Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Política

Notícia

Mensagens obtidas pela PF mostram que Vorcaro chamava Otto Alencar de ‘conselheiro’ e ‘comandante’

Por Redação

Mensagens obtidas pela PF mostram que Vorcaro chamava Otto Alencar de ‘conselheiro’ e ‘comandante’
Foto: Pedro França/Agência Senado

Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal revelam que o empresário se referia ao senador Otto Alencar (PSD) como seu “conselheiro” e “comandante”. As informações foram publicadas pelo Jornal O GLOBO neste sábado (19).

 

O material aponta que os recados e as tratativas eram intermediados pelo advogado Ciro Soares, que repassava mensagens, enviava fotos ao lado do parlamentar e tentava agendar reuniões presenciais entre o dono do Banco Master e o congressista baiano, que nega categoricamente ter conversado ou se encontrado com o empresário. 

 

De acordo com o relatório da PF, o advogado Ciro Soares costumava avisar o banqueiro quando estava reunido com a autoridade e realizava chamadas telefônicas para transmitir os recados do parlamentar. 

 

LEIA MAIS:

 

Em uma das conversas analisadas pela perícia, ocorrida no dia 30 de maio de 2024, período em que Otto integrava as comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE), Soares enviou a seguinte mensagem a Vorcaro: “Otto queria falar com vc”. O banqueiro pediu “Me chama” e, após uma ligação perdida, mandou o abraço: “Mande abraço pro nosso comandante aí. Esse aí é conselheiro e comandante nosso”.

 


Foto: Reprodução / O Globo

 

As abordagens continuaram no final do mesmo ano, com a promessa de alinhamentos. Em 5 de dezembro de 2024, Soares voltou a abordar o dono do Master alegando a urgência da conversa: “Dani, muito importante falarmos. Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj”. Em resposta, o banqueiro justificou o não comparecimento afirmando: “Estou num momento muito complicado, amigo”.

 


Foto: Reprodução / O Globo

 

Os diálogos seguiram ao longo de 2025, momento em que o senador assumiu a presidência da CCJ. Em 12 de novembro de 2025, Soares mandou novo recado do ambiente legislativo: “Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc”. Vorcaro respondeu solicitando apoio: “Manda abraço pra ele. Estamos construindo virada de mesa. Mas precisarei de vocês”. 

 

Na mesma troca de mensagens, em menção à aprovação da recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o advogado declarou: “Hoje ele (Otto) botou pra fuder na sabatina”.

 


Foto: Reprodução / O Globo

 

O relatório da PF destaca também o uso de eventos sociais e chamadas informais para aproximar o empresário do senador. Em 19 de junho de 2025, após uma tentativa frustrada de ligação, Soares escreveu a Vorcaro: “Ottão está dizendo que está com saudades de vc”. O banqueiro respondeu no mesmo tom: “E eu tô dele”. 

 

Em seguida, ao tratarem do patrocínio do Master a um evento em Londres, o advogado mencionou que tentava convencer o parlamentar a viajar, ao que o empresário concordou: “Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan”. O advogado arrematou afirmando que “Ele gosta da gente. O cara lhe adora também”.

 

O material coletado evidencia ainda repasses frequentes de fotos em compromissos sociais e desabafos sobre o cenário regulatório financeiro. Em março de 2025, durante o torneio de tênis Miami Open, Soares relatou ter conversado com o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: “Tomei uma raiva desse cara (Campos Neto). Por conta da sacanagem que ele fez com a gente. O bom que o Otto o enquadrou. Mexeu comigo e com vc, o senador fica bravo. Vai pra cima”.

 

Apesar dos registros, as partes negam o alinhamento citado. À reportagem do Globo, senador Otto Alencar declarou que não é investigado e garantiu que nunca esteve com Vorcaro ou falou com o dono do Master. 

 

Ciro Soares alegou que seria “natural uma reunião entre líder político e líder empresarial”, mas assegurou que não “houve almoço ou encontros” organizados por ele. 

 

A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou, mas reforçou em ocasiões anteriores que o empresário está totalmente à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.