Oposição usa eleitoralmente afastamento de secretário da prefeitura de Salvador
Por Fernando Duarte
Ainda que a gestão da prefeitura de Salvador em si não tenha sido alvo direto da operação do Ministério Público da Bahia que afastou Luciano Sandes da Secretaria Municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, o episódio serviu de força-motriz para que adversários “grudassem” a investigação à administração de Bruno Reis. As suspeitas de superfaturamento e fraudes em licitações são graves e precisam ser apuradas. No entanto, antes mesmo de detalhes se tornarem públicos, a oposição a Bruno Reis e ao União Brasil aceleraram a tentativa de jogar a crise no colo do grupo político liderado na Bahia por ACM Neto.
O ato de afastar Sandes da secretaria foi uma determinação judicial. Todavia, a prefeitura tentou mostrar efetividade ao anunciar, assim que se tornou pública a operação, a exoneração dele do cargo. Foi um paliativo para conter o impacto negativo que, porventura, caminhava velozmente para ser instalada no primeiro escalão do Palácio Thomé de Souza. Em termo de gestão de crises, houve celeridade no processo.
As medidas não impediram que a oposição à prefeitura “sambassem” em cima dos adversários, com menções explícitas ao fato que Sandes e parte dos alvos do MP-BA estavam na prefeitura desde a administração de ACM Neto. Da mesma maneira que a prefeitura agiu para conter danos, o entorno do governo estadual não poupou esforços para “colar” o escândalo na gestão municipal. Foram falas de ex-secretários, de deputados e de vereadores – estes últimos mais discretos, diante de um par também estar enrolado na operação. E, claramente, em um movimento bem orquestrado e dialogado para desgastar a imagem de Bruno Reis e de ACM Neto.
Por enquanto, não é possível mensurar o impacto da ação do MP-BA contra o agora ex-secretário, o vereador afastado Gordinho da Favela e do grupo de empresários sobre a percepção pública – e eleitoral – do grupo político de ACM Neto. Entretanto, é importante pontuar a atuação estratégica dos adversários, que utilizaram a ação para garantir dividendos eleitorais, enquanto, em outros casos, houve cautela de aliados da prefeitura de Salvador antes de associar operações ao lado oposto.
Um exemplo recente é o a fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o senador Jaques Wagner e o secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Sodré. Publicamente, a instrumentalização da ação não coube aos integrantes do “núcleo duro” de ACM Neto. O caso da condenação do deputado estadual Binho Galinha (Avante), membro da base aliada estadual, foi ainda pior: ninguém se arvorou a fazer qualquer associação.
As razões pelas quais os dois grupos adotam posturas diferentes não ficam claras. À população, cabe esperar para entender tanto as implicações legais das operações quanto as consequências eleitorais das estratégias exploradas de um lado e de outro.
