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Opinião: Jerônimo Rodrigues reeleito sai fortalecido das urnas e se torna terceiro vértice do PT na Bahia

Por Fernando Duarte

Opinião: Jerônimo Rodrigues reeleito sai fortalecido das urnas e se torna terceiro vértice do PT na Bahia
Foto: André Carvalho/ Bahia Notícias

O PT da Bahia ganhou motivos para celebrar a vitória acachapante sobre a oposição. Jerônimo Rodrigues venceu com folga ACM Neto, ampliando os números que obteve há quatro anos, e Rui Costa e Jaques Wagner ganharam dos demais adversários com mais de um milhão de votos de frente. No entanto, o resultado do pleito federal, com Luiz Inácio Lula da Silva 2% atrás de Flávio Bolsonaro, “pesou o clima” da comemoração. Ou seja, foi um triunfo com certo grau de amargor.

 

Nem mesmo as pesquisas mais otimistas pró-governo mostravam um percentual tão expressivo para Jerônimo. O PT, mais uma vez, provou ser um partido de “chegada”, muito mais do que de largada. O governador era favorito por ter as mãos sobre a máquina, por ter dois ex-governadores como candidatos ao Senado e por ter um grande eleitor, Lula, a seu favor. A soma de fatores contribuiu para uma derrota que vai exigir que a oposição reorganize as rotas.

 

Para além das eleições majoritárias, as formações das bancadas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) sinalizam que a hegemonia do PT e dos partidos aliados e/ou satélites não apenas foi mantida, como acabou ampliada. Jerônimo ganha mais um mandato sem enfrentar dificuldades no parlamento, com gordura de sobra para garantir votações favoráveis – especialmente na Assembleia. Saiu fortalecido e maior que há quatro anos.

 

No primeiro turno de 2022, o senador Otto Alencar (PSD) teve mais votos que o candidato a governador. Em 2026, mesmo com prognósticos que apontavam a força de Rui Costa, Jerônimo teve mais votos que seu antecessor e Jaques Wagner, mostrando ser um personagem maior do que era avaliado até então. A criatura se tornou maior que o criador, em um cenário em que, mesmo internamente, não era considerado possível. Lembremo-nos que, até meses antes da campanha começar, o burburinho de uma substituição do governador candidato à reeleição circulava com frequência.

 

Agora, com a força concedida pelas urnas, resta saber se o governo vai continuar “particionado” com Rui e Wagner ou se, efetivamente, Jerônimo vai conseguir imprimir a própria marca, algo pelo qual foi alvo de críticas ao longo dos últimos quatro anos. O saiu extremamente forte do pleito e isso precisa ser assimilado pela oposição e pelos aliados que, eventualmente, subestimem o potencial dele.

 

E A OPOSIÇÃO?

Em 2022, ACM Neto tinha argumento que perdeu a disputa para Lula. Em 2026, a derrota do ex-prefeito de Salvador foi para Jerônimo. Isso o coloca em uma condição bem delicada junto a própria oposição. Com a emergência de lideranças como o próprio João Roma (PL), também derrotado na disputa ao Senado, e o prefeito da capital baiana Bruno Reis (União), ACM Neto pode ver a própria liderança ser minada internamente.

 

Sem mandato, as chances de sobrevida política dele dependem também da articulação nacional dele, o que inclui declaração pública de voto em Flávio Bolsonaro. A provável adesão da federação União Progressista à candidatura do herdeiro de Jair é crucial para tentar exercer algum tipo de ascendência sobre o grupo político local. E há um risco de longo prazo de ser taxado como bolsonarista, algo que ele sempre tentou rechaçar.

 

Sem dúvidas, ACM Neto sai menor do que saiu no segundo turno quatro anos atrás. Caso algum insurgente resolver bradar ser líder da oposição, ou ele age de maneira célere ou pode perder inteiramente o controle que, por enquanto, ainda detém. É cedo para falar em sepultara política dele. E é cedo para pisotear sobre um nome que foi opção para quase 44% dos baianos.