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O advogado Ciro Soares convidou o banqueiro Daniel Vorcaro para um encontro em uma casa ligada à família do senador Otto Alencar (PSD-BA), em Trancoso, na Bahia. A conversa ocorreu em setembro de 2025, quando Vorcaro estava na região acompanhado da então noiva, Martha Graeff.
As mensagens foram recuperadas do celular do banqueiro e obtidas pelo Estadão. Nos diálogos, Ciro também orientou Vorcaro sobre a roupa para o encontro e informou que Otto estaria no local por um período limitado. “Vc acha que vou com a martha pra apresentar pra turma e ficar mais serio rsrs Ou vou sozinho”, perguntou Vorcaro.
Ciro respondeu que ele deveria ir acompanhado e, na sequência, recomendou: “Bermuda, viu”. Em outra mensagem, enviada às 14h18, Ciro reforçou o convite: “Venha às 15h. Ele só está lhe aguardando. Viaja às 16h”. Vorcaro pediu novamente o endereço, mas não houve registro de novas mensagens entre os dois naquele dia.
As conversas também mostram que Ciro Soares tentou intermediar encontros entre Otto e Vorcaro em Brasília. Em dezembro de 2024, afirmou ao banqueiro que o senador estaria atuando em sua defesa na capital. “Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj”, escreveu.
Em fevereiro de 2025, Ciro voltou a mencionar o senador: “Vamos falar aqui em BSB. Otto quer falar com vc”. As referências aos encontros haviam sido divulgadas inicialmente pelo jornal O Globo.
A assessoria de Otto Alencar afirmou ao Estadão que o senador “nunca viu Vorcaro pessoalmente” e que teria falado com ele apenas duas vezes, por meio do telefone de Ciro Soares. O advogado não quis comentar. Atualmente, Otto preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e é aliado do PT na Bahia.
Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal revelam que o empresário se referia ao senador Otto Alencar (PSD) como seu “conselheiro” e “comandante”. As informações foram publicadas pelo Jornal O GLOBO neste sábado (19).
O material aponta que os recados e as tratativas eram intermediados pelo advogado Ciro Soares, que repassava mensagens, enviava fotos ao lado do parlamentar e tentava agendar reuniões presenciais entre o dono do Banco Master e o congressista baiano, que nega categoricamente ter conversado ou se encontrado com o empresário.
De acordo com o relatório da PF, o advogado Ciro Soares costumava avisar o banqueiro quando estava reunido com a autoridade e realizava chamadas telefônicas para transmitir os recados do parlamentar.
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Em uma das conversas analisadas pela perícia, ocorrida no dia 30 de maio de 2024, período em que Otto integrava as comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE), Soares enviou a seguinte mensagem a Vorcaro: “Otto queria falar com vc”. O banqueiro pediu “Me chama” e, após uma ligação perdida, mandou o abraço: “Mande abraço pro nosso comandante aí. Esse aí é conselheiro e comandante nosso”.
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Foto: Reprodução / O Globo
As abordagens continuaram no final do mesmo ano, com a promessa de alinhamentos. Em 5 de dezembro de 2024, Soares voltou a abordar o dono do Master alegando a urgência da conversa: “Dani, muito importante falarmos. Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj”. Em resposta, o banqueiro justificou o não comparecimento afirmando: “Estou num momento muito complicado, amigo”.
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Foto: Reprodução / O Globo
Os diálogos seguiram ao longo de 2025, momento em que o senador assumiu a presidência da CCJ. Em 12 de novembro de 2025, Soares mandou novo recado do ambiente legislativo: “Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc”. Vorcaro respondeu solicitando apoio: “Manda abraço pra ele. Estamos construindo virada de mesa. Mas precisarei de vocês”.
Na mesma troca de mensagens, em menção à aprovação da recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o advogado declarou: “Hoje ele (Otto) botou pra fuder na sabatina”.
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Foto: Reprodução / O Globo
O relatório da PF destaca também o uso de eventos sociais e chamadas informais para aproximar o empresário do senador. Em 19 de junho de 2025, após uma tentativa frustrada de ligação, Soares escreveu a Vorcaro: “Ottão está dizendo que está com saudades de vc”. O banqueiro respondeu no mesmo tom: “E eu tô dele”.
Em seguida, ao tratarem do patrocínio do Master a um evento em Londres, o advogado mencionou que tentava convencer o parlamentar a viajar, ao que o empresário concordou: “Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan”. O advogado arrematou afirmando que “Ele gosta da gente. O cara lhe adora também”.
O material coletado evidencia ainda repasses frequentes de fotos em compromissos sociais e desabafos sobre o cenário regulatório financeiro. Em março de 2025, durante o torneio de tênis Miami Open, Soares relatou ter conversado com o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: “Tomei uma raiva desse cara (Campos Neto). Por conta da sacanagem que ele fez com a gente. O bom que o Otto o enquadrou. Mexeu comigo e com vc, o senador fica bravo. Vai pra cima”.
Apesar dos registros, as partes negam o alinhamento citado. À reportagem do Globo, senador Otto Alencar declarou que não é investigado e garantiu que nunca esteve com Vorcaro ou falou com o dono do Master.
Ciro Soares alegou que seria “natural uma reunião entre líder político e líder empresarial”, mas assegurou que não “houve almoço ou encontros” organizados por ele.
A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou, mas reforçou em ocasiões anteriores que o empresário está totalmente à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
Citado em um áudio do advogado baiano Ciro Soares, ligado ao PSD, o senador Otto Alencar confirmou a relação com o jurista. Apesar disso, o senador negou que tenha sido abordado sobre a possibilidade de se encontrar com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao Bahia Notícias, Alencar, que é o presidente estadual do PSD, ressaltou que Ciro Soares já trabalhou para o partido, “mas não pediu nada de Daniel Vorcaro.”.
Em um dos áudios vazados da conversa entre Soares e o dono do Banco Master, o senador baiano foi citado. Ciro diz que planejava levar o parlamentar ao encontro secreto entre o banqueiro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, relatou Ciro a Daniel Vorcaro. “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele.”.
No mesmo áudio, o advogado baiano revelou que, antes da reunião, em um momento ocorrido durante uma festa, o próprio Otto Alencar já havia perguntado a ele sobre Daniel Vorcaro.
Ao BN, Otto afirmou que Ciro advogou para sua sigla e que o considera um amigo e advogado. “Às vezes viajo com ele, de Salvador para Brasília, pessoa que tenho uma boa relação”, disse o senador.
Ele diz ainda que nunca pediu nada relacionado ao Vorcaro ou Banco Master a Ciro ou André Mendonça: “Ciro viajou comigo, mas não pediu nada de Daniel Vorcaro” e completa dizendo que, no período citado, nem esteve com o ministro do Supremo. “Não tive nem com André Mendonça nesse período. Estive mais por conta da indicação de Messias ao STF”, afirma. A indicação de Jorge Messias ao STF foi formalizada pelo Planalto em abril deste ano.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) revelam que o advogado baiano Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, atuou para que o banqueiro Daniel Vorcaro custeasse uma viagem a Londres para o filho do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em diálogos mantidos em março de 2025, obtidos pelo jornal Estadão e confirmados pelo jornal O Globo, o advogado questionou Vorcaro sobre a possibilidade de incluir Pedro Gonet na comitiva que participaria de um evento na capital inglesa, obtendo a confirmação do empresário.
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A informação integra um relatório sigiloso elaborado pela Polícia Federal a partir da análise do telefone celular de Vorcaro. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras na instituição bancária.
De acordo com o relatório, em 15 de março de 2025, às 14h13, Ciro Soares enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparecia ao lado de Paulo Gonet. Em seguida, escreveu: “Liga aqui”, acrescentando que o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) desejava conversar com o controlador do banco. A partir das 14h23, o aparelho registrou quatro chamadas de voz entre o advogado e o banqueiro, com durações de 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e três minutos e 49 segundos.
A Polícia Federal ressalvou no documento que não é possível confirmar se Paulo Gonet participou das chamadas ou se conversou diretamente com Daniel Vorcaro. Os registros comprovam apenas que as ligações foram efetuadas para o terminal telefônico de Ciro após o envio da fotografia.
A equipe de investigação identificou que não havia contato salvo em nome do procurador-geral no celular de Vorcaro, sendo as menções localizadas prioritariamente nas conversas com o advogado baiano.
Em 28 de março de 2025, Ciro encaminhou ao banqueiro três mensagens atribuídas ao chefe da PGR, entre elas os textos: “Que bom! Estou na torcida por vocês!” e “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”. Vorcaro agradeceu a felicitação, ao passo que o advogado declarou que o procurador “lhe adora” e iria a Londres com a comitiva.
No dia seguinte, Ciro Soares consultou o banqueiro sobre a inclusão do filho do procurador-geral na viagem: “Pode levar o Pedro?”. Vorcaro respondeu autorizando a presença: “Óbvio, né”.
Posteriormente, em abril de 2025, uma funcionária da instituição financeira consultou o controlador do banco sobre quais convidados teriam as despesas pagas pela organização do evento. Na ocasião, Vorcaro confirmou a cobertura dos custos tanto para o advogado Ciro Soares quanto para Pedro Gonet.
A Polícia Federal pontuou que o relatório não atribui conduta criminosa a Paulo Gonet. O levantamento atendeu a uma determinação do ministro André Mendonça para mapear personalidades citadas nos registros telefônicos do empresário e detalhar as interações associadas.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Geraldo Alckmin
"Nós temos que fazer a economia crescer, o PIB crescer, o emprego crescer, e segurar a despesa. Aí você melhora a relação dívida/PIB".
Disse o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB) ao defender a realização de um ajuste fiscal, porém com foco em cortes de privilégios e "super salários", criticando a possibilidade de penalizar aposentados e a classe média.