que poderiam não garantir a reeleição. Na ponta do lápis, nomes como Paulo Câmara (ex-PSDB) e Samuel Jr. (ex-Republicanos) engrossaram a turba do PL e os quase órfãos do bolsonarismo. Câmara há tempos reclamava da lista tucana e preferiu não pagar pra ver. Já Samuel viu o Republicanos "inchar" com a família e aliados de Angelo Coronel e saiu antes de arriscar a reeleição - e olha que a igreja por si só já garanta bons votos.

 

Ainda teve a definição de espaço para Emerson Penalva, que precisava de uma legenda de oposição após ver o PDT voltar para os braços do governo. Ficou no União Brasil, que também não passou incólume, porém assistiu a dança das cadeiras acontecer com o PP, permanecendo todos dentro da federação. Marcelinho Veiga é um dos casos.

 

Já o governo viu um rearranjo que fortaleceu especialmente um já forte PSD. Houve promessas de eleição "garantida", quando na verdade era a suplência que importava. No entanto, nada vai superar o PV voltando a ser barriga de aluguel, tal qual aconteceu em Salvador em 2016 e na Bahia em 2022. A cereja do bolo, sem dúvida, foi a filiação de um legítimo representante do agronegócio ao partido mais ambientalista do mundo. Eduardo Salles no PV é tão autêntico como o argumento que Flávio Bolsonaro é uma versão "mais leve" do pai. A lógica de manter cadeiras é válida e justificada.

 

Já o PT, como sempre, teve briga interna e recuo de candidaturas como Lucinha do MST e Fabya Reis. No entanto, vai para a disputa com o mesmo número de deputados e com chance de ampliar a bancada, a depender do desempenho da campanha majoritária.

 

O PSB, que chegou a ser uma menina dos olhos, por pouco não sai muito menor do que estava. O ganho adicional foi, sem dúvidas, a chegada de Mário Negromonte Jr., cujos votos podem auxiliar a sigla a atingir a tão sonhada terceira cadeira em Brasília (ainda que haja o risco de somente ele ter o mandato garantido). A definição dele, inclusive, deve provocar, nos próximos dias, a nomeação de Camila Vasquez como conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios. Para enganar bobos, o governador Jerônimo Rodrigues chegou a dizer que a nomeação da esposa de Negromonte Jr. independia da migração dele para a base aliada, agora é esperar a confirmação já aguardada.

 

Agora, com as listas definitivas, os partidos conseguem ter um melhor horizonte sobre como lidar com as urnas em outubro. O engraçado é que, para dar conta das expectativas das legendas, o número de cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa deveria ser bem maior. Felizmente, para isso, há limite.

Opinião: Via Crucis de Geraldo Jr. chega ao fim com vitória para MDB e Wagner, e com Jerônimo evitando empoderar Rui
Foto: Jefferson Peixoto/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

A celeuma de Geraldo Jr. e do MDB chegou ao fim, tal qual a Via Crucis de Cristo na Sexta-feira da Paixão. Em um evento ligado à Igreja Universal, braço religioso do partido Republicanos, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) encerrou as crescentes especulações sobre a substituição de Geraldinho. Uma vitória dos emedebistas e do grupo do senador Jaques Wagner, que sustentava a manutenção do atual vice-governador no posto.

 

Apesar das contendas, a definição de Geraldo Jr. evita mais fragmentações numa base que já tinha sofrido a traumática cisão do senador Angelo Coronel (há quem diga que foi tudo simples e natural, mas na política não há rompimento sem fraturas). O MDB bancou a permanência do vice, frente a negociações abertas pelo próprio Jerônimo nas tentativas de aplacar a pressão do agora ex-ministro Rui Costa (PT), que tentava minar Geraldo Jr. para ter mais controle sobre o processo eleitoral.

 

Ainda que tenha sido salvo da crucificação, não dá pra dizer que Geraldinho tenha saído maior da fritura imposta a ele. O silêncio, todavia, fez o vice se preservar diante dos reiterados esforços do fogo amigo em desprestigiá-lo, humilhá-lo e fazê-lo arder frente a ataques indiretos e recados - parte deles repassados somente pela imprensa. Diferente de 2022, quando chegou grande para compor a chapa, agora Geraldo Jr. passará por uma reafirmação contínua de que mereceu permanecer como vice - frisando, inclusive, que não lhe faltou lealdade até quando foi colocado à prova publicamente.

 

O alerta dado pelo experiente Mário Kértesz, de que a chapa governista se preparava para perder, pareceu ter dado a última chacoalhada necessária no grupo do PT. Wagner provou, mais uma vez, a força que possui e engoliu Rui logo após ele deixar o cargo todo poderoso de ministro da Casa Civil. O timming do anúncio coincide com a saída dele do cargo e consequente presença mais constante na Bahia até a eleição. Jerônimo "acordou" a tempo de evitar que seu antecessor poderia deixar a condição de aliado para se tornar um carma. E também a tempo de empoderar o único que, nos bastidores, nunca teria deixado de trabalhar para que o governador desistisse da reeleição para um "retorno triunfal" do ex que nunca quis deixar de ser.

 

Agora, com a maior parte dos times já conhecida, cabe aos políticos arregaçarem as mangas para a campanha. À imprensa e aos cidadãos, resta assistir o que promete ser o processo mais acirrado das últimas décadas nas eleições da Bahia.

Fabíola Mansur encaminha chegada ao PSD após anunciar desfiliação do PSB
Foto: Reprodução / AL-BA

A deputada estadual Fabíola Mansur possui um futuro encaminhado com o PSD e pode anunciar sua filiação já nesta quarta-feira (31). A parlamentar se despediu do PSB, partido que esteve filiada por 18 anos, nesta terça (30) e chegou a realizar um discurso emocionada na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).

 

De acordo com informações obtidas pelo Bahia Notícias, as tratativas estão bastante avançadas e dependem apenas de pequenos ajustes para se concretizar. Até então, Fabíola tinha conversas com o PDT, PV e chegou a ser convidada pelo deputado estadual Robinson Almeida (PT) a ingressar no PT.

 

Figura querida dentro da Casa, Fabíola acabou ficando na suplência do PSB após o resultado das eleições de 2022. Todavia, ela ocupou o mandato praticamente em toda legislatura, pois o titular, Angelo Almeida, esteve à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). No último pleito, a ex-PSB registrou 58 mil votos.

 

Com Irecê sendo um de seus redutos eleitorais, Fabíola chega ao PSD depois da saída de Cafu Barreto para o grupo de oposição. O parlamentar era um dos políticos da sigla com forte atuação na região. Vale ressaltar que o PSD ainda mantém o deputado estadual Ricardo Rodrigues, que também é atuante no território de Irecê.

 

Recentemente, o partido comandado pelo senador Otto Alencar também filiou os deputados estaduais Niltinho (ex-PP) e a deputada Ludmilla Fiscina (ex-PV).

Bruno Reis confirma saídas de Cacá Leão, Igor Dominguez e Luiz Carlos da prefeitura
Foto: Divulgação

O prefeito Bruno Reis (União) confirmou, nesta terça-feira (31), a substituição de três nomes na estrutura do Palácio Thomé de Souza que serão candidatos nas eleições de outubro. Dois deles, Cacá Leão (PP) e Igor Dominguez (PL), são ligados fundamentalmente às relações políticas do gestor da capital baiana.

 

A legislação eleitoral estabelece que, para secretários municipais, o prazo de desincompatibilização é de seis meses; ou seja, aqueles que pretendem concorrer no pleito deste ano, em 4 de outubro, devem deixar as atuais funções até o dia 4 de abril.

 

Cacá deixa a Secretaria de Governo para ser candidato a deputado federal, cadeira que ocupava até 2022, quando substituiu o pai, João Leão, na disputa pelo Senado naquele ano. Para o lugar dele, o próprio pai assume a secretaria. Com a licença do parlamentar, o vereador de Salvador, Jorge Araújo assume temporariamente o mandato como deputado federal.

 

Dominguez é secretário particular do prefeito e, nos bastidores, é tratado como a grande aposta de Bruno Reis para a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Para o posto dele, o prefeito nomeou Alex Santana. A licença de Alex provoca a ascensão do ex-deputado Marcelo Nilo (Republicanos) cumpre o mandato, deixando a suplência. O deputado federal licenciado ficará responsável pelas relações institucionais da prefeitura, além de ocupar a chefia de gabinete. 

 

Fora dos radares – mas sem ser uma completa surpresa - o secretário de Infraestrutura, Luiz Carlos (Republicanos), também deixa o cargo para assumir a coordenação de campanha do Republicanos. Para o comando da Secretaria de Infraestrutura, Bruno Reis indicou Julio Santos, que já havia assumido a pasta em 2022. Luiz Carlos retoma o mandato na Câmara, mas Julio Santos fica licenciado, mantendo Beca no legislativo municipal. (Atualizado às 10h56 para atualizar a filiação de Igor Dominguez)

Opinião: ACM Neto lança “pré-candidatura” em flerte com extrema-direita de Caiado; Jerônimo tenta dividir holofotes
Foto: Divulgação

Lançado extraoficialmente como candidato a governador da Bahia nesta segunda-feira (30), o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) reuniu aliados para tentar mostrar força, especialmente no interior da Bahia. Tanto que escolheu Feira de Santana como palco para o evento, uma forma de evidenciar que o prefeito da cidade, José Ronaldo (União), não abandonou o grupo. E trouxe o quase ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP) para a cadeira de vice. São apostas de estratégia distintas da derrota em 2022, quando centrou expectativas nos grandes municípios, com destaque à Região Metropolitana de Salvador.

 

No mesmo dia, ACM Neto ganhou um candidato à presidência da República para chamar de seu. O ex-correligionário Ronaldo Caiado foi lançado formalmente como pré-candidato por Gilberto Kassab e incorporou o discurso da direita, com destaque à proposta de anistia geral e irrestrita aos condenados do 8 de janeiro. Assim, mesmo fugindo do bolsonarismo com o sobrenome Bolsonaro de Flávio, o candidato do União Brasil ao governo da Bahia vai ter que lidar com cargas negativas das campanhas da extrema-direita (apesar de, frise-se, ACM Neto ser representante da direita, não do extremismo dela).

 

Isso, claro, somado à aliança com o PL e à demanda por um palanque para a candidatura de Flávio Bolsonaro, já consolidada como legítima herdeira do ex-presidente Jair. Ainda que torcesse por um nome de “terceira via”, ACM Neto ficará restrito, no palanque nacional, a apoiar um Bolsonaro literal e outro simbólico – Caiado e Kassab escolheram aglutinar a direita, porém por um caminho menos central do que esperado. Nesse caso, os adversários vão surfar com as acusações (justas) de que, para além de opositor a Luiz Inácio Lula da Silva - o grande eleitor na Bahia -, ACM Neto se torna também um braço avançado do bolsonarismo na Bahia.

 

Enquanto a oposição na Bahia lançava com festa a chapa praticamente formada – incluindo João Roma (PL) e o senador Angelo Coronel (Republicanos) como candidatos ao Senado -, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ainda tentava apagar os incêndios criados em torno da possível (e até provável) substituição de Geraldo Jr. (MDB) da cadeira de vice para 2026. Na mesma segunda-feira, Jerônimo se reuniu com Geddel Vieira Lima (MDB) e Otto Alencar (PSD), dando sinais do esforço para manter a coesão na base aliada.

 

A cereja do bolo da estratégia de comunicação do governo para tentar abafar o lançamento da candidatura adversária foi o anúncio de que a Bahia iria aderir, formalmente, ao programa do governo federal para subsidiar o diesel em R$ 1,20, para conter a alta dos combustíveis causada pela volatilidade do mercado. O posicionamento de Jerônimo sobre o ICMS incidente sobre combustíveis gerou mobilizações, especialmente na capital baiana, que acabaram capitalizadas por adversários. A metade assumida pelo governo da Bahia não deve ser suficiente para aplacar os sucessivos reajustes, mas traz um alívio do ponto de vista da comunicação para quem só apanhava desde que Lula indicou a intervenção federal no tema.

 

A última semana antes do fim do prazo de filiações e desincompatibilizações começou aquecida na cena política baiana. Sinal de que, até outubro, quem gosta de política não deve ficar sem um balde de pipoca para assistir os próximos passos.

Opinião: Geraldo Jr. vira “patinho feio” na chapa governista, apesar da resiliência
Foto: Gabriel Lopes/ Bahia Notícias

Se ao ser anunciado como candidato a vice de ACM Neto (União), Zé Cocá (PP) foi tratado como “traidor” pelo ministro Rui Costa, como classificar o processo de fritura pelo qual o atual vice-governador Geraldo Jr. (MDB) tem passado publicamente no processo de construção da campanha de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT)? O ex-presidente da Câmara de Salvador, em 2022 apresentado como um marco da articulação política do PT na Bahia, virou uma espécie de “patinho feio”, quase como elemento tóxico que precisa ser substituído.

 

A fritura de Geraldo Jr. começou antes mesmo da suicida missão política de enfrentar Bruno Reis (União), quando o prefeito tentou a reeleição em Salvador em 2024. O vice era tratado como uma figura menor, incapaz de ocupar uma cadeira no primeiro escalão e foi colocado como “coordenador” de festas como o Carnaval e São João. Para além do suposto simbolismo do cargo, pouco se viu efetivamente de Geraldo Jr. participando da gestão. No máximo, com o fogo-amigo do excesso de policiais lotados na vice-governadoria ou o séquito de seguranças que o acompanhava em eventos públicos.

 

De dezembro até agora, Geraldo Jr. passou a ser ainda mais “queimado” dentro da base do governo – que já torcia o nariz para ele em 2022, quando ele mudou de lado para apoiar Jerônimo e ser catapultado a vice. A gota d’água foi a mensagem por “confusão tecnológica” em que o vice encaminhou um pedido para viralizar nas redes uma crítica ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), candidato ao Senado na chapa governista. O segundo no comando do Executivo baiano caiu ainda mais de patamar. Virou meramente um papagaio de pirata para fotografias.

 

Vide uma declaração do governador, com Geraldo Jr. ao lado, sobre a possibilidade de a cadeira de vice ser ocupada pelo PSD de Otto Alencar. Sem nenhum constrangimento, o emedebista manteve o sorriso amarelo enquanto ouvia o chefe diminuir as chances de manter uma parceria para outubro. Enquanto isso, o MDB envidava esforços para que não apenas a vaga de vice permanecesse com o partido como também fosse Geraldo Jr. a continuar no posto.

 

Geddel Vieira Lima foi a voz mais robusta nesse caminho. O cacique do MDB deixou claro que não aceitaria ver Geraldo Jr. limado do processo sem ter uma destinação considerada justa e com hombridade (visto que o cadafalso da eleição de 2024 foi alimentado especialmente por líderes maiores do PT baiano como Jaques Wagner). E o tema acabou nacionalizado, em meio aos esforços do entorno de Luiz Inácio Lula da Silva em manter os emedebistas próximos o suficiente para não caírem no colo do adversário (até substituir Geraldo Alckmin como vice teria sido cogitado, superando o trauma de Michel Temer). Ao que se percebe até aqui, foram esforços em vão.

 

Ainda que seja mantido como vice na chapa de Jerônimo para o próximo pleito, Geraldinho tornará o apelido no diminutivo quase que imperativo. A condição de “traído” cairá como uma luva para quem mostrou lealdade até quando houve esforços reiterados para humilhá-lo. Haja resiliência. Todavia, é mais um exemplo de que a política imita a vida. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Ser vice em uma chapa para eleições na Bahia tem sido mais árduo do que se imagina.

Opinião: Zé Cocá vai de vice dos sonhos a Judas Iscariotes num piscar de olhos de Rui Costa
Foto: Gabriel Lopes/ Bahia Notícias

Ainda prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP) foi de vice dos sonhos a Judas Iscariotes para o grupo político que controla o governo da Bahia. A mudança radical foi em um curto espaço de tempo, dadas as apostas que, até há alguns poucos meses, o colocavam como um bom nome para ocupar a cadeira de vice na tentativa de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT). Coube ao ex-governador Rui Costa (PT) explicitar a pecha de traidor de Cocá, ex-prefeito em dois mandatos de Lafaiete Coutinho e, em breve, de dois mandatos na Cidade Sol. É o republicanismo teórico que só cabe quando serve para criticar adversários.

 

Entre ser prefeito de dois municípios, Zé Cocá exerceu um mandato temporário na Assembleia Legislativa da Bahia. À época, o Progressistas era base aliada de Rui Costa (João Leão era vice-governador), porém, ainda assim, o então governador dividiu o palanque em Jequié com uma candidatura do PSD - por questões não exclusivamente políticas, visto que a primeira-dama Aline Peixoto insistiu para que o deputado estadual fosse candidato dele nas urnas. Quando ganhou as eleições, Cocá fez movimentos para se aproximar ainda mais do governo do governo e houve reciprocidade de Rui. O resultado foram obras e intervenções na cidade governada por ele, tanto enquanto Rui estava no Palácio de Ondina quanto após a ascensão dele a ministro da Casa Civil (e todo o poderio de gerentão que o acompanha).

 

Reeleito em 2024 com o melhor percentual da Bahia - mais de 90% dos votos -, Zé Cocá se tornou a "menina dos olhos" do governo, na região de origem de Jerônimo, onde o próprio governador não possui votos próprios. Antes mesmo do processo de fritura do atual vice, Geraldo Jr., capitaneado por Rui Costa, o nome do prefeito de Jequié subiu nas bolsas das "bets dos bastidores": era o nome ideal para enfraquecer a oposição, pois a trajetória no PP seria um golpe de misericórdia contra os adversários. No entanto, nem todos acompanharam a estratégia. Especialmente, o principal envolvido - e interessado - na história: o próprio Zé Cocá.

 

Político conhecedor dos meandros das articulações, ao longo dos últimos meses, o prefeito de Jequié deu sinais trocados. Ora deixaria a oposição para se juntar ao governo, ora seria um apoiador da oposição na região que comanda, associado a cerca de 15 prefeitos. Quando estava ao lado do governo, era um exemplo de gestor. Quando flertava com a oposição, era um indeciso que preferia não sair do muro. Agora, que se encaminha para ser anunciado como vice na chapa do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), Zé Cocá se transmuta em pária para Rui, como se os laços pretéritos que os unem não tivessem nascido em uma rede que incluiu traições do lado do governo.

 

Apesar da condição de Judas estampada pelo governo e por Rui, Zé Cocá é sim o "vice dos sonhos". Entretanto, para a chapa da oposição ao petismo na Bahia. E, dentro da democracia e do republicanismo que Rui e seus compadres tanto pregam, não há espaço para rebaixar a política a adjetivos mesquinhos. Ainda mais quando quem os profere acumula relações bem pouco fiéis e leais. E olha que nem tive linhas para relembrar episódios com Lídice da Mata, Fernando Haddad, Jaques Wagner, Angelo Coronel, Geraldo Jr. e o próprio Jerônimo Rodrigues. Às vezes, olhar o próprio umbigo faz bem para quem fala sobre os outros. Zé Cocá pode sair maior dessa eleição do que ao entrar, ainda que as urnas possam não ser favoráveis a ele. (Atualizado às 12h03 para corrigir a informação sobre o apoio de Rui Costa a Zé Cocá em 2020)

Opinião: Lodo do Banco Master também atinge muita gente na Bahia
Foto: Claudio Gatti

O escândalo do Banco Master tem abalado estruturas da República, especialmente nos altos círculos do poder em Brasília. Os sucessivos vazamentos ampliam as especulações de quem pode ser atingido pelo lodo revolvido por Daniel Vorcaro e a trupe dele. Todavia, na Bahia, o alerta vem de ativos adquiridos e posteriormente vendidos pelo Banco Master, ligados ao CredCesta, que serviram de catapulta para que o banco escalonasse o acesso a movimentações financeiras milionárias.

 

Apesar da tendência a demonizar as relações criadas entre as elites políticas e econômicas, é preciso ter cuidado para não colocar tudo em um mesmo balaio. Há promiscuidade nessas relações – dada as especificidades das informações que circularam relacionadas a Vorcaro. Todavia, nem todo contato resultou em conexões sombrias para enriquecimento ilícito e/ou desvios de recursos públicos. Por essa razão, a investigação formal, feita pelas autoridades competentes, é fundamental para que os desdobramentos não afetem os rumos do Brasil – e da Bahia, já que uma parte importante do escândalo registra o nascedouro aqui.

 

Até aqui, políticos baianos das mais diversas matizes foram citados, direta ou indiretamente, por proximidade com um coadjuvante no episódio do Master, o empresário Augusto Lima. A começar pela venda da Cesta do Povo para ele, durante a gestão do então governador Rui Costa e sob influência do então secretário do Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner. Depois, já durante o governo de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, os laços se estenderam ao então ministro da Cidadania, João Roma.

 

Na última semana, foi a vez de ACM Neto aparecer na tela, com o recebimento de R$ 3,6 milhões do Banco Master, identificados por notas fiscais emitidas por uma empresa da qual ele é sócio. Ou seja, da mesma forma que os tentáculos de Vorcaro se espraiam em Brasília, o caminho é similar na Bahia. No caso de ACM Neto, entretanto, foi a primeira vez em que apareceram cifras ao lado de um nome da cena política baiana, ainda que tudo registrado e, pelas justificativas dadas, lícito.

 

A lógica do uso das folhas de pagamento funcional para crédito consignado, criticada após a publicação de que a prefeitura de Salvador concedeu exclusividade ao CredCesta, se repete entre o funcionalismo estadual e não houve o mesmo alarde. E, no caso do governo da Bahia, os limites para consignado junto a esse ente bancário é maior do que para outros similares. Prefeituras da Bahia, como Alagoinhas e Ilhéus, também usaram o mesmo expediente para “garantir” acesso a crédito aos servidores públicos utilizando o modelo criado a partir da venda da Cesta do Povo para a iniciativa privada. À época da assinatura dos convênios, os gestores eram do PSD, o que acaba por confirmar que a teia de relações políticas e econômicas não obedece a ideologia – e não necessariamente são ilegais ou imorais.

 

É óbvio que ilicitudes devem ser investigadas e punidas. Contudo, a partir de vazamentos seletivos e limitados, é preciso tomar muito cuidado para não criminalizar ainda mais a atividade política que, por vezes, é problemática. Para Vorcaro e companhia chegarem aonde chegaram foi necessário desenvolver habilidades que incluem o trânsito com atores do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. E com todos os espectros políticos possíveis. Sob o risco de vivermos um vórtex parecido com a Operação Lava Jato que, ao fim e ao cabo, nos legou bem menos do que prometeu.

Opinião: Números de Flávio Bolsonaro viram um problema para “direita limpinha” e ACM Neto
Fotos: Edilson Rodrigues/ Max Haack

Ainda que parte da direita brasileira celebre que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tenha aparecido bem em sondagens de opinião para a Presidência da República, na Bahia qualquer consolidação do filho de Jair Bolsonaro como único candidato viável desse estrato político preocupa ACM Neto (União). Pesquisas quantitativas e qualitativas apontam que a associação com o clã Bolsonaro torna um candidato pesado demais para enfrentar a tendência lulopetista observada na Bahia desde 2002.

 

Há quatro anos, ACM Neto optou por não se comprometer na corrida pelo Palácio do Planalto. No primeiro turno, fingiu apoiar a candidatura do próprio partido, de Soraya Thronicke, enquanto, no segundo turno, dava indícios de não ser a favor de um novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva ao mesmo tempo em que mantinha distanciamento regulamentar de Bolsonaro. Permaneceu em cima do muro, apesar dos adversários o colocarem dia sim e outro também como bolsonarista de carteirinha – o que, frisemos, nunca foi um fato.

 

Para essa “direita limpinha”, o cenário ideal era que Bolsonaro e sua estirpe fossem afastados da cena política. Até o final do ano passado, quando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ainda flertava com a candidatura a presidente, tudo parecia bem. Porém, sabedor que perderia ascendência sobre um orbe que segue a família independente de qualquer coisa, Jair fez uma opção, da prisão, de lançar o filho mais velho como sucessor do legado familiar. A história do bolsonarismo, então, passa a ser reescrita com uma versão mais leve e menos densa, como uma pitada de moderação que inexistiu desde 2018.

 

Agora, com Flávio se mostrando competitivo eleitoralmente, esse grupo político precisa traçar um cenário em que existe uma alternativa da direita que não passe pelo clã fluminense – especialmente no Nordeste, onde Lula e as políticas com perspectiva social adotadas fazem diferença no dia a dia da população. Para ACM Neto, essa possibilidade seria a candidatura do PSD, seja com o ex-correligionário Ronaldo Caiado, seja com nomes tão menos expressivos eleitoralmente quanto, como Ratinho Jr. e Eduardo Leite.

 

Contudo os números apresentados até aqui pelos nomes do partido de Gilberto Kassab mostram que não vai ser fácil manter uma candidatura até o fim, principalmente se o capital financeiro fizer uma opção clara por Flávio Bolsonaro – ou mesmo por Lula, dado que a perspectiva de vitória move montanhas para interesses econômicos. Caso Kassab e a turma da terceira via siga com viabilidade excessivamente questionável, a eleição nacional tende a manter a polarização vista nos dois últimos pleitos, com a possibilidade até de uma decisão em um único turno (improvável, convenhamos).

 

A oposição na Bahia precisa de uma candidatura de direita que não seja bolsonarista para chamar de sua para tentar lidar com a força de Lula já consolidada por essas bandas. ACM Neto sabe disso e não deixa de trabalhar para que haja uma alternativa que o permita criticar os governos petistas sem o jogar integralmente para o lado de Flávio Bolsonaro. Além, é claro, de resistir à pressão que o PL vai fazer para que a dobradinha entre a candidatura dele e Flávio exista na campanha. Sob o risco de entrar na disputa com sérios problemas para ele próprio se manter viável.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Enquanto Patinhas chegou mudando a cara do Soberano, o Propagandista luta para orientar o Molusco enquanto enfrenta o fogo cruzado. Mas ninguém passou por mais climão do que Lero, que depois da fritura teve que postar a foto com a fritadeira. Já Maistarde apostou mesmo no churrasco. Mas também teve sobremesa, porque é tanto abacaxi pra descascar no novo cargo... No final das contas, é como diz a Baixixa: ninguém quer mais uma ideologia pra viver. Saiba mais!

Pérolas do Dia

Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Ricardo Stuckert/PR

"Precisamos jogar fora o complexo de vira-lata, de achar que somos pequenos e que não temos nada. A gente precisa querer ter para poder fazer". 

 

Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao afirmar que o Brasil precisa “jogar fora o complexo de vira-lata”. A declaração foi feita durante um evento em São Paulo.

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