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Terça, 04 de Maio de 2021 - 00:00

CSN teve sete mudanças no quadro de diretores desde 2014, aponta Juceb

por Mauricio Leiro

CSN teve sete mudanças no quadro de diretores desde 2014, aponta Juceb
Foto: Max Haack / Secom

A "correlação direta com a conduta societária" apontada no relatório final da intervenção da prefeitura de Salvador, para diagnosticar a dificuldade financeira da concessionária Salvador Norte (CSN) (reveja aqui) pode ser explicada nas sete trocas dos quadros de diretores na empresa desde 2014. O Bahia Notícias obteve através da Junta Comercial Do Estado da Bahia (JUCEB) uma certidão específica com os documentos arquivados pela sociedade anônima fechada desde sua abertura. 

 

A primeira reunião, realizada em 16 de setembro de 2014, onde os conselheiros, decidiram eleger para compor a diretoria com mandato de três anos, Marcos Antônio Figueiredo Trinchão, como diretor-presidente, Marcus Flores Carneiro, como diretor administrativo-financeiro e Eufênia Santos Bonfim, como diretora operacional da companhia.

 

Pouco mais de três meses depois da primeira troca. A empresa gerou ata do conselho de administração realizada no final de dezembro de 2014, onde destituiu do cargo de diretora operacional da companhia, Eufênia Santos Bonfim, que passou a ser diretora-presidente. Em março de 2015 outro acréscimo, com a aprovação da nomeação de Horácio Lucateli Costa Brasil para o cargo de diretor operacional da companhia.

 

Em fevereiro de 2016 mais uma destituição. Marcus Flores Carneiro deixa o cargo de diretor administrativo-financeiro, ficando essas funções para o diretor presidente, até o momento Eufênia Santos Bonfim. Em 2017, em nova reunião do conselho de administração, foi eleito para as funções de diretor presidente e diretor operacional, Marcos Antônio Figueiredo Trinchão. Além dele, Eufênia Santos Bonfim passou a assumir a diretoria administrativa da CSN.

 

O ano de 2017 ainda não tinha acabado quando, em nova ata de reunião do conselho de administração, foi aceita o pedido de renúncia de Marco Antônio Figueiredo Trinchão e Eufência Santos Bonfim dos seus cargos. No mesmo momento foram eleitos: Jocimar Sol de Macedo, como diretor-presidente, Paulo Rodolfo Santos Collucci como diretor administrativo-financeiro e André Luiz Nogueira Santos para a direção operacional. 

 

A esteira de renúncias não parou. Em dezembro de 2020, uma carta de renúncia do diretor presidente da companhia, Jocimar Sol de Macedo, foi arquivada. Onde no momento ficou pendente "efetuar a devida atualização junto à Receita Federal do Brasil com a apresentação do DBE, ação de responsabilidade do requerente”. 

 

A CSN ficou então até a atual data a cargo dos atuais diretores: Paulo Rodolfo Santos Collucci e André Luiz Nogueira Santos tendo como os acionistas da sociedade algumas empresas: TVM – Transportes Verdemar LTDA, Viação Rio Verde S/A, ODM Transportes LTDA e BTU Bahia Transportes Urbanos LTDA.

 

O relatório já tinha apontado que teriam sido adiantados aos sócios R$ 11,9 milhões. "Foram identificadas e apontadas pelas auditorias independentes práticas capazes de caracterizar apropriação indébita, além de antecipações aos sócios de potenciais receitas futuras, utilização de recurso de terceiros (do STCO) para garantir dívidas da sociedade e dos sócios e todo um rol de deliberações que favoreciam os interesses e posições dos acionistas em detrimento da concessionária. Até mesmo na integralização do capital social verificaram-se inconsistências prejudiciais", pontua.  

 

TRAJETÓRIA DE DIFICULDADES E INTERVENÇÃO

As dificuldades da empresa começaram em 2019. No final daquele ano, a empresa apresentou dificuldades relacionadas com a saúde financeira e o atual valor da tarifa. A direção, no entanto, se disse otimista para 2020 (relembre aqui). 

 

Em março de 2020, funcionários da Concessionária Salvador Norte foram surpreendidos ao terem sido chamados pela empresa para suspender a vigência dos seus contratos por conta da redução de até 30% da frota dos ônibus em Salvador determinada pelo prefeito ACM Neto (DEM) (veja mais). Em junho, a prefeitura de Salvador realizou a intervenção que tinha prazo inicial de 180 dias (reveja aqui).

 

Na época, o prefeito ACM Neto ressaltou que a prefeitura não queria ter empresa de ônibus. "Nós só estamos fazendo a intervenção porque ia parar", comentou. 

 

Com a intervenção vieram as mudanças. A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) promoveu o remanejamento de 23 linhas que operavam pelo Consórcio Integra Salvador Norte, deixando os veículos operados pelos consórcios Plataforma e OTTrans (veja aqui). 

 

No final do período de intervenção, a única alternativa da prefeitura foi prorrogar a intervenção na Concessionária Salvador Norte (CSN) (veja mais), ficando até março deste ano. Isso porque, segundo o agora prefeito Bruno Reis, não existia "nenhuma empresa interessada, no Brasil, em assumir a bacia" (relembre aqui). 

 

Até então, a prefeitura de Salvador ainda não tinha decidido o que seria feito em relação ao processo de intervenção na CSN, empresa que opera as linhas de transporte coletivo que abastecem a Estação Mussurunga e a Orla da cidade (veja mais aqui).

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