Terça, 10 de Dezembro de 2019 - 11:10

'Autora de seu próprio texto', Edvana Carvalho vence tabus e reafirma arte atemporal

por Lara Teixeira / Jamile Amine

'Autora de seu próprio texto', Edvana Carvalho vence tabus e reafirma arte atemporal
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

“Mulher preta inteligente, bonita, gostosa em cena. A autora de seu próprio texto”: é desta forma que a atriz baiana Edvana Carvalho quer que, não só o público, mas também o mundo a enxergue. Em cartaz no Cabaré dos Novos, no Teatro Vila Velha, com o espetáculo “Aos 50 – Quem me aguenta?”, até o dia 22 de dezembro, ela conversou com o Bahia Notícias sobre o envelhecimento e a maturidade, matérias-primas para a montagem de sua autoria (clique aqui e saiba mais). 


A partir de seu próprio cotidiano, a artista de 51 anos construiu o enredo do solo, estrelado por ela mesma. “Eu escrevi inicialmente duas crônicas para já ter na manga caso alguém me convidasse para um Sarau, ou algum evento. E a partir disso comecei a escrever sobre a vantagem de se chegar aos 50. Eu brinco muito com isso, com os tipos de namorados que aparecem querendo um relacionamento, fui escrevendo sobre a questão hormonal, que já vamos vendo as mudanças...”, conta a artista. 


Apesar das risadas e do bom humor, Edvana busca levar ao palco uma visão realista e não romantizada deste processo. “Rapaz, envelhecer é muito ruim, não é legal, não. Essa coisa de dizer ‘ah, é ótimo!’. Mentira! O bom é ter 20 anos, não é não, pai? Você não sente uma dor na coluna, nada! Você curte cinco, seis dias de carnaval e não volta nem em casa, que nada… Mas assim, é melhor estar vivo do que estar morto, não é? “, provoca a atriz, que costuma brincar com os truques bastante usados atualmente para tentar burlar as marcas do tempo. “Quando eu vejo as pessoas da revista na rua e vejo o tamanho da transformação, eu fico pensando: ‘oh, cansou de ser bonita!’”, ironiza a artista que já tem uma neta, ama o novo status, mas prefere ser chamada de “vovóguete”.


Na entrevista ao BN, além de contar alguns causos divertidos, Edvana falou ainda sobre episódios de racismo pelos quais passou; comentou sobre os últimos trabalhos na TV Globo, em "Malhação" e "Pega Pega"; e revelou algumas informações de bastidores da série “Irmãos Freitas”, na qual ela interpreta a mãe do pugilista baiano Popó. A atriz destacou ainda a importância do Bando de Teatro Olodum em sua formação como artista, pessoa e ativista negra, e revelou que pela primeira vez será protagonista de um longa-metragem. “Se tudo não parar nesse país, como pelo visto está encaminhando pra parar, eu acho que no fim de 2020 deve sair”, conta Edvana sobre o filme “Receba”, com roteiro e direção de dois baianos, Rodrigo Luna e Pedro Perazzo. “Apesar de ser gravado em Salvador, a história não tem nada das coisas mais folclóricas de Salvador. É um filme que pode ser rodado no Japão ou em Nova York. É meio de ação, meio policial, eu estou sempre fugindo de bandidos que querem me pegar e eu também não sou tão boa coisa. Mas eu sou meio heroína no filme”, explica.

 

 

As pessoas encaram de maneiras diferentes a passagem do tempo, principalmente em relação à questão de estética. Eu queria saber como você enxerga essa passagem.
Rapaz, envelhecer é muito ruim, não é legal, não. Essa coisa de dizer ”ah, é ótimo!”. Mentira! O bom é ter 20 anos, não é não, pai? Você não sente uma dor na coluna, nada! Você curte cinco, seis dias de carnaval e não volta nem em casa, que nada… Mas assim, é melhor estar vivo do que estar morto, não é? Você não acha? Eu acho. E assim, talvez eu tenha um pouco de sorte porque tenho uma herança genética boa, mas eu já sinto coisas da idade. Você não está enxergando direito, sente um pouco também até por ter sempre feito dança, trabalho de corpo, então você desgasta mais a cartilagem do joelho. Por exemplo, eu sempre fiz todo tipo de dança, academia e estou com o joelho lascado. Minha prima nunca fez um polichinelo e está ótima. Pra quê, então? Vou avisar pros jovens: não façam nada! (risos). Mas, assim, fisicamente, se você me olhar e comparar eu e ela, eu estou uns 20 anos na frente dela, porque ela já está aquela senhora matrona, sabe? Talvez isso. Acho complicado as mudanças radicais no corpo, mas eu respeito a vontade das pessoas.

 

Tem uma crônica na peça, um texto que se chama “Mutação”. É justamente sobre essas questões de botar botox, fazer isso no dente, tirar isso, botar aquilo e tem até uma frase que eu digo no texto: “Quando eu vejo as pessoas da revista na rua e vejo o tamanho da transformação, eu fico pensando: ‘oh, cansou de ser bonita!’”. As pessoas estão cansando mesmo de ficar bonitas, talvez seja o formato que a humanidade vai ganhar aí juntando os transgênicos que a gente está comendo, e com toda essa transformação no corpo eu acho que a gente vai virar uma outra coisa. 

 

Existe uma certa discriminação das pessoas mais jovens com as pessoas dos 40, 50 e 60. Eu queria saber se você já percebeu algum tipo de discriminação em algum lugar, alguma festa que tenha mais jovens…
Minha filha, eu estava subindo da procissão de Santa Bárbara agora, parei no menino pra comprar um cigarro. Ele fez: “Quer sentar, minha tia?”. E botou a cadeira. Eu disse: “Eu quero”, porque eu estava cansada mesmo (risos). Eu disse “eu vou receber esse tia lindo” e sentei, depois saí e nem falei com ele. Digo, que filho da mãe, com o barrigão desse me chamando de tia. Se fosse melhorzinho eu podia até pegar na balada. Mas, enfim, eu já estou recebendo isso.

 

Ah, inclusive eu quero dizer que eu já sou avó. Eu tenho meu filho Davi, que ainda está estudando na faculdade, mas já tem filho. Então eu sou vó de Lorenzo, ele tem quase três anos e é lindo. É uma felicidade ser vó ainda jovem porque você aproveita bastante. Eu geralmente digo que eu sou uma vovóguete. E claro, tipo assim, às vezes eu não digo pra uma pessoa que está me paquerando que eu já sou avó, porque quando sabe que eu já sou avó, pá, bloqueia o cara, então eu deixo pra contar depois que ele já gostou da minha inteligência, do meu humor, de outras coisas mais, aí eu conto.

 

Mas existe discriminação porque nós somos muito babacas em relação à humanidade. A gente discrimina qualquer coisa que saia fora do padrão. Então o padrão é juventude, beleza, de preferência eurocêntrica, ter dinheiro, ter estudado em escolas particulares. Isso é um tipo de ser humano, o resto é um monte de outra coisa que você vai denominando. 

 

E idade está dentro desse contexto também, parece que no Japão um engenheiro ou um professor mais velho custa mais a uma empresa, ele é bem querido, bem aceito. Aqui quando as pessoas têm o que passar para os jovens elas são consideradas fora da página, à margem. Essa sociedade que é etarista mesmo! Nós estávamos acostumados a ser um país de jovens, mas nós estamos envelhecendo. Porque o grande boom das crianças que nasceram nas décadas de 1960 e 1970 são pessoas da minha idade agora. Nós estamos envelhecendo, então o país vai ter que começar a se acostumar com esse envelhecimento. Hoje os jovens demoram mais pra ter filhos, não querem ter quatro, cinco, seis filhos, então os jovens vão se reduzindo. Até essa preocupação, porque eu sinto também essa questão da aposentadoria, eu dou algumas pinceladinhas, então é isso. 

 

Isso já chegou a influenciar em alguma decisão sua com relação de deixar de ir a algum lugar?
Que nada! Tomo meus drinks no Chupito, vou dançar na Borracharia, beijo à vontade, uso meu biquíni todo enfiado, não tenho problema nenhum. Tá, eu já tenho cabelo branco aqui, já vi e estou adorando isso. Que nada! Eu estou esperando, como eu digo na peça, só estou esperando fazer os 80. Se eu chegar aos 80, haha, você vai ter que assistir à peça o que eu digo e o que eu vou fazer. 

 

E qual é a reflexão que você acredita que o público vai poder fazer quando sair de lá?
Primeiro, eu quero que as pessoas se divirtam. A gente está num momento no país que a gente precisa se divertir um pouco. Eu quero que as pessoas reflitam, que vejam uma mulher preta inteligente, bonita, gostosa em cena. A autora de seu próprio texto. 

 

Eu sempre estou querendo abrir essas portas e basicamente é importante que a arte resista fazendo teatro, dança, música, artes plásticas, seja o que for. É importante a gente resistir, mesmo quando tudo está contra a gente. Você vê que a gente tem um trabalho incansável de horas, eu quase não estou dormindo pra estrear uma peça. Eu não entendo como alguém pode chamar artista de vagabundo, gente. É uma loucura isso. E trabalhamos sem dinheiro, na maioria das vezes sem ganhar, porque o que recolher eu vou pagar às pessoas, vou pagar a pauta. É sem grana. É muito amor, muita vocação, dedicação, trabalho árduo.

 

E eu acredito que o artista tem que estar contemporâneo com o que está acontecendo com seu tempo. Eu tive o cuidado de fazer textos que não dividissem ninguém. Eu quero a minha plateia toda unida. Estou sentindo falta desse brasileiro unido. Tá difícil, porque tem gente que dá vontade de você mandar pra forca, mas… (risos). Mas, pelo menos no palco, eu quero esse sentimento da gente estar ali junto assistindo a um espetáculo, e não estar se separando, se digladiando, se acusando. É isso que eu espero do meu espetáculo, eu quero me comunicar com o coração do meu público.

 

O quanto o Bando de Teatro Olodum foi importante para seu início de carreira, sua construção, em si?
Ah, o Bando de Teatro Olodum é um lastro, né, na minha cama. E cama sem lastro não funciona. É régua, é compasso, é parceria, é irmandade. Então, eu vim do Teatro do Sesc Senac Pelourinho, já ali a gente começava as primeiras experiências em improvisos. Aprendi dança afro com os melhores professores da época: Mestre King, Rosângela Silvestre, as meninas do Odundê. E depois eu fui pra formação da primeira equipe do Bando de Teatro Olodum, da primeira turma, com muitos colegas do Sesc, e o Bando me fortificou nessa questão da discriminação, de pensar nisso, de como eu me coloco no mundo como ser humano, dos meus direitos. Me empoderou no lugar que eu posso dizer “eu quero estar ali, eu vou estar ali”. Então, é muito importante na minha vida como artista ter sido fruto do Bando, ter me formado também na Universidade Federal da Bahia em Licenciatura em Teatro e poder voltar às comunidades pra fazer teatro na escola pública, assim como eu comecei fazendo teatro no Luiz Pinto de Carvalho, no bairro do São Caetano. Isso foi importante na minha formação como ser humano e atriz, e também pra minha formação de ativista negra. 

 

Você também participou da novela “Pega Pega”...
Mãe da Nanda Costa, duas “Malhações”... Eu fiz, em 2011, “Malhação - Conectado” e em 2014, “Malhação - Sonhos”. Em 2017 eu fiz a novela “Pega Pega”, estou no ar agora com “Irmãos Freitas”, há um mês eu estava em Itacaré fazendo um filme do Belmonte, com Lázaro Ramos, “As Verdades”, que é um filme para o Globoplay. Em janeiro eu pela primeira vez fui protagonista de um longa, feito aqui também por baianos, Rodrigo Luna e Pedro Perazzo. Eles dirigiram e também são roteiristas. A Bahia é efervescência, né. E foi lindo, foi a primeira vez que eu sou uma protagonista num filme, sendo coroa, preta, tudo assim que o povo acha que não pode ser protagonista. Sempre quebrando essas barreiras (risos).

 


Sol (Jeniffer Nascimento) e Bete (Edvana Carvalho) em "Malhação" | Foto: Guilherme Sousa / Gshow

 


Tem previsão de estreia para esse filme?
Se tudo não parar nesse país, como pelo visto está encaminhando pra parar, eu acho que no fim de 2020 deve sair. O nome do filme é “Receba” e é lindo. E assim, apesar de ser gravado em Salvador, a história não tem nada das coisas mais folclóricas de Salvador. É um filme que pode ser rodado no Japão ou em Nova York, é meio de ação, meio policial, eu estou sempre fugindo de bandidos que querem me pegar e eu também não sou tão boa coisa. Mas eu sou meio heroína no filme. Eu acho bem legal, esse filme tem um elenco maravilhoso, tem Evelin Buchegger, Jackson Costa, Pepeu… Quem mais, meu Deus? Eu estou esquecendo aqui os amigos, mas é um elenco muito forte. Daniel Farias, Leandro Vila e o vilão maior que é meu amigo de tanto tempo, que me chama de Edvina, eu esqueci, mas vou tentar lembrar…

 

Falando da Globo, que você participou, ela sempre priorizava muito os artistas do eixo Rio-São Paulo e nos últimos anos a gente vê que artistas de outros estados, principalmente baianos, estão ganhando maior espaço. Como você vê essa mudança?
É porque nós somos muito bons! Eu sou bem bairrista mesmo, nós somos muito bons e não tem como não abraçar a gente, entendeu? Eu acho também que todo mundo muda, né, a gente avança. Eu acho que nesse quesito o mundo também está avançando muito, abrindo as portas, entendendo que o país é plural, que nós temos uma diversidade artística maravilhosa e muito grande. Nós temos artistas do Pará e Pernambuco também na Globo, eu estou muito feliz com isso. Eu acho que a gente tem que abraçar o Brasil como um todo, porque ele é grande e é muito diverso, é muito bom, não existe um país melhor que o Brasil. A política que é uma coisa, tirando a política o Brasil poderia até dar certo! (risos).

 

E sobre a mãe de Popó, que você está interpretando na série, eu queria que você falasse um pouco do projeto, de como foram as gravações, o convite…
Rapaz, quando eu fiz esse teste eu estava fazendo “Pega Pega”. Sérgio Machado, que eu sou fã, já tinha tentado entrar em “Cidade Baixa” e não consegui, mas sempre acompanhava o trabalho dele. E aí ele me mandou um convite, dizendo que tal dia ia ter um teste em Salvador para uma série, não sabia se era uma série ou um filme. E eu estava na novela, e fazer novela é Carandiru mesmo, porque é todo dia que vai ao ar, então é muito trabalho, né. E eu dependia muito de um roteiro. Mas eu tenho tanta sorte, que nos dias em que ele falou que estava aqui fazendo o teste, saiu um roteiro o roteiro e esses dois dias eu estava livre. Então, eu peguei um avião, desci em Salvador, fui fazer o teste e passei no teste de primeira.

 

Ele disse é você, é você, é você. E eu: “Meu Deus, eu sou totalmente diferente do biotipo de dona Zuleica! Ela é mais baixinha, troncuda. E eu alta, mais longa, mais esguia. Será? Será? Eles tinham muita dúvida se eu iria fazer a dona Zuleica por conta disso também e porque eu não aparentava 60 anos, 50 e tanto, não aparentava nem o que eu já tinha, uns 48 ou 49 na época. E eu disse: “Não, vai ser, vai ser!”. Foi um trabalho que a gente fez preparação com Fátima Toledo, uma coisa bem dura, os meninos acho que tiveram mais dureza do que eu, porque tiveram ainda que entrar numa dieta de pugilista bem braba, de treinar todos os dias. Como eu digo na peça, eu tive que deixar a vaidade de lado e aparentar mais velha, saca? Pra fazer uma mulher próxima às minhas tias, a minha mãe, então fazer dona Zuleica foi bem que uma homenagem a elas. Eu cresci com várias donas Zuleicas ao meu redor. Mulheres pretas, sozinhas praticamente, criando filhos, ou com maridos que praticamente são como filhos também, que você tem que cuidar. Que ou não tem trabalho ou está bebendo. Então, assim, foi mergulhar nesse universo da infância. Não foi fácil, me emociona até agora em pensar, mas também foi uma honra muito grande, porque dona Zuleica representa esse universo de mulheres que me ajudaram e me criaram. Eu fiquei muito feliz em poder homenageá-la dessa forma. Eu a conheci mais profundamente, ela é muita alegria, apesar de tudo que ela passou na vida. Ela é um poço de alegria, ela me chama de meu clone. Eu acho ótimo! (risos). Eu acho lindo. Ela vai me ver sábado, prometeu que ia me ver junto com Luiz Cláudio, o outro filho que é o irmão de Popó, que está na série. Popó está viajando e eu espero que quando ele volte ele vá me ver também. 

 

E trabalhar nessa série com Sérgio Machado, que é um diretor baiano maravilhoso, de nível internacional, trabalhar com Aly Muritiba, que é um outro diretor baiano também que está bombando lá em São Paulo, faz a série “Carcereiros” e tal, e isso tudo sob a coordenação geral de Warter Salles. Olha outro sonho realizado. Então eu estou muito feliz, o trabalho está lindíssimo, está cinema. Essa série está sendo elogiada muito fora do país. Como eu volto a te dizer, a gente tem aquela síndrome do vira lata que precisa alguém de fora dizer que a gente é bom pra gente acreditar. Então, ela está sendo considerada uma das melhores séries que se produziu ultimamente. Passa no canal Space e está também na plataforma Amazon Video Prime. Então, se as pessoas quiserem conferir tem alguns episódios também já no Youtube. É um trabalho fantástico, tá todo mundo bem, a gente deu muito duro, mas vale a pena o resultado, está emocionante.

 

Para finalizar, qual é o poder da mulher negra na maturidade?
Eu acho que é começar a ter uma serenidade, perder o medo de enfrentar as situações, as pessoas. Ter também uma maior complacência com os outros. Um poder maior de perdoar certas atitudes de pessoas às vezes mais novas, em relação a essa discriminação com as pessoas mais velhas. Às vezes entender que o racismo dentro daquele ser humano não é porque ele nasceu pra ser assim, é porque ele também foi educado pra ser assim. Tem todo um caminho estrutural feito alí, e, apesar de se defender sempre, você poder ter uma atitude mais de compaixão com aquele ser humano. 

 

Muitas vezes quando eu enfrento situações de racismo e eu percebo que não é só a maldade imperando naquele ser humano, eu tento educá-lo. Porque eu sou basicamente também uma educadora. Então, eu já sofri racismo por porteiro de apart-hotel, que acha que ele não pode abrir a porta pra mim igual como ele abre pra você, só que a função dele é abrir a porta pra mim ou pra você. E ele vai ter que abrir. Mas aí, chega ao ponto de dizerem “Se você for na administração ele vai ser mandado embora porque ele é novo aqui e tal”. E eu ter que parar entre dizer “vou me vingar dele agora, porque ele tentou me humilhar” ou eu vou desempregar mais um homem preto. Não, ele precisa ser educado. Então eu peço pra chamar, pra conversar, eu faço ele abrir a porta pra eu entrar. Eu às vezes digo uma ou outra, mas eu não tento prejudicar aquela pessoa. Eu acho que uma pessoa assim é tão infeliz, é um ser humano sem luz, então se você puder de alguma forma conduzir essa pessoa para um caminho mais iluminado, e você pode fazer, você faz. E isso não significa que eu seja iluminadíssima, que eu seja perfeita, que eu às vezes não dê uma mancada ou outra. Não, que eu também estou em processo como ser humano, estou em construção, eu também erro. Eu erro, se eu percebo eu volto atrás, mas meu caminho é iluminado. Eu pareço às vezes da forma como eu falo, que eu solto umas farpas, mas eu também sei soltar flores (risos).

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