Justiça baiana mantém prisão preventiva de ex-deputado Uldurico Júnior; relembre histórico da prisão
Por Maurício Leiro / Eduarda Pinto
A Justiça Baiana manteve a prisão preventiva do ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto, conhecido como Uldurico Júnior. A decisão, do último dia 23 de julho, negou o pedido de liberdade provisória solicitado pela defesa do réu. O autor da negativa foi o juiz Otaviano Andrade Sobrinho, da 1ª Vara Criminal de Eunápolis, na Costa do Descobrimento, conforme informou o Radar News, parceiro do Bahia Notícias.
O ex-parlamentar foi preso em abril deste ano, durante a Operação Duas Rosas, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), sob acusação de organização criminosa e corrupção, envolvendo a fuga de 16 detentos no Conjunto Penal de Eunápolis.
De acordo com as investigações, Uldurico Jr. negociou com uma organização criminosa o recebimento de R$ 2 milhões para facilitar a fuga em massa ocorrida em dezembro de 2024. Entre os foragidos está o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o Dada, apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção com vínculo com o Comando Vermelho.
A fuga ocorreu no dia 12 de dezembro quando um grupo de homens fortemente armados invadiram a carceragem por volta das 23h e trocaram tiros com agentes penitenciários no Conjunto Penal. Na ação criminosa, os acusados conseguiram abrir duas celas, provocando a fuga de 16 internos.
O nome “Duas Rosas” atribuído à operação faz referência ao valor estimado da vantagem indevida. Ao longo das apurações, verificou-se que a expressão “rosa” era utilizada de forma codificada para se referir a dinheiro.
DUAS ROSAS
Ainda em abril deste ano, o Bahia Notícias teve acesso ao depoimento da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, sobre a negociação da facilitação de fuga dos detentos. A investigada que foi presa ainda em 2025 fez um acordo de delação premiada para dar detalhes sobre a fuga dos 16 detentos da unidade prisional.
O depoimento dela trouxe à tona sua relação com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, à época no MDB e atualmente filiado ao PSDB, e as negociações com o líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada”.
Conforme a delação premiada, Uldurico já frequentava a unidade para realizar reuniões a portas fechadas com os detentos, o que era tratado como algo "normal" pelos colaboradores.
O MP-BA indicou que, em 2024, quando Joneuma foi nomeada diretora em Eunápolis, Uldurico Júnior já possuía forte influência dentro da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap). Desde a época, a pasta era comandada por indicação do MDB, partido do ex-deputado federal no período.
A oficialização de Joneuma como diretora em Eunápolis ocorreu em posse no dia 14 de março de 2024, sendo a primeira mulher na chefia de um presídio masculino no estado. Vale destacar que, na época, Joneuma e Uldurico mantinham um relacionamento amoroso.
Joneuma afirmou que, já no dia seguinte após tomar posse do cargo, Uldurico Júnior compareceu à unidade com uma comitiva e realizou reuniões a portas fechadas com líderes da facção PCE. A negociação com os faccionados, até então, envolvia uma troca para garantir eleitores “cativos” a Uldurico, por meio de um grupo composto por presos provisórios com direito a voto. Cada voto captado era recompensado com R$ 100,00, em dinheiro vivo.
Após Uldurico Júnior perder a disputa pela prefeitura de Teixeira de Freitas, Joneuma narra que a negociação com Dadá teria como objetivo a obtenção de recursos com a facção PCE para pagar dívidas de campanha, o que culminou no acordo de R$ 2 milhões, as chamadas “duas rosas”, para facilitar a fuga dos presos.
A fuga foi concretizada e ocorreu na noite de 12 de dezembro de 2024, envolvendo uma ação coordenada dentro e fora do Conjunto Penal de Eunápolis. Relembre a investigação do MP-BA sobre atuação de Uldurico Jr. e outros atores na fuga.
