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igreja de nossa senhora da graca
O Studio Argolo Restaurações Ltda respondeu à notificação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), enviada em março e divulgada em 10 de abril pelo Bahia Notícias, que apontou “patologias” na conservação da Igreja de Nossa Senhora da Graça, localizada na Avenida Princesa Leopoldina.
Uma das primeiras igrejas do Brasil, sendo erguida antes mesmo da fundação de Salvador na primeira metade do século XV, o prédio é gerido pelo Mosteiro de São Bento da Bahia.
Segundo o Studio Argolo, a área artística da Igreja vem passando por restaurações desde 2017. Com quase 10 anos de trabalho em curso, o grupo destacou que "a obra vem sendo demorada, uma vez que, em virtude de recursos escassos, os restauros vêm sendo feitos com aportes do próprio Mosteiro de São Bento e mediante doações de devotos da Igreja da Graça."
Nesse sentido, a previsão é que a última etapa seja entregue em 31 de maio. "A obra vem sendo executada sem qualquer contratempo, aplicando conceitos modernos de restauração, ocorrendo, nestes últimos meses, a fixação dos últimos elementos decorativos aos seus espaços originais", diz a nota enviada pelo Studio à imprensa.
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Foto: Divulgação / Studio Argolo Restaurações Ltda
Especialmente no que tange à notificação do Iphan, o Studio Argolo explica que "a visita do IPHAN à igreja ocorreu, portanto, há 14 meses e a notificação relatada nas reportagens ainda não chegou ao Mosteiro, por ser enviada por AR, conforme relatado por aquele Instituto", sucinta. Desta forma, as supostas faltas apresentadas pelo Instituto seriam equivocadas ou corrigidas ao longo da restauração.
A empresa cita que o Iphan atestou que o equipamento se encontrava em bom estado de conservação e a nave apresentava "excelente estado de conservação", exceto pelos seguintes pontos:
"a) Falta de algumas telhas em beirais - Essa falta não vem provocando nem nunca provocou qualquer infiltração dentro da igreja, conforme diuturnamente vimos acompanhando. O telhado apresenta, portanto, total higidez. b) Pinturas da fachada em descolamento - A fachada foi repintada há vários meses c) Falta de alguns elementos no coro da igreja - Não faltavam: estavam restaurados, adequadamente guardados em recinto fechado da igreja e esperando a sua fixação no local de origem, após a consolidação do suporte em que voltariam a incorporar-se; este retorno foi paulatinamente executado, à medida que os suportes foram restaurados. As talhas em referência podem ser vistas nas fotos anexas.", diz a nota do Studio.
A nota destaca, por fim, que "O IPHAN sempre mereceu o maior respeito do Mosteiro de São Bento e do Studio Argolo, uma vez que a defesa e a proteção do patrimônio brasileiro se circunscrevem como missões das mais nobres em nosso país".
Confira a nota na íntegra:
"1. O Studio Argolo, Restaurações Ltda., desde 2017 vem executando restaurações na área artística da Igreja da Graça, conforme projeto aprovado pelo IPHAN e pelo PRONAC.
2. A finalização da obra vem sendo demorada, uma vez que, em virtude de recursos escassos, os restauros vêm sendo feitos com aportes do próprio Mosteiro de São Bento e mediante doações de devotos da Igreja da Graça.
3. A restauração está em sua última etapa, devendo ser finalizada até 31 de maio, quando convidaremos a imprensa para mostrar os trabalhos executados e a demonstração de que o templo retornou à sua estética original e encontra-se em excelente conservação.
4. A obra vem sendo executada sem qualquer contratempo, aplicando conceitos modernos de restauração, ocorrendo, nestes últimos meses, a fixação dos últimos elementos decorativos aos seus espaços originais.
5. A visita do IPHAN à igreja ocorreu, portanto, há 14 meses e a notificação relatada nas reportagens ainda não chegou ao Mosteiro, por ter sido enviada por AR, conforme relatado por aquele Instituto. Assim, somente agora chegou-nos ao conhecimento os seguintes aspectos detectados por aquele órgão, embora tenha reconhecido que o equipamento se encontrava em bom estado de conservação e a nave apresentava "excelente estado de conservação", ressalvando:
a) Falta de algumas telhas em beirais - Essa falta não vem provocando nem nunca provocou qualquer infiltração dentro da igreja, conforme diuturnamente vimos acompanhando. O telhado apresenta, portanto, total higidez.
b) Pinturas da fachada em descolamento - A fachada foi repintada há vários meses
c) Falta de alguns elementos no coro da igreja - Não faltavam: estavam restaurados, adequadamente guardados em recinto fechado da igreja e esperando a sua fixação no local de origem, após a consolidação do suporte em que voltariam a incorporarse; este retorno foi paulatinamente executado, à medida que os suportes foram restaurados. As talhas em referência podem ser vistas nas fotos anexas.
d) O Mosteiro de São Bento ainda não recebeu oficialmente a notificação do IPHAN, mas, tão logo ocorra, serão apresentados esclarecimentos e agendamento de revisão dos beirais.
e) O IPHAN sempre mereceu o maior respeito do Mosteiro de São Bento e do Studio Argolo, uma vez que a defesa e a proteção do patrimônio brasileiro se circunscrevem como missões das mais nobres em nosso país.
f) Seguem fotos, que demonstram a beleza e a conservação da capela-mor e da nave da igreja, provas inequívocas da inexistência de qualquer infiltração de água em suas dependências."
Uma das primeiras igrejas do Brasil, sendo erguida antes mesmo da fundação de Salvador na primeira metade do século XV, a Igreja de Nossa Senhora da Graça, localizada na Avenida Princesa Leopoldina, foi alvo de uma vistoria no âmbito de uma força-tarefa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O ato resultou em uma notificação ao Mosteiro de São Bento da Bahia, responsável pela administração do prédio histórico, após a identificação de “patologias” na conservação.

Igreja da Graça, na Av. Princesa Leopoldina | Foto: Iphan
Em documento obtido pelo Bahia Notícias, o Iphan determinou que o Mosteiro preste esclarecimentos sobre o estado de conservação da Igreja da Graça. Além disso, a entidade solicitou que sejam realizadas as providências referentes à necessidade de manutenção do imóvel para evitar danos ao patrimônio cultural tombado.
A reportagem apurou que a notificação foi enviada no dia 31 de março neste ano, sendo estabelecido um prazo de 15 dias para que o Mosteiro se posicionasse em relação aos requerimentos do Iphan. Foi solicitado que um ofício fosse encaminhado à Defesa Civil de Salvador (Codesal) e ao Corpo de Bombeiros para a realização de uma nova vistoria no imóvel e manifestação sobre suas condições.
“Fica o Mosteiro de São Bento da Bahia, notificado a prestar esclarecimentos quanto ao atual estado de conservação do imóvel, tomando providências referente à necessidade de manutenção do imóvel em prol de evitar danos ao patrimônio cultural tombado. Recomenda-se, ainda, que sejam acionados os órgãos de prevenção de desastres e combate à incêndio e pânico para que também façam vistoria no imóvel e se manifestem, de acordo às suas competências institucionais”, escreveu o Iphan.
O Bahia Notícias também recebeu informações de que o Instituto realizou uma cobertura fotográfica do imóvel, sinalizando falhas em áreas internas e externas. Em relatório, a entidade destaca a ocorrência de infiltrações, além da ausência de telhas na cobertura da Igreja da Graça.
Veja imagens:



Fotos recolhidas do relatório do Iphan obtido pelo Bahia Notícias
O laudo também destaca a ausência de bens integrados que compõem o coro da igreja. O relatório indicou que alguns desses elementos do coro foram identificados armazenados em uma das clausuras, e sua recolocação é recomendada. O Iphan sinalizou que as fachadas “necessitam de pequenos reparos na pintura e tratamento de áreas com descascamento e biofilme”.
Confira:



Fotos recolhidas do relatório do Iphan obtido pelo Bahia Notícias
PATRIMÔNIO
Tombada pelo Iphan em 1938, a construção foi erguida por volta dos anos de 1535, sendo a primeira igreja de Salvador. No entanto, além do patrimônio em suas estruturas, o edifício também recebe um dos acervos mais valiosos da Bahia. Um exemplo são os restos mortais de Catarina Paraguaçu, um dos nomes mais importantes da história do país.

Túmulo de Catarina Paraguaçu na Igreja da Graça | Foto: Reprodução / Redes Sociais
A Igreja, inclusive, foi erguida a mando de Paraguaçu após o retorno de uma viagem do Caramuru à França. Uma reportagem do AratuOn conta que o historiador Zé Raimundo Lima, coordenador do Complexo Cultural da Igreja da Graça, revelou que Catarina teve um sonho com uma imagem, que seria de Nossa Senhora da Graça.
"Logo em seguida, após o sonho de Catarina, foi encontrada, num naufrágio na região Sul da Bahia, uma imagem de Nossa Senhora da Graça. Foi então que Catarina pediu que fosse erguida uma igreja. O terreno foi cedido por ela para a construção", disse o historiador.

Foto: Acervo Digital / Iphan
O edifício também recebe os restos mortais de Júlia Fetal, uma jovem assassinada pelo noivo por ciúmes em 1847, na Avenida Sete, sendo reconhecido como 'o crime da bala de ouro', em 1847. O caso serviu também de inspiração para a novela "Espelho da Vida", da TV Globo.
Segundo a lenda, a bala era de ouro, feita do derretimento da aliança de noivado. Todavia, este relato não é verídico, a bala foi retirada em meados do século XX e foi confirmado que o material era de chumbo.
Voltando a falar sobre o acervo, a Igreja da Graça ainda tem um apanhado valioso de documentos, obras de arte, objetos como lavabos e madeiramento original, além de telas do baiano Manuel Lopes Rodrigues, um dos mais importantes pintores brasileiros do realismo, e peças artísticas do século XVIII.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
ACM Neto
"Para eles, pesquisa certa só é a que traz boas notícias".
Disse o pré-candidato ao governo ACM Neto ao avaliar o cenário político da Bahia e defendeu cautela na interpretação de pesquisas de opinião. A declaração aconteceu no lançamento do programa “Sua voz é a nossa voz”, em que o ex-prefeito pretende dialogar com municípios baianos.