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Pesquisa: vorcaro
A Polícia Federal (PF) identificou, em relatório pericial, uma mensagem enviada pelo empresário Daniel Vorcaro ao contato cadastrado em seu celular como "Alexandre de Moraes BRASILIA", na qual o controlador do Banco Master pede que seja feita uma interlocução junto à direção da própria PF para adiar uma medida policial que, segundo ele, poderia levar a instituição à quebra.
O documento que estava em sigilo de justiça, obtido pelo Bahia Notícias (BN), registra a recuperação de uma imagem enviada por meio do recurso de visualização única do WhatsApp.
Na captura de tela, extraída pela perícia do aparelho de Vorcaro, aparece um texto redigido pelo empresário em seu bloco de notas em 16 de novembro de 2025: "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco nao quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possivel" [a grafia original foi apresentada integralmente].
De acordo com o relatório da PF, a referência a "Andrei" diz respeito a Andrei Passos, diretor-geral da Polícia Federal. Na avaliação dos investigadores, a mensagem demonstra um pedido para que o destinatário tentasse sensibilizar a chefia da corporação a adiar o cumprimento de uma medida policial iminente contra o banco.
No próprio texto, Vorcaro afirma que o adiamento, somado ao feriado subsequente, no dia 20 de novembro, evitaria a quebra da instituição financeira.
ENTRE 25 SEGUNDOS
Para comprovar a autenticidade e a autoria da mensagem, os peritos cruzaram registros do sistema operacional do aparelho com vestígios deixados pelos aplicativos utilizados pelo empresário. Segundo o relatório, o intervalo entre a criação do conteúdo e o envio da imagem foi de apenas 25 segundos.
A cronologia reconstruída no texto pela perícia aponta:
- 16h56min40s (19h56min40s UTC): Daniel Vorcaro abre o aplicativo Bloco de Notas do iPhone e digita a mensagem.
- 16h57min22s (19h57min22s UTC): o empresário realiza uma captura de tela do conteúdo. O sistema iOS registra automaticamente o horário da ação.
- 16h57min26s (19h57min26s UTC): Vorcaro encerra o Bloco de Notas e abre o WhatsApp.
- 16h57min47s (19h57min47s UTC): a imagem é enviada, por meio do WhatsApp, ao contato identificado como "Alexandre de Moraes BRASILIA."
- 16h57min50s (19h57min50s UTC): o aplicativo é fechado no dispositivo.
Segundo os investigadores, o uso de uma captura de tela enviada por visualização única dificultava a preservação do conteúdo no histórico convencional das conversas. Embora o recurso apague a imagem do dispositivo do destinatário após a abertura, os peritos afirmam ter comprovado a transmissão por meio de duas frentes técnicas:
- Registros de conectividade (logs): o software de perícia forense IPED identificou o envio de dados pelo WhatsApp ao destinatário no exato momento registrado na cronologia do aparelho.
- Recuperação de arquivos temporários: a captura de tela gerou vestígios em áreas temporárias do sistema iOS. A equipe técnica conseguiu extrair a imagem original e seus metadados diretamente da memória do telefone de Vorcaro.
O banqueiro Daniel Vorcaro deu aval para a emissão de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil cada para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As informações constam em mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
Os cartões foram emitidos pelo Banco Master em outubro de 2025, após um pedido feito pelo escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O escritório havia firmado um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, instituição comandada por Vorcaro.
As mensagens indicam que, em 2 de outubro de 2025, o administrador do escritório Barci de Moraes, Guilherme de Toledo Benazzi, procurou diretamente Daniel Vorcaro para tratar dos cartões.
"Bom dia Daniel, é o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bom? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e Alexandre?", escreveu Benazzi.
Vorcaro respondeu encaminhando o contato de Adriana Solano, então superintendente executiva comercial do Banco Master.
Ainda no dia 2 de outubro, às 14h05, Adriana Solano voltou a falar com Vorcaro. Na mensagem, ela informou que havia sido procurada por Guilherme para providenciar os cartões para os filhos de Moraes.
"O Guilherme, que trabalha com a dra. Viviane (Moraes), me ligou para emitir cartão para os filhos dela. Limite de 300 pra cada. Posso seguir?", questionou a executiva. Na sequência, Vorcaro respondeu: "Ok".
As mensagens mostram, portanto, que o banqueiro foi consultado sobre a emissão dos cartões e autorizou o procedimento para os dois filhos do ministro, com limite de R$ 300 mil para cada um.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) revelam que o advogado baiano Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, atuou para que o banqueiro Daniel Vorcaro custeasse uma viagem a Londres para o filho do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em diálogos mantidos em março de 2025, obtidos pelo jornal Estadão e confirmados pelo jornal O Globo, o advogado questionou Vorcaro sobre a possibilidade de incluir Pedro Gonet na comitiva que participaria de um evento na capital inglesa, obtendo a confirmação do empresário.
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A informação integra um relatório sigiloso elaborado pela Polícia Federal a partir da análise do telefone celular de Vorcaro. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras na instituição bancária.
De acordo com o relatório, em 15 de março de 2025, às 14h13, Ciro Soares enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparecia ao lado de Paulo Gonet. Em seguida, escreveu: “Liga aqui”, acrescentando que o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) desejava conversar com o controlador do banco. A partir das 14h23, o aparelho registrou quatro chamadas de voz entre o advogado e o banqueiro, com durações de 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e três minutos e 49 segundos.
A Polícia Federal ressalvou no documento que não é possível confirmar se Paulo Gonet participou das chamadas ou se conversou diretamente com Daniel Vorcaro. Os registros comprovam apenas que as ligações foram efetuadas para o terminal telefônico de Ciro após o envio da fotografia.
A equipe de investigação identificou que não havia contato salvo em nome do procurador-geral no celular de Vorcaro, sendo as menções localizadas prioritariamente nas conversas com o advogado baiano.
Em 28 de março de 2025, Ciro encaminhou ao banqueiro três mensagens atribuídas ao chefe da PGR, entre elas os textos: “Que bom! Estou na torcida por vocês!” e “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”. Vorcaro agradeceu a felicitação, ao passo que o advogado declarou que o procurador “lhe adora” e iria a Londres com a comitiva.
No dia seguinte, Ciro Soares consultou o banqueiro sobre a inclusão do filho do procurador-geral na viagem: “Pode levar o Pedro?”. Vorcaro respondeu autorizando a presença: “Óbvio, né”.
Posteriormente, em abril de 2025, uma funcionária da instituição financeira consultou o controlador do banco sobre quais convidados teriam as despesas pagas pela organização do evento. Na ocasião, Vorcaro confirmou a cobertura dos custos tanto para o advogado Ciro Soares quanto para Pedro Gonet.
A Polícia Federal pontuou que o relatório não atribui conduta criminosa a Paulo Gonet. O levantamento atendeu a uma determinação do ministro André Mendonça para mapear personalidades citadas nos registros telefônicos do empresário e detalhar as interações associadas.
Uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, sinaliza uma discussão a respeito da possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.
O conteúdo foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo. A TV Globo teve acesso às informações.
No dia 15 de novembro de 2025, sábado, Vorcaro questiona Moraes. Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Questiona o ex-banqueiro.
Ele foi alvo de uma operação que mirava a venda de títulos de crédito falsos. A instituição emitia CDBs com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. No entanto, segundo as investigações na época, esse retorno era irreal.
Um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, no dia 16, Vorcaro mandou novo questionamento ao ministro pelo WhatsApp.
“Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Em outra mensagem, também no dia 16, Vorcaro sugere um encontro com Moraes:
"Às 14h então, na sua casa ou na minha?". Ele também diz estar "perplexo".
"Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu", diz a outra mensagem.
O ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, avisou o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, o havia cobrado pelo atraso no pagamento do contrato com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Em diálogos de março de 2024, extraídos do celular do empresário, obtidos pelo jornal Estado de S. Paulo, Fábio Faria encaminhou capturas de tela de visualização única atribuídas a conversas com Moraes no WhatsApp e alertou o banqueiro: “O careca não pode atrasar”.
As mensagens ocorreram dois meses após a assinatura de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes (documento que, segundo apurações anteriores do Estadão, teria sido editado pelo próprio ministro).
Fábio Faria, que atuou como conselheiro político de Vorcaro no governo Jair Bolsonaro e o apresentou a figuras influentes na capital federal, afirmou ter sido procurado por Vorcaro apenas para recomendar o escritório de Viviane em uma disputa judicial na Justiça de São Paulo contra o empresário Vladimir Timerman.
O ex-ministro declarou desconhecer o contrato de R$ 131 milhões, negou ter participado de reuniões com a banca de advocacia e disse que os pagamentos cobrados diziam respeito exclusivamente à causa paulista.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Camilla Batista
"Falta vontade política".
Disse a secretária Estadual de Políticas para as Mulheres, Camilla Batista ao comentar a destinação de recursos para a prevenção e o combate à violência contra a mulher esbarra, muitas vezes, na ausência de prioridade dos gestores municipais. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, a secretária foi categórica ao apontar a "falta de vontade política" e usou a capital baiana como exemplo de lacuna na rede de proteção.