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Após imbróglios trabalhistas e rebaixamento: entenda próximos passos do Atlético de Alagoinhas para engrenar SAF

Por Sara Santos

Atlético de Alagoinhas
Foto: Divulgação/Atlético de Alagoinhas

Nos últimos anos, o Atlético de Alagoinhas escalou o pelotão para se consolidar como a terceira força do futebol estadual. Com três finais consecutivas do Campeonato Baiano nas costas – sendo campeão em 2021 e 2022, e vice em 2020 – o Carcará viu grande parte desse projeto desmoronar e precisar de um recálculo de rota em 2026.

 

A temporada atual foi marcada por um declínio esportivo e uma crise financeira que expôs os bastidores do clube. Rebaixado para a Série B do Baianão com a pior campanha do torneio e eliminado precocemente na Série D do Campeonato Brasileiro, o time ficou sem calendário para o segundo semestre. O ápice da crise ocorreu no início de junho, quando um grupo de jogadores protestou em frente a casa do presidente da Associação, Albino Leite, cobrando salários atrasados.

 

Diante do colapso no campo e na tesouraria, o Bahia Notícias apurou os bastidores da transição do clube para entender o que foi feito até aqui, a real situação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e quais são os próximos passos da equipe.

 

DO PROTESTO ÀS RESCISÕES
Sem jogos oficiais até o fim do ano, o clube iniciou um processo de assinatura de recisões com os jogadores, entendendo que,
 sem calendário, não faz sentido manter os atletas no clube. Nomes conhecidos da torcida, como os atacantes João Leonardo e Samuel Almeida, deixaram a equipe. Sem especificar quais, o clube informou que alguns jogadores não pediram dispensa, sendo esses minoria.

 

Após o episódio das cobranças na porta do presidente, a diretoria agiu para apagar o incêndio. Segundo a própria presidência informou ao Bahia Notícias, os atletas que assinaram os documentos de rescisão tiveram seus valores quitados. A dívida emergencial com o elenco girava em torno de R$ 150 mil. 

 

No entanto, o que a torcida e parte da opinião pública não sabiam é que os recursos para evitar a falência total do clube não vieram dos cofres da Associação, mas sim de um aporte pessoal. Segundo informações apuradas pelo BN, o CEO da TLS Sports, Edgar Terles Hecke, injetou mais de R$ 1 milhão do próprio bolso para garantir a sobrevivência imediata do Carcará.

 

A SAF AINDA NÃO EXISTE NO PAPEL
A injeção de dinheiro levantou questionamentos: afinal, a TLS Sports não havia comprado a SAF do clube em setembro de 2025 com a promessa de aportar R$ 20 milhões?

 

Lucas Pinheiro, advogado da TLS Sports e participante ativo no processo de transição, esclareceu ao Bahia Notícias que a burocracia e as dívidas ocultas travaram a formalização da empresa.

 

"A SAF do clube não existe. O que existe é um processo de formação da SAF, em que a empresa TLS Sports tem a promessa de aquisição da associação. Não tem CNPJ ainda. Possivelmente, nos próximos dois meses vai terminar, até porque já tem uns cinco meses de processo, que geralmente demora de seis a oito", detalhou o advogado.

 

O planejamento inicial foi minado pelo surgimento de dívidas que não constavam nos relatórios preliminares, os chamados "esqueletos no armário".

 

"Apareceram muitas dívidas do clube ao longo do tempo. Foi feito um planejamento sem considerar que esses débitos iam aparecer, pois não sabíamos deles. Tiveram que ser honrados e isso foi, aos poucos, minando a questão financeira. Teve atleta que, para poder vir para o clube, exigiu o pagamento de débitos de anos anteriores", explicou Pinheiro.

 

Foi nesse cenário de emergência que Edgar Terles Hecke assumiu o papel de "gestor colaborativo", realizando os aportes milionários como pessoa física para que o Atlético não fechasse as portas.

 

INFRAESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO
Com as rescisões pagas e o calendário esportivo de 2026 encerrado, o objetivo do Atlético de Alagoinhas para o segundo semestre é exclusivamente administrativo e estrutural.

 

A expectativa de Lucas Pinheiro é que a documentação final da SAF seja concluída no prazo máximo de dois meses. A partir da criação formal do CNPJ, a TLS Sports poderá assumir oficialmente o clube e iniciar o plano de ação previsto em contrato. As prioridades traçadas para a reestruturação incluem:

  • Restauração Financeira: Mapeamento completo e criação de um plano de pagamento para os débitos de gestões anteriores;
  • Foco na Infraestrutura: O aporte inicial de R$ 20 milhões não será destinado a contratações bombásticas, mas sim à construção de patrimônio;
  • Centro de Treinamento: A principal meta é iniciar a construção de um CT próprio já no começo do próximo ano.

 

O advogado da TLS Sports foi categórico ao alertar a torcida sobre o destino dos investimentos obrigatórios previstos no contrato de compra e venda (que prevê aportes de R$ 20 milhões a R$ 60 milhões por 90% das ações).

 

"As pessoas imaginaram: 'o clube vai investir R$ 20 milhões e está lá'. O investidor tem que aportar R$ 20 milhões no clube, mas não é para contratar jogador. É infraestrutura, é construir um CT, uma academia, reformar um campo, dar condição de estruturação mínima. Só que isso só pode ser exigido com segurança jurídica, quando a SAF estiver constituída", finalizou Lucas.

 

O Carcará agora corre contra o tempo nos bastidores de escritórios e cartórios. O objetivo é que, quando a bola voltar a rolar na Série B do Baianão em 2027, continuar os investimentos na base, por acreditar que eles auxiliaram na reconstrução do clube, acreditando que nos próximos anos o Atlético tenha alicerces sólidos o suficiente para evitar que a queda de 2026 seja mais do que um tropeço em sua história recente.