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Pesquisa: NEAM
O prazo do Novo Marco do Saneamento expirou há quase dois anos, mas 93% das cidades baianas continuam destinando resíduos de forma irregular. O Ministério Público endurece fiscalização, prefeitos alegam falta de recursos e catadores cobram inclusão produtiva para evitar colapso social.
O cronômetro zerou em 2 de agosto de 2024, quando terminou o prazo definitivo estabelecido pelo Novo Marco Legal do Saneamento para que todos os municípios brasileiros eliminassem os lixões a céu aberto. Na Bahia, porém, a realidade pouco mudou. Levantamento do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) aponta que 388 dos 417 municípios baianos, cerca de 93% do total, ainda realizam a destinação inadequada dos resíduos sólidos urbanos. Apenas 29 cidades encaminham corretamente seus rejeitos para aterros sanitários licenciados.
Os números colocam a Bahia entre os estados com maior passivo na área e revelam um problema que extrapola a questão ambiental. A permanência dos lixões representa risco à saúde pública, contaminação do solo e dos lençóis freáticos, emissão de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, sustenta economicamente milhares de famílias que sobrevivem da coleta de materiais recicláveis.
Diante do cenário, o MP-BA passou a intensificar uma estratégia de atuação baseada em acordos de encerramento humanizado dos lixões, mas deixa claro que o período de tolerância terminou. "O encerramento do prazo legal representou um marco importante. A partir desse momento, a manutenção de lixões deixou de ser uma questão de adequação futura e passou a configurar uma situação objetiva de desconformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos e com o Novo Marco Legal do Saneamento", afirma o coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (Ceama), promotor Augusto César Carvalho de Matos.
O promotor ressalta que a prioridade do Ministério Público continua sendo buscar soluções consensuais, mas alerta que municípios que permanecerem inertes passarão a responder judicialmente. "Quando o município deixa de apresentar solução técnica consistente, descumpre injustificadamente os compromissos assumidos ou permanece inerte diante de uma obrigação legal já vencida, as Promotorias de Justiça adotam as medidas cabíveis, inclusive o ajuizamento de ações civis públicas, a execução de termos de ajustamento de conduta e a responsabilização dos agentes públicos nas esferas civil, administrativa e, quando presentes os requisitos legais, criminal."

NEGOCIAÇÕES
Ao invés de promover uma judicialização imediata, o MP-BA criou o Programa de Encerramento Humanizado dos Lixões, que estabelece cronogramas de adequação para as prefeituras. Até agora, 20 municípios participaram do primeiro ciclo de pactuação, enquanto outros 22 municípios da região de Feira de Santana já executam a mesma metodologia, que deverá ser expandida para outras regiões do estado.
Os acordos não se limitam ao fechamento físico dos lixões. Eles determinam uma série de medidas obrigatórias, entre elas:
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Isolamento e controle de acesso à área de descarte;
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Interrupção definitiva da disposição de novos resíduos;
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Encaminhamento dos rejeitos para aterros licenciados;
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Cadastramento e inclusão dos catadores;
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Implantação da coleta seletiva;
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Recuperação ambiental das áreas degradadas;
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Criação de mecanismos que garantam sustentabilidade financeira ao serviço.
Segundo Augusto César, o prazo inicial de 90 dias previsto para medidas emergenciais ainda está sendo acompanhado. "Já é possível observar mobilização administrativa e avanços concretos por parte de diversos municípios, mas seria precipitado afirmar que todos os compromissos foram integralmente cumpridos. O acompanhamento é permanente e individualizado."
FALTA DE RECURSOS
Se o MP endurece a fiscalização, os municípios sustentam que o principal entrave é financeiro. Em resposta ao Bahia Notícias, a União dos Municípios da Bahia (UPB) afirmou, em nota, que a destinação adequada dos resíduos é um dos maiores desafios da gestão municipal, especialmente para cidades pequenas.
Segundo a entidade, muitos municípios "não possuem condições financeiras e operacionais para realizar sozinhos todas as etapas do manejo dos resíduos sólidos", realidade agravada pela baixa arrecadação, pequenas populações, grandes extensões territoriais e longas distâncias até os aterros licenciados.
A entidade defende a ampliação dos consórcios intermunicipais e cobra maior participação financeira da União. "A orientação da UPB é que os gestores busquem soluções regionalizadas e consorciadas entre municípios, permitindo o compartilhamento de custos, ganhos de escala e maior viabilidade econômica para a prestação do serviço."
NOVOS ATERROS
Embora reconheça as dificuldades financeiras das prefeituras, o Ministério Público sustenta que repetir a estratégia adotada nas últimas décadas não resolverá o problema.
O órgão lembra que entre 1995 e 2007 foram investidos mais de R$ 33 milhões na implantação de 55 aterros públicos na Bahia — sendo 20 convencionais e 35 simplificados. Grande parte dessas estruturas, entretanto, voltou a operar como lixão por falta de manutenção, gestão técnica e sustentabilidade financeira.
Por isso, o MP mudou o foco. "A solução para o encerramento célere dos lixões passa menos pela construção de novos aterros públicos e mais pela utilização racional da capacidade instalada existente", afirma Augusto César.
Segundo o promotor, hoje praticamente toda a estrutura apta a receber resíduos de forma regular pertence à iniciativa privada, exigindo contratos regionalizados entre municípios e operadores licenciados. O MP também defende a criação de taxas ou tarifas específicas para garantir recursos permanentes ao sistema de limpeza urbana.
QUEM VIVE DO LIXO
O fechamento dos lixões, porém, traz um segundo problema que preocupa tanto o Ministério Público quanto os próprios trabalhadores: a sobrevivência dos catadores.
Presidente da Rede Recicla Bahia, João Paulo de Jesus afirma que milhares de famílias dependem exclusivamente da atividade desenvolvida dentro dos lixões. "A partir do momento que ele perde essa relação do trabalho, mesmo sabendo nós que esse espaço é totalmente desumano, ele fica sem nenhuma renda, sem nenhum ganho econômico. O poder público precisa garantir imediatamente a sobrevivência desses trabalhadores durante essa transição."
Ainda de acordo com a Rede Recicla Bahia, aproximadamente 120 mil pessoas dependem dessa atividade para se sustentar.
Segundo ele, muitas famílias estão há duas ou três gerações vivendo da coleta de recicláveis. "Nós encontramos duas, três gerações de pessoas que mantém suas vidas ali. Não basta retirar essas pessoas do lixão. É preciso construir uma alternativa econômica."
O Ministério Público compartilha dessa avaliação. Para Augusto César, retirar famílias do lixão sem assegurar renda apenas substitui um problema ambiental por uma crise social. "Retirar uma família do lixão sem assegurar renda, organização produtiva e inserção na coleta seletiva pode resolver formalmente um problema ambiental, mas criar um problema social ainda mais grave. Por isso falamos em encerramento humanizado."
O MP firmou um acordo de cooperação com o Ministério Público do Trabalho, a Rede Recicla Bahia e outras entidades para realizar diagnósticos individualizados dos catadores antes do encerramento dos lixões.
João Paulo afirma que a principal reivindicação da categoria não é assistência social, mas remuneração pelos serviços ambientais prestados. "Nós não queremos cesta básica, não queremos galpão cedido. Nós queremos que pague o custo da operação. Se a empresa de limpeza recebe para prestar o serviço, por que as cooperativas não podem receber também?"
Segundo ele, a coleta seletiva prevista na legislação somente será efetiva se os catadores forem contratados pelos municípios. "Não existe inclusão socioprodutiva sem pagar a conta."
FUTURO INCERTO
Apesar da pressão institucional, o próprio Ministério Público evita estabelecer uma data para que a Bahia elimine definitivamente os lixões, segundo Augusto César, anunciar um novo prazo sem alterar a estrutura da política pública significaria repetir erros do passado. "O Ministério Público não deve anunciar uma data artificial. Mais importante do que oferecer uma data simbólica é consolidar uma trajetória irreversível."
A estratégia passa por ampliar os acordos regionais, utilizar a capacidade dos aterros já existentes, estruturar a coleta seletiva, remunerar os catadores, recuperar áreas degradadas e responsabilizar municípios que permanecerem omissos.
Linha do Tempo: A Luta Contra os Lixões:
- 1995 a 2007 – Obras fracassadas: O Estado investe mais de R$ 33 milhões em 55 aterros (20 convencionais e 35 simplificados). Grande parte volta a operar de forma inadequada por falta de gestão continuada das prefeituras.
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2010 – A Primeira Tentativa: Sancionada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS - Lei 12.305/2010). A lei determinou o fim dos lixões em todo o país e estipulou, inicialmente, o ano de 2014 como prazo final para a adequação, meta que foi amplamente ignorada pelos municípios.
- Julho de 2020 – O Novo Marco Legal: Entra em vigor o Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020). A nova legislação atualiza a PNRS e cria um escalonamento de prazos para as cidades se adequarem, dependendo de fatores como população e localização.
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Agosto de 2021 a Agosto de 2023 – Prazos Intermediários: Vencem os prazos para capitais, regiões metropolitanas e cidades com mais de 50 mil habitantes. Na Bahia, a maioria esmagadora das cidades não conseguiu cumprir o cronograma.
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2 de Agosto de 2024 – O Prazo Final: Vence a data-limite absoluta, estipulada pelo Marco Legal do Saneamento, para que todas as cidades brasileiras (mesmo as com menos de 50 mil habitantes) encerrassem seus lixões a céu aberto. A data marca o esgotamento legal e coloca as prefeituras inadimplentes sob risco iminente de sanções.
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2024 a 2026 – A Ofensiva do MPBA: Diante do descumprimento generalizado, o Ministério Público da Bahia intensifica o Programa de Encerramento Humanizado dos Lixões. O órgão passa a firmar dezenas de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) em série com as prefeituras.
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2025/2026 – Prazos Curtos e Inclusão: Nos acordos mais recentes assinados com o MPBA, os municípios baianos estão recebendo determinações rigorosas: em até 90 a 120 dias, devem isolar as áreas de descarte irregular, apresentar Planos de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e, fundamentalmente, comprovar a organização e o fornecimento de estrutura (como galpões e EPIs) para a inclusão produtiva dos catadores de materiais recicláveis, antes de fechar o lixão de vez.
A prefeitura de Vitória da Conquista, no Sudoeste, foi obrigada pela Justiça a concluir a elaboração e encaminhar à Câmara de Vereadores um Projeto de Lei do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB).
A decisão, informada nesta quarta-feira (29), atende a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), que apontou a omissão da administração municipal na finalização do processo. O prazo para a iniciativa é de até 180 dias.
Ajuizada pela promotora Karina Cherubini, a ação aponta que, embora as etapas técnicas para a elaboração do plano tenham sido realizadas, o Município permanece sem concluir o PMSB desde 2020 e não encaminhou o projeto de lei para apreciação do Poder Legislativo.
Segundo a promotora, a prefeitura contratou, em 2019, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para elaborar os estudos técnicos que serviriam de base ao plano. Os trabalhos foram concluídos e disponibilizados para consulta pública em 2020.
No entanto, o Executivo municipal não encaminhou o projeto de lei à Câmara de Vereadores, impedindo a formalização do instrumento de planejamento previsto na legislação. Além de concluir o plano e submetê-lo ao Legislativo, a sentença determina que o Município promova ampla divulgação do PMSB e de todos os estudos que o fundamentam, disponibilizando de forma integral o conteúdo na internet, especialmente no site oficial da prefeitura.
A decisão judicial também estabelece que, após a publicação da lei que instituir o Plano Municipal de Saneamento Básico, o Município deverá comunicar a conclusão e conteúdo do mesmo à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), no prazo de até 30 dias, para inserção das informações no Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa).
Outro ponto da sentença obriga a administração municipal a selecionar e delegar, em até 180 dias, a regulação dos serviços públicos de saneamento básico a uma entidade reguladora e fiscalizadora qualificada, em conformidade com as normas de referência estabelecidas pela ANA.
Ainda na ação, a promotora de Justiça Karina Cherubini argumentou que a ausência do Plano Municipal de Saneamento Básico compromete o acesso do município a recursos federais, afeta a validade de contratos relacionados aos serviços de saneamento e prejudica a proteção ao meio ambiente e à saúde pública.
O Ministério Público Federal (MPF) converteu em inquérito civil público o procedimento preparatório que investiga as condições precárias de saneamento básico, serviços de saúde, acesso à energia elétrica e regularização fundiária na comunidade remanescente de quilombo Baixa das Cabaças, localizada no município de João Dourado, no interior da Bahia.
O inquérito tem origem de um Procedimento Preparatório instaurado após constatações feitas durante a 47ª etapa do Programa Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) da Bacia do São Francisco. Na ocasião, uma visita técnica à comunidade revelou deficiências estruturais que afetam diretamente a qualidade de vida dos moradores, incluindo a ausência de políticas públicas efetivas para o território tradicional.
O procurador da República Marcos André Carneiro Silva destacou, na portaria, a necessidade de dar continuidade às apurações e realizar diligências consideradas indispensáveis para o devido encerramento do caso.
A Bahia acumulou mais de R$ 9,3 bilhões em investimentos em saneamento básico entre 2003 e fevereiro de 2026, somando recursos públicos e privados, e aparece na quarta posição no ranking nacional. De acordo com levantamento da Agência Fiquem Sabendo, com dados do Ministério das Cidades, a quantia é referente a 354 contratos diferentes firmados no estado ao longo dos últimos 23 anos.
Do total aplicado na Bahia, cerca de R$ 9 bilhões são de origem pública, enquanto R$ 277 milhões vieram da iniciativa privada. Conforme os dados, cerca de R$ 3,5 bilhões foram investidos em esgotamento sanitário; R$ 2,4 bilhões foram destinados para abastecimento de água; R$ 1,9 bilhão para manejo de águas pluviais; R$ 1,6 bilhão para o esgotamento sanitário; e R$ 1,2 bilhão para outras categorias.
A quantia total de R$ 9 bilhões coloca a Bahia atrás apenas de São Paulo (R$ 30,4 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 16,5 bilhões) e Minas Gerais (R$ 11,2 bilhões). Na sequência do ranking, aparecem estados como Paraná, com R$ 8,1 bilhões, Rio Grande do Sul, com R$ 7 bilhões, e Pará, que soma R$ 4,9 bilhões em investimentos no período.
Entre os estados do Nordeste, a Bahia lidera com folga considerando o aporte das últimas décadas. Pernambuco registra cerca de R$ 4 bilhões, seguido por Ceará (R$ 3,6 bilhões) e Maranhão (R$ 3,01 bilhões).
Os dados mostram ainda forte predominância de investimentos públicos em diversas unidades da federação. Em estados como Paraíba, Piauí e Sergipe, os aportes foram exclusivamente estatais no período analisado.
Por outro lado, algumas unidades registraram maior participação privada, como São Paulo e Paraná, indicando diferentes modelos de financiamento e gestão do setor no país.
O levantamento evidencia a concentração de investimentos nas regiões Sudeste e Sul, ao mesmo tempo em que aponta a Bahia como principal destino de recursos em saneamento no Nordeste ao longo das últimas duas décadas
Pelo menos 46% dos mais de R$ 130 bilhões investidos pelo país em saneamento público desde 2003 até fevereiro de 2026 foram direcionados ao Sudeste. Os maiores beneficiados foram São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em contrapartida, o Amapá (R$ 502 milhões) e o Acre (R$ 608 mi) receberam os investimentos mais modestos, na casa dos milhões.
A relação inclui dados como a fonte do investimento, publica ou privada, a quantidade de contratos, os valores investidos, em qual estado e o tipo de ação sanitária realizada. As maiores somas foram direcionadas, por exemplo, ao esgotamento sanitário (R$ 50 bilhões), ao abastecimento de água (R$ 37 bilhões) e ao manejo de água das chuvas (R$ 27 bilhões).
Veja o mapa dos investimentos:
Mais um equipamento da capital baiana com vínculo ao governo do Estado pode passar por dificuldade caso a gestão queira conceder para iniciativa privada ligada ao setor imobiliário. Além do antigo Centro de Convenções da Bahia, que tem leilão aberto, e a antiga sede do Departamento de Trânsito (Detran) e a antiga Rodoviária da capital, ambos na região do Iguatemi, o Parque de Exposições também possui travas na legislação municipal.
Diferente de outras classificações, como a Zona Predominantemente Residencial (ZPR) — destinada majoritariamente à habitação — ou as Zonas de Centralidade (ZCMu e ZCL), que admitem explicitamente o uso residencial em conjunto com o comércio, a áreas aparece como Zona de Uso Especial (ZUE), vinculada estritamente aos equipamentos.

Parque de Exposições alocado no nº 10 | Foto: Anexo Lei 9879/2025
O regramento atual, a implementação de condomínios residenciais ou edifícios de apartamentos no terreno não encontra respaldo na lei. Além disso, a Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (LOUOS) afirma que: "nas ZUE, os usos permitidos e respectivos usos acessórios serão autorizados caso a caso, de acordo com as características específicas de cada ZUE". Para que um futuro arrematante possa implementar projetos residenciais, a prefeitura de Salvador precisaria formalizar uma alteração de zoneamento, que é o instrumento que delimita o território e impõe "regras diferenciadas para parcelamento, uso e ocupação do solo", e qualquer mudança em sua finalidade exige novo processo legislativo.
A própria LOUOS abre possibilidade de adaptações por meio de lei encaminhada pelo Executivo à Câmara de Salvador. Como mostra o parágrafo 2º do art 32 do documento legislativo: "em caso de alteração da atividade principal existente na ZUE, novos parâmetros de parcelamento e urbanização, uso e ocupação do solo deverão ser estabelecidos por lei".
NOVOS HORIZONTES?
A construção de hotéis, um shopping center e uma arena de shows na área que atualmente abriga o Parque de Exposições de Salvador voltou a ser discutida por membros do governo do estado recentemente. Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias, em julho de 2025, a gestão estadual possuía um “projeto pronto” para a construção do novo Centro de Convenções da capital baiana na região no bairro de Itapuã, incluindo, também, a incorporação de todo um complexo comercial no espaço.
De acordo com fontes da reportagem ligadas ao governo do estado, o projeto possuiria aprovação das secretarias responsáveis, mas aguardaria a autorização do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Membros da gestão apontaram que o consentimento do petista deveria ter acontecido. Após a possível autorização do governador, o próximo passo seria a assinatura do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), que será feito em parceria com uma empresa da iniciativa privada. Assim, ainda não há uma previsão para o início eventual de obras para a adaptação do Parque de Exposições.
Um grupo empresarial, que já teria iniciado interlocução com o governo, chegou a demandar a construção de um complexo viário para melhorar o acesso à região, conectando a Avenida Luiz Viana Filho ao bairro de Itapuã, para além das atuais vias. Esse pedido é uma das questões que está no debate e na mesa do governador, conforme fontes do Bahia Notícias.
O EQUIPAMENTO
O Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador (PEAS) está localizado entre as avenidas Paralela e Dorival Caymmi, em Itapuã, próximo ao aeroporto da capital baiana e é administrado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). O parque possui uma área de 450.000 metros quadrados e é conhecido por receber eventos agropecuários, culturais, educacionais, sociais e institucionais.
O equipamento foi inaugurado em 30 de setembro de 1978 e é frequentemente palco de shows, feiras, congressos e outras atividades, sendo um espaço importante para a cidade. Porém, ultimamente, o local tem sido utilizado pelo governo apenas para a entrega de materiais para os municípios do interior. Com atos oficiais, o governo realiza a disponibilização de equipamentos, como ambulâncias, retroescavadeiras, viaturas, para municípios do interior.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Ricardo Alban
"A entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro".
Disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban ao comentar a aprovação da medida provisória 1357/2026, que revogou a chamada “taxa das blusinhas”. Segundo Alban, a medida representa um retrocesso econômico, cria uma condição de desigualdade para o setor produtivo brasileiro e pode colocar em risco mais de 100 mil empregos.