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A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu o título de Doutora Honoris Causa à escritora, compositora e poetisa negra Carolina de Jesus (1914-1977).
Segundo a coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo, a aprovação da concessão da distinção ocorreu em reunião realizada pelo Conselho Universitário, nesta quinta-feira (25), após decisão unânime.
Ao conceder a honraria, em uma homenagem póstuma, a UFRJ destacou que o Honoris Causa é destinado àqueles que se destacaram por virtudes, méritos ou atitudes, independentemente da instrução educacional.
A homenageada foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Seu primeiro livro, "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada", publicado em 1960, narra o cotidiano como catadora de papel na favela do Canindé. A obra virou best-seller, sendo traduzida para 16 idiomas e vendida em 40 países.
"Catrapissu" é um nome que à primeira vista parece curioso. Sem significado definido nos dicionários de língua portuguesa, seja Aurélio ou Houaiss, ele foi escolhido pela escritora e museóloga Joana Flores como o título para o seu mais novo livro, lançado no último dia 20 de dezembro.
Na obra, dedicada ao público infantojuvenil, a expressão toma forma e define o apelido da protagonista. O que acontece depois disso é o que norteia a narrativa central do escrito, que fala sobre questões como ser uma criança negra e querer ser identificada para ser lembrada da maneira como ela é.
"'Catrapissu' é o apelido que uma menina recebeu de seu tio. Foi o nome que ela procurou o tempo inteiro. Enquanto o tio dela existia, ela procurou saber o que era. Esse não era o nome dela, mas o apelido que o tio sempre a chamou", comenta a autora Joana Flores ao falar sobre ter se inspirado em uma história real para escrever a obra.

Joana tem mais 2 livros publicados | Foto: Reprodução/Instagram
Este é o quarto livro que Joana escreve. O primeiro, com 13 anos, jamais foi publicado e acabou se perdendo em uma das mudanças que fez durante a vida, mas em 2010 publicou o também infantojuvenil "O dia em que as crianças salvaram a Terra", em co-autoria com Cristina Melo. No ano de 2017, ela colocou a mão na massa e pôs nas bancas o acadêmico "Mulheres Negras e Museus de Salvador: Diálogo em Branco e Preto", em que traz para as páginas sua experiência acadêmica e profissional com a memória, a questão racial e os museus.
"O primeiro tratava da relação com a natureza e colocava a história de um mundo - que parece até com o que está acontecendo hoje - onde precisavam que as pessoas se unissem em prol do bem maior. Já a relação com mulheres negras em 'Diálogo em Branco e Preto' é a da memória. 'Catrapissu' tem essa questão da memória a partir dessa narrativa que existiu. Ele faz uma relação com os outros dois livros anteriores quando trata de gênero, de pessoas, de raça e identidade", justifica a autora, que tem outros escritos acadêmicos em coletâneas.
A tarefa de escrever para o público infantojuvenil, explica Flores, fez com que em "Catrapissu" ela pusesse em prática um lado ainda não visto anteriormente, o da poesia.
Ainda sobre o título e o apelido da menina, ela brinca. "Ela realmente existiu. E quem sabe Catrapissu não foi eu? Pode ter sido minha irmã consanguínea ou da irmandade negra. Ela traz uma aproximação muito grande com o universo infantil de uma menina negra", afirma.
"Mas tem uma característica que eu acho bacana enfatizar. É que mesmo a criança negra da periferia, com todas as mazelas que sofremos, ainda assim conseguimos construir um universo colorido", destaca Joana ao dissertar sobre o lado lúdico que o livro traz com suas imagens e cores. O projeto gráfico é de autoria de Jonhy Karlo e Alan Alves.
"Catrapissu" também ganhou uma música que ainda deverá ser disponibilizada nas plataformas digitais. Os interessados em adquirir o livro poderão fazê-lo através do site (clique aqui).
Uma nova leva de atrações protagonizadas e produzidas por pessoas negras vai estrear na tela da TVE Bahia a partir do próximo dia 1º de novembro. A novidade foi possibilitada através de uma parceria entre a televisão pública do estado e o canal a cabo Trace Brazuca e conta com a exibição de shows, programas, filmes e documentários que integram a programação de cada uma das emissoras.
De acordo com o diretor do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), Flávio Gonçalves, essa é uma estratégia de valorizar o que melhor representa a Bahia, que é a diversidade e os artistas baianos.
"Como a grande maioria da população baiana é negra, temos exatamente esse compromisso: o de dar visibilidade para uma população que é maioria no estado. Queremos, ao mesmo tempo, dar espaço para essa produção que é feita por profissionais baianos negros e também permitir aos baianos que não são artistas, não estão na tela da TV, se sintam representados ao verem essas pessoas. Acho que são esses os dois principais objetivos. E isso é algo que não está tão presente nas televisões de modo geral", comenta o jornalista.

Flávio Gonçalves, diretor do Irdeb | Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias
Ao mesmo tempo que é uma estratégia de visibilidade, é uma estratégia de alcance da juventude e de ocupação da grade de programação. "Nós queremos, do ponto de vista de grade de programação, oferecer [conteúdo] principalmente ao público jovem, porque essa parceria com a Trace tem como foco principal a juventude e nós entendemos que ela merece uma programação de qualidade", explica Flávio, ressaltando que há pouca visibilidade de jovens na telinha e quando há uma aparição a forma como acontece é a partir de estigmas.
A proposta inicial prevê a exibição de mais de 50 horas de conteúdo por mês. O formato é de uma colaboração mútua. A emissora baiana vai exibir os programas cedidos pela Trace e o canal pago irá colocar no ar as produções cedidas pela televisão pública estadual.
Considerada desde 2016 como a emissora oficial da Década Internacional Afrodescendente (2015-2024) no estado, a TVE se coloca, na visão do seu diretor, em um local diferenciado na radiofusão baiana.
"Não todas, mas a falta do protagonismo da população negra na tela das TVs aqui da Bahia é algo que é só você trocar de canal e vai ver, seja como profissionais na frente ou como fonte. Temos fontes brancas, profisisonais brancos... Aqui na TVE não, temos profissionais que aparecem no vídeo e são afrodescendentes. E, do ponto de vista de fontes e de conteúdos, também exibimos muito conteúdo afrodescendente", explana, considerando que tal situação é um sintoma do racismo.
"Isso [a presença de pessoas negras na tela] é uma constante na TVE porque temos o compromisso de combater o racismo, porque entendemos que para combater o racismo é preciso não só falar sobre o racismo, mas é importante trazer o protagonismo da população afrodescendente. Na medida que essa população, cada vez mais, aparecer na tela da TV, a tendência é que o racismo também diminua, porque é um processo cultural", pontua.

O 'Trace Trends' será um dos programas exibidos pela TVE a partir da parceria | Foto: Reprodução / YouTube
Apesar de admitir que a audiência não seja o propósito primário de uma TV pública, Flávio Gonçalves avalia que as parcerias recentes e as ações de interiorização da produção e da transmissão do conteúdo gerado pela TVE Bahia têm feito com que a audiência aumente. A identificação do público com as pautas e os rostos seriam, na sua opinião, aspectos de atração dessas pessoas que passaram a assistir o canal com mais frequência.
"É conteúdo de música, de política, de cidadania, de esporte. Tudo isso tem a ver com a Bahia. Nas redes sociais hoje temos 600 mil seguidores, cresceu muito, e na própria televisão também - até porque nossa presença no interior aumentou. Hoje nós temos praticamente mais de 10 milhões de pessoas com o sinal digital, antes eram 4 milhões, e isso significa que [hoje] nós temos potencial de audiência maior", afirma.
"O primeiro passo foi ampliar esse sinal digital para todo interior da Bahia e agora com esse conteúdo da Trace não temos dúvida de que, aliado aos outros conteúdos, a tendência é que a audiência cada vez mais aumente. Essa parceria com a Trace é uma estratégia de ter mais diversidade e buscar audiência, porque ela é fundamental para dar legitimidade para a TVE. Não queremos que seja uma TV que ninguém assista. Acho que a TVE tem de tudo para ser líder de audiência", diz otimista.
Para o jornalista e diretor do Irdeb, a política de interiorização, de identificação e de ampliação do conteúdo seguem premissas que definem o DNA da TVE Bahia. Ou melhor, de uma política: a de integração e de divulgação do estado para os próprios baianos.
E, quando perguntado sobre possíveis projetos de dinamização da rádio, ele justifica dizendo que a ideia é justamente a mesma, mas com outra pegada. Segundo ele, a interiorização do conteúdo da Educadora FM gira em torno de projetos como o Festival de Música Educadora FM - que além de premiar artistas, conta com a reprodução de 50 canções de músicos de todo o estado da Bahia - e a implementação recente do aplicativo Educadora Play.
Voltado para a temática negra, estreou, nesta sexta-feira (6), o programa “Azeviche”, na TV Câmara Salvador. A atração, apresentada pela jornalista Tarsilla Alvarindo, discutirá de forma leve assuntos como racismo, estética, empoderamento, educação e literatura, sempre com a presença de convidados.
Os episódios inéditos do “Azeviche” irão ao ar sempre às sextas-feiras às 13h30, mas o telespectador da TV Câmara Salvador poderá conferir a atração através de reprises ou pelo canal oficial da emissora no YouTube. Além da apresentação e produção de Tarsilla Alvarindo, o programa é dirigido por Luti Lima e também conta com os produtores Tiago Antunes e Manuela Reis.
Para a estreia do programa que teve como tema “Estética e Afirmação”, Alvarindo contou com a presença no estúdio da criadora do empoderamento crespo, Naira Gomes. Ao longo da atração também participaram o organizador do bate papo Diga Aí, Tiago Azeviche e a youtuber, dona da página “Gabi de Pretas”, Gabi Oliveira.
Confira na íntegra a primeira edição do “Azeviche”:
Uma petição endereçada ao serviço de streaming Netflix pede a realização de um filme sobre a vida e a obra da escritora Carolina Maria de Jesus. Autora de obras como "Quarto de Despejo" e "O Diário de Bitita", ela é conhecida como uma das primeiras autoras negras publicadas no Brasil.
O texto da petição defende a execução da produção cinematográfica pela importância da obra da escritora como "instrumento de denúncia social produzido por alguém que efetivamente vivia nessas condições de vida devastadoras". "Suas mais de cinco mil páginas manuscritas, entre romances, contos, crônicas, poemas, peças de teatro, canções e textos de gênero híbrido, dotadas de estilo próprio, confrontam os ditames da tradição literária e da norma padrão culta da língua", completa a justificativa.
Maria Carolina de Jesus teve sua vida atravessada pela fome e a miséria. Seus livros foram publicados em mais de 40 países e traduzidos para 14 línguas. Se fosse viva, completaria 106 anos no próximo mês de março.
“Mulher preta inteligente, bonita, gostosa em cena. A autora de seu próprio texto”: é desta forma que a atriz baiana Edvana Carvalho quer que, não só o público, mas também o mundo a enxergue. Em cartaz no Cabaré dos Novos, no Teatro Vila Velha, com o espetáculo “Aos 50 – Quem me aguenta?”, até o dia 22 de dezembro, ela conversou com o Bahia Notícias sobre o envelhecimento e a maturidade, matérias-primas para a montagem de sua autoria (clique aqui e saiba mais).
A partir de seu próprio cotidiano, a artista de 51 anos construiu o enredo do solo, estrelado por ela mesma. “Eu escrevi inicialmente duas crônicas para já ter na manga caso alguém me convidasse para um Sarau, ou algum evento. E a partir disso comecei a escrever sobre a vantagem de se chegar aos 50. Eu brinco muito com isso, com os tipos de namorados que aparecem querendo um relacionamento, fui escrevendo sobre a questão hormonal, que já vamos vendo as mudanças...”, conta a artista.
Apesar das risadas e do bom humor, Edvana busca levar ao palco uma visão realista e não romantizada deste processo. “Rapaz, envelhecer é muito ruim, não é legal, não. Essa coisa de dizer ‘ah, é ótimo!’. Mentira! O bom é ter 20 anos, não é não, pai? Você não sente uma dor na coluna, nada! Você curte cinco, seis dias de carnaval e não volta nem em casa, que nada… Mas assim, é melhor estar vivo do que estar morto, não é? “, provoca a atriz, que costuma brincar com os truques bastante usados atualmente para tentar burlar as marcas do tempo. “Quando eu vejo as pessoas da revista na rua e vejo o tamanho da transformação, eu fico pensando: ‘oh, cansou de ser bonita!’”, ironiza a artista que já tem uma neta, ama o novo status, mas prefere ser chamada de “vovóguete”.
Na entrevista ao BN, além de contar alguns causos divertidos, Edvana falou ainda sobre episódios de racismo pelos quais passou; comentou sobre os últimos trabalhos na TV Globo, em "Malhação" e "Pega Pega"; e revelou algumas informações de bastidores da série “Irmãos Freitas”, na qual ela interpreta a mãe do pugilista baiano Popó. A atriz destacou ainda a importância do Bando de Teatro Olodum em sua formação como artista, pessoa e ativista negra, e revelou que pela primeira vez será protagonista de um longa-metragem. “Se tudo não parar nesse país, como pelo visto está encaminhando pra parar, eu acho que no fim de 2020 deve sair”, conta Edvana sobre o filme “Receba”, com roteiro e direção de dois baianos, Rodrigo Luna e Pedro Perazzo. “Apesar de ser gravado em Salvador, a história não tem nada das coisas mais folclóricas de Salvador. É um filme que pode ser rodado no Japão ou em Nova York. É meio de ação, meio policial, eu estou sempre fugindo de bandidos que querem me pegar e eu também não sou tão boa coisa. Mas eu sou meio heroína no filme”, explica. Clique aqui e leia a entrevista na coluna Cultura.
Uma das primeiras escritoras negras do país, Carolina de Jesus será homenageada pelos Correios, nesta sexta-feira (4), com um selo especial da série “Mulheres Brasileiras que Fizeram História”.
Esta, que é a quarta emissão do projeto, terá lançamento oficial no Salão Nobre da Câmara Municipal de Sacramento (MG), a partir das 18h30. O selo será lançado também no Museu Afro Brasil, em São Paulo, no sábado (5), a partir das 15h, com a presença da filha mais nova da escritora, Vera Eunice.

Foto: Divulgação / Correios
Nascida em 14 de março de 1914, Carolina de Jesus migrou para São Paulo no fim dos anos 1940, para trabalhar como empregada doméstica. Na capital paulista ela viveu na favela do Canindé, junto aos três filhos.
Marginalizada e subestimada dentro da literatura brasileira, ela publicou seu primeiro livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, em 1960. A obra tornou-se best-seller, com projeção internacional, tendo sido traduzido em 13 idiomas diferentes e distribuído em mais de 40 países.
Há 25 anos, Ildásio Tavares e Lindembergue Cardoso montaram a primeira e única ópera negra no mundo cantada em português e iorubá. Figuras como Lazzo Matumbi e Margareth Menezes fizeram parte desta primeira temporada do projeto, chamado Ópera Lídia de Oxum. Em 2019, o espetáculo volta ao palco do Teatro Castro Alves graças aos desejos dos filhos de Tavares, Ildázio Jr. e Gil Vicente Tavares.
Segundo Ildázio Jr., radialista e o coordenador geral do espetáculo, fazer esse projeto tomar corpo novamente tem um motivo muito especial: “Tanto meu pai, quanto Lindembergue fariam 80 anos esse ano e ela vai ser uma homenagem para esses dois grandes artistas”.
O tributo que está prestes a ser concretizado no mês de novembro vem acompanhado de um reconhecimento que Ildázio tem de como seu pai esteve posicionado no cenário cultural baiano. “A gente quer homenagear ele e Lindembergue, que basicamente viraram artistas 'lado B' na Bahia. As pessoas têm uma mania muito grande em insistir com os mesmos artistas. Nada contra Jorge Amado, nada contra Carybé, nada contra Vergé, nada contra Caetano, Gil, mas existem muito mais artistas aqui”, avalia.
Para Jr., ainda há uma grande dificuldade em captar recursos e até mesmo montar uma ópera na Bahia. Com 54% dos custos previstos já adquiridos, o desafio que ainda se mantém é o de administrar um espetáculo do tamanho que se pretende mostrar ao público baiano. “São 75 músicos na orquestra sinfônica, são 60 no coro, oito solistas, 20 a 30 bailarinos, quatro percussionistas e um ou três violeiros cordelistas, isso ao mesmo tempo em um palco. É uma coisa grandiosa, mas muito prazerosa”, acredita. Para os papéis desta nova remontagem foi feita, recentemente, a seleção para a composição de solistas (relembre aqui), e em breve serão anunciados os bailarinos que irão compor o projeto.
Apesar dos obstáculos que estão sendo enfrentados durante a composição da remontagem, os planos futuros com a Ópera Lídia de Oxum se encontram praticamente definidos. “A ideia esse ano é que a Ópera vai ter dois ensaios gerais, 19 e 20 de novembro, e será realizada nos dias 21, 22 e 23, na semana da Consciência Negra. Ela será o espetáculo da Consciência Negra”, adianta Ildázio.
O objetivo de levar aos baianos a segunda dose de um espetáculo diferenciado ultrapassará as coxias do TCA com apresentações ao ar livre para quem passar e quiser admirar a cena. “Uma vez com tudo pronto, a gente vai para a rua fazer seis espetáculos. Em três finais de semana em janeiro a gente deve fazer acontecer a Ópera aberta ao público, que sempre foi o grande interesse nosso. Passar essa mensagem sobre Lídia, que acima de tudo é uma ópera que defende a mulher, a mulher negra, baiana em geral, a mulher batalhadora”, planeja. Sem um local ainda definido para a realização das apresentações externas, Ildázio acredita que os mais prováveis espaços para receber a Ópera seriam o Comércio e o Dique do Tororó.
LÍDIA DE OXUM
De acordo com Ildázio, a Ópera se trata da volta do personagem Lourenço, que vai a Portugal estudar Direito, como todo filho de barão do açúcar. No seu retorno, ele volta com ideias libertárias em um cenário de pré-abolição. Ele é levado pelo personagem Romão, mensageiro de Exu, para conhecer o Engenho Esperança, onde Lourenço se apaixona por Lídia de Oxum. O conflito, como nas grandes histórias de amor, acontece quando se descobre que Lídia já é prometida a Tomás de Ogum e, a partir disso, se envolve uma história romântica em meio à turbulência entre escravocratas e abolicionistas.
Com redes sociais ativas (clique aqui), realidade impensável há 25 anos, a Ópera Lídia de Oxum ressurge, para Ildázio, em um período necessário, em que é preciso através das artes fazer vários questionamentos sobre os problemas que a sociedade ainda insiste em manter. “Nunca antes o Brasil precisou tanto de uma ópera negra que fale de reparação, igualdade social, igualdade de etnias e entre homens e mulheres, além das questão de gênero, que ainda incomodam as pessoas. Lídia é um grande quebra, a gente vive num país estranho”, finaliza.
A cantora e compositora baiana Juliana Ribeiro usou as redes sociais para fazer um desabafo, nesta segunda-feira (23), criticando o comportamento discriminatório de um servidor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA). “Fui fazer o recadastramento biométrico semana passada. Dei bom dia a todos na sala, e o funcionário me vem com essa: - Bom dia. A senhora pode tirar o torço? Pensei comigo ‘de novo esta história de racismo institucional disfarçado de 'lei'?’. Respirei fundo, sorri sarcasticamente é claro, e respondi sorrindo: - Não, não posso”, lembrou a artista. Segundo ela, o funcionário insistiu na instrução, afirmando que ela teria que retirar o adereço, por ser proibido por lei. Juliana conta, então que pediu que ele lhe apresentasse tal lei, para que pudessem discutir melhor o assunto. “Nessa hora ele me olhou, ficou sem graça e falou: - É que eu estou sem a Lei aqui”, contou a artista, que em seguida retrucou: “Ah, sei... Meu senhor, pela designação federal para documentos, o rosto precisa estar à vista, sem cobrir olhos ou testa. Meu torço ainda ajuda neste sentido, pois retira meu cabelo da face”. Diante do atrito, Juliana conta que duas funcionárias a reconheceram e disseram que ela, de fato, não precisava tirar o torso para fazer a foto. “Sim, sei disso, mas parece que seu colega não está informado sobre isso”, teria respondido, incomodada. “O funcionário não deu mais uma palavra. Fez a minha biometria com a cara emburrada e concluiu meu atendimento. Saí de lá fina, dando tchauzinho para as funcionárias e deixei ele e o racismo dele colocados no devido lugar! Será que não dá para se instruir melhor, ao invés de ficar reproduzindo atitudes preconceituosas? Cansada desses racismos institucionais e cotidianos”, desabafou. Atualizado às 12h14 do dia 24 de abril.
Junto com o desabafo, a artista postou uma imagem para mostrar o adereço:

A atriz Lupita Nyong'o, que levou um Oscar pela atuação no filme “12 Anos de Escravidão”, em 2014, rebateu o racismo fora das telas, nesta quinta-feira (9), ao criticar a manipulação de uma foto sua estampada na capa da revista “Grazia”. Pelas redes sociais, a artista disse estar desapontada, pela maneira que a publicação modificou seu cabelo. “Desapontada pela Grazia UK editar e alisar meu cabelo para se adequar a uma noção mais eurocêntrica de beleza”, escreveu Lupita no Twitter, junto com a imagem veiculada na revista e a foto original. A artista aprofundou o texto no Instagram: “Como já deixei claro com frequentemente no passado, abraço minha herança natural com todas as fibras do meu ser, e, apesar de ter crescido pensando que uma pele clara e cabelos sedosos eram padrão, agora sei que minha pele escura, assim como os meus cabelos crespos, são lindos”, escreveu, acrescentando: “Estampar a capa de uma revista me interessa, pois é uma oportunidade de mostrar a outras pessoas negras, também com cabelos crespos e volumosos, principalmente às nossas crianças, que elas são lindas do jeito que são”, argumentou, antes de expressar o descontentamento com a manipulação da foto.
Confira a mensagem postada pela artista no Instagram:
Para a nova temporada, a protagonista ainda não foi definida, mas, de acordo com o site "Deadline", o canal CBS tem dado preferência a mulheres negras nos testes. "Star Trek começou como uma maravilhosa expressão de diversidade. Queremos prosseguir com essa tradição", declarou Fuller. O produtor revelou que a personagem será uma capitã da expedição interestelar. Além disso, 'Star Trek: Discovery' terá uma personagem gay e "mais estrangeiros" do que de costume. A série deve começar a ser filmada em Toronto, em setembro.
Seminário "Mães no cativeiro: tráfico, escravidão e resistência no século XIX (Cuba-Brasil)"
Data: 01/10
Local: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Ufba
Horário: 14h30
Entrada: Gratuita
Confira o discurso:
Lupita ganhou destaque por sua atuação no longa "12 Anos de Escravidão", que também venceu o Oscar de melhor filme. Foi de Lupita Nyong'o o discurso mais comovente da noite: “Estar aqui me faz pensar que o momento mais feliz da minha vida veio após tanto sofrimento de Solomon [Northup, autor da história]. Solomon, obrigado por nos contar a sua história”, disse sem segurar o choro. “Quando eu olho para esta estatueta, eu lembro de todas as criancinhas. A vocês, não importa onde vocês estejam, os seus sonhos podem se tornar realidade", afirmou.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Dr Kakay
"Não se pode fazer uma medida simplesmente com base em delação".
Disse o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay ao criticar a decisão que autorizou mandados de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP) no âmbito da Operação Compliance Zero.