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Brasil registra menor índice de trabalho infantil desde 2016 com 1,49 mi de casos

Por Redação

Brasil registra menor índice de trabalho infantil desde 2016 com 1,49 mi de casos
Ministério do Trabalho/Divulgação

Em 2025, o Brasil registrou uma redução de 9,2% no número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil, atingindo o menor nível desde 2016, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Apesar dos avanços, ainda havia 1,499 milhão de jovens nessa condição, representando 4,0% da população nessa faixa etária. As piores formas de trabalho infantil também apresentaram queda, com 525 mil vítimas em 2025, uma redução de 6,3% em relação ao ano anterior.

 

O Ministério Público do Trabalho (MPT) observou um aumento de 24,3% nas denúncias relacionadas à proteção de crianças e adolescentes entre 2024 e 2025, passando de 7.326 para 9.105. Em 2026, até 16 de outubro, as denúncias já superavam o total de 2025. O MPT também registrou um crescimento de 32% no número de Termos de Ajuste de Conduta (TACs) e ações ajuizadas, refletindo um esforço maior na fiscalização e proteção dos direitos dos jovens.

 

Luísa Carvalho Rodrigues, vice-coordenadora nacional da Coordenadoria Nacional de Combate ao Trabalho Infantil do MPT, destacou que, embora a redução seja significativa, não é motivo para complacência. "O trabalho infantil é um fenômeno complexo e multifatorial, que exige respostas articuladas. A queda mostra que políticas públicas estruturantes funcionam quando têm permanência, continuidade e financiamento adequado. Ainda temos 1,5 milhão de crianças e adolescentes com a infância e a adolescência violadas", afirma

 

A pesquisa revelou que a maior parte das crianças em situação de trabalho infantil estava em famílias beneficiárias do Bolsa Família, onde 4,4% dos jovens estavam nessa condição. A redução de 20,1% nos domicílios beneficiados pelo programa resultou em 144 mil crianças a menos em situação de trabalho infantil em um ano. Essa queda entre beneficiários do Bolsa Família representou mais de 95% da redução total.

 

Apesar dos avanços, o Brasil não cumpriu a Meta 8.7 da Agenda 2030 da ONU, que visava eliminar o trabalho infantil até 2025. A maioria das vítimas são adolescentes de 14 a 17 anos, com 67% sendo pretos ou pardos. O MPT ressaltou a importância de manter e fortalecer o Bolsa Família, concluir a recomposição da carreira de auditoria-fiscal do trabalho e garantir o cofinanciamento das Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, além de promover a aprendizagem profissional para garantir direitos e frequência escolar aos jovens.