BN na Copa: Saiba como chega a América do Sul para a disputa da Copa do Mundo de 2026
Por Thiago Tolentino
A América do Sul chega à Copa do Mundo de 2026 inserida dentro de um cenário de transição. A ampliação do torneio para 48 seleções elevou o número de vagas da Conmebol para seis classificações diretas e uma na repescagem, influenciando no peso das Eliminatórias.
Ao fim da disputa, garantiram vaga direta Argentina, Brasil, Uruguai, Equador, Colômbia e Paraguai. A Bolívia terminou na sétima colocação e foi à repescagem intercontinental, mas acabou eliminada ao perder por 2 a 1 para o Iraque, que ficou com a última vaga do Mundial.
FORÇA HISTÓRICA
A Conmebol é, historicamente, uma das principais forças do futebol mundial. Em 22 edições de Copa do Mundo até 2022, seleções sul-americanas conquistaram 10 títulos, número que só fica atrás da Europa.
O Brasil lidera o ranking global com cinco conquistas (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) e é a única seleção presente em todas as edições do torneio. A Argentina aparece como segunda maior potência continental, com três títulos (1978, 1986 e 2022), enquanto o Uruguai completa a lista com duas conquistas (1930 e 1950).
Além dos títulos, a América do Sul também acumula campanhas consistentes. Desde 1930, ao menos uma seleção do continente esteve presente em 15 finais de Copa do Mundo, incluindo sequências históricas como entre 1930 e 1950, quando sul-americanos venceram três das quatro primeiras edições.

Maior campeão entre as seleções, o Brasil não chega a uma final de Mundial desde 2002, ano em que se sagrou pentacampeão do mundo | Foto: Divulgação / Fifa
DESEMPENHO DAS SELEÇÕES
Entre as seleções classificadas, a Argentina chega ao Mundial como atual campeã e principal referência técnica do continente. A liderança nas Eliminatórias traz a continuidade de um ciclo vencedor, no entanto, com algumas ressalvas: os argentinos não tiveram grandes renovações em relação à Copa de 2022 e pouco competiram com equipes de níveis mais altos no ranking da Fifa.

Entre os nomes já experientes, a Seleção Argentina terá mais uma vez — e pela última — um Lionel Messi já envelhecido como o principal astro do grupo | Foto: Divulgação / Seleção Argentina
Historicamente, a seleção argentina soma seis finais de Copa do Mundo (1930, 1978, 1986, 1990, 2014 e 2022), consolidando-se como uma das equipes mais regulares do torneio ao longo das décadas.
O Brasil, apesar da classificação, vive um momento de instabilidade. A campanha irregular nas Eliminatórias, com a troca de três treinadores, evidencia uma seleção em transição, distante mais uma vez do domínio que marcou décadas anteriores, embora ainda carregue o peso de ser o maior campeão mundial.

No ciclo para a Copa de 2026, o Brasil contou com o comando de Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Jr. antes da chegada de Ancelotti. Hoje, corre para recuperar o tempo perdido e mostrar que pode competir com as grandes potências europeias | Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Em termos históricos, o Brasil também é a seleção com mais participações em finais (7) e a única a conquistar o título em três continentes diferentes (Europa, América do Sul e Ásia), além de manter tradição de chegar, ao menos, às quartas de final em grande parte das edições.
O Uruguai mantém sua característica de competitividade e regularidade, sustentando-se como presença frequente em Copas e adversário tradicional em fases decisivas. Bicampeão mundial, o país também soma campanhas relevantes mais recentes, como o quarto lugar em 2010.
A Colômbia confirma sua consolidação como força relevante no século XXI. A melhor campanha da seleção em Copas foi em 2014, quando chegou às quartas de final, desempenho que marcou seu maior protagonismo internacional.
O Equador se firma como uma das seleções que mais evoluíram estruturalmente nos últimos ciclos. Desde sua primeira participação em 2002, a equipe tem presença constante em Mundiais e alcançou seu melhor resultado em 2006, ao chegar às oitavas de final.
Já o Paraguai representa um retorno importante ao cenário mundial. Após ausência nas últimas edições, a seleção volta a disputar a Copa, resgatando um protagonismo que marcou especialmente o período entre 1998 e 2010, quando participou de quatro edições consecutivas e chegou às quartas de final em 2010, sua melhor campanha.
Abaixo, veja como se encerrou a disputa das Eliminatórias. Os dados são fornecidos pela DataFactory, parceira do Bahia Notícias:
AUSÊNCIAS E QUEDA DE RENDIMENTO
Se o novo formato ampliou o número de classificados, também evidenciou o declínio de seleções tradicionais. Chile e Peru ficaram fora da Copa de 2026, ampliando um cenário de queda de rendimento.
O Chile, que viveu seu auge recente com os títulos da Copa América em 2015 e 2016, já teve participações marcantes em Copas, como o terceiro lugar em 1962, quando sediou o torneio.
O Peru, que voltou à Copa em 2018 após 36 anos de ausência, tem como principal feito histórico o quarto lugar em 1970, além de participações competitivas nas décadas de 1970 e 1980.
A Venezuela, por sua vez, permanece como a única seleção sul-americana que nunca disputou uma Copa do Mundo, mantendo um histórico que atravessa gerações desde sua filiação à Fifa em 1952.
A Bolívia chegou a um feito relevante ao alcançar a repescagem intercontinental pela primeira vez em décadas, mantendo viva a chance de retornar a um Mundial — algo que não acontece desde 1994, quando disputou sua última Copa. A equipe avançou na fase preliminar, mas acabou derrotada pelo Iraque por 2 a 1, em Monterrey, no México, e ficou fora da Copa.
Historicamente, a Bolívia tem participação limitada em Copas do Mundo, com presença apenas em 1930, 1950 e 1994, sendo esta última sua campanha mais recente.

Eliminada para o Iraque, a Seleção Boliviana perdeu a chance de voltar a disputar uma Copa do Mundo. A última vez foi em 1994 | Foto: Instagram / @laverde_fbf
MUDANÇAS NO FORMATO
Durante décadas, a América do Sul teve apenas quatro vagas diretas e uma na repescagem, o que tornava suas Eliminatórias consideradas as mais difíceis do mundo, com alto índice de seleções tradicionais ficando fora do Mundial.
Com a ampliação para seis vagas, o cenário mudou significativamente. A disputa ficou menos excludente e mais aberta, permitindo que seleções intermediárias se mantivessem competitivas até as rodadas finais.
Ao longo da história, as Eliminatórias sul-americanas sempre foram marcadas pelo formato de pontos corridos com confrontos de ida e volta entre todas as seleções — modelo adotado de forma contínua desde a década de 1990, após mudanças nos sistemas anteriores.
FORMATO DA COPA
A Copa do Mundo de 2026 será disputada entre os dias 11 de junho e 19 de julho, com sede compartilhada por Estados Unidos, México e Canadá — a primeira vez na história em que o torneio será realizado em três países.
O novo formato prevê 48 seleções divididas em 12 grupos de quatro equipes, com avanço dos dois primeiros colocados de cada grupo e dos oito melhores terceiros colocados para a fase eliminatória, iniciada nos 16 avos de final.
Será também a primeira edição com esse modelo ampliado, após sete edições consecutivas com 32 participantes (de 1998 a 2022). A mudança altera a dinâmica da competição, ampliando o número de jogos e o tempo de duração do torneio.
DESEMPENHO RECENTE
No histórico recente, a América do Sul teve presença constante nas fases decisivas. Desde 1994, ao menos uma seleção do continente chegou às semifinais em todas as edições, com exceção de 2006.
No mesmo período, Brasil e Argentina conquistaram três títulos (1994, 2002 e 2022), enquanto outras seleções também alcançaram campanhas relevantes, como o Uruguai em 2010.
Com seis seleções classificadas, a Conmebol iguala sua maior representação em uma edição de Copa do Mundo, considerando formatos anteriores proporcionais ao número de participantes. A distribuição das vagas também mantém a América do Sul como a segunda confederação com mais representantes no torneio, atrás apenas da Uefa.
O desempenho das seleções sul-americanas em 2026 também será observado dentro de um recorte histórico mais amplo, considerando a participação do continente em finais, títulos e campanhas em fases eliminatórias ao longo das diferentes eras do Mundial.
