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Após anunciar requalificação dos 15 quilômetros de ciclovia, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) e a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) firmaram um termo de cooperação técnico-financeira para a execução de obras de reforço em 3 quilômetros da ciclovia do Parque de Pituaçu.
Orçada em cerca de R$ 4,86 milhões, com recursos previstos no orçamento do Inema e da Conder, o objetivo é garantir a circulação de veículos pesados sem comprometimento da via. A nova intervenção foi divulgada no Diário Oficial do Estado da Bahia. A obra complementar será executada pela Conder e prevê a construção de um novo trecho em concreto que permitirá o acesso operacional para a manutenção da Barragem de Pituaçu.
Localizada no Parque Metropolitano, a estrutura centenária que represou o rio Pituaçu foi construída em 1906. Embora tenha deixado de abastecer a cidade em 2002, a barragem passou por obras de reforço estrutural em 2016. A área é hoje uma importante reserva ecológica e área de lazer, com monitoramento preventivo da Embasa.
O órgão já havia anunciado melhorias no pavimento e adequações para garantir mais segurança a ciclistas e pedestres. Entre as intervenções, destacam-se a implantação de um bicicletário com capacidade para 250 bicicletas na entrada do parque, a construção de cinco pontos de apoio ao longo do percurso, e 3,2 quilômetros de calçamento em piso voltado à caminhada.
Também fazem parte das obras a requalificação da travessia do km 09, a implantação de iluminação cênica e o avanço em estruturas como o fechamento perimetral em trechos estratégicos e a construção de novos equipamentos de apoio ao público.
O orçamento da obra inicial era de 25 milhões de reais. O recurso é proveniente do Fundo Estadual de Recursos para o Meio Ambiente (Ferfa) e a primeira etapa das obras já alcança cerca de 90% de execução, com entrega prevista para este mês de abril.
Ao Bahia Notícias, a Embasa esclareceu que a atribuição na referente obra foi "realizar ligações de água para atender alguns pontos do Parque de Pituaçu, em Salvador, durante a requalificação da ciclovia do parque".
A capital baiana está desenvolvendo um projeto piloto para a expansão da malha cicloviária da cidade. Com este objetivo, integrantes do Grupo de Trabalho do Plano Cicloviário participaram do Workshop de Alinhamento Estratégico do programa Mutirão Brasil no auditório da Secretaria de Mobilidade (Semob) na última sexta (10).
Atualmente, Salvador conta com pouco mais de 300 km de infraestrutura cicloviária. Salvador é, hoje, o único município brasileiro com dois projetos selecionados pelo Mutirão Brasil, iniciativa liderada pela C40 Cities, rede internacional de cidades voltada ao combate às mudanças climáticas, e pelo Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia.
A meta estabelecida no Plano Cicloviário, entregue em 2024, é atingir 700 km até 2034. A iniciativa funcionará como um projeto-piloto, que deve orientar a expansão dos cerca de 400 km restantes necessários para que a cidade atinja a meta prevista no plano cicloviário.
O Mutirão Brasil não prevê repasse direto de recursos, mas oferece apoio técnico para viabilizar os projetos, incluindo a indicação de possíveis fontes de financiamento.
O secretário de Mobilidade destacou a importância da cooperação técnica para o sucesso da iniciativa. Segundo ele, o trabalho envolve diversos órgãos para garantir um avanço coordenado e vai além da construção de novas vias.
“Isso passa também pela qualificação da rede existente e pela definição de prioridades claras. Nosso objetivo é consolidar a bicicleta como um elemento estruturante da mobilidade urbana, contribuindo para uma cidade mais acessível, sustentável e resiliente às mudanças climáticas”, afirmou.
No caso desse projeto específico do Mutirão Brasil, o prazo é o primeiro semestre de 2027. Um dos pontos altos do dia foi a discussão sobre qual conexão cicloviária será priorizada para receber a assessoria técnica internacional. Assessora especial do Plano de Mobilidade da Semob, Manuela Accioly apresentou duas opções de alta complexidade técnica e logística: a região da Estação da Lapa e o eixo Iguatemi/Acesso Norte.
O número de municípios baianos com transporte por aplicativo [a exemplo de Uber e 99] cresceu 84,6% entre 2020 e 2024, segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2024, divulgada nesta sexta-feira (31) pelo IBGE.
Conforme o levantamento, o serviço está presente em 48 dos 417 municípios da Bahia, o que representa 11,5% do total. Apesar da expansão, a proporção ainda é inferior à média nacional (26,3%), sendo a 8ª menor do país. Em 2020, apenas 26 cidades baianas contavam com transporte por aplicativo.
O crescimento coloca o estado na 12ª posição nacional em ritmo de expansão, em um ranking liderado por Tocantins (+266,7%), Roraima (+200%) e Pernambuco (+150%).
POUCA MUDANÇA EM OUTROS MODAIS
Entre 2020 e 2024, a Bahia apresentou pequenas variações em outros meios de transporte. O número de municípios com serviço de van caiu de 364 para 350 (-3,8%), enquanto os que oferecem táxi e mototáxi registraram ligeira alta, passando de 317 para 318 (+0,3%) e de 316 para 317 (+0,3%), respectivamente.
O número de cidades sem nenhum tipo de transporte público ou privado apurado também aumentou, passando de 12 para 19 (+58,3%), o equivalente a 4,6% dos municípios baianos. O índice, no entanto, é menor que o nacional (8,1%).
GRATUIDADE E CICLOVIAS
A pesquisa também revelou que 63 municípios baianos (15,1%) oferecem gratuidade total no transporte coletivo, sendo que em 33 cidades (7,9%) o benefício vale todos os dias. No Brasil, a média é de 11,7% das cidades com transporte gratuito diário.
Outro destaque na pesquisa foi o crescimento das ciclovias. Entre 2020 e 2024, o número de municípios baianos com infraestrutura cicloviária passou de 79 para 87, um avanço de 10,1%, superior ao crescimento nacional de 6%.
Neste domingo (2), a Prefeitura de Salvador lançou o novo Plano Cicloviário da cidade, que oferece um diagnóstico detalhado e diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura cicloviária na capital baiana. O objetivo é expandir a rede cicloviária para 700 quilômetros nos próximos dez anos, em comparação aos mais de 300 quilômetros atuais.
O evento de lançamento ocorreu na Avenida Magalhães Neto e contou com a presença do prefeito Bruno Reis, do secretário de Mobilidade (Semob), Fabrizzio Müller, do presidente da Saltur, Isaac Edington, e do superintendente da Transalvador, Décio Martins, além de outras autoridades e representantes de grupos de ciclistas.
O prefeito Bruno Reis destacou que o plano inaugura “um novo momento na mobilidade da capital baiana”, promovendo a bicicleta como “um meio de transporte viável que fomenta a mobilidade ativa e a sustentabilidade ambiental”. Ele ressaltou os esforços da gestão municipal para ampliar a rede cicloviária da cidade.
Durante o evento, Reis assinou uma ordem de serviço para obras de novas conexões cicloviárias, incluindo um trecho na Praia da Paciência, no Rio Vermelho, e a ligação entre a Vila Caramuru, também no Rio Vermelho, e Amaralina.
Reis enfatizou o aumento de 30 km para mais de 300 km de ciclovias nos últimos dez anos e afirmou que o novo plano garantirá avanços contínuos na infraestrutura para ciclistas. “O movimento Vai de Bike cresceu expressivamente porque construímos uma cidade que permite a circulação segura dos ciclistas e a prática de esportes, algo inexistente no passado”, afirmou.
Ele acrescentou que o plano prevê diversas intervenções focadas na acessibilidade, incluindo rampas, pisos táteis para pessoas com deficiência, e ciclovias. Novas ciclovias serão implantadas, como na Avenida Bonocô, que passará por requalificação, e a Prefeitura investirá R$19 milhões na Avenida Suburbana para garantir uma ciclovia mais segura. “Com orgulho, apresentamos o Plano Cicloviário, deixando um legado para a nossa cidade”, concluiu.
O secretário de Mobilidade, Fabrizzio Müller, destacou o apoio do governo britânico através do UK Pact e recursos geridos pelo Banco Mundial na elaboração do plano. “Ele não é apenas uma previsão de expansão, mas um diagnóstico preciso da infraestrutura atual, indicando onde melhorias e ampliações são necessárias. Temos políticas para fomentar o uso da bicicleta, como educação, conectividade e integração multimodal”, explicou Müller.
“Com 38% da população se deslocando a pé, melhorar a cobertura permitirá mais deslocamentos de bicicleta. Pretendemos atingir 25 km de ciclovias por 100 mil habitantes em dez anos, comparável a cidades europeias”, projetou Müller, destacando a participação popular na construção do plano.
O plano possui cinco eixos principais: adequações da rede cicloviária existente, implantação de trechos críticos para eliminar descontinuidades, implementação de tramos previstos no Plano de Mobilidade de Salvador (PlanMob), novas ciclovias, e novos bicicletários e paraciclos.
Isaac Edington, presidente da Saltur, mencionou os avanços na mobilidade de Salvador, citando o Movimento Salvador Vai de Bike. “Isso requer sensibilidade, investimento e mobilização de recursos. Salvador é a cidade que mais cresceu no Brasil nos últimos anos, fruto de muito trabalho e dedicação. Uma cidade boa para ciclistas é boa para todos”, afirmou.
Henrique Marinho, vice-presidente da Federação Baiana de Ciclismo, garantiu que o novo Plano Cicloviário atende tanto ciclistas utilitários quanto de lazer e competição. “Nunca fomos tão atendidos como nesta gestão. As ações na Avenida Magalhães Neto foram um primeiro passo, contemplando áreas de treinamento. É um projeto maravilhoso que tende a melhorar ainda mais”, concluiu.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luiz Inácio Lula da Silva
"Eu fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque ele é um dos melhores advogados desse país, ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer? Eu vou mandar o Messias outra vez. Por respeito à função presidencial, sou eu que indico".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao confirmar que vai enviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF). O AGU teve sua primeira indicação rejeitada no Senado no último dia 29 de abril.