No tema da festa: Escolas de Samba já protagonizaram o Carnaval de Salvador antes do Axé Music
Por Bianca Andrade
O Carnaval de Salvador em 2026 leva como tema para a avenida o samba, com uma homenagem aos 110 anos do primeiro registro oficial do gênero, a música 'Pelo Telefone', composta de forma coletiva na casa de Hilária Batista de Almeida, também conhecida como Tia Ciata.
A proposta, de acordo com a Prefeitura de Salvador, é valorizar a memória coletiva e ampliar a conexão entre o ritmo e as múltiplas expressões musicais que consolidam Salvador como referência mundial do Carnaval.
"O samba dialoga diretamente com a identidade de Salvador, suas raízes afro-brasileiras, a alegria, a resistência e a criatividade que marcam a nossa festa. É o reconhecimento de uma expressão que atravessa gerações e segue viva nos blocos, nas ruas e na memória afetiva da população", afirma o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o gênero, que tem grandes ícones nascidos na Bahia, como Riachão, Batatinha, Pantera, Walmir Lima, Roberto Mendes, e suas vertentes criadas no estado, a exemplo do samba de roda do Recôncavo Baiano, foi exportado para outras cidades brasileiras, ganhando novos tons e estilos, mas sua raiz é a terra da folia.
E antes do Axé Music dar o tom da festa no Carnaval de Salvador, a folia baiana já foi tomada pelo forte som das batucadas, que eram responsáveis por fazer a trilha sonora no desfile das escolas de samba da cidade. Na década de 50, a tradição na capital era similar ao que acontece no Rio e em São Paulo, o Carnaval da contemplação, onde a beleza da festa era ver escolas como Diplomatas de Amaralina, Juventude do Garcia, Bafo da Onça, Filhos do Tororó e Sambistas do Morro desfilar.
Foto: Registro cedido pelo projeto Memórias do Reinado do Momo (Escola Juventude do Garcia)
Em 2025, o Bahia Notícias contou a história dessa tradição com o especial 'Samba que existe e resiste', que destacou a força, a tradição e a reinvenção das escolas de samba e do samba de raiz na Bahia.
O site entrevistou a historiadora e mestra Caroline Fantinel, para saber do passado da folia e de como a tradição, aos poucos, foi perdendo o holofote e dando espaço a um novo formato de festa.
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O especial também trouxe entrevistas com representantes das escolas de samba que ainda existem na capital baiana e resistiram ao apagamento da tradição, mostrando ao folião que a festa se faz para além do trio elétrico.
O Bahia Notícias entrevistou Avani de Almeida, presidente da Filhos da Feira, a escola mais antiga da nova geração. Ao site, Avani pontuou o medo da falta de destaque as escolas de samba durante o Carnaval em que o gênero seria homenageado.

"É necessário pensar no samba como tema do Carnaval não apenas os blocos de camisa, temos muitas expressões de samba aqui em Salvador que precisam ser valorizadas. Tenho medo e acho que as escolas de samba e outros estilos serão jogados um pouco para baixo do tapete, acho que o samba de camisa vai se sobressair, por ter mais poder."
Nailton Maia, gestor da Unidos de Itapuã, reforçou a importância de ter o samba como protagonista para além da festa. "O samba precisa voltar para o lugar onde ele merece aqui em Salvador".

Caçula entre as representantes, a Diamante Negro, localizada no bairro do Novo Marotinho, mostra ao público que o samba ainda resiste entre os mais novos.
Presidida pelo jovem Matheus Couto, a G.R.E.S. Diamante Negro conta com cerca de 60 pessoas envolvidas nos desfiles, e acredita em um futuro onde as escolas voltarão a ter o destaque que sempre tiveram na Bahia.
Um medo das escolas de samba foi confirmado, sem espaço na abertura do Carnaval, o espetáculo montado pela Prefeitura de Salvador será dedicado aos cantores do gênero. Um medo era de que a festa fosse liderada pelo samba comercial, no entanto, o show, dirigido por Larissa Luz e Gil Alves, contará com a participação dos nomes que fizeram o samba ser o que é atualmente.
A festa terá as participações de Nelson Rufino, Batifun (com participação de Fernando Rufino), Mariene de Castro, Márcio Victor, Malê, Ganhadeiras de Itapuã, Roberto Mendes, Edil Pacheco, Taian Riachão, Gal do Beco, Juliana Ribeiro e Ju Moraes.
