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Referência na cena cultural baiana, o Bando de Teatro Olodum passa a integrar oficialmente o Patrimônio Imaterial de Salvador. A Prefeitura sancionou a Lei nº 9.976/2026, publicada no Diário Oficial na última segunda-feira (6), que reconhece a trajetória do grupo após mais de três décadas de atuação.
O texto prevê que o município desenvolva ações de preservação e registro da história da companhia, com participação da Fundação Gregório de Mattos e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Fundado em 1990, a partir da articulação entre o Grupo Cultural Olodum e profissionais das artes cênicas, o Bando construiu uma linguagem própria ao longo dos anos, marcada pelo uso integrado de teatro, música e dança. A atuação do grupo está diretamente ligada a pautas como o protagonismo negro e o enfrentamento ao racismo.
Ao longo dessa trajetória, a companhia também se consolidou como espaço de formação artística. Entre os seus filhos mais ilustres, o ator Lázaro Ramos entrou ainda adolescente e, anos depois, relembrou a importância dessa experiência. “Ali estão meus primeiros ídolos, profissionais altamente capacitados”, disse em entrevista ao jornalista Pedro Bial em 2020.
O Bando também está na origem de produções que ganharam projeção nacional, como “Ó Paí Ó”, além de ter contribuído para a formação de artistas que hoje atuam em diferentes áreas da cultura, como Edvana Carvalho, Érico Brás e Lucas Leto.
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Um Projeto de Lei pode transformar o Afoxé Filhas de Gandhy em Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Salvador. A proposta, apresentada pelo vereador Felipe Santana (PSB), pontua a importância de salvaguardar o primeiro afoxé feminino do Brasil.
A agremiação — fundada por Glicéria Vasconcelos em 1979 e coordenada por sua filha, a dançarina, cantora e produtora cultural Silvana Magda — se tornou um símbolo de resistência em meio às adversidades que acometem os blocos menos comerciais do Carnaval de Salvador.

Na justificativa da proposta, o edil destaca que o Afoxé Filhas de Gandhy "surge como marco histórico ao inaugurar o protagonismo feminino dentro dessa tradição cultural, rompendo barreiras de gênero e ampliando a participação das mulheres — especialmente mulheres negras — nos espaços de expressão cultural e religiosa".
IMPACTO SOCIAL E COMUNITÁRIO
Com mais de quatro décadas de história, as Filhas de Gandhy vão além do que se vê na avenida. A agremiação promove, ao longo de todo o ano, ações educativas, formativas e comunitárias que contribuem para a transmissão de saberes tradicionais, o fortalecimento da economia criativa e a inclusão social de jovens e adultos em territórios populares.
Ao todo, cerca de 800 mulheres são atendidas nos projetos da instituição. Em entrevista ao Bahia Notícias, Franciane Simplício, responsável pela produção e captação de projetos, exaltou o poder de transformação do Afoxé:
"Através dos nossos cursos, conseguimos transformar a vida de diversas mulheres que passam por aqui durante todo o ano. A nossa ideia é que este projeto ajude no processo de transformação da realidade dessas mulheres e contribua para a autonomia delas."

Caso a proposta seja aprovada pela Câmara, o título de Patrimônio Imaterial garantirá:
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A salvaguarda do patrimônio;
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O respeito às comunidades, grupos e indivíduos envolvidos;
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A conscientização local, nacional e internacional sobre a importância da manifestação;
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O fomento à cooperação e assistência internacionais.
"O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial representa medida de justiça histórica e instrumento de salvaguarda de uma manifestação que integra o patrimônio simbólico da cidade, contribuindo para a proteção, valorização e continuidade das tradições afro-baianas, em consonância com os princípios constitucionais de promoção da cultura, da igualdade racial e do respeito à diversidade religiosa", afirma o vereador.
A proposta também colabora para uma das principais dificuldades do afoxé, a questão financeira. Com o reconhecimento, o título traz mais visibilidade para o bloco, despertando o interesse de patrocinadores.
PLANOS PARA 2027
Após um Carnaval de sucesso em 2026, o Afoxé Filhas de Gandhy já confirmou o desfile para a folia de 2027 com o tema “O Reino de Ajé Olokun: A Realeza do Ouro Abissal”.
O enredo propõe um mergulho nas profundezas do oceano para revelar a majestade de Olokun, divindade das águas profundas, e a força de Ajé, senhora da prosperidade.

Segundo a organização, a estética do desfile trará um contraste marcante entre o branco tradicional do afoxé e o brilho iridescente que remete ao petróleo sob a luz do sol, homenageando o "Ouro Negro".
“A nossa história precisa ser contada com respeito, mas também com a alegria vibrante que nos define. ‘Ouro Abissal’ representa a riqueza que carregamos em nossa essência”, destaca Silvana Magda.
As vendas para o desfile do próximo ano já foram iniciadas com valor promocional de R$ 350.
O Ofício de Baiana de Acarajé está no caminho para se tornar Patrimônio Imaterial de Salvador. Na última quarta-feia (27), a Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares (Abam) recebeu a notificação pública da abertura do registro, em evento realizado como parte da programação da VI Jornada do Patrimônio Cultural.
De acordo com o diretor de Patrimônio da FGM, Vagner Rocha, este é o primeiro passo para que o ofício seja reconhecido e salvaguardado através da Lei 8.550/2014.
“Mesmo antes da abertura do processo, a FGM e a Prefeitura de Salvador já realizavam uma série de ações para a salvaguarda desse bem cultural, que integra a paisagem e o imaginário da cultura soteropolitana. A partir de agora, com o início do processo de patrimonialização, reafirmamos nosso compromisso de preservar essa importante tradição afrodiaspórica, que começou ainda no período colonial com as primeiras afroempreendedoras do Brasil”, ressalta Vagner.
Para a presidente da Abam, Rita Santos, a notificação é um passo importante para a valorização deste ofício, que se tornou um símbolo da cultura local.
“Salvador tem a cara das baianas e as baianas têm a cara de Salvador. Por isso que esse reconhecimento é de grande importância para a cidade, para as baianas e para as filhas e netas que mantêm o legado das baianas que já se foram. Eu espero que a cidade valorize ainda mais o ofício das baianas a partir do momento em que a gente receber esse título”.
Segundo a Abam, Salvador conta com cerca de 3,5 mil baianas que exercem o ofício. O trabalho das baianas de acarajé, além de fortalecer a economia local ao geran renda para milhares de mulheres, muitas delas chefes de família, e desempenham um papel essencial no turismo cultural, atraindo visitantes interessados na autêntica culinária baiana.
Em 2024, o registro especial do ofício de baiana de acarajé foi revalidado pelo pleno do Conselho Estadual de Cultura (CEC), reconhecendo o legado à cultura baiana.
O título de Patrimônio Imaterial da Bahia foi concedido às baianas de acarajé pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), em 2012, mas a cada cinco anos o título precisa ser revalidado.
O ofício também é patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), desde 2005.
A possibilidade do reconhecimento do samba-reggae como Patrimônio Imaterial de Salvador acende em quem faz a cultura a esperança da propagação da arte.
O projeto de indicação do vereador Silvio Humberto (PSOL), apresentado em 2024, que voltou a ser movimentado na Câmara Municipal de Salvador, pode fazer com que o ritmo, célula importante para a criação do movimento Axé Music e referência para tantos outros estilos musicais da Bahia e do Brasil, seja preservado e assistido pelas autoridades.
Ao Bahia Notícias, o cantor, compositor, músico e capoeirista Tonho Matéria, falou sobre a importância de marcar o estilo como algo feito em Salvador e algo a ser preservado. Para o artista, o reconhecimento como patrimônio imaterial e a possibilidade do título mostra como o ritmo modificou o fazer musical e também teve impacto social.
"Isso é um brinde para a cultura percussiva da Bahia. Porque isso não só perpassa pelo Olodum, teve origem com o Neguinho do Samba, Mestre Jackson. Mas são os blocos que dão continuidade, os artistas que dão continuidade, os compositores. O samba-reggae hoje é um instrumento que sustenta uma cadeia produtiva muito gigante. E a gente precisa fortalecer mesmo."

Para o ex-Olodum e ex-Ara Ketu, que colaborou diretamente para o gênero criado por Neguinho e Mestre Jackson, o título, caso consiga se concretizar, chega para somar aos dias em que o gênero já é lembrado localmente, como o dia 31 de outubro, data da morte de Neguinho, que em 2013 teve uma lei aprovada na Câmara Municipal de Salvador como o Dia do Samba-reggae.
"É um título importantíssimo, um momento importantíssimo para concretizar de fato e de direito o samba-reggae enquanto patrimônio nosso, porque hoje o mundo inteiro usa essa clave do samba-reggae. Esse movimento, na verdade, do samba-reggae com suas variações e ritmos criados pelo nosso saudoso Neguinho do Samba é bem lembrado também no dia 31 de outubro. A gente tendo o samba-reggae como patrimônio de Salvador, não vai só fortalecer a cultura de Salvador. Eu acho que deveria ser também [um movimento] da Bahia e do Brasil. Quem sabe, do mundo."
Tonho ainda alerta para a necessidade de uma movimentação rápida para as pessoas conseguirem entender a origem do objeto antes que ele seja apropriado por outro lugar.
"É muito importante para mim, como compositor, que esse gênero seja realmente reconhecido. Porque se a gente não fizer isso daqui a pouco, pessoas vêm, pegam, levam para outros lugares. A gente viu aí o acarajé, a gente está vendo aí tantas coisas que estão pegando nossas e transformando em deles. Não tem um documento que legitime isso, então, eu acho de suma importância o reconhecimento."
O artista, que atualmente apresenta diversos shows, entre eles o com a banda Os Autorais, formado por ele, Tenison Del Rey e Jorge Zarath, além dos projetos solos, sugeriu ainda que a capital baiana, que já foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como "Cidade da Música", homenageasse Neguinho do Samba com outros atos, a exemplo de um busto do músico em algum espaço da cidade, além de uma assistência maior aos blocos afro e bandas percussivas na Bahia.

"Ele realmente foi um instrumento poderoso nesse lugar. Então, é preciso que, além desse reconhecimento do ritmo, mas também tem o reconhecimento da memória dele. A obra, a maior obra que ele deixou é a banda Didá, que não precise estar passando por editais e que precise ter prêmios diariamente. Porque a música que Neguinho do Samba fez, o ritmo que Neguinho do Samba criou potencializou muito as empresas, potencializou como o governo, de todas as esferas, porque esse ritmo mexe o coração do mundo."
Na proposta, apresentada pelo vereador Silvio Humberto (PSOL), caso seja aceita, o samba-reggae terá através do título de Patrimônio Imaterial de Salvador:
- A salvaguarda do patrimônio;
- O respeito ao patrimônio cultural imaterial das comunidades, grupos e indivíduos envolvidos;
- A conscientização no plano local, nacional e internacional da importância do patrimônio cultural imaterial e de seu reconhecimento recíproco;
- E a cooperação e a assistência internacionais.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jaques Wagner
"Eu acho que nós temos muito a trocar. Essa é uma civilização milenar, que tem muito a ensinar com o salto que eles deram aqui em 40 anos. Você pega uma cidade como essa, que há 50 anos era uma aldeia de pescadores com 20 mil habitantes. Hoje tem 17 milhões de habitantes. Você anda por aqui e não vê um papel no chão, não vê uma sujeira, um teatro espetacular, um prédio todo novo. Parabéns pra eles por terem conseguido. E muita gente do Brasil, que tem preconceito, devia dar um pulo aqui. Porque eu vejo as pessoas falando: 'ah, mas eles são comunistas'. Eu não sei o que quer dizer isso. Mas se comunismo é isso aqui, é um sucesso".
Disse o senador Jaques Wagner ironizou, nesta terça-feira (5), ao comentar as críticas que são feitas à China e o preconceito pelo país se declarar comunista. O senador está em Shenzhen, no Sul chinês, e acompanhou a última apresentação da turnê do Neojiba - Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia, projeto que ajudou a fundar.