Opinião: Campanha de 2026 chega ao final "morna" e com espaço aberto para vitória de Jerônimo Rodrigues ou de ACM Neto
Por Fernando Duarte
O acirramento da disputa eleitoral na Bahia, registrada em pesquisas divulgadas por diversos veículos de imprensa, não reflete a temperatura das eleições de 2026. Quando questionados, os políticos relatam não haver o clima de campanha, típico de outros pleitos. Parte deles considera que a população apenas não engajou como em eleições passadas. Parte admite que o descrédito com o processo político ficou mais evidente. Em resumo, na semana das urnas, parece que a campanha não existiu por inteira.
Os baianos vão para as seções eleitorais lidando com a repetição das opções do segundo turno de 2022. Diferente de quatro anos atrás, quando Jerônimo Rodrigues (PT) já ultrapassava ACM Neto (União) em algumas pesquisas. Agora, por mais que a "boca de jacaré" tenha fechado, o ex-prefeito de Salvador ainda aparece à frente. É um cenário incomum para quem enfrenta um candidato à reeleição com a máquina na mão. Há 20 anos no comando da Bahia, o PT enfrenta o desgaste natural do tempo e lida com um quadro bem menos favorável à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Os dois lados puxam sardinha pros próprios projetos. Jerônimo é favorito para a esquerda e o arco de alianças dele. ACM Neto é favorito para a oposição, que aposta as fichas na vitória da "mudança". Quem ousar cravar hoje quem sai vitorioso das urnas trabalha bem com futurologia e previsões, pois é um exercício além da matemática eleitoral - e olha que dos dois lados há bons verificadores.
A campanha de 2026 foi tragada por escândalos nacionais, especialmente envolvendo o Banco Master. Colateralmente, aconteceram tentativas de danos em ambos os grupos políticos baianos - vide o uso político feito pelos adversários contra ACM Neto, Jaques Wagner e até mesmo Otto Alencar. No entanto, um certo nível de apatia impediu que houvesse uma aderência mais firme entre esses esforços dos adversários e as candidaturas. Tanto que, para o "grosso" do eleitorado, nem mesmo áudios com declarações de irmandade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro parecem ter impactado tanto nas intenções de voto.
Chegamos na semana eleitoral com alguns diagnósticos ruins: instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF) se tornaram protagonistas em disputas partidárias; o brasileiro está com pouca paciência para participar ativamente da política; e o próprio sistema mostrou ser mais corruptível do que o já tolerante nível de aceitação do eleitor. Votar no domingo (4) é uma obrigação, mas está longe de ser a festa da democracia inspirada nos atenienses do passado. Talvez seja aí a grande mácula do processo: o tecido social foi tão esgarçado, que a aposta na ruptura se torne iminente.
Para servir de consolo, pelo menos na Bahia, não temos figuras autoritárias como potenciais eleitos. No máximo, um flerte aqui e acolá com conceitos pouco apropriados para o Estado - dos dois lados da moeda, inclusive. É tentar escolher o melhor sem que ele seja, necessariamente, o menos pior.
