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Bianca Andrade

Artigos

Luiz Fernando Lima
Sobre memória, esquecimento e a hora do voto
Foto: Acervo pessoal

Sobre memória, esquecimento e a hora do voto

Entre tarifaço, derrota da seleção na Copa do Mundo e o amplo alcance do nefasto esquema do Banco Master, a população vai sendo chamada a prestar atenção nas eleições de outubro. Nenhum desses fatos, por mais grave que pareça hoje, chega sozinho até o eleitor na solidão da urna. Será preciso muitos empurrões e repetições.

Multimídia

Diego Castro minimiza divergências entre Michelle e Flávio Bolsonaro: “Acontece nas melhores famílias”

Diego Castro minimiza divergências entre Michelle e Flávio Bolsonaro: “Acontece nas melhores famílias”
Em entrevista ao projeto Prisma nesta segunda-feira (6), o deputado estadual Diego Castro, avaliou o distanciamento político de Michelle Bolsonaro, que saiu da presidência do PL Mulher, em relação ao seu enteado, o pré-candidato, Flávio Bolsonaro (PL), incluindo a recusa de apoio voltada ao eleitorado feminino.

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Equipe

Bianca Andrade

Foto de Bianca Andrade

Jornalista formada pelo Centro Universitário do Instituto Social da Bahia (2018), com experiência em assessoria de imprensa pela Secretaria do Planejamento (Seplan) como estagiária, e passagens pelo iBahia e Bahia.ba na editoria de Cultura e Entretenimento.

Últimas Notícias de Bianca Andrade

Reinauguração do TCA terá programação extensa com shows de Gil, Lazzo Matumbi, Daniela Mercury e mais espetáculos
Foto: Amanda Ercília/ GOVBA

Após cerca de três anos e cinco meses fechada para as obras, a Sala Principal de um dos maiores equipamentos culturais da capital baiana retornará ao funcionamento com uma grande festa para o público.

 

Prevista para ter início na noite do dia 1º de julho, a reinauguração do Teatro Castro Alves (TCA) terá uma semana de festas, com apresentações de grandes nomes da música baiana. As primeiras atrações da programação foram reveladas pelo governador Jerônimo Rodrigues: Lazzo Matumbi, Gilberto Gil e Simone.

 

No entanto, a festa não para por aí. Uma apuração feita pelo Bahia Notícias descobriu que o espaço contará com diversas apresentações. A ideia é oferecer ao público cinco concertos ao longo do mês de julho.

 

Foto: Rafael Rocha/ Célia Santos/ Divulgação

 

A cantora Daniela Mercury, por exemplo, está escalada para um dos shows. Para o projeto de relançamento do espaço, um dos mais icônicos da capital baiana, a proposta é trazer estrelas baianas de diferentes gerações em um grande espetáculo, com apresentações de dança, cordel, música orquestral e cantores convidados.

 

A programação completa será divulgada pelo governo nos próximos dias.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias no início do ano, o secretário de Cultura, Bruno Monteiro, falou sobre os planos para a reinauguração do espaço e a prioridade do governo no retorno do TCA: ser um lugar para todos. Entre os projetos que iriam retornar à programação do teatro está o bem-sucedido 'Domingo no TCA', que por anos ofereceu acesso ao espaço com grandes shows a R$ 1.

 

Foto: Feijão Almeida/ GOVBA

 

“Uma das premissas dessa obra do TCA é a acessibilidade e a democratização do acesso ao Teatro Castro Alves. Isso é algo que nos motivou desde o primeiro momento. E sim, voltaremos com o Projeto Domingo no TCA, porque nós não queremos só um teatro pensando em grandes espetáculos para poucas pessoas na sala principal. Nós queremos realmente um espaço cada vez mais aberto aos fazeres culturais e à população como um todo, que deve sentir esse teatro, sentir esse equipamento cultural como parte dela. Porque a cultura é isso, a cultura está em nós.”  

 

SOBRE O INCÊNDIO E A REFORMA DO TCA
A Sala Principal do TCA está fechada desde janeiro de 2023, quando um incêndio atingiu o local. O teto ficou completamente tomado pelas chamas, mas ninguém ficou ferido na ocasião. O incêndio só foi controlado 12 horas após o início das chamas. De acordo com os bombeiros, o fogo afetou o telhado da estrutura, mas não chegou a invadir as áreas internas do teatro.

 

Ao todo, 10 viaturas e pelo menos 42 bombeiros atuaram diretamente na ocorrência. Laudos emitidos pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) revelaram que o incêndio que atingiu o Teatro Castro Alves (TCA) não foi criminoso.

 

Fundado em 4 de março de 1967, o imóvel do teatro foi tombado como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2014. A pausa para a reforma no TCA afastou diversos espetáculos da capital baiana, e o retorno do espaço traz esperança para o público de novas oportunidades de shows e espetáculos em Salvador.

 

A obra no TCA teve um aporte de R$ 260 milhões. Além da Sala Principal e do Foyer, as intervenções tiveram o objetivo de modernizar o Jardim Suspenso, ampliar as estruturas do Centro Técnico e melhorar as dependências dos corpos artísticos residentes, que são a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) e o Balé Teatro Castro Alves (BTCA).  

 

Foto: Amanda Ercília/GOVBA

 

A obra também incorporou medidas sustentáveis, como o reaproveitamento de materiais retirados do teatro, a implantação de um sistema de captação de águas pluviais e a modernização da iluminação com tecnologia LED, mais eficiente do ponto de vista energético.

 

De acordo com o governo, após a reabertura, o TCA entrará em operação assistida, fase destinada a ajustes técnicos e operacionais necessários ao pleno funcionamento da estrutura, sem impacto na programação artística.

Márcio Victor celebra nova edição do Arrastão do MV no Engenho Velho de Brotas: "Manter viva a tradição"
Foto: Instagram

O cantor Márcio Victor comandará mais um ano do Arrastão do MV no bairro do Engenho Velhpo de Brotas, em Salvador. A festa, uma tradição para o pagodeiro, encerra as celebrações do mês de junho com uma grande homenagem ao samba junino, manifestação que se tornou Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador.

 

A programação, que irá reunir manifestações para além do samba junino, como o samba duro e o tradicional samba de roda, acontece na sexta (26) a partir das 19h e irá percorrer as ruas do Engenho Velho de Brotas, bairro onde Márcio Victor nasceu e foi criado.

 

"O samba junino não começou hoje, ele existe há muitos e muitos anos e segue vivo, porque teve gente que nunca deixou essa cultura morrer. E quem vive isso de verdade sabe exatamente do que eu tô falando. O Arrastão do MV no Engenho Velho não é só festa, nunca foi só festa, isso aqui é tradição e pertencimento, cultura, resistência. É ver a comunidade unida", afirmou o pagodeiro.

 

Em vídeo compartilhado nas redes sociais, Márcio Victor relembrou a história do início do Psirico, justamente em uma quadrilha junina. "O início do Psirico foi na quadrilha junina Rá Tim Bum, lá no bairro. Onde eu fui marcador e campeão quatro anos seguidos, e talvez seja daí qje venha essa minha conexão tão forte com a cultura popular junina", afirma o artista.

 

Para 2026, o pedido do anfitrião foi um só, participar da festa vestido de verde e amarelo, como uma homenasgem a Seleção Brasileira que disputa a Copa do Mundo e se classificou para a próxima fase.

 

"O Arrastão do MV nasce com esse propósito, manter viva uma tradição construída pelo nosso povo com amor. Há muitos e muitos anos, valorizando a cultura do samba junino, do samba duro, reconhecer o Grupo União e todos que fazem parte desse movimento e fazem esse movimento acontecer", afirma.

Iphan propõe revalidação da Festa do Bonfim como Patrimônio Cultural do Brasil
Foto: Marcelo Reis/ Iphan

A tradicional Festa do Nosso Senhor Bom Jesus do Bonfim, símbolo da identidade e da fé baiana, deu mais um passo na busca para manter o título de Patrimônio Cultural do Brasil.  A festa foi registrada no Livro das Celebrações no dia 5 de junho de 2013, e na época, o título destacou sua relevância para a história e a diversidade cultural do país. 

 

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) publicou o Parecer Técnico que avalia as transformações do festejo nos últimos anos e recomenda a revalidação do título, destacando que a Festa do Bonfim soube se adaptar aos novos tempos sem perder sua essência.

 

Entre os pontos apresentados pelo parecer estão o uso estratégico das redes sociais e as transmissões online de missas e novenas aproximaram o público que não pode estar presente fisicamente; a atuação da Polícia Civil, com inteligência preventiva e câmeras de monitoramento, resultou na diminuição da violência durante o famoso Cortejo da Lavagem; e o combate ao preconceito e à intolerância contra as religiões de matriz afro-brasileira, fortalecendo o caráter sincretista da festa.

 

No documento, o Iphan ainda faz um alerta para o esvaziamento de algumas manifestações culturais que historicamente faziam parte do cenário da festa, como o clássico cortejo de jegues e carroças enfeitadas, e o desfile de grupos tradicionais como os Ternos de Reis, Mascarados, Burrinhas e o Bumba-meu-boi.

 

Outro ponto citado pelo instituto foram os problemas urbanos relatados pelos fiéis, como a escassez de transporte público nos dias de festa e o uso político do evento por autoridades locais.

 

O Iphan defende a urgência de um Plano de Salvaguarda focado nas populações mais vulneráveis do festejo como as baianas de acarajé e as barraqueiras. Para a classe, o órgão sugere a criação de uma ajuda de custo para despesas com transporte e a confecção de suas tradicionais indumentárias, além de um fórum permanente de debates. 

 

Já para as barraqueiras, a proposta é integrá-las ao comitê gestor da festa e abrir linhas de financiamento específicas para a compra e montagem de equipamentos modernos. É proposto também ações de Educação Patrimonial nas escolas baianas e a criação de um grupo de trabalho unindo IPHAN, IPAC e Fundação Gregório de Matos.

 

A população pode analisar o parecer e enviar sugestões ou manifestações ao IPHAN pelos próximos 30 dias. 

Safra, sabor e sanfona: Relação entre Forró e São João vive entre a resistência e o resgate da tradição desde os anos 50
Foto: Joá Souza / GOV-BA

Triângulo, zabumba e sanfona. Os três elementos são identitários de um ritmo. Ritmo este que dita o som do São João. Mas quando começou a história do Forró com a maior festa cultural do Nordeste?

 

Para o São João de 2026, o Bahia Notícias preparou a série de reportagens “Safra, sabor e sanfona”, que exibe de forma especial as nuances que tornam o festejo junino uma das maiores manifestações culturais da Bahia, com destaque para as mudanças na dinâmica da agricultura, na comida que chega à mesa e nas celebrações embaladas pela música tradicional (ou não) da temporada.


Em entrevista ao Bahia Notícias, a educadora Sálua Chequer, que é mestra em Arte, Educação e Gestão Cultural pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo (Espanha), destaca que, para além da agricultura e das contribuições dos povos que constituem a nação brasileira – como demonstramos na última reportagem –, a religiosidade dos festejos é a raiz de diversos simbolismos.

 

São João, o santo católico que dá nome à festa, é João Batista, o último profeta do Antigo Testamento. Na história, as comemorações pagãs da Europa celebravam a colheita anual com fogueiras e rituais. Já a Igreja Católica adaptou as festas e associou a fogueira à história de nascimento do santo.

 

“Dentro da religiosidade, João tem uma importância muito grande”, diz a pesquisadora, que também se identifica como católica. “A tradição da fogueira remete à história de que Isabel (mãe de João) usou o fogo para anunciar a Maria que o filho havia nascido, e é ele que pronuncia o nascimento de Jesus. Então, João é importantíssimo, é o padroeiro da família”, conta Sálua.

 

É sabido que, no Brasil, a festividade foi trazida pelos jesuítas e colonos portugueses como a "Festa Joanina", que se misturou aos costumes indígenas e africanos. E uma das contribuições culturais que nascem nas regiões Norte e Nordeste é a dança e a musicalidade. Para Sálua Chequer, “além de manter viva a tradição, o que funciona na festa também é a música”.

 


Foto: Agência Brasil 

 

Ela explica que o “forró é tão importante que, em muitos lugares, recebe o nome do evento". "as pessoas falam: ‘Onde é que vai ser o forró?’, ‘vai ter o forró de tal lugar’, ‘quando é o forró da escola?’. Existe o forró como evento, mas também como gênero musical”.

 

Para a pesquisadora, que já se debruçou a estudar sobre produção cultural, “a música tem um papel muito grande, tem um papel social de, nas próprias letras, cantar, representar-se dentro da poesia, da composição, a história do milho, da reza, da devoção, da vida”. “Então, as letras da música também passam essa mensagem que representa, de uma forma grandiosa, o significado da festa para a gente”, ressalta.

 

Ao BN, Sálua narra que é justamente neste aspecto simbólico que as mudanças hoje observadas na festa causam maior impacto. Segundo ela, a festa, a partir do formato de mega-shows, perdeu parte do apelo à coletividade.

 

“Hoje [a festividade] tem um outro caráter. Eu acho bacana, inclusive, que Salvador, como uma capital nordestina tão importante, faça esse movimento de se ter essa festa no Pelourinho, porque tem tudo a ver, até pela arquitetura, a história; lembra e remete às cidades do interior. O que me incomoda é a invasão de um repertório que não pertence e o caráter de mega-show”, explica.

 

Sálua destaca ainda que não é só a musicalidade que sai perdendo, mas outras manifestações culturais também vão sendo retiradas dos grandes eventos. “O que mantém vivas, por exemplo, as quadrilhas em Salvador é a periferia. Eu fui jurada por muito tempo do Arraiá da Capital, e era um show à parte, das roupas, da pesquisa, dos temas. Hoje está praticamente desaparecendo. Então, eu acho que precisa ter um zelo, um cuidado por tudo isso, é uma tradição”, defende.

 

Ela sustenta que um dos principais vetores para essa mudança é, justamente, o interesse do mercado de turismo, que supera a preservação cultural. “O interesse, a coisa do turismo vem e, assim, se você estivesse mostrando ao turista que aqui chega alguma coisa de verdadeira, bacana, bonita, mas não é. Não me bote uma banda de pagode, de axé ou de sertanejo tocando e diga que isso é São João, porque não é”, afirma a mestra em Arte, Educação e Cultura.

 

E é a partir desta crítica que artistas, produtores e gestores culturais se mobilizam para promover o ativismo em torno da valorização dos ritmos internacionais na festa junina. Entre as entidades que trabalham ativamente neste tema está o Fórum do Forró Raiz.

 


Foto: Fernado Vivas / GOV-BA

 

APELO À SANFONA
Não há aquele que não pense em dançar um "dois para lá, dois para cá" quando junho bate à porta. Por anos, o forró tem sido associado ao São João como o estilo que dá o tom da festa, ainda que tentem descaracterizar o festejo com a inserção de novos estilos. Mas a história do forró — gênero candidato ao título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco — com o São João é antiga: coloque na conta mais de meio século de duração.

 

“Essa relação do forró como elemento identificador do São João começa na década de 50. Porque começam a surgir os grandes sucessos de Luiz Gonzaga ali no final dos anos 50. Há a identificação do forró como uma força muito grande no Brasil, especialmente no Nordeste, e começam a acontecer festas em palhoças [com paredes de pau a pique e cobertura de sapê], em arraiais…”, conta o cantor Del Feliz.

 

O cantor, um dos principais nomes do gênero na Bahia e embaixador da campanha para que o Forró de Raiz seja reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, conversou com o Bahia Notícias sobre a ligação do gênero com a festa.

 

 

Segundo Del, a cidade de Entre Rios, a aproximadamente 140 km de Salvador, teve um papel fundamental na intensificação dos festejos juninos no formato que o público conhece atualmente.

 

“Aqui na Bahia tem um marco muito importante em Entre Rios, num evento que era realizado por seu Manoelito Argolo para o povão naquela época. Era uma festa feita para o povo, de graça, onde você tinha ali Luiz Gonzaga, Marinês, Trio Nordestino, que eram considerados grandes símbolos da música nos anos 60. Dali originou, inclusive, a ideia das festas de prefeituras, porque isso não começou, obviamente, com as grandes festas de prefeituras; foi um caminho primeiro percorrendo essa via da festa particular.”

 

A associação do forró com o São João na Bahia, de acordo com Del, ainda teve a pressão do consumo do público. “A música escolhida, com a qual as pessoas se identificavam, era essa música feita por Trio Nordestino, Luiz Gonzaga, Marinês. Aí você vai ter aqui na Bahia uma pressão muito forte também do Negrão dos Oito Baixos e tantos outros fazedores do forró. O de duplo sentido ganhou uma força num determinado momento, como Genival Lacerda, Zé Nilton, Sandro Becker. É toda uma história que já está beirando aí bem mais de meio século”.

 

TRANSFORMAÇÃO DO FORRÓ
Desde o surgimento do gênero, o forró passou por diversas transformações. Para se ter uma ideia, em 2021, as Matrizes Tradicionais do Forró receberam o título de Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan, e o plano de salvaguarda inclui expressões como o baião, o xote, o xaxado, o chamego, o miudinho, a quadrilha e o arrasta-pé.

 

O surgimento de novos estilos não necessariamente implicou a descaracterização do gênero; no entanto, o interesse mercadológico no forró fez com que o estilo se afastasse de suas raízes, tirando o espaço de estrelas da música.

 

Ao BN, Del reforça: “A cultura não é estática; assim sendo, ela foi sendo moldada e se transformando, recebendo elementos”. Porém, o distanciamento de sua essência dificultou o caminho para que as matrizes tradicionais do forró prosperassem na festa na qual, até então, elas eram tidas como rainhas.

 

“Óbvio que o próprio forró de Luiz Gonzaga começou de uma outra forma. Ali no início tinha muita coisa de violão, de viola de sete cordas, de pandeiro, cavaquinho... A própria zabumba veio depois e o triângulo também, mas só que, com o passar do tempo, esses elementos se transformaram em símbolos. O próprio Gonzaga já tinha uma banda que o acompanhava, Alcymar Monteiro colocou logo um trio de metais, muita coisa agregando. O que eu acho que é natural, que essas coisas venham agregando, venham se amplificando, se moldando, mas sem retirar essa essência.”

 

Foto: Governo da Bahia

 

Para o músico e estudioso da área, é importante entender o contexto, analisar as mudanças e o impacto delas, e não demonizar a transformação. Del afirma que, mesmo com as transformações, o forró conseguiu prosperar e dar bons frutos em meio às novidades.

 

“A evolução traz para a gente uma série de outras coisas a partir dos anos 90. Você tem Mastruz com Leite, que já trazia uma batida bem diferente, Magníficos e dezenas e dezenas de outras bandas, a Calcinha Preta, Aviões do Forró, com batidas totalmente diferentes. Agora, se você me perguntar se esses novos artistas que fizeram outros estilos contribuíram [para o forró], eu acho que boa parte deles contribuiu muito. No meio dessas modinhas que foram surgindo, nós tivemos bandas, por exemplo, que fizeram sucesso nacional tocando a música essencialmente tradicional.”

 

Uma das bandas citadas pelo cantor foi o grupo paulistano Falamansa, que estourou nos anos 2000 fazendo o forró tradicional do Nordeste: “O forró que o Falamansa fazia nos anos 2000, que estourou nacionalmente, é o mesmo forró do Luiz Gonzaga. Eles contribuíram muito porque trouxeram, inclusive, uma linguagem da praia, da modernidade, de outros ambientes para a música, mas sempre com muito respeito, com muita poesia, com muita qualidade.”

 

FORRÓ DA RESISTÊNCIA
Para além da evolução do gênero musical, uma cadeia de produtores e gestores culturais busca avanços e garantias para o crescimento desse movimento enquanto manifestação cultural. O Fórum do Forró de Raiz é um movimento nacional que reúne músicos, pesquisadores e representantes do setor para debater políticas públicas e preservar a tradição. O movimento nacional, que nasceu em 2011, é focado em promover o reconhecimento e a valorização das matrizes rítmicas do forró.

 

Foi esse grupo que deu entrada no processo de reconhecimento das Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil.

 

O Bahia Notícias conversou com Fábio Barros, representante do movimento na Bahia. Ao destacar que o Fórum já possui adesão em mais de 17 estados do país, Barros conta que a conquista do registro de patrimônio imaterial ocorreu após anos de luta e, “ele fortalece os nossos argumentos, inclusive junto aos gestores públicos, e amplia a compreensão de que o forró não é apenas um entretenimento, é mais um patrimônio que precisa ser protegido e transmitido às futuras gerações”, diz Fábio.

 

Na definição da manifestação cultural que foi inscrita no Livro de Registro das Formas de Expressão, o Iphan também elegeu o forró como um supergênero musical, por reunir ritmos nordestinos, entre eles o xote, o xaxado, o baião, o chamego, a quadrilha, o arrasta-pé e o pé-de-serra.

 

Segundo o produtor cultural, que liderar o Fórum na região de Salvador e região metropolitana, após esse reconhecimento nacional, “a nossa principal bandeira hoje é garantir que o forró seja reconhecido não apenas como um ritmo musical, não apenas como um patrimônio cultural imaterial — que já é, na verdade —, mas como uma expressão cultural fundamental da identidade nordestina e brasileira”.

 

Foto: Andréa Rêgo Barros/Prefeitura de Recife 

 

Ele conta que o Fórum, na Bahia, tem expressividade em diversas regiões e municípios, mas vem buscando uma institucionalização que garanta uma cadeia de diálogo nos 27 territórios de identidade.  Ao BN, ele descreveu que o Fórum realiza mobilizações em diversos campos, mas principalmente no diálogo com a cadeia produtiva e no monitoramento das políticas públicas voltadas ao forró e suas manifestações “afiliadas”, como é o caso das quadrilhas juninas.

 

Para Fábio Barros, uma das principais bandeiras do grupo é pelo reconhecimento do forró como narrador oral da identidade nordestina. “O forró, na verdade, conta a história do nosso povo por meio das canções de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês e tantos outros mestres e mestras que registraram e registram as memórias do sertão, das migrações, das secas, das festas, dos amores, da fé e da resistência do nosso povo nordestino”, explica.

 

“O forró, então, acaba sendo uma ferramenta poderosa de educação, memória e pertencimento cultural”, destaca.

 


Foto: Acervo / Luiz Lua Gonzaga 

 

“O Fórum defende [o protagonismo do forró] porque os festejos juninos, logicamente aqueles financiados com recursos públicos, têm um compromisso com a preservação da identidade cultural de São João”, descreve. Esse compromisso com a tradição, no entanto, não significa a rejeição total à diversidade rítmica e cultural do próprio Nordeste.

 

“Quero deixar claro, em nome de todo o Fórum, que nós não somos contrários à diversidade musical, mas nós entendemos que ele deve ocupar uma posição central nas programações juninas. Ele precisa ser o protagonista na programação junina, o que não ocorre e não ocorreu, inclusive, nos últimos anos aqui no estado da Bahia", exemplifica Barros.

 

Para além do número de atrações musicais divididas por gênero, artistas de outros ritmos também acabam sendo privilegiados nos pagamentos de cachês juninos. Como divulgado anteriormente pelo próprio Bahia Notícias, o pagode, por exemplo, também chega com forte apelo no São João. Segundo o produtor, uma das formas de garantir mecanismos para chegar a um equilíbrio é a legislação.

 

Ele cita a tramitação, no Congresso Nacional, do PL Luiz Gonzaga (PL 3083/2023), que regulamenta um percentual mínimo de 80% para destinação de recursos públicos para artistas de forró em todas as festividades de São João no território nacional; a importância da retomada do Edital do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI), com foco na linha temática Sustentabilidade e Apoio e Fomento a Bens Registrados; e a Lei da Zabumba (Lei Estadual nº 13.368/2015), que determina que as contratações públicas devem obedecer a um percentual mínimo de 60% de profissionais que expressam e valorizam a cultura baiana.

 

Ele explica que a legislação precisa ser revisitada e aperfeiçoada, pois o atual Art. 1º estabelece que: “Fica determinado que a contratação de artistas e conjuntos musicais, para eventos culturais, shows e festejos realizados pelos entes públicos, com verbas oriundas do Estado da Bahia, deve obedecer a percentual mínimo de 60% de profissionais que expressam e valorizam a cultura baiana.”

 

Segundo Fábio, para garantir uma aplicação mais objetiva da lei, fortalecer a produção cultural local e evitar a subjetividade da expressão “profissionais que expressam e valorizam a cultura baiana”, a redação poderia ser aperfeiçoada para incluir a contratação de artistas, grupos, bandas e coletivos culturais com sede, residência ou atuação comprovada no Estado da Bahia. 

 

"Dessa forma, a Lei não fica concentrada em número de contratações dos profissionais e, corretamente, pelo percentual dos recursos públicos destinados à cadeia produtiva cultural", destaca o produtor cultural.

 

Outra Lei no Estado da Bahia que foi decretada e sancionada, mas que está inoperante é a Lei Nº 8.899 de 18 de dezembro de 2003, que institui o registro das Mestras e Mestres dos Saberes e Fazeres do Estado da Bahia e dá outras providências, dentre elas, a do Capítulo IV - Dos Direitos Decorrentes do Registro dos Mestres dos Saberes e Fazeres, Art. 11, Inciso II. No texto, fica definida a "percepção de auxílio financeiro a ser pago mensalmente, pelo Estado da Bahia, no valor correspondente a 01 (um) salário-mínimo".

 

"Esse cuidado e respeito ao nosso Tesouro e Patrimônio Vivo, precisa ser retomado e revisitado pela gestão pública. A última vez que o Fórum Forró de Raiz procurou informações do IPAC fomos informados que na execução deparou-se com travamentos legais e de execução no que tange a previdência social", diz Barros.
 

Nessa luta pelo protagonismo dessas manifestações, o produtor cultural admite que os ritmos tradicionais saem perdendo frente aos demais ritmos que são incorporados no São João da Bahia. "O nosso entendimento é que a política pública deva equilibrar esse entretenimento, o desenvolvimento econômico e a preservação cultural do Brasil. Preservar o protagonismo, como eu falei, do forró, significa preservar a própria essência dessa festa”, ressalta Fábio.

 


Foto: Fernando Vivas / GOV-BA

 

DEPOIS QUE PASSA O SÃO JOÃO O VOLUME ABAIXA?
O tratamento dado ao forró por quem não consome o gênero é o de que o estilo é algo sazonal, ou seja, acabou junho, o forró pode sair de cena. Para Del Feliz, a história é outra e a cena prova que o forró resiste ao longo dos 11 meses do ano, ainda que junho tenha passado.

 

“Há uma discussão muito grande sobre sazonalidade porque, no São João, é o momento em que esses fazedores do forró teriam, em tese, a oportunidade de se apresentar nos palcos maiores, já que a festa foi espetacularizada e saiu dessas palhoças e ganhou os grandes palcos. Mas o forró dá para se fazer em qualquer momento, porque o forró é a música símbolo do Nordeste. O projeto Dominguinho agora é a prova do que a gente sempre defende: o povo ama o forró. De vez em quando tem uma desculpa diferente, como foi com o Falamansa, que naquela época batizaram de forró universitário porque as pessoas tinham vergonha de dizer que gostavam de forró, de música de nordestino. Mas as músicas que eles, Rastapé, Bicho de Pé e todas as bandas que eram do Sudeste faziam eram as mesmas que tocavam aqui.”

 

O cantor ainda fez questão de frisar o tamanho do forró para além do São João, com a propagação do estilo musical em todo o mundo fora de junho.

 

“O forró é perene, é um símbolo do Nordeste e da brasilidade também. Quando se decidiu que o samba, por exemplo, há décadas representaria a música brasileira, havia uma disputa muito dividida entre o samba e o baião de Luiz Gonzaga, que era o maior sucesso nacional. O forró nos representa o tempo inteiro, não é só o Nordeste, o forró representa a música brasileira. Eu vi, viajando pelo mundo, japoneses, chineses, portugueses, noruegueses dando aula de forró, tocando a nossa música. É realmente algo muito exuberante.”

 

E O FUTURO DO FORRÓ NO SÃO JOÃO?
Em 2026, uma grande polêmica tomou conta do debate sobre o estilo predominante no São João. O cantor e sanfoneiro Flávio José cancelou todas as apresentações que faria na Bahia após a sugestão de redução do cachê cobrado por ele para tocar nas cidades baianas.

 

Na ocasião, Flávio José fez um forte desabafo falando sobre o desrespeito à tradição e a descaracterização do São João pelo baixo investimento em atrações tradicionalmente juninas.

 

 

Ao ser questionado sobre a situação, Del afirmou entender o trabalho feito pelo Ministério Público de pontuar o alto gasto das prefeituras nos shows durante os festejos juninos, mas alertou para uma situação: a necessidade do resgate da tradição.

 

“Ninguém sai de outro país nem de outro estado para vir para cá curtir um festival de qualquer coisa. A festa precisa ser recuperada do ponto de vista de sua identidade, da sua originalidade, para continuar sendo viável economicamente, porque os cachês dos forrozeiros estão longe de ser o problema. Está comprovado que a festa autêntica dá lucro, atrai turista, e atrai aquele turista que interessa: que vai lá, gasta e consome.”

Sem show na Bahia no período de São João, Xand Avião tem queda de cachê para show em julho
Foto: Instagram

Pela primeira vez em 24 anos de carreira, a Bahia não está incluída na agenda de shows de Xand Avião para o São João. A exclusão do estado ocorre em meio a uma grande polêmica: o gasto excessivo nas contratações de artistas para os festejos juninos.

 

Em maio deste ano, Xand já havia antecipado a "triste" notícia para os fãs; no entanto, não especificou os motivos que o fizeram cortar a Bahia da rota em 2026.

 

"É a primeira vez em 24 anos que eu não faço um show na Bahia no São João. Eu sempre falo que quem me apresentou o São João da Bahia foi a Sol [Solange Almeida]. Eu não sabia que era tão grandioso [...] É o primeiro ano que eu não vou fazer nenhum [show] na Bahia, infelizmente, mas já já estou voltando", disse.

 

A volta realmente acontece de forma breve. Apesar de não ter anunciou nenhum show em junho, o cantor será atração em julho na Bahia, com uma curiosidade: a queda do cachê.

 

Em 2025, Xand cobrou R$ 700 mil por cada show feito no estado no período de junho. Ao todo, o ex-Aviões do Forró se apresentou em seis cidades, recebendo R$ 4.200.000,00 no total.

 

Para este ano, o cachê de Xand Avião, de acordo com o Painel de Transparência dos Festejos Juninos feito pelo Ministério Público da Bahia, apontou uma variação percentual negativa em relação a 2025, apresentando uma queda de 7,1% no valor. O contrato feito para a apresentação de Xand na Bahia em 2026 foi de R$ 650 mil para um show na cidade de Casa Nova, no dia 12 de julho.

 

 

O município baiano tem uma população estimada em 76.131 pessoas, de acordo com o último censo do IBGE, e um PIB per capita de R$ 15.748,91.

 

Segundo a plataforma, nos últimos 4 anos, o maior aumento que Xand teve foi de 36,6%, ao sair de R$ 512.500,00 em 2024 para R$ 700.000,00 em 2025. O registro de menor cachê do artista foi o de 2022, ano pós-pandemia, quando o artista cobrava R$ 350 mil pelo show.

 

Vale lembrar que o valor pago para o artista é o mais alto de todas as atrações escaladas para se apresentar na cidade. A banda Toque Dez, que chega a cobrar R$ 500 mil por apresentações no São João, fará o show em Casa Nova por R$ 402 mil.

 

Já Amado Batista, que recebe R$ 600 mil por um show na Bahia durante o São João, cobrou R$ 485 mil pela apresentação em Casa Nova.

 

Em uma comparação com shows fora do período junino, o cantor Léo Santana, por exemplo, que teve um aumento de 11,9% na variação percentual do cachê em comparação ao ano passado, não cobra valores diferentes pelo fato de a apresentação acontecer fora do período de São João.

 

 

Com 12 shows na lista disponibilizada pelo MP-BA, sendo apresentações desde maio, o artista não teve variação no valor do cachê, cobrando R$ 650 mil para uma apresentação no dia 2 de maio, por exemplo, e exatamente o mesmo valor para um show no dia 23 de junho e outro no dia 4 de julho.

 

NOVAS RECOMENDAÇÕES DO MP-BA PARA O SÃO JOÃO
Para 2026, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) indicou uma série de questões que fez com que o órgão ligasse um alerta para os gastos excessivos no período junino. De acordo com o MP-BA, nas últimas quatro edições do São João, observou-se uma significativa escalada nos valores das contratações artísticas, com a média dos contratos passando de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil.

 

Desta forma, em parceria com o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), foi produzido um material com diretrizes para a contratação de artistas durante os festejos juninos de 2026.

 

De acordo com o MP, o documento é orientativo, ou seja, serve para sugerir que o Município utilize os critérios como referência para as contratações deste ano, como uma forma de evitar o crescimento expressivo das despesas de um ano para o outro sem justificativa técnica ou financeira.

 

As recomendações, no entanto, foram responsáveis por uma crise no cenário do forró após a queixa do sanfoneiro Flávio José sobre a sugestão para a redução do cachê. O veterano decidiu cancelar todas as apresentações que faria na Bahia após descobrir que foi recomendada uma redução em seu cachê, que teria aumentado de R$ 250 mil para R$ 350 mil em 2026.

 

A orientação do MP-BA é para que os municípios utilizem como parâmetro os valores pagos aos artistas no São João de 2025 no mesmo estado. Caso não haja registros para serem utilizados como referência, a recomendação é ampliar a pesquisa para os últimos 12 meses.

 

No caso de o artista ter se tornado famoso apenas em 2026, o MP-BA justifica, em sua cartilha, que é possível explicar o valor maior com documentos que comprovem a mudança de mercado.

 

O órgão também destacou que seus critérios consideram a notoriedade e a projeção dos artistas, reconhecendo que atrações de maior relevância no mercado podem justificar valores contratuais superiores aos parâmetros médios, desde que haja fundamentação técnica para os valores contratados.

Além de apartamentos, propinas do Master a Wagner teriam incluído camarote em show nos EUA
Foto: Elza Fiuza/ Agência Brasil

Alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, o senador Jaques Wagner (PT) teve os gastos discriminados pela Polícia Federal na investigação que apura o suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros que envolve, ainda, os gestores do Banco Master.

 

O Bahia Notícias teve acesso à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que oficializou a liberação dos mandados de busca e apreensão na residência do parlamentar nesta quinta-feira (18). No documento oficial, a Polícia Federal aponta que Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, pagou ao líder do governo no Senado as despesas de um “show de cantora internacional” na Califórnia, nos Estados Unidos, a um custo de R$ 63,3 mil.

 

No documento, consta que, em junho de 2023, foi orientada a compra dos ingressos para familiares do senador. "A aquisição dos bilhetes, que também foi objeto de diálogo envolvendo JOÃO CARLOS MANSUR, teria sido realizada pela empresa REAG Investimentos S.A, pelo valor total de R$ 63.339,00".

 

Em novembro de 2023, uma nova troca de mensagens traz o assunto dos ingressos. Na ocasião, o senador questiona sobre os "ingressos de sábado", referente a um show no dia 25 de novembro de 2023, e, logo em seguida, foram enviados arquivos de ingressos para um camarote.

 

SOBRE A OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
Além de Jaques Wagner, o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, também foi um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero na Bahia. 

 

A operação, que investiga um esquema de irregularidades do Banco Master no sistema financeiro nacional, realizou cumpriu 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.

 

Na Bahia, a ação foi cumprida inicialmente na residência do senador e líder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Congresso Jaques Wagner, no Corredor da Vitória, em Salvador. 

 

Entre as formas de pagamento estariam os valores pagos durante anos pela empresa da enteada, viagens em jatinhos particulares de Daniel Vorcaro e ainda um apartamento avaliado em R$2,5 milhões de reais no Horto Florestal, bairro de luxo em Salvador.

Kehlani se defende de críticas após anunciar show em Salvador: "Rio e São Paulo não me contrataram"
Foto: Instagram

A cantora norte-americana Kehlani será uma das grandes estrelas da edição de 2026 do Afropunk Brasil em Salvador. No entanto, o anúncio do show da artista na capital baiana gerou "revolta" por parte dos fãs da cantora do Sudeste.

 

Isso porquê a apresentação de Kehlani em Salvador será a única feita pela artista em todo o Brasil. Nas redes sociais, a capital baiana foi alvo de críticas por ter sido escolhida como palco do show da estrela, dona do hit 'After Hours'.

 

"Acho piada você vir pro Brasil de novo em outro festival, sendo que em turnês passadas você foi para Ásia e Oceania com shows solos. Sou fã desde 2017 e acho incrível que você sempre demonstrou amor pelo Brasil, mas quando se trata de incluir a gente em shows solos, simplesmente não existe", escreveu o fã.

 

 

No Instagram, a artista se defendeu das críticas e afirmou que não fechou apresentações em outras cidades brasileiras por não ter sido procurada pelos contratantes. "Nenhuma casa de shows solo me contratou. Não depende de mim, é o meu maior desejo, mas eu não posso decidir sozinha", afirmou.

 

A cantora ainda postou um vídeo explicando como funciona a contratação de shows e afirmou que não é uma questão pessoal quando ela não se apresenta em algumas cidades. "Alguns desses lugares não tem um local de tamanho médio para eu tocar e eu não escolho nada disso, nós somos contratados pelo lugar, pelas casas de show".

 

A questão de espaços é uma pauta antiga, especialmente em Salvador. No último mês o empresário Nei Ávila abordou o assunto em entrevista ao Bahia Notícias ao ser questionado por mais apresentações internacionais na cidade. Segundo o CEO da NA Entretenimento, uma das responsáveis pelo show de Maroon 5 em Salvador, a capital, até o momento, não conta com um espaço para abrigar shows de médio porte, por exemplo.

 

A expectativa do empresário é que a Arena Multiuso seja uma opção para suprir essa demanda.  "Para essa quantidade de público, a gente não tem uma arena. Vamos ter agora com o espaço que a Prefeitura está criando ali do lado do Centro de Convenções. Aquele equipamento vai colocar Salvador no roteiro de artistas que não enchem uma arena para 40.000 pessoas".

 

O empresário revelou que a falta de espaços na cidade já fez com que a capital também perdesse uma apresentação do cantor canadense Bryan Adams, dono dos hits 'Heaven' e '(Everything I Do) I Do It for You'.

 

"Eu recebi uma oferta de um show de Bryan Adams, mas não tinha onde fazer aqui. Porque ele queria um lugar para 10.000 pessoas. A gente tem o WET e o Parque de Exposições, mas tem toda uma estrutura para montar. Agora, eu acho que vai ser muito importante para Salvador esse equipamento para trazer novos shows e novas possibilidades."


SOBRE O AFROPUNK
O festival Afropunk, que acontece em Salvador desde 2021, reuniu mais de 75 mil pessoas no último ano com edições em São Luís, Rio de Janeiro e Salvador. Para Ana Amélia Nunes, diretora de conteúdo da IDW Company, empresa responsável pelo Afropunk Brasil, a grade de 2026 traduz o gosto do público e a proposta que o Afropunk sempre teve, de unir gerações em uma grande celebração da cultura afro-diaspórica.

 

"O lineup de 2026 traduz exatamente o que buscamos construir com o AFROPUNK Brasil: um espaço onde diferentes gerações, territórios e expressões da música negra possam dialogar. Reunir tantos artistas mostra a potência dessa conexão entre legado, presente e futuro. Salvador segue sendo o coração dessa história e é desse lugar que continuamos expandindo o projeto para o Brasil", afirmou.


 
Além de Kehlani, o evento contará com shows internacionais de Jorja Smith, FLO e Kelela. Já entre as grandes estrelas nacionais estão Lazzo Matumbi, Gilberto Gil, Fantasmão, Gaby Amarantos, Emicida, Criolo e AJULLIACOSTA.

Músico baiano revela parceira com Oliver Tree e encantamento do artista com cultura brasileira: "Tava tão feliz"
Foto: Instagram

O músico baiano Dupê, que em 2025 colaborou com Pabllo Vittar, esteve ao lado do artista norte-americano Oliver Tree, que faleceu em um trágico acidente de helicóptero no Rio de Janeiro no último final de semana.

 

Nas redes sociais, Dupê compartilhou registros ao lado de Tree, que aproveitava a estadia no Brasil para conhecer a cultura local e havia se encantado pelo forró. Oliver chegou a gravar uma música com o baiano e pensava em lançar o projeto, caso o público engajasse nas redes sociais sobre a parceria.

 

Segundo Dupê, o intérprete de 'Life Goes On' prometeu tocar a novidade para o público ao retornar para os Estados Unidos, como um presente aos brasileiros que estão por lá para acompanhar a Copa do Mundo.

 

Além de Tree, o texto compartilhado pelo baiano se refere a Lucas Frota, produtor que acompanhava o norte-americano durante a viagem pelo Brasil e amigo de Dupê.

 

"Antes de subir no helicoptero, você @iamlucasfrota tava me pedindo a guia do som que fizemos com o oliver, dizendo que ia conseguir convencer ele de lançar, a gente tava tão feliz nesse dia semana passada, o Oliver tava se divertindo tanto no Brasil, você me disse que ia tocar em miami no dia do proximo jogo do Brasil, as coisas não estão fazendo sentido", escreveu.

 

No texto, o artista fala sobre a partida do amigo: "Eu to sentindo muita dor, por perder alguem que estava tentando me ajudar. Você será eterno Frotinha, obrigado irmão", escreveu.

 

O corpo de Lucas Frota, de 26 anos, que era enteado do desembargador Elton Martinez Carvalho Leme, foi velado na última segunda-feira (15), no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju.

 

SOBRE O ACIDENTE
Seis pessoas morreram na queda de 2 helicópteros no Recreio dos Bandeirantes. Segundo testemunhas, as aeronaves PP-MAC e PR-DJJ se chocaram no ar. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59 para a ocorrência. 

 

De acordo com testemunhas, as duas aeronaves se chocaram no ar e caíram em um pátio de carros estacionados, alugado pela montadora chinesa BYD, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste.

AFROPUNK Brasil anuncia duas novas atrações internacionais para edição de 2026 em Salvador; confira
Foto: Divulgação

O Afropunk Brasil anunciou duas novas atrações internacionais que irão agitar a edição de 2026 do festival, que acontece nos dias 7 e 8 de novembro no Parque de Exposições, em Salvador.

 

Após a confirmação de Kehlani, a organização do evento anunciou as apresentações de Kelela e FLO, que se juntam a uma grade repleta de estrelas nacionais, como Gilberto Gil, Criolo, Gaby Amarantos, Lazzo Matumbi e Emicida, além da artista internacional Jorja Smith.

 

QUEM É KELELA?
Considerada uma das estrelas da música eletrônica, a artista é tida como um destaque na cena com uma das vozes mais originais do eletrônico experimental alternativo. A cantora e compositora etíope-americana, que lançou seu primeiro trabalho na indústria musical em 2013, apresenta ao público um R&B de textura densa com nuances da música experimental.

 

 

QUEM É FLO?
O trio britânico formado por Jorja Douglas, Renée Downer e Stella Quaresma, vem sendo considerado o Destiny's Child da nova geração. Inspirada justamente nos grupos femininos dos anos 90, as artistas levam para o público uma proposta que combina harmonias e referências dos anos 1990 e 2000, com uma linguagem totalmente contemporânea. Em 2023, a banda se tornou o primeiro grupo efminino britânico a ser indicado ao Grammy, e atualmente é considerado a renovação global do R&B.

 

Para Ana Amélia Nunes, diretora de conteúdo da IDW Company, empresa responsável pelo Afropunk Brasil, a grade de 2026 traduz o gosto do público e a proposta que o Afropunk sempre teve, de unir gerações em uma grande celebração da cultura afro-diaspórica.

 

"O lineup de 2026 traduz exatamente o que buscamos construir com o AFROPUNK Brasil: um espaço onde diferentes gerações, territórios e expressões da música negra possam dialogar. Reunir tantos artistas mostra a potência dessa conexão entre legado, presente e futuro. Salvador segue sendo o coração dessa história e é desse lugar que continuamos expandindo o projeto para o Brasil. Reunir artistas como Gilberto Gil, Emicida, Jorja Smith, Kehlani, Kelela, FLO e AJULLIACOSTA mostra a potência dessa conexão entre legado, presente e futuro", afirmou.

 

 

 

O festival que em Salvador desde 2021, reuniu mais de 75 mil pessoas no último ano com edições em São Luís, Rio de Janeiro e Salvador. 

 

De acordo com a organização, o Afropunk Brasil impactou mais de 12 milhões de pessoas e gerou R$ 136 milhões na economia local, com público de todos os estados brasileiros e de mais de 36 países.

 

Para Potyra Lavor, CEO da IDW Company, o projeto é uma prova de como o investimento na cultura dá retorno ao país. “É cultura gerando negócios e fortalecendo os mercados por onde o festival passa”.

 

O plano de expansão segue para os próximos anos com novas praças, e edições em Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Os ingressos para o Afropunk Brasil 2026 ainda não começaram a ser vendidos.

Ivete Sangalo anuncia vendas do Bloco Coruja para Carnaval de Salvador de 2027 com 2 dias de desfile
Foto: Rafa Mattei

Com meses de antecedência, contrariando os últimos carnavais, Ivete Sangalo anunciou a venda de abadá para o Bloco Coruja no Carnaval de Salvador de 2027. A folia da artista, ao menos com o bloco, tradicional na história da festa baiana, acontecerá em dois dias, sábado e segunda, no circuito Dodô (Barra-Ondina).

 

Com direito a vídeo nas redes sociais para relembrar os melhores momentos em cima do trio elétrico, a artista confirmou uma grande festa para celebrar os 25 anos dela com o Coruja.

 

 

"Há 25 anos, uma história de muito amor começou a ser escrita na avenida. Em 2027, a gente vai celebrar muito, e eu quero viver cada segundo disso com vocês. Se eu estou pronta? Estou mais que pronta!."

 

O primeiro lote do Coruja já está disponível para os fãs com valores que variam de R$ 1.590,00 a R$ 1.690,00. 

 

 

Além do bloco, quem quiser curtir Ivete no Carnaval de Salvador em 2027, já tem um encontro marcado para o dia 9 de fevereiro, na terça-feira, no Camarote Salvador. Para os organizadores do espaço, a presença da cantora no encerramento da festa se tornou uma tradição.

 

"Ícone da música brasileira e presença marcante na trajetória do Carnaval de Salvador, Ivete retorna ao line up do Camarote Salvador com um show daqueles que já nascem cercados de expectativa. A confirmação fortalece ainda mais a programação da terça-feira e adiciona ao Camarote Salvador 2027 uma artista que faz parte da memória afetiva do Carnaval", afirma a organização do espaço.

 

 

SOBRE O BLOCO CORUJA
Criado em 1963, o Bloco Coruja surgiu na folia como Clube dos Corujas através de uma desistência de foliões que iriam sair no bloco Os Internacionais, outro grande destaque do Carnaval de Salvador. Por anos, a festa no bloco foi comandada por Ricardo Chaves, até que em 2002, Ivete Sangalo, já em carreira solo, assumiu o Coruja e promoveu uma reformulação no bloco, tornando-o assim um dos mais desejados do Carnaval. 

 

Em 2009, o Coruja passou a ter três dias de desfile no Carnaval de Salvador, sendo dois deles na Avenida, no Circuito Osmar (Campo Grande) e um no Dodô (Barra-Ondina). A Barra só veio se tornar o único circuito de desfile do bloco em 2019, no retorno da artista para o Carnaval de Salvador após o nascimento das gêmeas Marina e Helena.

 

O Coruja chama atenção pela grande estrutura. Para se ter uma ideia, o site oficial do bloco afirma que são cerca de 1000 pessoas para atender os foliões durante os três dias de festa em uma equipe composta de produção, socorristas, segurança, brigadistas e coordenadores.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
O TCA foi reaberto com o discurso de "mais 'muderno' do Brasil", mas faltou tirar o processo analógico de entrada. Mas foi mais animado do que o Dois de Julho, pelo menos. De tão morno, o povo mal suou a camisa - menos o Ferragamo, claro. Mas o problema maior foi terem quebrado o termômetro da festa. E se Julieta não desceu da sacada, Card pelo menos apareceu. O que, pra ele, já é muito. Mas se tem uma coisa garantida em qualquer evento público com o Soberano é que ele vai mostrar, em algum momento, sua capacidade de descoordenação motora. Saiba mais!

Pérolas do Dia

Manno Góes

Manno Góes
Foto: Reprodução / Antena 1

"A festa baiana enfrenta hoje a forte concorrência de capitais como São Paulo. Consequentemente, os turistas de fora deixaram de vir com a mesma frequência, e o público atual tem sido sustentado pelo turismo interno, com moradores do interior da Bahia se deslocando para a capital".

 

Disse o músico e compositor Manno Góes analisou o atual cenário cultural da Bahia e fez reflexões sobre os desafios e a estagnação do Carnaval de Salvador, durante entrevista concedida ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador.

Podcast

Vereador Randerson Leal é o entrevistado do Projeto Prisma nesta segunda-feira

Vereador Randerson Leal é o entrevistado do Projeto Prisma nesta segunda-feira
Foto: Projeto Prisma
O vereador Randerson Leal (Podemos) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda-feira. O podcast é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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