Presidente do Fluminense compara drama de endividados com desemprego e gera revolta
Por Redação
O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, gerou repercussão negativa nas redes sociais após uma declaração durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (3). Durante sua manifestação, que durou cerca de dez minutos, o dirigente reconheceu os problemas sociais provocados pelas apostas, mas argumentou que a interrupção das atividades das empresas pode comprometer as receitas dos clubes e provocar demissões.
Montenegro defendeu a suspensão da medida provisória que proibiu as casas de apostas online no Brasil e afirmou que o drama das famílias endividadas não pode ser maior do que o impacto do desemprego no futebol.
"Eu ouvi muito se falar sobre drama. O drama das famílias, o drama do endividamento. E isso é verdade. O Fluminense não nega isso. Só que também, Excelência, existe um drama do desemprego. O que os clubes vão fazer se a receita acabar? Eu já vi muitas vezes a Suprema Corte discutir a ponderação de princípios, mas aqui, neste caso, infelizmente, nós teremos que fazer a ponderação entre os dramas. O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, especialmente das agremiações menores, com base nessa perda de receita", afirmou o dirigente. O trecho da declaração foi compartilhado nas redes sociais e provocou críticas de torcedores e internautas, que consideraram inadequada a comparação feita pelo presidente tricolor.
A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux para discutir os impactos da Medida Provisória que proibiu as apostas online no país. Além do Fluminense, representantes de Flamengo, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa participaram do debate. Os clubes defenderam a manutenção de um mercado regulamentado de apostas e alertaram para possíveis prejuízos financeiros, perda de patrocínios e redução de postos de trabalho no futebol brasileiro.
