Artigos
E se o maior erro das previsões eleitorais não estiver nas pesquisas, mas na forma como interpretamos o eleitor indeciso?
Multimídia
ACM Neto reage ao voto Lula-Neto e acusa PT de pressionar eleitores: “Não é dono do voto de ninguém”
Entrevistas
Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
aleitamento materno
O Brasil registrou 57% de cobertura da amamentação exclusiva entre bebês de 0 a seis meses acompanhados pela Atenção Primária (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados foram do ano de 2025. Os números fazem parte do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) que, desde 2015, passou a disponibilizar de forma padronizada e contínua os marcadores de consumo alimentar.
Segundo o Ministério da Saúde, este índice representa a proporção dos bebês de 0 a seis meses que são acompanhados pela APS e estão em aleitamento materno exclusivo, ou seja, recebem somente leite materno, sem a oferta de água, chás, sucos, outros líquidos ou alimentos.
Neste ano, foram avaliados de forma parcial indicando que até agosto 59% dos bebês de até seis meses acompanhados pela APS estão em aleitamento materno exclusivo. Desde o começo da série, em 2015, as maiores coberturas foram em 2024 e 2025, ambas com 57%. De acordo com a pasta, os dados do Sisvan se referem exclusivamente àqueles bebês que fazem o acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Outro levantamento feito, o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), um inquérito nacional representativo da população brasileira, indicou que 45,8% das crianças brasileiras entre 0 e seis meses recebem leite materno exclusivamente. De acordo com o órgão, a meta da OMS para 2030 é de 60% de aleitamento materno exclusivo em crianças menores de 6 meses.
“A Atenção Primária à Saúde tem papel fundamental na proteção, promoção e apoio à amamentação. É nas UBS que as famílias encontram profissionais que acompanham a gestação, o pós-parto e o crescimento da criança, oferecendo escuta, orientação e suporte diante dos desafios que podem surgir ao longo desse percurso. Fortalecer esse cuidado próximo e contínuo é essencial para que mais mulheres se sintam apoiadas e tenham condições de amamentar”, explicou a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas
O aleitamento materno/humano, uma das principais práticas, essencial para o começo da vida, estão com taxas em um nível inferior ao recomendado no Brasil. Segundo a fonoaudióloga Carla Steinberg a Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que 50% das crianças com até 6 meses de idade sejam amamentadas exclusivamente até este ano.
No entanto, conforme a especialista, no país, a taxa ficou em 45,8%, sendo menor ainda no Nordeste. Em entrevista a reportagem, a profissional revelou que na Bahia os números relacionados à amamentação estão menores ainda, fazendo com que grande parte dos bebês não tenham acesso ao aleitamento.
“As taxas de aleitamento humano no Brasil ainda estão aquém do desejado. A OMS recomenda que 50% das crianças até 6 meses de idade sejam amamentadas exclusivamente até 2025, e a meta que sobe para 70% até 2030. Em um estudo de 2019 (ENANI 2019), últimos dados oficiais, a amamentação exclusiva até os 6 meses foi de 45,8%. No Nordeste essas taxas diminuem. Se pensarmos na realidade da Bahia, uma parcela significativa de recém-nascidos acaba não tendo acesso pleno ao aleitamento materno devido a um conjunto de barreiras que vão além da decisão individual da mãe”, explicou ao BN.
Coordenadora do projeto de extensão Universitária vinculados à saúde materno infantil da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Carla observou também a respeito da importância do ato na primeira hora de vida do bebê.
“A amamentação na primeira hora de vida, conhecida como Hora de Ouro, é um momento fundamental para o estabelecimento do vínculo entre mãe e bebê e para o sucesso da amamentação no futuro. Esse momento fortalece a confiança materna, o vínculo afetivo e está associado a maiores taxas e maior duração do aleitamento exclusivo. Reconhecendo sua relevância, a Hora de Ouro é garantida como um direito da mãe e da criança por políticas públicas e recomendações nacionais e internacionais de humanização do parto, devendo ser assegurada pelos serviços de saúde sempre que não houver risco imediato para a vida de ambos”, contou.
A especialista apontou ainda acerca dos benefícios que podem ser gerados no processo de amamentação de um bebê.
“Para o bebê, os benefícios incluem: fortalecimento do sistema imunológico, proteção contra infecções respiratórias e gastrointestinais, melhor desenvolvimento cognitivo e menor risco de desenvolver obesidade e doenças crônicas no futuro. Para a mãe, a amamentação auxilia na redução do sangramento pós-parto, contribui para o retorno do útero ao tamanho normal, ajuda no controle do peso e reduz o risco de câncer de mama e de ovário. Além disso, fortalece o vínculo afetivo com o bebê”, considerou Steinberg.
O Ministério da Saúde anunciou o investimento de R$ 1,8 milhão para fortalecer bancos de leite humano na Bahia. Desta quantia, será destinada R$ 180 mil para cada uma das 10 unidades localizadas no estado. Segundo a pasta, os valores fazem parte de um investimento nacional de R$ 40,6 milhões para qualificar e ampliar os serviços oferecidos por 226 unidades da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) em todo o país.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha celebrou a iniciativa e relembrou acerca do Agosto Dourado, campanha de conscientização sobre o aleitamento materno.
“Iniciamos o Agosto Dourado com a liberação destes recursos para fortalecer os Bancos de Leite Humano, mantendo o Brasil como referência mundial. Amamentar é um gesto que vai além da nutrição. É um ato de cuidado, vínculo e saúde, com impactos positivos para o bebê e a mãe”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
De acordo com o órgão, com a verba as unidades poderão adquirir materiais e realizar serviços essenciais para o funcionamento dos bancos de leite como coleta, processamento, armazenamento, controle de qualidade e distribuição do leite humano.
Ações de comunicação, mobilização social e assistência direta às famílias também estão previstas no período. No geral, são 226 bancos distribuídos em todos os estados do país e no Distrito Federal.
O incentivo às mães e a conscientização da população sobre a importância do aleitamento materno é um compromisso do Hospital Santo Amaro (HSA). A rotina assistencial de cuidados inclui orientações sobre as técnicas de estímulo para a produção de leite, posições recomendadas e, também, benefícios para a saúde materno-infantil.
De acordo com a Dra. Lícia Moreira, coordenadora de Neonatologia do HSA, “a amamentação proporciona melhorias nos indicadores de saúde do bebê, como o aumento na resposta imunológica, além de contribuir para menor ocorrência de doenças metabólicas na fase adulta e maior desempenho cognitivo”. Os benefícios também ocorrem na saúde da mulher, como redução de risco de hemorragia pós-parto, fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e bebê, e redução nas chances de desenvolver desenvolver câncer de mama, útero, ovário e endométrio.
Reforçando o compromisso com a amamentação, o Hospital Santo Amaro intensifica suas ações no mês de agosto para dar mais visibilidade à campanha Agosto Dourado. Nesta quinta (13), ocorrerá um encontro especial no HSA feito para as mães da Neonatologia que abordará temas envolvendo a amamentação com nutricionistas, pediatras, psicólogas, enfermeiras e serviço social.
SUPORTE CONTÍNUO
O Hospital Santo Amaro tem como grande diferencial o acompanhamento pós-parto que pode ser contratado de forma particular. O progresso da amamentação é verificado por meio de acompanhamento em domicílio, que permite identificar eventuais dificuldades e oferecer orientações especializadas, “O objetivo é garantir que cada mãe receba o suporte necessário para uma amamentação bem-sucedida mesmo após a alta hospitalar”, explica Rebeca Gazineu, enfermeira obstétrica especialista em aleitamento.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luiz Inácio Lula da Silva
"A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar o mundo, a humanidade, do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao discursar na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Lula falou de sua indignação diante de um cenário internacional conturbado, e disse que a ONU está falhando em evitar as guerras, mortes e destruição.