Grupo pede liberação de Maconha Medicinal e farmacêutico defende regulamentação nacional
Por Renata Farias
Foto: Maj. Will Cox / Georgia Army National Guard
Salvador recebe neste domingo (27) a I Bicicletada Verde pela Maconha Medicinal. Com tema "Maconha medicinal é um direito universal", o movimento busca chamar atenção para a aplicabilidade dos efeitos medicinais da erva no tratamento de uma série de doenças. "As pessoas têm uma ideia de que o uso medicinal da maconha se resume ao tratamento de epilepsia ou dor crônica", afirmou Guilherme Storti, um dos idealizadores do evento. Segundo ele, a Bicicletada Verde pela Maconha Medicinal foi inspirada na Medical Cannabis Bike Tour, uma iniciativa holandesa que organiza passeios de bicicleta para arrecadar fundos para pesquisas que avaliam a aplicabilidade de THC e CBD em pacientes com câncer. Na última terça-feira (22), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentou o registro de medicamentos à base de canabidiol (veja aqui). Apesar de considerada um importante passo pelos defensores da substância, a medida é questionada por não abranger uma série de fatores. "A Anvisa mostrou um viés bastante comercial, bastante voltado para a indústria farmacêutica. Não deixa de ser um grande avanço, mas deve ser olhado com cuidado. A maconha primeiro precisa ser desestigmatizada, com toda essa cortina de fumaça que foi colocada em cima dela nos últimos 70 anos, para que a população possa ter a ideia de que ela pode ser um medicamento", ponderou o farmacêutico Ébano Augusto. "Com essa regulamentação, torna-se possível ampliar muito a aplicação da maconha medicinal no Brasil. Até então, o THC e o CBD já estavam legalizados, mas com uso bastante restrito. O uso estava basicamente fechado na esfera da epilepsia refratária. Torna-se mais fácil a regulamentação da maconha medicinal para tratamento de outras doenças, em sua maioria graves, como câncer, Aids, Alzheimer, escleroses múltiplas, esclerose lateral amiotrófica, entre outras que a maconha já tem efeito comprovado pela FDA [Food and Drug Administration], dos Estados Unidos". O tetrahidrocanabidiol (THC) e o canabidiol (CBD) são compostos presentes na erva que têm efeitos medicinais comprovados. O farmacêutico ainda lembrou que a maconha já é utilizada em pesquisas brasileiras sobre redução de danos, como uma "porta de saída para drogas pesadas". Ébano Augusto defendeu também a produção e uso da maconha in natura, devido aos efeitos gerados e pela maior acessibilidade para a população. "São dezenas de canabinoides diferentes presentes na planta, apesar de que apenas três ou quatro têm propriedade medicinal, e também centenas de outras substâncias que modulam o efeito medicinal do THC e do CBD, tornando o tratamento fitoterápico mais eficiente do que em forma de remédio", explicou. "O próximo passo a ser dado agora seria regulamentar a produção nacional, porque chega a ser vergonhoso morarmos no maior país agrícola do mundo e ver a notícia que o Brasil vai importar 10 quilos de maconha para pesquisa", concluiu. A Bicicletada Verde pela Maconha Medicinal terá concentração às 15h na Rua Fonte do Boi, Rio Vermelho, e sairá às 16h20 até o Jardim dos Namorados, com retorno para o local inicial. A participação é gratuita e livre para apoiadores do movimento.
