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Artigos

Wenceslau Júnior
Eu ponho fé é na fé da moçada
Foto: Eduardo Mafra

Eu ponho fé é na fé da moçada

Ainda na adolescência, tomei uma decisão que mudaria meu destino. Optei por cursar o magistério na cidade onde nasci e vivi até os 17 anos, Iaçu, na Chapada Diamantina. A escolha foi um acordo que fiz com minha mãe: o dinheiro que seria gasto para que eu estudasse em Itaberaba, cidade vizinha, seria guardado para financiar meus estudos no futuro.

Multimídia

Após deixar Podemos, Raimundo da Pesca comenta convites e explica escolha pelo PSD

Após deixar Podemos, Raimundo da Pesca comenta convites e explica escolha pelo PSD
O deputado federal Raimundo Costa (PSD) comentou, nesta segunda-feira (9), sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD) após deixar o Podemos. Em declaração ao Projeto Prisma, podcast do Bahia Notícias, ele detalhou a motivação da mudança partidária.

Entrevistas

VÍDEO: Sílvio Humberto fala sobre cultura de Salvador, critica Executivo e comenta pré-candidatura a deputado; confira entrevista

VÍDEO: Sílvio Humberto fala sobre cultura de Salvador, critica Executivo e comenta pré-candidatura a deputado; confira entrevista
Foto: Divulgação
O vereador Sílvio Humberto (PSB), presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, falou sobre o cenário cultural da capital baiana, criticou a gestão municipal, comentou a relação entre o Legislativo e o Executivo e também abordou a possibilidade de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Em entrevista ao Bahia Notícias, o parlamentar avaliou o Plano Municipal de Cultura, fez críticas à administração do prefeito Bruno Reis e afirmou que pretende ampliar o debate sobre representação política e desenvolvimento da cidade.

feminicidio

Deputada que fez campanha contra Erika Hilton pouco fala de feminicídio e tenta proteger homens de falsas denúncias
Foto: Reprodução Redes Sociais

A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), uma das parlamentares mais engajadas na campanha para tentar impedir a eleição de Erika Hilton (Psol-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, disse, em postagem nesta semana, que as mulheres estariam sendo “esquecidas” e “silenciadas”. A parlamentar do PL, entretanto, tem uma atuação limitada nas redes sociais quando se trata de pedir, por exemplo, o endurecimento de penas para quem comete violência contra a mulher ou feminicídio.

 

Júlia Zanatta, que nos últimos dias fez diversas postagens repudiando a eleição da deputada Erika Hilton, praticamente não falou neste ano de 2026 sobre temas de defesa dos direitos da mulher em sua conta no Instagram. A deputada costuma fazer postagens críticas à atuação do presidente Lula, sobre CPMI do INSS, Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, Lulinha, além de defender a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente e pedir a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Sobre temas relacionados à defesa da mulher, a única postagem da deputada catarinense fez referência ao caso do juiz de Minas Gerais que deu decisão favorável a um homem de 35 anos que se relacionava com uma menina de 12 anos. A deputada Zanatta repudiou a postura do magistrado mineiro.

 

A respeito do tema do crescente número de casos de feminicídio no país, um dos assuntos mais abordados no universo político desde o início do ano, não houve comentários da deputada mencionando a questão. Há, entretanto, uma postagem da parlamentar que menciona caso de violência de uma mulher contra um homem.

 

Em vídeo postado na sua conta no Instagram, Júlia Zanatta diz qe “violência não tem sexo”, e destaca o fato de ter apresentado o projeto de lei 5128/2025, que pune denúncias falsas de violência doméstica no âmbito da Lei Maria da Penha. Segundo a parlamentar catarinense, a falsa acusação não apenas destruiria reputações e famílias, mas também coloca em dúvida quem seriam “as verdadeiras vítimas” da violência.

 

“A Justiça não pode ser usada como bengala para agir de má-fé. Esse projeto se soma ao PL 4954/2025, que fortalece a Lei Maria da Penha ao garantir medidas protetivas urgentes também para homens em situações de violência doméstica. A dignidade da pessoa humana vale para todos”, afirma Júlia Zanatta. 

 

Em seu primeiro ano de mandato, em 2023, a deputada catarinense causou polêmica ao postar em suas redes sociais uma foto na qual aparecia armada com uma metralhadora e vestindo uma camiseta com o desenho de uma mão com quatro dedos alvejada por três tiros. A camiseta tinha os dizeres “come and take it” (“venha pegar”), em alusão ao presidente Lula.

 

Na postagem, Zanatta afirmava não poder “baixar a guarda” e diz que é preciso “lutar pra garantir o que já está na lei”, criticando políticas desarmamentistas. Enquanto alguns internautas apoiaram a manifestação e chegaram a elogiar a camiseta, outros a acusaram de ameaçar o presidente da República e de realizar discurso de ódio.

 

Na ocasião, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que a postagem revelaria um “comportamento nazista” da deputada de Santa CatarINA, de apologia à violência contra Lula.

 

Gleisi disse ainda que a sociedade brasileira e suas instituições não podem baixar a guarda “com quem insiste incitar a violência e semear o ódio”.

Câmara aprova projeto que libera a compra e o uso de spray de pimenta para autodefesa de mulheres
Foto: Imagem gerada por IA

Na semana em que a Câmara dos Deputados se debruça sobre uma pauta de projetos voltados à segurança da mulher e ao combate ao feminicídio, foi aprovado na noite desta quarta-feira (11), no plenário, proposta que garante o uso de spray de pimenta para autodefesa de mulheres. O projeto segue agora para o Senado.

 

Segundo o projeto de autoria da deputada Gorete Pereira (MDB-CE), o spray de pimenta poderá ser adquirido e utilizado por mulheres maiores de 18 anos e, mediante autorização expressa de responsável legal, também pelas adolescentes de 16 a 18 anos. O produto, entretanto, precisa ter aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

O relatório apresentado pela deputada Gisela Simona (União-MT) determina que, para adquirir o produto, será necessário apresentar documento com foto, informar endereço e assinar autodeclaração de que não possui condenação por crime de violência. Os estabelecimentos deverão manter os dados das compradoras armazenados por até cinco anos.

 

O spray será de uso individual e intransferível da mulher que obtê-lo, e não poderá conter substâncias de efeito letal ou de toxicidade permanente. O texto aprovado na Câmara impõe que o produto obedeça a padrões técnicos e de segurança definidos em regulamento do Poder Executivo.

 

Para o uso ser considerado legal, a usuária deverá empregá-lo apenas para repelir agressão injusta, atual ou iminente e de forma proporcional e moderada somente até a neutralização da ameaça. A intenção do projeto é contribuir para evitar agressões físicas e/ou sexuais contra as mulheres. 

 

Durante a discussão do projeto no plenário, a bancada do PT se colocou contra a votação da matéria. A deputada Erika Kokay (PT-DF) alegou que o spray de pimenta com  a substância oleoresina capsicum (O. C.), poderia prejudicar a própria mulher. A substância causa inflamação imediata das mucosas, resultando no fechamento involuntário dos olhos, tosse, dificuldade para respirar e ardência intensa na pele.

 

“Não queremos construir uma proposição que possa fragilizar a própria mulher”, declarou a deputada.

 

O líder do PT, Pedro Uczai (SC), apresentou um requerimento para adiamento da votação do projeto. O requerimento, entretanto, foi derrotado por 337 votos contrários, e recebeu apenas 60 votos em apoio ao adiamento. 

 

Após a derrota do requerimento, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) ironizou a posição da bancada do PT contra a votação do projeto.

 

“Olhe o argumento da deputada do PT: a mulher não pode ter acesso a um spray de pimenta, porque ela pode torcer o braço e se cegar. Gente, pelo amor de Deus, essa é uma das argumentações mais esdrúxulas que eu já ouvi na minha vida! Na minha avaliação, nem precisa ser spray de pimenta. Pode ser spray de ácido sulfúrico contra um torturador de mulheres, contra um estuprador de mulheres, contra uma pessoa que mata uma mulher”, disse Kataguiri.

 

Com a derrota do pedido de adiamento, o projeto seguiu sendo discutido e foi aprovado posteriormente de forma simbólica. A relatora, Gisela Simona, incluiu no texto final regras prevendo que o fabricante autorizado, quando utilizar a substância oleoresina capsicum como parte da composição ativa do aerossol de extratos vegetais, deverá seguir as regras do Comando do Exército, pois essa substância é de uso restrito.

 

A relatora afirmou que tirar o O. C. do spray tornaria inócuo o projeto. “Não podemos deixar nas mãos das mulheres spray de extrato vegetal que, quando ela aplicar, mal dá tempo de ela correr, e o agressor já está em cima dela novamente, com risco de matar. Isso, como mulher e cidadã, não posso permitir”, disse.

 

Segundo argumentou a deputada Gisela Simona, o spray destina-se apenas à neutralização temporária do agressor, permitindo a fuga da vítima e a posterior identificação do infrator pela polícia. 

 

“Não basta dizer que o crime é inaceitável: é preciso permitir que a potencial vítima tenha o meio necessário para evitá-lo”, declarou a deputada.
 

 

Aprovado projeto que permite a juízes e delegados determinar uso de tornozeleira a agressores de mulheres
Foto: Thiago Stille/Governo do Ceará

Em uma sessão realizada na noite desta terça-feira (10) com pauta integralmente voltada à análise de projetos com objetivo de combater o feminicídio e a violência cometida contra as mulheres, um dos destaques na Câmara dos Deputados foi a aprovação do PL 2942/24, que autoriza o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para homens acusados de violência doméstica e familiar. O projeto segue agora para o Senado.

 

A proposta foi apresentada pelos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS), e recebeu parecer favorável da relatora Delegada Ione (Avante-MG). O texto aprovado prevê que o uso da tornozeleira será autorizado sempre que houver risco atual ou iminente à vida da mulher, à integridade física ou psicológica da vítima ou de seus dependentes.

 

Entre as mudanças na legislação previstas pelo projeto, há a previsão de que, em localidades sem sede de comarca — onde não há juiz disponível —, o delegado de polícia poderá determinar a instalação imediata do dispositivo. Nesses casos, o Ministério Público e o Judiciário deverão ser comunicados em até 24 horas para decidir se mantêm ou não a medida.

 

Atualmente, a única ação protetiva que pode ser aplicada diretamente pelo delegado é o afastamento do agressor do lar, o que em diversos casos não elimina o risco de cometimento de violência ou feminicídio.

 

O projeto também determina que a polícia e a vítima devem ser alertadas de eventual aproximação do agressor. No caso da vítima, o alerta deverá ser feito por meio de aplicativo no celular ou outro dispositivo de segurança.

 

Na proposta aprovada pela Câmara, há também um artigo que determina que a pena do agressor será aumentada de um terço até a metade se houver entrada em espaços proibidos ou retirada da tornozeleira. O texto prevê que deverão ser feitas campanhas sobre o tema, informando, por exemplo, como funcionam medidas protetivas de urgência e o monitoramento eletrônico.

 

Há ainda um trecho do projeto que aumenta de no mínimo 5% para 6% o valor destinado do FNSP (Fundo Nacional de Segurança Pública) para financiar o combate à violência contra a mulher. O aumento foi justificado pela relatora, Delegada Ione, em função da necessidade de comprar novas tornozeleiras.

 

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), atendeu a um pedido da bancada feminina e programou a votação apenas de projetos voltados à segurança da mulher. Motta justificou sua decisão destacando números recentes sobre feminicídio, que mostram que o ano de 2025 foi marcado por um recorte de assassinatos de mulheres, com ao menos 1.470 ocorrências em todo o país. Desde a tipificação do crime, em 2015, 13.448 mulheres foram vítimas em todo o território nacional.
 

Apenas um terço dos deputados federais da Bahia citou feminicídio em publicações no Dia da Mulher
Foto: José Cruz / Agência Brasil

As publicações feitas pelos 39 deputados federais da Bahia no Instagram durante o Dia Internacional da Mulher revelam diferentes formas de abordagem da data e indicam que a violência contra mulheres foi tema minoritário nas mensagens divulgadas. Apenas um terço da bancada, 13 dos 39 parlamentares, tratou diretamente do feminicídio ou de casos de violência de gênero, enquanto a maioria optou por conteúdos comemorativos ou não publicou nada sobre o tema.

 

O levantamento mostra que oito deputados (20,5%) não fizeram nenhuma postagem no feed relacionada ao 8 de março. Outros 14 deputados (35,9%) publicaram mensagens genéricas, normalmente de caráter comemorativo ou familiar, sem mencionar questões estruturais que impactam a vida das mulheres.

 

Já 13 deputados (33,3%) abordaram diretamente o feminicídio ou a violência contra mulheres, utilizando a data para inserir o tema no debate público sobre segurança, direitos e políticas de proteção.

 

Além desses grupos, quatro parlamentares (10,3%) adotaram abordagens diferentes. Dois destacaram resultados de ações legislativas relacionadas a pautas femininas, uma deputada enfatizou a importância da representatividade feminina na política e outro deputado utilizou a data principalmente para divulgar agendas comemorativas.

 

O levantamento também identificou que seis deputados defenderam o fim da escala de trabalho 6x1, pauta que vem ganhando espaço no debate nacional. Embora não seja um tema exclusivamente ligado às mulheres, a discussão dialoga com a realidade de muitas trabalhadoras, especialmente devido à dupla jornada que combina atividades profissionais e responsabilidades domésticas.

 

Entre as próprias parlamentares da bancada baiana, outro ponto chamou atenção: das seis deputadas federais do estado, cinco destacaram em suas publicações a importância da representatividade feminina na política, reforçando o debate sobre a presença de mulheres em espaços de poder.

 

A análise foi realizada pelo estrategista digital Victor Limeira, que avaliou as publicações feitas pelos deputados baianos no Instagram durante o 8 de março.

Senado aprova projeto que muda regra para audiência de retratação em casos de violência contra a mulher
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O Senado aprovou por unanimidade, na sessão desta terça-feira (10) no plenário, o PL 3112/23, que altera a Lei Maria da Penha para estabelecer que a audiência de retratação em casos de violência doméstica só ocorra mediante manifestação expressa da vítima antes do recebimento da denúncia. A proposta segue agora para sanção presidencial.

 

O PL 3112/23, de autoria da deputada Laura Carneiro, foi incluído pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em uma pauta especial voltada a atender a bancada feminina. A maioria dos projetos que serão apreciados nesta semana tem como foco temas de combate à violência contra a mulher, ao feminicídio, à saúde e à segurança das mulheres.

 

A proposta aprovada pelo Senado inclui na legislação o que já foi acertado pelos tribunais superiores acerca do tema. A inclusão deste ponto na Lei Maria da Penha, segundo a deputada Laura Carneiro, promove segurança jurídica para a correta aplicação da legislação.

 

O texto do projeto insere na Lei Maria da Penha decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que confirmou a interpretação de que o juiz não pode, sem pedido da vítima, marcar audiência para que ela desista de processar o agressor nos crimes de violência contra mulher em que a ação penal seja condicionada a sua manifestação. 

 

A decisão do STF foi tomada em ação movida pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp). Segundo a ação, alguns juízes designam a audiência por conta própria, sem a manifestação da vítima, e a ausência dela tem sido interpretada como renúncia tácita, com o arquivamento do processo.

 

Conforme a Lei Maria da Penha, a retratação da representação da vítima só é possível em momento específico, perante o juiz, em audiência anterior ao recebimento da denúncia, marcada para essa finalidade, e ouvido o Ministério Público. O objetivo é assegurar que a vítima possa desistir da denúncia por vontade própria.
 

“Nenhuma a menos”: Delegada destaca importância de rede de acolhimento e proteção para reduzir violência contra mulher
Foto: Arianne Ribeiro / Bahia Notícias

“Nenhuma a menos”, essa é a frase que dita as manifestações populares em torno do combate à violência contra a mulher em todo o país. E o posicionamento exibe uma realidade cruel com corpos femininos: em um cenário em que o Brasil registrou o maior número de feminicídios dos últimos 14 anos em 2025, com 1.568 vítimas em todo o país, o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 08 de março, ganha um sabor amargo. 

 

Na Bahia, o cenário não é tão diferente. Segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública, o estado registrou 102 vítimas de feminicídio, ainda que isso represente uma leve queda de -7,27% em relação ao ano de 2024. Em resposta a estes números, a Polícia Civil da Bahia lançou, por meio do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV), a campanha “Nenhuma a Menos”, com o objetivo de unir a rede de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher e a sociedade contra o feminicídio na Bahia.

 

É nesse cenário que o Bahia Notícias conversou com Juliana Fontes, delegada da Polícia Civil e diretora do DPMCV, para compreender quais as especifidades da violência de gênero na Bahia e como se dão as ações de segurança em torno do tema. Em entrevista, a servidora de carreira da polícia destacou que o Departamento de Proteção a Mulher, criado em 2023, é justamente uma das atualizações da Secretaria de Segurança Pública no combate a crimes direcionados a mulheres e outros grupos vúlneráveis. 

 

“O Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis, que é um departamento recém-criado pelo Governo do Estado e esse departamento é um departamento bastante amplo. O meu trabalho hoje é direcionar os 417 municípios do Estado da Bahia na pauta das mulheres, crianças, adolescentes, idosos, racismo, questão de intolerância religiosa, população LGBT, enfim, todas as pessoas em situação de vulnerabilidade”, explica. 

 

Ao falar sobre o cenário da violência contra a mulher na Bahia, a delegada destaca que a violência psicológica ainda é uma questão latente entre os registros, especialmente considerando violências motivadas por fins de relacionamentos amorosos. 

 

“Na Bahia, o crime que predomina nos registros de ocorrências nas nossas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher é o crime de ameaça. São os homens que não aceitam o fim do relacionamento e que quando acaba uma relação que dizem ‘se você não for minha, não vai ser de mais de ninguém’. Então, a ameaça, em primeiro lugar, é o crime que mais acontece”, contextualiza titular do departamento. 

 

A diretora do DPMCV detalha que logo atrás vêm os índices de violências físicas, na forma de lesão corporal, e a injúria. No entanto, outra “modalidade” chama a atenção: o descumprimento de medidas protetivas. “O descobrimento de medidas protetivas, eles também tem aumentado muito, porque o ano passado, só na Casa da Mulher Brasileira, foram registrados praticamente 4.500 pedidos de medidas protetivas de urgência. Então, aumentou os pedidos e também o descumprimento”, detalha a delegada. 

 

Segundo ela, “autores estão descumprindo medida protetiva, mas nós estamos adotando as providências necessárias”. “Estamos [a Polícia Civil] instaurando inquérito policial, autores estão sendo presos por descumprimentos, então toda a ação da polícia judiciária está sendo feita”, garante. 

 

A delegada comenta ainda sobre o cenário de grande repercussão de casos de violência em todo o Brasil. Ela explica que a repercussão midiática de alguns episódios de violência acabam impulsionando os próprios agressores: “A mídia, ela tem um papel muito importante, mas o que a gente vê é que quando acontece um fato de uma gravidade, e a mídia coloca ali [publica], como no caso do rapaz que deu 60 socos na mulher em Brasília, na mesma semana outro já deu 30 [socos] e já foi publicada a outra [notícia]. Então acaba que vira um efeito [cascata]. Muitos autores se vêem e repetem aquela ação”. 

 

A delegada então destaca que é necessário focar na divulgação de informações com base em dados e mecanismos de defesa e justiça. “O que a gente precisa é de um imprensa livre de julgamentos e que possa mostrar os números, para não perpetuar essa violência, para que essa violência não seja repetida no dia-a-dia em muitos lares da nossa sociedade”, destacou. 

 

ROTA DA DENÚNCIA
Para Juliana Fontes, a violência doméstica é um crime tão complexo de combater justamente pela sua “passabilidade social”. “A violência contra mulher é uma violência democrática, porque ela é uma questão de cultura, é uma questão de da educação”, destaca. 

 

Por isso, a gestora explica que é difícil formar perfis de identificação das vítimas e possíveis suspeitos. “É um problema cultural e que permeia todos os espaços. Então, a gente não tem como especificamente dizer que tal homem ou tal classe social [é mais predominante]. A gente diz que é democrática porque todos podem ser vítimas ou autores dos crimes praticados contra as mulheres na nossa sociedade”, explica. 

 

Ao Bahia Notícias, a delegada destaca que, considerando a progressão da maior parte dos casos, o processo de identificação da violência e efetivação da denúncia também não pode ser pressionado, justamante por conta da subjetividade das vítimas. “Cada mulher tem o seu tempo de denunciar, cada mulher tem o seu tempo de pedir socorro, de pedir ajuda, porque muita muitas tem vergonha, muitas tem medo, é a sociedade muitas vezes julga e aponta aquela mulher”, ressalta. 

 

É nesse sentido que o acolhimento se torna uma fase tão relevante do processo. “Por essa dificuldade, por a sociedade muitas vezes normatizar essas condutas abusivas, é que acaba que a mulher também se demora vendo a situação, demora a procurar ajuda e é muito mais difícil também mudar o ciclo por diversos aspectos, emocionais, financeiros, familiares.” 

 

Para ela, a melhor forma de garantir que mais mulheres denunciem, é informando sobre os processos e demonstrando a efetividade do trabalho. “É comum ter esse medo, é comum ter essa vergonha, mas a gente repete que é importante que é romper esse ciclo, é importante denunciar, é importante sair daquela situação de violência, porque a violência ela é muito difícil perceber quando você tá vivendo uma relação abusiva”, diz a delegada Juliana. 

 

A diretora do DPMCV explica que, ainda que existam as DEAMs (Delegacia Especial de Atendimento a Mulher), com atendimento especial e exclusivo, as denúncias de violência contra a mulher podem ser realizadas em qualquer delegacia justamente porque toda a rede precisa estar preparada para o recebimento das vítimas. “As delegacias, no geral, os núcleos, de todas as delegacias, quando uma mulher chega por uma vez, uma segunda vez ou por uma terceira vez, ela tem que ser sempre bem atendida, porque, cada um uma tem o seu tempo de encerrar aquela violência, de concluir aquele ciclo”, reflete. 

 

Juliana Fontes cita ainda que, em casos de retratação da denúncia, quando a vítima retira a queixa, o procedimento é o mesmo. “Muitas mulheres, elas não querem mais que os agressores sejam punidos. Muitas mulheres voltam atrás, voltam inclusive a conviver com aquela pessoa que foi denunciada. É normal e a gente precisa desse apoio para ela, para que ela se fortaleça”, contextualiza. 

 

A representante da Polícia Civil afirma que esse apoio institucional é um fator importante para que a vítima possa se libertar da violência. “Então assim, é muito comum a mulher retornar aquela relação e voltar posteriormente na delegacia novamente. Quando ela volta, a nossa observação é sempre que ela seja tratada de uma maneira acolhedora para que seja fortalecida, porque em algum momento nós fortalecendo aquela mulher, ela vai poder sair de fato daquela relação abusiva”, diz delegada.

 

REDE DE PROTEÇÃO 
O acolhimento à denúncia é apenas um fator dentro da rede institucional criada para o combate a violência contra a mulher. Segundo Juliana Fontes, “não é só chegar na delegacia e acabou”, e é justamente a atuação da rede que permite que a segurança, justiça e saúde, se unam em combate a violência de gênero. 

 

“A rede é muito atuante e é muito importante, porque não basta apenas a polícia é responsabilizar o agressor, não basta apenas ele responder o processo. É preciso que aquela vítima, além de ir para uma delegacia, além de uma medida protetiva, de a responsabilização daquele agressor, é importante que ela também tenha uma acompanhamento”, salienta a gestora. 

 

A delegada explica que o acompanhamento é jurídico, psicológico e social. “Então, se a gente não tem essa rede de proteção, só a polícia não vai resolver a situação daquela mulher. Então, nós temos com contato com toda a rede e quando a mulher vem para uma delegacia, ela já sai liderada para toda uma rede. Então, Defensoria Pública, o Ministério Público, os CREAs, com CAPS. Então, são órgãos que dão efetividade a essa proteção, a essa defesa da mulher, para ela saber que ela não tá sozinha”.

 

Juliana Fontes informa que cada vítima pode ter acesso a “todo o acompanhamento, incluindo acompanhamento psicológico, que vai permitir ela reconhecer e ela se fortalecer daquela dependência muitas vezes emocional, para que ela possa viver, como digo e repito, livre toda forma de violência”, completa. 

 

Por outro lado, no entanto, a gestora destacou que ainda há margem para o crescimento dessa rede. Ao ser questionada sobre os desafios do trabalho de combate a violência, a diretora do Departamento de Proteção à Mulher afirma que o maior gargalo do trabalho da Polícia Civil é seu número de agentes. 

 

“Para termos mais delegacias especializadas de manutenção à mulher, mais núcleos especializados, o número de servidores também aumentar, porque realmente a demanda é muita”, afirma, mas completa: “Mas tudo está sendo estudado, vai ter concurso agora esse ano e a gente espera já melhorar com esse concurso”, detalha. 

 

A grande demanda, na realidade, é porque o trabalho da polícia não se resume a atuação posterior aos crimes, mas também a prevenção. “A ação que a gente faz é essa conscientização nas escolas, em grupos comunitários, em diversos locais da sociedade, de forma a permitir que não haja nenhuma menos”, explica Juliana. A delegada faz alusão à campanha iniciada em agosto do último ano. 

 

“Nenhuma a menos da vida, nenhuma a menos no salão de beleza, nenhuma a menos da escola, nenhuma a menos em todos os locais que a mulher é retirada em virtude de relações abusivas. Então nessa campanha, a gente trabalha com essa campanha de orientação, de educação e de prevenção”, completa. 

 

Juliana Fontes finaliza com uma reflexão: “Eu digo, nesse 8 de março, nesse Dia Internacional da Mulher, que muito nos orgulha, porque é um dia de luta. E que essa luta continue, porque precisamos sim construir uma sociedade livre, uma sociedade justa para todas as mulheres, para que possam viver com liberdade, para que possam estar dentro das suas casas na certeza de que ali é o seu lugar de paz e não lugar de medo e de tensão”.

Mulheres evangélicas organizam caminhada contra o feminicídio em Salvador
Foto: Reprodução

Mulheres evangélicas realizam neste sábado (7) a I Caminhada de Mulheres Evangélicas contra o Feminicídio, em Salvador. O ato está marcado para as 10h, com concentração na Praça do Campo Grande e percurso até a Praça da Piedade, no Centro da capital baiana. A mobilização é organizada pelo grupo Mulheres Evangélicas contra o Feminicídio e busca ampliar o debate sobre a violência doméstica dentro das igrejas, além de incentivar o acolhimento e a orientação de vítimas.

 

A iniciativa foi articulada pela pastora e ativista Gicélia Cruz, que reuniu lideranças religiosas e mulheres de diferentes denominações evangélicas para marcar a presença do segmento na luta contra o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher.

 

Segundo as organizadoras, a caminhada também pretende chamar atenção para dados de pesquisas recentes que apontam altos índices de violência doméstica entre mulheres que se identificam como evangélicas ou católicas, reforçando a necessidade de discutir o tema também no ambiente religioso.

 

De acordo com a pesquisa Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Datafolha, 42,7% das mulheres que se identificaram como evangélicas sofreram algum tipo de agressão por parte de companheiro ou ex-companheiro, assim como 35,1% das que se identificaram como católicas.

 

Além da caminhada, o grupo pretende realizar outras atividades ao longo do ano, como palestras e oficinas em escolas e igrejas, encontros com famílias evangélicas e rodas de conversa em comunidades. A proposta é estimular o reconhecimento de situações de violência, fortalecer redes de apoio e promover mudanças de comportamento dentro e fora das igrejas.

Mulheres negras são maioria das vítimas de feminicídio no país
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta quarta-feira (4), indicou que 62,6% das vítimas de feminicídio em todo o país eram mulheres negras. A pesquisa analisou 5.729 registros oficiais desse tipo de crime, ocorridos de 2021 a 2024. O resultado ainda apontou que 36,8% das vítimas eram brancas, enquanto mulheres indígenas e amarelas somam, cada grupo, 0,3% dos registros.

 

A entidade avalia que, diante desses resultados, o feminicídio não pode ser compreendido como uma violência de gênero isolada de outras questões estruturais da sociedade, como a desigualdade racial. As informações são da Agência Brasil.

 

O perfil das vítimas e as circunstâncias dos crimes identificados no levantamento revelam ainda que a violência letal contra mulheres no país é, majoritariamente, uma violência de proximidade física, emocional e relacional. “Trata-se de uma violência que se desenvolve no espaço privado, muitas vezes ao longo do tempo, e que poderia ser interrompida antes de alcançar seu desfecho fatal, desde que haja condições institucionais para isso”, concluiu o relatório do FBSP.

 

O feminicídio atinge majoritariamente mulheres adultas: metade das vítimas tinha entre 30 e 49 anos, o que corresponde a mulheres em idade produtiva e reprodutiva, e muitas vezes responsáveis pelo sustento da família e pelo cuidado de filhos e outros dependentes.

 

VÍNCULO DO AGRESSOR
Os dados demonstram que de cada dez feminicídios oito foram praticados por homens que mantinham ou já tinham mantido vínculos afetivos íntimos com a vítima. Em números, 59,4% dos agressores eram companheiros, 21,3% eram ex-companheiros e 10,2% outros familiares. Apenas 4,9% foram mortas por desconhecidos e 4,2% por outras pessoas conhecidas.

 

Segundo o Fórum, o feminicídio expressa uma assimetria de gênero sistemática: homens matando mulheres com quem mantêm ou mantiveram vínculos íntimos, em contextos nos quais a autonomia feminina é percebida como ameaça à autoridade masculina.

 

Ainda no período de 2021 a 2024, constatou-se que 97,3% dos casos de feminicídio foram cometidos exclusivamente por homens.

 

Em relação ao local do crime, 66,3% dos casos aconteceram na residência da vítima. A via pública aparece em segundo lugar, com 19,2% dos registros desse tipo de crime, enquanto estabelecimentos comerciais ou financeiros (3,4%), áreas ruais (2,2%), sítios e fazendas (2,%), bem como hospitais (1,4%), representam percentuais significativamente menores.

 

Além disso, 48,7% das vítimas foram mortas por arma branca e 25,2% por arma de fogo. O predomínio da arma branca sugere situações de confronto direto, em ambiente doméstico, com instrumentos disponíveis naquele espaço. A presença significativa de armas de fogo indica que sua disponibilidade potencializa a letalidade de conflitos íntimos.

 

PEQUENOS MUNICÍPIOS 
O levantamento, que analisou ainda a distribuição dos feminicídios ocorridos no ano de 2024, identificou que as cidades pequenas, de até 100 mil habitantes, concentram 50% desses crimes no país. Esses mesmos municípios abrigam 41% da população feminina. 

 

Entre as cidades pequenas, apenas 5% têm delegacia da mulher e 3% têm casa abrigo, que é o equipamento para a mulher que está numa situação de risco muito elevado. As cidades médias que têm entre 100 mil e 500 mil habitantes concentram 25% das vítimas de feminicídios. Em 81% dessas cidades, há delegacia da mulher e, em 40%, casa abrigo.

 

Em relação às cidades grandes, com mais de 500 mil habitantes, 98% tem delegacia da mulher, 73% tem casa abrigo e concentram 25% dos feminicídios.

Bloco 'Xô Assédio!' participa pelo terceiro ano consecutivo da 'Mudança do Garcia'
Foto: Divulgação

Pelo terceiro ano consecutivo, o bloco Xô Assédio! Levará para o Circuito Riachão, no tradicional desfile popular da Mudança do Garcia, na segunda-feira de carnaval (16), o tema do combate à violência contra a mulher. “Xô Feminicídio!”, “Não é Não!”, “Basta de assédio!” e outras mensagens serão levadas em placas e estandartes.

 

Segundo a Defensoria Pública, o cenário é alarmante: o número de atendimentos realizados pela instituição às vítimas de violência aumentou 50% em 2025 comparado ao ano passado.

 

Organizado por várias entidades que lutam em defesa dos direitos das mulheres, com o apoio da vereadora feminista Aladilce Souza (PCdoB), o bloco contará com a presença de mais de 300 foliões, incluindo homens parceiros.

 

O desfile será animado pelo microtrio de Ivan Huol e pela cantora Juliana Ribeiro, saindo pela manhã do final de linha do Garcia em direção ao Campo Grande, onde ficam as arquibancadas públicas e os camarotes oficiais.

 

O bloco “Xô Assédio”, patrocinado pela Bahiagás, é formado por diversas entidades, como a União Brasileira de Mulheres (UBM), Ampara Mulher, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), APLB-Sindicato, Sindsaúde-BA, Comissão de Mulheres do Sinjorba, Flor de Cacto, Divas de Batom, Movimente Raizes, Poder Grisalho, Iecis, Melhor Idade em Ação, Balbina´s, Fitness, Associação 8 de Março de Mulheres de Cajazeiras (ASSOMU), Roda de Samba Mulheres de Itapuã, Assufba e Abadef.

Homem é condenado a mais de 22 anos por feminicídio de jovem em Vitória da Conquista
Foto: Reprodução / TV Bahia

Após 19 horas de julgamento, o Tribunal do Júri condenou Rafael Souza Lima a 22 anos e cinco meses de prisão pelo assassinato de Sashira Camilly. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (11), no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana, informou o Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias.

 

Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

 

O crime ocorreu em 2021 em Vitória da Conquista, no Sudoeste, mas o julgamento foi transferido de comarca por decisão judicial. Conforme o Ministério Público, Rafael foi o principal autor do crime, que teria sido premeditado. A acusação sustentou que ele desferiu golpes com arma branca e também praticou estrangulamento.

 

Para o promotor Vitor Martins, a pena aplicada foi compatível com a gravidade do caso. Ele afirmou que as provas reunidas ao longo do processo indicaram planejamento e execução direta por parte do réu.

 

Ainda segundo a acusação, Rafael teria atraído a ex-namorada para uma lanchonete e colocado uma substância na bebida da vítima. Depois, ele teria envolvido outras duas pessoas na ação. A jovem foi dopada e morta durante o ataque.

 

Após o crime, o corpo foi ocultado e o carro da vítima levado para a cidade de Planalto, também no Sudoeste baiano, na tentativa de dificultar as investigações. A apuração aponta que o veículo seria vendido para pagar os executores.

 

O julgamento foi presidido pela juíza Márcia Simões Costa. Os outros dois envolvidos no crime ainda serão julgados como coautores: um está preso e o outro responde em liberdade.

Réu por feminicídio em Vitória da Conquista será julgado nesta terça em Feira de Santana
Foto: Reprodução / TV Sudoeste

O julgamento de Rafael Souza, principal acusado do feminicídio da estudante Sashira Camilly Cunha Silva, de 19 anos, acontece nesta terça-feira (10), em Feira de Santana, no Fórum Filinto Bastos, informou o Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias. O crime ocorreu no dia 15 de setembro de 2021, em Vitória da Conquista, no Sudoeste da Bahia.

 

Sashira Camilly foi morta a golpes de faca e por enforcamento, após ter sido dopada pelo ex-namorado. À época, o caso teve repercussão no estado e levou o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) a determinar a transferência do julgamento para Feira de Santana.

 

O réu responde por feminicídio qualificado, com três agravantes: motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O Conselho de Sentença também irá analisar a acusação de ocultação de cadáver. A assistência de acusação será feita pelos advogados Luciana Silva e Frank Ribeiro. Para a defesa da vítima, o julgamento representa um marco no combate à violência contra a mulher.


JULGAMENTO FORA DA CIDADE DO CRIME
Ao site feirense, a advogada Luciana disse que a realização do júri fora de Vitória da Conquista reforça a mensagem de que o feminicídio não pode mais ser tolerado. “Esse julgamento em Feira de Santana é simbólico. Mostra para a Bahia e para o Brasil que a sociedade não aceita mais a morte de mulheres, especialmente de jovens que tiveram seus sonhos interrompidos por um crime tão cruel”, afirmou.


EXPECTATIVA POR CONDENAÇÃO
Ainda de acordo com a acusação, há expectativa de que todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público sejam confirmadas pelos jurados, com base em provas periciais, testemunhais e nos autos do processo.

 

“A condenação não muda o passado, mas aponta para o futuro que queremos: um futuro em que o feminicídio não seja tolerado em nenhuma cidade do país”, concluiu a advogada.

Foragido por feminicídio cometido há mais de 10 anos é preso em Lauro de Freitas
Foto: Ascom/ PC-BA

 

Um homem de 48 anos, procurado pelos crimes de feminicídio e tentativa de feminicídio ocorridos no município de Itiúba, nos anos de 2011 e 2021, foi preso na última sexta-feira (6), em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador.

 

A prisão é resultado do desdobramento de mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça, após o avanço das investigações e a intensificação das diligências para localização do investigado, que se encontrava foragido.

 

A ação foi realizada pela Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Territorial (DT/Itiúba) e do Núcleo de Inteligência da Diretoria de Polícia do Interior (DIRPIN/Norte) , com apoio da Polícia Militar, através do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv). 

 

De acordo com a SSP-BA, Josimeire Anunciação dos Santos foi morta no município de Itiúba. Após o crime, o autor deixou o local e passou a ser alvo de diligências policiais. 

 

Em 2021, mesmo ainda foragido, voltou a praticar violência extrema, ao tentar matar outra companheira e causar lesões à mãe da vítima.

 

Desde então, o trabalho investigativo seguiu de forma contínua, com cruzamento de informações e ações articuladas, o que possibilitou a identificação do paradeiro do investigado e o cumprimento das ordens judiciais.

Alice Portugal assume presidência da Comissão de Direitos Humanos e deve priorizar combate ao feminicídio
Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Debater e combater o feminicídio, a violência, o racismo estrutural e diversas outras chagas crônicas que atormentam o dia a dia da sociedade brasileira. Esses são alguns dos objetivos da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) como presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade da Câmara.

 

A deputada baiana foi eleita por unanimidade, nesta semana, como a nova presidente da comissão para o período de fevereiro deste ano ao final de janeiro de 2027. Alice Portugal está em seu sexto mandato consecutivo como representante da Bahia, e possui uma trajetória marcada pela luta em defesa dos direitos humanos, da justiça social e da igualdade. 

 

Ao assumir a presidência do colegiado, a deputada baiana disse que um dos principais focos da sua atuação está voltado para o combate ao feminicídio, que ela lamentou estar “ainda em números absurdos para uma nação democrática”. Alice lembrou o pacto nacional assinado na última quarta-feira (4) pelos presidentes dos três poderes, e prometeu amplificar o debate sobre o tema na comissão com a presença de especialistas nacionais e internacionais.

 

“O feminicídio é uma chaga social. Não à toa, nessa semana, os três poderes lançaram um pacto nacional contra o feminicídio, conclamando especialmente os homens a assumirem essa luta das mulheres. É uma campanha que tem como elemento nuclear todos por todas. A verdade é que a cada seis horas uma mulher é morta ou frontalmente agredida no Brasil, e isso é algo muito grave e que não tem precedentes na nossa história. Parece que no momento em que a mulher aprende a dizer não, e não é não, a resposta parece ser a morte”, disse a deputada sobre o drama do feminicídio crescente, em entrevista para a TV Câmara. 

 

Para a deputada, apesar de 2026 ser um ano com atividades reduzidas, por conta do calendário eleitoral, a comissão se esforçará em aproveitar esse primeiro semestre para acelerar o debate e apreciação de projetos sobre feminicídio, racismo, violência, exclusão e todas as formas de descriminação. 

 

Além de debater e votar projetos de combate à violência, a deputada do PCdoB da Bahia defende que é preciso garantir também que se cumpra a legislação já existente que já busca proteger direitos e garantias individuais.

 

“Ao mesmo tempo em que a denúncia sobre o feminicídio pode se dar através de debates, campanhas educativas, seminários nos estados, nós também podemos fazer toda uma movimentação pelo cumpra-se. É necessário cumprir integralmente o que já temos de legislação”, disse a deputada.

 

“Essa Câmara produziu muita legislação. A Lei Maria da Penha é um dos diplomas legais mais completos do mundo no combate à violência, mas ela é talvez cumprida em 30%. Então é preciso buscar elementos orçamentários para garantir que o Poder Judiciário tenha as varas necessárias, para garantir que o Poder Executivo possa, através dos estados, instalar as delegacias especializadas no combate à violência”, completou Alice.

 

Em seus seis mandatos na Câmara, Alice Portugal se destacou por possuir uma trajetória marcada pela luta em defesa dos direitos humanos, da justiça social e da igualdade. A atuação da deputada, principalmente no enfrentamento a todo e qualquer tipo de desigualdade social, preconceito, racismo, intolerância religiosa e violência, além da defesa dos trabalhadores, se valeu ser incluída por diversos anos como uma das 100 parlamentares mais influentes do Parlamento, de acordo com o estudo do Diap “Os Cabeças do Congresso”.

 

“A Bahia segue contribuindo com lideranças que colocam a vida, a dignidade e a justiça social no centro da política. Seguimos juntos na luta por um Brasil mais justo, antirracista e igualitário”, concluiu a deputada Alice Portugal.
 

Presidentes dos três poderes firmam pacto inédito e pedem engajamento dos homens na luta contra o feminicídio
Foto: Cadu Gomes/VPR

Uma missão de todas as instituições brasileiras e, principalmente, dos homens que possuem cargos públicos nos três poderes da República, a partir de uma aliança inédita e duradoura. Assim foi descrito o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, assinado nesta quarta-feira (4) em solenidade realizada no Palácio do Planalto. 

 

O pacto, que partiu de uma ideia da primeira-dama Janja, foi corroborado pelos presidentes dos três poderes. O documento, que estabelece ações de prevenção e responsabilização de agressores em casos de violência de gênero, foi assinado em conjunto pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), do Senado, e Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara. 

 

“Pela primeira vez os homens estão assumindo a responsabilidade de que a luta pela defesa da mulher não é só da mulher, é do agressor, que é o homem”, afirmou o presidente Lula durante discurso que encerrou a solenidade.

 

Dados do Ministério da Justiça mostram o tamanho do problema do feminicídio no país. O Brasil registrou recorde de feminicídio no ano passado na contagem que começou em 2015. 

 

Em 2015 foram registrados 535 feminicídios. Já em 2025 o número saltou para 1530, um crescimento de 185% no intervalo de uma década. A média é de 4,2 casos por dia. 

 

No seu pronunciamento, o presidente Lula disse que “não basta não ser agressor, é preciso lutar para que não haja agressores”. Durante a cerimônia, Lula assinou decreto que cria um Comitê Interinstitucional de Gestão, com representantes dos três poderes, para garantir a efetividade das ações firmadas no pacto. 

 

“Cada homem neste país tem uma missão. Começando com amigos, primos, tios, vizinhos, colegas de trabalho, companheiros privados e parceiros de futebol. Não podemos nos omitir. Enquanto poder público, vamos aprimorar os instrumentos de proteção, prevenção e acolhimento. Enquanto homens, vamos desconstruir, tijolo por tijolo, essa cultura machista que nos envergonha a todos”, afirmou Lula.

 

Em sua fala, Lula disse ser inadmissível que enquanto os poderes buscam fortalecer os instrumentos de proteção, a exemplo da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio, homens continuem agredindo e assassinando mulheres. O presidente também comentou sobre a responsabilidade das plataformas digitais na disseminação da violência contra a mulher.

 

“Houve um tempo que a defesa da honra era justificativa para a violência contra a mulher. O ciúme não serve mais de justificativa. Nunca deveria ter servido. Mas continua a ser um dos principais argumentos usados pelos assassinos em suas próprias defesas. Enquanto isso, as redes digitais, algumas delas, ensinam crianças e adolescentes do sexo masculino a odiarem mulheres. As plataformas digitais não podem mais ser usadas por criminosos que aliciam meninas, cometem contra elas toda sorte de abusos, e as induzem à automutilação e muitas vezes ao suicídio. Cabe a cada homem transformar essa realidade”, disse o presidente Lula.

 

Antes de Lula, quem falou na solenidade foi o presidente do STF, ministro Edson Fachin. O ministro disse ser urgente a intervenção do Estado para prevenir mortes de mulheres no Brasil.

 

Fachin, que também é presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), declarou que o Judiciário vai ampliar ações de capacitação, julgamento com perspectiva de gênero, mutirões de júri e medidas protetivas eletrônicas no enfrentamento ao feminicídio, crescente no país. 

 

“O Estado não pode apenas reparar. Não pode apenas punir. O Estado deve evitar que as mulheres morram”, declarou Fachin. Segundo ele, o Supremo e o CNJ aderem ao pacto com “senso de urgência” e compromisso total de atuação.

 

“O feminicídio é uma violação de direitos humanos que deve ser repudiada, punida e erradicada da vida social. Não haverá igualdade e liberdade de fato para todas as pessoas que aqui vivem enquanto as meninas e mulheres brasileiras precisarem conviver, todos os dias, com a perspectiva de serem vítimas dessa violência”, completou o presidente do STF. 

 

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta disse ser “inconcebível” o recorde de feminicídios no Brasil no ano de 2025.

 

“Eu não tenho dúvidas de que, dentro do Congresso Nacional, estaremos prontos para agir juntamente com o poder Judiciário nas respostas que não podemos mais esperar. As entregas estão atrasadas, porque a nossa sociedade não admite mais viver com números que chegam a nos envergonhar”, destacou Motta.

 

Segundo o presidente da Câmara, “este dia ficará marcado na história do Brasil por uma agenda feita no Poder Executivo, Legislativo e Judiciário com um único objeto, que é proteger as mulheres”.

 

Na mesma linha, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que o enfrentamento ao feminicídio deve ser tratado como um dever permanente do Estado brasileiro e não como uma agenda circunstancial de governos. Em seu discurso, Alcolumbre destacou o simbolismo do ato e a necessidade de uma resposta firme do Estado. 

 

“Hoje daremos ao Brasil o sinal claro de que as instituições estão unidas em torno da defesa da vida e contra a violência às brasileiras”, afirmou. 

 

Para o presidente do Senado, o feminicídio não pode ser reduzido a números. “O feminicídio não é uma estatística. É o lado mais cruel de uma violência que atravessa todos os dias milhares de mulheres”, disse Alcolumbre.

 

O senador ressaltou que o pacto representa um compromisso institucional duradouro. 

 

“O pacto é, antes de tudo, um compromisso entre as instituições, uma declaração de responsabilidade do Estado brasileiro. Neste ato, a República reafirma um de seus deveres fundamentais: combater o feminicídio com o máximo rigor, com prioridade absoluta e ação permanente”, concluiu o presidente do Senado.
 

Durante lançamento de pacto contra feminicídio, Alcolumbre diz que guerra entre poderes é "narrativa" e mentira
Foto: Reprodução Redes Sociais

Saindo do script depois de ler um discurso sobre o engajamento do Congresso no combate ao feminicídio, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez uma fala de improviso procurando negar que os três poderes estariam vivendo um tempo de conflitos e disputas. O desabafo foi feito durante solenidade no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (4), para lançamento de um pacto contra a violência cometida às mulheres.

 

Alcolumbre, em fala contundente, disse ser mentira que as instituições estejam voltadas para agressões mútuas e desacordos. O presidente do Senado afirmou que o lançamento do pacto é uma prova de que os três poderes estão unidos.

 

“Ao longo dos últimos dias e dos últimos meses, alguns atores da sociedade brasileira insistem em criar uma disputa ou uma narrativa de agressões entre as instituições democráticas republicanas, ou seja, os poderes constituídos do nosso Brasil. Quero reafirmar que as instituições brasileiras estão unidas em propósitos como este. A defesa das instituições brasileiras carece a todo instante ser propalada para que as mentiras não pareçam verdades, porque na história da humanidade as mentiras em um certo momento se transformaram em verdades”, afirmou Alcolumbre. 

 

Ao contrário do evento realizado para lembrança dos atos cometidos em 8 de janeiro de 2023, e que não contou com a presença de nenhum representante do Congresso ou do Supremo Tribunal Federal, o pacto assinado nesta quarta teve a participação dos presidentes dos três poderes, Lula, Edson Fachin, Davi Alcolumbre e Hugo Motta. Também participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, a primeira-dama Janja, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, além dos ministros da Casa Civil, Rui Costa, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. 

 

Para Alcolumbre, o ato realizado no Palácio do Planalto seria a demonstração de que as instituições estão fortes e unidas para enfrentar problemas do país, como a violência cometida contra mulheres e meninas.

 

“As instituições precisam estar unidas porque os problemas que enfrentamos no mundo real das brasileiras e dos brasileiros não nos permitirá tirarmos o foco do que é principal para o Brasil. As instituições estão unidas, estão firmes e estão com coragem de juntos enfrentarmos os grandes desafios do Brasil”, concluiu o presidente do Senado.
 

Lula cria comitê com membros dos três poderes para acelerar medidas de combate à violência contra mulheres
Foto: Reprodução Redes Sociais

Durante a solenidade de lançamento do pacto “Todos por Todas” de combate ao feminicídio no Brasil, nesta quarta-feira (4) no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que cria uma Comitê Interinstitucional de Gestão, com representantes dos três poderes. O órgão visa garantir a efetividade das ações firmadas no pacto para o enfrentamento à violência contra as mulheres. 

 

Além do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e da primeira-dama Janja, a solenidade nesta quarta contou com a participação dos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Todos os presidentes de poderes fizeram discursos na solenidade e destacaram o que cada um fará para dar resposta à luta contra a violência. 

 

O comitê criado pelo decreto assinado por Lula terá quatro representantes do Poder Executivo, quatro do Legislativo e quatro do Judiciário. Por parte do governo federal, participarão do comitê uma pessoa indicada pelo Ministério das Mulheres, uma pelo Ministério da Justiça, uma da Casa Civil e uma pela Secretaria de Relações Institucionais.  

 

“Esse comitê se reunirá para discutir um plano de trabalho comum com ações prioritárias contundentes e efetivas para enfrentar o feminicídio. Serão convidados para esta tarefa entidades da sociedade civil, movimentos populares, da academia e de organismos internacionais. Usaremos de toda a nossa estrutura para atingir esse nosso objetivo”, disse na solenidade a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. 

 

Segundo a ministra, os três poderes estão lançando a partir de hoje uma campanha nacional unificada de mídias para mostrar à população a importância da ação contra o feminicídio. Gleisi Hoffmann disse ainda que o novo conselho buscará engajar e obter a adesão de representantes de estados e municípios. 

 

Como ação simbólica do pacto firmado nesta quarta, os edifícios do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal receberão iluminação com as cores do pacto. Ainda hoje, o Congresso Nacional realizará uma projeção mapeada com dados sobre o feminicídio no Brasil, evidenciando a união dos três Poderes no enfrentamento à violência contra as mulheres.

 

Já a Secretaria de Comunicação Social da Presidência criou, como peça central da campanha, um filme que busca ressignificar a canção “Maria da Vila Matilde”, de Douglas Germano, consagrada na interpretação de Elza Soares. No filme, a letra ganha forma de fala masculina, com o objetivo de convocar os homens a assumirem um papel ativo na mudança de comportamentos e na defesa da vida e dos direitos das mulheres.

 

A estratégia da Secom inclui ainda o site TodosPorTodas.br, que reunirá informações sobre o pacto, divulgará as ações previstas, apresentará canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da sociedade civil. A plataforma disponibilizará também um guia para download, com informações sobre os diferentes tipos de violência, políticas de enfrentamento e orientações práticas para uma comunicação responsável, alinhada ao compromisso de salvar vidas.

Janja vai às lágrimas ao abrir solenidade em que presidentes dos três poderes firmam pacto contra o feminicídio
Foto: Reprodução Redes Sociais

Em um discurso emocionado e com direito a lágrimas, a primeira-dama Janja abriu a solenidade de lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. A iniciativa do governo Lula, chamada de “Todos por Todas”, busca unir os três poderes em ações coordenadas para prevenir a violência letal contra meninas e mulheres no país. 

 

“Hoje estabelecemos um marco para a sociedade brasileira, representada pelos três poderes, aqui presentes. Todos assumiram o compromisso e a responsabilidade de tornar a nossa sociedade um lugar em que as mulheres possam viver em paz. Queremos ser respeitadas, queremos ser amadas, queremos ser livres, queremos nos manter vivas”, disse Janja ao ler um pronunciamento na abertura do evento.

 

A solenidade acontece nesta quarta-feira (4) no Palácio do Planalto. Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin, participam da cerimônia os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

 

A primeira-dama Janja, no seu pronunciamento, agradeceu a presença dos presidentes de todos os poderes. Janja leu pequenos relatos de violências cometidas contra mulheres, e foi às lágrimas quando lembrou o apoio recebido pelo presidente Lula à causa da luta contra o feminicídio.

 

“Tenho orgulho do meu marido, que percebeu a minha angústia. E a minha angústia é a angústia de milhões de brasileiras. Meu marido me deu a mão e me disse que vai fazer dessa luta uma luta de todos os homens. Estamos cansadas, estamos exaustas, mas não estamos desistindo, e jamais desistiremos da vida de nenhuma de nós, por isso pedimos que os homens brasileiros estejam ao nosso lado neste momento”, afirmou a primeira-dama. 

 

Ao final do discurso de abertura feito por Janja, a cantora e poeta baiana Larissa Luz cantou a música “Maria da Vila Matilde”. A canção, do compositor Douglas Germano e que era cantada por Elza Soares, trata da dor da violência doméstica.

 

Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o pacto “Todos por Todas” tem como objetivos acelerar o cumprimento das medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar os agressores, combatendo a impunidade.

 

O acordo encampado pelo governo federal também prevê compromissos voltados à transformação da cultura institucional dos três Poderes, à promoção da igualdade de tratamento entre homens e mulheres, ao enfrentamento do machismo estrutural e à incorporação de respostas a novos desafios, como a violência digital contra mulheres.

 

Para garantir a efetividade das ações, o pacto firmado nesta quarta (4) institui uma estrutura formal de governança, com a criação do Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. 
 

Somente dois parlamentares baianos fizeram postagens sobre os graves números do feminicídio no Brasil e na Bahia
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou na última terça-feira (20) números estarrecedores sobre a violência contra a mulher no Brasil. Segundo o órgão, em 2025, o Brasil registrou o maior número de casos de feminicídio já contabilizados no país, com o total de quatro mulheres assassinadas por dia. 

 

No total, foram registrados 1.470 feminicídios, número que superou o do ano de 2024, que já havia batido o recorde anteriormente, com 1464 vítimas. A taxa nacional ficou em 0,69 morte a cada 100 mil habitantes, a mesma registrada em 2022, 2023 e 2024.

 

Os registros do Sinesp mostraram que os casos de feminicídio se concentraram principalmente em estados mais populosos. São Paulo liderou em números absolutos, com 233 feminicídios, seguido por Minas Gerais, que somou 139 casos.

 

A Bahia registrou 103 feminicídios no ano de 2025. Apesar da queda de 6% em relação ao ano anterior, o estado ocupa o quarto lugar no ranking nacional desse tipo de morte, de acordo com os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

 

Os dados do Sinesp são contabilizados desde 2015. Ao todo, 13.448 mulheres foram mortas no país ao longo de 10 anos. No topo do ranking estão São Paulo com 1.774, Minas Gerais com 1.641 e Bahia com 892 casos.

 

A gravidade dos números divulgados na última terça (20), com o registro de mais um lamentável recorde do país na violência cometida contra as mulheres, não recebeu a devida atenção da bancada de parlamentares da Bahia no Congresso Nacional. A passagem do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, nesta quarta (21), mobilizou mais citações do que as estatísticas sobre feminicídio.

 

Levantamento do Bahia Notícias nas redes sociais de todos os 39 deputados federais e dos três senadores baianos revela que apenas dois deles fizeram postagens destacando especificamente os números sobre a violência cometida contra as mulheres: foram eles Alice Portugal (PCdoB) e Capitão Alden (PL). 

 

A deputada Alice Portugal fez uma postagem expressando toda a sua indignação em relação aos números divulgados pelo Sinesp, afirmando serem eles alarmantes e revoltantes. Alice disse ser preciso enfrentar esse problema com seriedade, compromisso e ação permanente para proteger a vida das mulheres, já que, segundo ela, “o silêncio também mata”.

 

“O Brasil enfrenta o cenário mais grave já registrado de feminicídios, e a Bahia aparece como o quarto estado com mais ocorrências. Por trás de cada estatística existem mulheres, histórias interrompidas e famílias destruídas. A violência de gênero não pode ser normalizada nem tratada como rotina”, disse a deputada baiana. 

 

Em outra linha, a postagem do deputado Capitão Alden (PL), que é o vice-líder da oposição na Câmara, além de chamar a atenção para as graves estatísticas de feminicídios que bateram recorde em 2025, faz críticas ao governo Lula em relação à segurança pública. Alden destacou também os números de feminicídios no estado da Bahia. 

 

“Não é o Lula o governo do amor?”, ironizou Alden, ao falar sobre o crescimento dos casos de feminicídio durante o governo do líder petista. 

 

Já a deputada Ivoneide Caetano, do PT, não falou especificamente a respeito dos números de feminicídios, mas postou destacando o movimento que lançou no último sábado (17) em defesa das mulheres e para redução dos casos na Bahia. O movimento se chama “Mulheres Vivas - Basta de Feminicídio”. 

 

Segundo a deputada, a iniciativa “reforça o compromisso do mandato com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres, transformando o combate ao feminicídio em uma prioridade permanente”. 

 

Ivoneide afirma que a intenção do movimento é percorrer diversas cidades da Bahia visando denunciar a violência de gênero, fortalecer a rede de proteção e construir soluções concretas para salvar vidas. 
 

Bahia é o quarto estado em números de feminicídios; crimes são marcados por violência extrema
Foto: Claudia Cardozo / Bahia Notícias

A Bahia registrou 103 feminicídios no ano de 2025. Apesar da queda de 6% em relação ao ano anterior, o estado ocupa o quarto lugar no ranking nacional desse tipo de morte, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No Brasil, foram 1.470 casos.

 

Especialistas ainda apontam que os dados podem refletir subnotificação dos casos. Segundo Darlene Andrade, professora no departamento de estudos de Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e psicóloga, falta cautela na classificação.

 

“Alguns registros acabam não trazendo essa conotação. A forma como os casos são notificados acaba sendo reflexo de uma cultura que ainda não reconhece completamente esse tipo de violência contra as mulheres”, ponderou.

 

Definido pelo código penal como assassinato de mulher por razões da condição de sexo feminino, o feminicídio é um qualificador do crime de homicídio, com penas que podem chegar a até 40 anos de prisão. 

 

Apesar do alto número de casos, Darlene reconhece o avanço da Lei do Feminicídio e o aumento dos debates sobre o tema. Para ela, a discussão é essencial para a idealização de políticas públicas e a mudança na realidade.

 

“Reforçar que é um tipo de assassinato específico é muito importante para a gente poder visibilizar que as mulheres têm sido mortas por serem mulheres. Muitos feminicídios acontecem depois que a mulher termina um relacionamento. Elas são mortas por ex-companheiros, de uma forma brutal”, destacou a professora.

 

Ao longo de 2025, a Bahia registrou diversos casos de feminicídio em que o autor do crime foi o parceiro da vítima. O assassinato cruel de Laina Santana foi um deles. A contadora de 37 anos foi morta a marretadas dentro de seu apartamento pelo marido, Ramon Guedes, de 38 anos. O crime ocorreu na frente das duas filhas do casal, em Lauro de Freitas.

 

Em Salvador, Fabiana Correia Cardoso, de 43 anos, foi assassinada por seu ex-companheiro João Pedro Souza Silva, após mais de um mês desaparecida. Até o momento, seu corpo não foi encontrado.

 

Cleber de Jesus Santos matou a companheira a facadas em Jequié por não aceitar o fim da relação. Aluana dos Santos já tinha, inclusive, uma medida protetiva contra o suspeito.

 

Dentre os casos, a crueldade é um fator que se repete. “Essa brutalidade expressa uma mensagem cultural que está dizendo ‘seu lugar não é aqui, você tem que fazer o que eu mando, ser subordinada a mim’. São crimes que têm esse teor de ódio expresso”, argumenta a psicóloga.

 

Em grande parte das ocorrências, o crime é cometido por companheiros, maridos ou ex-companheiros. Na raiz do problema, segundo a especialista, uma cultura patriarcal que colabora para validar a dominação dos homens nas relações amorosas. 

 

A pesquisadora ressalta ainda que a prática desses crimes não está relacionada a doenças ou questões de temperamento, mas sim a um ideal reforçado na criação dos homens na sociedade.

 

“Não existe um perfil exato de agressor, não é patológico, mas sim, todos os homens têm esse potencial porque são criados nessa cultura, que valida os comportamentos violentos”, completou.

No dia em que foi divulgado novo recorde de feminicídios, Lula diz que quem bate em mulher não precisa votar nele
Foto: Ricardo Stuckert/PR

“Quem bate em mulher, não precisa votar em mim”. A afirmação foi feita nesta terça-feira (20) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao participar de evento na cidade gaúcha de Rio Grande, para assinatura de contratos de construção de navios gaseiros, empurradores e barcaças.

 

Além de dizer que não quer os votos de homens que cometerem violência doméstica, Lula reiterou o compromisso do seu governo com o combate à violência cometida contra a mulher.

 

“Quem tem que evoluir somos nós, homens. Portanto, eu assumi essa luta, estamos fazendo um pacto nacional contra a violência contra a mulher. E eu vou dizer o seguinte, quem bate em mulher, não precisa votar em mim”, reforçou o presidente.

 

O discurso de Lula no dia em que foi divulgada uma triste estatística no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou um novo recorde de feminicídios em 2025, com ao menos 1.470 ocorrências em todo o país.

 

Os registros de 2025 superam os 1.459 contabilizados em 2024 (um aumento de ao menos 0,41%) e são os maiores em dez anos. Os dados, entretanto, ainda devem subir, uma vez que Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo ainda não enviaram os dados referentes aos crimes de dezembro.

 

Segundo disse Lula, a orientação dada pelo Palácio do Planalto é que todos os ministros de Estado abordem o tema durante seus discursos nas solenidades futuras.

 

“Quem tem que lutar contra o feminicídio não é a mulher, é o homem. Ele que é agressivo. Cada ministro meu sabe que em cada discurso a partir de agora, tem que falar da violência contra a mulher”, afirmou.

 

Na sua fala no evento, Lula se dirigiu diretamente às mulheres presentes, e pediu para que estudem, a fim de evitar que a violência seja perpetuada por motivos financeiros.

 

“Vocês não podem viver com alguém a troco de um prato de comida ou de um aluguel. Vocês têm que ser independentes. O homem não te respeita, se você for subserviente, se você ficar esperando que ele dê R$ 10 reais para comprar algo. É importante que o homem saiba que a mulher mora com ele porque gosta dele, não porque depende dele”, disse o presidente. 

 

O evento, que contou com a presença do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), foi realizado no Estaleiro Ecovix na cidade de Rio Grande. As contratações assinadas nesta tarde são parte do Programa Mar Aberto, que busca incentivar a indústria naval e offshore brasileira.
 

Duas mulheres morrem carbonizadas no Norte da Bahia; ex de uma das vítimas é principal suspeito
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Duas mulheres foram encontradas mortas após um incêndio atingir uma residência na madrugada desta sexta-feira (2), no município de Remanso, no norte da Bahia. Um homem, identificado como Igor Galvão de Sousa, de 31 anos, também foi encontrado morto no interior do imóvel e é considerado o principal suspeito. 

 

As vítimas, identificadas inicialmente como Micaela e Kacymyra, morreram carbonizadas, segundo informações da Polícia Civil (PC) ao g1. Conforme a PC, as mulheres ainda não foram identificadas formalmente. Informações preliminares indicam que Micaela e Kacymyra mantinham um relacionamento e, na ocasião, foram surpreendidas por Igor, ex-companheiro de uma delas, que teria provocado o incêndio no quarto onde as vítimas estavam.

 

Segundo a Polícia Militar, equipes da 25ª Companhia Independente (CIPM) foram acionadas após a informação de um incêndio em um imóvel localizado na Avenida José Dias Ribeiro. No local, os militares debelaram, com o apoio de moradores, as chamas. 

 

Os agentes acessaram o imóvel e localizaram as três pessoas sem vida. Os órgãos competentes foram acionados para a adoção das medidas cabíveis. Guias para perícia e remoção dos corpos foram expedidas, e o caso segue sob investigação pela Delegacia Territorial de Remanso.

 

A Polícia Civil informou que oitivas e diligências estão em andamento para identificar oficialmente as vítimas e esclarecer as circunstâncias do crime. A principal suspeita é Igor tenha tirado a própria vida após atentar contra o casal. As informações são do g1. 

Suspeito planejou emboscada para matar ex-companheira que possuía medida protetiva contra ele em Jequié
Fotos: Reprodução / Blog do Marcos Frahm / Ascom SSP-BA

Uma mulher de 35 anos, identificada como Aluana Ângela Matos dos Santos, foi assassinada com diversos golpes de faca pelo ex-companheiro nesta segunda-feira (29), na zona rural de Jequié, no Médio Rio de Contas. O crime ocorreu ainda em via pública no distrito de Florestal, localizado a cerca de 36 km da sede do município. Segundo as investigações, o autor orquestrou o ataque por não aceitar o fim do relacionamento.

 

Informações da Polícia Civil ao Bahia Notícias (BN) confirmam que o suspeito, Cleber de Jesus Santos, de 37 anos, planejou a ação monitorando a rotina da vítima. Ele teria aguardado o momento exato em que Aluana sairia da residência para trabalhar, quando realizou a abordagem até o momento em que desferiu as facadas.

 

Cleber também foi encontrado morto no local, e a Polícia Civil investiga se ele tirou a própria vida logo após cometer o feminicídio. Os corpos foram localizados por vizinhos, que acionaram a Polícia Militar. O relacionamento entre Aluana e Cleber durou anos e, devido ao histórico de conflitos, a vítima já possuía uma medida protetiva vigente contra o suspeito.

 

Cleber dos Santos e viatura da PM-BA no local | Fotos: Reprodução / Blog do Marcos Frahm

 

Conforme informações do Blog do Marcos Frahm, a mulher era bastante conhecida no distrito, com participação ativa na vida social da comunidade. Casos como esse parecem se repetir no interior da Bahia, ainda por meio de um descumprimento da ordem judicial e a premeditação do ataque chocaram a comunidade local. O ex-casal deixa um filho de três anos.

 

 A Polícia Civil segue acompanhando o caso. Os corpos foram encaminhados ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) e liberados ainda na segunda. O sepultamento de Aluana dos Santos ocorre ainda na manhã desta terça (30), no cemitério do distrito de Florestal. 

VÍDEO: No Pará, homem é preso após atear fogo na companheira na presença dos filhos
Foto: Redes Socias

Um homem foi preso, neste domingo (28), por tentativa de assassinato contra a companheira em Salinópolis, município no nordeste do Pará. Identificado como Edson Vales Coelho, o suspeito teria ateado fogo contra a companheira na presença dos filhos da vítima, e um deles acabou ficando ferido. 

 

Segundo informações da Polícia Civil do Pará as investigações tiveram início após denúncias feitas por vizinhos da família, que acionaram as autoridades ao presenciarem a violência. O suspeito fugiu do local em uma motocicleta logo após o crime.

 

 

A fuga foi registrada por um circuito de câmeras de segurança de um imóvel vizinho. A mulher e os filhos foram socorridos e encaminhados a uma unidade hospitalar para receber atendimento médico. Diante da gravidade da ocorrência, a Polícia Civil requisitou imediatamente a realização de perícias técnicas no local do crime.

 

Perícias foram solicitadas no local do crime, e o caso é investigado como tentativa de feminicídio, no contexto de violência doméstica e familiar. As investigações seguem em andamento para esclarecer a dinâmica do ocorrido e reunir provas que serão encaminhadas à Justiça. As informações são do g1 e CNN. 

Levante Mulheres Vivas: Baianas vão às ruas neste domingo em luta nacional contra o feminicídio
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Mapa Segurança Pública de 2025, divulgado em junho deste ano, aponta que cerca de quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil, o equivalente a uma morte a cada 8 horas. É neste contexto, com mais de 1.400 mulheres mortas por feminicídio no Brasil em 2024, que o Levante Mulheres Vivas vem organizando protestos contra a violência de gênero em todo o Brasil. Após uma série de protestos no dia 7 de dezembro, a mobilização busca levar as mulheres baianas às ruas no dia 14 de dezembro, este domingo. 

 

Por meio de publicações nas redes sociais, o grupo responsável pela mobilização, o Levante das Mulheres Vivas na Bahia, mostra os rostos de mulheres comuns, em suas mais diversas áreas de atuação, que se chamam outras colegas, amigas e familiares para o protesto que deve ser iniciado às 10h a partir do Cristo da Barra em direção ao Farol, ponto turístico da capital baiana. 

 

O Bahia Notícias conversou com Sandra Munõz, uma belo-horizontina que vive na Bahia há mais de 37 anos, e adotou a defesa das mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ como sua luta pessoal. Líder estadual do Levante e participante organizadora de outras manifestações nacionais, ela destaca a importância deste momento. 

 

“O que impacta mesmo agora é isso. As mulheres estão cansadas, elas não aguentam mais ver morte, não aguentam ver mais assassinatos. Então, eu acho que quando as mulheres vão para rua, é nesse sentido”, afirma. Para ela, o momento da mobilização também é importante: “É para a gente falar: ‘Ó, nós estamos aqui no processo do Natal, que em vez de a gente estar cuidando, né, das nossas vidas, tirando férias, cuidando da nossa família para o Natal, eu estou no meio da rua pedindo que eu viva até o final do ano, como as outras companheiras não conseguiam viver’”, destaca.

 


A esquerda, de chapéu vermelho, Sandra Munhõz | Foto: Arquivo pessoal

 

Ela considera que, apesar da crescente campanha nacional de conscientização sobre o tema, as políticas públicas são insuficientes. Como gestora de uma casa de acolhimento a mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ em Salvador, a Casa de Acolhimento Marielle Franco Brasil, aberta oficialmente em 2023, Sandra narra uma dessas experiências que se tornaram comuns em sua rotina. 

 

“Uma menina estava na Casa da Mulher Brasileira chorando e uma amiga me ligou e falou: ‘Sandra, eu tenho uma amiga minha que ela não tem para onde ir, com quatro crianças’. Na hora, eu pensei: ‘Como assim, quatro crianças não tem para onde ir? A Casa da Mulher Brasileira não é o lugar que indica para ir à casa de acolhimento?’. E ela responde que o marido dela estava na casa dela e ela não tinha medida protetiva. O pessoal ligou para a polícia ir lá tirar ele, e quando chegou, o policial disse que não poderia tirar ele da casa sem a medida protetiva”, relata. “Na delegacia, o delegado pergunta se o marido bateu nela e ela respondeu: ‘Não, hoje não, mas ele tá sempre me batendo’ e ele fala: ‘Ah, mas você não tem marca". Então assim, então as mulheres estão cansadas disso”, conclui. 

 

Apesar de lidar cotidianamente com histórias como essa, Sandra revela ainda que sua relação com a violência começou muitos anos antes. Quando, ainda criança, a violência de gênero atravessou a sua vida e a de sua mãe. “A minha militância começa com 13 anos de idade. Eu era jogadora de futebol em Belo Horizonte, fazia Senai em mecânica e um dia eu cheguei em casa do futebol, meu pai estava batendo nela", relata. 

 

"Eu peguei a mão dele e falei: ‘Nunca mais você bate nela e eu vou te meter porrada’. Claro que ele me bateu, mesmo eu batendo nele, porque ele era mais forte, mas eu falei com a minha mãe: ‘Vamos sair dessa casa, vamos sair dessa vida’. Ela disse: ‘Olha, para mim não tem mais jeito. Eu apanho do seu pai já tem 20 anos e é a primeira vez que eu que ele me bate na sua frente, [é a primeira vez que] você chegou e ele não parou’”, completa. 

 

A ativista conta que esse momento funcionou como uma virada em sua vida. E a influência de sua mãe a tornou “um monstro” contra o patriarcado e em defesa das mulheres: “Ela disse: ‘Mas eu quero que você vire um monstro para salvar as mulheres, que como eu não fui, você consiga ser liberta, salva, eu quero você salva e não quero que você coma reggae de ninguém, eu quero que você seja determinada a salvar as mulheres’”, completa Sandra. 

 

E com esse impulso ela conta que acabou se engajando nacional e internacionalmente movimentos feministas, principalmente contra a violência de gênero. Pedagoga, Sandra Munõz já chegou a comandar a Marcha das Vadias, no Brasil, e a Marcha las Putas, em outros países da América Latina, ambas em protesto pelos direitos das mulheres e liberdade sexual feminina. É essa experiência que ela quer usar neste domingo: 

 

“Na verdade, quando as mulheres me chamam, né, para estar na frente nacionalmente, é porque elas já sabem [dessas experiências]. Então, eu já tenho uma experiência de estar fazendo essa movimentação. Eu estou desde o começo, porque o movimento ele não começa agora”, conta. “Assim, quem tava pegando pesado mesmo é a Casa Marielle Franco e nós começamos a chamar as outras mulheres e de outros movimentos e falar: ‘Olha, é o seguinte, nós vamos fazer sozinhas. Se vocês não quiserem, nós vamos para a rua mesmo assim”.

 

Reunião de chamada do Levante Mulheres Vivas em Salvador | Foto: Reprodução / Arquivo pessoal.

 

Sobre as expectativas para a realização da manifestação no domingo, Sandra destaca que o posicionamento segue o mesmo. “Eu não quero saber de quantidade. Eu não quero colocar 1.000 mulheres na rua. Eu quero colocar três que têm consciência do que a gente tá fazendo, entendeu?”, destaca. 

 

Ela explica que é difícil mensurar o impacto de manifestações pelo tamanho, especialmente considerando temas mais sensíveis. Por isso, ela diz que “então, eu não estou preocupada de colocar 5 milhões na rua, colocar 9 milhões”. “Que legal se a gente colocar, mas isso para mim não é importante. Eu quero que a mulher entenda que ela tá lá na rua, porque a irmã dela, a vizinha dela ou ela pode ser a próxima [vítima]”, completa. 

 

Apesar disso, o que se viu nas ruas no último domingo (7) foram milhares de mulheres nas ruas do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG). Na capital paulista, o ato reuniu 9,2 mil pessoas, segundo levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a USP.

 

É pensando nisso que as baianas - de nascimento e de coração - vão iniciar a concentração do Levante às 9h da manhã, no Cristo da Barra, para ecoar as vozes de milhares de mulheres em defesa de suas vidas.  

País é "muito machista" e mulheres não são tratadas com respeito na rua, em casa ou no trabalho, mostra pesquisa
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil é um país fortemente machista, e as mulheres não são tratadas com respeito nem na rua, nem no trabalho e até em suas casas. Esses são alguns dos resultados da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizado pelo DataSenado e pela Nexus, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal.

 

O estudo é um dos maiores levantamentos feitos no país sobre o tema da violência contra a mulher, e revela em números o que as brasileiras vivem em seu dia a dia: falta de respeito, agressões, violência e machismo são constantes na vida da mulher. 

 

O levantamento mostra uma quase totalidade na percepção entre as mulheres de que o machismo segue sendo regra no país, e não exceção: 94% das entrevistadas classificam o Brasil como um país “muito machista”. 

 

Em relação à falta de respeito com que são tratadas no  dia dia, os resultados mostram que esse desrespeito constante atravessa atravessa todos os espaços da vida das mulheres:

 

49% acham (pensam/percebem) que as mulheres não são respeitadas nas ruas; 24% acham (pensam/percebem) que as mulheres não são respeitadas no trabalho; 21% acham (pensam/percebem) que as mulheres não são respeitadas em casa, pela família.

 

Desde 2011, a rua é o ambiente mais mencionado como local de maior desrespeito às mulheres brasileiras. Ainda que a quantidade de mulheres com esta percepção tenha caído 3 pontos percentuais entre 2023 e 2025, quase metade (49%) das entrevistadas ainda afirma que é nas vias públicas que as mulheres ficam mais vulneráveis. 

 

Já a percepção de que o desrespeito é maior dentro de casa aumentou 4 pontos, o que corresponde a cerca de 3,3 milhões de mulheres a mais que passaram a ver o ambiente familiar como o lugar mais inseguro.

 

Os dados do levantamento mostram que em relação ao ambiente de trabalho, não houve alteração significativa da pesquisa atual em relação às anteriores. O local de trabalho, entretanto, permanece sendo o segundo ambiente em que as mulheres percebem que há menos respeito.

 

Em relação à violência de gênero, a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher mostra que, desde 2017, cerca de oito em cada dez mulheres acreditam que houve aumento nas agressões domésticas. Em 2025, 79% afirmaram perceber um crescimento da violência. 

 

Quando perguntadas sobre a reação das vítimas: Apenas 11% acreditam que mulheres denunciam “sempre” ou “na maioria das vezes”; 23% dizem que as vítimas não denunciam.

 

A percepção de que o Brasil é um país machista continua praticamente unânime entre as mulheres. Em 2025, 94% delas afirmam viver em um país machista, mesmo índice de 2023. O que mudou foi a intensidade: o grupo que considera o Brasil muito machista subiu de 62% para 70% em dois anos, o que representa 8 milhões de mulheres a mais com avaliação mais crítica sobre a desigualdade de gênero.

 

A edição deste ano da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher teve como população-alvo mulheres com 16 anos ou mais, residentes no Brasil. No total, foram 21.641 entrevistas. As amostras do DataSenado são totalmente probabilísticas, permitindo calcular a margem de erro para cada resultado com nível de confiança de 95%. 
 

Ministro do STF Edson Fachin faz apelo por ação coordenada contra escalada da violência de gênero
Foto: Victor Piemonte / STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, abriu a sessão plenária desta quarta-feira (3) com um chamado à ação imediata para enfrentar a escalada da violência contra mulheres e meninas no país. “Não descansaremos enquanto houver uma mulher em risco”, afirmou, definindo um tom de urgência ao tema.

 

Em seu pronunciamento, Fachin conclamou a sociedade a enfrentar as bases culturais do problema. “É urgente romper o silêncio, enfrentar o preconceito e superar a naturalização do machismo”, disse. Para ele, é indispensável que o Brasil supere os padrões que perpetuam a violência nos lares, nos ambientes de trabalho e nos espaços públicos.

 

O ministro destacou que a gravidade de episódios recentes, como o feminicídio brutal de uma jovem em Santa Catarina, exige do Poder Judiciário uma atuação firme. “O Judiciário expressa sua solidariedade irrestrita às famílias e às pessoas próximas às vítimas dessas atrocidades. Àquelas que perderam mulheres queridas — mães, filhas, irmãs, companheiras, colegas de trabalho —, oferecemos nosso respeito, compaixão e compromisso de lutar por justiça, reparação e memória”, declarou.

 

Fachin defendeu que apenas uma ação coordenada pode frear a violência que atinge as mulheres de forma desproporcional. Por isso, conclamou para uma atuação conjunta de autoridades dos três Poderes, profissionais de segurança pública, saúde, assistência social, imprensa e sociedade civil. “A proteção das mulheres exige ação contínua, vigilância institucional e compromisso de toda a sociedade”, afirmou.

 

DIMENSÃO DO PROBLEMA
Os dados citados pelo ministro têm base no Relatório Anual Socioeconômico da Mulher, do Ministério das Mulheres, que registrou 1.450 feminicídios em 2024, além de 2.485 homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte contra mulheres. A violência sexual também foi apontada como alarmante: 71.892 casos de estupro no último ano, uma média de 196 por dia, sendo a maioria das vítimas meninas de até 13 anos, agredidas dentro de casa por conhecidos.

 

Fachin também destacou a dimensão racial da violência. “Entre as mulheres adultas vítimas de violência, mais de 60% são pretas ou pardas. Esses dados demonstram a interseção entre gênero, raça e vulnerabilidade social.”

 

No âmbito da Justiça, o Painel de Violência contra a Mulher do CNJ contabilizou, em 2024, 6.066 processos de feminicídio julgados em primeiro grau e cerca de 869 mil pedidos de medidas protetivas, com 92% concedidos imediatamente. Para o ministro, esses números, ainda que representem “a face visível de uma realidade marcada pela subnotificação”, evidenciam o esforço do Judiciário.

 

Ele reiterou que o Poder Judiciário permanecerá mobilizado e que não há espaço para tolerância. “Há um repúdio absoluto a toda e qualquer forma de violência contra a mulher. Não há relativização possível quando vidas são ceifadas e famílias são destruídas.”

 

INVISIBILIDADE
A ministra Cármen Lúcia, que também se manifestou, ressaltou que o país vive um momento alarmante. “Não se sabe se é um aumento gritante de casos de feminicídio ou se estamos saindo de uma invisibilidade em que isso acontecia de uma maneira silenciosa e, portanto, mais trágica ainda”, ponderou, lembrando que o tema foi recentemente debatido em encontro nacional do Judiciário.

 

Ela afirmou que a violência de gênero, seja física, política ou econômica, nega a civilidade e a própria humanidade, configurando uma tragédia cotidiana. A ministra reforçou que “não há democracia sem igualdade” e destacou o compromisso do Judiciário de atuar, alertar e contribuir para o combate às diversas formas de agressão.

Professora é esfaqueada várias vezes enquanto dormia em casa em cidade do Recôncavo Baiano
Foto Ilustrativa: Reprodução / Ascom SSP-BA

Uma professora foi encontrada morta ainda na cama na noite deste sábado (22), por volta das 19h, em Salinas da Margarida, no Recôncavo Baiano. A principal linha de investigação aponta para feminicídio, sendo suspeito o marido da vítima, cujo nome não foi divulgado.

 

Informações do Blog do Valente, parceiro local do Bahia Notícias, confirmam que a professora foi atingida por golpes de faca enquanto dormia. Após o ataque, o principal suspeito teria ingerido uma quantidade elevada de medicamentos. Ele foi socorrido e encaminhado para atendimento médico.

 

Há relatos divergentes entre vizinhos e pessoas próximas: alguns indicam que ele tentou tirar a própria vida, enquanto outros sugerem que o mal-estar foi provocado por uma condição diabética preexistente. O suspeito permanece sob custódia médica.

 

Relatos apontam que o crime pode ter sido motivado por ciúmes e um histórico de conflitos no relacionamento do casal. No entanto, as autoridades não confirmaram essa versão publicamente. Conflitos domésticos costumam ser uma característica comum em casos de feminicídios, o interior baiano tem tido um aumento de casos como este nos últimos anos.

 

A Polícia Civil já deu início às investigações para esclarecer a dinâmica do crime e a motivação exata. A vítima deixa um filho, e o caso causou grande comoção na cidade.

Ex-candidato a vereador é preso após tentar matar esposa em Mata de São João
Foto: Reprodução / Mais Região

Um idoso, de 68 anos, foi preso por tentativa de feminicídio neste domingo (16) em Mata de São João, no Litoral Norte baiano. O agressor foi identificado como Olavo Gonzaga de Jesus, um ex-candidato a vereador da cidade. Segundo o Mais Região, parceiro do Bahia Notícias, a vítima foi a companheira, Aida Maria Paim de Jesus, de 64 anos.

 

De acordo com relatos, Olavo teria jogado álcool na esposa após uma discussão e tentou atear fogo nela. A vítima conseguiu impedir que as chamas se acendessem e correu para a varanda, pedindo socorro. Nesse momento, o agressor teria usado uma faca para golpeá-la.

 

Os gritos foram ouvidos por vizinhos, que arrombaram o portão e retiraram a vítima. Ao entrarem na casa, encontraram Aida caída e Olavo ainda com a faca. Os moradores usaram pedaços de madeira para desarmá-lo e imobilizá-lo.

 

Em seguida, ambos foram levados ao Hospital Municipal Dr. Eurico Goulart de Freitas. A Polícia Militar (PM-BA) informou que a vítima tinha perfurações no antebraço, no braço e no tórax. Já o agressor apresentava um corte na mão, resultado da tentativa de contê-lo. No hospital, ele recebeu voz de prisão.

 

Ainda segundo informações, a idosa foi transferida para o Hospital Geral de Camaçari (HGC) por causa da gravidade dos ferimentos. Não há mais informações sobre o estado de saúde dela.

 

Após ser apresentado na 1ª Delegacia de Mata de São João, o agressor foi encaminhado à Central de Flagrantes de Simões Filho, também na RMS. Ele vai responder por tentativa de feminicídio.

Segundo suspeito do feminicídio é preso em Salvador
Foto: Divulgação/Ascom-PCBA

Um homem de 23 anos foi preso nesta quinta-feira (6) por equipes da Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP), unidade vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele é suspeito de ser coautor do feminicídio de Fabiana Correia Cardoso, ocorrido no dia 11 de setembro. 

 

A ação contou com o apoio do Grupo de Capturas (GCAP).

 

O investigado foi localizado no bairro de Narandiba, conduzido à sede da DPP, onde foi interrogado, passou pelos exames legais e segue custodiado na 1ª Delegacia Territorial (DT/Barris), à disposição da Justiça.

 

A prisão representa mais um avanço nas investigações conduzidas pela DPP, que seguem em andamento com o objetivo de esclarecer completamente os fatos e identificar a participação de todos os envolvidos

Homem é preso em Guanambi após matar companheira; caso seria 2° feminicídio cometido por acusado
Foto: Divulgação / SSP-BA

Um homem, de 51 anos, foi preso em flagrante acusado de matar a companheira, Sirleide da Silva Pinto, de 53 anos, em Guanambi, no Sertão Produtivo, Sudoeste baiano. O crime, investigado como feminicídio, ocorreu na casa onde o acusado morava com a vítima, na região da Lagoa dos Urubus, zona rural do município.

 

Conforme a Polícia Civil, o homem atacou a vítima com uma faca e, em seguida, fugiu para uma área de mata. Ele foi localizado e preso horas depois por equipes do Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher (Neam/Guanambi), com o apoio da 22ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin).

 

Ainda segundo informações, o acusado já tinha antecedentes criminais e chegou a cumprir pena também de feminicídio no estado de São Paulo. Além disso, a vítima já havia denunciado o agressor por violência doméstica no início do ano.

 

Na época, foram solicitadas medidas protetivas e decretada a prisão preventiva do homem. Ele chegou a ser preso, mas foi liberado após audiência de custódia. Após esta nova prisão, o suspeito foi conduzido à sede do Neam de Guanambi, onde foi autuado em flagrante por feminicídio. Ele segue custodiado na 22ª Coorpin, à disposição da Justiça.

 

“A ação rápida das equipes foi fundamental para garantir a prisão do autor e dar uma resposta imediata à sociedade diante de mais um caso de violência contra a mulher”, afirmou a delegada Ruth Maria, titular do Neam de Guanambi.

Polícia procura homem acusado de feminicídio com histórico de violência contra mulheres em Guanambi
Foto: Lay Amorim / Achei Sudoeste

A Polícia Civil e militar de Guanambi estão em força-tarefa para capturar um homem acusado de cometer feminicídio contra a ex-companheira, Sirleide Pinto, de 53 anos. O crime ocorreu na última terça-feira (3), na Fazenda Lagoa do Urubu, zona rural de Guanambi, no sudoeste baiano. 

 

A Tenente Coronel Gilmara Santana, comandante do 17º BPM em entrevista ao Achei Sudoeste, parceiro do Bahia Notícias, detalha a vítima foi assassinada pelo ex-parceiro. O relacionamento entre o casal era marcado por abusos, tanto que a vítima possuía uma medida protetiva contra o ex-marido.

 

A comandante da PM destacou o perfil de alta periculosidade do foragido. Para a Tenente Coronel, é preciso alerta pois o acusado já tem um grave histórico criminal, incluindo uma prisão anterior também pelo crime de feminicídio no estado de São Paulo.


O suspeito estava em liberdade desde fevereiro deste ano, por força de um alvará de soltura. As forças de segurança pedem que qualquer informação que possa levar à localização do foragido seja repassada às autoridades.

Mulher é assassinada pelo companheiro na zona rural no sudoeste baiano
Fotos: Reprodução / Google Street View / Achei Sudoeste

Uma mulher, moradora de Palmas de Monte Alto, foi morta na manhã desta quarta-feira (5) na Fazenda Lagoa do Urubu, zona rural de Guanambi, no sudoeste baiano. A mulher apresentava múltiplas lesões cortantes e perfurocortantes na região do pescoço e crânio. Após o ato, o suspeito fugiu do local e segue procurado.

 

Segundo informações do 17º Batalhão de Polícia Militar (BPM) ao Achei Sudoeste, parceiro local do Bahia Notícias, uma guarnição foi acionada por volta das 7h45 para averiguar uma denúncia de agressão por arma branca na residência do casal.

 

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) esteve no local e constatou que a vítima havia sido morta em um caso de feminicídio, praticado supostamente pelo seu companheiro, um homem de 51 anos.

 

O Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizou o levantamento cadavérico. O corpo da vítima foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) em Guanambi. Uma ocorrência foi registrada na Delegacia Territorial de Guanambi, e a Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.

 

O interior da Bahia possui diversos casos de feminicídios registrados crescentemente até 2024, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública até 2024. Só a cidade de Guanambi registrou 4 casos de feminicídios no passado de acordo com Fórum brasileiro de Segurança pública. 

Justiça condena homem a 28 anos por matar ex-esposa em Amélia Rodrigues; crime ocorreu há 17 anos
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Um homem foi condenado a 28 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato da ex-companheira em Amélia Rodrigues, no Portal do Sertão. O júri popular que condenou Gevaneide Gonçalves dos Santos pela morte de Ana Léa dos Santos Menezes ocorreu nesta segunda-feira (3) e durou em torno de seis horas.

 

Segundo a TV Subaé, o crime aconteceu no dia 9 de novembro de 2008 e, conforme a acusação, foi motivado pela não aceitação do fim do relacionamento. A vítima tinha 30 anos quando foi morta. Apesar de se enquadrar na tipificação de feminicídio, a sentença foi enquadrada como homicídio qualificado por motivo fútil, uma vez que femincídio só foi incluído no Código Penal brasileiro em 2015, sete anos após o assassinato.

 

Atualmente, Gevaneide está preso na Unidade Prisional de Novo Oriente, no Ceará, onde cumpre pena pelo crime. Ele foi capturado em setembro deste ano, na cidade de Tauá (CE), após quase 18 anos foragido. A defesa informou que pretende recorrer da sentença, e ainda não há definição sobre o presídio para onde o condenado será transferido.

 

O CRIME
De acordo com relatos da família, no dia do crime, Ana Léa estava na casa da mãe e pediu que a filha, de dez anos, fosse até a residência dela, a poucas casas de distância, para buscar uma roupa. Ao chegar no local, a criança encontrou Gevaneide dentro da casa. Ele pediu que ela chamasse a mãe e não contasse a ninguém que estava ali.

 

Quando Ana Léa entrou no imóvel, foi atingida por um tiro à queima-roupa na cabeça Após o disparo, o acusado fugiu e confessou o crime a uma pessoa de confiança, que teria ajudado na fuga dele.

 

Parentes da vítima encontraram Ana Léa baleada e a levaram para o Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana, onde ela teve morte cerebral confirmada.


Ainda segundo familiares, Ana Léa viveu um relacionamento conturbado com o agressor por cerca de dois anos, marcado por agressões físicas e ameaças constantes.

 

Após o término, ele passou a persegui-la, dizendo que “a próxima Eloá da Bahia seria ela”, em referência ao caso da jovem Eloá Pimentel, morta em 2008 pelo ex-namorado após ser feita refém. Na época, os filhos da vítima eram crianças e ficaram sob os cuidados de familiares.

Homem confessa assassinato da companheira e é preso em Salvador
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Um homem de 23 anos foi preso após confessar ter matado sua companheira, a cabeleireira Fabiana Correia Cardoso, de 43 anos. A prisão temporária ocorreu na terça-feira (21/10) em Salvador, por equipes da Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP). A vítima está desaparecida desde setembro e seu corpo ainda não foi localizado.

 

Durante o interrogatório, o suspeito admitiu envolvimento no homicídio de Fabiana. As autoridades investigam o caso como feminicídio e trabalham para determinar as circunstâncias exatas e a motivação do crime.

 

Familiares da vítima comunicaram o desaparecimento às autoridades após perderem contato com ela. Segundo informações fornecidas por eles à polícia, Fabiana foi vista pela última vez no dia 11 de setembro, na companhia do suspeito, na localidade de Areia Branca, em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador.

 

A investigação indica que o desaparecimento de Fabiana já dura mais de um mês. A diferença de idade entre a vítima e o suspeito é de 20 anos.

 

Apesar da confissão, os investigadores ainda buscam localizar o corpo de Fabiana Correia Cardoso. As autoridades continuam coletando evidências adicionais para fundamentar o caso enquanto o suspeito permanece à disposição da justiça.

Ex-vereador acusado de matar jovem grávida vai a júri popular na Bahia; corpo da vítima nunca foi encontrado
Foto: Reprodução / Achei Sudoeste

O ex-vereador de Barra da Estiva, na Chapada Diamantina, Valdnei da Silva Caires, vai a júri popular nesta quinta-feira (16). O julgamento ocorre em Brumado, no Sertão Produtivo, Sudoeste baiano, e está previsto para começar às 8h30, informou a TV Sudoeste.

 

Bô, como o réu é conhecido, foi acusado pelo desaparecimento e morte de Beatriz Pires da Silva, de 25 anos. Desde janeiro de 2023, quando ficou desaparecida, o corpo dela, que estava grávida de seis meses, nunca foi encontrado.

 

Beatriz era mãe de uma criança de dois anos, que também seria do relacionamento com Valdinei. A jovem foi vista pela última vez no dia 11 de janeiro de 2023, entrando em um carro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, veículo que era frequentemente utilizado por Valdnei.

 

Pouco antes do sumiço, Beatriz contou à mãe que viajaria com o pai do filho dela, mas não revelou a identidade dele. Durante as apurações, a polícia confirmou que Beatriz e o então vereador mantinham um relacionamento. Em junho de 2023, Valdnei foi preso preventivamente, acusado de homicídio qualificado. Um mês depois, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou o ex-vereador por feminicídio.

 

Segundo a acusação, o crime teria sido motivado pela tentativa de impedir que Beatriz revelasse a paternidade da gestação, já que o político era uma figura influente na cidade.

 

Durante as investigações, Valdnei renunciou à presidência da Câmara Municipal após pressão dos colegas, dez vereadores chegaram a protocolar um pedido formal de renúncia. Mesmo assim, ele permaneceu no cargo de vereador até ser preso. O mandato dele foi cassado em sessão extraordinária, por decisão unânime. 

Vereador Morão é denunciado novamente por violência doméstica em Santo Antônio de Jesus
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O político Edivan de Jesus Santos, conhecido como nas urnas como vereador Morão, voltou a ser alvo de denúncias por agressões contra sua esposa, o mais recente episódio teria ocorrido na manhã do último sábado (11), quando ele supostamente exibiu uma arma para a companheira vizinhos teriam intervindo na confusão e acionado as autoridades em Santo Antonio de Jesus.

 

Em resposta aos relatos a Polícia Civil agiu prontamente e expediu uma medida protetiva contra o vereador esta medida legal visa o afastamento dele do lar e a proibição de se aproximar da vítima. A Polícia Civil segue investigando detalhadamente o caso.

 

Em nota enviada ao Bahia Notícias (BN) a Polícia Civil informou que "o Poder Judiciário já deferiu as medidas protetivas que foram solicitadas pela Delegacia Territorial de Santo Antônio de Jesus e que diligências investigativas estão sendo feitas para esclarecer todas as circunstâncias do caso", conclui a diligência.

 

A corporação também acrescentou que mais detalhes não podem ser divulgados nessa fase inicial, para "não atrapalhar o andamento do inquérito policial". As informações foram confirmadas pelo Blog do Valente, parceiro do Bahia Notícias. 

 

É importante lembrar que este não é o primeiro incidente envolvendo o parlamentar em fevereiro deste mesmo ano Morão já havia sido detido sob acusação grave de acusação de tentativa de feminicídio contra a mesma mulher em meio a uma discussão.

 

Naquela época a Polícia Civil apontou que as agressões incluíram o uso de faca e pedaço de madeira Morão ficou foragido por cerca de duas semanas até ser encontrado e preso na Ilha de Boipeba a aproximadamente 13 km de Salvador, chegando a ser transferido para um presídio de Valença.

 

No entanto após a prisão anterior a esposa do vereador Michele Costa chegou a fazer uma declaração pública na qual manifestou arrependimento pela denúncia e defendeu a inocência do marido. Logo após isso o vereador se desculpou ainda em tribuna. O BN procurou o acusado, mas até o momento não houve resposta.  

Enfermeira é morta asfixiada em Maceió; ex-marido é suspeito de crime por não aceitar fim do casamento
Foto: Arquivo Pessoal

Um novo caso de feminicídio foi registado em Alagoas, Maceió. A enfermeira Ketyni Maria Gomes da Silva, foi encontrada sem vida na casa onde vivia, no bairro do São Jorge.

 

O principal suspeito do crime é o ex-marido de Ketyni, identificado apenas como Jeferson, de 26 anos. Segundo a publicação, Jeferson não aceitava o fim do relacionamento. 

 

De acordo com o g1 Alagoas, Ketyni foi morta asfixiada na frente de um dos filhos. A enfermeira tinha dois filhos com Jeferson, e um deles estava nos braços do pai quando ele se entregou às autoridades, em uma delegacia, horas depois do assassinato.

 

Após a confissão, o suspeito teria acompanhado os policiais até a residência da vítima, onde o corpo de Ketyni foi encontrado sem vida em cima de uma cama de casal.

 

Jeferson foi encaminhado para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Polícia prende ex-companheiro suspeito de matar mulher em Gandu
Foto: Reprodução / Ascom / PC-BA

A Polícia Civil efetuou a prisão preventiva de um homem de 44 anos na noite desta segunda-feira (6), na localidade de Portelinha, dentro do município de Gandu, no sul da Bahia. O suspeito é apontado pelas investigações como o autor do feminicídio de sua companheira, ocorrido uma semana anterior a prisão.

 

 

A vítima foi identificada como Jaqueline de Jesus, de 24 anos, era parceira do suspeito pelo crime ocorrido no dia 30 de setembro, na residência do casal, localizada no bairro Teotônio Calheira. Segundo a polícia, Jaqueline foi fatalmente atingida por golpes de arma branca.

 

 

Apesar de ter sido socorrida e encaminhada a uma unidade de saúde mais próxima, a jovem não resistiu à gravidade dos ferimentos. O mandado de prisão preventiva foi prontamente solicitado e expedido pela Vara Criminal de Gandu.

 

 

Policiais da Delegacia Territorial (DT) da cidade investigam o ex-companheiro da vítima como principal suspeito pelo crime de feminicídio. O homem foi localizado e preso na mesma noite em que o mandado foi emitido. Ele foi levado à unidade policial e segue preso.

TJ-BA lança prêmio para reconhecer jornalismo que combate a violência doméstica
Foto: Aline Gama / Bahia Notícias

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), por meio da Coordenadoria da Mulher, lançou o 1º Prêmio de Jornalismo “Narrativas que Salvam”. A iniciativa, que integra a programação da 31ª Semana da Justiça pela Paz em Casa, tem como objetivo central reconhecer e valorizar produções jornalísticas que contribuam para o enfrentamento da violência doméstica e do feminicídio no Brasil. O edital foi publicado nesta sexta-feira (3), e as inscrições, gratuitas, estarão abertas de 3 de outubro a 3 de novembro de 2025.

 

A desembargadora Nágila Maria Sales Brito, presidente da Coordenadoria da Mulher, justificou a criação do prêmio pela necessidade de destacar o poder da narrativa jornalística como instrumento de resistência, conscientização e transformação social. “O Prêmio ‘Narrativas que Salvam’ representa o reconhecimento ao trabalho jornalístico que salva vidas, ao romper o silêncio, alertar sobre riscos e apontar caminhos para uma sociedade mais justa, igualitária e livre de violência de gênero”, afirma o texto do edital.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, a desembargadora expressou profunda preocupação com a forma como os casos de violência têm sido noticiados, alertando para um possível “efeito gatilho”. Ela citou casos emblemáticos de extrema crueldade, como a agressão em que a vítima recebeu 61 socos, seguido por um crime similar em Brasília dias depois, e agressões com soda cáustica que causam deformidades permanentes.

 

Foto: Aline Gama / Bahia Notícias

 

“A gente tem que procurar saber: como a gente pode salvar essas mulheres? A primeira coisa logo que me preocupa nesses casos que são bem emblemáticos é que sempre tem um gatilho. Essas notícias todos os dias dizendo o modus operandi... acho que incentiva”, declarou a magistrada.

 

A desembargadora defendeu uma mudança no foco das coberturas. Em vez de detalhar o método do crime, as reportagens deveriam destacar as consequências humanas e sociais, como as crianças órfãs e a responsabilização financeira do agressor. “Quem vai criar suas crianças? E a repercussão dessas crianças, o que vai ser da parte psicológica e da parte material. Quem vai pagar essa conta?”, questionou.

 

Ela também enfatizou a importância de informar sobre as medidas de responsabilização, como a obrigação do agressor de custear despesas médicas, indenizações e até mesmo o valor da tornozeleira eletrônica. “São notícias que tem que dizer assim, olha, nós não estamos parados, a gente vai tomar providências para não onerar demais a sociedade”, completou.

 

O prêmio é destinado a jornalistas profissionais e estudantes de jornalismo de toda a Bahia, com trabalhos veiculados entre janeiro de 2024 e setembro de 2025. As categorias profissionais incluem Reportagem Escrita, Audiovisual, em Áudio e Fotojornalismo. Já a categoria universitária aceita artigos, publicações ou Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Cada participante pode inscrever até dois trabalhos por categoria, que serão avaliados por uma comissão julgadora com base em critérios como relevância social, qualidade narrativa, profundidade investigativa e potencial transformador.

 

A premiação consistirá em troféu, diploma e certificado de reconhecimento. Os finalistas serão divulgados no dia 11 de novembro, e a cerimônia de premiação está marcada para 24 de novembro, no auditório do TJ-BA, no Centro Administrativo da Bahia.

Mulher é esfaqueada e perseguida pelo companheiro até o hospital em Ribeira do Pombal
Fotos: Reprodução / Google Street View

Uma mulher sofreu uma tentativa de feminicídio na noite do último domingo (28) no bairro Pombalzinho, zona leste de Ribeira do Pombal, no nordeste baiano. O principal suspeito é o companheiro da vítima, tentou dar continuidade às agressões dentro do hospital para onde a mulher havia sido socorrida. Até o momento, o suspeito não foi localizado.

 

Segundo informações do Portal Alerta, parceiro do Bahia Notícias, a polícia militar realiza buscas pelo suspeito, que conseguiu fugir antes da chegada das autoridades. A vítima estava em frente à casa de uma amiga, na Rua do Cruzeiro, quando foi surpreendida pelo seu parceiro.

 

O homem a teria chamado para ir embora, e diante da recusa, iniciou a agressão. O autor desferiu um golpe de faca que atingiu as costas da mulher. Após isso, ele teria arrastado a vítima pelos cabelos e tentado golpeá-la novamente com o objeto cortante.

 

O ataque só foi interrompido graças à intervenção rápida de moradores que estavam no local. A mulher foi imediatamente levada para o Hospital Geral Santa Tereza (HGST), onde recebeu atendimento médico. Apesar da gravidade do ataque, o ferimento não colocou sua vida em risco.

 

ATAQUE NO HOSPITAL

O caso não acabou no hospital, após a vítima ir até unidade de saúde, o suspeito foi até ao HGST em busca da vítima para continuar as agressões, mas foi novamente impedido por pessoas presentes no local. Logo após a chamada da Polícia Militar, o homem fugiu. O paradeiro segue desconhecido, o companheiro é considerado foragido. 

 

A Polícia Civil local deve investigar o caso como tentativa de feminicídio e solicita que qualquer informação sobre o paradeiro do suspeito seja denunciada anonimamente pelo número 181.

 

Casos como esse não isolados, nos últimos anos o interior baiano tem tido, infelizmente muitos casos de feminicídios, somente no ano de 2024, o município de Ribeira de Pombal registrou quatro mortes por feminicídio segundo dados do Ministério de Segurança Pública. 

Homem é preso por tentativa de feminicídio após agredir ex-namorada e lançar carro em rio no Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução / Dourados Agora

Um homem de 34 anos foi preso sob a acusação de tentativa de feminicídio após desferir agressões contra a ex-namorada e, em seguida, lançar o veículo em que ambos estavam nas águas do rio Dourados, em Fátima do Sul (MS). O crime ocorreu no bairro Jardim Pioneiro.

 

De acordo com o boletim de ocorrência, o casal havia ido a um show em Dourados e, durante o trajeto de volta, uma discussão iniciou. O homem passou a agredir a vítima com socos e puxões de cabelo, além de rasgar parte de suas roupas.

 

Já próximo ao rio, o suspeito exigiu que a mulher revelasse detalhes sobre relacionamentos passados. Em tom de ameaça, ele declarou: “os dois morreriam juntos caso ela não obedecesse”. Imediatamente após a declaração, ele dirigiu o carro para dentro do rio.

 

A vítima conseguiu sair do veículo, nadar até a margem e pedir ajuda em residências próximas. Ela foi socorrida por um motociclista, que a transportou até o Batalhão da Polícia Militar. Após o ocorrido, a mulher recebeu atendimento médico no Hospital da Sociedade Integrada de Assistência Social (Sias) e registrou a queixa na Delegacia de Polícia Civil.

 

A Polícia Militar realizou buscas na região e efetuou a prisão do suspeito. Em seu depoimento, a vítima relatou que já sofria ameaças verbais do ex-companheiro antes do episódio no rio.

 

As informações são do G1.

Ex-namorado é preso suspeito de matar mulher com mais de 20 facadas em Feira de Santana
Fotos: Reprodução / Acorda Cidade

Um homem de 30 anos foi preso nesta terça-feira (02) em Feira de Santana, suspeito de ser o autor do feminicídio de Tatiane dos Anjos, de 40 anos. Tatiane foi brutalmente assassinada com mais de 20 facadas na manhã de segunda-feira (01), no distrito de Tiquaruçu quando a mulher retornava para casa e foi atacada.

 

Informações da Polícia Civil ao Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias, a vítima havia agredida com golpes de madeira e, em seguida, esfaqueada diversas vezes no rosto, costas, pescoço e tórax, o que a deixou desfigurada.

 

O principal suspeito é o ex-namorado da vítima, que não aceitava o fim do relacionamento. A prisão ocorreu após a Delegacia de Homicídios e a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) cumprirem um mandado de prisão temporária. O suspeito foi detido enquanto prestava depoimento na delegacia sobre um dos inquéritos que já respondia.

 

Para o delegado Fabrício Linard, o homem já possuía histórico de violência contra Tatiane e era alvo de pelo menos cinco inquéritos policiais na Deam, incluindo casos de violência patrimonial e descumprimento de medida protetiva.

 

Imagem do delegado Fabrício Linard | Foto: Reprodução / Acorda Cidade

 

A prisão preventiva do suspeito já havia sido decretada anteriormente, mas foi revogada. O delegado também informou que o homem chegou a ser investigado pelo assassinato do ex-marido de Tatiane em 2022, mas não havia elementos suficientes para sua incriminação na época.

 

“E esse mesmo ex-companheiro de Tatiane figura como um suspeito, uma pessoa também suspeita de ter sido autor desse crime para manter sozinho essa relação com Tatiane. Mas uma investigação que já vem desde 2022, acredito não ter encontrado elementos suficientes para apontar a autoria contra essa pessoa com tanta convicção”, conta o delegado.

 

Vale lembrar que casos como esse não são isolados, em 2024 o município de Feira de Santana foi segundo com maior número de casos de feminicídios segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), sendo o campeão na triste marca de mortes de mulheres pela condição de gênero no interior baiano.  

Mulher de 28 anos é morta com 14 facadas por ex-companheiro no oeste baiano
Fotos: Reprodução / Blog do Braga

Um caso de feminicídio chocou o bairro Top Park, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano, ainda na noite deste sábado (30). Letícia Santos Silva, de 28 anos, foi morta por 14 facadas pelo ex-companheiro, Edvanilton, que foi preso horas depois. O suspeito do crime segue preso.

 

O suspeito chegou de motocicleta, desceu do veículo e atacou a vítima. Letícia ainda tentou fugir, mas caiu na frente de uma casa. Moradores que tentaram intervir foram ameaçados pelo agressor, que fugiu em seguida, abandonando a faca e a camisa no caminho. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas ao chegar ao local, a equipe pôde apenas constatar a morte.

 

Segundo informações apuradas pelo Blog do Braga, parceiro local do Bahia Notícias, a vítima havia registrado uma ocorrência contra o ex-companheiro na semana anterior e já tinha solicitado uma medida protetiva. Após o crime, o assassino fugiu e buscou abrigo na casa de uma tia. Foi a própria familiar que acionou a Polícia Militar, que prendeu o suspeito em flagrante.

 

Edvanilton foi levado para a Delegacia de Polícia Civil, onde permanece preso à disposição da Justiça. A motocicleta usada no crime, que pertencia a um amigo do agressor, também foi apreendida.

Homem que matou companheira a marretadas na RMS tem prisão preventiva decretada; suspeito alegou ciúmes e problemas psicológicos
Foto: Reprodução / Redes sociais

O homem que matou a companheira a marretadas em um apartamento no Caji, em Lauro de Freitas, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva nesta quinta-feira (21). Ramon De Jesus Guedes foi preso após desferir golpes com uma marreta contra a companheira, Laina Santana Costa Guedes, no condomínio Greenvile das Artes. Toda ação ocorreu na noite de terça-feira (19), e foi registrada por vizinhos. 

 

O Bahia Notícias teve acesso ao documento da audiência de custódia. Em audiência, o suspeito relatou que agiu motivado por ciúmes e instabilidade psicológica. Segundo ele, o casal, que estava junto há mais de 16 anos com duas filhas, teria tido uma discussão na noite anterior do fato, momento em que a Laina teria revelado um “namoro sem contato” durante o período de nove meses em que eles estiveram separados. 

 

Na noite da terça-feira (21), ele afirmou que “ao chegar ao condomínio, teria visto a companheira passando em um veículo com outra pessoa, acreditando que estava sendo traído, o que afetou ainda mais o seu psicológico; ao chegar à residência, discutiu novamente com Laina”, registra o documento do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Em meio ao conflito, Ramom alegou que teria tentado sair de casa, mas foi impedido por Laina e nesse momento as agressões iniciaram. 

 

O acusado relatou ainda que só parou com os golpes quando notou que a companheira estaria desacordada. As filhas, uma adolescente e uma criança de 5 anos, presenciaram as brigas e a agressão. 

 

Ele relatou ainda que sua tentativa de fuga, pulando da varanda do quarto andar do prédio, foi uma tentativa de suicídio, ao perceber que os moradores da comunidade já estariam cercando a porta do apartamento. “Aduz que, após o ato, tentou sair pela porta mas ao ver pessoas e policiais na parte externa, desistiu e pensou em se jogar da varanda do apartamento, situado no quarto andar, com intenção de tirar a própria vida”, diz o registro jurídico. 

 

Após a queda e a posterior prisão em flagrante, o suspeito afirmou que não se lembrava de ter sido socorrido ao Hospital Menandro de Farias e posteriormente levado à delegacia. As autoridades ainda questionaram sobre a tentativa de suicídio do suspeito: “PERGUNTADO se tentou tirar a própria vida ao ver que sua companheira estava desmaiada, [Ramon] RESPONDEU que já havia tentado anteriormente, pois não se encontra bem psicologicamente”.

VÍDEO: Mulher é morta a marretadas por companheiro em Lauro de Freitas
Foto: Reprodução / Redes sociais

Uma mulher foi morta a marretadas pelo companheiro em um apartamento no bairro do Caji, na cidade de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. O crime ocorreu no condomínio Gran Ville das Artes, na noite de terça-feira (19). A vítima, Laina Santana Costa Guedes, de 37 anos, foi golpeada diversas vezes na varanda do apartamento e o caso foi gravado por vizinhos. 

 

 

O suspeito, que não teve a identidade revelada, também agrediu as filhos do casal e foi preso ao tentar fugir do apartamento pulando a varanda. Segundo informações do Alô Juca, o homem chegou a ser ameaçado pela comunidade na tentativa de fuga, mas a situação foi contida por policiais militares. 

 

Laina chegou a ser socorrida e levada para um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos. As filhas do casal estavam no apartamento durante o crime, e, segundo informações da TV Bahia, uma delas acabou sendo agredida ao tentar defender a mãe. 

 

O agressor também ficou ferido devido a queda durante a fuga e recebeu atendimento no Hospital Menandro de Farias, antes de ser encaminhado para a Delegacia Territorial (DT/Itinga), onde está à disposição da Justiça. (A reportagem foi atualizada ás 08h30)

Mulher grávida é morta a tiros na região sisaleira; companheiro segue procurado pela polícia
Foto: Reprodução / Notícias de Queimadas e Região

Uma mulher, de 28 anos, foi morta a tiros em Queimadas, na região sisaleira. A vítima, que estava grávida, foi identificada como Rosimeire da Cruz. Até o início da manhã desta segunda-feira (11) não havia informações sobre o paradeiro do suspeito, companheiro da vítima.

 

Foto: Reprodução / Notícias de Queimadas e Região

 

Segundo o Calila Notícias, parceiro do Bahia Notícias, o crime ocorreu no último sábado (9) na Rua Padre Michel, e foi presenciado por um dos filhos [de dois anos] da vítima. Rosimeire da Cruz estava grávida do quarto filho. Ainda segundo informações, o relacionamento dela com o acusado teria sido marcado por idas e vindas.

 

O caso registrado como feminicídio deve ser apurado pela delegacia local. No local do crime, a polícia encontrou uma motocicleta com adulteração, que foi apreendida. 

Jovens e negras: Anuário da Segurança Pública releva perfil das vítimas de feminicídio e mortes violentas
Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

O Brasil registrou um feminicídio a cada 6 horas em 2024. Os dados do Anuário da Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (24), relevam o perfil das mulheres vitimadas por feminicídio ou mortes violentas no último ano, e o resultado expõe um recorte racial, social e etário neste tipo de violência. 

 

Os números apontam que 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio e outras 3.700 foram vítimas de mortes violentas em 2024. Conforme o Código Penal brasileiro, os feminicídios são um tipo de homicídio (morte) vinculado a motivações de gênero, como a violência doméstica e familiar ou descriminação à condição de mulher. O conceito de mortes violentas intencionais (MVI), incluem uma série de outros tipos de morte, como latrocínio, violência policial e entre outros. 

 

Em casos de feminicídio, a Bahia registrou o 3° maior índice do país, com 111 dos casos. O número é menor que o de 2023, mas a variação ainda foi mínima, de apenas -3,7%. Quando analisamos o perfil das vítimas em todo o país, 63,6% das mulheres eram pretas ou pardas; vítimas declaradas brancas foram 35,7%, indígenas foram 0,6% do total e amarelas eram 0,2%. 

 

No que diz respeito a faixa etária, as mulheres jovens, entre 18 e 24 anos, são as mais vulneráveis a mortes violentas (17,2%), enquanto as mulheres entre 35 e 39 anos são as principais vítimas de feminicídio (15,6%). Em ambos os tipos de crime, a faixa entre 25 e 29 anos se destaca com 13,9% dos feminicídios e 13,8% das MVIs. 

 

O levantamento do Fórum Brasileiro da Segurança Pública ainda segmenta os locais das ocorrências e a relação entre a vítima e o suspeito. Com relação aos locais, se destacam a residência da vítima, em que ocorrem 64,3% dos feminicídios e 46,5% dos motes violentas contra mulheres; e a via pública, onde 36,6% das vítimas foi alvo de mortes violentas e 21,2% foram vítimas de feminicídio. 

 

O indicador da relação entre a vítima e o suspeito corrobora para compreender as circunstâncias do crime. Nos casos de feminicídio, 60% dos suspeitos são companheiros da vítima e 19,1% são ex-companheiros, o que explica a grande taxa de mortes na residência das vítimas. Já para as MVI, os atuais companheiros também se mantém como os principais suspeitos (38,4%), mas os desconhecidos aparecem como o segundo maior grupo (28,5%). 

 

A arma utilizada nos crimes também foi registrada: para os feminicídios, são usados especialmente armas brancas (48,4), como facas, punhais ou canivetes, e depois armas de fogo (23,6%). Nos casos de mortes violentas, o cenário se inverte: armas de fogo são o principal instrumento usado (48,3%), seguido das armas brancas (28,9%). O espancamento também um dos principais métodos usados, especialmente entre feminicídios (12,6%). 

Anuário 2025: Bahia registra crescimento de 35% nos casos de tentativa de feminicídio
Foto: Mateus Pereira/GOVBA

 

A Bahia registrou um crescimento de 35% nos casos de tentativa de feminicídios, entre 2023 a 2024. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, foram obtidas 184 situações do tipo no ano retrasado e 250 episódios no ano passado. 

 

A quantidade de tentativas de homicídio (incluindo tentativas de feminicídio), subiu em 21% no estado, passando de 604 para 732. 

 

De acordo com o levantamento, houve uma crescente também na proporção de feminicídios em relação aos homicídios de mulheres, entre os dois últimos anos Isso significa, que mais pessoas do sexo feminino morreram por feminicídio do que por homicídios. 

 

A prática de feminicídio ocorre em casos de assassinato de mulher ou jovem do sexo feminino motivado por violência doméstica, ou por menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 

 

Conforme o estudo, a proporção foi de 26,0% para 28,6% no mesmo período. Em números absolutos, de feminicídio, houve uma queda, que foi de 115 para 111 episódios do tipo. 

 

Já a taxa desses casos se manteve em 1,5, e uma variação de -3,7% na mesma época.

Homem condenado por feminicídio é preso em Feira de Santana após nova agressão à ex-companheira
Foto: Reprodução / Acorda Cidade

Um homem de 44 anos, foragido da justiça e já condenado a 15 anos de prisão por feminicídio, foi preso no último domingo (20) em Feira de Santana. A captura ocorreu após ele ser acusado de agredir violentamente sua ex-companheira com socos, chutes e pedradas, além de subtrair a motocicleta da vítima.

 

Segundo informações da Polícia Civil ao Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias, equipes da Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (Deam) de Feira de Santana e do Catti-Sertão deram cumprimento a dois mandados de prisão em aberto contra o agressor. 

 

As diligências foram iniciadas na última sexta-feira (18), após a ex-companheira registrar a ocorrência na Deam. A vítima relatou à polícia que o término do relacionamento se deu após ela descobrir que o homem já havia sido condenado a 15 anos de prisão pelo feminicídio de uma ex-companheira na cidade de Salvador.

 

Durante o atendimento na delegacia, foi constatada a existência de dois mandados de prisão em desfavor do suspeito: um expedido pela Vara do Júri e Execuções Penais da Comarca de Lauro de Freitas e outro oriundo da 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Salvador.

 

O foragido foi localizado e preso no bairro Feira V, quando saía da residência onde estava escondido. No momento da prisão, foram apreendidos com ele uma balança de precisão e embalagens comumente utilizadas para o fracionamento e acondicionamento de drogas.

 

A proprietária do imóvel foi identificada e apresentou o contrato de locação, que, segundo a polícia, foi firmado utilizando documentação em nome de terceiros. A Polícia Civil informou que irá apurar o uso de documentação falsa.

Mulher é assassinada a machadadas pelo marido dentro de casa em Camaçari
Foto Ilustrativa: Reprodução / Ascom PC-BA

Um crime bárbaro ocorreu na comunidade de Mucugê, na zona rural de Camaçari, próximo à divisa com Mata de São João, nesta quarta-feira (16). Kelly Silva Jesus, de 35 anos, foi assassinada dentro de casa pelo próprio ex-companheiro, Jean Carlos, com quem mantinha um relacionamento há uma década. O homem confessou o assassinato e segue preso. 

 

Segundo informações de Polícia Civil ao Mais Região, parceiro do Bahia Notícias, Jean Carlos se apresentou voluntariamente à 33ª Delegacia Territorial (DT) de Monte Gordo, em Camaçari, onde confessou o homicídio.

 

Em seu depoimento, o homem relatou que, após deixar os filhos do casal na escola, retornou para casa e, após uma discussão com Kelly, a atacou com golpes de machadinha.

 

A vítima era filha de Pró Ninha, conhecida na região por ser pré-candidata a vereadora em Mata de São João. Embora a localidade de Mucugê seja geograficamente mais próxima de Mata de São João, ela pertence administrativamente ao município de Camaçari.

 

Equipes do Departamento de Polícia Técnica (DPT) foram acionadas para realizar a perícia no local do crime e remover o corpo da vítima. As investigações sobre o caso continuam.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Na política, o de cima sobe e o de baixo desce. Mas às vezes tentando fazer você acreditar que o mundo tá ao contrário. Exemplo: quando o Soberano tá "sobrevivendo" e Cunha acredita que não tá quase na porta do Sine. Mas o presente que o Galego ganhou de aniversário também não foi lá dos melhores. Mas vale lembrar os políticos de há de se ter prioridades. Parece que tem gente que só foca em trend, enquanto deixa a aula de português de lado... Saiba mais!

Pérolas do Dia

Edson Fachin

Edson Fachin
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

"Não há democracia sem instituições sólidas e atuantes na linha do que preceitua a Carta Democrática Interamericana. E, no desenho de qualquer democracia constitucional digna desse nome, um Judiciário independente é instituição central".

 

Disse o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin ao afirmar que a democracia “não é uma dádiva perene” e exige “vigilância ativa e constante”. A declaração foi feita durante a sessão de abertura do 187º Período de Sessões da Corte Interamericana de Direitos Humanos. A sessão realizada no STF reuniu todos os ministros da Corte.

Podcast

Projeto Prisma entrevista deputada federal Lídice da Mata nesta segunda-feira

Projeto Prisma entrevista deputada federal Lídice da Mata nesta segunda-feira
A deputada federal Lídice da Mata (PSB) é a entrevistada do Projeto Prisma nesta segunda-feira (16). O programa é exibido ao vivo no YouTube do Bahia Notícias a partir das 16h.

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