Apesar de 'nível primário' nacional, Salvador está 'bem servida' de cuidados paliativos
Por Renata Farias
Estudo divulgado recentemente pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) apontou que menos de 10% dos hospitais brasileiros possuem equipes de cuidados paliativos (veja aqui). De acordo com o geriatra André Filipe Junqueira, vice-presidente da entidade, esse baixo índice tem impacto no controle de sintomas e qualidade de vida dos pacientes.
"O Brasil se encontra, atualmente, em um nível primário de cuidados paliativos. São poucas equipes, que ainda não atuam em conjunto com todo o sistema de saúde, seja público ou particular", afirmou Junqueira, em entrevista ao Bahia Notícias. O profissional ainda pontuou um efeito secundário dos dados: quando não há cuidados paliativos, é necessário um maior uso de recursos nas unidades de saúde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define cuidados paliativos como a "assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais".
O levantamento da ANCP mostrou ainda que, no sistema público de saúde, há maior adesão a essa prática. "O que nós avaliamos é que existe uma sensibilidade maior na rede pública, seja pelo perfil de acolher mais ou pela necessidade de gerenciamento de recursos. A demanda é maior na rede pública do que em hospitais privados. Os primeiros serviços de cuidado paliativo surgiram em hospitais públicos da região Sudeste", afirmou Junqueira.
Dados regionais mostram que o maior número de serviços na rede pública está no Sudeste, seguido do Nordeste, onde há 36 serviços de um total nacional de 177. Na Bahia, são 14 serviços de cuidados paliativos, dos quais 13 estão na capital, Salvador. Clique aqui e leia a entrevista completa na coluna Saúde!
