Guia do Carnaval: Aprenda como se alimentar e como escapar da “dor de barriga” durante a folia
Por Leonardo Almeida
Ninguém merece pegar uma intoxicação alimentar ou ter uma má digestão em pleno Carnaval de Salvador, logo na maior festa de trio elétrico do mundo. Tem os corajosos que se arriscam no “espetinho de gato”, ou até vai no cachorro-quente de R$ 1,50 de procedência completamente duvidosa nos arredores do circuito, mas o ideal, apesar de certo antagonismo com a folia, é sempre priorizar a saúde.
Pensando nisso, o Bahia Notícias consultou a nutricionista Maria Fernanda Barreto para saber as principais dicas de alimentação de Carnaval. Será que aquela “feijuca”, que já é tradição nas festas populares de Salvador, é o ideal para os foliões?

Foto: Agência Brasil
Primeiro de tudo, conforme a nutricionista, é buscar manter uma certa constância entre alimentação e ingestão de água durante o Carnaval. Como destacou Maria Fernanda, A combinação de calor, esforço físico prolongado e consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de desidratação, queda de energia e mal-estar, problemas comuns nos circuitos Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande).
“O erro mais frequente é acreditar que o organismo dá conta sem planejamento. No Carnaval, o corpo é exigido além do normal. Quando não há hidratação e alimentação adequadas, surgem sintomas como tontura, fraqueza, dor de cabeça, cãibras e fadiga intensa. Não precisa ser perfeito, precisa ser consistente. Pequenas escolhas fazem toda a diferença para atravessar o circuito com mais disposição e curtir o Carnaval com saúde”, disse a especialista à reportagem.
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HIDRATAÇÃO
A recomendação principal é manter a ingestão de líquidos ao longo do dia, mesmo sem sentir sede. A perda de água e sais minerais é intensificada pelo calor e pelo álcool, que tem efeito diurético, ou seja, aumenta a vontade de urinar.
A orientação é consumir água em pequenos volumes e, quando necessário, intercalar com bebidas que auxiliem na reposição de eletrólitos, como sódio e potássio. Água de coco, inclusive, é uma ótima pedida. Para quem não gosta, também há a opção de ingerir isotônicos.

Foto: Gilberto Jr/ Secom
A nutricionista afirma que, quando há consumo de álcool, a hidratação precisa ser redobrada. Intercalar bebida alcoólica com água ajuda a reduzir sintomas como dor de cabeça e tontura. Bebidas energéticas e refrigerantes não substituem a hidratação adequada.
Segundo Maria Fernanda, a orientação nutricional durante o Carnaval não é de proibição, mas de redução de danos. Entre as principais recomendações estão não beber de estômago vazio, intercalar álcool com água e evitar misturar diferentes tipos de bebida no mesmo dia.
Se lembre, você não é um Chevette e bebida alcoólica não é combustível. O álcool não gera energia de qualidade. Ele prejudica a hidratação, a recuperação muscular e o sono, impactando diretamente o dia seguinte.
O PRATO IDEAL
Outro ponto crítico é pular refeições enquanto se gasta energia no Carnaval afinal ficar longos períodos sem comer favorece a hipoglicemia, queda de rendimento e escolhas alimentares impulsivas. Segundo Maria Fernanda, uma refeição rica em carboidratos e proteínas é o ideal para aguentar o “tranco” da festa momesca.
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Foto: Divulgação / Deline
“Antes de sair para os circuitos, o ideal é fazer uma refeição com carboidratos e proteínas, como arroz com frango, cuscuz com ovos, sanduíche com proteína ou iogurte com frutas e aveia. Durante o percurso, lanches simples e práticos ajudam a manter a energia, como frutas, castanhas, barras de cereal ou frutas desidratadas. Carboidrato é combustível. Sem ele, o corpo não sustenta o esforço físico, e a pessoa tende a exagerar no álcool ou sentir um cansaço precoce”, explica Maria Fernanda.
E o feijão? Então, ele é um alimento completo, a questão é que normalmente ele vem acompanhado com carnes gordurosas. O grão, em si, não teria problema, caso não seja consumido em excesso, mas alimentos com muita gordura devem ser evitados, pois podem causar desconforto abdominal e até mesmo piorar a ressaca.
INTOXICAÇÃO
Para fala sobre o risco de contaminação alimentar, o gastroenterologista Luiz Almeida também deu dicas aos foliões. Segundo o especialista, em ambientes lotados, o risco de contaminação alimentar aumenta. A recomendação é priorizar alimentos bem cozidos, preparações simples e locais com boa rotatividade. Alimentos crus, molhos e maioneses expostos ao calor devem ser evitados.
Carnes mal cozidas, maioneses, frutos-do-mar, laticínios, gelo contaminado e água de procedência duvidosa estão entre as causas mais frequentes de intoxicação alimentar. Conforme o especialista, muitas ocorrências não estão relacionadas ao alimento em si, mas à forma como ele é manipulado, conservado ou reaproveitado ao longo do dia.

Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio de Janeiro
Então assim, sabe aquele sushi de R$ 10-15 conto que às vezes você encontra na rua? Podemos falar daquele queijinho, ou aquela maionese, que ficou o dia todo no sol, então… Evite o máximo possível, pois manter a supervisão de controle sanitário durante o Carnaval não é a tarefa mais fácil do mundo. É importante ressaltar também, por experiência própria, para evitar os famosos espetinhos de gato nos arredores da festa momesca.
“O calor facilita a multiplicação de microrganismos quando os alimentos não são armazenados corretamente ou permanecem muito tempo fora da refrigeração. Isso é comum em festas de rua, onde o controle sanitário é mais difícil. Na dúvida, é melhor não consumir. Uma escolha errada pode interromper a festa e gerar complicações que duram dias”, explica Luiz Almeida.
Os sintomas costumam surgir poucas horas após a ingestão do alimento contaminado e incluem náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, febre e mal-estar geral. Em quadros mais graves, o paciente pode apresentar sinais de desidratação, tontura e queda da pressão arterial.
RECUPERAÇÃO
A nutricionista Maria Fernanda Barreto destacou que a reposição nutricional não deve ficar para o dia seguinte. Segundo ela, ao chegar da folia, o corpo já precisa iniciar o processo de recuperação, com foco em hidratação, proteínas e carboidratos.
“Opções leves e de fácil digestão incluem sopas com frango ou ovos, arroz com feijão e proteína, sanduíches simples ou iogurte com frutas. Quem se recupera minimamente antes de dormir tende a acordar com menos indisposição e menos vontade por alimentos muito gordurosos”, disse Maria Fernanda.
A especialista também montou um “kit folião” para quem busca praticidade e saúde durante as festas:
- Garrafa de água
- Um ou dois lanches simples
- Reposição de eletrólitos, quando necessário
- Planejamento alimentar antes e durante o dia
