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produtores de cacau
O Ministério da Agricultura e Pecuária determinou a suspensão imediata e temporária das importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau provenientes da Costa do Marfim, na África.
A portaria foi publicada nesta segunda-feira (23) e atende cobranças do setor cacaueiro, como a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), que tem feito sucessivas manifestações em rodovias baianas, como tem mostrado o Giro em Ipiaú, parceiro do Bahia Notícias.
De acordo com o despacho, a medida considera a existência de motivação técnica relacionada ao risco fitossanitário decorrente do elevado fluxo de grãos oriundos de países vizinhos para o território marfinense. A avaliação aponta a possibilidade de mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao Brasil.
A determinação também estabelece que a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e a Secretaria de Defesa Agropecuária adotem procedimentos para apurar eventuais casos de triangulação de amêndoas fermentadas e secas de cacau provenientes da Costa do Marfim, com possíveis implicações fitossanitárias.
A suspensão segue mantida até que haja manifestação formal do governo marfinense sobre a situação e a apresentação de garantias de que os envios originários do país não apresentam risco de conter amêndoas produzidas em nações vizinhas cujo status fitossanitário é desconhecido e cuja exportação ao Brasil não tenha autorização.
Produtores de cacau voltaram a interditar um trecho da BR-101, no distrito de Itamarati, em Ibirapitanga, na manhã desta quarta-feira (18). Este é o quarto protesto realizado pela categoria somente neste mês.
Segundo os manifestantes, o protesto é motivado pelo aumento da importação de cacau africano e pelo deságio aplicado, de acordo com a categoria, por empresas multinacionais do setor. Os produtores afirmam que a prática tem impactado diretamente a renda dos cacauicultores.
Conforme o Giro em Ipiaú, parceiro do Bahia Notícias, a mobilização teve início por volta das 8h e, até o começo da tarde, não havia previsão para a liberação da rodovia. Longas filas de veículos se formaram nos dois sentidos da pista, provocando transtornos para motoristas e transportadores que trafegam pela região.
Equipes da Polícia Militar (PM-BA) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram acionadas para monitorar a situação e negociar a liberação da via.
Ainda segundo informações, a pauta de reivindicações já foi apresentada aos governos estadual e federal, que analisam propostas encaminhadas por representantes da Bahia e do Pará, outro importante polo produtor do país.
Produtores de cacau votaram a protestar na manhã desta quinta-feira (5) e bloquearam um trecho da BR-101 em Aurelino Leal, no Sul da Bahia. A manifestação provocou congestionamento nos dois sentidos da rodovia.

Foto: Reprodução / Giro em Ipiaú
Segundo o Giro em Ipiaú, parceiro do Bahia Notícias, os produtores reclamam da queda do preço do cacau devido à importação desenfreada de amêndoas africanas por grandes empresas que atuam no Brasil, o que impactaria diretamente o mercado interno.
VÍDEO: Produtores de cacau interditam BR-101 na Bahia contra queda em preço de produto
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) February 5, 2026
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Além disso, os cacauicultores cobram medidas de proteção ao produtor nacional e maior valorização do cacau brasileiro, considerado estratégico para a economia regional. Equipes da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar da Bahia acompanham o protesto. Os agentes mantêm diálogo com os manifestantes na tentativa de liberar a via.
Este é o segundo protesto seguido nesta semana. Nesta quarta-feira (4), produtores já haviam bloqueado a BR-101 no distrito de Itamarati, no município de Ibirapitanga, também no Sul do estado.
Até o momento, não há informações oficiais sobre a previsão de liberação total da rodovia.
A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) tem um encontro nesta quarta-feira (4) com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) como forma de barrar a importação desenfreada do produto, que tem atingido a produção no estado e no país.
Desde o mês passado, o setor cacaueiro tem feito manifestações com bloqueios de estrada, exigindo a derrubada da Instrução Normativa (IN) 125, aprovada no governo Bolsonaro, mas ainda em vigor.
Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Antena 1 FM, nesta terça-feira (3), a presidente da ANPC, Vanuza Barrozo, disse que vai cobrar do governador ações para que seja revogada a Instrução Normativa (IN) que autoriza a importação de cacau e beneficia gigantes como Barry Callebaut, Cargill e OFI. As três operam na compra direta do cacau com produtores locais e contam com forte estrutura de processamento industrial.
Barrozo frisou que, embora a revogação da norma dependa do governo federal, o governador pode atuar como interlocutor. “O governador do estado não tem o poder da caneta, porque isso é uma decisão do governo federal, mas, como governador, ele deve ter total interesse em se alinhar aos produtores de cacau para levar essas demandas ao governo federal”, afirmou.
Na entrevista, a presidente da Associação declarou que já tramita um projeto de lei no Congresso Nacional, de autoria do deputado Zé Neto (PT), para revogar a instrução normativa, mas o processo segue sem definição. Novas manifestações já estão marcadas, o que inclui novos bloqueios de estradas.
Na próxima sexta-feira (6), uma carreata vai sair de Aurelino Leal, no Sul baiano, passando por diversas cidades com parada final em Jequié, no Sudoeste. Já no sábado (7), os produtores vão parar outra via em Presidente Tancredo Neves, no Baixo Sul baiano.
Outras manifestações estão previstas para o mesmo período no Pará e no Espírito Santo, estados também produtores de cacau.
A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) voltou a cobrar do governo federal a revogação da Instrução Normativa (IN) que autoriza a importação de cacau da Costa do Marfim, maior produtor mundial. A medida, segundo a associação, tem causado impactos econômicos e ameaça a segurança fitossanitária do país.
Em entrevista ao Bahia Notícias, a presidente da ANPC, Vanuza Barrozo, declarou que a ex-ministra da Agricultura Teresa Cristina desconsiderou os produtores e atuou em favor do lobby das grandes multinacionais quando a norma foi estabelecida em 2021. Gigantes como Barry Callebaut, Cargill e OFI operam na compra direta do cacau com produtores locais e contam com forte estrutura de processamento industrial.
“Foi uma liberação irresponsável. A própria previsão de safras foi retirada, deixando a indústria livre para importar o quanto quiser. Analisamos o processo e constatamos que o Ministério da Agricultura desconsiderou leis de defesa fitossanitária nacionais e internacionais, além de princípios constitucionais. A normativa é irregular”, criticou a produtora.

Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
IMPORTAÇÕES EM ALTA; PREJUÍZO DE PRODUTORES
Conforme a presidente da ANPC, já foram importadas 56,5 mil toneladas de cacau em 2025, com previsão de chegada de mais 60 mil toneladas até novembro, em lotes mensais de 12 mil toneladas. “Esse cacau é o mais barato do mundo, muitas vezes produzido em condições de trabalho análogas à escravidão, com tráfico de crianças na África”, declarou em relação ao produto obtido na Costa do Marfim.
Barrozo aponta que a entrada massiva do produto colhido fora do país teria provocado uma queda drástica no preço do cacau brasileiro. “No ano passado, a arroba chegou a R$ 1,2 mil. Hoje, não passa de R$ 300. Em dois meses e meio, o preço caiu pela metade. Essa instabilidade impede qualquer planejamento dos produtores”, explicou.
Segundo Vanuza, os efeitos econômicos se estendem aos municípios produtores, sobretudo no Sul da Bahia, que dependem da arrecadação ligada à cultura do cacau. “Cidades como Ilhéus e Itabuna estão sentindo o impacto direto. O setor está sendo negligenciado”, afirmou.
A produtora também criticou o abandono da Ceplac, órgão técnico responsável pela lavoura cacaueira. “A Ceplac está sucateada, sem estrutura e sem respaldo político. O produtor de cacau, que é em sua maioria agricultor familiar, não tem sido prioridade nas políticas do governo”, disse.
MOBILIZAÇÃO EM BRASÍLIA
Para tentar reverter a situação, a associação busca reuniões com os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Carlos Fávaro (Agricultura). “Estamos enfrentando dificuldades de acesso, mas seguimos articulando com prefeitos e consórcios municipais, como a Amurc, a CIMA e o Ciapra, para levar uma comitiva a Brasília”, afirmou.
Segundo ela, uma audiência pública realizada em outubro reforçou a necessidade de revisão da norma. “A atual regulamentação beneficia apenas a indústria, não o produtor. O Brasil tem clima, território e legislação favoráveis para expandir a produção de cacau de forma sustentável. Precisamos de apoio, não de medidas que nos enfraquecem”, concluiu.
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