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A Copa do Mundo de 2026 será disputada com a bola rolando em três países, mas seu centro de gravidade político estará concentrado em um deles. Sede de 78 dos 104 jogos do torneio, os Estados Unidos chegam às vésperas do Mundial diante de uma combinação de fatores que extrapolam o campo: política migratória mais rígida, reforço da segurança interna, pressão de entidades de direitos humanos, tensão diplomática com o Irã e a necessidade logística de receber milhões de torcedores estrangeiros no maior evento da história da Fifa.
Diante desse cenário, o Bahia Notícias preparou uma matéria especial dentro do quadro BN na Copa, com um levantamento sobre a conjuntura política dos países-sede e os possíveis impactos diretos na organização do Mundial. A proposta é mostrar como Estados Unidos, Canadá e México chegam ao torneio a partir de temas como imigração, segurança, circulação de torcedores, logística internacional e relações diplomáticas.
ESTADOS UNIDOS
Os Estados Unidos terão de administrar uma Copa atravessada por decisões governamentais e por uma ampla operação federal. Em março de 2025, a Casa Branca criou uma força-tarefa específica para coordenar as ações relacionadas ao Mundial de 2026. A estrutura reúne órgãos ligados à segurança, transporte, turismo e imigração, e foi desenhada para centralizar a atuação do governo federal junto às cidades-sede. O próprio governo norte-americano aponta que a força-tarefa ficará administrativamente vinculada ao Departamento de Segurança Interna.
Entre as medidas associadas à preparação do torneio estão o reforço da segurança em eventos de grande porte, apoio às cidades-sede e investimentos em tecnologia para proteção de estruturas estratégicas. O orçamento federal de 2027 também cita recursos voltados ao fortalecimento da capacidade estadual e local para eventos especiais, incluindo a Copa do Mundo de 2026 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
O ponto mais sensível de toda a operação está na entrada de torcedores estrangeiros no país. Para tentar reduzir "gargalos" no atendimento consular, foi criado o Fifa Pass, em parceria com o Departamento de Estado dos EUA. O sistema concede prioridade no agendamento de entrevistas de visto para torcedores que compraram ingressos diretamente pelos canais oficiais da Fifa e optaram pelo procedimento.
A medida busca dar maior previsibilidade ao fluxo de visitantes, mas não substitui a análise migratória tradicional. Na prática, o Fifa Pass não é um visto, não garante aprovação do pedido e também não assegura a entrada automática em território norte-americano. O torcedor segue obrigado a cumprir as exigências legais de viagem e imigração dos Estados Unidos.
Esse rigor ocorre em meio a um momento de endurecimento da política migratória dos EUA. Por conta disso, organizações de direitos humanos vêm pressionando a Fifa para garantir que o torneio mantenha compromissos de inclusão, segurança e liberdade de circulação. Os alertas envolvem riscos de restrições de visto, deportações, abordagens migratórias e impactos sobre torcedores, trabalhadores, comunidades imigrantes e profissionais da imprensa durante o Mundial.
CIDADES-SANTUÁRIO
A tensão política também se reflete no ambiente doméstico americano. Segundo informações da Reuters, o secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, alertou executivos do setor de viagens sobre a possibilidade de suspender o processamento alfandegário e migratório em aeroportos localizados em “cidades-santuário” — municípios que adotam políticas locais de proteção a imigrantes e não cooperam integralmente com determinadas diretrizes federais de imigração.
Ainda de acordo com as informações preliminares, a eventual medida foi associada ao período posterior à Copa do Mundo, mas o tema já entrou no debate público por envolver aeroportos de grande fluxo internacional. Entidades do setor de viagens e aviação manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre passageiros, cargas e turismo, enquanto integrantes do próprio governo indicaram cautela sobre a adoção de restrições que afetem o funcionamento de aeroportos.
CONFLITO ENTRE EUA/ISRAEL E IRÃ
Para além da organização interna, a Copa também está inserida em um contexto de instabilidade geopolítica. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã colocou a participação da seleção iraniana no centro de uma discussão diplomática e esportiva. O Irã está classificado para o Mundial e tem partidas previstas em território norte-americano, mas a tensão entre os países levou a questionamentos sobre vistos, segurança e circulação da delegação.
Embora a presença do Irã tenha sido tratada com incerteza nas últimas semanas, a Federação Iraniana confirmou a participação do país no torneio. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a federação apresentou condições relacionadas à emissão de vistos, segurança, tratamento da delegação, circulação de torcedores e atuação de profissionais de imprensa.
A situação segue acompanhada de perto pela Fifa. Em reunião recente com representantes da federação iraniana, a entidade afirmou ter mantido conversas positivas sobre questões operacionais. Ainda assim, a seleção do Irã iniciou preparação fora do país, em Antalya, na Turquia, em meio a pendências de visto. Parte da delegação também passou por procedimentos relacionados a solicitações de entrada no Canadá e nos Estados Unidos.
Do lado norte-americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que Washington não se opõe à presença dos atletas iranianos na Copa. No entanto, o governo indicou que poderá aplicar restrições a integrantes de delegação ou comitiva que tenham ligação com a Guarda Revolucionária Islâmica, organização classificada como terrorista pelos Estados Unidos e pelo Canadá.
O caso iraniano também envolve a tabela do torneio. O Irã chegou a solicitar a transferência de seus jogos para o México, mas a Fifa manteve o calendário original. A seleção iraniana tem jogos previstos nos Estados Unidos na fase de grupos e poderá precisar entrar no Canadá em caso de avanço na competição.
Com isso, os Estados Unidos chegam à Copa de 2026 como principal sede esportiva e também como epicentro político da operação. A promessa de um Mundial histórico, impulsionado pelo crescimento do futebol no mercado norte-americano e pelo retorno do país ao posto de sede após 32 anos, convive com alguns desafios.
Contudo, os Estados Unidos representam apenas uma parte dessa engrenagem. Para compreender o funcionamento completo do torneio, também é preciso olhar para os papéis de Canadá e México. Embora fiquem com uma fatia menor do calendário, com 13 jogos cada, os dois vizinhos serão decisivos nas operações de fronteira, na logística de deslocamento entre países e na recepção do fluxo de torcedores que circulará pela América do Norte durante a competição.
MÉXICO
Enquanto os EUA lidam com os holofotes e as pressões de segurança do principal país-sede, o vizinho México assume um papel ponderado na geopolítica da Copa do Mundo de 2026. Historicamente posicionado como uma ponte diplomática, o país latino chamou atenção para si ao se colocar como resposta para um dos maiores impasses esportivos e militares recentes que antecedem o torneio: a participação do Irã.
A escalada da tensão militar no Oriente Médio, transferiu o conflito diretamente para as pranchetas da Fifa (Federação Internacional de Futebol). O Irã, sorteado no Grupo G ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, tinha seus três jogos iniciais programados para Los Angeles e Seattle. Alegando falta de garantias de segurança em solo americano, reforçadas pelos movimentos do ministro dos Esportes do país, Ahmad Donyamali, que chegou a classificar a participação como impossível, a federação iraniana iniciou uma forte pressão para mudar seus jogos de sede.
Em meio ao impasse, o México se posicionou. A presidente Claudia Sheinbaum declarou publicamente que o país estava de portas abertas para acolher as demandas logísticas e de segurança da República Islâmica.
O desfecho dessa costura de bastidores ganhou contornos oficiais neste sábado (23), quando o Irã confirmou a transferência de sua base de treinamentos. A delegação, que inicialmente ficaria em Tucson, no Arizona (EUA), cruzou a fronteira para se estabelecer em Tijuana, cidade mexicana colada no território americano. Embora o remanejamento dos locais das partidas ainda aguarde a chancela oficial da federação, a mudança da base para o México foi aprovada pela entidade máxima do futebol como um respiro humanitário e logístico diante das incertezas da guerra.
A CORRIDA CONTRA O TEMPO NA CAPITAL
Se na diplomacia o governo federal atua com folga, nos canteiros de obras das três cidades-sede (Monterrey, Guadalajara e Cidade do México) o cenário é de pura pressão. A menos de um mês para o início do torneio, a capital mexicana vive uma frenética corrida contra o tempo para entregar intervenções urbanas cruciais até o fim de maio, poucas semanas antes do jogo de abertura, no dia 11 de junho, entre México e África do Sul, no Estádio Azteca.
Um levantamento da agência Reuters aponta que as obras estruturais têm gerado forte controvérsia e dividido opiniões entre os moradores locais. Na Calzada de Tlalpan, uma das artérias viárias mais movimentadas da Cidade do México, equipes trabalham em turnos ininterruptos para erguer um corredor de dois quilômetros voltado para pedestres e ciclistas, gerando congestionamentos caóticos e protestos contra a poluição sonora noturna.
Parte da população critica as intervenções, acusando a gestão pública de priorizar a estética e o turismo em detrimento de melhorias estruturais urgentes para o dia a dia da comunidade, como a manutenção do antigo sistema de metrô de superfície.
Por outro lado, as autoridades locais, representadas pelo diretor do metrô, Adrián Rubalcava, defendem que a vitrine da Copa do Mundo foi a oportunidade ideal para acelerar investimentos profundos em estações que precisavam de atenção urgente e que serão o verdadeiro legado de longo prazo para os mais de 1,2 bilhão de passageiros que utilizam o sistema anualmente.
“A OLA, SIM; O GRITO, NÃO”
Além da infraestrutura e do acolhimento, a Federação Mexicana de Futebol (FMF) trava uma batalha cultural interna para garantir que o país passe uma imagem de modernidade. Historicamente punida pela Fifa devido aos recorrentes gritos de cunho homofóbico entoados por sua torcida nos tiros de meta adversários, a entidade máxima do futebol mexicano lançou uma campanha de conscientização de massa.
Com o nome “A ola, sim; o grito, não”, a ação é apadrinhada por lendas do futebol local, como Hugo Sánchez e o técnico Javier Aguirre, além de outros integrantes do elenco histórico da Copa de 1986.
Segundo a entidade, a estratégia utiliza a nostalgia para combater o preconceito: a campanha incentiva o torcedor a abafar os gritos discriminatórios levantando a famosa "ola", o movimento de onda humana nas arquibancadas que o próprio México popularizou para o mundo no Mundial de 86. A ação será massificada nas redes sociais e nos últimos amistosos preparatórios da seleção.
ACERTOS FINAIS
Para os torcedores que seguirão rumo às 13 partidas que o México irá sediar, o governo estabeleceu medidas para facilitar o fluxo. Desde fevereiro, os turistas brasileiros que viajam por via aérea podem emitir um visto eletrônico de forma simplificada na internet, acelerando a imigração para o evento.
O plano nacional para a Copa prevê ainda um forte esquema de segurança unificado entre as forças federais e a inteligência da Fifa para blindar os pólos turísticos contra os recentes episódios de violência interna que preocupavam o comitê organizador.
Para garantir que a festa seja inclusiva, o governo mexicano confirmou a criação de Fan Fests e exibições públicas gratuitas com transmissões dos jogos em praças de todo o país, descentralizando o evento para quem não conseguiu ingressos.
Carregando a representatividade latina desta edição, o México Busca se provar como o porto seguro e o coração pulsante da América do Norte em 2026.
CANADÁ
Se os Estados Unidos concentram a maior pressão política e operacional da Copa do Mundo de 2026, o Canadá chega ao torneio tentando consolidar uma imagem de estabilidade institucional, segurança pública e abertura internacional. Mesmo com apenas 13 partidas distribuídas entre Toronto e Vancouver, o país terá papel estratégico na logística do Mundial, especialmente pela circulação constante de delegações e torcedores entre as três sedes norte-americanas.
A preparação canadense ocorre em meio a debates sobre imigração, custo de vida, segurança urbana e relações diplomáticas. Em abril de 2025, o Partido Liberal manteve o comando do governo após a saída de Justin Trudeau, e Mark Carney assumiu o cargo de primeiro-ministro em um cenário de desaceleração econômica, pressão sobre políticas migratórias e necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura antes da Copa.
Apesar da mudança de liderança, o governo federal manteve o compromisso assumido com a Fifa de transformar o Mundial em uma vitrine internacional para o país. As autoridades canadenses tratam a competição como uma das maiores operações de segurança da história recente do Canadá, principalmente pelo aumento esperado no fluxo de visitantes estrangeiros e pela integração operacional com Estados Unidos e México.
CONTROLE DE FRONTEIRAS
Um dos principais desafios canadenses está na gestão das fronteiras. A realização conjunta do torneio obrigará o Canadá a atuar em coordenação direta com as agências migratórias e de segurança dos EUA, sobretudo em voos, conexões terrestres e deslocamentos de torcedores entre os três países durante a competição.
Nos últimos meses, o governo canadense ampliou investimentos em vigilância de fronteiras, inteligência e segurança cibernética. O foco está em evitar incidentes relacionados a terrorismo, crimes transnacionais, ataques digitais e ações extremistas durante grandes eventos internacionais.
Ao mesmo tempo, Ottawa tenta equilibrar a imagem de país receptivo com um discurso político mais cauteloso sobre imigração. O governo federal anunciou limites temporários para determinados programas migratórios e estudantis, alegando pressão sobre habitação, serviços públicos e custo de vida. O debate ganhou força dentro do Parlamento canadense às vésperas da Copa.
DIPLOMACIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
O Canadá também aparece envolvido em temas diplomáticos que cercam o Mundial. Assim como os Estados Unidos, o país mantém a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã em sua lista de organizações terroristas, fator que colocou as autoridades canadenses nas discussões relacionadas à eventual entrada de integrantes da delegação iraniana no território canadense durante a competição.
O tema ganhou relevância porque seleções classificadas poderão cruzar a fronteira canadense nas fases eliminatórias, aumentando a necessidade de coordenação diplomática e migratória entre os países-sede.
Ao mesmo tempo, o Canadá busca utilizar o torneio como ferramenta de projeção internacional. O governo federal e as províncias envolvidas vêm destacando pautas ligadas à diversidade, inclusão e multiculturalismo como marcas da participação canadense na Copa. Vancouver e Toronto, as duas cidades-sede, já anunciaram programas culturais paralelos voltados para comunidades imigrantes e populações indígenas durante o período do Mundial.
INFRAESTRUTURA E PRESSÃO SOBRE AS CIDADES-SEDE
Apesar da imagem de estabilidade, o Canadá também enfrenta críticas internas relacionadas aos custos públicos da Copa. Em Toronto e Vancouver, parte da população questiona o aumento dos investimentos em estádios, segurança e mobilidade urbana em meio à crise habitacional que atinge diferentes regiões do país.
Autoridades locais defendem que os investimentos deixarão legado permanente em transporte, turismo e infraestrutura urbana, enquanto opositores apontam preocupação com gastos públicos elevados. Em Toronto, o foco das autoridades está na modernização do sistema de transporte e no reforço da capacidade hoteleira para receber turistas durante o torneio.
Dentro da estrutura da competição, o Canadá será peça importante para aliviar parte da pressão logística concentrada nos Estados Unidos. O país participa das negociações sobre integração tecnológica entre os três governos para compartilhamento de informações de segurança, controle de fronteiras e monitoramento de riscos durante o evento.
Assim, embora ocupe uma posição mais discreta em comparação aos Estados Unidos, o Canadá chega à Copa de 2026 tendo papel relevante na integração logística e migratória entre os três países-sede, sendo importante na engrenagem diplomática. Entre debates internos sobre imigração, pressão por infraestrutura e necessidade de coordenação internacional, o país tentará equilibrar a imagem de estabilidade global com os desafios de sediar um dos maiores eventos esportivos do planeta.
A definição das cidades-sede e dos horários da Copa do Mundo de 2026 colocou em evidência um fator que pode ser decisivo para o desempenho das seleções: a combinação entre logística e condições climáticas ao longo do torneio disputado em Estados Unidos, México e Canadá.
Além da qualidade técnica das equipes, a edição de 2026 tende a ser marcada por desafios extracampo. A distância continental entre as sedes, somada às diferenças bruscas de temperatura, umidade, altitude e fuso horário, pode interferir diretamente em recuperação muscular, desgaste físico, intensidade das partidas e preparação das delegações.
A Seleção Brasileira aparece entre as equipes que terão uma logística considerada relativamente confortável na fase de grupos. Na primeira fase, o Brasil jogará em Nova York/Nova Jersey, Filadélfia e Miami, permanecendo integralmente na costa leste norte-americana.
A estreia será no MetLife Stadium, em Nova Jersey, diante do Marrocos, num sábado, 13 de junho, às 19h (horário de Brasília). Depois, a seleção enfrenta o Haiti, na Filadélfia, no dia 19, uma sexta-feira, às 21h30. A Seleção encerra a primeira fase em Miami, contra a Escócia, dia 24, uma quarta-feira, às 19h.
A proximidade geográfica entre Nova Jersey e Filadélfia reduz o impacto de deslocamentos longos e minimiza desgaste de viagem. Além disso, o Brasil evita jogos em altitude mexicana, considerada uma das condições mais exigentes fisicamente do torneio.
Por outro lado, Miami surge como ponto de atenção. O verão no sul dos Estados Unidos costuma registrar calor intenso, elevada umidade e tempestades frequentes, fatores que podem alterar preparação e até o andamento das partidas.
As questões climáticas nos Estados Unidos passaram a gerar preocupação ainda maior após episódios registrados durante a disputa da Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025. Em diferentes cidades-sede, partidas sofreram atrasos, interrupções temporárias, antecipações e ajustes operacionais por causa de tempestades elétricas, alertas meteorológicos e condições severas de clima.
Em alguns casos, protocolos de segurança obrigaram a paralisação parcial de jogos devido à incidência de raios nas proximidades dos estádios. O calor extremo também virou preocupação recorrente durante a competição, especialmente em cidades do sul e do leste norte-americano, onde a sensação térmica elevada aumentou o desgaste dos atletas e exigiu monitoramento constante das condições físicas das equipes.
Esse cenário amplia o debate sobre a Copa de 2026. Com jogos distribuídos em diferentes zonas climáticas da América do Norte, seleções que conseguirem manter estabilidade geográfica e menor exposição a extremos meteorológicos podem ganhar vantagem importante ao longo da competição.
Entre as equipes mais beneficiadas aparece a seleção mexicana. O México disputará seus jogos em Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, permanecendo totalmente dentro do território mexicano.
Além da familiaridade com clima e altitude, os mexicanos terão deslocamentos reduzidos e ambiente amplamente favorável nas arquibancadas. A adaptação natural às condições de altitude da Cidade do México aparece como uma das principais vantagens competitivas da seleção anfitriã.
A Seleção dos Estados Unidos também desponta entre as seleções favorecidas. Os norte-americanos jogarão principalmente em Los Angeles e Seattle, permanecendo concentrados na costa oeste do país.
A distribuição regional evita travessias continentais e reduz impactos relacionados a fusos horários e desgaste aéreo. Outro ponto positivo é o clima relativamente mais ameno da costa oeste em comparação com regiões mais quentes e úmidas do sul dos Estados Unidos.
A seleção canadense também terá cenário considerado favorável. O Canadá atuará em Toronto e Vancouver durante a fase de grupos.
As cidades canadenses apresentam temperaturas mais moderadas e menor incidência de calor extremo durante o período da competição, condição que pode favorecer recuperação física e intensidade de jogo.
Outro caso visto como positivo é o da seleção belga. A Bélgica terá partidas concentradas em regiões de clima mais ameno e menos sujeitas a temperaturas extremas. A avaliação logística indica menor desgaste ambiental em comparação com outras potências europeias.
Além disso, os belgas aparecem em um grupo considerado mais equilibrado tecnicamente, sem a mesma exigência física observada em outras chaves mais pesadas do torneio. A combinação entre condições climáticas menos agressivas e adversários teoricamente menos desgastantes pode permitir maior controle físico ao longo da primeira fase.
O cenário da seleção francesa é visto de forma diferente. A França terá jogos em regiões mais quentes e enfrentará uma sequência considerada fisicamente exigente diante de seleções como Senegal e Noruega.
A combinação entre calor, deslocamentos longos e partidas de alta intensidade pode aumentar significativamente o desgaste francês durante a fase de grupos. Em torneios curtos, o acúmulo de viagens e mudanças climáticas costuma impactar diretamente recuperação muscular, risco de lesão e rendimento competitivo.
A seleção argentina também deve enfrentar uma trajetória mais desgastante. A previsão é de deslocamentos mais extensos entre sedes e maior exposição a mudanças climáticas ao longo da competição.
Já a seleção inglesa aparece como uma das equipes europeias mais suscetíveis ao impacto térmico do verão norte-americano. Em determinadas regiões dos Estados Unidos, especialmente no sul e na costa leste, a combinação entre calor e umidade eleva consideravelmente a sensação térmica, afetando recuperação física e intensidade de jogo.
A Copa do Mundo de 2026 tende a transformar fatores extracampo em elementos ainda mais decisivos do que em edições anteriores. Em um torneio espalhado por três países, 16 cidades e diferentes zonas climáticas, logística, clima e adaptação física podem representar vantagem competitiva tão importante quanto o desempenho técnico dentro de campo.
A Copa do Mundo é contada, em geral, por gols, títulos, craques e derrotas históricas. Mas a trajetória do torneio também passa por episódios de bastidores que explicam mudanças e histórias que se aproximam do folclore esportivo.
Desde a primeira edição, em 1930, no Uruguai, até a Copa de 2022, no Catar, a competição acumulou casos que explicam como o futebol se transformou até os dias atuais.
Para contar parte desse percurso, a reportagem do Bahia Notícias selecionou dez momentos marcantes que revelam curiosidades e bastidores importantes na trajetória do torneio.
1: APITO ANTES DA HORA
A Copa de 1930 teve a participação de Gilberto de Almeida Rego, o primeiro brasileiro a arbitrar em um Mundial. Ele foi bandeirinha no jogo inaugural (França x México) e árbitro principal em três partidas, incluindo Argentina x França.

Foto: Divulgação
O episódio mais lembrado ocorreu justamente na vitória argentina por 1 a 0: Almeida Rego encerrou a partida quando ainda faltavam seis minutos, orientado de forma equivocada pelo cronometrista. Jogadores argentinos chegaram a ir para o banho antes de a decisão ser revogada e o jogo retomado para completar o tempo regulamentar. O placar não foi alterado.
2: A HISTÓRIA DOS PÉS DESCALÇOS
Uma das curiosidades mais repetidas sobre a Copa de 1950 é a de que a Índia teria desistido de disputar o Mundial porque seus jogadores não poderiam atuar descalços.

Foto: Divulgação
A história, porém, tem nuances. Embora a Fifa tenha proibido o jogo sem calçados, pesquisadores apontam outros fatores para a desistência: divergências na convocação, falta de preparação e a percepção da federação indiana de que as Olimpíadas eram mais importantes que a Copa na época.
3: OS 200 MIL NO MARACANÃ
A final de 1950 entre Brasil e Uruguai consolidou o termo "Maracanazo". Estimativas apontam cerca de 200 mil pessoas no estádio, um recorde histórico.
Sem transmissão de TV na época, o rádio foi o meio de quem não estava lá. No Maracanã, o silêncio após o gol de Ghiggia, que deu a vitória por 2 a 1 ao Uruguai, marcou profundamente a memória dos brasileiros.

Foto: Divulgação
4: A CAMISA CANARINHO
O Brasil jogava de branco até a derrota de 1950. Em 1953, o jornal Correio da Manhã promoveu um concurso para criar um uniforme que utilizasse as cores da bandeira. O vencedor foi o ilustrador Aldyr Garcia Schlee.
A estreia do modelo em Copas ocorreu em 1954, na Suíça. O radialista Geraldo José de Almeida foi quem popularizou o apelido "Seleção Canarinho".

Foto: Divulgação / CBF
5: O ÚNICO GOL OLÍMPICO DAS COPAS
Na Copa de 1962, no Chile, o colombiano Marcos Coll entrou para a história ao marcar diretamente de uma cobrança de escanteio contra a União Soviética. O lance ocorreu no empate por 4 a 4, e a bola passou por ninguém menos que Lev Yashin, o "Aranha Negra". É, até hoje, o único gol olímpico da história dos Mundiais.
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Foto: Divulgação
6: TAÇA ROUBADA E ENCONTRADA POR UM CACHORRO
Antes da Copa de 1966, a Taça Jules Rimet foi roubada enquanto estava exposta em Londres. O desfecho teve um herói improvável: Pickles, um cachorro que encontrou o troféu enrolado em jornais em um jardim. Pickles e seu dono, David Corbett, tornaram-se celebridades instantâneas na Inglaterra.
7: O SEGUNDO ROUBO DA JULES RIMET
Após o tri em 1970, o Brasil ficou com a posse definitiva da taça. Porém, em 1983, ela foi roubada da sede da CBF, no Rio de Janeiro. Diferentemente do caso inglês, o troféu nunca foi recuperado. A versão oficial é de que a peça foi derretida, transformando a Jules Rimet original em uma relíquia perdida.

Foto: Divulgação / CBF
8: FRANÇA DE VERDE E BRANCO
Na Copa de 1978, França e Hungria chegaram para o jogo com uniformes brancos, gerando conflito visual. Sem um segundo kit disponível, os franceses jogaram com camisas emprestadas do Kimberley, um clube local de Mar del Plata. A França venceu por 3 a 1 vestindo listras verdes e brancas.

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9: PARALISAÇÃO EM FRANÇA X KUWAIT
Em 1982, o príncipe Fahad Al-Sabah, dirigente do Kuwait, invadiu o campo para contestar um gol francês, alegando que seus jogadores pararam após ouvirem um apito vindo da arquibancada. Surpreendentemente, a arbitragem anulou o gol. No entanto, a França venceu por 4 a 1, e o príncipe foi multado pela FIFA posteriormente.

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10: RECORDES NA COPA DE 2018
A edição na Rússia foi o marco da tecnologia com a estreia do VAR. Foi a primeira Copa em que todas as seleções marcaram ao menos dois gols. O torneio registrou números recordes até então: 169 gols totais, 29 pênaltis marcados e 12 gols contra. O título ficou com a França após bater a Croácia por 4 a 2.

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Localizado no coração da Ásia Central, o Uzbequistão volta para o radar do futebol mundial após tentativas frustradas ao longo de seu curto tempo de vida como nação independente. Antes de se tornar o país que conhecemos hoje, o território abrigava a República Socialista Soviética do Uzbequistão, uma das 15 unidades da extinta União Soviética (URSS). O país conquistou sua independência oficial em 31 de agosto de 1991, mas foi apenas três décadas e meia depois, com a ampliação para 48 seleções, que o sonho de disputar uma Copa do Mundo de Futebol Masculino se tornou realidade.
Geograficamente, o estreante é o epicentro da Rota da Seda, o antigo caminho comercial que ligava a China à Europa. Politicamente, o Uzbequistão vive uma transição de um regime fechado para uma abertura econômica recente, movimento que reflete diretamente no investimento esportivo que vemos hoje nos gramados.
A RECONSTRUÇÃO DE UM SONHO INTERROMPIDO
Embora os primeiros clubes tenham surgido na década de 1920, o grande marco do futebol local é o Pakhtakor Tashkent, fundado em 1956. Único clube uzbeque a disputar a elite soviética, o Pakhtakor é o maior campeão nacional, mas sua história é marcada pela maior tragédia do esporte na Ásia Central.
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Estádio Pakhtakor Markaziy - Foto: Divulgação
Em 1979, o avião que levava a equipe colidiu com outra aeronave no ar, vitimando 178 pessoas, incluindo 14 jogadores e três membros da comissão técnica. O acidente dizimou a geração de ouro da época. Em um gesto de solidariedade histórico, a Federação Soviética garantiu que o clube permanecesse na primeira divisão por três anos, independentemente dos resultados, enquanto se reconstruía com atletas emprestados de outros times da URSS.
ORGANIZAÇÃO E A SUBIDA AO TOPO DA ÁSIA
A Federação Uzbeque de Futebol foi fundada em 1992, um ano após a independência, mas a filiação oficial à FIFA e à Confederação Asiática (AFC) veio apenas em 1994. A estreia internacional não poderia ter sido mais impactante. Logo naquele ano, os uzbeques conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Asiáticos de 1994, vencendo a China na final. Desde então, a seleção se tornou uma presença constante nas fases finais da Copa da Ásia, batendo na trave das eliminatórias para o Mundial por sucessivas edições.
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Registan, praça principal de Samarcanda, no Uzbequistão - Foto: Turismo do Uzbequistão/Divulgação
O CAMINHO PARA 2026
A seleção uzbeque, conhecida como Lobos Brancos, carimbou sua vaga inédita após uma campanha sólida nas Eliminatórias. O comando técnico hoje está nas mãos de Fabio Cannavaro. O capitão do tetra da Itália em 2006 chega ao Mundial, exatos 20 anos depois de erguer a taça, com o desafio de guiar os estreantes. A classificação histórica foi selada com um empate sem gols contra os Emirados Árabes Unidos, em Abu Dhabi, garantindo o segundo lugar do Grupo A e evitando o trauma das repescagens.
No campo, a liderança técnica passa pelos pés de Eldor Shomurodov. O capitão e maior artilheiro da história do país atua hoje no Ístanbul Basaksehir, da Turquia. Ao seu lado, o "fator X" da equipe é o jovem Abbosbek Fayzullaev, um meia-atacante rápido e habilidoso que também defende as cores do clube turco e é apontado como um dos maiores talentos sub-23 de todo o continente asiático.
Seguindo na aposta nos mais jovens, a segurança defensiva tem nome e sobrenome. Abdukodir Khusanov, atualmente no Manchester City, se tornou um pilar do time de Pep Guardiola por seu poder de reação e agressividade física, herdando a rigidez da escola soviética, mas com o refinamento técnico da nova geração.
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Eldor Shomurodov, Abbosbek Fayzullaev e Abdukodir Khusanov - Fotos: Reprodução/@shomurodov.eldor/ @abdukodir_khusanov_/@abbos.fs
Sorteado no Grupo K, o Uzbequistão fará sua estreia histórica no dia 17 de junho, contra a Colômbia. Além do sul-americano, os asiáticos terão que medir forças com a Portugal de Cristiano Ronaldo e a RD Congo.
Para o torneio, a seleção deve se aproveitar de transições rápidas e uma defesa física, herdada da escola soviética, mas com o refinamento técnico da nova geração, aproveitando-se do entrosamento de uma base que joga junta desde as seleções juvenis.
Os Lobos Brancos chegam para representar um povo que se apegou ao futebol no meio da tragédia, que parecia perdido no globo, mas que finalmente encontrou seu lugar no mapa do futebol. Se o mundo ainda não conhece o talento dos ubiquistanezes, 2026 é o ano oficial para apresentação deles.
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Seleção do Uzbequistão - Foto: Divulgação
A presença de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026 marca um momento histórico para o país e para o futebol africano. Num ano em que o aumento de 32 para 48 seleções não é a única novidade, a equipe garante sua primeira participação em Mundiais e consolida um processo de crescimento que vinha se desenhando nas últimas décadas.
A história de Cabo Verde começa bem antes da classificação inédita para a disputa da Copa do Mundo de 2026 ou do sorteio para o Grupo H, onde os cabo-verdianos vão dividir espaço com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Antes mesmo da campanha memorável nas Eliminatórias da África — com dez jogos, sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota — a narrativa deste país foi forjada num contexto singular.
Localizado na costa oeste da África, Cabo Verde é um arquipélago formado por dez ilhas vulcânicas no Oceano Atlântico, com pouco mais de 500 mil habitantes. A identidade cultural do país é marcada pela mistura de influências africanas e europeias, especialmente portuguesas, herança que também se reflete no futebol. Um dos aspectos mais determinantes na formação da seleção é a diáspora cabo-verdiana: há mais cidadãos vivendo fora do país do que dentro dele, principalmente em nações como Portugal, França e Holanda. Esse cenário faz com que muitos jogadores tenham nascido ou sido formados no exterior, mas optem por defender Cabo Verde em nível internacional.

Vista aérea da costa da Ilha de Santiago, em Praia, capital de Cabo Verde | Foto: Divulgação
A seleção, conhecida como Tubarões Azuis, é filiada à Fifa desde 1986 e passou a ganhar relevância no cenário africano a partir da década de 2010. O primeiro grande marco foi a classificação para a Copa Africana de Nações de 2013, quando surpreendeu ao alcançar as quartas de final. Desde então, a equipe passou a figurar com maior regularidade em competições continentais, acompanhando também uma evolução no ranking internacional.
A vaga para a Copa de 2026 foi construída com base em uma campanha consistente nas Eliminatórias Africanas, marcada por organização defensiva e eficiência nas transições ofensivas. O time apresentou um modelo de jogo equilibrado, com linhas compactas e forte disciplina tática, características influenciadas pela formação europeia de grande parte do elenco.
Nesse contexto, nomes como Ryan Mendes, capitão e principal referência técnica, tiveram papel decisivo, contribuindo diretamente em momentos-chave. Ao seu lado, o atacante Jovane Cabral se destacou pela velocidade e capacidade de desequilíbrio, enquanto o goleiro Vozinha foi fundamental em jogos equilibrados, especialmente fora de casa. No sistema defensivo, Stopira se consolidou como uma das lideranças, sendo peça central na solidez que marcou a campanha.
Em campo, Cabo Verde apresenta um perfil híbrido, que combina organização tática europeia com características tradicionais do futebol africano, como intensidade, velocidade e força física. A equipe costuma priorizar o equilíbrio, com postura reativa em muitos momentos, explorando erros dos adversários e transições rápidas. Essa capacidade de adaptação é facilitada pela diversidade de experiências dos jogadores, espalhados por diferentes ligas ao redor do mundo.

Fotografia oficial da equipe nacional titular de Cabo Verde | Foto: Reprodução/Instagram (@fcfcomunicacao)
MORNA: MÚSICA É CULTURA VIVA
A morna é um dos principais símbolos culturais de Cabo Verde e talvez a expressão artística que melhor traduz a identidade do país. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2019, ela carrega em sua essência temas como saudade, amor, distância, partida e cotidiano, sendo estes elementos profundamente ligados à experiência histórica cabo-verdiana.
É justamente nessa mistura que a morna ganha profundidade. Suas letras, quase sempre cantadas em crioulo cabo-verdiano, abordam histórias pessoais e coletivas, muitas vezes relacionadas à separação — seja de amores, da terra natal ou da família. Por isso, o gênero é frequentemente associado ao sentimento de “saudade de quem emigrou”, uma definição que dialoga diretamente com a realidade da diáspora do país. Em Cabo Verde, onde grande parte da população vive fora do território nacional, a música se torna uma forma de manter vínculos afetivos e culturais. O que reforça a ideia de que a cultura é viva e transmite relações em diferentes lugares, num contexto em que, apesar da liberdade de suas descendências serem sequestradas, a conexão é uma força para fazer suas raízes sobreviverem.

Grupo de músicos de morna | Foto: Augusto Brázio/UNESCO
Outra ideia associada ao gênero é de “registro emocional da história”. A morna não conta, diretamente, a história de Cabo Verde de forma factual ou cronológica, como faria um livro ou documento. O que ela registra são as emoções ligadas aos processos históricos que marcaram o país: colonização, pobreza estrutural, migração, isolamento geográfico.
Ao longo do tempo, diferentes composições capturam como essas experiências foram sentidas pelas pessoas comuns. A saída de um familiar, por exemplo, não aparece apenas como dado estatístico, mas como dor, espera ou esperança. A relação com o mar — que ao mesmo tempo conecta e separa e tem ligação com expedições marítimas — surge como metáfora recorrente. A própria ideia da música “sodade” (forma crioula de “saudade”), de Cesária Evora, um dos maiores nomes do gênero, sintetiza esse conjunto de sentimentos ligados à distância e à memória.
Talvez não seja de senso comum, mas do ponto de vista linguístico, a conexão entre Cabo Verde e Brasil é direta. O português é o idioma oficial nos dois países, resultado da colonização, mas com diferenças importantes: em Cabo Verde, o crioulo cabo-verdiano é amplamente falado no cotidiano, enquanto no Brasil o português incorporou vocabulário, ritmos e estruturas influenciadas por línguas africanas e indígenas. Em comum, há essa adaptação local de uma base linguística europeia.
Até no futebol essa relação aparece de forma indireta. Assim como Cabo Verde utiliza fortemente jogadores formados na diáspora europeia, o Brasil também é um dos maiores exportadores de jogadores do mundo, com atletas espalhados por diferentes ligas, ainda que, no caso brasileiro, a seleção seja majoritariamente composta por jogadores nascidos no próprio país.
A participação de Cabo Verde na Copa do Mundo ocorre dentro de um novo contexto competitivo, impulsionado pela ampliação do torneio na edição de 2026. Embora enfrente seleções mais tradicionais, os Tubarões Azuis chegam com a possibilidade de ser uma das surpresas, especialmente pela consistência demonstrada ao longo das Eliminatórias. Independentemente do desempenho, a classificação já representa um marco significativo e posiciona o país como um dos exemplos mais claros de como a expansão do Mundial e a influência da diáspora vêm redefinindo o mapa do futebol internacional.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Léo Kret
"Estou aqui ó, com meu pai, com minha mãe, na minha casa. Dizendo que eu estou presa. Meu nome apenas foi mencionado numa investigação com um contrato que eu nem assino".
Disse a ex-vereadora de Salvador e cantora Léo Kret ao se pronunciar após ter se tornado alvo de busca e apreensão durante uma operação do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).