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Diamantes seriam usados para 'esquentar' recursos ilícitos de grilagem no oeste

Por Cláudia Cardozo / Matheus Caldas

Diamantes seriam usados para 'esquentar' recursos ilícitos de grilagem no oeste
Foto: Divulgação

Um dos “grandes beneficiários do sucesso da trama delitiva no oeste baiano” – segundo palavras do Ministério Público Federal (MPF) –, o 'quase-cônsul' da Guiné Bissau, Adailton Maturino, se utilizou do transporte internacional de diamantes para lavar dinheiro. É o que aponta a subprocuradora-geral da República, Lindôra Maria Araújo, numa denúncia entregue ao ministro Og Fernandes, relator da Operação Faroeste no Superior Tribunal de Justiça (STF), ao qual o Bahia Notícias obteve acesso.

 

De acordo com o documento, Maturino foi flagrado em tratativas sobre transporte internacional de diamantes em bruto, totalizando 1.225,91 quilates, com valor total de U$D 1.932.177 (aproximadamente R$ 9,9 milhões). De acordo com Lindôra, as operações de venda do material se configuravam como uma “possível engenharia mundial de lavagem de ativos, visando perpetuar pela eternidade sua fortuna e impunidade.”

 

CONVERSAS ENTRE O CASAL
Um outro relatório, elaborado pela Polícia Federal no dia 4 de dezembro, também traz uma série de trechos de conversas entre a esposa do quase-cônsul, Geciane Maturino, e contadores do casal, que estavam incumbidos de rodar a engrenagem do esquema que favorecia o enriquecimento ilícito de ambos (leia mais aqui).

 

Numa rara conversa entre o casal, Adailton compartilhou uma conversa entre ele e um interlocutor não identificado, em que ambos dialogam sobre preços e características dos diamantes. As mensagens datam do dia 13 de novembro de 2019, cinco dias antes da deflagração da primeira fase da Faroeste. 

 

“Irmão, já sabe, aqui a rede é ,é complicada, mas olha, era só pra dar notícias, tá bom. Ah, já temos aqui, ah, a referência do preço, eu vou escrever depois, ah, da Emirates para transportar a mercadoria para o Brasil, faz dois, ah, dois estados, São Paulo e Rio de Janeiro, tá bom, os custos, de um a dez quilos, são U$D 1.700,00, de um a cinquenta quilos são U$D 3.300,00, eu depois vou escrever tudo direitinho, e vou mandar também um manifesto que fizemos agora com os preços dos diamantes, tá bom? Um abraço.”

 

Segundo a investigação, os diamantes eram fornecidos por um homem chamado Mohamed Lamine Diallo, que atua no Guiné, no oeste africano.

 

Com base nessas e em outras mensagens encontradas no aparelho celular de Geciane, o MPF solicitou a manutenção da prisão preventiva do casal Maturino.