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STJ marca julgamento de ministro acusado de assédio sexual

Por Redação

Foto: Raphael Alves / Tribunal de Justiça do Amazonas
Foto: Raphael Alves / Tribunal de Justiça do Amazonas

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) marcou para o dia 6 de agosto o julgamento do ministro afastado Marco Buzzi, alvo de duas acusações de assédio sexual. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defende a aposentadoria compulsória de Buzzi – penalidade máxima prevista atualmente na Lei Orgânica da Magistratura Nacional – dentro de uma sindicância interna do Tribunal. Buzzi nega as acusações.

 

Em parecer encaminhado ao STJ neste mês, a PGR endossou os depoimentos de duas mulheres contra Buzzi: uma jovem de 18 anos, que o acusa de tentar agarrá-la numa praia de Balneário Camboriú (SC), em janeiro deste ano, durante férias com a família do próprio ministro; e uma servidora que trabalhou no gabinete de Buzzi como secretária e relatou sete episódios de assédio e importunação sexual ocorridos entre 2023 e 2025.

 

Os episódios de assédio incluem abordagens de Buzzi com toques físicos nas nádegas da servidora em ambientes como o corredor do gabinete e na própria sala do ministro, onde ela tentou ajudá-lo a colocar um pendrive no computador. O relato da vítima foi corroborado por familiares, um namorado, assessores e até a chefe de gabinete de Buzzi. Todos os nomes também foram omitidos da reportagem pelo fato do processo tramitar em sigilo e para preservar tanto a vítima quanto as testemunhas que colaboraram com as investigações.

 

Na avaliação de ministros do tribunal ouvidos reservadamente pelo blog, o parecer da PGR é contundente, expõe a fragilidade dos argumentos de Buzzi e dá força à tese de punição disciplinar numa das maiores crises de imagem enfrentadas pelo tribunal em sua história, em um momento em que o STJ “frequenta” as páginas policiais por conta de outro escândalo – a investigação sobre um esquema de venda de sentenças judiciais.

 

“Acho muito difícil o Buzzi escapar de uma consequência”, prevê um ministro do STJ ouvido em caráter reservado a coluna de Malu Gaspar do Jornal O GLOBO.

 

DISFUNÇÃO ERÉTIL

No parecer em que pede a aposentadoria compulsória de Buzzi, a PGR rebateu o laudo médico de disfunção erétil apresentado pela defesa do magistrado e afirmou que a “disfunção sexual moderada” não exclui a possibilidade de assédio.

 

O laudo médico de “avaliação da função sexual” tem sido usado pela defesa de Buzzi para tentar colocar em xeque a versão das vítimas. Assinado em fevereiro por um especialista em urologia, o documento afirma que “o conjunto de evidências clínicas, laboratoriais e funcionais” do ministro não “respalda hipótese de função sexual exacerbada”.

 

“Ao contrário, o paciente apresenta comprometimento multifatorial da função sexual masculina, caracterizado por hipoandrogenismo, disfunção erétil moderada, ausência de ejaculação anterógrada e falta de adesão terapêutica e de seguimento médico recente”, afirma o médico Jairo Lyra de Andrade Filho, ao avaliar a o histórico clínico do magistrado.

 

O argumento, no entanto, não convenceu o subprocurador-geral da República José Adonis, que assina o parecer de 57 páginas da PGR que pede a punição do magistrado com a aplicação de aposentadoria compulsória.

 

“O documento, que conclui pela disfunção moderada apresentada pelo paciente, não traz qualquer referência que permita excluir a possibilidade da prática de assédio sexual pelo requerido”, rebateu o subprocurador.