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Opinião: ACM Neto transita do luto à retomada do posto de fiel depositário da oposição

Por Fernando Duarte

Opinião: ACM Neto transita do luto à retomada do posto de fiel depositário da oposição
Foto: Fernando Duarte/ Bahia Notícias

Após um luto que se estendeu até o final de julho, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, voltou a dar entrevistas e a sair da zona de conforto de emitir críticas aos adversários apenas quando melhor lhe parecesse. Na conversa no Projeto Prisma, era perceptível que ele tenta voltar a ocupar o papel de fiel depositário da oposição na Bahia, depois que perdeu a eleição para Jerônimo Rodrigues, em outubro do ano passado. E, por enquanto, passou longe de perder esse posto.

 

Parte dessa retomada sem grande entraves está na ausência de quem efetivamente se aproveitasse do vácuo dele. Quem poderia, ou manteve a lealdade, como o prefeito Bruno Reis, ou priorizou outros objetivos, como, por exemplo, o deputado federal Elmar Nascimento e sua articulação para presidir a Câmara. Ou seja, o grupo político de oposição ao PT continuava dependendo do fim desse luto de ACM Neto para se reorganizar e ocupar o outro lado do balcão da política na Bahia.

 

Isso não quer dizer que o ex-prefeito terá vida fácil nesse processo. Há figuras externas que tentam se colocar como uma opção política para Salvador, por exemplo, num esforço de bom mocismo para circular como terceira via para os dois grupos que dominam a cena política no estado. O fato de ACM Neto ser um político profissional que não depende da política como meio de sobrevivência é o que permite uma sobrevida além do que os adversários tentam pregar.

 

Ter consciência dessa posição de fiel depositário da oposição na Bahia é algo muito perceptível no discurso de Neto. Após o segundo turno e a ascensão dele para presidir a Fundação Índigo, braço de formação política do União Brasil, o ex-prefeito chegou a ser colocado como o "grande perdedor" da eleição baiana de 2022. Apesar de ter sido derrotado, ACM Neto foi o primeiro a ameaçar o domínio pleno do PT na Bahia desde 2006, quando o grupo do avô dele deixou o poder. Ainda jovem, caso tenha paciência, idade não seria um peso para eventualmente voltar a disputar o Palácio de Ondina. Só precisa manter certo grau de musculatura política e um grupo coeso em torno de si para ser competitivo como candidato ou como grande eleitor local.

 

O primeiro e talvez crucial desafio a ser enfrentado acontece já em 2024, quando Bruno Reis tenta a reeleição em Salvador. Mantidos os números dos dois últimos pleitos na capital baiana, colocar ACM Neto e o grupo liderado por ele como sepultado não passa de um recurso retórico dos adversários. Morto ele não está. Nem sequer respirando por aparelhos, para seguir na mesma linha de analogia. No máximo, passou por um tempo lidando com uma quase morte - tanto que entrou em luto. Findado esse período, cabe ao próprio ACM Neto indicar o futuro que irá seguir.