Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias

Notícia

Opinião: Zé Cocá vai de vice dos sonhos a Judas Iscariotes num piscar de olhos de Rui Costa

Por Fernando Duarte

Opinião: Zé Cocá vai de vice dos sonhos a Judas Iscariotes num piscar de olhos de Rui Costa
Foto: Gabriel Lopes/ Bahia Notícias

Ainda prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP) foi de vice dos sonhos a Judas Iscariotes para o grupo político que controla o governo da Bahia. A mudança radical foi em um curto espaço de tempo, dadas as apostas que, até há alguns poucos meses, o colocavam como um bom nome para ocupar a cadeira de vice na tentativa de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT). Coube ao ex-governador Rui Costa (PT) explicitar a pecha de traidor de Cocá, ex-prefeito em dois mandatos de Lafayete Coutinho e, em breve, de dois mandatos na Cidade Sol. É o republicanismo teórico que só cabe quando serve para criticar adversários.

 

Entre ser prefeito de dois municípios, Zé Cocá exerceu um mandato temporário na Assembleia Legislativa da Bahia. À época, o Progressistas era base aliada de Rui Costa (João Leão era vice-governador), porém, ainda assim, o então governador preferiu apoiar o adversário dele em Jequié - por questões não exclusivamente políticas, visto que a primeira-dama Aline Peixoto insistiu para que o deputado estadual fosse um "inimigo" nas urnas. Quando ganhou as eleições, Cocá fez movimentos para se aproximar do governo e houve reciprocidade de Rui. O resultado foram obras e intervenções na cidade governada por ele, tanto enquanto Rui estava no Palácio de Ondina quanto após a ascensão dele a ministro da Casa Civil (e todo o poderio de gerentão que o acompanha).

 

Reeleito em 2024 com o melhor percentual da Bahia - mais de 90% dos votos -, Zé Cocá se tornou a "menina dos olhos" do governo, na região de origem de Jerônimo, onde o próprio governador não possui votos próprios. Antes mesmo do processo de fritura do atual vice, Geraldo Jr., capitaneado por Rui Costa, o nome do prefeito de Jequié subiu nas bolsas das "bets dos bastidores": era o nome ideal para enfraquecer a oposição, pois a trajetória no PP seria um golpe de misericórdia contra os adversários. No entanto, nem todos acompanharam a estratégia. Especialmente, o principal envolvido - e interessado - na história: o próprio Zé Cocá.

 

Político conhecedor dos meandros das articulações, ao longo dos últimos meses, o prefeito de Jequié deu sinais trocados. Ora deixaria a oposição para se juntar ao governo, ora seria um apoiador da oposição na região que comanda, associado a cerca de 15 prefeitos. Quando estava ao lado do governo, era um exemplo de gestor. Quando flertava com a oposição, era um indeciso que preferia não sair do muro. Agora, que se encaminha para ser anunciado como vice na chapa do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), Zé Cocá se transmuta em pária para Rui, como se os laços pretéritos que os unem não tivessem nascido em uma rede que incluiu traições do lado do governo.

 

Apesar da condição de Judas estampada pelo governo e por Rui, Zé Cocá é sim o "vice dos sonhos". Entretanto, para a chapa da oposição ao petismo na Bahia. E, dentro da democracia e do republicanismo que Rui e seus compadres tanto pregam, não há espaço para rebaixar a política a adjetivos mesquinhos. Ainda mais quando quem os profere acumula relações bem pouco fiéis e leais. E olha que nem tive linhas para relembrar episódios com Lídice da Mata, Fernando Haddad, Jaques Wagner, Angelo Coronel, Geraldo Jr. e o próprio Jerônimo Rodrigues. Às vezes, olhar o próprio umbigo faz bem para quem fala sobre os outros. Zé Cocá pode sair maior dessa eleição do que ao entrar, ainda que as urnas possam não ser favoráveis a ele.