Influenciadora de 23 anos pode ser condenada à morte por fuzilamento em Dubai por suposto assassinato do namorado
Por Redação
A influenciadora digital britânica Brooke George, de 23 anos, está detida em Dubai sob acusação de homicídio contra o namorado e pode enfrentar a pena de morte por fuzilamento caso seja considerada culpada pela Justiça dos Emirados Árabes Unidos, conforme informações divulgadas pela organização Detained in Dubai, que presta assistência a estrangeiros detidos no país. As informações são do O Globo.
De acordo com a entidade, Brooke teria pegado uma faca de cozinha durante um suposto ataque violento do companheiro e agido para proteger a própria vida. A organização pede que ela seja libertada sob fiança e que o caso seja tratado como um episódio de violência doméstica, não como um homicídio doloso.
A diretora-executiva da Detained in Dubai, Radha Stirling, afirmou que a jovem descreveu a primeira viagem que fez a Dubai com o namorado como "o melhor momento da vida", mas que, na segunda visita, o relacionamento tornou-se abusivo. Segundo Stirling, Brooke relatou que o companheiro passou a ser cada vez mais controlador e agressivo, e que ela tentou deixar Dubai após supostamente receber um soco, mas teve o passaporte retido e voltou a ser atacada no apartamento onde o casal estava hospedado. "Temeu por sua vida e, ao alcançar uma faca de cozinha que estava ao seu alcance, agiu em legítima defesa", declarou Stirling.
A diretora também mencionou que pessoas próximas à britânica passaram a acreditar que ela poderia ter sido atraída para Dubai sob falsos pretextos para fins de exploração.
"As pessoas mais próximas de Brooke passaram a acreditar cada vez mais que ela pode ter sido atraída para Dubai sob falsos pretextos com o objetivo de exploração", afirmou.
Segundo Stirling, essa suspeita foi reforçada pela mudança de comportamento do namorado, pela compra de uma passagem apenas de ida, por uma sessão profissional de fotos de biquíni organizada durante a primeira viagem, pela suposta retenção do passaporte e por relatos feitos por Brooke a amigos de que "as coisas não estavam certas".
DEPOIMENTO DA FAMÍLIA
A mãe da influenciadora, Thereza George, disse ter percebido mudanças no comportamento da filha após a segunda viagem a Dubai. "Depois que Brooke voltou a Dubai pela segunda vez, a dinâmica entre eles havia mudado claramente", afirmou. Segundo ela, no dia anterior ao incidente, a filha parecia diferente. "No dia anterior ao incidente, ela não parecia ser ela mesma. Estava mais calada e não era a pessoa feliz e alegre de sempre, mas não me contou o motivo", relatou.
Thereza contou que, na noite do caso, Brooke e o namorado foram a um bar em Dubai e que, pouco depois, conversou com a filha por telefone. "Naquela noite, eles foram a um bar em Dubai. Quando falei com Brooke logo após o incidente, ela estava absolutamente apavorada. Nunca vi minha filha tão assustada em toda a minha vida. Ela chorava incontrolavelmente. Pude ver que um dos olhos dela estava muito inchado e começava a se fechar", descreveu. A mãe afirmou estar "profundamente preocupada" e disse que a filha estava desesperada para deixar o país. "A filha com quem falei naquela noite estava completamente apavorada. Acredito firmemente que ela estava desesperadamente tentando voltar para casa e se afastar do que quer que tivesse acontecido", completou.
A Detained in Dubai também afirma que Brooke permaneceu detida na delegacia de Bur Dubai e alegou ter sido obrigada a permanecer nua diante de policiais homens, sem a presença de uma agente feminina. A organização diz que a britânica descreveu a situação como "profundamente humilhante e angustiante". A entidade ainda afirma que Brooke não teve acesso à embaixada britânica e foi obrigada a prestar depoimentos sem a presença de um advogado.
Radha Stirling avaliou que o caso "levanta sérias preocupações sobre a violência contra as mulheres, o direito à legítima defesa, o devido processo legal e o tratamento dado a cidadãos britânicos detidos no exterior". A organização pede que Brooke receba proteção, atendimento médico adequado, representação jurídica e assistência consular britânica imediata durante a investigação. "Pedimos que Brooke seja libertada sob fiança enquanto a investigação prossegue. Os Emirados Árabes Unidos têm um histórico amplamente documentado de criminalizar e revitimizar mulheres que denunciam violência", afirmou Stirling.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores, da Commonwealth e do Desenvolvimento do Reino Unido informou: "Estamos em contato com uma cidadã britânica detida nos Emirados Árabes Unidos, prestamos apoio à família dela e mantemos contato com as autoridades locais". O caso segue em investigação pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos, e a jovem permanece detida enquanto aguarda o desenrolar do processo judicial.
