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Opinião: Jerônimo titubeia em debate na Band Bahia, enquanto ACM Neto usa melhor o espaço disponível

Por Fernando Duarte

Opinião: Jerônimo titubeia em debate na Band Bahia, enquanto ACM Neto usa melhor o espaço disponível
Foto: Divulgação

O primeiro confronto público e televisionado das eleições 2026 na Bahia tornou explícita a estratégia dos dois principais grupos que disputam o governo. Na Band Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) usou o argumento do legado petista após quase 20 anos no poder, enquanto ACM Neto (União) focou em atacar aqueles pontos que considera mais negativos do atual governador, usando a própria administração em Salvador como referência. Já o PSOL de Ronaldo Mansur se comportou como linha auxiliar do PT e, em momento algum, lembrou o partido que, em 2022 e 2024, desferiu críticas aos dois grupos políticos hegemônicos.

 

Apesar do esforço em equilibrar o confronto, Jerônimo se mostrou mais desconfortável, tanto nas perguntas de jornalistas quanto nos confrontos diretos. Optou, nos dois momentos em que teve oportunidade, por questionar um fraco Ronaldo Mansur, cuja discurso monocórdico tornou o debate ligeiramente modorrento. Mesmo que estivesse bem preparado para tratar de temas sensíveis ao próprio governo, Jerônimo perdia argumentações importantes por, simplesmente, preferir ser evasivo demais. Então, ao avaliar o desempenho geral, para o governador, o debate foi um evento de oportunidades desperdiçadas.

 

O candidato de oposição já aproveitou melhor os espaços. ACM Neto construiu uma narrativa contra o adversário e a sustentou até o final, aproveitando para dar informações sobre os projetos que propõe. Até mesmo no uso do tempo para tréplicas era nítido o quão ele se programou para ser incisivo contra o oponente em momentos em que não seria possível qualquer contra-argumentação. O saldo, em termos discursivos, acabou mais positivo para um ACM Neto mais sereno do que em outros momentos. Ainda assim, a agenda ficou restrita à campanha, algo que permitiu que o debate ficasse em um nível elevado.

 

Passados cinco mandatos petistas, usar qualquer vislumbre de "herança maldita" chega a ser contraditório - em especial com o número de eleitores jovens que tende a aumentar. E isso vale tanto para Jerônimo e o PT na Bahia quanto para ACM Neto em Salvador - já são 14 anos sob a égide formal desse grupo político na capital baiana. Ou seja, quem insistir nessa tese reduz a perspectiva de debate para o futuro que se espera de uma campanha eleitoral (é utópico, admito).

 

Para um domingo de Dia dos Pais, concorrendo com o jogo Flamengo x Vitória, o horário das 20h não chegou a ser um atrativo extra para o eleitor. Os candidatos mobilizaram as respectivas claques e agora têm material para cortes nas redes sociais, algo fundamental para esse "novo" modo de fazer política. Agora é esperar a campanha começar formalmente para vermos a replicação da estratégia rascunhada até aqui