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A Federação Brasil Da Esperança ingressou nesta sexta-feira (20) com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por propaganda eleitoral antecipada. A Federação, que reúne as siglas PT, PV e PCdoB, afirma que o senador promoveu campanha eleitoral antecipada negativa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pediu a remoção dos conteúdos.
Segundo o texto da ação, o vídeo de Flávio Bolsonaro teria sido feito com As imagens geradas por inteligência artificial, e mostram o presidente Lula e a primeira-dama Janja com roupas de presidiários em uma cadeia e legendas como "Bloco do Luladrão". Além de Flávio, o vídeo em questão foi publicado pela deputada Bia Kicis (PL-DF) e pelo senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Rogério Marinho (PL-RN).
Os partidos da Federação Brasil Da Esperança alegam que a divulgação do vídeo por Flávio Bolsonaro não apenas busca prejudicar a imagem de Lula, mas também configura uma tentativa de influenciar o cenário político de forma antecipada. A representação cita ainda resolução do TSE que prevê que “não será tolerada propaganda que caluniar, difamar ou injuriar qualquer pessoa”.
“Não há dúvidas de que os Representados promoveram campanha eleitoral antecipada negativa, na medida em que realizaram publicação de imagem manipulada nas redes sociais com a desqualificação da imagem e da honra, principalmente, de Luiz Inácio Lula da Silva, com a divulgação de fatos sabidamente inverídicos, com o único intuito de influir, negativamente, na formação da opinião dos eleitores”, diz trecho da ação.
Nos conteúdos divulgados pelo senador do PL, também há uma paródia de samba-enredo com acusações a Lula e a integrantes do governo, com menções a fake news veiculadas em momentos anteriores da gestão, como a de taxação do Pix. Imagens de IA dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) também são usadas nos vídeos.
A ação do PT, PV e PCdoB foi apresentada um dia depois de o Partido Liberal (PL) protocolar um pedido de produção antecipada de provas no TSE contra o presidente Lula, a quem a sigla acusa de abuso de poder político e econômico no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, no Carnaval de 2026.
A legenda sustenta que a apresentação, que teve enredo em homenagem a Lula, se transformou em um “ato político-eleitoral” em ano de eleição presidencial, bancado majoritariamente com recursos públicos e com ingerência direta do Palácio do Planalto. No texto, o partido afirma que o desfile da Acadêmicos de Niterói extrapolou os limites da manifestação cultural e se converteu em “peça de marketing político-biográfico”, com exaltação do presidente e ataque a adversários.
Os casos estão agora nas mãos dos ministros do TSE, que deverão avaliar tanto o desfile da Acadêmicos de Niterói quanto se a publicação do vídeo de Flávio Bolsonaro realmente configura propaganda eleitoral antecipada e quais medidas poderão ser tomadas em resposta à ação.
Segundo a coluna Radar da revista Veja que chegou às bancas nesta sexta-feira (20), um diretor de instituto de pesquisas teria confidenciado que, depois da má repercussão do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, haveria chances reais de as próximas pesquisas, no início do mês de março, já trazerem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na liderança da disputa presidencial.
A coluna, comandada pelo jornalista Robson Bonin, ouviu pessoas do governo federal que avaliaram que a ala das “famílias em conserva”, com menção de deboche aos evangélicos e conservadores, teria irritado até quem estava inerte na briga eleitoral. “Nem todo conservador era contra Lula. Agora não se sabe”, disse a fonte ouvida pela coluna Radar.
Esses mesmos interlocutores afirmaram que o fato de a escola de samba ter ironizado principalmente as famílias evangélicas acabou dando munição extra a quem já vinha anunciando ações sobre possibilidade de propaganda eleitoral antecipada com a homenagem ao presidente Lula. “Derramado o leite, a dúvida é quanto tempo esse desgaste durará”, disse um auxiliar do Palácio do Planalto à coluna.
Ainda sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói, pessoas próximas ao presidente disseram à revista Veja que a culpa principal sobre o desgaste que ocorreu para a imagem do governo recai principalmente nos ombros da primeira-dama Janja Lula da Silva. “Foi ela que pressionou para realizar o sonho de desfilar na Sapucaí”, disse um ministro em off à revista.
Na conversa com a coluna, entretanto, essas fontes acreditam que não há, por enquanto, risco de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornar o presidente Lula inelegível nas eleições de outubro deste ano.
A partir da próxima semana, quando o Senado retomar seus trabalhos, o Carnaval e, particularmente, o desfile realizado pela escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, serão discutidos a partir de proposições apresentadas por parlamentares de diversos partidos.
Um dos projetos relacionados ao desfile da Acadêmicos de Niterói foi protocolado pelo senador Bruno Bonetti, do PL do Rio de Janeiro. A proposta tem como objetivo proibir a homenagem a autoridades políticas ou a ocupantes de cargos políticos no exercício do mandato por entidades culturais que receberem verbas federais.
Na justificativa do seu projeto, o senador Bruno Bonetti lembrou que neste ano, a Embratur, ligada ao governo federal, destinou R$ 12 milhões distribuídos igualmente entre todas as escolas de samba do Rio de Janeiro, inclusive a Acadêmicos de Niterói. Em entrevista à Rádio Senado, o senador disse que a ideia é reforçar a necessidade de se observar os princípios da moralidade pública.
“Essa é a maneira que o nosso mandato encontrou para que se faça justiça e não haja um desequilíbrio na relação de forças eleitorais, tendo em vista que o atual presidente já se colocou como candidato à reeleição. Há algum sentido em dinheiro público financiar a divulgação do seu nome? Isso é um escárnio e desequilibra a correlação de forças, além de ser totalmente antiético e sem propósito”, disse Bonetti.
Pelo projeto, a entidade que receber dinheiro público e desrespeitar as regras estará sujeita à suspensão do repasse dos valores remanescentes, devolução do que já foi transferido e proibição de receber dinheiro e celebrar parcerias com a União por cinco anos.
Um outro projeto nesta linha foi apresentado pelo senador Cleitinho (Republicanos-MG), pré-candidato ao governo de Minas Gerais. A proposta prevê a proibição de financiamento público a escolas de samba e blocos carnavalescos que promoverem apologia ao crime, ao tráfico de drogas, à intolerância religiosa ou a qualquer outra prática que contrarie os princípios da ordem pública e da convivência pacífica na sociedade.
O texto do senador Cleitinho prevê sanções como suspensão de repasses financeiros e aplicação de multas para as agremiações que descumprirem as regras. A proposta aguarda despacho do presidente Davi Alcolumbre (União-AP) para começar a tramitar nas comissões temáticas antes de eventual votação em plenário.
Segundo o senador mineiro, o objetivo da sua proposta é buscar assegurar responsabilidade na aplicação do dinheiro público sem interferir na criatividade artística ou na crítica social tradicionalmente presente no carnaval.
“É importante destacar que o projeto não limita a liberdade de expressão artística, mas estabelece um limite claro para o financiamento de práticas que podem incitar comportamentos ilegais ou promover a intolerância religiosa. Ou seja, a proposta busca garantir que os recursos públicos destinados à cultura, seja para o fomento ao Carnaval ou a outras manifestações artísticas, sejam utilizados de maneira ética e responsável”, diz o senador Cleitinho.
Há também a proposta protocolada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), pré-candidato ao governo cearense. Girão apresentou projeto de lei complementar proibindo o uso de recursos públicos federais, estaduais e municipais para financiar festas carnavalescas.
O senador critica o fato de que o governo federal, por meio da Embratur, tenha financiado carnavais em diversos estados do Brasil. Girão faz críticas também a emendas parlamentares que bancam cachês milionários de cantores e artistas.
“O dinheiro público precisa financiar prioridades como saúde, educação e segurança”, defende o senador Girão.
Não ligada à questão do desfile da Acadêmicos de Niterói, mas com relação ao uso de dinheiro público em festas populares está a proposta apresentada na semana passada pelo senador Angelo Coronel (sem partido - BA). O parlamentar baiano apresentou um projeto de lei para limitar os gastos dos municípios com festas populares.
Na justificativa do seu projeto, Coronel destaca que as festas populares são eventos fundamentais para manutenção da cultura, fomento do turismo e potencialização da economia local, e uma prova disse seria os festejos de São João na região Nordeste. Para o senador, muito mais do que uma celebração, toda a comunidade ganharia de alguma forma com o evento.
“Por isso, todo ano é esperado que o Poder Público, especialmente as prefeituras, invistam nessas festas, que movimentam a economia do município, indo muito além do aspecto cultural e social. Ocorre que os custos dessas festas têm crescido absurdamente nos últimos anos, talvez porque empresários e artistas saibam que a população espera que as prefeituras promovam a festa de toda forma e acabam inflacionando os cachês”, argumenta Angelo Coronel.
O senador lembra que municípios da Bahia e do Ceará lideram o movimento para que exista um limite ao valor que pode ser pago a artistas quando exista dinheiro público envolvido. Dentro dessa realidade, Angelo Coronel propôs fixar um limite ao valor pago a bandas, duplas e demais artistas que são contratados pelo Poder Público.
A proposta coloca que esse limite dependerá do potencial financeiro do município, sendo de no máximo R$ 700 mil ou 0,1% da chamada Receita Corrente Líquida, que é aquilo que o município arrecada durante o ano.
“Com essa medida, as prefeituras poderão continuar investindo nessas festas, mas não ficarão nas mãos de artistas e empresários mais gananciosos, resguardando o cofre da prefeitura para investir em outras áreas fundamentais como saúde e educação”, explica o senador baiano.
Uma pesquisa realizada pelo instituto Ideia revelou o tamanho do incômodo do segmento evangélico da população brasileira com o desfile realizado no último domingo (15) pela escola de samba Acadêmicos de Niterói. Na homenagem feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Sambódromo do Rio de Janeiro, a agremiação apresentou uma ala chamada “família em conserva”, que fazia a representação de pessoas evangélicas dentro de latas em conserva.
Segundo a pesquisa, 61,1% dos entrevistados consideraram que os evangélicos foram retratados no desfile de forma preconceituosa, além de enxergar ofensa à liberdade religiosa. Outros 11% dos entrevistados entenderam a ala como uma crítica artística legítima, algumas com referência religiosa. Já 8,7% veem como uma sátira aceitável, e 19,2% não souberam opinar.
Em outro recorte da pesquisa do Instituto Ideia, um total de 48,3% dos entrevistados avalia que o desfile da Acadêmicos de Niterói gerou um aumento da polarização religiosa e política ou normaliza a discriminação simbólica. Por outro lado, 38,2% acreditam que a ala provoca reflexão crítica ou amplia o debate público, e 13,4% afirmam entender que o desfile não gera impacto relevante.
Os dados da pesquisa Ideia revelam também que três quartos do segmento tomaram conhecimento da ala. Segundo a pesquisa, apenas 23,9% dos evangélicos não viram ou ouviram falar sobre, enquanto 19,1% assistiram ao desfile ou vídeos dele e 45,9% entraram em contato por reportagens ou postagens nas redes sociais.
Mais de um terço dos evangélicos (35,1%) também acreditam que a reação seria mais intensa caso outro grupo religioso fosse retratado daquela forma, enquanto 14,8% pensam o contrário. Já 29,3% afirmam que seria igual, e 20,9% não sabem.
As entrevistas do Instituto Ideia foram realizadas pela internet no dia 18 de fevereiro, com 656 pessoas que se autodeclaram protestantes ou evangélicas de 315 municípios. A margem de erro é de 3,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Sem se pronunciar diretamente sobre o rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que neste carnaval de 2026 desfilou fazendo uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Janja Lula da Silva compartilhou nos stories de sua conta no Instagram uma postagem da agremiação sobre o resultado da apuração no Rio de Janeiro.
A postagem replicada por Janja apresenta uma imagem do carro alegórico que tinha um boneco gigante do presidente Lula, com a frase “A arte não é para os covardes”. A escola também mandou um recado para os seus integrantes: “Comunidade, vocês foram gigantes”.
Em uma outra publicação também compartilhada por Janja na noite desta quarta-feira (18), uma imagem do desfile da Acadêmicos de Niterói é mostra junto com um trecho do samba-enredo que fala sobre Rubens Paiva e a necessidade de resistir:
“No Brasil de Rubens Paiva,
Lute pra vencer,
Aceite se perder,
Se o ideal valer,
Nunca desista,
Não é digno fugir”
Havia a previsão de que a primeira-dama Janja participasse do desfile da Acadêmicos de Niterói, como componente do último carro alegórico da escola. A presença da primeira-dama gerou forte debate interno no Palácio do Planalto, após ações terem sido apresentadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando a possibilidade de crime eleitoral no desfile.
Janja havia sido liberada para participar do desfile, após avaliação de assessores jurídicos do governo de que não haveria problema na participação da primeira-dama, uma vez que ela não é formalmente uma autoridade nem ocupa nenhum cargo público. Na última hora, porém, a primeira-dama decidiu não participar, e a escola colocou a cantora Fafá de Belém em seu lugar como destaque do último carro alegórico.
Em nota divulgada na última segunda (16), Janja Lula da Silva, afirmou que desistiu de desfilar na Sapucaí para evitar a “possibilidade de perseguição’ ao presidente Lula e à escola de samba Acadêmicos de Niterói, autora da homenagem.
Na nota, Janja disse que foi à concentração da escola momentos antes do desfile para manifestar apoio e que, depois, decidiu assistir à homenagem ao lado de Lula, no camarote. A primeira-dama disse que a decisão foi tomada mesmo havendo segurança jurídica.
“Mesmo com toda segurança jurídica de que a primeira-dama, Janja Lula da Silva, poderia desfilar, diante da possibilidade de perseguição à escola e ao presidente Lula por receber uma das maiores honrarias que um brasileiro pode ter, que é ser homenageado por uma Escola de Samba, Janja optou por não desfilar para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida”, diz um trecho da nota enviada pelo Palácio do Planalto à imprensa.
A escola de samba Unidos do Viradouro conquistou o título do Carnaval do Rio de Janeiro 2026. O resultado foi anunciado nesta quarta-feira (18), durante a apuração das notas realizada na Cidade do Samba, na capital fluminense.
Com a vitória, a agremiação alcança seu quarto título no Grupo Especial do carnaval carioca. Neste ano, a Viradouro apresentou o enredo "Pra Cima, Ciça", em reverência ao mestre de bateria da escola de Niterói (RJ).
Já a outra escola da cidade, a Acadêmicos de Niterói, foi rebaixada após o desfile deste ano. A escola apresentou como tema uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A classificação foi definida a partir das notas atribuídas pelos jurados nos quesitos avaliados ao longo dos desfiles.
Informações obtidas pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a partir de pesquisas internas e trackings realizados pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, indicam que o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido “um desastre”.
Um estudo da agência Ativaweb divulgado nesta quarta-feira (19) confirma os números apurados pelo Palácio do Planalto e revelam que a passagem da escola de samba pelo Sambódromo do Rio de Janeiro teria sido “catastrófica” para o governo. O desfile foi realizado na noite do último domingo (15).
Segundo Lauro Jardim, a apuração feita pela equipe de comunicação do governo revelou que o principal foco de críticas ao desfile teve como alvo a ala que representou a “família tradicional” dentro de uma lata de conservas. Além de ter se tornado o “símbolo do desastre” para a imagem do presidente Lula, as fantasias da “família em conserva” acabaram, na visão de fontes do colunista, criando um forte atrito com um grupo que o governo vinha tentando atrair - os evangélicos.
“Todo um trabalho de aproximação com os evangélicos foi jogado fora”, disse um líder petista ao jornalista Lauro Jardim.
A mesma impressão de “desastre” foi corroborada pelo estudo da agência Ativaweb realizado entre a segunda (16) e a terça-feira (17). O levantamento da agência contabilizou 28,9 milhões de menções nas redes sociais às imagens da chamada “família em conserva”, surgidas após o desfile da Acadêmicos de Niterói.
A análise da Ativaweb, feita em publicações no Instagram, Facebook e a rede X, apontou que 70,7% das menções ao assunto foram classificadas como negativas, associadas a críticas à representação simbólica e à percepção de ataque a valores culturais, religiosos e familiares.
Conteúdos positivos, em defesa da liberdade artística e da sátira política, representaram 21,8%. Outros 7,5% foram considerados neutros. O estudo mostrou presença simultânea em todas as regiões do país e múltiplos polos de propagação, incluindo influenciadores políticos, usuários comuns e redes ideológicas organizadas.
De acordo com a análise da Ativaweb, o que começou como crítica foi apropriado por usuários e lideranças associadas ao campo conservador, que passaram a produzir, com uso de inteligência artificial, imagens próprias de “famílias conservadoras” dentro de latas metálicas. O movimento incluiu políticos da oposição a Lula, que compartilharam ilustrações em suas redes sociais.
A impressão de que o desfile da Acadêmicos de Niterói foi um "desastre" é compartilhada por aliados do pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (P-RJ). Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o desfile deu munição aos adversários ao satirizar a parcela conservadora e evangélica da população. Para eles, foi um tiro no pé que vem sendo explorado nas redes bolsonaristas, especialmente a ala que usou uma fantasia de família em lata de conserva.
O próprio Flávio Bolsonaro aproveitou a enxurrada de críticas ao desfile nas redes sociais e gravou um vídeo dirigido a quem não se diz nem de esquerda nem de direita, com foco na questão do ataque aos conservadores.
"Quero me dirigir a você, que não é simpatizante nem de Bolsonaro nem de Lula. Você ficou feliz de ver o dinheiro dos seus impostos sendo usado para fazer campanha antecipada para o Lula? Você, que é cristão, ficou feliz de ver a escola de samba do Lula fazer chacota com a sua fé?", disse Flávio.
Em meio à polêmica após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que gerou fortes críticas da oposição e de partidos de direita, uma “trend” em defesa das famílas conservadoras começou a ganhar força nas redes sociais desde esta segunda-feira (16) de Carnaval.
Políticos e influenciadores de oposição passaram a postar em suas redes ilustrações geradas por inteligência artificial em defesa das famílias conservadoras. O movimento surgiu em reação a uma ala apresentada no desfile da Acadêmicos de Niterói, no último domingo (15), que ridicularizava as “famílias em conserva”, uma crítica a esse segmento da sociedade.
A ala foi chamada pela escola de samba de “neoconservadores em conserva”. A fantasia dos componentes era uma lata com o desenho de uma família formada por pai, mãe e duas crianças. A Acadêmicos de Niterói retratou, com fantasias, o que chamou de representantes dos “grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo”: o agronegócio, uma mulher de classe alta, defensores da ditadura militar e evangélicos.
Um dia após o desfile em homenagem ao presidente Lula na Marquês de Sapucaí, parlamentares e partidos de oposição anunciaram uma enxurrada de ações judiciais para contestar o desfile. Além de denúncias sobre propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder político e uso indevido de recursos públicos, diversas ações alegam preconceito e intolerância religiosa contra evangélicos retratados no enredo.
O candidato a presidente e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi um dos que anunciou que iria protocolar ação “contra os crimes do PT na Sapucaí com dinheiro público”. O senador disse nas suas redes sociais que o Brasil “vive uma depravação moral generalizada”, e que a escola de samba atacou “o maior projeto de Deus na Terra: a família”.
Um dos parlamentares que fez fortes críticas à forma como as famílias conservadoras foram retratadas no desfile foi o deputado federal baiano Capitão Alden (PL). Em postagem nas redes sociais acompanhando a “trend”, o deputado do PL da Bahia disse não trocar convicções ou fundamentos de vida por tendências passageiras ou aplausos.
“Nem tudo o que é novo constrói. Nem tudo o que viraliza sustenta. Há uma segurança que só existe quando a vida está ancorada na verdade e verdade não muda conforme a cultura decide. Eu não troco fundamentos eternos por tendências passageiras. Não negocio convicções por aplausos. Não substituo direção por aprovação social”, afirmou.
Capitão Alden, que postou uma imagem gerada por IA junto com sua família em uma lata de conserva, explicou o que para ele significava aquela representação:
“Eu prefiro que a minha família seja como uma boa conserva: bem guardada, bem selada, protegida do que corrói por fora. Não é isolamento, é preservação. Essa ´lata´ que nos envolve não é medo do mundo. É a vontade de Deus revelada na Sua Palavra. É ali que existem limites que protegem, valores que não vencem com o tempo, princípios que não apodrecem ao sabor das modas. Chamam de antiquado. Eu chamo de estrutura. Chamam de fechado. Eu chamo de firme”, colocou Capitão Alden.
Quem também entrou na “trend” foi um dos líderes da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que assumiu recentemente a coordenação nacional da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Na sua postagem, Marinho faz críticas ao desfile e disse que a esquerda zomba das famílias brasileiras.
“A esquerda zomba da família, alicerce do Brasil, e evidencia a perda da sintonia com o povo que trabalha, crê em Deus e educa seus filhos. É por isso que Lula e o PT perderam as ruas, e é por isso que a direita conservadora voltará a representar o Brasil real, com Flávio Bolsonaro na Presidência da República!”, disse.
O ex-deputado e pré-candidato a senador pelo estado do Paraná, Deltan Dallagnol (Novo), também entrou na “trend”, e ironizou o fato de a escola ter “transformado em piada” a opção de segmentos da população pelo conservadorismo. “Quem vive sabe o valor. Para alguns é fantasia, para outros é fundamento. Melhor ´conserva´ do que ladrão”, afirmou o ex-procurador.
Um ataque contra a família brasileira. Assim o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente nas eleições de outubro, qualificou o desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado na noite deste domingo (15). A escola fez uma homenagem à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em postagens feitas em suas redes sociais, o senador condenou a homenagem da escola de samba, tachou o desfile de propaganda antecipada e disse que o Brasil “vive uma depravação moral generalizada, sem precedentes em sua história”. O candidato afirmou que vai protocolar ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE. Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a família”, afirmou o senador do Rio de Janeiro.
Além de criticar o desfile em homenagem a Lula, Flávio Bolsonaro disparou também contra o ex-deputado Geddel Vieira Lima. O candidato a presidente lembrou vídeo recente que mostra Geddel dançando no Camarote Salvador na noite da última sexta (13).
“Se isso não lhe causa indignação, o vídeo de Geddel Vieira Lima, que teve aquelas famosas malas de dinheiro roubado apreendidas no seu apartamento, sapateando livre, leve e solto no carnaval também não devem lhe fazer mal né?”, disse.
Em suas postagens, Flávio Bolsonaro critica ainda a destinação de verbas públicas para o desfile da Acadêmicos de Niterói, e retoma a acusação de que a passagem da escola pela Sapucaí se travestiu de propaganda eleitoral favorável a Lula.
“Lula esfola o povo com aumento de impostos e usa esse mesmo dinheiro arrecadado para fazer campanha antecipada pra ele mesmo Sim, o dinheiro do suor do povo trabalhador brasileiro, que deveria ser devolvido à sociedade em forma de serviços públicos de qualidade, está sendo torrado num desfile de carnaval na cara de todos os brasileiros”, declarou o senador na rede X.
“Jair Bolsonaro foi tornado inelegível, na mão grande, por uma reunião com embaixadores e por discursar num carro de som que não custou um centavo de dinheiro público. Isso não ficará impune!”, finalizou o pré-candidato e principal adversário do presidente Lula.
O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado na noite deste domingo (15) na Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro, deve motivar uma enxurrada de ações no TSE e também na justiça comum, com acusações de cometimento de crimes como propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder e intolerância religiosa, entre outros.
Um dos que prometem ingressar na justiça contra o desfile é o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O pré-candidato a presidente criticou especificamente uma ala da escola que, segundo ele, teria ridicularizado os evangélicos.
A ala citada por Zema em vídeo gravado nas suas redes sociais era chamada de “conservadores em conserva”, com fantasias que traziam uma lata com o desenho de uma família. A ala de número 22 [mesmo número de urna do Partido Liberal], foi pensada para retratar os chamados "neoconservadores" como um grupo que se posiciona contra Lula e defende pautas como privatizações e mudanças nas regras de trabalho.
Nessa ala, a escola apresentou quatro personagens associados ao neconservadorismo: representantes do agronegócio, uma mulher de classe alta, defensores da ditadura militar e evangélicos.
Para Zema, essa ala da Acadêmicos de Niterói teria ridicularizado os evangélicos, o que, para ele, configura desrespeito e crime de preconceito religioso.
“Chega a ser constrangedor e inacreditável o que foi feito no Carnaval do Rio. Levarei esse crime para a justiça”, disse o governador mineiro.
No vídeo publicado ainda na noite deste domingo, Romeu Zema fez críticas à forma como os evangélicos foram caracterizados no desfile. Para ele, divergências políticas são legítimas, mas pessoas que professam uma religião não podem ser ridicularizadas.
“O Brasil tem milhões de evangélicos, pessoas que trabalham, criam seus filhos, pagam seus impostos. Agora, colocar essas pessoas dentro de uma lata, como se fosse caricatura, isso é desrespeito”, afirmou o presidenciável, reforçando que vai ingressar na Justiça.
A escola de samba Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Lula. Na apresentação, acompanhada por Lula em um camarote da Prefeitura da cidade, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi representado duas vezes: na comissão de frente, com um ator vestido de Palhaço Bozo, fazendo “arminhas” com as mãos e flexões; e em um carro alegórico, em que um palhaço aparece preso e com uma tornozeleira eletrônica.
Em comunicado divulgado aos seus militantes e publicado em suas redes sociais neste sábado (14), o PT elencou uma série de orientações para quem, do partido, participar do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Sambódromo do Rio de Janeiro. O desfile acontecerá na noite deste domingo (15), com um samba-enredo que homenageia a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As orientações feitas pelo PT se somam às recomendações feitas pelo próprio governo e também pela Advocacia-Geral da União (AGU), para que não haja o risco de que o desfile em homenagem a Lula seja entendido como propaganda eleitoral antecipada. O Palácio do Planalto recomendou que os ministros não participem do desfile, além de pedir que as autoridades não realizem manifestações como, por exemplo, pedido explícito de voto ou veicular conteúdo eleitoral.
Para evitar questionamentos futuros na Justiça Eleitoral, o PT publicou uma série de orientações aos militantes para evitar qualquer vinculação com uma campanha antecipada. A oposição promete acompanhar o desfile em busca de eventuais deslizes e provavelmente deve ingressar com ações no TSE alegando favorecimento à candidatura do presidente Lula.
‘Nada de pedido de voto, nada de número de urna, nada de slogan eleitoral, nada de impulsionamento com caráter eleitoral. A legislação é clara e a gente não pode dar margem para questionamentos e penalidades”, diz o diretório do PT no Rio de Janeiro, em uma publicação nas redes sociais, informando que as regras são da direção nacional da sigla.
Entre as recomendações está a proibição de usar roupas, bandeiras ou símbolos ligados ao PT, ao número 13 e às eleições. Estão vetadas, por exemplo, frases como “Lula 2026” ou outras manifestações semelhantes, bem como referências a programas ou metas do governo Lula.
O partido também orientou a militância a não fazer ataques a adversários políticos e a não mencionar disputas eleitorais nem opositores em entrevistas. A recomendação é falar do Carnaval e da história de Lula à imprensa.
O comunicado do PT também adverte seus militantes sobre o uso das redes sociais, recomendando evitar legendas com tom potencialmente eleitoral e hashtags politizadas ou historicamente vinculadas a campanhas eleitorais.
“Evitar publicações relacionadas ao desfile que, ainda que apenas na descrição, façam referência ao processo eleitoral de 2026, mediante expressões que possam ser interpretadas como pedido de voto, tais como ‘precisamos vencer’, ‘vamos ganhar’, ‘convença seus amigos’, ou qualquer outra formulação equivalente”, cita a recomendação.
O presidente Lula acompanhará o desfile de um camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, na Sapucaí, enquanto a primeira-dama Janja desfilará no último carro da Acadêmicos de Niterói.
Mesmo debaixo da forte chuva que caiu no Rio de Janeiro, a primeira-dama Janja participou, na noite desta sexta-feira (6), do ensaio técnico da escola de samba Acadêmicos de Niterói. A agremiação neste ano vai homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
Acompanhada da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e de seguranças, Janja se posicionou em frente ao primeiro recuo da bateria, na Marquês de Sapucaí. A primeira-dama assistiu o ensaio junto com o presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, e prestigiou a entrada na avenida de todos os componentes da escola.
Artistas como Paulo Betti, Antônio Pitanga, entre outros, acompanharam o ensaio junto com a primeira-dama. Ao longo do desfile, uma chuva torrencial começou a cair na Marquês de Sapucaí, mas Janja, e sem capa ou guarda-chuva, dançou, cantou o samba da escola e cumprimentou diversos integrantes da comunidade.
A Acadêmicos de Niterói vai abrir o Grupo Especial do Rio de Janeiro no domingo (15). O “esquenta” começa às 21h45, e o desfile está marcado para as 22h.
A escola estreante na elite das agremiações trará um samba-enredo narrado em primeira pessoa por uma retirante nordestina: Dona Lindu, mãe do presidente Lula. Na letra do samba, Eurídice Ferreira de Mello, mãe de oito filhos, narra a viagem de “13 noites e 13 dias” com a família, em um caminhão “pau-de-arara”, entre Garanhuns, no interior de Pernambuco, e a periferia de Guarujá, no litoral paulista.
O mulungu (mulungu-da-caatinga), citado no título do samba da Acadêmicos de Niterói, é uma árvore de copa larga e flores avermelhadas, de altura de 12 a 18 metros, com tronco de até 80 centímetros de diâmetro, onde as crianças do agreste costumavam brincar, como faziam Lula e os seus irmãos.
Para além da trajetória de Lula até os dias atuais, o samba-enredo da agremiação faz referência à melhoria das condições de vida da população ao longo dos três mandatos do líder petista, como no combate à fome e na ampliação de acesso à educação.
A letra do samba ainda relembra o ex-deputado Rubens Paiva, a estilista Zuzu Angel, o jornalista Wladimir Herzog – mortos pela ditadura militar (1964-1985) ? e o sociólogo Betinho (Hebert de Sousa) e seu irmão, o cartunista Henfil.
A escola de samba Acadêmicos de Niterói, que vai estrear neste carnaval de 2026, no Grupo Especial do Rio de Janeiro, com uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez uma postagem em sua conta no Instagram ironizando as críticas que vem recebendo pela escolha do enredo.
A agremiação, que será a primeira a entrar no Sambódromo no desfile do domingo, 15 de fevereiro, postou uma foto do presidente Lula mostrando a língua e ao som do samba “Vou festejar”, na voz de Beth Carvalho. “Se for chorar, manda áudio”, disse a Acadêmicos de Niterói, rebatendo as críticas.
O enredo da Acadêmicos de Niterói para o desfile, com o título “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, trata da história do presidente e exalta as ações do governo federal, não deixando de fazer referência ao principal adversário, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Sem temer tarifas e sanções/ Assim que se firma a soberania/ Sem mitos falsos, sem anistia”, diz um trecho do samba-enredo da agremiação de Niterói.
Segundo o site PlatôBR, a primeira-dama Janja ainda não confirmou com a Acadêmicos de Niterói se estará em um carro alegórico durante o desfile que homenageará Lula. Apesar da indefinição, a escola já teria recebido a confirmação de que Lula e Janja vão acompanhar a passagem da agremiação pela Marquês de Sapucaí, na abertura do Grupo Especial no dia 15 de fevereiro.
No final do ano passado, a Acadêmicos de Niterói decidiu não tentar captar os R$ 5,1 milhões em incentivos fiscais autorizados pelo Ministério da Cultura para o enredo que homenageia Lula. A decisão foi motivada pela avaliação de que o prazo disponível para buscar patrocinadores tornaria a operação inviável.
A autorização para captação de verbas a partir da Rouanet foi concedida em 15 de dezembro de 2025. Com o desfile marcado para 15 de fevereiro, a escola de samba teria menos de dois meses para fechar contratos, estruturar o orçamento e executar os recursos, prazo considerado insuficiente.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luiz Inácio Lula da Silva
"Não devem ter esse problema".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao fazer uma piada envolvendo o aumento dos gastos dos brasileiros com cuidados de cachorros durante a reinauguração do parque fabril da montadora de veículos chinesa Caoa, em Anápolis (GO), nesta quinta-feira (26). Na ocasião, de frente a um representante da China, o petista afirmou que os “chineses não devem ter esse problema” com os gastos com pets.