Salvador apresenta cenário mais crítico para arboviroses entre capitais nordestinas
Por Victor Hernandes
A cidade de Salvador apresentou o cenário mais crítico entre as capitais do Nordeste, reunindo as condições mais favoráveis para a transmissão de arboviroses em razão do clima propício à proliferação do vetor. A constatação foi feita por meio do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O levantamento, acessado pelo Bahia Notícias, mostra que as condições climáticas estão favoráveis ao aumento da população do mosquito transmissor. Os indicadores apontam que a capital baiana está em alerta vermelho para a transmissão de arboviroses. Entre elas, a dengue está em alerta laranja, indicando transmissão aumentada e sustentada.
Segundo o boletim, o clima na cidade permanece favorável, com temperatura mínima de 23,5°C, acima do limite de 23°C. No entanto, o cenário da chikungunya é ainda mais preocupante. A doença apresentou incidência de 9,2 por 100 mil habitantes, valor que supera amplamente o limiar epidêmico de 3,7, colocando Salvador em nível máximo de alerta.
A capital baiana ocupa a segunda posição em número absoluto de casos, com 1.261 registros. O cenário é considerado preocupante, pois o total de casos quase quadruplicou em relação ao ano passado, quando foram contabilizados 352 casos. Salvador fica atrás apenas de Recife (PE), que lidera em volume de notificações, com 1.306 casos registrados, embora tenha apresentado redução em relação aos 1.488 casos de 2025. Em seguida aparece São Luís (MA), com 702 casos, um leve aumento em comparação aos 662 registrados em 2025.
Entretanto, quando considerada a taxa de incidência (casos por 100 mil habitantes) e o nível de risco imediato, Salvador lidera o ranking, com incidência de 9,2. Maceió ocupa a segunda posição, com incidência de 7,6 na Semana Epidemiológica (SE) 29, apesar de estar em nível verde, após ter deixado o alerta vermelho na SE 28.
Recife e São Luís estão em alerta amarelo. A capital pernambucana registrou incidência de 2,7, mesmo índice observado na capital maranhense durante a SE 29. De forma geral, além de Salvador, Recife (PE) e São Luís (MA) também apresentam indicadores acima dos observados nas demais capitais nordestinas.
NÍVEL LARANJA PARA DENGUE
O nível de alerta laranja é estabelecido quando a probabilidade de a taxa de transmissão ser superior a 1 — indicador de crescimento dos casos — ultrapassa 95% por três semanas consecutivas ou mais. Na SE 29, a incidência de dengue em Salvador foi de 10,9 casos por 100 mil habitantes.
Embora esse índice esteja abaixo do limiar epidêmico da cidade, fixado em 15,8, ele permanece significativamente acima do nível pré-epidêmico, de 3,7, confirmando a circulação ativa do vírus. A capital já estava em nível laranja na SE 28, após permanecer em alerta amarelo nas semanas epidemiológicas 26 e 27, conforme aponta o estudo.
Nas demais capitais analisadas — Aracaju, João Pessoa, Maceió, Natal, Fortaleza e Teresina — a classificação é de nível verde, indicando condições climáticas desfavoráveis à transmissão das arboviroses, seja em razão das temperaturas mais baixas ou da baixa umidade.
