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Alcione pede que parem de criticar falha no hino com Belo no Maracanã
Por Leonardo Volpato | Folhapress
Após a repercussão negativa de sua apresentação do hino nacional ao lado de Belo no Maracanã, Alcione usou as redes sociais para comentar o episódio e explicar o que aconteceu durante a cerimônia antes do amistoso entre Brasil e Panamá, realizado no domingo (31).
Em vídeo publicado em seu perfil, a cantora afirma que problemas técnicos prejudicaram o desempenho dos artistas no retorno de áudio. A apresentação viralizou nas redes sociais após internautas apontarem falta de sintonia entre os cantores em alguns trechos da execução.
"Quer dizer que vocês estão acabando comigo por causa da minha cantoria no Maracanã, eu e Belo, do hino nacional? Eu canto o hino desde menina, no corredor da escola. Antes de entrar na sala de aula, a gente tinha que cantar", disse Alcione. "Quero dizer a vocês que aquilo foi uma falha técnica. A gente não estava se ouvindo, parecia que o som dava uma volta."
A declaração reforça a versão apresentada pela assessoria da artista ao F5. Segundo a equipe, a base instrumental chegava com atraso aos fones de ouvido de Alcione e Belo, provocando um efeito de delay que dificultou o acompanhamento da música. O desencontro teria causado os momentos de hesitação observados durante a apresentação.
Em alguns trechos, Alcione chegou a interromper o canto, enquanto Belo aparentou se atrapalhar com a letra. Apesar das dificuldades, a dupla seguiu até o fim da execução do hino. O episódio rapidamente ganhou destaque nas redes sociais, dividindo opiniões entre críticas e manifestações de apoio aos artistas.
No vídeo, Alcione também agradeceu às pessoas que saíram em sua defesa e minimizou o ocorrido. "Quero que vocês saibam que isso pode acontecer com qualquer pessoa. Quero agradecer a todos os colegas e pessoas que entendem do assunto e que foram me defender. Muito obrigada, gente. E não fiquem me arrasando por aí, tá?", pediu a cantora.
Um veículo roubado no Subúrbio Ferroviário de Salvador foi recuperado pela Polícia Militar na noite de quarta-feira (3), no bairro de São Caetano. O carro foi localizado após a vítima informar aos policiais a localização indicada pelo sistema de rastreamento.
Segundo a PM, equipes da 9ª CIPM faziam patrulhamento na localidade conhecida como Brejal quando foram acionadas pelo proprietário do automóvel. Ele relatou que havia sido assaltado na Rua Afrânio Peixoto e que o GPS apontava o veículo na Rua Dom Luiz Vasconcelos, em São Caetano.
Com base nas informações, os policiais seguiram até o endereço indicado e encontraram o carro.
O automóvel foi encaminhado para a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV), onde a ocorrência foi registrada e serão adotadas as medidas cabíveis.
Duas mortes com indícios de causas naturais ocorreram na madrugada desta quinta-feira (4). Os casos ocorreram em um intervalo de menos de duas horas nas localidades de Mutans, em Guanambi, e no Povoado da Brasileira, em Palmas de Monte Alto, deixando as comunidades do sudoeste baiano em alerta enquanto as autoridades aguardam os laudos periciais para a confirmação dos óbitos.
As informações sobre as ocorrências foram divulgadas pelo portal Achei Sudoeste, parceiro do Bahia Notícias na região, e mobilizaram as equipes do 17º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e do Departamento de Polícia Técnica (DPT).
CASO DE GUANAMBI
A primeira ocorrência foi registrada por volta de 0h06 no distrito de Mutans, zona rural de Guanambi. Acionada pelo Centro Integrado de Comunicações (Cicom), a Polícia Militar prestou apoio a uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou a morte de uma mulher de 37 anos.
Segundo relatos de familiares aos policiais, a vítima tinha um histórico de convulsões, episódios frequentes de desmaio e problemas de saúde relacionados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. O filho da mulher, uma criança de 10 anos, relatou à polícia que nenhuma pessoa estranha entrou na residência, reforçando a hipótese inicial de morte natural.
CASO DA BRASILEIRA
Pouco tempo depois, às 1h45, os policiais militares foram acionados para uma ocorrência semelhante no Povoado da Brasileira, localizado na zona rural do município vizinho de Palmas de Monte Alto. No local, um homem de 45 anos foi encontrado caído ao solo e já sem os sinais vitais.
Assim como no primeiro caso registrado, parentes da vítima informaram aos agentes que o homem fazia uso frequente de bebidas alcoólicas. Em ambos os episódios, os locais foram isolados pelos policiais militares para garantir a preservação das cenas até a chegada dos peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT).
As equipes realizaram os procedimentos padrão de praxe, incluindo registros fotográficos e análises preliminares que apontaram para a ausência de sinais de violência física. Os corpos foram removidos e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) em Guanambi, onde exames necroscópicos detalhados devem esclarecer a causa exata de cada uma das mortes.
Avião de pequeno porte cai na Croácia e mata quatro pessoas; causa do acidente é desconhecida
Por Redação
Um avião esportivo de pequeno porte caiu na manhã desta quinta-feira (4) na região da Ístria, na Croácia, matando quatro pessoas.
A aeronave despencou em uma área entre Medulin e Kaštijun, próximo ao aeroporto esportivo de Medulin. A causa do acidente ainda não foi determinada.
O chamado para a ocorrência foi registrado às 11h19 no horário local, às 6h19 no horário de Brasília. Sete bombeiros e três viaturas do Corpo de Bombeiros de Pula foram enviados ao local, com apoio de três equipes de emergência médica terrestre, uma unidade de socorro aéreo por helicóptero e agentes do Ministério do Interior croata.
Em nota, a Associação Croata de Bombeiros confirmou os quatro óbitos e lamentou o ocorrido. "A Associação Croata de Bombeiros expressa suas condolências às famílias das vítimas fatais deste acidente aéreo."
Flávio é responsabilizado por ameaça ao Pix e tarifaço em 8 de cada 10 mensagens opinativas, diz levantamento
Por Laura Intrieri | Folhapress
O senador Flávio Bolsonaro (PL) é apontado como culpado por ameaças ao Pix ou pelo novo tarifaço anunciado pelos EUA em 8 de cada 10 mensagens opinativas sobre o assunto trocadas nos mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram monitorados pela empresa de análise de dados Palver.
A responsabilização do pré-candidato do PL à Presidência, direta ou indiretamente, corresponde a 81% das publicações opinativas desses grupos.
A Palver retira dessa análise mensagens consideradas neutras, como links compartilhados sem comentário e disparos automáticos de clipping, que apenas replicam notícias sobre determinado assunto.
O monitoramento se refere ao período de 27 de maio a 2 de junho e está atrelado à viagem de Flávio aos Estados Unidos e à reunião com Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca em 26 de maio.
Desde então, aliados de Lula (PT) passaram a defender em grupos de mensageria e em redes sociais a tese de que essa aproximação representava uma ameaça ao sistema de pagamentos Pix, conteúdo reforçado a partir de segunda (1º), quando houve a nova ameaça de tarifa contra produtos brasileiros —a decisão final depende do aval de Trump.
Apoiadores de Lula tentam emplacar nas redes sociais o termo "Tariflávio" para associar o senador à crise. Políticos do centrão e mesmo aliados de Flávio avaliam que a imposição das novas tarifas é um revés para a campanha presidencial do senador.
Flávio disse que enviou na terça-feira (2) uma carta ao governo Trump para pedir que os Estados Unidos não imponham tarifas de 25% aos produtos brasileiros, como recomendou uma investigação comercial do país americano.
Na carta, endereçada ao secretário de Estado Marco Rubio, Flávio afirma que o Brasil "atravessa um período de grave deterioração fiscal e econômica" e que a imposição de novas tarifas "causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro".
Como mostrou a Folha de S.Paulo, o governo brasileiro pretende manter negociações com os EUA e vê chance de evitar a imposição das taxas sugeridas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) enquanto tentará potencializar ao máximo possível o desgaste de Flávio, principal adversário de Lula nas eleições de outubro.
A decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar CV e PCC como terroristas e reforça a pressão do governo republicano sobre o governo Lula.
Segundo o relatório da Palver, as publicações predominantes acusam o senador e a família Bolsonaro de "traição à pátria" e de alinhamento a interesses estrangeiros, além de descrever a ofensiva americana como ataque a uma conquista da população brasileira. Esse discurso repetido nas mensagens é semelhante ao que tem sido adotado por Lula em suas manifestações públicas.
Entre as mensagens que isentam Flávio, três linhas de argumentação se destacam: a classificação das acusações como desinformação ou manobra política da esquerda; a negação de risco concreto ao Pix, com publicações afirmando que o sistema não será bloqueado nem afetado; e a defesa de que a atuação do senador nos EUA mirava o combate ao crime organizado.
Essa última vertente também critica o governo Lula por reagir às medidas americanas e usar o tema para desgastar o pré-candidato do PL.
"Bolsonarismo se consolida como principal movimento de traição à pátria da história", diz uma das mensagens. "Fake news", diz outro registro, desta vez defendendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): "Lula acusa Flávio de pedir tarifa aos EUA. Sem prova. Motivo da mentira? Medo".
O recorte do levantamento reuniu publicações que citam o Pix combinadas a menções a Bolsonaro, Flávio, Trump ou Estados Unidos.
O levantamento da Palver mede o teor das mensagens que circulam em grupos públicos de WhatsApp e Telegram, não a opinião da população. Diferentemente de uma pesquisa eleitoral, não há amostra representativa do eleitorado nem margem de erro, e os números não servem de prognóstico.
Festival de Cinema de Maricá homenageia Glauber Rocha com debate sobre perseguição na ditadura
Por Redação
O cineasta baiano Glauber Rocha será o grande homenageado da terceira edição do Festival de Cinema e Política de Maricá, que acontece entre 16 e 21 de junho no Cine Henfil, no Rio de Janeiro.
A trajetória do vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes por "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" será celebrada com a presença dos filhos Ava Rocha e Eryk Rocha, além do cineasta Ruy Guerra, de 95 anos, um dos precursores do Cinema Novo e contemporâneo de Glauber.
Um dos momentos centrais do evento será um debate sobre a perseguição sofrida por Glauber durante a ditadura militar. Documentos revelados pela Comissão da Verdade mostraram que o cineasta foi monitorado mesmo no exílio, em Portugal, por conta de entrevistas críticas ao regime concedidas à imprensa estrangeira.
Operação da Polícia civil recupera sete animais furtados no interior da Bahia; saiba mais
Por Redação
A Polícia Civil da Bahia recuperou sete caprinos que haviam sido subtraídos na zona rural do município de Conceição do Coité, na quarta-feira (3). A ação faz parte da Operação Campo Seguro, que reúne uma série de medidas voltadas ao fortalecimento da segurança no campo, com foco no combate aos crimes de furto e roubo de animais, especialmente ovinos e caprinos, importante fonte de renda para pequenos produtores da região.
As investigações da Delegacia Territorial (DT/Conceição do Coité) tiveram início após o registro de boletins de ocorrência nos quais as vítimas relataram sucessivos furtos em suas propriedades rurais. Segundo os registros, os crimes vinham ocorrendo de forma recorrente nos últimos seis meses.
Durante o aprofundamento das investigações, equipes da DT e da 15ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Serrinha) realizaram diligências para localizar suspeitos envolvidos nas práticas criminosas. Em uma das ações, ao comparecerem a uma propriedade rural para o cumprimento de intimações, os policiais identificaram animais com características compatíveis com as descritas pelas vítimas.
Com a autorização do proprietário, foi realizada a conferência do rebanho, ocasião em que sete caprinos foram prontamente reconhecidos por uma das vítimas como sendo de sua propriedade. As características previamente informadas foram confirmadas no local.
Questionado pelos investigadores, o homem declarou ter recolhido os animais, alegando que eles estavam soltos e invadindo sua propriedade, causando prejuízos ao consumir sua plantação de palma.
Com a nova recuperação, a Operação Campo Seguro já contabiliza 11 caprinos recuperados. Os animais foram restituídos ao legítimo proprietário, enquanto as informações obtidas durante a diligência serão utilizadas para dar continuidade às apurações, com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos e localizar os demais animais subtraídos.
Realizado de forma inédita na capital baiana, o Congov Brasil consolidou-se como o maior congresso do país voltado à governança, inovação e modernização da administração pública. Promovido pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia em Gestão Pública (IBTG), o evento aconteceu nos dias 2 e 3 de junho, no Centro de Convenções de Salvador, reunindo especialistas, gestores e autoridades de diversas regiões do Brasil.

Ao longo dos dois dias, mais de 3 mil participantes debateram caminhos para uma administração pública mais eficiente, transparente e inovadora. O congresso transformou Salvador em um grande espaço de troca de experiências e construção de soluções voltadas ao fortalecimento da gestão pública.
O evento reuniu gestores públicos, representantes de órgãos de controle, juristas, empresas de tecnologia, procuradores, assessores jurídicos, entidades de classe e especialistas ligados às esferas municipal, estadual e federal. A diversidade do público reforçou o caráter nacional e multidisciplinar do Congov Brasil.
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Foram mais de 72 horas de conteúdo distribuídas entre palestras, workshops e painéis que abordaram temas estratégicos como governança, contratos públicos, fiscalização, compliance, transformação digital e modernização dos serviços prestados à população. A programação criou um ambiente favorável ao compartilhamento de boas práticas e soluções inovadoras aplicadas à administração pública.
Entre os destaques do primeiro dia esteve a palestra “Aplicação de tecnologias nas licitações ou contratação de inovação pela Administração pública”, ministrada por Jacoby Fernandes, um dos maiores juristas e especialistas em Direito Administrativo do país, amplamente reconhecido como referência nacional em licitações e contratos públicos.
A primeira edição do Congov Brasil também contou com a presença de importantes nomes da gestão pública nacional, como a vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos; a secretária de Gestão do Governo de São Paulo, Marcela Arruda; a presidente do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde da Bahia (Cosems-BA), Stela Souza; e o coordenador científico do congresso, Ícaro Bitar, professor e especialista em Direito Administrativo, Constitucional e Eleitoral.
No segundo dia, um dos momentos mais aguardados foi a palestra do advogado e professor Ronny Charles, considerado uma das maiores autoridades do país em Direito Administrativo, com foco em Licitações e Contratos Públicos. Durante a apresentação “Compras Públicas Inovadoras com E-marketplace”, ele compartilhou experiências e estratégias voltadas à modernização das contratações públicas.
Outro tema que despertou grande interesse do público foi o uso da Inteligência Artificial (IA) na administração pública. O advogado e especialista em Direito Administrativo Jader Esteves, referência nacional na aplicação da IA à gestão pública, conduziu palestras e workshops sobre como a tecnologia pode contribuir para tornar os processos mais modernos, eficientes e acessíveis.
Com grande adesão de público e ampla participação institucional, o Congov Brasil encerrou sua primeira edição consolidando-se como um dos principais encontros do país voltados à inovação e à governança pública.
O congresso contou com o patrocínio da Branef Govtech, empresa desenvolvedora do Programa de Gestão de Contratos e Convênios Públicos, além da Secretaria de Turismo da Bahia, Secretaria de Gestão da Prefeitura de Salvador, Banco do Nordeste e Governo do Brasil.

O evento também teve apoio institucional do Sebrae, Prefeitura de São Paulo, Ministério da Saúde, por meio do Fundo Nacional de Saúde (FNS), Conasems, Cosems Bahia, Cosems Alagoas, Undime Bahia, Secretaria de Saúde de Maringá-PR, Prefeitura de Florianópolis, Governo do Espírito Santo, Desenbahia, União dos Municípios da Bahia (UPB), Coren-BA, OAB-BA, CRA, CRC, Osid, ABRH-BA, Ucsal, Faculdade Baiana de Direito, Unime e do site Bahia Notícias.
Brasil registra 450 partos de crianças e adolescentes por dia, diz relatório
Por Giulia Peruzzo | Folhapress
Dados do relatório nacional do Observatório Criança Não é Mãe mostram que o Brasil registrou 822.892 nascidos vivos de mães de 8 a 17 anos entre 2019 e 2023. Isso significa que cerca de 450 crianças e adolescentes deram à luz todos os dias no país; destas, 45 tinham menos de 15 anos.
O observatório reúne dados de quatro bases públicas do SUS (Sistema Único de Saúde): Sinasc (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos), Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) e SIH (Sistema de Informações Hospitalares), e é uma iniciativa do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Nesta edição, o levantamento foi ampliado para além do município de São Paulo, com recorte nacional, e incorporou variáveis antes pouco exploradas, como escolaridade, estado civil, deslocamento para acesso ao aborto legal, recortes regionais e raciais.
Das meninas de 8 a 14 anos que deram à luz, 74,67% eram negras (pretas e pardas). No conjunto, a gravidez em meninas negras é 3,75 vezes mais frequente do que em brancas. Das 529 mortes registradas entre 2019 e 2024, quase 70% ocorreram entre adolescentes negras.
No Brasil, o ato sexual antes dos 14 anos é considerado estupro de vulnerável e a gravidez é considerada de risco para a vida da gestante.
Para a advogada Letícia Ueda, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, esse desenho mostra como o racismo está estruturado dentro da sociedade. "O que vemos é que essas meninas estão em um ciclo de vulnerabilidade muito grande", diz.
Entre 2019 e 2024, o Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) contabilizou 399.416 casos de violência contra meninas de 8 a 17 anos, sendo 137.860 casos de violência sexual —22.282 desses episódios coincidiram com gestação.
Apesar de o aborto legal ser garantido nesses contextos, apenas uma em cada 19 meninas que engravidam em decorrência de violência teve acesso ao procedimento previsto em lei, aponta o relatório.
Ueda diz que "tem um grande nível de desinformação sobre aborto legal no Brasil, seja da população em geral que não sabe o seu direito, então não consegue exigi-lo porque não consegue nomeá-lo, e de profissionais da saúde também que não têm isso abordado dentro dos seus próprios currículos".
O ginecologista Olímpio Barbosa, membro da Comissão Nacional Especializada em Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista Em Lei e vice-presidente da região Nordeste da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia) afirma que há poucos serviços de atendimento ao aborto previsto em lei no Brasil, principalmente em áreas mais remotas.
Muitas vezes, diz, quando a menina procura ajuda, ela não tem o apoio da rede de saúde, que está "contaminada por ideologia e misoginia" que obriga a menina estuprada a levar adiante a gravidez.
Na última terça-feira (2), o Senado aprovou um projeto que derruba uma resolução do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) com diretrizes sobre aborto legal em crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
A resolução virou alvo de parlamentares por agilizar o acesso à interrupção legal da gravidez quando decorrente de estupro, garantindo o direito sem atrasos ou constrangimentos. O projeto aprovado no Senado pode fazer com que o acesso se torne ainda mais difícil para essa população.
O estudo registra 1.214 casos de peregrinação de meninas em busca do aborto legal entre 2019 e 2024, inclusive com trajetos intermunicipais ou interestaduais que chegaram a superar 1.600 km.
Em 2024, apenas no grupo de até 14 anos, houve 14.608 internações por complicações associadas à gestação, parto ou aborto —uma média de 40 internações por ano por cada dia, sendo 70,94% dessas internações de meninas negras e pardas.
Barbosa afirma que a gravidez e o parto na infância e na adolescência apresentam maior risco para a saúde do que na vida adulta. Ele lista complicações como pré-eclâmpsia, anemia na gravidez, parto prematuro, parto distóxico, hemorragia e hipertensão, que se tornam mais frequentes.
"Muitas vezes aquele corpo não está preparado nem para gravidez, nem para o parto", diz o médico. "Criança não é mãe, então criança não deveria engravidar."
Segundo ele, uma forma eficaz de evitar a gravidez nessa etapa da vida é o combate à violência sexual infantil, o uso de contraceptivos e o acesso à informação. Além disso, os dados levantados mostram que das crianças de 8 a 14 anos que deram à luz, 90,34% apresentavam escolaridade abaixo do esperado para a idade, índice que se mantém elevado entre as mais velhas (83,4% aos 17 anos).
Aos 11 anos, a taxa de escolaridade inadequada atinge 70,83% entre as casadas, enquanto para as solteiras esse índice é de 39,82%; já nas idades de 12 e 13 anos, as crianças casadas apresentam mais que o dobro de defasagem escolar em relação às solteiras, com taxas de 42,86% e 23,26%, respectivamente.
Segundo o relatório, existem cerca de 34 mil crianças de até 14 anos vivendo uma união conjugal no Brasil. No ordenamento jurídico brasileiro, qualquer relação sexual com crianças de até 14 anos configura crime de estupro de vulnerável, independentemente de haver uma "união conjugal" ou consentimento.
"A gente pode dizer que a gravidez e o casamento têm correlação direta com níveis educacionais dessas meninas", afirma Ueda. "E mais do que isso, na pesquisa a gente não conseguiu monitorar a vida escolar dessas meninas depois do parto, mas quais serão os efeitos disso depois?"
Parlamentares de esquerda acionaram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para solicitar que o financiamento do documentário "Dark Horse", que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, seja investigado no âmbito do inquérito do Banco Master, sob relatoria do ministro. A informação foi originalmente revelada pelo Lauro Jardim, do jornal O Globo.
De acordo com a petição apresentada à Corte, há indícios de conexões entre o núcleo econômico-financeiro ligado ao banco e a produção do longa-metragem, que foi financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Os parlamentares também apontam suspeitas envolvendo a produtora e a Organização Não Governamental (ONG) associadas ao filme, além de contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo.
RECURSOS PÚBLICOS
O documento enviado ao STF cita, como exemplo, uma recente operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo que investiga suspeitas de irregularidades no programa municipal "Wi-Fi Livre SP", voltado à instalação de pontos públicos de internet. Entre os alvos dessa apuração em território paulista figuram entidades relacionadas ao documentário "Dark Horse" e a produtora Karina Gama.
Outro ponto destacado pelos parlamentares refere-se ao patrocínio de R$ 3,5 milhões concedido pelo município de São Paulo a uma feira gospel. A organização desse evento evangélico também esteve sob a responsabilidade de Karina Gama.
Para os autores da petição, as transações financeiras revelam um "eixo comum" e uma possível circulação de verbas públicas e privadas envolvendo o mesmo grupo de pessoas, entidades e estruturas empresariais, o que justificaria a unificação dos casos sob a relatoria do ministro André Mendonça.
"A apuração fragmentada pode impedir a compreensão global dos fatos, especialmente quanto à origem, circulação, destino e eventual triangulação de recursos", sustenta trecho da petição à qual o jornal O Globo teve acesso.
Os deputados Luciene Cavalcante (Psol) e Carlos Giannazi (Psol), em conjunto com o vereador paulistano Celso Giannazi, solicitaram que o magistrado determine a preservação de todos os documentos, mensagens e registros de comunicação dos envolvidos. Eles também pedem que o STF requisite o envio de inquéritos policiais e processos administrativos em andamento em outros órgãos que versem sobre o tema.
Em outra frente de investigação na Suprema Corte, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste a respeito de um pedido para ampliar o escopo do inquérito que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A manifestação solicitada visa avaliar a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro no rol de investigados desse caso.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luiz Inácio Lula da Silva
"Eu fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque ele é um dos melhores advogados desse país, ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer? Eu vou mandar o Messias outra vez. Por respeito à função presidencial, sou eu que indico".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao confirmar que vai enviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF). O AGU teve sua primeira indicação rejeitada no Senado no último dia 29 de abril.