Prêmio Mãe Stella de Oxóssi entrega troféu a mulheres pretas que se destacam no SUS
Por Redação
O 2º Prêmio Mãe Stella de Oxóssi vai ser entregue nesta terça-feira (25), a vinte colaboradoras negras que mais se destacaram em prol do Sistema Único de Saúde (SUS). A premiação é uma iniciativa do Comitê de Prevenção e Combate do Racismo da Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), que marca as ações do “Julho das Pretas”, em alusão ao 25 de julho, onde é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
Outras homenagens já tinham acontecido na fundação neste mês. Há duas semanas, as redes sociais da FESF ficaram abertas para que negras que transformam o SUS pudessem contar suas experiências. Agora é a vez do evento final, com a entrega dos troféus, na próxima terça-feira, a partir das 13h30, no auditório da Secretaria de Saúde Pública do Estado da Bahia (SESAB).
Vão participar da mesa de abertura do evento, a secretária de Saúde do Governo da Bahia, Roberta Santana; representando a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Ubiraci Matildes; o diretor geral da FESF-SUS, Ricardo Mendonça; e a integrante do Comitê de Combate ao Racismo Institucional da FESF-SUS, e Thais Wanda.
“87% dos trabalhadores da FESF são mulheres, dentre as quais 80% são mulheres pretas. Esse número expressivo nos orgulha, mas também aumenta a nossa responsabilidade para com as políticas públicas voltadas para este público. Uma das nossas ações foi a criação do Comitê de Prevenção e Combate ao Racismo. O Prêmio Mãe Stella de Oxóssi, que chega a sua segunda edição, vem coroar o trabalho dessas heroínas por um SUS mais forte, mais justo, mais igualitário”, disse o diretor-geral Ricardo Mendonça.
Neste ano, o tema do prêmio será “Heroínas do SUS - As Contribuições das Mulheres Negras na Saúde Pública”. A votação foi feita nos próprios trabalhadores de todos os serviços da FESF-SUS, indicando a colaboradora que mais fez pela população preta de Salvador. O evento é aberto a todos.
Para o coordenador do Comitê de Prevenção e Combate ao Racismo Institucional da FESF-SUS, a valorização é muito importante para a fundação seguir fazendo um bom trabalho para os grupos com representação minoritária. “A valorização dessas trabalhadoras negras da nossa fundação, mesmo sendo um ato simbólico, é importante para apontar o quanto a fundação tem a sua atenção e cuidado voltados para a força de trabalho que é expressivamente feminina e negra”, defende.
No ano anterior, mais de 20 prêmios foram entregues. Dentre as vencedoras está Angélica Marques, secretária da diretoria executiva da FESF-SUS. “"Eu fiquei muito feliz, me senti muito honrada. Primeiro pelo movimento dentro da instituição em relação a esse assunto, que é uma coisa rara, segundo pelas pessoas terem participado ativamente, o que significa que elas dão importância ao assunto”, destaca.
Ela conta que não esperava ter sido homenageada, pois nem votou nela mesmo. Para este ano, o voto foi em alguém que não recebeu prêmio antes. “É importante ter uma segunda edição, inclusive para a eleição de pessoas novas, porque isso eleva muito a autoestima das pessoas, o fato delas serem contempladas por aquilo que fazem. Você passa anos e ano trabalhando e um prêmio demonstra a relevância do que você está fazendo, alenta o coração das pessoas”, completa.
MESA TEÓRICA
Para discutir o tema deste ano, “Heroínas do SUS: as contribuições das mulheres negras para a saúde pública”, a FESF convidou dois nomes de peso: a escritora Vanda Machado e a coordenadora médica do Hospital Couto Maia, Dra. Alice Sena.
Com 12 livros publicados, todos sob uma ótica de entender o universo afro, Vanda foi uma das roteiristas do documentário "O Cuidar nos Terreiros e Saúde". Ela também é fundadora do Projeto Político Pedagógico Irê Ayó, que combina pesquisa participativa, abordagem autobiográfica, o pensamento africano e sua abrangência.
Já a médica infectologista Alice Sena, tem especialização em Epidemiologia Hospitalar e Controle de Infecção, pela UNEB, além de curso de extensão em Saúde do Trabalhador, pela UFBA, e também é formada em Direito. Ela é perita médica legista, foi Diretora Técnica do Instituto Médico Legal (IML) Nina Rodrigues por seis anos, local onde hoje é Diretora Adjunta.
