No banco dos réus, Monique diz pela primeira vez que acredita que Jairinho matou Henry Borel
Por Redação
Monique Medeiros afirmou nesta terça-feira (2), pela primeira vez em juízo, acreditar que o ex-vereador Jairo de Souza, o Jairinho, foi o responsável pela morte do filho Henry Borel, morto aos 4 anos em 2021. "Creio que foi Jairo", declarou ao ser questionada pela juíza. Anteriormente, ela havia dito apenas que "somente Deus para saber".
Monique depõe no banco dos réus desde as 10h30 desta terça (2). Ao longo do depoimento, descreveu um relacionamento marcado por controle, drogas e violência.
Segundo ela, Jairinho a proibia de fazer aulas com homens e de malhar de shorts, além de monitorar sua localização em tempo real pelo celular e mandar uma pessoa à academia para fotografá-la. Ela também relatou que ele, por ser médico, a obrigava a ingerir remédios macerados no vinho para, segundo ele, "evitar que ela conversasse com outro homem enquanto ele dormia", e que chegou a flagrá-lo colocando o medicamento sem seu conhecimento.
Na madrugada da morte de Henry, Monique disse que adormeceu rapidamente após Jairinho lhe dar remédios. "Ele também dizia que tomava remédios para dormir, mas hoje sei que não tomava e passava a noite conversando com outras mulheres", afirmou.
Monique relatou ainda dois episódios de agressão ao filho. No primeiro, Henry lhe contou que havia levado uma "banda" e uma "moca" de Jairinho enquanto ela cozinhava, e que ele chamou a criança de "viadinho". No segundo, ocorrido em 12 de fevereiro, a babá avisou por mensagem que Jairinho havia chegado fora do horário e levado Henry para o quarto. Após cerca de cinco minutos, a criança saiu dizendo que havia apanhado novamente e que "o tio sempre fazia isso". Na saída do salão onde estava, Monique comprou uma câmera para monitorar o filho, mas não chegou a instalá-la.
Sobre a noite da morte, disse que foi acordada por Jairinho, que informou que o menino estava caído no chão com "os olhos abertos, olhando para nada". Ela afirmou que não desconfiou dele naquele momento, pois não havia marcas visíveis no corpo do filho, e entrou em luto profundo.
A mudança de versão, segundo Monique, veio após reportagens sobre o caso. Ela disse ter dado um tapa em Jairinho e o acusado diretamente. Em resposta, ele teria colocado a mão sobre uma Bíblia e jurado pelos filhos mortos que nunca tocou na criança, o que a fez permanecer ao lado dele. Disse ainda que foi Jairinho quem jogou os celulares pela janela no momento em que ambos foram presos.
A defesa de Jairinho tem sustentado a inocência do cliente e contestado os depoimentos ao longo do júri.
