Faroeste: Ilona Reis diz que foi pressionada a delatar colegas do TJ-BA e políticos
Na carta escrita pela desembargadora Ilona Reis, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), presa na Operação Faroeste em dezembro de 2020 (leia mais aqui), é dito que o advogado César Oliveira, conhecido como César Cachaça no estado, a procurou uma segunda vez com um novo plano, já que ela não teria condições de pagar R$ 1 milhão para não ser investigada por venda de setenças.
Segundo ela narra, ele a propôs fechar uma delação premiada e entregar um grupo de 15 pessoas, entre eles, desembargadores e autoridades políticas. Escreve a desembargadora: “(César Oliveira) Disse que iria me ajudar como um favor, mas eu teria de pagar de outra forma, isto é, eu deveria delatar pessoas por ele indicadas, pessoas que depois eu percebi serem seus desafetos”.
Segundo a matéria de Cruzoé, César Oliveira teria exigido que dentre os delatados por Ilona, deveriam ser incluídos Jaques Wagner, Carlos Suarez e Ronaldo Carletto, estes últimos, dois grandes empresários baianos, sob pena das negociações emperrarem na PGR. Ilona Reis afirma que essa nova proposta também não avançou porque ela não tinha o que delatar contra as pessoas mencionadas pelo advogado. Coincidentemente, a filha e o genro de Suarez, bem como o próprio Ronaldo Carletto, foram incluídos numa suposta delação da desembargadora Sandra Inês que circulou em grupos de WhatsApp, o que levanta a suspeita de que os familiares de Suarez e Carletto podem ter sido envolvidos indevidamente por exigência do advogado que conduziu a delação de Sandra Inês. Fontes ouvidas pelo Bahia Notícias, apesar de Cesar Oliveira não ser advogado de Sandra, ele teria sido o verdadeiro condutor da colaboração junto à subprocuradora Geral da República. Ainda conforme relato de Ilona, o advogado amigo de Aras, César Oliveira, disse o seguinte sobre o caso de Sandra: “Foi pega com a boca na botija, mas Guga e eu vamos arrumar a vida dela e do filho”. Na mesma conversa, conforme relato de Ilona, César disse que tanto Sandra quanto seu filho já tinham contratado um advogado ligado a ele e estavam em vias de ter a situação resolvida. No caso do senador petista, por exemplo, ela teria que falar da “ingerência” dele no tribunal, para o qual nomeou nove desembargadores durante o período em que governou a Bahia, entre 2007 e 2014.
A proposta não teria avançado, pois ela sustenta que não teria o que delatar contra as pessoas indicadas por César Oliveira. E mesmo assim, ainda teria sofrido pressões do advogado. “Ninguém quer saber quem é culpado ou inocente, somos nós que decidimos quem é culpado ou não”, teria dito o advogado. “Ou você delata ou vai presa e vão jogar a chave fora”. Ilona conta que para demonstrar o que César poderia fazer por ela junto ao procurador-geral da República, Augusto Aras, citou o caso da desembargadora Sandra Inês Rusciolelli, presa em março de 2020, na 5ª fase da Operação Faroeste, após realização de uma operação controlada da Polícia Federal (relembre aqui). César teria dito a Ilona sobre Sandra: “Foi pega com a boca na botija, mas Guga (Augusto Aras) e eu vamos arrumar a vida dela e do filho”. Na mesma conversa, conforme o relato de Ilona Reis, César Oliveira disse que tanto Sandra Rusciotelli quanto seu filho já tinham contratado um advogado ligado a ele e estavam em vias de ter a situação resolvida. Sandra e o filho Vasco Rusciolelli estão em prisão domiciliar desde setembro do ano passado.
