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"Por falar em SAF": Entenda o cenário dos onze clubes-empresas do futebol baiano

Por Carlos Matos

"Por falar em SAF": Entenda o cenário dos onze clubes-empresas do futebol baiano
Fotos: Divulgação | Rafael Falcão | Letícia Martins | Divulgação | Josymar Alves

O processo de empresarialização do futebol baiano também não está restrito a clubes tradicionais que transformaram suas associações em SAF. Projetos como Porto Sport Club ou SSA FC representam uma nova geração de equipes que surgiram dentro de uma lógica empresarial e passaram a buscar espaço no futebol profissional estadual.

 

O Porto, de Porto Seguro, é um dos exemplos mais consolidados desse movimento. A equipe ganhou espaço rapidamente no cenário baiano e já alcançou a primeira divisão estadual, tornando-se uma das novas forças do futebol do interior.

 

A estrutura ligada ao clube também aparece identificada como Porto Seguro SAF em documentos e registros públicos relacionados ao futebol profissional.

 

O SSA FC representa outro projeto recente que ganhou projeção esportiva. Em 2026, o clube conquistou espaço entre os principais times da segunda divisão estadual e confirmou o acesso inédito à elite do Campeonato Baiano, reforçando a presença de novas equipes estruturadas dentro de uma lógica empresarial no principal torneio do estado.

 

Industrial e Sakai também fazem parte desse movimento de novos projetos associados à empresarialização do futebol. As informações públicas disponíveis sobre a estrutura societária e os investimentos dessas equipes, no entanto, são mais limitadas.

 

Por isso, mais do que enquadrá-los detalhadamente em um mesmo modelo de negócio, sua presença ajuda a demonstrar a ampliação do interesse por formatos empresariais no futebol baiano. São projetos que surgem em um ambiente diferente daquele que marcou historicamente a formação dos clubes associativos e tradicionais do estado.

 

A diferença é relevante: enquanto Bahia, Atlético de Alagoinhas ou Fluminense de Feira partiram de associações esportivas já consolidadas para construir uma estrutura empresarial, parte dessa nova geração nasce ou se desenvolve já dentro de uma perspectiva de gestão profissional e empresarial.

 

GESTÃO MULTICLUBES É OUTRA FRENTE
Ypiranga e Conquista FC fazem parte da Squadra Sports, plataforma liderada pelo ex-presidente do Bahia, Guilherme Bellintani. Nesse modelo, os clubes estão inseridos em uma estrutura que reúne diferentes ativos esportivos sob uma estratégia comum de investimento e gestão.

 

A experiência se diferencia da venda tradicional de uma SAF a um único grupo. A lógica é a construção de uma rede, com possibilidade de compartilhamento de estruturas, profissionais, estratégias de mercado e desenvolvimento de atletas.

 

A presença da Squadra no futebol baiano mostra, portanto, que a empresarialização não ocorre apenas pela entrada de um investidor em um clube específico. Ela também pode acontecer por meio da formação de grupos que passam a administrar diferentes equipes.

 

NOVO MOMENTO PARA OS TRADICIONAIS
Galícia e Itabuna completam esse cenário de clubes que passaram, em diferentes momentos, por experiências de reorganização empresarial.

 

O Galícia, um dos clubes mais tradicionais de Salvador e pentacampeão estadual, voltou à elite do Campeonato Baiano em 2026 após conquistar o acesso na temporada anterior. O retorno encerrou um período de oito anos fora da primeira divisão e recolocou o "Demolidor de Campeões" no principal cenário do futebol estadual.

 

O momento esportivo do clube se soma a um processo mais amplo de tentativa de reconstrução de marcas tradicionais do futebol baiano, em um cenário no qual novos investidores e modelos de gestão passaram a disputar espaço com associações historicamente estabelecidas.

 

O Itabuna, por sua vez, segue como uma das equipes tradicionais do interior e também passou por experiências recentes de reorganização de seu projeto futebolístico. O clube chegou a estar ligado ao Grupo Amoedo em uma tentativa de estruturação empresarial, mas a relação foi encerrada em 2023.

 

Mais do que se aprofundar especificamente na configuração societária atual de Galícia e Itabuna, os dois casos ajudam a ilustrar outro aspecto do cenário baiano: a chegada da lógica empresarial também alcançou clubes de forte identidade histórica e regional, ainda que os projetos tenham seguido caminhos e ritmos diferentes.

 

CENÁRIO ATUAL
O levantamento sobre o futebol baiano reúne Bahia, Atlético de Alagoinhas, Fluminense de Feira, Porto Sport Club, SSA FC, Industrial, Sakai, Ypiranga, Conquista FC, Galícia e Itabuna.

 

Mas colocar os 11 nomes sob uma mesma lista não significa dizer que todos vivem exatamente o mesmo processo.

 

O Bahia representa a entrada de uma rede internacional no controle de uma SAF. Atlético de Alagoinhas e Fluminense de Feira passaram por operações envolvendo investidores e participação majoritária em suas estruturas empresariais.

 

Porto e SSA FC representam a ascensão de novos projetos dentro de uma lógica empresarial, enquanto Industrial e Sakai integram uma geração ainda em desenvolvimento e com menor volume de informações públicas disponíveis sobre suas estruturas. Ypiranga e Conquista FC mostram outro modelo, ligado à gestão multiclubes da Squadra Sports.

 

Galícia e Itabuna, por sua vez, demonstram como clubes tradicionais também passaram a conviver com experiências de reorganização e empresarialização, embora o momento atual de cada projeto deva ser analisado separadamente.

 

A SAF e a lógica de clube-empresa passaram a abrir diferentes caminhos: há investimento estrangeiro, grupos nacionais, investidores individuais, plataformas multiclubes e projetos que já surgem fora da estrutura associativa tradicional. É dentro dessa diversidade que o Jacuipense começa agora a discutir sua própria alternativa.

 

JACUIPENSE PENSA SAF
Enquanto alguns clubes brasileiros já vivem os efeitos, positivos ou negativos, da transformação empresarial, o Jacuipense está em uma etapa anterior. O clube de Riachão do Jacuípe ainda não formalizou uma SAF nem anunciou um investidor. O movimento atual é de estruturação.

 

Segundo o presidente do Conselho Deliberativo, Felipe Sales, o avanço do modelo no futebol brasileiro e baiano contribuiu para que a discussão passasse a ocupar um espaço maior dentro do planejamento do clube.

 

“Chega um determinado momento em que começamos a perceber que todo mundo está começando a virar SAF e isso pode ser importante para a gente atrair outros tipos de parceiros para fortalecer ainda mais o projeto”, afirmou.

 

A diretoria começou recentemente a discutir a estrutura jurídica necessária para um eventual avanço.

 

“Há quinze dias, eu sentei com nosso advogado, doutor Rafael Frank, e começamos a pensar de maneira mais efetiva. Algo como: ‘Poxa, já está na hora da gente realmente começar a desenhar um projeto de SAF e potencializar o Jacuipense, que já é um projeto de sucesso’. Então já começamos a desenhar, está com nosso jurídico”, definiu.

 

Sua posição no atual cenário baiano é outra: a de um clube que observa um movimento já em andamento e começa a desenhar as condições para decidir se também fará parte dele.

 

A expansão da SAF não oferece um único roteiro. Os casos já existentes mostram que a transformação de uma associação em empresa, por si só, não determina o sucesso de um clube.

 

O que muda de projeto para projeto é quem investe, quanto investe, quais garantias existem, qual é o modelo de governança e, principalmente, qual planejamento sustenta a operação.

 

Para o Jacuipense, o debate já começou há um bom tempo, mas a estruturação e a movimentação é agora.